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O Ibovespa está subindo, mas as small caps estão caindo. O que está acontecendo no mercado de ações brasileiro? Rafael Ragazzi, Head de Research de Ações da Norte de Investimentos, desvenda essa discrepância e aponta oportunidades de longo prazo.

Descubra como o fluxo de capital estrangeiro e as narrativas globais estão moldando o mercado brasileiro. Entenda por que Petrobras e Vale têm dominado o índice Ibovespa, mesmo com outros setores enfrentando dificuldades.

Apesar da volatilidade, surgem oportunidades em setores como financeiro e de incorporação. Ragazzi analisa o impacto de fatores como inadimplência e custos de construção nestas ações.

Conheça ações específicas que podem ser um bom momento para comprar, com foco em análise fundamentalista e visão de longo prazo. Não perca as recomendações de especialistas para navegar no cenário atual.

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Transcrição
00:00Eu sou Rafael Ragazzi, Head do Research de Ações aqui da Norte de Investimentos.
00:08Eu vim aqui hoje para poder falar sobre algumas ações que a gente enxerga como uma grande oportunidade,
00:13que o mercado está com uma visão negativa e a gente vai explicar por que a gente entende que,
00:17para quem tem uma visão de longo prazo, pode ser um bom momento para comprar essas ações.
00:21Antes de falar sobre essas ações específicas, vou só fazer um pouco de contextualização aqui
00:25do que está acontecendo com a Bolsa nesses quase seis meses completos de 2026.
00:30A gente está vendo o Ibovespa subindo 5% nesse período, só que o Small Caps,
00:36que é o Índice de Ações de Menor Capitalização, mais expostas à realidade do Brasil, está caindo 5%.
00:41Então a gente vê que realmente tem uma discrepância grande entre o Índice Ibovespa e o Índice de Small Caps.
00:47A diferença é explicada por alguns fatores. O principal deles é o fluxo de capital estrangeiro.
00:53A gente olha para o que aconteceu no ano passado, em 2025 inteiro, teve uma entrada de 25 bilhões
00:59de capital estrangeiro na nossa Bolsa. Esse ano o acumulado está em 38 bi,
01:05só que isso chegou a bater 66 bi até o meio de abril e depois, com a queda dos últimos
01:11meses,
01:12chegou nesse 38. Então é interessante notar que nessa janela das últimas semanas,
01:17saiu o 28 bi da nossa Bolsa, que é mais do que o que entrou no ano passado inteiro
01:21e no acumulado a gente ainda está com 38 bi. Como a alocação da pessoa física e do investidor
01:26institucional local está muito baixa na Bolsa, é o fluxo de capital estrangeiro que está fazendo
01:31a Bolsa andar. Além disso, isso impacta pelo fato de que eles compram algumas ações específicas,
01:38principalmente as que estão no índice. Além disso, tem algumas narrativas que estão
01:41dominando o mercado. Lá fora, inteligência artificial. E aqui no Brasil, como a gente acaba
01:46não tendo exposição a isso, as empresas impactadas por petróleo por conta da situação da guerra
01:51são as que estão se beneficiando dessa narrativa que é forte agora no momento.
01:55Então quando a gente olha para esse desempenho de 5% da Bolsa que eu comentei,
01:5993% dele é explicado por duas ações, Petrobras e Vale.
02:04Petrobras é a principal, quase 80% da alta do Ibovespa, porque ela se beneficia muito
02:11desse cenário de petróleo em alta. Mas vale ressaltar também que ela não estava
02:15num momento tão positivo até o fim do ano passado, porque o petróleo estava vivendo
02:19a situação oposta. Nos últimos dois anos quase, a gente estava vendo petróleo caindo.
02:23A perspectiva era de petróleo chegar a 50%, se você abrisse algum relatório
02:27de especialista em commodity, esse era o argumento que eles estavam utilizando ali
02:31por conta da sobreoferta de petróleo no mundo.
02:35Veio a guerra, mudou tudo, o petróleo foi para mais de 100%, Petrobras consequentemente
02:39acabou subindo bastante. E aí quando a gente junta isso com o Vale, que não está
02:43com uma alta tão expressiva, o minério de ferro está mais estável, o cobre também,
02:47mas como ela tem uma representatividade grande no índice, o pouco que ela está subindo
02:51explica aí quase que os outros 20% dessa alta do Ibovespa.
