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  • há 21 horas
Título do livro: As Aventuras do Capitão José Bates
Autor do livro: José Bates

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Transcrição
00:00As Aventuras do Capitão José Bates
00:04Capítulo 10
00:05Um filho mimado
00:07Viagem de volta saindo das Índias Ocidentais
00:11Alarme falso
00:13Em casa
00:14Uma viagem no navio New Jersey
00:17Grandes ondas no Triângulo das Bermudas
00:20Posição perigosa em uma tempestade violenta
00:23Ilhas turcas
00:25Montes de sal
00:27Um carregamento de rocha salina
00:29O retorno para Alexandria de Si
00:33Viagem para Liverpool no navio Talbot
00:36Tempestade na corrente do Golfo
00:39Um fenômeno curioso às margens de Terra Nova
00:43Um antigo companheiro de bordo
00:46Enquanto o navio estava em reparos em São Tomas
00:50O Capitão Rich decidiu visitar um conhecido seu no domingo
00:54E eu propus passar algumas horas na praia
00:57Para dar uma olhada no lugar
00:58Ele disse
00:59O George quer ir até a praia
01:02Gostaria que ele fosse com você
01:04Mas não perca de vista
01:05O problema é que enquanto eu conversava com o conhecido George Rich
01:10O filho do Capitão sumiu
01:12Quando retornei ao bote
01:14Acompanhado do imediato do navio
01:16Que o Capitão Rich visitava
01:17Vimos George deitado no bote
01:20Bêbado
01:21Quando chegamos ao navio onde seu pai estava
01:24O pai ficou muito irritado
01:26E se esforçou ao máximo para fazer o rapaz despertar de sua letargia
01:31E induzi-lo a remar
01:32Seu pai havia acertado conosco
01:35Que nós três apenas
01:36Estaríamos no controle do bote
01:38E que o restante dos marinheiros deveria ficar a bordo do nosso navio
01:43George, porém, não estava em condições de fazer nada
01:46A não ser responder o pai de maneira muito desrespeitosa
01:51Portanto, em vez de George
01:52Foi seu pai quem teve que remar até o navio
01:56Depois de se recuperar um pouco da bebedeira
01:59George Rich apareceu no tombadilho superior
02:02Seu pai o repreendeu
02:04E ameaçou castigá-lo por ter envergonhado a si mesmo e a ele
02:08No meio de pessoas desconhecidas
02:10Depois de mais algumas palavras de repreensão
02:13George agarrou o pai e o empurrou a certa distância
02:16Em direção à popa do navio
02:19Mas o pai dominou o filho
02:20O derrubou no chão e colocou os joelhos sobre o garoto
02:24O capitão então se voltou para mim e disse
02:27O que devo fazer com o rapaz, Sr. Bates?
02:30Dê uma surra nele, respondi
02:33Assim será feito, ele disse
02:35E o capitão o esbofeteou algumas vezes nas costas
02:38Dizendo, aqui, tome essa agora
02:41George ficou tão irritado e aborrecido com a surra que o pai lhe dera
02:45Que desceu correndo para a cabine a fim de se matar
02:49Instantes depois o cozinheiro subiu correndo de lá dizendo
02:53Capitão Rich, George está dizendo que vai saltar da janela da cabine e se afogar
02:58Deixe-o pular, ele disse
03:01Naquela altura, George já estava sobre o suficiente para pensar melhor
03:06Pois era um grande covarde
03:09Nessa ocasião, George Rich tinha 13 anos
03:13Quando não estava sob o efeito do álcool, era um garoto generoso e de bom coração
03:18E com o devido controle, ele teria se mostrado uma bênção para os pais e amigos
