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Neste terceiro episódio, Grijó bate um papo sobre literatura de fantasia, leitores numa determinada faixa etária, preocupação com os leitores, temática específica, pesquisa literária e histórica com Rômulo Felippe.
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NotíciasTranscrição
00:01Começa agora, Vitrine Literária, com professor e escritor Francisco Grijó.
00:07Tudo sobre literatura contemporânea, temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
00:19Olá pessoal, tudo bem?
00:21Essa é a terceira edição do Vitrine Literária que está sendo apresentada aqui na TV Vitória, podcast e demais plataformas
00:33da empresa.
00:35Eu sou Francisco Grijó, sou professor de literatura, sou escritor e hoje nós vamos conversar sobre um assunto que interessa
00:42não somente aos adultos,
00:45mas também aos adolescentes e aos jovens que, por uma série de situações, têm interesse em literatura de fantasia.
00:56Eu sei que todo mundo aqui já ouviu falar, obviamente, em J.K. Rowling e o seu Harry Potter, a
01:04escola Hogwarts e os livros que se tornaram uma febre mundial.
01:10Sei também que muitos de vocês conhecem e já ouviram falar, os pais, os avós de vocês, já ouviram falar
01:17em Tolkien,
01:18que é um dos grandes gênios da literatura, não somente da literatura de fantasia, mas da literatura como um todo.
01:25Hoje a gente vai bater um papo com uma figura interessantíssima, um estudioso da literatura de fantasia
01:33e, acima de tudo, um escritor que dedica a sua vida literária, a sua prática literária, justamente a esse nicho,
01:46que é um nicho que a mim, Francisco Grijó, é desconhecido.
01:50Eu acho muito difícil escrever para uma determinada faixa etária, eu acho muito complicado.
01:58É um grande desafio para qualquer escritor, mas nós vamos conversar com o Rômulo Filipe, que está aqui ao meu
02:04lado,
02:05vocês já estão vendo aí, mas é bom lembrar que o Rômulo não vai falar muito agora, não.
02:10Daqui a pouco a gente vai começar a fazer um bate-bola, porque eu quero também entender,
02:15existe até um interesse muito particular, em compreender como é que se escreve
02:22para uma faixa etária de 14 a 20 anos.
02:30E outra coisa, será que é preciso pensar no leitor?
02:36Será que é preciso se preocupar com o leitor para poder criar um texto de fantasia?
02:42Quando eu, vou falar eu porque eu tenho essa prática, quando eu escrevo um texto,
02:46o meu leitor é geralmente um leitor adulto.
02:49Então, eu não preciso me preocupar muito se esse meu leitor vai ou não vai entender o meu texto.
02:55Ele pode não gostar, ele pode gostar, ele pode ler, ele pode não ler, ele pode compreender ou não compreender.
03:03Mas eu não tenho essa preocupação com esse tipo de leitor,
03:06porque é um leitor que pertence à mesma faixa etária que eu.
03:12Mas o Romulo Felipe não.
03:14Romulo Felipe é um homem com quase 50 anos de idade que escreve para quem tem 16 anos de idade.
03:22Não somente.
03:23Um adulto, eu fui um adulto, eu li O Monge Guerreiro, que está aqui na minha mão, vocês podem ver.
03:29Eu li O Monge Guerreiro.
03:31O Monge Guerreiro é uma literatura saborosíssima para qualquer idade.
03:35Porém, eu tenho certeza de que nós vamos discutir sobre isso hoje,
03:40eu tenho certeza de que o público que lê O Monge Guerreiro não é um público como o Grijó.
03:46É um público diferenciado.
03:48Diferente e diferenciado.
03:50E é um público que tem uma exigência muito grande.
03:53Ao mesmo tempo que escrever sobre uma literatura que se baseia,
03:58mesmo que na fantasia, se baseia na história,
04:01existem algumas regras que precisam ser respeitadas.
04:05Uma delas é a própria história.
