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  • há 2 semanas
Essa é a segunda parte do bate-papo com Paulo Roberto Sodré, sobre temas como o ensino da literatura infantil e adultos, impressão sobre livros e a relação dos alunos com os livros.

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Transcrição
00:01Começa agora, vitrine literária, com o professor e escritor Francisco Grijó.
00:07Tudo sobre literatura contemporânea, temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
00:19Olá pessoal, tudo bem?
00:21Essa é a segunda parte do bate-papo com o Paulo Roberto Sodré, que fez a gentileza de nos agraciar
00:32com sua presença aqui no Vitrine Literária.
00:35Você se lembra que o Vitrine Literária está disponível como podcast e no YouTube da TV Vitória, do Folha Vitória,
00:46ok?
00:46E aí então, é só você verificar que você encontra todas as entrevistas anteriores, todas as edições anteriores do Vitrine
00:55Literária com o Francisco Grijó.
00:57Dando continuidade, na semana passada, eu conversei muito com o Paulo sobre a prosa poética, sobre a fusão entre poesia
01:06e prosa.
01:07Conversamos sobre preocupação com o leitor, conversamos sobre o Paulo Roberto Sodré, poeta.
01:14Mas hoje, hoje, nessa edição agora, nessa segunda parte, eu vou começar falando sobre o Paulo Roberto Sodré, que escreve
01:25para crianças.
01:27Já houve outras pessoas que vieram aqui e conversaram sobre literatura infantil.
01:32A Lília Meneguti esteve aqui, bateu um papo.
01:35O Pedro Nunes esteve aqui e conversou também sobre literatura infantil.
01:41O Luiz Sérgio IV esteve aqui também, conversou.
01:44Francisco Aurélio Ribeiro.
01:46Todas as edições estão disponíveis para vocês.
01:49A questão é, Paulo Roberto Sodré escreveu este livro que está aqui na minha mão.
01:55E para quem está nos vendo, você pode ver que o título se chama Ominho, ou seja, Um Homem Pequeno.
02:04Ominho, e eu me lembro que na época, quando saiu, eu brinquei com o Paulo, falei, mas cadê o H,
02:08Paulo?
02:08Aí o Paulo falou, está aqui, ó.
02:10O H está aqui.
02:11Mas cadê o H daqui, né?
02:13Que é de homem.
02:14Enfim, este livro aqui, para mim, é uma obra-prima.
02:18Tá?
02:20Agora eu, que tenho filhas pequenas, eu vejo o quanto a literatura, ela é fundamental para elas.
02:26Mas eu vou começar conversando o seguinte, Paulo Roberto Sodré, professor, doutor, pós-doutor, certo?
02:34Pós-doutor, literatura portuguesa, que é, você é uma autoridade indiscutível, o que me deixa muito orgulhoso disso aí.
02:44É esse Paulo que desvenda para os alunos da UFES, ou desvendava, você se aposentou, né?
02:51Mas, uma vez professor, sempre professor, pelo menos é o que dizem, para o bem e para o mal, né?
02:58Você que desvendou, porque é um trabalho de desvendar realmente a literatura medieval para alunos do século XXI, certo?
03:10Você que desvendou isso, você também escreveu para crianças.
03:14Você conseguiu fazer isso.
03:16Você conseguiu ser um Paulo acadêmico, de uma potência intelectual muito grande, e conseguiu escrever para crianças,
03:23com uma clareza que não é a mesma clareza que você usa na sua literatura, entre aspas, para adultos.
03:32Escrever para crianças.
03:34Como é que começou isso em você?
03:37Bom, você citou nomes que são os clássicos da literatura para criança aqui no Estado.
03:47Francisco Aurélio IV, Menegúcio, Pedro Nunes.
03:54Que são autores, talvez à exceção de Pedro.
03:59Eu acho que Pedro tem alguns livros para crianças e jovens.
04:03É como a Aline Dias, a Aline Dias também que escreveu um livro para crianças, né?
04:07Exatamente, exatamente.
04:07Mas ela não é uma escritora.
04:08Isso, agora Luiz, Francisco e a Lilian realmente se dedicam à literatura para criança.
