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  • há 2 semanas
Um bate-papo com dois excelentes professores de literatura brasileira, sobre temas como o ensino da literatura, impressão sobre livros e a relação dos alunos com os livros.

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Transcrição
00:01Começa agora, Vitrine Literária, com professor e escritor Francisco Grijó.
00:07Tudo sobre literatura contemporânea, temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
00:19Olá pessoal, tudo bem? Mais uma edição do Vitrine Literária com Francisco Grijó.
00:25Bom, aliás, não é só mais uma edição, é a última edição de 2023.
00:31Os meus convidados estão aqui, não vou mostrar ainda quem são, mas nós vamos fazer dois programas com eles.
00:37São professores de literatura, conceituadíssimos, nós vamos conversar.
00:41Mas eu já vou deixando claro para vocês o seguinte, nós temos essa semana, Vitrine Literária, e na semana que
00:48vem, mais um.
00:49E aí acaba 2023. Só retornaremos em fevereiro de 2024 com algumas atrações muito especiais, tão especiais quanto essas.
01:01Mas eu quero começar falando para vocês o seguinte, os meus convidados são da minha área, são da área de
01:08literatura e são também professores.
01:10São professores que trabalham com alunos de escola privada, mas são professores cuja origem está na escola pública.
01:21Então nós vamos conversar hoje sobre o ensino de literatura, sobre o aluno, sobre o incentivo à leitura, o incentivo
01:29ao contato com os livros em dois universos diferentes,
01:35que são os universos público e privado.
01:39Eu tenho aqui diante de mim Marcela Amaral, professora de literatura, de língua portuguesa, de redação.
01:46Eu tenho aqui Paulo Escárdoa, professor de literatura, de língua portuguesa e também de redação.
01:52Duas figuras por quem eu tenho um grande respeito, uma grande admiração.
01:55Trabalham comigo e eu queria fechar o ano justamente falando sobre algo que me diz respeito diretamente.
02:03Não só vocês sabem, a gente não traz aqui somente poetas, escritores, editores, não.
02:11A gente traz também leitores e traz também professores.
02:15Eu tenho aqui Marcela e Paulo.
02:18Eu vou começar, Paulo, se você me permite, evidentemente começar pela dama, que é Marcela.
02:25Marcela, eu vou começar com uma provocação que vai servir para o Paulo também.
02:30Você já deu aulas para ensino fundamental no período noturno.
02:37Tá.
02:38Provavelmente para alunos que tinham mais idade do que o tradicional.
02:43E hoje você trabalha, hoje não, já faz muito tempo, você trabalha com alunos que têm, em média, 17 anos
02:50de idade
02:51e que estão indo para a universidade.
02:53Eu quero saber de você o seguinte.
02:56Qual a diferença?
02:59Há anseios, necessidades.
03:02Porque, assim, quando eu comecei, eu era mais nova que os meus alunos, né?
03:07Comecei muito cedo.
03:09E aí, e dava aula noturno, todo mundo trabalhando o dia inteiro e tentando concluir o ensino fundamental ali.
03:18Não era nem...
03:20O ensino fundamental, dois ou um de hoje?
03:22Dois, dois.
03:24Né?
03:26Era sétimo, oitavo, uma escola que tinha em frente à minha casa e que muitos ali eu via transitar no
03:35bairro.
03:36Era uma turminha que estava o dia inteiro trabalhando e que ia à noite para tentar ter um certificado, um
03:43diploma, melhorar de vida, né?
03:45Então, assim, leitura não era...
03:50Eu queria um histórico preenchido, né?
03:54Para garantir o emprego melhor, enfim.
03:57Era essa a realidade.
03:58Hoje, eu trabalho com adolescentes concludentes do ensino médio que têm por objetivo entrar nas universidades.
04:08Certo.
04:10Mas, antes de eu passar para o Paulo, a gente já vai adiantar uma discussão que eu acho fundamental.
04:16Um professor de literatura, ele não está ali, única e exclusivamente, para ensinar literatura.
04:23Mas, também, para mostrar o quanto a literatura é importante e o quanto o veículo que leva a literatura ao
04:31leitor, que é o livro, é importante.
