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  • há 3 meses
Título do livro: Paulo, o Apóstolo da Fé e da Coragem
Autor do livro: Ellen G. White

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Ellen Gould White (1827 — 1915) foi uma escritora cristã norte-americana e uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia. É uma das escritoras mais traduzidas da história da literatura mundial e é considerada profetisa pelos adventistas do sétimo dia. Ela recebeu de Deus orientações preciosas sobre: educação, família, saúde, espiritualidade, profecias e outras. Experimente, ouça e seja muito abençoado!
Transcrição
00:00Paulo, o apóstolo da fé e da coragem.
00:04Capítulo 25
00:05Paulo chega a Roma.
00:08Ao cabo de três meses, embarcamos num navio alexandrino que invernara na ilha e tinha por emblema de Oscuros.
00:17Tocando em Siracusa, ficamos ali três dias, donde, bordejando, chegamos a Régio.
00:23No dia seguinte, tendo soprado o vento sul, em dois dias chegamos a Putéoli, onde achamos alguns irmãos que nos
00:31rogaram ficássemos com eles sete dias, e foi assim que nos dirigimos a Roma.
00:36Tendo ali os irmãos ouvir notícias nossas, vieram ao nosso encontro até a praça de Ápio e às três vendas.
00:43Vendo-os Paulo e dando por isso graças a Deus, sentiu-se mais animado.
00:49Atos 28, versos de 11 a 15
00:52Vindo o tempo próprio para a navegação, o cinturião e seus prisioneiros reiniciaram a viagem.
00:59Um navio alexandrino, o de Oscuros, tinha invernado em Malta em sua viagem para Roma, e nele os viajantes embarcaram.
01:07Embora um pouco retardada por ventos contrários, a viagem foi levada a bom termo, e o navio lançou âncora no
01:14belo porto de Putéoli, na costa da Itália.
01:17Nesse lugar havia alguns cristãos que rogaram ao apóstolo que permanecesse com eles por sete dias, privilégio este bondosamente concedido
01:27pelo centurião.
01:28Desde que receberam a epístola de Paulo aos romanos, os cristãos da Itália tinham avidamente desejado uma visita do apóstolo.
01:36Eles não esperavam vê-lo em cadeias como um prisioneiro, mas seus sofrimentos apenas o tornaram mais querido deles.
01:44Sendo a distância de Putéoli a Roma de apenas uns 220 quilômetros, e estando o porto marítimo em constante comunicação
01:51com a metrópole,
01:53os cristãos de Roma foram informados da aproximação de Paulo, e alguns deles se adiantaram para encontrá-lo e saudá
02:01-lo.
02:01No oitavo dia, depois de sua chegada, o centurião e seus prisioneiros partiram para Roma.
02:08Júlio, de boa vontade, permitiu ao apóstolo cada favor que estava em suas forças conceder,
02:14mas não lhe podia mudar a condição de prisioneiro ou libertá-lo das cadeias que o ligavam ao soldado que
02:20o guardava.
02:21Foi com o coração opresso que Paulo partiu para sua longamente esperada visita à metrópole do mundo.
02:28Com diversas eram as circunstâncias do que ele imaginara, como poderia ele, aguilhoado e estigmatizado como um criminoso, proclamar o
02:38Evangelho?
02:39Suas esperanças de conquistar muitas almas para a verdade em Roma pareciam destinadas ao desapontamento.
02:47Os viajantes chegaram à Praça de Ápio, 64 quilômetros distante de Roma.
02:52Enquanto abria um caminho entre a multidão que transitava na grande via, o encanecido ancião, acorrentado com um grupo de
03:00criminosos mal encarados,
03:02recebia muitos olhares de zombaria, tornando-se objeto de gracejo rude e escarnecedor.
03:09Ninguém de toda aquela gente que caminhava pela grande via concede-lhe um olhar de piedade ou simpatia.
03:15O apóstolo carrega mansamente suas cadeias e em silêncio segue vagarosamente seu caminho.
03:23De súbito ouve-se um grito de alegria e um homem se destaca da turba que passa
03:28e lança-se ao pescoço do prisioneiro abraçando-o e chorando de alegria como um filho que saudasse o pai
03:36por muito tempo ausente.
03:38Logo outros chegam e a cena se repete muitas vezes.
03:42Com a vista aguçada por expectante amor, muitos reconhecem no preso acorrentado
03:48aquele que lhes havia pregado as palavras da vida em Corinto, Filipos e Éfeso.