04:17No meu caso, eu comecei com livro para criança, com narrativa para criança,
04:22por conta de Francisco Aurélio, que me abriu esse caminho para literatura para criança.
04:29Eu não sabia que tinha sido Chico.
04:30Sim, nos anos 80, eu estava fazendo graduação ainda.
04:34Estávamos, né?
04:35Estávamos, exato.
04:37E aí, Francisco me chamou para fazer ilustração de livros, eu comecei a ler literatura para criança,
04:44pensando na literatura para criança, por meio da ilustração.
04:49E comecei, claro, a ler os livros que eram produzidos e lançados pela Miguilin, por exemplo,
04:55de outras editoras, que foi a época do boom, se não me engano, da literatura para criança no Brasil,
05:02início dos anos 80.
05:05E aí eu ficava, de novo, ficava no dilema entre me dedicar à literatura,
05:11propriamente dita, e a ilustração.
05:14Porque aí era a época da Ângela Lago, da Cissa Fittipaldi, com trabalhos fabulosos de ilustração,
05:21e os textos de Bartolomeu Campos Queiroz,
05:26a Pojunga Nunes, que eram textos Ruti Rocha, textos também incríveis.
05:35E depois de ter passado pela experiência de ilustrar livros, os livros de Francisco Aurélio,
05:42eu achei que deveria escrever para criança com o mesmo objetivo que eu estava escrevendo para adultos.
05:54Que ela discutia um assunto que na época ainda era muito tabu,
05:57que é a questão da orientação sexual e da desmitificação e desmistificação desse tabu.
06:10Tanto que o hominho, ele aparece como uma narrativa para criança,
06:17que começa a perceber as coisas,
06:20mas não fazendo, digamos, discurso militante a respeito de orientação sexual e tal.
06:28Sim, panfleto.
06:29Mas, sei.
06:30Mas, colocando a questão,
06:33e eu me inspirei muito numa canção do Gilberto Gil,
06:38Super Homem.
06:39Super Homem.
06:41Em que ele diz que aprende tanto com o pai como com a mãe,
06:44e o aprendizado com o feminino e o masculino,
06:49é que fez dele, o poeta da letra, de Super Homem, o que ele é.
06:57Portanto, uma pessoa sensível, aberta ao mundo.
07:01Perfeito.
07:02Sem ficar definindo muito os papéis,
07:04sem ficar definindo muito o que tem que ser e o que não tem que ser,
07:09como ser e como não ser.
07:11Então, baseado nisso, eu fiz o hominho.
07:15Foi uma experiência incrível,
07:18mas eu sabia que a leitura desse livro
07:22dependeria muito do professor e da professora.
07:26Porque o modo de abordagem do livro
07:30é que faria a conversa entre alunos e professores,
07:35para que o principal aparecesse, que é a reflexão.
07:39Hoje seria um perigo, né?
07:41Hoje seria um perigo.
07:42A politização está trazendo uma problemática muito grande para a arte, né?
07:48Exatamente.
07:48Mas continue.
07:49Aí você publica...
07:51O livro é bem recebido, Paulo?
07:55Bom, Grisó,
07:59eu tive duas experiências engraçadas nos anos 80 e início dos anos 90.
08:06Tanto o hominho como dos olhos das mãos dos dentes foram publicados por instituições públicas.
08:15Públicas, é.
08:16Então, o hominho foi escolhido para fazer parte da coleção Taruíra, né?
08:22Da Secretaria de Educação e dos olhos foi premiado pelo DEC.
08:29Para quem está nos vendo, aqui está, dos olhos das mãos dos dentes.
08:35Em nova edição, né?
08:36É a nova edição, é.
08:39E os dois livros são muito atrevidos, digamos assim.
08:47O hominho, por tratar de uma questão muito delicada, né?
08:50Muito sensível, de abertura mesmo de possibilidades para a educação das crianças e, portanto,
08:57dos futuros cidadãos e cidadãs, e dos olhos é um livro francamente homoerótico.
09:03Todos os poemas são, eu acho que eu posso dizer todos, são claramente homoafetivos.
