- há 9 horas
Título do livro: As Aventuras do Capitão José Bates
Autor do livro: José Bates
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Categoria
🛠️
Estilo de vidaTranscrição
00:00As Aventuras do Capitão José Bates
00:04Capítulo 15
00:05Consciência do Pecado
00:08A doença e a morte de um marinheiro
00:11Um funeral em alto mar
00:14Oração
00:15Aliança com Deus
00:17Um sonho
00:19Chegada a Pernambuco
00:21A paisagem de Pernambuco
00:24Desembarcando uma senhora norte-americana
00:27Vinho em um banquete
00:29Vendendo minha mercadoria
00:32Outra viagem
00:33Pontos de vista religiosos
00:36Um baleeiro
00:38Farinha brasileira
00:40Chegada a Santa Catarina
00:42Paraíba
00:44Vendendo a mercadoria
00:46A terceira viagem
00:48A poesia mencionada no capítulo anterior
00:52Prendeu de fato a minha atenção
00:54Li e reli cada palavra
00:57Meu interesse em ler romances e ficção
00:59Acabou naquele momento
01:01Entre os muitos livros que tinha
01:03Selecionei a obra
01:05Rise and Progress of Religion in the Soul
01:08O Surgimento e o Progresso da Religião na Alma
01:11De Dodrige
01:12Este e a Bíblia agora me interessavam mais do que todos os outros livros
01:18Christopher
01:19Christopher Pearson da Noruega
01:21Um membro da minha tripulação
01:23Ficou doente assim que partimos do Cabo Henry
01:26Nada na nossa caixa de remédios foi capaz de dar alívio ao pobre homem
01:31Cada dia que passava seu caso parecia ainda mais sem solução
01:35A primeira estrofe do poema
01:37A Hora da Morte
01:38Especialmente o quarto verso
01:40Quase não saía da minha cabeça
01:43Mas tu, ó morte
01:45Tens todas as estações apenas para ti
01:48Eu desejava ser um cristão
01:51Mas o orgulho do meu coração
01:53E as vã seduções deste mundo perverso
01:55Ainda me prendiam com fortes garras
01:58Lutei muito em minha mente antes de decidir orar
02:02Sentia que já tinha adiado por tempo demais
02:05Eu também temia que meus homens descobrissem que eu estava me convertendo
02:10Além disso, eu não tinha um lugar solitário para orar
02:13Ao recordar alguns incidentes da minha vida passada
02:17De como Deus tantas vezes intervira com sua mão para me salvar
02:21Quando a morte não cessava de me encarar
02:24E de como eu logo me esqueci de todos os seus atos de misericórdia
02:28Senti então que deveria me render
02:31Finalmente decidi testar o poder da oração
02:34E confessar todos os meus pecados
02:37Abri a escotilha abaixo da mesa do jantar
02:40Onde preparei um lugar para ficar fora da vista dos meus companheiros
02:44Caso eles entrassem na cabine durante o meu momento de oração
02:48A primeira vez em que dobrei os joelhos para orar
02:51Senti os cabelos da cabeça se arrepiarem
02:54Por ousar abrir a boca em oração ao Santo e Grande Deus
02:58Mas eu estava decidido a perseverar
03:02Até que eu encontrasse paz e perdão para a minha alma atribulada
03:06Eu não tinha nenhum amigo cristão em alto mar para me dizer
03:10Como deveria ser o processo de conversão
03:12Ou por quanto tempo eu deveria estar num estado de penitência
03:16Antes de me considerar verdadeiramente convertido
03:19Então me lembrei de quando era garoto
03:22Durante o grande reavivamento de 1807 em New Bedford de Fairhaven
03:28Costumava ouvir os conversos relatando suas experiências
03:31Dizendo que ficaram lamentando pelo pecado por duas ou três semanas
03:35Até o Senhor lhes trazer a paz ao Espírito
03:38Parecia que meu caso seria mais ou menos a mesma coisa
03:43Passaram-se quinze dias e nenhum raio de luz iluminava minha mente
03:47Mais uma semana se foi e minha mente ainda estava conturbada
03:51Como as águas do mar
03:52Nesse período, andando pelo convés durante a noite
03:55Me senti fortemente tentado a pular do navio
03:58E por um fim a minha vida
04:01Julguei que se tratava de uma tentação do diabo
04:04E por isso deixei o convés imediatamente
04:06E não me permiti sair da cabine
04:08Até a manhã seguinte
04:11Christopher, àquela altura, já estava muito doente e debilitado
04:15Ocorreu-me que, se ele morresse
04:17Eu deveria ser ainda mais zeloso e determinado com a minha salvação
04:21Eu o trouxe para a cabine e o coloquei em um beliche próximo do meu
04:26Onde poderia dar-lhe mais atenção
04:29Ordenei aos oficiais que cuidavam de Christopher
04:31Durante a guarda da noite
04:33Que me chamassem caso houvesse alguma mudança no estado dele
04:37Quando acordei, assim que os primeiros raios da manhã surgiram
04:41Meu primeiro pensamento foi
04:43Como está o Christopher?