03:54Os amantes discípulos ansiosamente afluem ao redor de seu pai no Evangelho,
04:00obrigando todo o cortejo a parar.
04:02Os soldados impacientam-se com a detença, mas não têm coragem de interromper esse feliz encontro,
04:09pois também eles aprenderam a respeitar e estimar seu prisioneiro.
04:14Nessa face macerada e batida pela dor, os discípulos veem refletida a imagem de Cristo.
04:21Aseguram a Paulo que nunca o esqueceram nem deixaram de amá-lo,
04:26que lhes são devedores pela feliz esperança que lhes anima a vida e lhes dá paz para com Deus.
04:32Na ardência de seu amor o levariam nos ombros todo o caminho até a cidade fosse lhes dado esse privilégio.
04:41Poucos consideram o significado das palavras de Lucas quando diz que Paulo, vendo seus irmãos,
04:47deu graças a Deus e tomou o ânimo.
04:49No meio do simpatizante e lacrimoso grupo que não se envergonhava das cadeias do apóstolo,
04:55Paulo louvou a Deus em alta voz.
04:58A nuvem de tristeza que estivera sobre seu espírito se dissipou.
05:03Sentiu que seus labores não tinham sido em vão.
05:06Embora sua vida cristã tivesse sido uma sucessão de provações, sofrimentos e desapontamentos,
05:13naquele momento sentiu-se abundantemente recompensado.
05:17Regozijou-se de que lhe tivesse sido permitido pregar a Cristo,
05:20levando a cruz da vida eterna e paz a tantas almas que tinham estado nas mais densas trevas,
05:28sem esperança e sem Deus no mundo.
05:31Seu passo é firme, seu coração está repleto de gozo.
05:35Não se queixa do passado, nem teme pelo futuro.
05:39Sabe que cadeias e aflições o esperam,
05:42mas sabe também que a obra de sua vida tinha sido libertar almas de um cativeiro infinitamente mais terrível
05:48e jubila-se em seus sofrimentos por amor de Cristo.
05:52Em Roma, o encargo do centurião Júlio terminou.
05:56Entregou ali seus prisioneiros ao comandante da guarda imperial.
06:00A boa referência que deu de Paulo somada à carta de Festo, procurador da Judéia,
06:06permitiram que o apóstolo fosse favoravelmente considerado pelo comandante
06:11e, em vez de ser lançado na prisão, foi lhe permitido morar em sua própria casa alugada.
06:17A provação de estar constantemente acorrentado a um soldado continuou,
06:22mas ele estava em liberdade para receber seus amigos
06:25e para trabalhar pelo evangelho da causa de Cristo.
06:30Os judeus que haviam sido banidos de Roma alguns anos antes
06:33tiveram tacitamente permissão para voltar,
06:36de maneira que agora ali se encontravam em grande número.
06:40A estes, antes de tudo,
06:42queria Paulo apresentar os fatos que diziam respeito a si mesmo e a sua obra,
06:47antes que seus inimigos tivessem a ocasião de os incitar contra ele.
06:52Portanto, três dias depois de sua chegada a Roma,
06:55reuniu os líderes judeus e, de maneira simples e direta,
06:59declarou porque viera a Roma como prisioneiro.
07:03— Varões irmãos, disse ele,
07:05nada havendo feito contra o povo ou contra os costumes paternos,
07:09contudo vim preso desde Jerusalém,
07:12entregue nas mãos dos romanos, os quais, havendo-me interrogado,
07:16quiseram soltar-me e soube a preliminar de não haver em mim nenhum crime passível de morte.
07:22Diante da oposição dos judeus,
07:24senti-me compelido a apelar para César,
07:27não tendo eu, porém, nada de que acusar a minha nação.
07:31Foi por isto que vos chamei para vos ver e falar,
07:34porque é pela esperança de Israel que estou preso com esta cadeia.
07:39Ele nada disse dos abusos que havia sofrido nas mãos dos judeus,
07:43nem das repetidas tramas para assassiná-lo.
07:46Suas palavras caracterizavam-se pela prudência e bondade.
07:50Ele não estava procurando ganhar atenção pessoal ou simpatia,
07:55mas defender a verdade e manter a honra do Evangelho.