09:10E quando ele foi aprovado pelo DEC, publicado pelo DEC, com subsídio, né, do DEC,
09:17eu fiquei muito surpreso.
09:19Primeiro que eu pensei que não fosse ser aprovado por conta do tema.
09:24Peraí, você escreve um livro?
09:26Sim.
09:27Você expõe no livro um tema necessário, é um tema necessário, de uma discussão necessária,
09:37e você achou que ele não fosse ser publicado?
09:39Achei.
09:40Porque isso, anos 90, início dos anos 90.
09:43A gente estava indo à ressaca de um período ditatorial, muito conservador,
09:52e um livro que convocasse para si, né, uma expressão amorosa, homoafetiva, clara,
10:01porque havia muitos livros de temática homoafetiva,
10:12que queria ler livros de poesia sobre relações amorosas, né, entre iguais, e não encontrava.
10:25Quer dizer, mesmo com James Baldwin, mesmo com Walt Whitman, mesmo com Garcia Lourica, mesmo com Seiro Nuda,
10:33que são poetas, né,
10:36que foram identificados como afetivos, né, cavafes, por exemplo, não era comum.
10:44Aqui no Brasil e no Espírito Santo, nós temos Valdo Mota, quer dizer, Valdo Mota está produzindo nos anos 80.
10:52Desde a nossa época, só fazer um parêntese aqui, eu e Paulo participamos da oficina literária,
11:00com Deni Gomes e Neida Lúcia, né, em 82, e o Valdo participava com a gente.
11:05Exatamente.
11:06E o Valdo já tinha essa pegada, né, nessa época.
11:09Com aplicações, né, mimografadas, né, e tal, artesanais, e com tema francamente homerótico.
11:15Mas numa linha de militância e de sátira, né, de agressividade mesmo, de imposição de um discurso,
11:25que era silenciado o tempo todo.
11:29E na contramão de Valdo, eu procurei fazer os poemas em que eu, de alguma maneira, naturalizasse essas relações.
11:37O que ele colocava em xeque, né, quase que com o dedo em riste, em relação às pessoas ou da
11:47sociedade,
11:48dizendo, eu existo ou nós existimos, né, e aceitem-nos de qualquer maneira,
11:57eu achava isso importantíssimo, né, sempre foi importante a militância, sempre foi importante o panfleto,
12:03em vários casos, né, mas eu queria seguir um caminho diferente, e foi o resultado dos olhos das mãos dos
12:12dentes,
12:13em que eu não problematizo, eu já dou o assunto como definido, como posto.
12:20É, e você traz uma elegância, você traz uma elegância na linguagem que pode ser que algumas pessoas do movimento,
12:31do movimento, digam, puxa vida, esse cara, né, podia ter sido mais claro, podia ter sido mais agressivo,
12:38podia ter levantado mais a bandeira, mas não é você, não é o seu estilo.
12:43A sua literatura é uma literatura elegante, né, de forma alguma eu estou dizendo que uma literatura diferente da sua
12:51é deselegante.
12:52Estou dizendo que a sua literatura é uma literatura que, até certo ponto, ela se obriga a ter essa tranquilidade
13:01na hora de discutir um tema.
13:03É, e um dos pontos que eu acho importante nesse livro, especialmente, Grigio, é que eu faço poemas a partir
13:13de poemas tradicionais.
13:15Então, eu recolho vários poemas, né, por meio de epígrafe ou por meio de intertexto no próprio poema,
13:25de grandes autores hétero, né, heterossexuais, com grandes poemas amorosos, e aí eu trago esses poemas amorosos famosíssimos,
13:37dando uma nova direção, um novo olhar.
13:40Você faz isso em senhor Branco também?
13:42Sim, sim, sim.
13:44Tanto que o diálogo do poeta, né, com a morte, se dá por um viés homoafetivo também, né.
13:52Então, talvez o que você chama de elegância, talvez venha dessa retomada da tradição.
13:59Da intertextualidade mesmo, né, né?
14:01Isso, isso.
14:02E você disse que você teve duas experiências que não foram...
14:05Sim, aí completando as experiências, quer dizer, como que...
