- há 3 semanas
Um papo sobre vários aspectos da literatura feita no Espírito Santo e no Brasil, com Oscar Gama, poeta, dramaturgo, historiador, crítico literário, teórico da literatura e romancista.
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00:01Começa agora, vitrine literária, com professor e escritor Francisco Grijó.
00:07Tudo sobre literatura contemporânea, temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
00:20Olá pessoal, estamos começando a segunda parte do papo com Oscar de Almeida Gama Filho,
00:27um livro conhecido aqui no Espírito Santo como Oscar Gama.
00:31E Oscar, como eu falei na primeira vez, no primeiro programa, Oscar tem uma amplitude muito grande no que diz
00:41respeito à produção literária aqui no Espírito Santo.
00:44E Oscar tem um livro, e foi citado no programa passado, o primeiro livro dele chamado De Amor à Política.
00:53E eu me lembro, Oscar, que você era pelo menos um anarquista.
00:59Você era, não sei se você continua sendo.
01:01Não, anarquista graças a Deus, eu era assim.
01:05Como é que é a política na sua literatura?
01:10Você consegue desvencilhar? Você consegue isolar uma coisa da outra?
01:15Político era o habitante das cidades gregas, então todos nós somos políticos.
01:19Até você ser antipolítico a político, você está se posicionando politicamente.
01:24Somos habitantes das cidades.
01:27Então, todo mundo é político.
01:30Mas e essa política específica?
01:33Quando eu era jovem, o socialismo estava muito presente.
01:37Então, por exemplo, comunismo não dava para ser, porque a gente chamava de socialismo autoritário,
01:42a ditadura do proletariado, aquela questão da Sibéria, do...
01:48Estalinismo, né?
01:49Do estalinismo.
01:52Pessoal soginésimo, o cara foi enviado lá para os gulagres.
01:57Então, não.
01:59Mas aí tinha um socialismo libertário.
02:02O comunismo propunha uma evolução que a pessoa sairia da ditadura do proletariado
02:09para um Estado que nada era de ninguém.
02:12A propriedade seria o roubo.
02:14E o anarquismo propunha que isso entrasse direto.
02:17A propriedade já seria um roubo e era um socialismo libertário.
02:20Sem prisões, sem escolas.
02:23E houve mesmo, dizia Renato Pacheco,
02:26várias cidades na Rússia Branca durante a Revolução, mas não se mantiveram.
02:32Então, arcos é governante, né?
02:34Anarcos significa não governante.
02:37A ideia das cooperativas, por exemplo, veio de Kropotkin.
02:42Foi adotada por Lênin, mas é de Kropotkin.
02:45O lema terra, liberdade,
02:52veio também de Kropotkin.
02:53Lênin se apropriou, era um lema do comunismo.
02:56Tem um terceiro elemento.
02:59Então, a anarca não governante.
03:02A ideia de você não ter um governante
03:04e todo mundo decidir ao mesmo tempo.
03:06Por quê?
03:07A descrença nos governantes,
03:09que a descrença existe hoje ainda, né?
03:11Vamos ver, o nosso Congresso.
03:14Puxa, é difícil achar um que salve.
03:17A corrupção campeia.
03:20Não que eu queira que ele seja extinto de forma nenhuma.
03:22É melhor que existe congresso que é congresso em honra.
03:25Mas você vê a política ao redor do mundo,
03:28você fica desencantado.
03:30A corrupção não é patrimônio nacional.
03:33Ainda que as pessoas pensem
03:35que corrupção é um direito adquirido pelos políticos
03:38e por empresários.
03:39Não é.
03:40O certo é a pessoa agir corretamente,
03:43ter caráter.
03:46não procede.
03:48Então, é.
03:50O anarquismo que eu tive na minha juventude
03:53era isso.
03:54É uma sociedade libertária,
03:56sem líderes,
03:59sem políticas,
04:00em que, como nas cidades gregas,
04:03toda a população decidiria os rumos.
04:05Se reuniam na acrópole
04:07e decidiriam os rumos.
04:09Então, era essa ideia meio visionária
04:12certamente impossível.