04:34E essa garotada, lendo hoje, essa garotada está lendo, seus alunos leem, você consegue fazer com que eles têm interesse
04:42por leitura?
04:45Não todos.
04:46A gente desperta, né?
04:48A gente joga a sementinha.
04:51Tem anos que eu encontro com meninos que...
04:55Esse ano, por exemplo, eu tive um aluno que falou assim...
04:57Eu vi ele lendo, eu falei assim...
04:59Ah, por que você está lendo?
05:00Eu quero ler muito.
05:02E aí, eu levei seis livros para ele de classicão, assim...
05:09Super variado, porque ele estava lendo Machado, ele queria ler Guimarães.
05:15Ele, eu não estou entendendo, mas eu gostaria.
05:17Mas, assim...
05:19Um, né?
05:22Eu tenho que competir muito com o celular, com a internet, com...
05:28A gente tenta e a gente conversa muito, inclusive nós três.
05:32A gente conta história, eu declamo poesia.
05:36E aí, por esse caminho, a gente desperta, a gente vai chamando.
05:43Mas, eu confesso que, e não é novo, não é de hoje, que leitura é muito específico
05:50para quem é, quem gosta e continua.
05:53Quem chega para mim no final do ensino médio, sem ler, é mais difícil essa construção.
06:01Você concorda com isso, Paulo?
06:02Concordo.
06:02Você também começou com escola pública e hoje está só na escola particular, certo?
06:08Esses dois universos são muito distintos.
06:12Eu sei que, economicamente, eles são distintos.
06:14E que a economia, ela gera outras distinções.
06:18Mas, o aluno, o interesse do aluno do ensino privado,
06:24ele é maior ou menor do que o interesse do aluno do ensino público?
06:28O que você acha?
06:29Olha, pensando pelo lado do interesse, eu vejo muitas vezes, não vou dizer que é sempre assim,
06:36mas eu vejo muitas semelhanças entre o aluno do colégio público e privado
06:41no que diz respeito ao interesse, no que diz respeito ao engajamento na leitura.
06:46Talvez, na pública, a gente tenha outras demandas, como a Marcela falou.
06:51O aluno tem outros anseios, tem outras necessidades.
06:53Na particular, até pela questão familiar, ser muitas vezes mais presente,
06:59você consegue barganhar melhor.
07:01Há um temor maior também.
07:04Temor?
07:05Sim, temor.
07:06Eu penso no temor do ponto de vista didático, pedagógico, a punição, a reprovação.
07:11Eu tenho que ler, pois senão eu vou ficar reprovado.
07:14Uma atividade de leitura, embora os teóricos atualmente rejeitem essa proposta,
07:20a leitura enquanto imposição, senão você vai eventualmente perder nota,
07:25isso causaria um... teria um efeito contrário.
07:30O que você acha disso?
07:31Eu tenho um pensamento ambíguo quanto a isso.
07:36Vamos lá.
07:37Se você...
07:38Eu acho que aqui é uma discussão muito boa, que a gente não fez aqui.
07:41Porque já vieram professores aqui de literatura,
07:44mas eu não tive a oportunidade de discutir isso aí.
07:50Nós temos filhos.
07:53Nós sabemos que nossos filhos precisam de proteína,
07:56que eles precisam de carboidrato,
07:57que eles precisam de uma alimentação decente, etc.
08:02Então nós temos uma preocupação com a saúde deles.
08:05Mas nós sabemos que nossos filhos também têm uma necessidade intelectual.
08:09Então nós sabemos o que eles precisam.
08:11Eles não sabem que eles precisam ler Dostoiévski
08:14num determinado momento da vida.
08:17Certo?
08:17A questão é, você realmente concorda com essa ideia
08:23de que o professor não pode definir qual é o livro?
08:29Não.
08:30Pelo contrário.
08:31O professor deve definir?
08:32Acredito que sim.
08:33Nosso caminho é o caminho de intermediar,
08:36é o caminho de levar o aluno.
08:37A gente proporciona os caminhos que deverão ser seguidos.
08:42Aliás, uma fala sua uma vez.
08:44Você, num bate-papo, comentou que é o papel da escola
08:48apresentar ao aluno aquilo que ele não sabe.
08:50Claro.
08:51Aquilo que ele não conhece.
08:52Óbvio.