03:24Em vez de uma vergonha e maldição, como naquele episódio
03:29Seu pai, o capitão, veio certo dia desabafar para mim
03:33Quando ele era apenas uma criança
03:36Minha esposa e eu tínhamos medo de que ele se tornasse um garoto bobão
03:40E no futuro não tivesse a esperteza necessária para enfrentar a vida como homem
03:46Então fomos indulgentes com suas vontades e travessuras infantis
03:51Logo, ele aprendeu a fugir da escola e se associou com rapazes malandros e com esse tipo de gente
03:57Isso incomodou tanto minha mulher que ela não suportava mais tê-lo em casa
04:02É por isso que eu o trago comigo nas viagens
04:05O capitão sabia perfeitamente que George beberia bebida alcoólica sempre que tivesse a oportunidade
04:12E mesmo assim ele mantinha uma garrafa guardada no armário
04:16Onde o rapaz podia pegar sempre que quisesse quando não havia ninguém por perto
04:21Algumas vezes o capitão perguntava ao cozinheiro quem tinha pegado a garrafa de bebida alcoólica
04:26Mas ele sabia que nem eu, nem o segundo imediato tínhamos pegado
04:31Pois nenhum de nós bebia
04:33Ele sabia que o filho era o responsável pelo sumiço das garrafas
04:38Nosso contato comercial em Gothenburg tinha colocado nas mãos do capitão Ritch
04:43Uma caixa de bebida alcoólica selecionada para ser entregue como presente à senhora Ritch
04:49Depois que o nosso pequeno estoque de bebida alcoólica havia se acabado durante a longa viagem
04:55Vi George uma noite abraçando o pai no pescoço dentro da cabine
04:59O pai me disse
05:01O que você acha que esse garoto quer?
05:03Não faço ideia, respondi
05:05Ele quer que eu abra a caixa de bebidas da minha mulher e dê um pouco para ele
05:10O pai cedeu
05:12E logo o presente que era para a mãe foi esvaziado num piscar de olhos
05:17Aquela sede por bebida alcoólica ignorada por seus pais
05:21Criou raízes à medida que o garoto foi chegando à vida adulta
05:25Levando-o a se associar com a escória da sociedade
05:29E finalmente a uma sepultura de um bêbado inveterado na metade de sua vida
05:35Sua mãe quando o filho ainda vivia lamentava e chorava
05:38E morreu desgostosa por ver diante de si um filho arruinado
05:43O pai viveu o suficiente para ser atormentado e ameaçado de morte
05:48Quando não dava dinheiro ao filho para ele satisfazer a sede insaciável
05:53Que celeremente o encaminhava para o seu fim prematuro
05:56O capitão desceu à sepultura lamentando ter sido o pai de um filho tão rebelde e desnaturado
06:03Essa história é uma alerta a pais e filhos que ainda estão vivos
06:07E não seguem um preceito bíblico infalível de Deus
06:11Ensina a criança no caminho que deve andar
06:14E ainda quando for velho não se desviará dele
06:18Provérbios 22, verso 6
06:20Em nossa viagem de São Thomas para New Bedford, Massachusetts
06:25Nos deparamos com uma tempestade muito violenta na corrente do golfo em Cape Hatteras
06:31Durante a ronda da meia-noite, George veio correndo para a cabine gritando
06:36Pai! Pai! O navio está afundando!
06:39O segundo imediato, que era o responsável pela ronda naquele momento, declarou que o navio estava mesmo afundando
06:46Todos correram para o convés e perguntei ao Sr. Nye
06:49Como ele sabia se de fato o navio estava afundando?