14:10Eu não conseguia imaginar...
14:12É claro que eu tentei, né, escrevi o dos olhos nesse concurso, obviamente,
14:20querendo prêmio, como todo mundo que se promete um trabalho.
14:23Mas eu achava que não conseguiria ter premiação justamente por conta do tema homerótico.
14:34Claro, o corpo de jurados, né, deve ter percebido essa tradição,
14:40essa conversa minha com grandes autores, Petrarca, Dom Diniz, né, e vários outros,
14:49inclusive Valdo Mota, né, também, nesse livro.
14:54E isso deve ter pesado, apesar do tema homerótico.
15:00Porque não era um tema comum, Grijó.
15:03Sim, eu sei.
15:03Eu não fui inovador, né, não fui, digamos, o primeiro a fazer isso e tal,
15:10não é esse papel que eu quero para mim.
15:13Mas eu sabia que aquele livro, naquele momento,
15:18tinha sua diferença justamente por conta disso.
15:21Era de...
15:22Quer dizer, eu compartilhava com Valdo, por exemplo,
15:26a necessidade de dar visibilidade ao amor entre iguais,
15:31só que Valdo, mais crítico, né, mais satírico, mais veemente, né,
15:40e altamente competente, porque ele também se serve muito da tradição literária, né,
15:45para compor os seus poemas.
15:46É, bocajando...
15:48Bocajando...
15:49Mas quem, quem, que leve a sério a poesia,
15:53não faz uso disso, né?
15:55Sim, sim, não tem como.
15:56Agora, interessante, Paulo, primeiro eu quero que você conclua.
16:00E sobre o Minho, qual foi a experiência?
16:02A mesma coisa, a mesma coisa.
16:04Primeiro, porque é um tema que ele está sugerido, né?
16:11Então, dependeria muito dessa conversa que eu falei para você,
16:13entre professores e alunos, para que o livro acontecesse de fato.
16:18E foi um projeto pensado mesmo.
16:21O que eu imaginei quando eu fiz o Minho?
16:23Eu queria um texto que fosse altamente sugestivo,
16:26justamente para a criança ler,
16:30ficar tentando identificar o sentido daquelas frases,
16:36e buscar justamente um interlocutor.
16:39Os pais e irmãos mais velhos, enfim.
16:42Um interlocutor para conversar com elas sobre aquele texto.
16:45Isso, obviamente, demandaria uma boa conversa,
16:49uma boa compreensão do texto por parte do interlocutor.
16:54É, porque é outro risco, né?
16:56Exatamente.
16:57É outro risco.
16:58Você tinha aí vários riscos.
17:00Você tinha o professor que ia falar que absurdo,
17:03ou então, que maravilha.
17:04Os pais que iam fazer isso.
17:06O irmão mais velho.
17:07Exatamente.
17:08Os amigos, enfim.
17:10Então, é um projeto estranho, né?
17:14O que pensa?
17:14Alguém que escreve para a criança quer o contato direto,
17:18a comunicação direto com a criança.
17:20Isso.
17:20Eu queria os dois.
17:21E para atrair a criança,
17:24eu fiz os desenhos em preto e branco.
17:28Porque aí, e num papel que permitisse o lápis de cor,
17:32ou a caneta, enfim,
17:33o que a criança quisesse usar.
17:36Então, eu tinha em mente esse projeto.
17:40Coisa de quem tem 20 e poucos anos, né?
17:43Ficar para nós.
17:45Não sei, não sei.
17:46Não sei.
17:47Muita, muita, muita,
17:51sei lá, muita expectativa em relação a um projeto
17:53de um livro, né?
17:55Para a criança.
17:56E aí, eu pensei nas imagens de preto e branco.
17:59Para a criança entrar no livro colorindo.
18:02E o texto seria a intermediação, né?
18:06Exigiria a intermediação.
18:07E por isso ele foi criticado.
18:09E por isso é que eu acho que foi uma experiência incrível
18:12ter esse livro adotado pela SIDU.
18:15Porque isso me fez repensar até mesmo as instituições, né?
18:19Que eu sempre achei conservadoras.
18:23Rigorosas, né?