07:59Em resposta, seus ouvintes afirmaram
08:01que não tinham recebido acusação alguma contra ele,
08:04por carta pública ou particular,
08:07e que nenhum dos judeus que tinham vindo a Roma o acusara de qualquer crime.
08:13Expressaram ainda um forte desejo de ouvir por si mesmos as razões de sua fé em Cristo.
08:19Na verdade, é corrente a respeito desta seita,
08:22que disseram, por toda parte ela é impugnada.
08:26Uma vez que eles próprios desejavam isso,
08:29Paulo ordenou-lhes que marcassem um dia,
08:31quando lhes apresentaria as verdades do Evangelho.
08:34No dia marcado, muitos se reuniram.
08:37Então, desde amanhã até a tarde,
08:40desfez uma exposição em testemunho do reino de Deus,
08:43procurando persuadi-los a respeito de Jesus,
08:46tanto pela lei de Moisés, como pelos profetas.
08:50Ele relatou-lhe sua própria experiência
08:53e apresentou argumentos das escrituras do Antigo Testamento
08:56com simplicidade, sinceridade e poder.
09:00Sobre algumas mentes, pelo menos,
09:02suas palavras fizeram uma impressão que nunca seria apagada.
09:06Todos que estavam buscando honestamente a verdade
09:10foram convencidos ao falar Paulo do que conhecia
09:13e ao testificar do que tinha visto.
09:16Ele mostrou que a religião não consiste em ritos e cerimônias,
09:20credos e teorias.
09:21Se assim fosse, o homem natural poderia entendê-la pela investigação,
09:26como entende as coisas do mundo.
09:28Paulo ensinou que a religião é algo prático,
09:32uma energia salvadora,
09:34um princípio inteiramente de Deus,
09:36uma experiência pessoal do poder renovador de Deus sobre a alma.
09:41Mostrou como Moisés tinha apontado Cristo a Israel
09:45como o profeta a quem deviam ouvir,
09:47como todos os profetas que haviam testificado dele
09:51como o grande remédio de Deus para o pecado,
09:54o inocente que devia levar os pecados do culpado.
09:57Paulo não censurou a observância das formas e cerimônias deles,
10:02mas mostrou-lhes que,
10:04enquanto mantinham o serviço ritual com grande exatidão,
10:08estavam rejeitando a Cristo,
10:09que era o antítipo de todo aquele sistema.
10:14Declarou que ele, Paulo, em seu estado inconverso,
10:17tinha conhecido a Cristo segundo a carne,
10:20não por contato pessoal,
10:21mas pela concepção que fazia dele,
10:24em comum com outros concernente ao seu caráter e óbito.
10:28Tinha rejeitado a Jesus de Nazaré como sendo um impostor,
10:32porque ele não preenchia sua concepção a respeito do Messias.
10:36Mas, desde sua conversão,
10:38a visão que ele tinha de Cristo e sua missão
10:40era muito mais espiritual e sublime
10:42do que a concepção judaica do longamente prometido Messias.
10:47Afirmou que ele não lhes apresentava Cristo segundo a carne.
10:50Herodes o tinha visto nos dias de sua humanidade.
10:54Viram o Anás, Pilatos, os sacerdotes e príncipes o tinham visto.
10:59Viram-no os soldados romanos,
11:01mas não o haviam visto com os olhos da fé,
11:04nem o tinham discernido espiritualmente como o Redentor glorificado.
11:10Aceitar a Cristo pela fé,
11:11ter um conhecimento espiritual dele
11:13era mais para desejar do que um contato pessoal com ele
11:17quando esteve na Terra.
11:19A comunhão com Cristo que Paulo agora usufruía
11:22era mais íntima e mais duradoura
11:25do que um mero companheirismo terrestre.
11:28Alguns que ouviram a exposição de Paulo nessa ocasião
11:31avidamente receberam a verdade,
11:34mas outros recusaram obstinadamente a se convencer.
11:38O testemunho das Escrituras foi apresentado diante deles
11:41por alguém que era seu igual em cultura
11:44e seu superior em poder mental
11:46e que tinha a iluminação especial do Espírito Santo.
11:50Eles não podiam refutar seus argumentos,
11:53mas deixaram de aceitar suas conclusões.
11:56As profecias que os próprios rabis aplicavam a Cristo
12:00provocavam uma grande irritação naqueles judeus opositores,
12:04porque o apóstolo mostrava que o cumprimento destas mesmas profecias
12:08requeria deles que aceitassem a Cristo.