04:07Como perverter a história?
04:11Pausa.
04:13Existe uma ideia bem interessante, eu não comungo com ela.
04:18Muitos escritores usam a expressão licença poética ou liberdade poética.
04:24Eu não acho que isso exista.
04:26Eu acho que a liberdade e a licença são dados por alguém.
04:31O leitor, o escritor, ninguém concede licença a ele.
04:35Na verdade, faz parte da obrigação do escritor, isso é uma visão pessoal,
04:41faz parte da obrigação do escritor corromper mesmo,
04:44perverter a linguagem, corromper a história,
04:48corromper o fluxo registrado pela história.
04:54Mas eu quero que quem converse sobre isso com a gente seja o Rômulo.
05:00Porque o Rômulo, ele não só tem o conhecimento de causa,
05:05mas ele também é um grande pesquisador na área.
05:08E para poder criar um texto como esse, é preciso que haja pesquisa.
05:13Para criar um texto como eu escrevi, o meu romance Fama Volat,
05:17que é um romance policial, eu pesquisei.
05:20Então, é importante que haja a compreensão do leitor
05:24de que o trabalho do escritor não é apenas o trabalho do talento,
05:28de colocar no papel a invencionice, a imaginação.
05:32Não.
05:32O escritor precisa também,
05:34desde que o texto que ele esteja escrevendo exija isso,
05:39ele precisa também ter uma disciplina no que diz respeito à pesquisa.
05:44E aí a gente começa a conversar com o Rômulo,
05:47porque ele é que é a estrela do Vitrino Literária.
05:50Todos os outros convidados, José Roberto Santos Neves, que esteve aqui,
05:55a Sueli Bispo, que esteve aqui,
05:57são eles que são a grande estrela do programa.
06:00São eles que fazem parte dessa literatura feita no Espírito Santo.
06:04Essa literatura que eu não chamo de capixaba,
06:07eu chamo de literatura brasileira produzida aqui no nosso estado.
06:11e já trazer para vocês um autor que não é capixaba,
06:15ou seja, não é nascido na Ilha de Vitória.
06:18Ele é um autor espírito santense,
06:20nascido em Cachoeira de Itapemirim,
06:22que é a terra de dois ícones, pelo menos.
06:25Um chamado Rubem Braga e o outro chamado Roberto Carlos.
06:28Os dois, cada um à sua maneira, ligados à palavra.
06:32E aqui está Rômulo.
06:33Aqui, seja muito bem-vindo,
06:35muito obrigado por você ter aceitado o convite.
06:37Eu sei que você veio aqui no sufoco.
06:40Seus três netinhos estão com você.
06:43Meus parabéns.
06:44Eu te invejo por você ser avô.
06:47Mas, Rômulo, aqui está o Monge Guerreiro.
06:51Eu já mostrei e vou mostrar de novo.
06:53Mas nós vamos começar com uma outra discussão.
06:56A discussão é a seguinte.
06:58Eu falei sobre pesquisa.
07:00Eu falei sobre um autor que se dedica a criar o que você cria.
07:06Ele não pode ser leviano.
07:08E ele não tem tantas liberdades assim.
07:11Eu estou errado?
07:12Eu estou certo?
07:13Você é um pesquisador?
07:14Grijó, antes de mais nada, é um prazer participar aqui do Vitrinha Literária.
07:19Parabéns à TV Vitória por ter um apresentador desse naipo.
07:23Obrigado.
07:24Nosso querido confrade, professor Francisco Grijó.
07:27Você colocou a questão da fantasia muito bem.
07:30É importante que se diga que a fantasia hoje, ela deu salto de patamares literários.
07:38Porque há muito tempo, décadas, realmente se pensava muito na fantasia como a literatura
07:44voltada para pessoas mais jovens e tudo mais.
07:47Mas esses preceitos foram quebrados, inclusive com Tolkien, como você muito bem colocou.
07:53Interessante, né?