18:24Muito rigorosas.
18:26Para encampar um tipo de projeto como esse.
18:30Tanto de hominho como dos olhos.
18:32E dos olhos para adultos.
18:34E mesmo assim, eu achava que eu corri o risco.
18:38Porque os tempos ainda eram muito conservadores.
18:41Foi se abrindo, claro.
18:43E eu estou falando de Vitória, não estou falando do Rio de Janeiro, por exemplo.
18:46E já tem um outro contexto, né?
18:50Desde os anos 70.
18:53De grandes poetas.
18:57Eu acho que nem Cazuza foi tão claro nas suas letras, né?
19:01No final dos anos 80, por ali.
19:05Para cantar, por exemplo, o amor entre iguais.
19:10Se eu não me engano, são poucas as letras em que ele faz isso.
19:13Eu precisaria reler o cancioneiro de Cazuza.
19:16Que é uma das figuras mais fortes da nossa época, né?
19:20Sem dúvida.
19:24O russo, a mesma coisa, né?
19:26O Renato.
19:27Então, havia essa preocupação com a literatura, como afetiva.
19:34E não só literatura, né?
19:36Cinema, fotografia e tal.
19:39Mas não com tanta clareza, eu acho.
19:43E por isso o meu receio, né?
19:45De não ser aprovado no concurso.
19:47Você, você, estudioso, né?
19:51Estudioso da literatura.
19:52E você falou uma coisa que eu achei interessante aí, né?
19:55O diálogo com as figuras icônicas da literatura.
20:00Aí você citou Petrarca, né?
20:02Você citou Dom Diniz, você citou autores neolatinos.
20:08Que tiveram uma importância muito grande na sua literatura.
20:13Eu me lembro quando eu fiz Direito.
20:16Olha só, não foi nem quando eu fiz Letras.
20:17Quando eu fiz Direito, eu tive um professor,
20:19chamado Dr. Abimar,
20:22que um dia pegou um texto literário e levou para a sala de aula.
20:26E um aluno virou-se para ele e falou,
20:30eu já vi isso em algum lugar.
20:31E ele saiu-se com uma frase que eu nunca mais esqueci.
20:34Nunca mais esqueci.
20:36Assim como pessoas nascem de pessoas,
20:40textos nascem de textos.
20:41Nossa.
20:43É uma boa sentença.
20:43É uma frase maravilhosa.
20:45Eu uso de vez em quando.
20:46E devo confessar que eu não dou crédito.
20:50Estou dando crédito aqui, diante das câmeras.
20:55Você, a sua literatura,
20:58é esse diálogo assumido?
21:01Sim.
21:01Mas, a partir de quando?
21:04A partir do momento que Paulo Roberto Sodré se tornou Dr. Paulo Roberto Sodré?
21:08Não, não.
21:09Eu acho que desde a oficina, com o Denis Gomes,
21:17eu me dei conta da necessidade desse diálogo.
21:22E depois, isso só foi se confirmando, né?
21:25Durante o curso de letras.
21:27E, principalmente, sem reduzir a importância do curso de letras,
21:31mas, principalmente, com as conversas, ótimas conversas,
21:36que eu tive a sorte de ter com Oscar Gama.
21:39Que esteve aqui de lá.
21:40Que esteve aqui de lá.
21:41Que eu vi.
21:42Com Reinaldo Santos Neves, que é o mestre dos intertextos.
21:46Cuja biografia eu estou escrevendo.
21:48Pois é, estou ansioso.
21:50E você vai ser um dos entrevistados,
21:52porque você, além de amigo, grande amigo de Reinaldo,
21:56você é personagem de Reinaldo.
21:57Pois é.
21:58Em Sueli, por exemplo, você aparece, como Paulo Sodré, né?
22:01Mas vamos conversar isso depois.
22:02E aí, rapaz, essas conversas todas me confirmaram essa ideia de que não há como,
22:12não há texto que não nasça de outro texto, né?
22:15Não há como.
22:17E a questão, claro, é a fonte que você tem, né?
22:21E o talento que você usa, a coisa sua, para poder resgatar e aplicar, né?