08:53Então se um aluno não conhece Dostoiévski,
08:56se um aluno não conhece Fernando Pessoa,
08:57é meu papel levar até ele esses autores dos canos.
09:01E como é que você faz para ele se interessar por um autor...
09:04Ele fez isso!
09:05Que está ótimo, ótimo!
09:06Esse ano...
09:07É o que eu quero saber.
09:08É o que eu quero e que eu quero que as pessoas saibam
09:10é da sua experiência em relação a isso.
09:13Porque você tem uma grande vantagem sobre mim nisso aí.
09:18Você trabalha com o ensino médio,
09:20Então você tem mais tempo, mais aulas.
09:23Eu tenho menos tempo.
09:24E eu tenho um programa para cumprir e treinar o aluno.
09:28Eu te invejo nisso aí.
09:30A questão é...
09:31Como é que você faz para um garoto
09:33que é apaixonado pela cinemática do celular,
09:38que é altamente atraente,
09:40veloz, colorida, né?
09:43E como é que você faz o garoto deixar aquilo ali
09:46e se interessar por um poeta português
09:48de 100 anos atrás?
09:50Da forma como a professora Marcela listou,
09:54eu acho que a declamação,
09:56o contar história,
09:58isso a mostrar para o aluno,
10:00e sempre de maneira muito apaixonante, né?
10:02De maneira muito apaixonada.
10:03Mostrar para ele como que a poesia pode ser transformadora.
10:06E sem cair, né, nesses clichês.
10:10A poesia realmente pode ser uma coisa
10:13que apaixona, que visga o nosso aluno.
10:15É tão gratificante quando o menino,
10:17depois de uma aula,
10:18ou depois de um trimestre,
10:19depois de um ano leitivo,
10:21vira para você e fala,
10:22professor, eu comecei a ler tal livro,
10:23tal autor,
10:24depois daquela aula que você me deu.
10:26Então, por mais que nós não alcancemos
10:28a totalidade dos alunos,
10:3010, um que seja, né,
10:33já é algo fantástico.
10:35Não é sempre uma minoria, não?
10:36É sempre uma minoria.
10:37Infelizmente, hoje em dia,
10:38por conta da cinemática do celular,
10:40é uma minoria.
10:42Agora, Grijó,
10:43aquilo que a gente estava conversando
10:46nesse momento,
10:47eu acho que a imposição,
10:50ela é...
10:51Eu acho que eu posso dizer para o aluno, assim,
10:56leia isso aqui,
10:57isso aqui é legal
10:58e dá esse direcionamento,
11:01concordo com você,
11:02mas eu acho que às vezes
11:03a escola perde um pouco
11:08porque vem uma avaliativa
11:10em cima do prazer, sabe?
11:13Escola não é prazer.
11:15Ninguém vai para a escola
11:16para ter prazer, vai?
11:17A escola é uma visão pessoal.
11:21É uma visão pessoal
11:22que é sujeita a debate.
11:24Mas a escola não é lugar de diversão.
11:27Eu posso atrelar...
11:28O lugar de diversão é de Tailândia,
11:30é parte de diversões,
11:32é cinema.
11:33A escola é um lugar
11:34até de sofrimento,
11:36em muitos casos.
11:37Sim.
11:38Ninguém vai para a escola
11:38para se divertir, em tese.
11:40Não deveria.
11:42Então, mas aí,
11:43quando eu olho para mim,
11:44eu me diverti muito na escola.
11:46É uma coisa que eu falo,
11:47inclusive com a minha filha,
11:49assim,
11:49ela adorou ficar em casa
11:51na pandemia estudando de casa.
11:53Ela falou,
11:53pô, vou ter que voltar?
11:54Não dá para eu ficar estudando em casa?
11:55Eu falei, não.
11:56Então, assim,
11:58isso me assustou
11:59porque eu achava massa
12:00ir para a escola.
12:01Mas para quê?
12:02Para estudar
12:03ou para ver os amigos?
12:04Não, então,
12:04você falou que ir para a escola
12:06não é prazeroso.
12:06Ir para a escola
12:07era prazeroso para a casa.
12:08Eu falei que a escola
12:11não é lugar de diversão.