04:45Fui até o beliche e coloquei a minha mão na testa dele
04:48Ele estava frio
04:50Estava morto
04:52Chamei o vigia da manhã e perguntei
04:54Por que, Sr. Hafford?
04:57Christopher está morto
04:59Por que você não me chamou?
05:01Estava com ele à meia hora
05:03Dei os remédios e não vimos nenhuma alteração no estado dele
05:06O pobre Christopher jazia agora no tombadilho superior
05:11Por fim, o costuramos em uma rede e colocamos um pesado saco de areia em seus pés
05:17Depois de decidirmos o horário para o funeral, fiquei muito preocupado com relação ao meu dever
05:24Senti que era um pecador aos olhos de Deus
05:27E não me atrevia a orar em público
05:31Ainda assim, eu não podia permitir que o nosso pobre companheiro fosse jogado no fundo do mar sem algum tipo
05:37de cerimônia religiosa
05:39Enquanto decidi sobre o que deveria fazer, o comissário de bordo me perguntou
05:43Se eu não gostaria de ler um trecho do livro de orações da igreja anglicana
05:49Respondi que sim e perguntei se ele tinha uma ali
05:52Ele me respondeu afirmativamente e pedi que ele trouxesse o livro
05:56Era exatamente o livro que eu queria, pois enquanto estive a bordo do serviço britânico
06:01Eu ouvia o capelão do navio ler orações daquele livro quando nossos marinheiros morriam
06:07Esse, porém, era o primeiro funeral que aconteceria sob o meu comando
06:12Abri o livro e encontrei uma oração apropriada para a ocasião
06:17Prepararam uma prancha com uma das extremidades apoiadas sobre a lateral da embarcação
06:22Onde seu corpo foi colocado com os pés virados ao mar
06:26De modo que, quando o outro lado da prancha fosse levantado, o corpo deslizaria até o oceano
06:33Todos, menos o timoneiro, ficaram ao redor de Christopher para se despedirem dele
06:39E em seguida depositarem seu corpo no fundo do mar quando a ordem fosse dada
06:44A ideia de tentar realizar uma cerimônia religiosa por um morto, estando eu ainda não convertido, me incomodou muito
06:52Pedi ao imediato que me chamasse quando tudo estivesse preparado
06:57E então desci
06:58Quando o oficial veio me chamar, subi de volta ao tombadilho superior tremendo com o livro aberto em minhas mãos
07:05Em sinal de respeito, a tripulação descobriu a cabeça
07:08Quando comecei a ler, minha voz falhou
07:11Eu estava tão trêmulo que achei difícil ler com clareza
07:15Senti naquele momento que eu era mesmo um pecador diante de Deus
07:20Quando terminei a última frase, acenei com a mão para inclinarem a prancha
07:25E me virei para a cabine
07:27Passando pelo corredor, ainda pude ouvir o corpo de Christopher mergulhar no mar
07:31Fui para o meu lugar de oração e desabafei todos os meus sentimentos em oração
07:37Pedindo pelo perdão de todos os meus pecados
07:41E pelo perdão dos pecados do pobre homem que estava afundando na imensidão do oceano
07:46Isso ocorreu no dia 30 de setembro, 26 dias depois de partirmos dos cabos da Virgínia
07:52A partir daquele momento, senti o meu coração se dobrar à vontade de Deus
07:57Resolvi renunciar, a partir de então, às obras infrutíferas do inimigo
08:03E buscar atentamente a vida eterna
08:05Senti a convicção de que meus pecados haviam sido perdoados nessa data
08:10Fiz então a seguinte aliança com Deus, que encontrei no livro
08:14O surgimento e o progresso da religião na alma
08:19Uma aliança solene com Deus