06:54Ele respondeu
06:55Porque o navio baixou mais ou menos um metro
06:59Levantamos a escotilha de popa e vimos que a quantidade de água na bomba era normal
07:04Os trovões contínuos e os vívidos relâmpagos que riscavam o céu os alarmaram e os enganaram
07:11Pois todos os vigias de ronda também acreditavam que o navio estivesse afundando
07:16Cerca de três semanas depois da partida de São Thomas, avistamos a ilha Bloch
07:21De manhã, quando estávamos a aproximadamente 40 quilômetros de New Bedford
07:26Um vento forte veio do norte, ameaçando-nos empurrar para águas muito profundas
07:32Fixamos as cordas em volta do mastro e baixamos as âncoras determinadas a fazer um esforço imenso
07:39E testar a força das nossas cordas nas águas profundas, em vez de sermos levados para longe da costa
07:46Então, com o máximo que as velas podiam suportar, começamos a virar a proa a barlavento
07:52Rumo a um porto em Vineyard Sound
07:55Conforme o mar se precipitava sobre nós, as velas e o cordame ficaram congelados
08:01De modo que antes de manobrarmos, o que era algo frequente, tivemos que quebrar o gelo das nossas velas
08:07Assim, conseguimos percorrer uma distância de 16 quilômetros a barlavento durante o dia
08:15E ancoramos em Tarpaulin Cove, cerca de 24 quilômetros de New Bedford
08:21Nosso sinalizador foi avistado do observatório de New Bedford exatamente quando entrávamos em Cove
08:28Quando a nossa âncora alcançou o fundo, a pobre e quase congelada tripulação ficou tão feliz
08:35Que, em comemoração, deram três vivas por aportarem em segurança
08:40Depois de dois dias, o vento diminuiu
08:42Issamos as velas e ancoramos no porto de New Bedford no dia 20 de fevereiro de 1819
08:49Quase seis meses depois da partida de Gothenburg
08:53Até onde tenho conhecimento de navegação, aquela foi uma das viagens mais singulares e providenciais
08:59Já registradas entre a Europa e a América por sua natureza e duração
09:04Aquela viagem, incluindo também a nossa viagem às Índias Ocidentais
09:09Poderia ser realizada em menos de 60 dias em tempo normal e em bom estado do navio
09:15Nossos amigos estavam quase tão contentes de nos ver
09:18Quanto nós estávamos de chegarmos em casa sãos e salvos
09:22O contraste entre o retinir quase contínuo das bombas para mantermos nosso navio flutuando
09:29O uivo das tempestades de inverno que devemos de enfrentar
09:33E o fogo de uma boa areira acesa, com a esposa, os filhos e os amigos
09:38Era grande e nos deixou muito alegres
09:41Estávamos gratos a Deus por ter preservado a vida de cada um de nós daquela maneira
09:46Aquela era a terceira vez que eu voltava para casa num período de dez anos
09:51O velho Francis, como o navio era chamado, aparentemente pronto para ser engolido em uma sepultura marítima
09:58Logo estava completamente reparado e equipado para a pesca de baleias
10:03Negócio este que o navio empreendeu com êxito pelos oceanos Pacífico e Índico por muitos anos
10:10O capitão L.C. Tripp e eu somos agora os únicos ainda vivos
10:16Depois de passar uma temporada agradável em casa com a minha família
10:20Naveguei novamente para Alexandria D.C.
10:23Fui como imediato a bordo do navio New Jersey de Alexandria D.C.