07:54Que você falando, eu lembrei-me de Monteiro Lobato.
07:58Porque ele foi um dos pais da fantasia aqui no Brasil, né?
08:01Literária.
08:02Entre outros, com o cítrio do pica-pau amarelo.
08:04Mas a fantasia, Grijó, realmente é algo muito sério.
08:08Principalmente quando você a segmenta.
08:10Por exemplo, eu sou um apaixonado por Idade Média.
08:14O Monge Guerreiro nasceu a partir de visitas em mais de 50 castelos na Europa.
08:20Então, assim, sempre como jornalista que eu visitava um país, a trabalho aproveitava
08:25para dar uma esticada, visitava vilarejos medievais, castelos.
08:29Eu nutri essa paixão em escrever uma fantasia histórica, épica, sobre os cavaleiros templários.
08:37Para isso, eu tinha que conhecer, de fato, os castelos.
08:40E assim foi.
08:41Fui visitando em um período de 4, 5 anos.
08:44Consegui visitar.
08:46Inclusive, eu tinha uma grande companheira dessas visitas, que é minha esposa, Esvetlana.
08:50Através dessas pesquisas, eu acabei chegando na ideia do Monge Guerreiro.
08:54Que é baseado realmente em fatos históricos.
08:57A jornada das relíquias sagradas.
09:01Mas, sem perder muito nessas questões do livro, que eu tenho certeza que quem tiver oportunidade
09:07leia, que vocês vão fazer uma jornada.
09:10A fantasia medieval hoje, como você bem colocou, ela tem uma responsabilidade muito grande com
09:16os fatos históricos.
09:17Você tem a liberdade de introduzir personagens, talvez um ou outro reino fictício.
09:23Mas, o que é real, você tem que seguir todos os fatos históricos dele, os pormenores.
09:29E uma coisa que me honra muito no livro Monge Guerreiro, foi ter lido muitas críticas de
09:34especialistas, medievalistas, críticos literários, apaixonados por história, que colocaram o
09:41Monge realmente como uma jornada para a Idade Média, modestamente, conseguir seguir o roteiro
09:48histórico sem grandes derrapagens.
09:51Isso é importante.
09:52Agora, me permita falar rapidamente sobre o processo de escrita.
09:56Porque a fantasia medieval, ao contrário de outras áreas da literatura, eu me considero
10:02modestamente um autor eclético, porque eu já escrevi drama, já escrevi romance, mas
10:06como você bem colocou, minha grande paixão é a fantasia literária.
10:12A fantasia literária e histórica, não só o leitor vai viajar na leitura depois, é
10:18essa a ideia.
10:19O autor precisa mergulhar de cabeça.
10:22E quando eu, por exemplo, escrevi o Monge Guerreiro e outros livros dessa área fantástica,
10:27realmente eu mergulhei, a tal ponto de que eu gosto de repetir isso, eu sempre escrevo
10:33pela manhã, na hora que a minha esposa acorda para tomar um café e trabalhar, ela tocava
10:37no meu ombro e eu dava um salto de susto e ela falava, o que foi?
10:41Eu falava, você me trouxe 800 anos de volta.
10:44Então, assim, esse é o espírito, Igrejó.
10:47E fechando essa análise, hoje, mais do que nunca, a literatura, a fantasia deixou de ser
10:53uma literatura marginalizada, por assim dizer, ela é muito reconhecida fora do Brasil, tanto
11:00é as séries, os filmes, toda a indústria cinematográfica, você tem Game of Thrones,
11:04um grande sucesso, The HBO, então, assim, ela é muito respeitada lá fora e passou a ser
11:09lida de 8 a 80.
11:11Perfeito.
11:11O Monge Guerreiro é um livro que traduz bem a Idade Média, violência, batalhas, então,
11:17assim, eu sou muito cauteloso quando indico o monge, porque o ideal que seja lido a partir
11:22de 15 anos.