02:56Então quando a gente olha para esse cenário, a gente vê que quem está comprado
03:00nessas duas ações está acompanhando o índice, está tendo um desempenho ok,
03:045% num semestre não é nem bom nem ruim, mas quem está comprado basicamente
03:08no resto da Bolsa não está tendo um desempenho muito positivo.
03:12E aí além disso tem alguns outros aspectos que estão impactando a nossa Bolsa,
03:16acho que vale destacar que o nível de volatilidade está muito alto,
03:20as narrativas elas mudam com uma força muito grande, então a gente pega por exemplo
03:24as ações do setor de bancos, do setor financeiro, mas especificamente os bancos,
03:29elas estavam subindo bem, as ações subindo ali por volta de 20% a 30% até um certo período
03:35aqui do ano e depois o mercado virou de maneira muito forte a narrativa e começou a falar
03:40que a inadimplência vai explodir, que vai ser muito alta, isso vai prejudicar muito
03:44o resultado dos bancos e essas ações, grande parte delas praticamente devolveram todos os
03:50ganhos que elas tinham acumulado e várias delas estão até no negativo.
03:53E quando a gente olha também para o setor de incorporação, a gente tem um movimento
03:56parecido, não tinham subido tanto quanto as ações de bancos, algumas empresas sim,
04:01mas aí quando o mercado começou a se preocupar com o impacto da guerra na inflação de custos
04:07da construção e além disso a gente também tem aqui no Brasil um cenário interno que
04:11pode trazer mais incerteza em relação aos custos de construção por conta da votação
04:16da jornada 6x1 sendo reduzida para 5x2 e também, mas principalmente nesse caso, a redução
04:23da jornada semanal de 44 para 40 horas, se isso acontecer e se impacta em quase 10%
04:27ali o custo das construtoras, o mercado também virou a narrativa muito forte e aí a gente
04:33acabou enxergando algumas oportunidades que ficaram bastante interessantes nesses dois
04:38setores específicos.
04:42Então, dentre essas oportunidades no setor financeiro, tem algumas empresas que a gente
04:47gosta bastante, BTG, o Itaú e a principal que eu quero falar aqui com vocês hoje é o
04:52Inter, a ação caiu 15% depois da divulgação do último resultado e exatamente por conta
04:59dessa preocupação com inadimplência, mas é importante fazer uma análise aqui e olhar
05:04mais a fundo no que realmente aconteceu.
05:06Quando a gente olha para a formação da nova inadimplência, seria inadimplência de 15
05:10a 90 dias, geralmente o principal indicador que a gente olha é os vencidos acima de 90
05:14dias, o NPL de 90 para cima, mas o mercado olhou bastante para o NPL de 15 a 90 dias
05:19e percebeu
05:21que de um trimestre para o outro ele subiu 0,6%, ou seja, saiu de 4% para 4,6%.
05:28Só que o que acontece?
05:29Essa alta da inadimplência curta do Inter é explicada basicamente por dois fatores.
05:35Metade desse movimento é sazonalidade, acontece sempre na virada de quarto para primeiro
05:40tri em todos os bancos, isso é normal, e a outra metade é uma mudança de mix.
05:45O Inter começou a fazer um investimento grande na carteira de consignado privado, que é
05:51um produto que está nascendo agora aqui no Brasil, e que principalmente no começo ele
05:55tem uma inadimplência mais alta, até ele estar rodando direitinho, e também porque
05:58tem uma curva J ali, primeiro o banco provisiona a inadimplência e depois que ele começa a reconhecer
06:02as receitas, os resultados positivos, e a própria inadimplência realizada, que tende
06:07a ser menor do que a que o Inter provisionou ali, porque ele é sempre conservador na questão
06:11de provisionamento de inadimplência.