04:14E isso influenciou a sua literatura?
04:15Ou seja, você escreveu com esse espírito?
04:20Talvez a estação Treblinka-Garden,
04:23que eu estou atacando todo mundo.
04:26Tem um diálogo.
04:28Freud,
04:29Freud,
04:30Marx,
04:30Freud,
04:31Marx,
04:32Lenin,
04:33não,
04:33Freud,
04:33Marx,
04:34mais dois.
04:35que você faz um deboche
04:39com a ideia do judeu.
04:41Freud e Marx,
04:42ele é assim.
04:43Um deboche bem escrito
04:45e bem articulado,
04:47bem interessante.
04:48Nada,
04:49não que você fosse contra os judeus,
04:52mas
04:53aquela parte da peça
04:55que você coloca Marx e Freud conversando,
04:58ela é brilhante.
04:59Olha,
04:59eu adoro a estação Treblinka, né?
05:01Também gosto.
05:02Então, foi a segunda peça que eu dirigi.
05:05Pena que a peça merecia um diretor melhor do que eu.
05:09Mas não havia ninguém que se dispusesse a isso, né?
05:14Você dirigiu?
05:15Eu dirigi a estação Treblinka,
05:16eu dirigi a mãe provisória,
05:18mas por falta absoluta de alguém que dirige.
05:21Eu me lembro de Onaniana.
05:23Miguel dirigiu.
05:24Onaniana,
05:25eu me lembro de Onaniana.
05:26Está aqui o cartaz de Onaniana.
05:28Foi a minha peça mais bem realidade,
05:31com cenário de ativo.
05:32O cartaz que eu puder mostrar
05:34da peça Onaniana.
05:36Aqui, ó.
05:37Bem interessante.
05:38Para quem está nos vendo,
05:40tem a chance de ver o cartaz.
05:41Quem está apenas nos ouvindo,
05:43infelizmente,
05:44fica
05:45para quando você entrar na internet
05:47e olhar
05:48o YouTube.
05:50Miguel Marvila que dirigiu.
05:52Ele dirigiu de forma...
05:53Ele trabalhou, inclusive.
05:55Miguel trabalhou em Onaniana.
05:58como diretor.
06:00Trabalhou em estação Treblinka
06:01como a figura central,
06:03que era o motorista.
06:04Miguel era tudo, né?
06:05É, Miguel era grande ator.
06:07Era brilhante.
06:08Me lembro que
06:09em uma mão improvisória
06:10a gente ia tocar
06:12a marcha fúnebre de Chopin.
06:14E havia um piano velho ali
06:16no fundo da Casa de Cultura.
06:19E Miguel ouviu lá em casa,
06:21nunca tinha ouvido.
06:22E estava...
06:24Oscar, vem cá.
06:25Eu posso fazer.
06:29Miguel tirou a marcha fundo.
06:31O que é isso, rapaz?
06:32Você não toca nada.
06:33Eu falei, eu não toco,
06:34mas eu gosto de música.
06:35Eu falei, não dá para você, Miguel.
06:37Não dá para você, não.
06:38Ótimo, ótimo.
06:39E a mão improvisória,
06:40ele era meu contra a regra,
06:41porque ele era meu melhor amigo.
06:43Tanto que eu chamava
06:44Miguel amigo meu.
06:46Então, ele participou
06:48da mão improvisória.
06:49Ele era só uma plasta,
06:51ele era contra a regra,
06:52ele era tudo.
06:53Inclusive, como ele sabia
06:54a peça toda de cor,
06:56se a Luisa Hoffmann
06:57não aparecesse,
06:58era o sonho dele,
06:58ele ia lá e fazia.
07:00Fazia o papel dela.
07:02E era onde a gente tinha
07:04já uma primeira linguagem,
07:06que era a derivação
07:07do stream of consciousness,
07:09do Joyce.
07:10Só que via Paulde.
07:13Paulde disse que o escritor
07:14vai trabalhar dist.
07:17A obra de arte tinha que ter o dist,
07:19que é a condensação.