11:23Eu vou te fazer uma pergunta.
11:24Você não se sente sozinho?
11:26Vou te explicar por quê.
11:28Você está escrevendo sobre uma realidade que não é brasileira.
11:32Mesmo que o Brasil quisesse, ele não teria essa realidade medieval.
11:37Embora eu tenha um profundo respeito pela comunidade indígena, mas o registro do que
11:44é o Brasil é a partir da colonização portuguesa, colonização europeia, a partir de
11:481.500, como é que você se sente num país, você está num país que não teve Idade Média,
11:56a Idade Média, né, é, europeia, a Idade Média, a Idade Média nos moldes europeus, e você
12:06morando no Brasil, morando em Vitória e em Cachoeiro e em Anchieta, você vivendo essa
12:14realidade brasileira, você não se sente sozinho ao escrever sobre uma realidade que não é
12:20do seu país?
12:21Sim, pergunta muito interessante.
12:23Eu me sinto solitário e, acima de tudo, eu me sinto em dívida com a cultura brasileira,
12:30porque eu amo o nosso país.
12:32E isso vai ser corrigido com o tempo.
12:35Entre os livros que eu tenho escrito, que eu vou falar na sequência, um deles tem, podemos
12:42chamar de uma fantasia brasileira, vai ser uma novidade que a gente vai revelar daqui
12:47a pouco.
12:48Mas sim, eu me sinto solitário na escrita da fantasia medieval, que é como eu classifico
12:53meus livros, mas eu busco também as minhas raízes.
12:57Eu sou brasileiro, mas também sou bisneto de italianos.
13:01Então, assim, talvez essa paixão não seja por acaso.
13:04Meu bisavô, quando chegou aqui, inclusive ele desceu em Anchieta, ali no porto, ele era
13:09de uma região lá abarrotada de castelos.
13:12Então, talvez tenha aí essa explicação pela minha paixão medievalista.
13:17Agora, é interessante, Grijó, que, embora apaixonado pela Idade Média, eu gosto muito
13:24da história brasileira.
13:25Eu tenho um livro, uma ideia de livro guardado sobre o padre Anchieta, realmente, assim,
13:30algo inédito, saindo dessa coisa de apenas contar a vida dele, mas é algo ainda que está
13:35na fila, vai acontecer daqui a alguns anos, que eu pretendo fazer.
13:39Mas, é interessante dizer o seguinte, não só me sinto solitário na escrita, é lógico,
13:45que temos grandes escritores aqui no Brasil de fantasia e alguns poucos se dedicam à medieval.
13:52Interessante dizer que eu fui, modestamente, primeiro brasileiro a ser publicado na Europa
13:58com um livro de ficção medieval, através de uma das maiores editoras do mundo, que
14:02é Newton Compton.
14:03Esse é o livro, se me permite.
14:05Claro, claro.
14:06Essa é a edição italiana do Monge Guerreiro, foi lançada pela Newton Compton, é uma editora
14:11italiana, uma gigante, e lá ganhou esse título de Igueriero Templari.
14:16O livro fez muito sucesso lá.
14:18É uma edição de luxo maravilhosa, como vocês podem ver, sobre capa, cinta.
14:23Como vocês sabem, lá na Europa eles levam leitura muito a sério.
14:26Sim, sem dúvida.
14:26Então, assim, nas reuniões que eu tive na editora, eu me senti muito honrado, mas solitário,
14:33quando vi que eu era o único autor latino-americano publicado por ele, em uma casa que publica
14:39250 livros por ano, italiano, inglês e tudo mais.
14:43Mas, assim como a gente tem que reconhecer que há também bons autores europeus que escrevem
14:48sobre o Brasil, sobre a nossa cultura indígena, sobre a Amazônia, por exemplo.
14:52Sim.
14:52Então, esse é o caminho.
14:54Me fala um pouco sobre essa simbiose que existe entre a literatura e o cinema, que é uma coisa
15:01que já tem desde que o cinema surgiu.