22:28E é uma dificuldade fazer isso, né?
22:30Você tem que ter talento para isso.
22:31É uma dificuldade.
22:32É aí que entra.
22:32E é aí que eu acho que entra, quando você falou,
22:35eu escrevi o Minho e eu dependi de como o professor ia fazer essa ponte.
22:42É preciso que haja uma honestidade muito grande no professor.
22:46É.
22:47Você é um professor, aposentado hoje,
22:50eu continuo professor, estou aposentado, mas continuo trabalhando.
22:54E a gente sabe, né, Paulo, que sem honestidade não dá para ser professor.
22:58Não.
22:59Não tem como.
23:00Não mesmo.
23:01Não mesmo.
23:01E para ser escritor, é para você ser honesto?
23:05Profundamente.
23:06Sério?
23:07Profundamente.
23:08Eu minto descaradamente nos meus livros.
23:10Paulo, você é muito honesto na mentira que você caiu.
23:13Ah, tá.
23:15Então, agora você me pegou.
23:18Porque essas ficções que a gente cria, elas têm uma sinceridade, né?
23:27Que a gente coloca nelas para que elas consigam veicular aquilo que a gente quer refletir, aquilo
23:35que a gente quer ponderar, né?
23:38E não se consegue fazer isso, não se consegue fazer uma boa narrativa, um bom poema, uma
23:44boa peça de teatro, sem essa honestidade, eu acho, sem essa franquisa.
23:51Então, não tem como.
23:53Aliás, não tem como estar no mundo sem ser honesto, né?
23:56Maravilha.
23:57Não tem como.
23:58Paulo, muito obrigado.
24:00Mas antes de a gente fechar, vamos lá.
24:03Quais os seus livros que estão disponíveis para quem quiser comprar?
24:09Rapaz, eu acho que...
24:11Uma Leitura na Chuva está?
24:12Está na Cândida.
24:14Esse e esse aqui, Grisó.
24:16Um Pássaro de Fogo.
24:17Um Pássaro de Fogo.
24:18Da Cândida.
24:19Um Pássaro de Fogo e Uma Leitura na Chuva, ambos são da editora Cândida.
24:25Estão aqui nas minhas mãos.
24:28Beleza?
24:29A reedição de Dos Olhos foi feita pela Pedregulho, que também tem a loja...
24:34Dos Olhos, das Mãos, dos Dentes está disponível pela editora Pedregulho.
24:38E por fim, o poema que você já falou.
24:40Poema Desconcertantes pela editora Cousa.
24:43Então, quem tiver algum interesse, e eu espero que você tenha, porque você só vai ganhar
24:49com isso, na literatura de Paulo, é só você buscar os livros dele, ou na editora Cândida,
24:54ou na editora Pedregulho, ou na editora Cousa.
24:58Paulo, muitíssimo obrigado.
25:01Eu que te agradeço, rapaz.
25:02Foi muito bacana, conversar com você é sempre bom.
25:04Nós que nos conhecemos desde 82, né, cara?
25:07Pois é.
25:07Bons tempos, hein, Paulo?
25:09Muito bons.
25:0981...
25:10Não, 82.
25:1082.
25:12Universidade Federal do Espírito Santo.
25:13Prazerzão estar aqui.
25:14Bons tempos.
25:15Gente, muito obrigado.
25:16Foi um papo ótimo com o Paulo.
25:18Paulo é um grande...
25:20Ele falou pra mim, é, eu sou lacônico demais.
25:23Não é lacônico.
25:24Fala bem e fala coisas importantes pra gente ouvir.
25:27Valeu, gente.
25:28Um grande abraço.
25:29Na semana que vem, nós estaremos aqui com a grande designer e uma das pioneiras da revista
25:36no Espírito Santo, chamada Sandra Medeiros, que editou durante muito tempo e edita ainda
25:42a revista Iman.
25:44Um grande abraço a vocês.
25:46Muito obrigado.
25:47Até a próxima, galera.
25:48Se ouveu Vitrine Literária, com o professor e escritor Francisco Grijó.
25:54Tudo sobre literatura contemporânea.
25:57Temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.

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