12:12Ir para a escola
12:13para ver os amigos,
12:14ué, você pode ver os amigos
12:15em outro lugar também.
12:16Também.
12:17Mas é que,
12:17dependendo da idade,
12:18é só na escola mesmo.
12:20Mas, assim,
12:23eu entendo,
12:24entendo que
12:25é que literatura é muito,
12:27para mim não,
12:29para todos os amantes da literatura,
12:31está sempre muito atrelado
12:32a prazer só,
12:34a catarse.
12:35Eu posso aprender
12:36com a literatura
12:37como consequência,
12:39mas primeiro é,
12:41sabe,
12:42o tesão,
12:45o prazer.
12:46E aí,
12:47o que eu não gosto
12:48é esse mercado persa.
12:50Assim, ó,
12:50você vai ler esse livro
12:51para ganhar 10,
12:52para fazer esse trabalho.
12:55Sabe?
12:56E o grande desafio
12:58que a gente tem
12:59é fazer esse menino ler...
13:02Sem premiá-lo?
13:03Porque ele...
13:04Não.
13:05Então,
13:06porque ele quer ler.
13:08Esse é o meu desafio.
13:11É,
13:12é um desafio tanto, né?
13:13É.
13:14É um desafio
13:14que a gente tem dentro de casa.
13:16Sim.
13:17E dentro de casa,
13:18pelo menos na minha casa,
13:20tem prêmio.
13:21Se tiver leitura,
13:22tem prêmio.
13:22Por que eu não posso
13:23fazer isso com o meu aluno também?
13:25Não.
13:25Então,
13:26você ofertar um prêmio,
13:27beleza.
13:29Medir
13:31a leitura dele,
13:32porque muitas vezes
13:33a escola faz isso.
13:35Então,
13:35você leu,
13:36eu posso te dar um prêmio.
13:38Qual seria?
13:39Qual seria de vocês dois?
13:40Qual seria a proposta de vocês?
13:42Se é que existe uma,
13:44eu sei que é...
13:44que é uma coisa de improviso, né?
13:47Mas qual seria a proposta de vocês
13:49para resolver a questão
13:51da leitura literária na escola?
13:53Leitura literária.
13:57Difícil, né?
13:58Não, é.
13:59É um desafio.
14:00Por isso que eu usei esse termo.
14:01É um desafio.
14:03mas eu acho que
14:05que eu encontrei
14:06colegas aí
14:07na minha jornada
14:09de trabalho
14:09que propuseram
14:11coisas significativas,
14:13assim.
14:13Porque eu sou
14:15de uma escola,
14:16quando eu estudei,
14:18que eu tinha que ler
14:19um livro
14:19e fazer uma prova
14:20desse livro.
14:21As coisas mudaram já.
14:23Então,
14:24a gente trabalha
14:25a literatura,
14:27a gente...
14:28Eu tive a oportunidade,
14:30por exemplo,
14:30de trabalhar numa escola
14:32em que tinha
14:33no Fundamental 2,
14:35sexto, sétimo, oitavo,
14:36tinha uma aula
14:38de literatura
14:39e que era especificamente
14:41para trabalhar
14:43livro
14:43nessa aula.
14:45Então,
14:46eu consigo pegar o livro
14:47e destrinchar
14:48esse livro
14:49com os meninos,
14:50propondo a partir dali
14:52outras artes,
14:53outras coisas.
14:55No final,
14:55eu vou dar uma nota,
14:56mas eu vou ter
14:57todo um trabalho
14:58de elaboração
15:00e não simplesmente
15:02leia isso aqui
15:03para fazer uma prova.
15:04Como é que você faz,
15:05Paulo?
15:05Porque você dá prova.
15:06A Marcela não dá prova
15:08porque trabalha
15:08no terceiro ano também.
15:09Existe uma prova
15:10que é o Enem.
15:11Mas você não.
15:11Você elabora uma prova
15:13no qual o conteúdo
15:15que você deu
15:15é cobrado.
15:17Como é que você faz?
15:19Você é obrigado
15:19a dar prova.
15:20Sim.
15:21Né?
15:21Sim.
15:21E como é que você faz
15:22para dormir tranquilamente
15:25sabendo que você...
15:27Você foi junto
15:28com o sistema.