08:22Eterno e bendito Deus
08:24Desejo apresentar-me diante de Ti
08:27Com a mais profunda humilhação e abatimento de alma
08:30Ciente de quão indigno é este verme pecador
08:34De comparecer diante da Santa Majestade do Céu
08:37O Rei dos Reis e Senhor dos Senhores
08:40Venho, portanto, reconhecendo ter sido um grande transgressor
08:45Batendo em meu peito e dizendo como um humilde publicano
08:48Deus, tenha misericórdia de mim, pecador
08:53Hoje, com a máxima solenidade, me rendo a Ti
08:57Renuncio a todos os antigos senhores que tiveram domínio sobre mim
09:01E consagro a Ti tudo o que sou e tudo o que tenho
09:06Usa-me, ó Senhor
09:07Eu Te imploro
09:08Como instrumento no Teu serviço
09:11Quero ser contado entre o Teu povo peculiar
09:14Deixe-me ser lavado no sangue do Teu Filho amado
09:18A Ele e a Ti, ó Pai
09:20Sejam dados eternos louvores pelas milhões de pessoas
09:24Assim salvas por Ti
09:25Amém
09:26Aliança feita a bordo do navio Imperatriz, de New Bedford
09:31Em alto mar, no dia 4 de outubro de 1824
09:35Na latitude 19 graus, 50 graus norte
09:40E longitude 34, 50 graus oeste
09:44Com destino ao Brasil
09:46José Bates, Júnior
09:48Gostaria de ter sempre aquela resignação em fazer a vontade de Deus
09:53Que senti na manhã em que fiz aquela aliança
09:56No entanto, não conseguia acreditar naquele momento
09:59Nem muitos meses depois daquele episódio
10:01Que meu único sentimento era o de profunda convicção do pecado
10:07Compreendo que nem sempre considerei aquela aliança
10:09Com a mesma solenidade que eu a entendo hoje
10:12Mas estou muito feliz por tê-la feito
10:14E por Deus ter ainda poupado a minha vida
10:17Me permitindo fazer tudo o que naquele dia
10:20Me comprometi a fazer
10:23Depois de assinar a aliança mencionada acima
10:26Tive um sonho extraordinário
10:28Em que me via recebendo algumas mensagens enviadas pelo correio
10:32Uma delas parecia ser um rolo de papel escrito
10:35E a outra, uma longa carta que começava assim
10:38Examine, examine, examine
10:43Examine, experimente, experimente, experimente
10:47Você mesmo, você mesmo, você mesmo
10:51E então a longa carta continuava com instruções religiosas
10:56Escritas com letras apertadas
10:58Li algumas linhas e então acordei
11:01Anotei logo em seguida em um papel que havia lido
11:04E o guardei com outros papéis
11:06Mas depois acabei perdendo
11:08Havia muito mais coisas na carta de que não me lembro mais
11:12No entanto, acredito que aquele sonho
11:14De forma tão singular apresentado em um papel
11:17Tinha o propósito de me convencer de que meus pecados estavam perdoados
11:22Mas naquela época eu não conseguia ver isso
11:25Pois tinha a concepção de que Deus se manifestaria de tal forma
11:29Que jamais duvidaria outra vez da minha conversão
11:33Naquela época eu ainda não havia compreendido
11:36A simplicidade da graciosa obra de Deus no coração do pecador
11:40Teria sido um grande alívio para mim
11:43Se eu pudesse ter sido liberado das minhas pesadas responsabilidades
11:48Daquela viagem de negócios
11:50Considerando meu forte cansaço mental
11:52Porém, a viagem continuou
11:54E no dia 30 de outubro chegamos a Pernambuco
11:57Lá descobrimos que o comércio não estava tão próspero
12:01Como havíamos imaginado
12:02Contudo, aquele era o melhor mercado para negociarmos