10:28Tendo como comandante o Sr. G. Rowland
10:30Subimos o rio James perto de Richmond, Virgínia
10:34Para pegarmos um carregamento e levá-lo para a Europa
10:37De lá para Norfolk, Virgínia
10:40Onde finalmente carregamos e navegamos para as Bermudas
10:43Em nossa chegada às Bermudas tiramos tanta água do navio
10:48Que devemos de ancorar em mar aberto
10:50E aguardar um tempo agradável e um bom vento
10:53Para então navegarmos até o porto
10:55O capitão e o timoneiro foram até a praia
10:58Esperando voltar para o navio o quanto antes
11:01Mas foram impedidos pela tempestade violenta
11:04Que chegou pouco depois de eles alcançarem a praia
11:07Nós, no navio, ficamos em uma situação difícil e perigosa por quase dois dias
11:13Não estávamos familiarizados com os recifes de rochas perigosos
11:17Que cercavam os lados norte e leste da ilha
11:21Porém, com a ajuda de um binóculo
11:23Lá no topo do mastro pude avistar a muitos quilômetros ainda em alto mar
11:28As ondas do furioso mar se quebrarem na altura do mastro
11:32Sobre os recifes de rochas no leste e norte
11:36Bem como a oeste de nós na costa da ilha de Bermudas
11:40Rodeadas de rochas que se estendiam para o sul
11:43Até as perdermos de vista
11:45Do lugar onde eu estava, vi que havia uma remota possibilidade de escaparmos com vida
11:52Se durante o vendaval os cabos das âncoras se rompessem
11:55E o navio fosse empurrado rumo ao sul
11:58Deixando as âncoras para trás a menos que içássemos velas em quantidade suficiente
12:03Aproveitando o vento favorável para enfrentarmos as ondas
12:07Que se quebravam nos rochedos na extremidade sul da ilha
12:10Nossas velas de tempestade se encontravam no momento encurtadas
12:15Mas toda a preparação necessária foi feita
12:18Para caso as cordas das âncoras se partissem
12:21Liberarmos todas as velas de tempestade que o navio pudesse suportar
12:25Afim de se possível passarmos sobre as ondas a sota vento
12:29Quando a tempestade aumentou já tínhamos soltado quase todo o nosso cabo
12:34Reservando apenas o suficiente para aliviar a fricção na proa
12:38Que era muito frequente
12:39Porém, contrário a todos os nossos pressentimentos mais terríveis
12:44E os daqueles em terra que estavam preocupados com a nossa segurança
12:48Especialmente o capitão e o timoneiro
12:51O nosso intimidado navio foi avistado ao amanhecer da segunda manhã
12:55Ainda lutando contra seu inimigo irredutível
12:58Segurando-se as âncoras bem presas através de suas cordas longas e bem esticadas
13:04Que haviam sido totalmente testadas durante a violenta tempestade que começava a diminuir
13:10Assim que o mar se acalmou, o capitão e o timoneiro voltaram para o navio
13:14Seguimos em plena marcha, ancoramos em segurança no porto e descarregamos a carga
13:20De bermudas velejamos para as ilhas turcas a fim de pegarmos um carregamento de sal
13:25Nas proximidades daquela ilha, há um grupo de ilhas mais baixas e arenosas
13:30De onde os habitantes tiram grandes quantidades de sal a partir da água do mar
13:35Ao passarmos perto daquelas ilhas, era possível avistar o estoque de sal que os nativos tinham disponível
13:42Já que ele é amontoado para venda e exportação
13:46E a certa distância dos montes de sal, estavam as casas, bem parecidas com as pequenas casas
13:53Nas campinas do oeste, com seus inúmeros montes de trigo espalhados depois da colheita
13:58O sal das ilhas turcas é também conhecido como sal-gema
14:03Ali ancoramos o navio cerca de 400 metros da praia com as âncoras a 73 metros de profundidade
14:10Estávamos preparados para puxarmos as nossas cordas e partirmos para o mar
14:15A qualquer momento de perigo, de mudança de vento ou tempo
14:19E quando o tempo se acalmasse outra vez, retornaríamos e terminaríamos de fazer a carga
14:25Em poucos dias, os nativos enviaram para nós, através de seus escravos
14:2912 mil alqueires de sal, que chegaram em barcos
14:33Eles tiravam meio alqueire de cada vez e nos entregavam