15:29Tive de dar uma prova,
15:30mas eu consegui despertar
15:31no aluno interesse.
15:32Como é que você lida
15:33com isso aí?
15:35Dormir bem, né?
15:36Eu acho que na educação
15:37a gente não dorme bem, né?
15:38É.
15:38Eu começo a por aí.
15:39Mas, não, não, enfim,
15:41não pelas questões econômicas,
15:42mas porque a dinâmica
15:43da nossa profissão,
15:45ela é diferente das outras.
15:48Mas, quanto à avaliação
15:50de literatura,
15:52a gente,
15:53enquanto professor
15:54de literatura,
15:55pelo menos é uma coisa
15:56que eu tento trazer
15:57para mim,
15:58uma verdade que eu trago.
16:00Da mesma forma
16:01que eu não atinjo
16:0350% ou mais
16:05que isso da turma,
16:06está o professor
16:07de matemática,
16:08que não atinge
16:09também 50% ou mais.
16:11Certo.
16:12Pensar assim,
16:14é mecanizar,
16:15é padronizar,
16:15é,
16:16mas a literatura,
16:18enquanto uma expressão
16:19de arte,
16:20uma expressão
16:20de cultura,
16:21de vida,
16:21a literatura não vai estar
16:22presente na vida
16:23de todos.
16:23eu acho que é papel
16:25do professor
16:26estimular e proporcionar
16:27caminhos,
16:30proporcionar oportunidades.
16:31E a minha avaliação
16:32é uma avaliação
16:34que visa justamente
16:36a reflexão
16:37sobre o texto literário,
16:39a reflexão
16:40sobre a obra,
16:42sobre,
16:43enfim,
16:43sobre as histórias,
16:44de que maneira
16:45aquilo se adequa
16:46à vida do nosso aluno,
16:47de que maneira
16:47aquilo se adequa
16:48à nossa vida.
16:50E aí, Marcelo?
16:52Como é que você faz?
16:54Como é que você fazia
16:54quando deu aula
16:55para o ensino médio?
16:56Como é que você fazia?
16:57Porque me parece
16:58meio dicotômico mesmo,
16:59sabe?
17:01Eu tenho que fazer
17:02uma prova
17:04e ter uma avaliação,
17:06né?
17:06Porque esse menino
17:07precisa ir para um,
17:09ele precisa evoluir
17:11em termos de certificação
17:13da escola.
17:14Sim.
17:15E ao mesmo tempo
17:15você quer despertar nele
17:17o tesão pela leitura.
17:18Eu já fiz
17:20diferentes trabalhos,
17:21já fiz,
17:22a gente fez
17:23seminário,
17:25encenações,
17:26desenhos,
17:28dependendo da faixa etária,
17:30né?
17:31Eu já
17:33fiz propostas
17:35de releitura,
17:37mas,
17:39independente disso,
17:40são avaliações
17:41do mesmo jeito,
17:42né?
17:43Pode não ser
17:44uma prova tradicional,
17:45mas é uma avaliação.
17:47O seminário?
17:47É.
17:48O seminário,
17:49ele é...
17:49Mas existe uma particularidade aí.
17:51Você é filho
17:52de um professor.
17:53Sim.
17:53Professor de língua portuguesa
17:55que deu aula para mim,
17:56Edilson Lucas do Amaral,
17:57deu aula para mim
17:57no Salesiano
17:58nos anos 70,
17:59né?
17:59Você é filho.
18:00Então,
18:01dentro da sua casa,
18:02você já tem
18:03alguém dizendo,
18:04ó,
18:04o livro é importante.
18:06Sim.
18:06Certo?
18:07Certo.
18:07Boa,
18:08a grande maioria dos alunos
18:10tem pais e mães
18:12que,
18:12por mais que
18:14respeitem os livros,
18:15por mais que achem
18:16que os livros são interessantes,
18:18não dão um exemplo
18:19para o aluno.
18:20Sim,
18:21total.
18:21É?
18:22Eu não sei quanto a sua formação familiar
18:24também é ligada à leitura,
18:26Paulo?
18:26Não,
18:26não é.
18:27Não é.
18:27Então,
18:27nós temos,
18:27maravilha,
18:28nós temos duas realidades aqui.
18:30A sua realidade é mais fácil.