12:06Por isso, logo vendemos toda a nossa carga
12:09Fiquei também desapontado por não encontrar
12:12Entre as milhares de pessoas que ali estavam
12:14Ninguém que professasse alguma religião
12:17E com quem eu pudesse conversar
12:19Mas estava determinado a perseverar
12:21Em buscar uma salvação livre e completa
12:24A província de Pernambuco está situada na fronteira com o mar
12:29Ao se aproximar dele pelo oceano
12:31A paisagem é imponente e bela
12:34Porém, as embarcações têm que ancorar em mar aberto
12:37A certa distância da terra
12:39E por causa das ondas fortes na costa
12:42É difícil chegar em terra de maneira segura
12:45O capitão Barrette, Dantuckier, Massachusetts
12:48Chegou àquele porto depois de nós
12:51Determinado a vender naquela região também
12:54Ele enviou o seu barco para trazer sua esposa ao litoral
12:57Quando o barco que trazia a senhora Barrette
13:00Se aproximava da costa
13:02Vários de nós nos reunimos perto do local de desembarque
13:06Juntamente com o capitão Barrette para recebê-la
13:08Muitos escravos negros também estavam esperando
13:12O trabalho deles era entrar na água e ir até os barcos
13:16Carregar nos ombros a carga e os passageiros
13:19E, se possível, trazê-los em segurança em meio à arrebentação
13:23Até o desembarque
13:24A tarifa para atravessar a arrebentação
13:27Era de um real por passageiro
13:29O equivalente a doze centavos e meio de dólar
13:32O capitão Barrette pediu à sua esposa que se assentasse no ombro do homem negro que a aguardava
13:38A senhora Barrette desconhecia totalmente aquele modo de transporte
13:43Além disso, ela estava muito duvidosa de que o homem conseguisse atravessar a arrebentação
13:48Sem ser engolido pelas ondas
13:50Portanto, ela hesitou e ficou em silêncio
13:54No capitão Barrette, seus homens insistiram
13:57Afirmando que não havia outro meio de transporte
14:00Por fim, ela sentou-se nos ombros do homem negro
14:03E segurou na cabeça dele com as duas mãos
14:06Enquanto ele a conduzia heroicamente e com firmeza
14:09Até os braços do marido que estava em nosso meio
14:13Os colegas do capitão gritaram de alegria
14:16Elogiando a maneira robusta e destemida
14:18Como o negro levara e desembarcara a senhora norte-americana até a praia
14:24Ali em Pernambuco, bem como em outros lugares
14:27Também fui criticado por meus companheiros
14:30Por me recusar a beber vinho
14:31Ou qualquer outra bebida intoxicante com eles
14:34Especialmente o vinho na hora do jantar
14:37Que era um costume muito comum na América do Sul
14:40Vou contar agora um dos casos que aconteceram
14:43Um grupo grande do nosso pessoal
14:45Estava jantando com um cônsul americano
14:48O Sr. Bennet
14:49Sua esposa se sentou na ponta da mesa
14:52Encheu o copo e disse
14:54Capitão Bates, posso ter o prazer de apreciar um copo de vinho com você?
14:59Dei a minha resposta e enchi meu copo com água
15:02A senhora Bennet se recusou a beber a menos que eu enchesse meu copo com vinho
15:07Ela já sabia desde nosso primeiro contato que eu não bebia vinho
15:11Mas se sentiu inclinada a me persuadir a desconsiderar minhas antigas resoluções
15:17Naquele momento de suspense, a atenção do restante do grupo foi atraída para nós
15:22Um deles disse
15:23Ora, Sr. Bennet, o senhor se recusa a beber um copo de vinho como brinde à saúde da Sra. Bennet?
