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  • há 9 horas
Título do livro: As Aventuras do Capitão José Bates
Autor do livro: José Bates

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Transcrição
00:00As Aventuras do Capitão José Bates
00:04Capítulo 19
00:06Reavivamento em alto mar
00:09Chegada a Nova York
00:11Cultos no navio
00:13Jovens desamparados
00:16Chegada a New Bedford
00:18Reforma pró-temperança
00:21Fim da viagem
00:23Durante a viagem de volta para casa,
00:26a nossa tripulação parecia mais atenciosa para com o ensino religioso
00:30que tentávamos lhe transmitir.
00:33Era evidente que o Espírito do Senhor estava trabalhando em nosso meio.
00:38Um homem chamado James S.
00:40demonstrou provas genuínas de uma completa conversão a Deus
00:44e estava muito feliz durante a viagem.
00:48A religião parecia ser o tema principal em todas as suas conversas.
00:53Uma noite, em seu turno de guarda no Conversa,
00:56ao me contar a sua experiência, ele disse
00:59— Você não se lembra da nossa primeira noite de viagem,
01:02saindo de casa, quando você chamou todos num tombadilho superior
01:06e apresentou as regras?
01:09— Sim — respondi.
01:10— Bem, senhor, eu estava no leme do navio naquela noite.
01:14E quando você terminou de falar, você se ajoelhou e orou com a gente.
01:18— Naquele momento, se você tivesse pegado um porrete e me derrubado ali no leme,
01:24eu não teria me sentido pior, pois jamais tinha visto algo assim.
01:29Thomas B. também professou ter se convertido naquela ocasião.
01:34A viagem de volta para casa foi agradável,
01:37com exceção de uma ventania forte que nos perturbou um pouco.
01:41Porém, o bom Deus nos livrou da influência avassaladora daquela tempestade,
01:45e logo chegamos com segurança ao porto da cidade de Nova York.
01:50A primeira notícia que recebi de casa foi a de que meu honrado pai
01:55havia morrido cerca de seis semanas antes da minha chegada.
01:59Aquela foi uma provação para a qual eu não estava preparado.
02:03Ele havia vivido quase 79 anos,
02:06e quando eu voltava das minhas longas viagens,
02:10sempre o encontrava em sua posição de chefe da família,
02:13e em minha mente parecia que eu sempre encontraria o patriarca da família
02:18quando quer que eu voltasse vivo para casa.
02:22Ainda na cidade de Nova York,
02:24a bordo de um navio atracado no cais,
02:27tive o prazer de assistir a uma reunião de oração do movimento Betel,
02:31que dava assistência religiosa a marinheiros.
02:34Gostei muito do culto.
02:36Reuniões como aquela ainda estavam em seu estágio inicial,
02:39mas desde então passou a ser comum vermos a bandeira Betel no domingo de manhã
02:44a bordo dos navios nas margens leste e norte do rio,
02:49conclamando para um culto religioso,
02:51marinheiros e jovens que muitas vezes vagueiam pela cidade sem casa ou amigos.
02:58Muitos, sem dúvida, foram salvos da ruína pelos esforços de pessoas envolvidas
03:03nessas instituições benevolentes,
03:05enquanto outros, sem teto, que não tiveram tais influências para contê-los,
03:10foram levados a atos maus ou dominados por sentimentos de desespero.
03:15As duras provações do início da minha experiência
03:18me deixaram bem familiarizado com cenas assim.
03:21Em uma das minhas viagens anteriores,
03:25eu havia convencido um rapaz
03:26a me acompanhar até a sua casa em Massachusetts.
03:30E desta vez, enquanto eu ainda estava em Nova York
03:33e passava pelo parque,
03:35dentre muitos outros que eu vi,
03:37estava um rapaz sentado na sombra,
03:39com aparência muito melancólica,
03:42muito semelhante à do rapaz que acabei de mencionar,
03:45e não longe do mesmo lugar.
03:48Sentei-me ao lado dele e perguntei por que ele parecia tão deprimido.
03:52No começo, ele hesitou,
03:54mas logo depois começou a me falar que ele estava desamparado.
03:58Não tinha o que fazer nem para onde ir.
04:01Ele disse que seu irmão havia empregado em sua farmácia na cidade,
04:05mas recentemente havia ido à falência e saído da cidade
04:09e que agora estava sem lar e sem amigos.
04:13Perguntei-lhe onde seus pais moravam.
04:15Ele respondeu que moravam em Massachusetts.
04:18Meu pai, ele disse,
04:20é um pregador da igreja congregacional perto de Boston.
04:24Então o convidei para vir a bordo do meu navio
04:26e ser um dos meus tripulantes.
04:28Eu disse que o deixaria a mais ou menos 95 quilômetros de sua casa.
04:34Ele prontamente aceitou a minha oferta,
04:37e quando chegamos a New Bedford, Massachusetts,
04:40seu pai veio buscá-lo e expressou muita gratidão a mim
04:44por eu ter trazido seu filho em segurança
04:46e por lhe conceder o privilégio de estar com o filho mais uma vez.