15:03Ele se nutre muito da literatura, não só com os roteiristas, que muitos deles eram escritores
15:09de verdade, escritores literários, e com o tempo, dos últimos 30 anos, começou-se
15:18a existir uma exploração do cinema em relação à literatura de fantasia.
15:25Então, essa predileção do cinema por essa literatura mostra duas coisas que, para mim,
15:35são muito óbvias.
15:36O cinema adora a literatura porque a literatura o alimenta e, ao mesmo tempo, ele catapulta
15:43a literatura.
15:44Ele promove essa literatura.
15:48Os seus livros, nesse Guerreiro do Tempo, O Monge Guerreiro, há muito de cinema, há muito
15:56de cenas que, ao se ler, você cria, ou o leitor cria a própria imagem, que não é o cinema.
16:04O cinema dá a imagem que o diretor quer dar.
16:08Você foi intencional quando você criou essas cenas que são altamente plásticas?
16:16Isso é uma intencionalidade ou isso é uma consequência da sua escrita?
16:22Eu acredito, Grijó, que, como você bem o sabe, como professor de literatura, que hoje,
16:27mais do que nunca, a gente vive grandes desafios para captar novos leitores, formar uma nova
16:33geração de leitores.
16:35Então, assim, você tem que facilitar.
16:37Eu me acho um escritor detalhista nas minhas inscrições e de forma proposital.
16:42Eu quero que o leitor, ele seja transposto numa jornada, de fato, que quando ele abra um livro
16:47meu, ele possa viajar assim como livros de outros colegas.
16:50E é nisso que eu trabalho, é nisso que eu acredito.
16:53Se você permite o leitor viajar com você nas inscrições, é um bônus que você ganha
16:59dentro do seu trabalho.
17:00E hoje o cinema está muito ligado.
17:02Obviamente que meus livros não são roteiros cinematográficos.
17:06Mas eu busco trabalhar essa imagem, que o leitor, ele possa entender como que é o rei,
17:12no caso do Monge Guerreiro, como que são os personagens.
17:15Nós temos mais de 70 personagens aí.
17:17Desses 70, eu acredito que a metade foram personagens históricos, mais ou menos, lembrando
17:23as estatísticas.
17:25Então, assim, é importante hoje, nós como escritores, a gente tem que se reinventar.
17:30Não é verdade?
17:31E se reinventar isso é você facilitar.
17:34Eu gosto de você ver que meus livros têm uma ou outra imagem, você tem quebra de capítulos.
17:39Você tem que atrair.
17:40Hoje, os leitores não têm tempo para ler.
17:43O mundo é barulhento demais.
17:44O que falta para o ser humano hoje?
17:46Silêncio.
17:47E o que se precisa para ler um bom livro?
17:49De silêncio.
17:50Então, assim, meus capítulos são curtos.
17:51Eu gosto de trabalhar isso, para que a pessoa possa ler um capítulo por dia.
17:55E é indissociável hoje você pensar em cinema e em literatura.
17:59Eu acho que ela se complementa mais que nunca.
18:02Mas me diga uma coisa, que eu acho uma situação complexa.
18:07Você, ao escrever, você pensa no leitor ou você pensa em você?
18:12Eu digo a você com tranquilidade.
18:14Eu penso em mim.
18:15Sim.
18:15Eu penso em mim.
18:16Se aquilo me satisfizer, pode ser que satisfaça um leitor exigente, como eu sou como leitor.
18:23Sim.
18:24A minha pergunta para você é, escrevendo para um público que, na maioria das vezes, não
18:30lê nada além do seu livro ou além desse nicho criativo, você pensa no leitor?
18:35Você escreve falando, se eu escrever dessa maneira, ele não vai entender.
18:39Eu vou escrever de outra maneira para que seja mais fácil para ele?
18:43Sim e não.
18:44Eu penso também como você em partes.