07:20E eu criei um formato
07:22de linguagem para peça,
07:24bem estranho,
07:26como dizia Miguel,
07:27mas maravilhoso,
07:28que é a condensação,
07:29que é o estilo
07:30em que é levado
07:31a aromaturgia
07:32de a mãe improvisória.
07:33Legal.
07:34Você,
07:36além do teatro,
07:37você se aventurou agora,
07:38agora não,
07:39já faz um tempo,
07:41pelo romance.
07:42E você escreveu
07:43um romance
07:43cujo título,
07:44quando eu leio
07:46o título,
07:47eu penso em algo
07:48que contradiz
07:49o Oscar que eu conheço.
07:51O Oscar que eu conheço
07:52não é um Oscar místico,
07:54mas quando eu leio
07:55um texto
07:57cujo título é
07:58O Ovo Alquímico,
08:01que está aqui na minha mão,
08:02quem puder ver,
08:03O Ovo Alquímico,
08:04eu penso em algo místico.
08:07Tem alguma coisa de misticismo?
08:09O que é esse romance?
08:10Porque ele é um romance
08:11completamente
08:11fora dos padrões
08:14narrativos.
08:15É,
08:15é um romance
08:16sobresimbolista, né?
08:18Então,
08:18não dá a tal...
08:19Nós vamos conversar
08:19sobre o sobresimbolismo
08:20daqui a pouco.
08:21Na verdade...
08:22Nós podemos conversar
08:22inclusive junto.
08:24O que é o sobresimbolismo?
08:28E O Ovo Alquímico
08:30é esse exemplo
08:31de sobresimbolismo.
08:32O que é isso?
08:33O que é o sobresimbolismo?
08:34Tem uma brincadeira
08:35que eu faço
08:38e que está presente
08:39aqui de forma
08:40de prosa
08:40e que O Ovo Alquímico
08:42seria a maneira
08:44que Sócrates encontrou
08:46para escrever
08:46toda a sua obra
08:47de uma só vez,
08:48já que Sócrates
08:49não escreveu nada.
08:50Então,
08:51no Ovo Alquímico,
08:51vocês não podem ver,
08:52mas estão presentes
08:53todas as letras.
08:54A,
08:55B,
08:56C,
08:56D.
08:57Então,
08:58a partir do Ovo Alquímico
08:59haveria uma explosão,
09:01se formou a linguagem
09:03e daí se formou
09:04a própria realidade.
09:06Isso está no meu disco
09:07Mário Rui,
09:08Depois do Fim.
09:10Depois do Fim,
09:11Antes do Começo.
09:12Isso.
09:12Antes do Começo
09:13é a segunda parte.
09:14É.
09:16Mas nove bases
09:18que a gente tinha
09:18gravadas
09:19para a segunda parte,
09:21Mário esqueceu lá
09:22e pegaram fungo
09:24e se deterioraram.
09:26O Antes do Começo
09:27não chegou
09:27a ser feito, não.
09:30Mas o sobresimbolismo
09:32e esse livro?
09:34Pois é.
09:34O que é o sobresimbolismo
09:36que você e Nejar
09:37estão teorizando?
09:43O Ovo Alquímico
09:44ele está aqui,
09:46está vendo?
09:47Dentro da obra
09:47não dá para vocês
09:49verem direitinho.
09:50Mas o sobresimbolismo,
09:51na verdade,
09:52eu sou amigo
09:53de Nejar
09:53há uns 45 anos.
09:55Eu já
09:56prefacei,
09:57escrevi
09:57sobre um,
09:58acho que uns 10,
09:5915 livros dele
10:00e alguns
10:01a gente escreveu juntos
10:02assim,
10:03pela amizade.
10:05Ele viu
10:05muito tempo
10:05Vitória.
10:07Morava ali
10:08para Guarapari,
10:09Perocão, né?
10:10Antes ele morou
10:10aqui na Praia do Soar.
10:12É, morou na Praia do Soar.
10:12Depois foi
10:13para o Paiol da Aurora.
10:16Isso.
10:16Eu estive lá
10:17na Praia do Aurora.
10:17E depois ele voltou
10:18também aqui
10:19para Vitória.