12:12Sua humilde entrada em Jerusalém,
12:14sua rejeição por seu próprio povo,
12:17a traição de Judas,
12:18a insignificante soma paga por sua traição,
12:21sua morte como malfeitor,
12:23mesmo as amargas e estupefacientes poções
12:27a ele oferecidas em sua agonia de morte,
12:30as sortes lançadas sobre sua túnica,
12:33a vitória sobre a morte e a sepultura por sua ressurreição ao terceiro dia.
12:37Sua exaltação final à mão direita de Deus,
12:41tudo isso era um cumprimento direto das palavras dos profetas.
12:45Mas quanto mais conclusivos os argumentos apresentados,
12:49mais determinados ficavam os judeus incrédulos em sua oposição.
12:54Frenéticos de maldade reiteraram suas acerções de que Jesus de Nazaré era um enganador.
13:02Outros argumentos seriam inúteis.
13:04Paulo terminou com um solene discurso em que aplicou a eles as palavras de Isaías,
13:10anteriormente citadas pelo próprio Cristo.
13:12Bem falou o Espírito Santo a vossos pais por intermédio do profeta Isaías quando disse,
13:18Vai a este povo e diz-lhe,
13:20De ouvido ouvireis e não entendereis,
13:23Vendo vereis e não percebereis.
13:26Porquanto o coração deste povo se tornou enturecido,
13:29Com os ouvidos ouviram tardiamente e fecharam os olhos,
13:33Para que jamais vejam com os olhos nem ouçam com os ouvidos,
13:37Para que não entendam com o coração e se convertam e por mim sejam curados.
13:43As palavras de Paulo não foram em vão.
13:46Alguns aceitaram plenamente a Jesus como o Redentor do mundo
13:50E a despeito da oposição de seus antigos irmãos,
13:53Tornaram-se ardorosos defensores da verdade.
13:57O povo de Deus que vive perto do final dos tempos
14:00Deve aprender uma lição desta experiência de Paulo.
14:04Não devemos desanimar porque aqueles que não têm amor pela verdade
14:08Recusam ser convencidos até pela mais clara evidência.
14:13Hoje as igrejas formais e amantes do mundo
14:16Não estão mais dispostas a receber os ensinos da palavra de Deus
14:20Do que estavam aquelas nos séculos passados.
14:23Os piores inimigos de Paulo estavam entre os judeus
14:27Que faziam as mais altas profissões de piedade.
14:31Foi a esta classe que Cristo disse
14:33Errais não conhecendo as escrituras nem o poder de Deus.
14:37Os mais amargos opositores da verdade
14:40Estão hoje entre os que professam ser seus defensores.
14:44Deus fez do seu povo os depositários de sua lei.
14:49Eles devem defender as reivindicações daquela lei calcada a pés
14:53Contra a oposição de pretensos ministros do Evangelho
14:57Contra homens de saber, posição e autoridade.
15:00A evidência das obrigatórias reivindicações da lei não pode ser ouvidada.
15:06Todavia, seus inimigos virão repetidamente ao combate
15:10Insistindo nos mesmos argumentos, todas as vezes refutados e tão frequentemente renovados.
15:17Paulo era dirigido e ensinava pelo Espírito Santo.
15:21Mas, apesar disto, aqueles que não eram assim ensinados
15:24Ficaram cheios de ciúme e maldade
15:27Quando viram defendendo verdades que eles não tinham sancionado.
15:32Estavam decididos de que ele não devia mover-se mais rápido do que eles.
15:36Tivessem eles como os nobres bereanos,
15:39Examinado as escrituras com um espírito humilde e dócil,
15:43Teriam aprendido a verdade como Paulo a pregava.
15:46Mas estudavam apenas a fim de encontrar algo para susterem a si mesmos e condená-lo.
15:52A verdade sempre envolve uma cruz.
15:55Aqueles que não creem, se opõem e ridicularizam os que creem.
15:59O fato de que sua apresentação da verdade
16:02Cria uma tempestade de oposição
16:04Não é nenhuma evidência contra ela.
16:07Os profetas e apóstolos puseram em perigo a vida
16:10Porque conscienciosamente obedeciam a Deus.
16:14E a palavra de Deus declara
16:15Que todos quanto querem viver piadosamente em Cristo Jesus
16:20Serão perseguidos.
16:22Este é o legado do cristão.
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