18:46Por exemplo, acima de tudo, a história é sua, é do escritor.
18:49Eu costumo dizer isso para muitos críticos literários.
18:52Eu falo assim, olha, esse livro é uma gestação, eu gerei um filho, é o que eu pensei dele.
18:57Muitos vão gostar e outros não.
18:59Não há livro unânime no mundo.
19:01Eu, como cristão, falo que nem a Bíblia.
19:03Ela tem essa unanimidade, infelizmente.
19:06Mas veja, primeiramente, você escreve o seu livro, é a sua história.
19:10Agora é lógico que você faz concessões para o leitor.
19:16Bom, isso aqui está forte demais, está pesado demais ou de menos.
19:20Então, assim, eu penso primeiro em mim.
19:22A história tem que me agradar sem um de tudo.
19:24Se ela me agradar, eu penso que vai agradar também o leitor.
19:29Então, essa é a minha filosofia de trabalho.
19:31Me diga uma coisa, você deve...
19:33Eu falei aqui, quando eu conversei com o José Roberto,
19:37eu falei que eu acredito muito na ideia de que,
19:41assim como os seres humanos nascem de outros seres humanos,
19:45textos literários nascem de outros textos.
19:48A minha pergunta para você é, o que você lê para obter uma base,
19:55não uma base criativa, porque isso é uma coisa sua, é o seu talento,
19:59mas para você obter uma cumplicidade com outros autores?
20:04Quem você lê?
20:06Se você me permite, tenho uma curiosidade.
20:08Eu lancei, pouco antes da pandemia, o meu primeiro romance,
20:12eu queria fazer uma homenagem à minha esposa.
20:13Claro, à vontade.
20:14Não, e esse livro, apaixonado que sou por ela,
20:18e foi o livro Farol e a Tempestade,
20:21muito inspirado em algumas nuances do nosso cantinho lá em Anchieta.
20:24Eu queria escrever um romance, mas olha que curioso,
20:26eu nunca tinha lido um romance.
20:28Então, eu tinha assistido filme de romance,
20:30mas ler um romance nunca tinha me chamado a atenção.
20:33Então, assim, foi uma experiência diferente.
20:34Agora, a fantasia, eu confesso, assim, eu nunca me inspirei,
20:39nem me baseei em autor nenhum, mas é lógico que eu tenho vários
20:42que eu poderia citar aqui, que eu gosto muito.
20:44O Bernard Cornell, para mim, é o autor de fantasia histórica,
20:49ficção histórica, que melhor escreve, descreve as batalhas.
20:53Você tem o George Martin, das Crônicas de Gelo e Fogo, que a gente falou.
20:57Então, assim, são vários.
20:58Poderia citar aqui muitos autores.
21:01Agora, o curioso é o seguinte, se você falasse assim,
21:02mas, Romulo, qual que é a sua base literária?
21:05Eu, com um garoto lá em Cachoeiro,
21:07morava a 500 metros da casa dos Braga.
21:10Então, assim, o meu crescimento literário,
21:13eu cresci também dentro de redações como jornalista,
21:15garoto lá em Cachoeiro.
21:17Mas a minha inspiração literária sempre foi
21:19Rubem Braga e Manuel Bandeira.
21:21Por mais que falasse,
21:22nossa, mas eles não eram escritores de fantasia.
21:24Mas, enfim, a minha formação literária,
21:26eu posso acreditar esses dois principalmente.
21:29Rubem Braga e Manuel Bandeira,
21:30dentre muitos outros que eu li,
21:32eu era um leitor voraz, adorava.
21:35Me diga uma coisa, outra coisa que eu acho que vai interessar muito
21:38aos leitores que têm interesse nessa área.
21:42Porque eu sei que existem,
21:44eu trabalho com essa faixa etária, né?
21:46Faixa etária de 17 a 20 anos.
21:49E muitos deles têm essa gravitação,
21:52essa tendência a gostar de uma literatura mais inventiva,
21:57uma literatura mais de aventura e acabam na literatura de fantasia.