15:31Respondi que não bebia vinho em nenhuma ocasião e pedi que a Sra. Bennet aceitasse a minha oferta
15:38Ela prontamente condescendeu e brindou a minha saúde com um copo de vinho
15:42E eu brindei a saúde dela com um copo de água
15:45O tema da conversa passou a ser o ato de beber vinho e a minha decisão com relação a esse
15:51assunto
15:52Alguns concluíram que um copo de vinho não fazia mal a ninguém
15:56Verdade, mas a pessoa que bebesse um copo provavelmente beberia outro e mais outro
16:01Até não haver mais esperança de mudar o hábito
16:04Um dos meus colegas disse
16:07Gostaria de poder fazer como o Capitão Bates
16:10Seria bem melhor para mim
16:11Outro supôs que eu era um ex-alcoólatra
16:15Afirmei que certamente não havia mal nenhum em beber moderadamente
16:19Mas me esforcei para convencê-los de que a melhor maneira de lidar definitivamente com a questão
16:26Era não beber bebida alcoólica nunca
16:28Em outra ocasião, o Capitão me disse
16:31Você é como um velho senhor de Nantucket
16:34Ele não beberia nem mesmo água adocicada
16:37Depois de uma estadia de seis semanas
16:40Tendo vendido a maior parte de nossa carga em Pernambuco
16:44Navegamos para Santa Catarina
16:45Na longitude 27 e 30 graus para o sul
16:49Ali percebi que os cuidados e a pressão com negócios já haviam me tirado em certa medida
16:55A alegria espiritual que eu possuía quando cheguei a Pernambuco
16:59Eu agora tinha mais horas vagas para examinar as escrituras e ler outros livros voltados para a religião
17:05Foi ali em Santa Catarina que comecei um diário
17:09Falando a respeito dos meus pontos de vista e sentimentos
17:13O que me fez muito bem
17:14Eu encaminhava aqueles escritos para minha esposa
17:17Sempre que escrevia cartas para ela
17:21Aquelas folhas foram guardadas em forma de rolo
17:24E não foram lidas por cerca de 35 anos
17:26Suponho que aquele foi um dos rolos de papel que vi naquele interessante sonho que tive
17:32Pensei no privilégio que seria se eu tivesse pelo menos um professo cristão
17:37Com quem eu pudesse comparar os meus pontos de vista e sentimentos a respeito desse tema tão cativante
17:43Ou o privilégio de participar por mais ou menos uma hora
17:47De uma reunião de oração para expressar meus sentimentos reprimidos dentro de mim
17:52Chegamos a Santa Catarina no primeiro dia de janeiro de 1825
17:57Onde compramos um carregamento para levarmos para a costa norte do Brasil
18:02Aquela ilha era separada do continente por um canal estreito
18:05Santa Catarina é o único porto comercial ao longo de centenas de quilômetros de costa
18:12O promontório norte dela é uma montanha alta
18:16Onde sentinelas com seus mastros e bandeiras plantados
18:19Ficavam lá em cima procurando as baleias no mar
18:23Quando davam o sinal de que as baleias estavam à vista
18:26Os barcos de pesca a 16 ou 20 quilômetros de distância
18:30Remavam na direção delas
18:32E se tivessem a sorte de fisgá-las com arpões e matá-las
18:36Os pescadores as rebocavam até os potes de depuração para manufaturar o óleo
18:4250 anos atrás esse negócio era muito rentável naquela região
18:46Mas as baleias passaram a visitar a região tão raramente desde aquela época
18:52Que esse ramo de negócio quase cessou
18:54Quando saí de Pernambuco, a província passava por uma revolução
19:00E a farinha de mandioca estava em falta
19:02Esperava-se que o governo brasileiro fosse permitir que os navios estrangeiros
19:08Comecializassem esse artigo na costa brasileira
19:11Caso a demanda continuasse a crescer como havia acontecido nos meses anteriores
19:16Foi com essa expectativa que fomos para Santa Catarina
19:20A fim de carregar o navio e voltar para Pernambuco
19:24Como nem todos os meus leitores estão familiarizados com esse artigo alimentício
19:28Gostaria de afirmar que seu cultivo é muito parecido com o da batata doce
19:33Cultivada nos estados de Carolina do Norte e do Sul
19:37E se assemelha a ela, mas o tempo de cultivo é maior
19:40Elas amadurecem em 9 ou 18 meses
19:43Se não forem destruídas pela geada
19:45E são chamadas de mandioca
19:48O processo para manufaturar a mandioca e transformá-la em farinha