18:32Você chegou ao livro
18:33com um aval familiar.
18:35ele chegou aos livros
18:36sem esse aval.
18:37Eu vou começar
18:38justamente por ele.
18:40O tesão pelo livro
18:42você não adquiriu
18:45familiarmente.
18:46É isso?
18:47Na verdade,
18:48meus pais não eram professores,
18:50enfim, né?
18:50Mas eu fui estimulado a ler.
18:52Minha mãe sempre estava
18:53com o livro na mão,
18:55coleção Sabrina,
18:56né?
18:57Sim.
18:57Eu tive professores
18:58que me trouxeram até aqui.
19:00A professora Marcela,
19:02fui minha professora,
19:03uma professora que me encantou
19:04durante as suas aulas.
19:06Tive outros professores também
19:07que me trouxeram
19:08até a posição.
19:12E apesar de não ter
19:13esse incentivo
19:15de um profissional
19:16da leitura,
19:17dentro de casa,
19:19eu acredito que o estímulo maior
19:20é você ver o seu pai
19:22ou a sua mãe
19:23ou a referência que você tem
19:24como família,
19:25sabe?
19:26Referência fraterna.
19:27Você vê essa pessoa
19:28com o livro na mão.
19:30Sabe?
19:30O próprio professor
19:31entra em sala
19:32com o livro na mão,
19:34sabe?
19:35O aluno,
19:35professor,
19:35que livro é esse
19:36que você está lendo?
19:36Esse livro,
19:37tal livro,
19:38você, sabe,
19:40para cinco minutos
19:40para poder dissertar
19:42um pouco sobre ele.
19:43Então, o estímulo.
19:45O estímulo é a chave
19:46para a gente conseguir,
19:47não é?
19:48Eu não...
19:49Ouso dizer
19:50uma pátria de leitores.
19:51Ouso dizer.
19:52Você acha
19:53que é possível
19:56haver
19:57esse
19:59tropismo,
20:00essa gravitação
20:02pelo livro
20:02se houver
20:04uma família
20:05que despreza o livro?
20:06Ou seja,
20:07uma criança
20:08conseguir chegar
20:09ao livro
20:10sendo que
20:11familiarmente
20:12é o oposto?
20:13Você acha que é possível?
20:14Eu acho que nem uma família
20:15e nem uma escola.
20:17Porque nós não podemos
20:19desprezar que o modelo
20:20educacional
20:20que se averigua
20:22no Brasil
20:23de maneira geral
20:26despreza o livro
20:28e enaltece
20:30o conteúdo,
20:32enaltece
20:32a decoreba.
20:33Embora isso tenha mudado
20:35nos últimos anos,
20:35a gente tem assistido
20:36a uma mudança
20:37nos paradigmas
20:38da educação
20:39e a literatura
20:39também entra nisso,
20:40mas a gente
20:42não consegue
20:43formar leitores
20:44se não tiver
20:45incentivo
20:46da família
20:46e também
20:46da escola.
20:48Fala,
20:48Bacela.