06:13Então, esse impacto de alta de inadimplência não foi uma deterioração da qualidade dos
06:18ativos, na verdade só foi um efeito sazonalidade mais mudança de mix, então a gente não enxerga
06:24esse aspecto como um fator realmente preocupante ali na tese, principalmente porque o Inter como
06:30a gente conhece hoje, ele nasceu em 2015, o banco digital, mas o Inter já tem uma experiência
06:35como financeira de décadas, e eles têm essa característica de sempre serem muito conservadores
06:40na concessão de crédito, dois terços da carteira do Inter é colateralizado, ou seja,
06:44é um crédito com garantia, então se olha a inadimplência geral do Inter, ela não é
06:48muito alta e sempre foi sob controle, então lógico que tem certezas, tem fatores de risco
06:54na tese, mas a gente não enxerga que a inadimplência, uma deterioração muito grande
06:59da qualidade dos ativos, principalmente por conta de uma irresponsabilidade na concessão
07:03de crédito, a gente não enxerga que isso é algo que é de fato um risco com uma grande
07:07alta, uma grande probabilidade de acontecer no Inter, pelo contrário, a gente enxerga
07:11que essa postura conservadora deles vai trazer uma certa segurança para a tese, inclusive
07:16isso é uma das coisas que o mercado reclama, o Inter passou lá em 2023 o seu guidance e
07:22dentre várias métricas ali, uma das métricas que ele precisaria alcançar para chegar em
07:282027 no lucro de 5 bi, que é uma ambição que eles passaram para o mercado naquele momento,
07:33era em alcançar uma carteira de 100 bi, quando a gente olha a carteira hoje, ela está em
07:3950 bi de reais, se ela fosse seguir linearmente ali, acompanhando mais ou menos a evolução
07:44da base de clientes do Inter, ela já está por volta de uns 70 bi, e ela não cresceu tudo
07:50que poderia crescer, ela está crescendo muito forte no último trimestre, por exemplo, cresceu
07:5433% na comparação anual, mas ela não está nesse patamar mais elevado, exatamente porque
08:00o Inter tem essa postura conservadora, ele acabou observando um cenário de juros muito
08:05mais alto do que eles previam lá em 2023, e escolheu não deixar de crescer, mas crescer
08:11um pouco com o pé no freio, então é por isso que, por exemplo, o Inter não vai chegar
08:14no 5 bi de lucro já em 2027, mas essa perspectiva de crescimento, esse potencial de lucro, ele
08:19continua existindo, logicamente que o tempo para chegar lá vai depender das condições
08:26de mercado, mas o potencial está lá, a base de clientes está crescendo, tem um efeito
08:30de alavancagem operacional que vem muito, exatamente, da concessão de crédito para
08:35os clientes que estão ali dentro, ou seja, a receita crescendo numa magnitude muito mais
08:40alta que os custos, e é isso que vai fazer a evolução da rentabilidade aparecer, mas
08:44o Inter já entregou uma grande evolução, ele saiu de zero de lucro, que é o que ele
08:48veio trabalhando ali no período de 2015 a 2023, quando o foco era só crescimento, e hoje
08:53ele já está entregando um ROI, um retorno sobre o patrimônio, o principal indicador de
08:57rentabilidade que a gente olha para os bancos, de 15,5%, e a meta do Inter é chegar ali
09:01próximo de 30% de ROI, novamente, não vai acontecer já em 2027, como era o plano
09:06original, mas vai acontecer quando o Inter se sentir confortável para poder ter uma
09:11concessão de crédito mais forte, mais acelerada e, consequentemente, capturar esse
09:15ganho da alavancagem operacional, ou seja, as receitas crescendo mais do que as
09:19despesas, e aí esse lucro, de fato, vai aparecer, o potencial está lá, a gente enxerga que essa
09:24reação do mercado foi muito exagerada, inclusive tem um aspecto técnico ali, dá
09:28para ver pela movimentação de mercado que parece que tinha um investidor que estava
09:31alavancado, que foi zerado, e por isso essa ação caiu 15%, por exemplo, no pós-divulgação
09:36ali, então a gente enxerga que é um ótimo momento de compra, o Inter está negociando
09:40a nove vezes lucros, uma empresa que o mercado está projetando para esse ano, já revisado
09:46depois de todo esse pessimismo atual, um crescimento de 35% no seu lucro, ano que vem
09:51mais 30% ainda, lembrando, projeção conservadora do mercado, e negociando a nove vezes lucros,
09:56então, para quem tem esse horizonte de longo prazo, a gente acha que é uma bela oportunidade
10:00de compra, Inter, o ticker é INBR32.