10:20Morava ali
10:20na Praia do Canto,
10:21no edifício
10:22Juan Lepan,
10:24onde ele escreveu
10:25a obra
10:25sobre o desastre
10:26da Samarco,
10:27coisa e tal,
10:28blá, blá,
10:29e escreveu
10:29muita coisa juntos.
10:31Até eu dei o toque
10:32dele,
10:32estava fazendo quadras,
10:33eu falei,
10:33Nejar,
10:34usa disco.
10:35Disco
10:36são dois versos
10:37que é a forma
10:38da tragédia grega,
10:40é a forma
10:41da Bíblia.
10:42A Bíblia é escrita
10:42em discos,
10:43os versículos
10:44são discos,
10:46ainda que não
10:46sejam colocados
10:47em prosa,
10:48não,
10:49são discos.
10:51Mas
10:51o subsimbolismo
10:53na verdade
10:54vem a partir
10:55da genialidade
10:56de Carlos Nejar.
10:57Ele é o clássico,
10:58né?
11:00e ele explodiu
11:01tanto,
11:02explodiu tanto,
11:02a gente conversava,
11:03ele é um grande crítico,
11:04né?
11:04E eu falando
11:05sobre a figura
11:06de linguagem
11:07que ele estava
11:07criando.
11:09Enfim,
11:09um belo dia
11:09eu estava em casa
11:12e eu não sou cerebral,
11:14eu escrevo as coisas,
11:15às vezes,
11:15principalmente,
11:16uma vez só.
11:18Depois eu corrigi,
11:19mas fica 90% ali.
11:21Daí eu escrevi
11:22um texto,
11:24o subsimbolismo
11:24de Carlos Nejar.
11:27Escrevi,
11:27escrevi,
11:28escrevi,
11:28papá,
11:28papá,
11:29papá,
11:29fiquei uns dois dias
11:30escrevendo,
11:31aí eu falei,
11:32pô,
11:32vou mandar para Nejar,
11:33aí mandei para ele.
11:35E Nejar me liga,
11:37seis horas da tarde,
11:38eu estava fazendo
11:39uma hidromassagem,
11:40Sil me chama,
11:41ó,
11:41Nejar está ligando
11:42para você,
11:42está chorando.
11:44Eu falei,
11:44o que houve,
11:45meu irmão?
11:45Pô,
11:46isso,
11:46é isso.
11:47Se achou,
11:48é o subsimbolismo,
11:50é o estilo
11:50de época meu e seu.
11:53Pô,
11:54vem cá em casa
11:55para a gente
11:55refinar
11:56o seu texto.
11:58E fomos para a casa dele
11:59e juntos
12:00a gente
12:02falei para ele
12:03isso,
12:03aquilo,
12:04não sei o que.
12:04Enfim,
12:05o subsimbolismo.
12:08Qualquer escrita
12:09é uma escrita
12:11sobre uma superfície.
12:14Pode ser
12:15Anchieto,
12:16escrevendo na areia da praia,
12:17pode ser
12:18a língua
12:19Inca,
12:19que era
12:22uns cordõezinhos
12:23de pano
12:24e assim
12:24eles se comunicavam.
12:26Então,
12:27é um subsimbolo.
12:29Qualquer língua
12:29é um símbolo
12:30sobre uma superfície.
12:32Pode ser a superfície
12:32da tela,
12:33do monitor,
12:34mas é isso.
12:35Alguma ligação
12:35com o palipicesto aí?
12:37O palipicesto
12:38continua sendo
12:39um subsimbolo.
12:40Qualquer escrita
12:41é um subsimbolo.
12:41Ótimo.
12:42Então,
12:43o subsimbolismo,
12:45ele pega o passado
12:46e o reinventa.
12:47A gente não renega
12:47o passado,
12:48só não volta
12:49a ele completamente.
12:50A Inejá
12:51criou várias coisas,
12:53a metametáfora,
12:55a metáfora
12:56dentro da metáfora,
13:00a sinestesia
13:01por complementaridade.