20:49Eu estou lembrando
20:50aqui uma vez
20:51uma reunião de pais
20:52uma mãe falou assim
20:54meu filho não lê
20:55e eu faço tudo
20:57eu assino
20:58revista semanal
20:59ela elencou
21:01lá aqueles
21:01títulos famosos
21:03eu tenho assinatura
21:04de jornal
21:05eu compro livro
21:06mas meu filho
21:08não lê
21:08e eu tive uma vontade
21:10enorme de perguntar
21:12e de dizer para ela
21:13nossa, você deve estar
21:14super bem informada
21:15porque você está assinando
21:16isso tudo
21:17e deve estar lendo
21:18ele não
21:18mas você sim
21:20mas eu já sabia
21:22que não é
21:22o que acontece
21:23e eu acho
21:25que a literacia
21:27familiar
21:28é engraçado
21:29que você tem
21:30um filho pequeno
21:31e você pega
21:32no domingo
21:32vamos correr
21:34vamos jogar bola
21:35vamos brincar
21:36e o momento
21:38de sentar
21:39e ler
21:40é esquecido
21:41e que poderia ser
21:42uma prática familiar
21:43de formação
21:44também
21:44e eu uso
21:47muitas vezes
21:48livro
21:49para chegar
21:50eu tenho uma filha
21:50adolescente
21:51e que
21:53o livro
21:54pode ser um caminho
21:55para se tratar
21:56de algum assunto
21:57sabe
21:58que de repente
21:59é mais difícil
22:00para o filho
22:01ou para o pai
22:02porque é um tabu
22:03e aí eu tenho
22:05uma história ali
22:06que pode ser
22:06uma identificação
22:08sabe
22:09e uma construção
22:10familiar
22:10só que a gente
22:11não vê
22:11e eu acho
22:13que na formação
22:14de um leitor
22:15a escola
22:17é responsável
22:18mas a família
22:21também
22:23eu diria até
22:24que a família
22:24é mais responsável
22:25a família
22:26é um definidor
22:27mas
22:28olha só
22:29nós estamos chegando
22:30ao final
22:31desse primeiro bloco
22:32eu não vou entrar
22:33nesse mérito ainda não
22:34vai ser um assunto
22:35para o nosso próximo bloco
22:36mas
22:38a idade
22:39com a qual
22:40nós trabalhamos
22:41a idade
22:42do nosso aluno
22:44é uma idade
22:45complexa
22:46e é uma idade
22:48crucial
22:49porque ela
22:50é o final
22:51da infância
22:53e adolescência
22:53é o final
22:55da infância
22:55é o coração
22:57da adolescência
22:58e é o prenúncio
22:59para a juventude
22:59onde as responsabilidades
23:01vão ser maiores
23:01etc
23:02trabalhar com esse
23:03tipo de cliente
23:06eu não chamo nem de cliente
23:07de aluno mesmo
23:08esse tipo de cliente
23:09é o pai
23:10trabalhar com esse
23:12tipo de aluno
23:14me parece muito difícil
23:15eu sempre achei
23:16muito difícil
23:18o que vocês acham
23:19sobre isso
23:20porque então
23:21já vou adiantar
23:21o que nós vamos discutir
23:22no próximo bloco
23:23o adolescente
23:25é por princípio
23:26o indivíduo
23:27que sabe tudo
23:30eu me lembro
23:31que
23:31a minha filha
23:33que hoje
23:33é uma mulher
23:34de quase 35 anos
23:36ela dizia
23:38aos domingos
23:39eu ouvia
23:39Big Benz
23:40ela dizia
23:41que era uma música
23:43ridícula
23:44sendo que ela não sabia
23:45quem era Glenn Miller
23:46quem era Tommy Dorsey
23:47quem era Count Basie
23:49ela não sabia
23:50o que era o jazz
23:50ela não sabia
23:51o que era isso
23:51mas ela dizia
23:53que dentro de toda
23:53sua sabedoria
23:54de 16 anos de idade
23:55ela dizia que
23:57era ruim
23:58ao invés de dizer
23:59eu não gosto
24:01não é meu gosto
24:02pessoal
24:02o adolescente
24:03ele é por princípio
24:04uma figura que
24:05acha que sabe tudo
24:06ele discorda de você
24:08e acha que ele está certo
24:10embora
24:11ele não tenha base nenhuma
24:12para discutir
24:14esse assunto
24:14então o que a gente vai discutir
24:16vai começar a discutir
24:17no próximo bloco
24:18é justamente isso
24:20então gente
24:21por enquanto
24:21a gente dá uma parada
24:23por aqui
24:23eu vou continuar conversando
24:25no próximo bloco
24:27ou seja
24:28na semana que vem
24:29eu vou continuar conversando
24:30com Paulo Escárdoa
24:32e Marcela Amaral
24:33que são dois professores
24:35de literatura
24:35que
24:37tiveram a deferência
24:39de vir participar
24:40do Vitrine Literária
24:41com o Francisco Grijó
24:42até a próxima semana
24:44valeu gente
24:44seu veu Vitrine Literária
24:47com o professor e escritor
24:49Francisco Grijó
24:50tudo sobre literatura
24:52contemporânea
24:53temas
24:53autores
24:54obras
24:55debates
24:56análises
24:57curiosidades
24:58e bate-papo
24:59com autores e editores
25:01o
25:01o
25:01o
25:01o
25:02o
25:03o
25:03o

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