10:07E a outra ação que eu quero comentar com vocês é a MRV, uma incorporadora, a gente
10:11também gosta de algumas, a gente gosta de lavir, plano e plano, direcional, mas a MRV eu quero
10:16destacar, porque, dentre todas essas, ela acabou sendo a que mais sofreu nesse ano,
10:21com essa perspectiva aí de alta do INCC, dos custos da construção, e por que ela sofreu
10:27mais que as outras?
10:28Basicamente, resumindo aqui a história, eles acabaram dando um passo maior do que a perna,
10:34historicamente a empresa nunca foi de se alavancar, de fazer grandes planos de expansão,
10:39mas ela decidiu fazer isso logo antes da pandemia, e aí ela começou a fazer uns investimentos
10:43ali em 2018, 2019, ver a pandemia, isso acabou fazendo com que os custos subissem coisa de
10:4950% nos anos seguintes ali da pandemia, o que gerava caixa para bancar todos os investimentos
10:55que ela estava fazendo, inclusive uma expansão internacional, acabou sendo muito prejudicada,
11:00a empresa ficou alavancada, ela fez os investimentos, mas não teve os retornos, então é por isso
11:05que a empresa chegou nesse patamar, nesse momento que ela está vivendo hoje, de uma alavancagem
11:10elevada, historicamente a empresa nunca viveu essa realidade, mas ela já fez o que tinha
11:14que fazer aqui no Brasil para poder retomar o foco às origens, voltar a estar concentrada
11:20no Minha Casa Minha Vida, que é onde ela realmente tem expertise, inclusive ela ainda é a maior
11:24do Brasil em questão de estar atuando ali em 80 cidades, mas até pouco tempo atrás
11:28ela estava em 120 cidades, então ela já reduziu o escopo de atuação, a operação brasileira
11:33já está muito bem, muito saudável, o volume de venda está muito alto, as margens das
11:39operações de incorporação aqui no Brasil já estão altas, só que ainda tem um aspecto
11:43negativo que é essa alavancagem alta que vem da necessidade de concluir o plano de
11:48desinvestimento que eles estão fazendo nos Estados Unidos, basicamente eles vão praticamente
11:51encerrar as operações americanas, quando eles venderem os empreendimentos e o resto
11:55dos ativos que estão à venda, eles vão conseguir consequentemente diminuir a alavancagem
11:59consolidada da empresa, mas como ela ainda está vivendo, apesar da operação no Brasil
12:03já ter se recuperado bem no consolidado, ela ainda está vivendo essa pressão da alavancagem
12:08por conta da dívida lá fora, ela acabou sendo a que mais sofreu, mas o fato é que até
12:13o fim desse ano, começo do ano que vem, ela vai concluir esse plano de desinvestimento
12:16lá fora, consequentemente o resultado da MRV no consolidado vai se tornar um resultado
12:21aqui no Brasil e a meta da empresa é alcançar 1,5 bi de lucro aqui no Brasil, sem as
12:27operações
12:27lá fora atrapalhando e sem a dívida, basicamente esse 1,5 bi de lucro vira o lucro consolidado
12:33da empresa e a gente está falando de uma empresa que está negociando, está valendo
12:37na bolsa, um market cap, uma capitalização de menos de 3 bi, a gente está falando de
12:41um lucro de 1,5 bi que ela pode entregar ali num prazo de 3, 4 anos mais ou menos,
12:463
12:46a 5 anos para ser conservador e ela está valendo duas vezes esse lucro potencial dela
12:50para daqui a alguns anos, então novamente, para quem tem esse horizonte de longo prazo, a gente
12:55enxerga como uma excelente oportunidade, ela já está com a receita que ela precisa
12:59ter para entregar esse 1,5 bi, ela já está com a margem bruta das vendas novas que ela
13:04precisa ter para entregar esse lucro, ela já reduziu as despesas, o que tinha que reduzir,
13:09o aspecto que ainda está atrapalhando é exatamente a alavancagem que ela vai resolver em breve
13:14e aí é só uma questão de passar pelo balanço essas safras de 24 para frente, que
13:18são as safras que tem esse volume, essa margem para ela conseguir de fato chegar nesse lucro,
13:22então a gente tem uma visibilidade boa inclusive, apesar do mercado estar batendo nela porque
13:26ela é endividada, a gente tem uma visibilidade boa do resultado dela daqui a alguns anos,
13:30então a gente gosta bastante dessa oportunidade também.
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