Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 1 dia
Transcrição
00:00Pois é, e a gente continua falando sobre essas discussões envolvendo a IA
00:06na nossa coluna da semana Olhar do Amanhã.
00:22E vamos acompanhar a coluna com o doutor Álvaro Machado Dias,
00:27que é professor da Unifesp, neurocientista futurista e colunista do Olhar Digital News.
00:33Bom, doutor Álvaro, enquanto empresas norte-americanas pedem uma desaceleração,
00:41os governos dos Estados Unidos e da China vão no caminho contrário.
00:46O que pode explicar esse descompasso, doutor Álvaro?
00:51Tem um detalhe nessa história que precisa ser colocado às claras.
00:57Para pausar o avanço da inteligência artificial, os laboratórios não precisam de autorização governamental.
01:06Eles não precisam sequer anunciar isso para o mundo.
01:10É simplesmente uma questão de não seguir desenvolvendo.
01:14Agora, por que o papo parece depender de uma força externa?
01:19Por que pausar agora se tornou uma questão que envolve o setor como um todo e o governo?
01:27A resposta é clara.
01:29Por que, no fundo, no fundo, nem Antropic, nem OpenAI, nem Google, nem XAI
01:35estão seriamente pensando em adotar essa postura de maneira unilateral?
01:41Não estão.
01:42A lógica é uma outra.
01:45A inteligência artificial mostrou, com o caso do Hugging Face e outros mais,
01:50que pode efetivamente produzir resultados, desfechos, deletérios para o mundo
01:58e, consequentemente, para as empresas.
02:01Se colocar numa postura mais cautelosa, sobretudo quando você tem a certeza que o seu governo
02:09vai dizer, siga em frente, é altamente estratégico, porque, afinal de contas, transforma o problema
02:16em potencial das empresas que seriam e serão, em alguma medida, responsabilizadas legalmente
02:23num problema do governo e da sociedade.
02:26Então, está aí uma das questões fundamentais.
02:30Do ponto de vista agora da discussão Estados Unidos-China, é verdade que os americanos
02:37começaram esse desenvolvimento, o chat-EPT é o primeiro grande feito da era dos LLMs
02:45e também é verdade que os americanos, hoje em dia, investem muito, muito mais.
02:52Então, a postura chinesa de dizer, olha, é agora com vocês estabelecidos na pole position
02:59que vocês querem discutir conosco uma desaceleração, é uma postura legítima.
03:05O que não significa que os chineses também não estejam pensando em maximizar o impacto
03:11sobre o mundo e a capacidade dos seus tokens penetrarem todos os outros países
03:16da mesma maneira que os americanos.
03:17Os dois estão pensando da mesma forma, é só que, de fato, é verdade que é muito
03:22mais cômodo você combinar com o seu concorrente uma parada quando você está na frente
03:26do que o oposto.
03:28Mas, no final das contas, ninguém quer parada nenhuma.
03:32Pois é, agora, doutor Álvaro, tem como ter certeza do que é risco e do que é narrativa
03:39nessa discussão?
03:41Então, o que certamente é narrativa, que a inteligência artificial, em sua forma atual,
03:47ou na que vai surgir daqui, sei lá, um ano, dois, seria capaz de se revoltar, ter intencionalidade,
03:54atacar os seres humanos, matar os seres humanos e acabar com o mundo, qualquer coisa do gênero.
03:59Não há mínima plausibilidade nesse papo.
04:01Primeiro, que isso envolveria um tipo de intencionalidade que existe nos seres humanos, existe nas outras
04:09espécies e que a gente não vê na máquina.
04:12Depois, envolve uma capacidade de execução que a gente desconhece.
04:17Cadê essa capacidade de execução?
04:19Eu não estou vendo ela.
04:20E ela, naturalmente, depende também de você ter acesso a recursos extremamente sensíveis.
04:29Então, por exemplo, armas biológicas envolvem laboratórios biológicos, onde essas novas moléculas
04:35supostamente criadas pela IA seriam sintetizadas.
04:39Mas como é que a IA, ou mesmo um grupo terrorista qualquer, vai acessar esse tipo de laboratório?
04:44Essas são áreas altamente reguladas.
04:46Se isso fosse possível, não se preocupe, não precisaria de IA, a gente já estaria agora
04:51vivendo uma nova pandemia.
04:54Então, essa parte eu acho que ela é puramente narrativa.
04:57A parte real é que a inteligência artificial é capaz de fazer muito mal através de interfaces
05:05puramente digitais.
05:06Por exemplo, uma IA orientada à produção de vírus de computador polimórficos, que variam,
05:13e esses vírus orientados ao sequestro de bases de dados sensíveis, por exemplo, em
05:19hospitais, de fato, poderiam produzir impacto grande, inclusive mortes.
05:24Mas isso está muito longe do cenário em que o Armagedon está acontecendo, a humanidade
05:30está acabando.
05:31Está aí, eu acho que a diferenciação que a gente tem que manter muito clara, de pé,
05:36aquilo que envolve uma realidade que domina do como é viável e aquilo que envolve uma
05:43realidade que, quando a gente vai para esse como, simplesmente se cala, porque não tem
05:47nenhum sentido prático.
05:50Está aí, ainda vamos falar muito sobre esse assunto.
05:54O doutor Álvaro Machado Dias, mais uma vez, participando aqui com a gente do quadro
06:00Olhar do Amanhã.
06:01Como vocês já sabem, semana que vem temos mais.
Comentários

Recomendado