22:03Qual o conselho que você tem para dar a essa rapaziada?
22:06Além do fato de ler.
22:09Sim.
22:10Além desse, porque esse é óbvio.
22:11Esse é óbvio.
22:12Além desse.
22:12Esse é óbvio.
22:13Um escritor, acima de tudo, tem que ser um grande leitor.
22:16Mas para aquele que deseja se aventurar no universo da literatura fantástica,
22:21por exemplo, entre outros, né?
22:23Entre outras áreas e segmentos de literatura,
22:25é importante o seguinte, primeiro, ter uma grande ideia, buscar essa ideia.
22:29Segundo, pesquisar muito.
22:33Terceiro, formatar a ideia, é o que eu chamo de esqueleto do livro.
22:35O Monge Guerreiro foi muito trabalhoso,
22:38porque a história começa em Jerusalém, passa por Constantinopla,
22:43passa pela Grécia e acaba em Veneza, na Itália.
22:46Tem cavaleiros vindo da França.
22:48Então, sim, foi uma coisa de louco.
22:49Que se eu não organizasse o que eu ia escrever, não saíria.
22:52E é lógico que durante o fluxo da escrita, você é surpreendido com personagens que vão e vêm.
22:58Que você não espera nada dele.
22:59Mas, acima de tudo, organização.
23:01E o mais importante, Guijó, que você sabe certamente,
23:04é tem que escrever todo dia.
23:07Tem que se dedicar a escrever.
23:08Você tem que ser austero nisso.
23:10Vou escrever meia hora.
23:12Você tem meia hora?
23:12Escreva meia hora por dia.
23:14Uma hora por dia.
23:14Não deixe de escrever.
23:15Quando você realmente entra de cabeça.
23:18Maravilha.
23:19Maravilha.
23:19Romulo, nós estamos acabando o nosso programa.
23:23Onde eu encontro os seus livros?
23:25Eu sou interessado nessa literatura e quero saber onde é que eu encontro.
23:30Então, meus livros, eles hoje se encontram nas principais livrarias.
23:35Esse é o novo, né?
23:35Esse é o novo.
23:36Enquanto eu falo, vou até fazer uma grata surpresa aqui.
23:40Esse é um drama de guerra inédito.
23:42Pássaros Negros na Neve.
23:43Que estou lançando agora no final de agosto.
23:46Vamos ter um lançamento presencial aqui em Vitória.
23:48Outros também.
23:49Mas os meus livros vocês encontram principalmente no romulofelipe.com
23:54Mas na Saraiva, Leitor, entre outros também.
23:57Vocês podem encontrar.
23:59E esperem surpresas que estou com seis livros inéditos.
24:03A pandemia foi produtiva, pelo menos nesse sentido.
24:06Romulo, muito obrigado.
24:08Muito obrigado mesmo.
24:09Foi uma honra ter você aqui.
24:11Eu te agradeço e espero que você volte em breve.
24:14Para a gente conversar sobre o seu novo livro.
24:15Grijó, prazer imenso.
24:16Quando o papo é bom, o tempo voa, né?
24:18Tempo voa.
24:18Ficaríamos aqui por horas.
24:20Mas foi um grande prazer, meu amigo.
24:22Valeu, gente.
24:23Um grande abraço para vocês.
24:25O Vitrine Literária acaba aqui.
24:27Fiquem com Deus.
24:28E não se esqueçam, hein?
24:30Haverá um próximo programa.
24:32Valeu.
24:34Você ouviu o Vitrine Literária.
24:37Com o professor e escritor Francisco Grijó.
24:40Tudo sobre literatura contemporânea.
24:43Temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
24:50Tate, eu tô mecanismos.
24:50Tate, eu tô te encer.
24:51Tate.
24:51Tate, eu tô te encer.
24:52Tate, eu tô te encer.
24:53Obrigado.