13:03Isso tem um artigo
13:04que eu publiquei
13:04na revista
13:05da Academia
13:08Espírita de Santo
13:08e Estiletes
13:09mostrando
13:09os vários...
13:11Todo estilo
13:12de época
13:13sobre simbolismo
13:14é um estilo
13:14de época.
13:14então tem de ter
13:16novas figuras
13:17de linguagem.
13:18Lógico que eu faço
13:18as minhas,
13:19como diz
13:19Zé Augusto,
13:21novo alquímico,
13:22né?
13:23O alquímico
13:24foi um fracasso
13:24absoluto.
13:25Lembro que eu fiz
13:26um...
13:28um simples prefácio
13:29para Zé Augusto,
13:30publiquei,
13:30não sei o quê,
13:31e pedi para Zé Augusto
13:32escrever alguma coisa
13:34sobre o alquímico.
13:35Zé Augusto
13:36escreveu uma página.
13:37Eu falei,
13:37Zé,
13:37uma página?
13:39Oscar,
13:40você tem coisa
13:40de linguagem
13:41que eu tenho
13:41que criar
13:43novas figuras
13:43de linguagem,
13:44é muito cansativo.
13:46Você pega
13:47a minha crítica
13:48e você mesmo
13:49pode colocar
13:49do jeito que quiser.
13:50Eu falei,
13:50mas é,
13:51não é isso.
13:53Você tem que fazer.
13:54Ele falou,
13:54não,
13:54você tem que fazer.
13:55Eu falei,
13:55não,
13:56não vou mexer
13:56no seu texto.
13:57Aí não publiquei.
13:58Era uma página
13:59só,
14:00bem escritinha,
14:01mas deixava
14:01a desejar,
14:02eu tinha que mexer,
14:03não vou mexer
14:03no texto dos outros.
14:04Mas o que você
14:04queria?
14:05O que você
14:06queria,
14:06diz Augusto?
14:07Você queria
14:08que ele teorizasse
14:09sobre...
14:10Isso.
14:10Você queria
14:12uma crítica?
14:13Como o grande
14:13gramático,
14:14o grande crítico
14:15que ele de fato é,
14:16eu esperava
14:17que ele achasse
14:19esse elemento
14:20na minha própria obra,
14:22né?
14:23E que existem,
14:25né?
14:26Aqui,
14:27um náufrago,
14:27por exemplo,
14:28eu vou escrever
14:29um trabalho
14:30em que eu uso
14:31os pontos.
14:33Aqui,
14:34ó.
14:36Aqui.
14:38Infelizmente,
14:39a gente não pode
14:39mostrar
14:40para quem
14:41está ouvindo,
14:41Eu uso a pontuação
14:43para fazer uma linguagem,
14:44como se fosse
14:45um ideograma.
14:47Então,
14:48quer dizer...
14:48Mas isso,
14:50Alexandre O'Neill
14:51fez,
14:52aquele poeta
14:54surrealista português.
14:56Mas ele não fez
14:57um conto.
14:57Não,
14:57ele não fez,
14:58ele fez o poema,
14:59né?
14:59Não,
14:59é um conto.
15:00É um conto.
15:00É um conto.
15:01É um conto.
15:03É prosa,
15:04não é poema.
15:06Então...
15:06Mas a prosa,
15:07a prosa não deveria,
15:09não deveria possuir
15:13uma narrativa
15:13e, portanto,
15:15um narrador
15:15e, portanto,
15:16uma história?
15:18Não é esse o princípio
15:19básico da prosa?
15:19Ali tem uma história,
15:21tem de contar uma história.
15:22Há uma história,
15:22há uma história.
15:23Você vai ler.
15:24Vou.
15:25Já que o livro é seu.
15:26Mas é uma história.
15:27É um náufrago,
15:28tem a personagem,
15:29o náufrago.
15:29Os sinais de pontuação
15:31começam a contar a história
15:33e eu continuo
15:34numa prosa clássica,
15:35assim.
15:38Prosa, prosa.
15:38Porque quando você falou
15:39para mim
15:40sobre simbolismo,
15:41eu fui em cima da palavra,
15:43né?