04:52Em nossa chegada a Nova Iorque,
04:54a minha tripulação, com uma exceção,
04:57optou por permanecer a bordo,
04:59descarregar o carregamento e não ter a sua dispensa como era costume ao chegarmos de um porto estrangeiro.
05:07Eles preferiram também continuar em seus postos até chegarmos a New Bedford,
05:12onde o Imperatriz seria reequipado para seguir para mais uma viagem.
05:16Depois de descarregarmos,
05:19navegamos para New Bedford,
05:21onde chegamos no dia 20 de junho de 1828,
05:2521 anos depois daquela primeira viagem que fiz de lá para a Europa,
05:30na qualidade de camaroteiro.
05:33Alguns dos meus homens perguntaram
05:35quando eu faria outra viagem
05:37e expressaram o seu desejo de viajar novamente comigo
05:41e a alegria que sentiam com relação àquela última viagem,
05:46considerando-a a melhor que já haviam feito.
05:49Foi uma satisfação saber que havia marinheiros susceptíveis à reforma moral em alto mar,
05:55como provado nesse caso, e em terra.
05:58Eu acredito que essas reformas geralmente podem ser realizadas
06:02quando os oficiais estão prontos e dispostos a empreendê-las.
06:06Muitas pessoas argumentam que os marinheiros
06:09continuam a se viciar em tantos maus hábitos
06:12que é quase inútil tentar reformá-los.
06:15Creio ser seguro afirmar que o uso habitual de bebidas intoxicantes
06:19é o mais degradante e terrível de todos os maus hábitos dos marinheiros.
06:25Mas se os governantes, donos de navios e capitães
06:29tivessem evitado proporcionar a bordo de seus navios de guerra e comércio
06:34o artigo da bebida,
06:36dezenas de milhares de jovens inteligentes e empreendedores
06:40teriam sido salvos e se tornado uma grande bênção para os seus amigos,
06:45para o seu país e para a igreja,
06:47como tem sido o caso de agricultores, médicos, advogados,
06:51comerciantes e outros profissionais.
06:53Tendo algum conhecimento dessas coisas,
06:57decidi, no temor do Senhor,
06:58tentar promover uma reforma,
07:01apesar de, naquela época,
07:02as sociedades de temperança ainda estarem em seu estágio inicial
07:06e os navios da temperança ainda fossem desconhecidos.
07:09No início da nossa última viagem,
07:12quando fiz o anúncio de que não haveria bebida intoxicante a bordo,
07:16apenas a que pertencia à caixa de remédios,
07:19um homem apenas gritou que estava feliz por isso.
07:23Aquela voz solitária no mar em favor da obra de reforma,
07:27a voz de um desconhecido manifestando sua alegria
07:30porque não havia bebidas alcoólicas a bordo para tentá-lo,
07:34foi um grande ânimo para mim
07:36e uma forte evidência do poder da influência humana.
07:39Eu acredito que ele também foi influenciado profundamente.
07:43Não me lembro agora de ele ter bebido alguma coisa
07:46enquanto esteve sob o meu comando.
07:49Bem como nenhum dos outros homens,
07:51com exceção de William Dunn,
07:53a quem tive de repreender uma ou duas vezes durante a viagem
07:56por beber enquanto estava em serviço na praia.
08:00Portanto, o que outrora fora considerado tão necessário
08:04para estimular o marinheiro,
08:05no desempenho de seu dever,
08:07se mostrou desnecessário e não apenas isso,
08:10pois a abstenção de bebidas alcoólicas
08:13provou ser uma grande bênção em nosso caso.
08:16Algum tempo após essa viagem,
08:19eu estava em companhia de um proprietário de um navio de New Bedford,
08:23que estava pessoalmente interessado em equipar seus próprios navios
08:28e armazená-los com provisões, bebidas alcoólicas
08:31e todas as coisas necessárias para viagens longas.
08:36Era do seu conhecimento que já vínhamos discutindo
08:38a importância de uma reforma com respeito à bebida forte.
08:42Ele fez então a seguinte observação.
08:45Fiquei sabendo, Capitão Bates, que você fez a sua última viagem
08:50sem o uso de nenhuma bebida alcoólica.
08:53Sim, respondi.
08:55O seu navio é o primeiro navio da temperança de que já ouvi falar.
09:00Meu irmão F. então assumiu o comando do Imperatriz
09:04e navegou novamente para a América do Sul.
09:07O navio foi equipado para realizar a viagem
09:10segundo os princípios da temperança,
09:13exatamente como na viagem anterior.
09:16Durante a minha última viagem,
09:18eu havia refletido muito sobre as alegrias da vida social
09:21com a minha família e amigos,
09:23de que havia me privado por tantos anos.
09:25E era meu desejo me dedicar mais exclusivamente
09:29a melhorar minha experiência religiosa,
09:31bem como a das pessoas com quem eu fosse chamado a me associar
09:35e me envolver mais com os movimentos de reforma moral.
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