19:52É feito nos galpões ou barracos e ocorre da seguinte maneira
19:56Uma vaca amarrada na ponta de um cabo anda em círculo
20:00Movendo uma roda presa com cobre
20:03Que tem furos como os de um ralo
20:06Um homem com seu tonel de mandioca descascada
20:09Pressiona a ponta do produto contra o ralador em movimento
20:13As mandiocas são raladas pedaço por pedaço
20:16Até se tornarem um monte de bagaço
20:18Essa massa é colocada em seguida em uma máquina
20:21Como uma prensa de queijo
20:23E todo o suco é extraído
20:25Em seguida colocam a mandioca sobre o fogo
20:28Em grandes tachos de ferro rasos
20:30E ela fica ali por uns 20 minutos
20:32Cerca de dois ou três alqueires de mandioca
20:35Se secam com esse procedimento
20:37Ao retirar do fogo a farinha de mandioca
20:40Está pronta para ser vendida no mercado
20:42Ouvi dizer que ela tem validade de três anos
20:45Isso é o que chamam de farinha ou farinha brasileira
20:49A maneira mais comum de prepará-la
20:52É simplesmente escaldá-la com sopa quente no prato
20:55E servi-la como refeição
20:57As classes mais pobres e os escravos
20:59Pegam uns 15 gramas de farinha com as pontas dos dedos
21:03Jogam na boca e a engolem com água
21:06No momento atual, os Estados Unidos importam
21:09Com grandes quantidades desse produto
21:11Que é vendido a varejo nos armazéns
21:13Quando voltei para Pernambuco
21:16A farinha estava em boa demanda
21:18Mas o governo não estava permitindo chegar à costa
21:21Pois era ilegal aos navios estrangeiros
21:23A comercialização no litoral
21:25Em alguns dias chegou por terra
21:28Uma mensagem do governador
21:29De uma das províncias do norte
21:31Me convidando para ancorar no porto da Paraíba
21:34E vender a minha carga ali
21:36Na Paraíba vendi toda a carga a um bom preço
21:39O governo comprou grande parte dela para suas tropas
21:42Como a seca continuava
21:45E meu navio era um veleiro rápido
21:47O governador me concedeu permissão
21:49Para importar imediatamente outra carga
21:51E me deu uma carta de apresentação
21:54Endereçada ao governador de Santa Catarina
21:56Para que me ajudasse a agilizar a comercialização
21:59Quando cheguei a Santa Catarina
22:02No momento em que os comerciantes de lá
22:04Souberam da demanda no norte
22:06Por cereais e farinha
22:07Logo se esforçaram para me impedir
22:09De comprar a farinha de mandioca
22:11Até que estivessem prontos
22:13Para despachar suas próprias embarcações
22:16Depois de algumas semanas
22:18Detidos naquela situação
22:19Contratei um intérprete
22:21E segui com o nosso bote
22:22Uma certa distância ao longo da costa
22:25Após pedir que o bote retornasse
22:27Viesse nos buscar no dia seguinte
22:29Eu e meu intérprete subimos até as montanhas
22:32Para comprarmos farinha direto dos agricultores
22:36Algumas fazendas tinham a farinha
22:38Estocada nos aposentos, quartos e salas
22:41Onde quer que pudessem estocá-la
22:43Para proteger da chuva
22:44Tanto para uso como para venda
22:47Alguns cômodos estavam lotados com o produto
22:50Os comerciantes de Santa Catarina
22:53Ao ficarem sabendo do nosso sucesso
22:55Em comprar a farinha dos agricultores
22:57E em rebocá-la em botes até o nosso navio
23:00Tentaram despertar nos agricultores
23:02Antagonismo contra nós
23:04Porém, as nossas moedas de prata
23:06De 40, 80 e 120 centavos
23:09Com as quais pagamos os agricultores
23:11Pela farinha
23:12Ao maior preço de mercado
23:14Eram muito mais valiosas
23:15Que o sistema de vendas por permuta
23:17Dos comerciantes locais
23:19E que seus conselhos
23:20A primeira noite que passei na montanha
23:23Foi uma noite difícil
23:25E eu não consegui dormir
23:26Eu tinha dois sacos pesados de prata
23:29Havia anoitecido
23:30Quando estávamos em uma casa
23:32Comprando a farinha
23:33Que seria entregue no dia seguinte
23:35Eu disse ao homem
23:36Através do meu intérprete
23:38Há aqui dois sacos de prata
23:39Para comprarmos farinha
23:41Quero que você os guarde em segurança
23:43Para nós
23:43Até amanhã de manhã
23:44Sim, é claro
23:46Ele respondeu
23:46Guardando os sacos em uma caixa
23:49Tchau
23:50Tchau
23:50Tchau
23:50Tchau
23:51Tchau
23:51Tchau
23:52Obrigado.
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