15:43O simbolismo,
15:44final do século XIX,
15:46vem o neossimbolismo
15:47com Cecília Meirelles,
15:48Drummond,
15:49Jorge de Lima
15:50e aí vem,
15:52já no século XXI,
15:56essa proposta
15:57Sui de Oscar.
15:58Sui de Nejar.
16:00Porém,
16:01no começo da nossa entrevista,
16:03você disse que
16:05o de amor à política
16:07já era
16:07sobre simbolista.
16:09Já propôs uma nova linguagem,
16:10como a mãe provisória.
16:12Mas,
16:12mas,
16:13propor uma nova linguagem
16:16autoriza alguém
16:16se chamar
16:17sobre simbolista?
16:19Não,
16:19porque,
16:20vamos dizer,
16:20a crítica é muito importante.
16:22Então,
16:25só após alguém
16:26criar o sobre simbolismo,
16:28no caso,
16:28eu e Nejar,
16:29foi criado,
16:31eu escrevi,
16:32você teorizou,
16:33né?
16:34Teorizei,
16:34mas Nejar reescreveu
16:36comigo na casa dele.
16:37Então,
16:38muito trabalho
16:39foi reescrito
16:41por mim,
16:42mas ele falando,
16:43blu, blu, blu,
16:44e eu escrevia
16:45ali rapidinho
16:46e alterava meu texto,
16:48entendeu?
16:49E Nejar falando,
16:51babababababa.
16:52Então,
16:53isso veio de uma
16:54colocação de Nejar.
16:55Ele tem uma obra
16:56chamada História
16:57da Literatura Brasileira.
16:58Que eu tenho.
16:59Agora chegou na quarta edição.
17:01Eu tenho essa última edição.
17:02São Azul,
17:03com os adendos,
17:04né?
17:04Na revisão.
17:05Então,
17:05no prefácio dele,
17:07ele diz
17:08que está chegando
17:09um novo simbolismo,
17:11um novo estilo,
17:12que é um novo simbolismo.
17:14Está na primeira edição,
17:15segunda edição,
17:15terceira edição,
17:16quarta edição.
17:19é uma obra de fôlego
17:21impressionante
17:22desse tamanho
17:24então a partir
17:26dessa colocação de Nejar
17:28ele me deu a terceira edição
17:30da história da literatura, eu li
17:35esse foi o gancho
17:36para criar o sobresimbolismo
17:38foi Nejar, então
17:39o sobresimbolismo está aí, você fica profetizando
17:42um novo simbolismo
17:44é o sobresimbolismo
17:45e aí ele
17:49abarcou isso
17:50o dicionário poético
17:52de Carlos Nejar, tem um texto meu
17:58descrevendo
17:58criticamente o sobresimbolismo
18:00que está lá, uma obra muito bonita
18:02de Nejar, o sobresimbolismo
18:03e Nejar se intitula
18:05Sobresimbolismo, então Sobresimbolismo
18:07quem tem no mundo? Eu, Nejar
18:10eu e Nejar
18:11você pode entrar também
18:12não, eu não sou poeta
18:14não sou poeta
18:15narrativa também
18:16tudo
18:17não, mas eu ainda
18:18eu ainda
18:21crio, faço literatura
18:23dentro de uma linguagem
18:25de uma linguagem tradicional
18:26as minhas inovações
18:29elas são formais
18:31mas a linguagem que eu utilizo
18:33é
18:33é uma linguagem
18:35ainda tradicional
18:36mas não estamos falando de mim
18:37estamos falando da estrela
18:39do papo que é você
18:42tudo bem
18:42você Nejar
18:43você Nejar
18:44são sobresimbolistas
18:45mas só quando surge o sobresimbolismo
18:47quer dizer
18:47mas não vai haver expansão disso?
18:50vai ficar
18:50vai nascer e morrer
18:52em você Nejar?
18:54não vai haver divulgação?
18:55a gente gostaria
18:56estamos começando aqui agora
18:57certo
18:58não é
18:58mas olha só
18:59divulgação que eu falo
19:00é divulgação acadêmica
19:02como é que a academia
19:03está vendo isso?