14:37O mar em torno dessa ilha é repleto de pequenas conchas de todas as cores
14:42E muitas delas são coletadas por mergulhadores profissionais
14:46Nas águas mais profundas
14:49Voltamos então para a Alexandria de Si no inverno de 1820
14:53Dando fim à nossa viagem
14:55Antes que o carregamento de New Jersey fosse descarregado
15:00Me ofereceram para comandar o navio Talbot de Salem, Massachusetts
15:04Carregamos esse navio em Alexandria e seguimos então para Liverpool
15:09Em poucas semanas estávamos outra vez fora da baía de Chais Peak
15:14Saindo de Cabo Henry para cruzarmos o Oceano Atlântico
15:18Logo após deixarmos terra firme, uma tempestade de vento violenta nos atingiu na corrente do Golfo
15:25Juntamente com trovões terríveis e raios vívidos que riscavam o céu
15:29As nuvens espessas e escuras que pareciam estar bem em cima do nosso mastarel
15:34Nos cobriam de trevas quase impenetráveis à medida que a noite nos envolvia
15:39A única coisa que aliviava nossa mente
15:42Era o clarão do fogo dos lampiões que iluminava o nosso curso
15:46E nos mostrava por um instante que não havia nenhum outro navio em nossa direção
15:51O clarão também mostrava o formato das ondas impetuosas que enfrentávamos com o máximo de velas que o navio conseguia
15:59suportar
15:59Cruzamos assim, a toda velocidade, aquela temida e escura corrente de água morna
16:05Que se estendia do Golfo do México até os cardumes de Nantucket, na nossa costa atlântica
16:11Não sei dizer se a tempestade se acalmou na direção em que passávamos
16:16Mas encontramos o clima muito diferente ao lado leste da corrente
16:20Eu já ouvi marinheiros mencionarem sobre dias de clima agradável enquanto navegavam nesse Golfo
16:27No entanto, eu não tive nenhuma experiência desse tipo
16:30Depois disso, mudamos o curso a fim de passarmos pela extremidade sul
16:35Do lugar chamado de Grandes Bancos de Areia de Terra Nova
16:38De acordo com nossos cálculos e sinais de sondas
16:42Estaríamos nos aproximando daquele famoso lugar na parte da tarde
16:46A noite caiu e com ela uma garoa fina que logo começou a congelar
16:51De modo que, à meia-noite, nossas velas e cordumes estavam tão cobertos e endurecidos com gelo
16:58Que foi muito difícil ajustá-los e levar o navio para longe daquelas rasas águas dos grandes bancos de areia
17:06Rumo ao insondável oceano, onde assim sempre nos disseram
17:10A água nunca congela
17:12E naquela situação foi verdade, pois o gelo derreteu depois de algumas horas de viagem ao sul
17:18Não paramos para medir a profundidade
17:21Mas supunhamos que estávamos a cerca de 110 metros do fundo do mar
17:25Quando rumamos ao oceano à meia-noite
17:28Ali naquele lugar, tendo percorrido cerca de um terço do trajeto total dos 4.800 quilômetros pelo oceano
17:36A centenas de quilômetros de qualquer faixa de terra
17:39E cerca de 110 metros acima do fundo do mar
17:43Enfrentamos congelamentos severos
17:45Dos quais fomos completamente aliviados
17:48Depois de rumarmos ao sul por cerca de 32 quilômetros
17:52Se estivéssemos a uns 32 quilômetros da costa
17:56A ocorrência não teria sido tão singular
17:58De início, achamos que estávamos nas redondezas das ilhas de gelo
18:03Mas concluímos que não poderia ser
18:05Já que ainda faltava aproximadamente um mês para que elas aparecessem
18:09Tudo isso aconteceu em abril
18:12Algumas semanas depois do incidente descrito acima
18:15Chegamos a Liverpool
18:17A cidade comercial onde, dez anos antes
18:20Eu havia sido apreendido de maneira injusta e desumana
18:23Por um grupo de bandidos do governo
18:26Que tiraram a mim e ao meu colega da nossa tranquila pensão à noite
18:30E nos prenderam numa cela imunda até a manhã seguinte
18:34Quando fui levado perante um oficial da marinha
18:37Para verificar em mim a cidadania
18:39Um dos soldados que me haviam prendido na noite anterior
18:42Declarou que eu era um irlandês de Belfast, na Irlanda