19:05como é que a universidade
19:05está vendo?
19:06os estudiosos
19:07estão vendo isso?
19:07como diz Carlos
19:08ele estava falando
19:10de uma pessoa
19:11que estava
19:12centenas de pessoas
19:13estudando a obra de Carlos
19:15que é um gênio
19:15que estava falando
19:17sobre a obra dele
19:18encaminhou um trabalho
19:19sobre
19:19a respeito
19:21do sobresimbolismo
19:22e ela achou
19:23maravilhoso
19:24mas que a academia
19:25não aceitava aquilo
19:26ela tinha que olhar
19:28com a visão acadêmica
19:30uma visão clássica
19:31não tinha como
19:32ela fazer um trabalho
19:33incluindo
19:34o sobresimbolismo
19:35ainda que o trabalho dele
19:36fosse a respeito
19:38de nejar
19:38da obra dele
19:39e nejar
19:40as instituições
19:40sobre os bolíços
19:41então não tinha
19:42então as academias
19:43não acatam
19:46as universidades
19:47não acatam
19:48a formatação
19:52não sai desse engessamento
19:55isso não impede
19:56os artistas
19:56de se expressarem
19:57de criar o impossível
19:58claro, sem dúvida
19:59o objetivo da gente
20:00é criar o impossível
20:01é ir onde
20:02está o futuro
20:04a alça de mira
20:05da gente
20:05é no futuro
20:06não no presente
20:08e a partir da criação
20:10do sobresimbolismo
20:11é que eu pude
20:12revisitar a minha obra
20:13e ver que ela sempre
20:14foi sobresimbolismo
20:15eu sempre escrevi
20:16de forma muito estranha
20:19sem negar o passado
20:20mas procurando
20:21reavivá-lo
20:23então a partir do momento
20:24que isso foi teorizado
20:25pela crítica
20:26então a gente
20:27reviu tudo
20:28eu revi tudo
20:30nejar
20:30a gente
20:31eu e nejar
20:31eu sempre
20:32eu sempre
20:33conversei isso aqui
20:34com algumas
20:34pessoas que aqui
20:36estiveram
20:36e eu falo isso
20:37com os meus alunos
20:38e eu debato isso
20:39com todas as pessoas
20:41que me permitem
20:43debater
20:43literatura é linguagem
20:46literatura é linguagem
20:47você pode
20:49falar a mesma coisa
20:51de forma literária ou não
20:53o que faz
20:54a literatura
20:54ser literatura
20:55é a maneira
20:56como se diz
20:58o que você está
20:59me colocando
20:59e eu estou muito
21:01interessado no
21:01sobresimbolismo
21:02eu quero estudar
21:03o sobresimbolismo
21:04é
21:05o que que há
21:06de tão
21:07específico
21:08de tão diferente
21:09no sobresimbolismo
21:10o que que há
21:11de tão
21:13assim
21:14inovador
21:16me parece
21:17não sei se você
21:18concorda comigo
21:19mas é muito difícil
21:20fazer alguma coisa nova
21:21em literatura
21:22em arte
21:23é certo cinema
21:24que usa tecnologia
21:26para isso
21:27mas em arte
21:28não dá
21:31mas o sobresimbolismo
21:32vem justamente
21:33para desdizer isso
21:34o sobresimbolismo
21:36vem como uma nova
21:37estética
21:38um novo estilo
21:39de época
21:39mas que por outro lado
21:41a academia
21:42não está aceitando
21:42eu não consigo entender isso
21:44é
21:45eu tenho dois
21:47dois artigos
21:48publicados pela
21:48revista Academia
21:50Brasileira de Letras
21:51o primeiro
21:52é a ciência da poesia
21:53o segundo
21:55é um artigo
21:57uma crítica
21:57em que eu
21:58vou analisar
21:59a vida
22:00secreta
22:01dos gavirus
22:01que é um romance
22:03de Nejar
22:04foi publicado
22:05pela revista
22:06da academia
22:06mas eu fiz
22:07duas versões
22:08do trabalho