18:47Privado do meu direito de cidadania
18:49Dali em diante fui transferido para o serviço naval do rei George III
18:54Sem limites de tempo
18:56Ali em Liverpool, eu e meu colega de pensão Isaac Bailey de Nantucket
19:01Fomos agarrados em ambos os braços
19:04E levados cativos por quatro soldados robustos
19:07Tendo que caminhar pelas ruas como se fôssemos criminosos condenados
19:11Até um barco que chamavam de a velha princesa da marinha real
19:16Durante aqueles dez anos uma grande mudança havia ocorrido com a monarquia real
19:21E os súditos da Europa civilizada
19:24Os levantes e revoltas terríveis das nações tinham em grande parte desaparecido
19:30Primeiramente pela paz entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha
19:33Garantindo à nação americana livre comércio e os direitos dos marinheiros
19:38Garantidos alguns meses após a grande e decisiva batalha de Waterloo
19:43Em 1815
19:45Isso foi seguido por um acontecimento inédito
19:48Um conclave dos governantes das grandes potências da Europa
19:52Unidos para manter a paz no mundo
19:55Evento este predito muitos séculos antes pelo grande soberano do universo
20:00Em Apocalipse capítulo 7 verso 1
20:03As duas grandes potências beligerantes Grã-Bretanha e Espanha
20:08Que por mais ou menos 15 anos haviam trazido convulsão no mundo civilizado
20:13Através de seus atos opressivos e de combates mortíferos por terra e mar
20:18Haviam encerrado suas batalhas mortais
20:21O primeiro poder usurpou o direito de prender e recrutar à força
20:26Quantos marinheiros fossem necessários em seus navios de guerra
20:30Sem distinção de cor se falassem a língua inglesa
20:33O segundo com toda a sua ambição de conquistar e dominar o mundo
20:37Ficou confinado numa terra outrora desolada e de rochas áridas
20:42Bem ao sul do oceano atlântico
20:44Agora solitário e moribundo
20:47As pessoas estavam agora de luto pela morte do monarca do primeiro império
20:52Ou seja, do rei George III
20:55Ele perdeu sua coroa, sua história chegou ao fim
20:58Sendo sepultado com pompa pelos seus antepassados
21:01Até que chegue o grande e decisivo dia
21:04Surge então uma menina que tagarelava nos braços de sua mãe
21:08Destinada a governar o vasto reino com poder menos despótico
21:13Durante aqueles dez anos a minha situação também havia mudado consideravelmente
21:18Soldados brutamontes do governo
21:21Recrutando marinheiros à força
21:23E prisões de guerra agora eram coisas do passado
21:26De modo que meus compatriotas e eu
21:28Podíamos aproveitar ininterruptamente a liberdade na cidade de Liverpool
21:33Prestes a carregarmos o navio com sal
21:36E retornavos de Liverpool à Alexandria
21:39Um homem vestido com jaqueta azul e calças segurando um chicote de vime
21:44Me abordou dizendo
21:45Por favor, meu bom senhor
21:47Você gostaria de alugar um trabalhador braçal para ajudar a fazer o carregamento de sal?
21:53Não, não quero você
21:55Respondi
21:55Por que, meu bom senhor?
21:57Eu conheço bem o trabalho e já fiz isso antes
22:01Mais uma vez me recusei a contratá-lo para o serviço dizendo que já o conhecia
22:06Ele então me perguntou de onde e eu respondi
22:10Você fazia parte da tripulação do navio de sua majestade, o Rodney
22:14De setenta e quatro canhões que ficou ancorado no mar Mediterrâneo
22:18Entre os anos de mil oitocentos e dez a mil oitocentos e doze?
22:22Ele respondeu afirmativamente
22:25Então continuei
22:27Conheço você de lá
22:28Você não se lembra de mim?
22:30Não, meu bom senhor
22:32O senhor era um dos tenentes ou tinha algum outro cargo oficial?
22:36Ou o senhor era um dos oficiais do navio mercante americano que detivemos?
22:41Nenhum desses, respondi
22:43Mas com todas as perguntas que fiz ele ficou convencido de que eu de fato o conhecia
22:48Havíamos convivido e comido juntos a mesma mesa por cerca de dezoito meses
22:53E aí
22:54Obrigado.
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