22:10a primeira versão
22:13Nejar
22:13de forma
22:14foi
22:14e encaminhou
22:15para a academia
22:16falei Nejar
22:17não estou
22:17no final
22:18e a segunda versão
22:23mostrava os diversos
22:24as diversas figuras
22:26de linguagem
22:26novas
22:27que ele estava
22:27criando
22:28isso eu mando
22:28para você
22:29eu gostaria muito
22:30e a
22:32quando eu fui ver
22:33Nejar
22:33suas figuras
22:34de linguagem
22:35é
22:36publicaram a primeira
22:37versão
22:37eu mandei a segunda
22:38aí a academia
22:39publicou a primeira
22:40versão
22:41não a segunda
22:41em que eu
22:43mostrava
22:43as figuras
22:44de linguagem
22:45novas
22:46só vendo lá
22:48a sinestesia
22:50por complementaridade
22:51que é um novo
22:52estilo de época
22:52não é a sinestesia
22:53puramente
22:54só você lendo
22:55e falando
22:56pô esse negócio
22:56existe
22:57a metametáfora
23:00só lendo
23:01a minha
23:02meu trabalho
23:03crítico
23:04para você falar
23:06esse negócio
23:06existe
23:08sem ler
23:09como falar
23:10de impressionismo
23:12sem olhar
23:14Van Gogh
23:15tem que olhar
23:16Van Gogh
23:17eu quero ver isso
23:18aí a arte está ali
23:19eu mando para você
23:20eu quero ver isso
23:21Oscar
23:22eu só tenho a agradecer
23:23a sua participação
23:24muito obrigado
23:25foi difícil trazer você aqui
23:26hein cara
23:27bem difícil
23:28ser um cara muito ocupado
23:29muito obrigado
23:30pela participação
23:31pessoal
23:32espero que vocês tenham gostado
23:34é uma aula
23:34né
23:35ouvir Oscar
23:37que tem uma
23:39repito
23:39não só a ideia
23:40da amplitude
23:41mas também
23:42muita informação
23:43e que
23:44traz para a gente
23:45poder debater
23:46discutir sobre o assunto
23:47Oscar
23:48muito obrigado
23:49apareça sempre
23:50beleza
23:52eu que agradeço
23:53obrigado pela oportunidade
23:54é um prazer muito grande
23:55estar aqui
23:56e olha
23:56Oscar
23:57diz aqui
23:58rapidamente
23:59se alguém quiser encontrar
24:00os seus livros
24:01só o ovo alquímico
24:02que se encontra
24:03ou existem outros livros
24:05que podem ser encontrados
24:06em livrarias
24:07sebo talvez
24:08né
24:09o ovo alquímico
24:10pode ser comprado online
24:12né
24:12ele está online
24:13é só colocar o ovo alquímico
24:15Oscar Gama Filho
24:16editor e escritor
24:17colocou online
24:18acredito que até a Amazon
24:19tem o ovo alquímico
24:20ótimo
24:20e só para fechar gente
24:21ó
24:22esse livro que está aqui
24:23na minha mão
24:24Razão do Brasil
24:27esse livro aqui
24:29especificamente
24:30para professores de literatura
24:31é um livro essencial
24:33eu nunca vi
24:34um livro
24:35condensar tão bem
24:36e explicar tão bem
24:38o romantismo
24:39e olha que eu incluo aí
24:42Alfredo Bosi
24:43Afrânio Coutinho
24:44os grandes teóricos
24:45Massal de Moisés
24:46mas eu nunca vi
24:48tão bem esclarecido
24:50sobre o romantismo
24:51então fica
24:52essa dica aí
24:53para professores de literatura
24:55valeu gente
24:56Oscar muito obrigado
24:57querido
24:58volte sempre
24:59beleza
25:00valeu gente
25:02até a próxima semana
25:03você ouveu
25:06vitrine literária
25:07com professor e escritor
25:09Francisco Grijó
25:10tudo sobre literatura
25:12contemporânea
25:13temas
25:13autores
25:14obras
25:15debates
25:16análises
25:17curiosidades
25:18e bate-papo
25:19com autores e editores