00:00Paulo, o apóstolo da fé e da coragem.
00:04Capítulo 29
00:05A Última Prisão
00:09Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos, descendente de Davi, segundo o meu Evangelho,
00:17pelo qual estou sofrendo até algemas como malfeitor, contudo a palavra de Deus não está algemada.
00:24Por esta razão, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo
00:32Jesus com eterna glória.
00:34Segundo Timóteo, capítulo 2, versos 8 a 10
00:39Embora o trabalho de Paulo fosse principalmente entre as igrejas, ele não poderia escapar à observação de seus inimigos.
00:47Desde a perseguição de Nero aos cristãos, eram em toda parte objeto de ódio e suspeita.
00:54Qualquer pessoa de disposição maligna poderia facilmente conseguir a detenção e aprisionamento de alguém da seita proscrita.
01:02E agora, os judeus conceberam a ideia de procurar lançar sobre Paulo o crime de instigar o incêndio de Roma.
01:11Nenhum deles, nem por um momento, achava que Paulo fosse culpado disto.
01:15Mas sabiam que tal acusação, ainda que feita sem a mais fraca mostra de plausibilidade, selaria a sua condenação.
01:23Surgiu logo uma oportunidade para que eles executassem seus planos.
01:28Em casa de um discípulo, na cidade de Troade, Paulo foi outra vez capturado e desse local foi levado precipitadamente
01:36para sua reclusão final.
01:38A prisão foi efetuada pelos esforços de Alexandre, o latueiro, que com tanto insucesso se opusera à obra do apóstolo
01:47em Éfeso e que agora aproveitava a oportunidade para se vingar de alguém a quem ele não fora capaz de
01:53derrotar.
01:55Posteriormente, em sua segunda epístola a Timóteo, Paulo se referiu às maquinações desse inimigo da fé.
02:02Alexandre, o latueiro, causou-me muitos mares. O Senhor lhe dará pagas segundo as suas obras.
02:09Em sua primeira epístola a seu filho na fé, ele falou de maneira semelhante a Emeneu e Alexandre, como estando
02:17entre aqueles que vieram a naufragar na fé, os quais diz ele,
02:21Entreguei a Satanás para serem castigados a fim de não mais blasfemarem.
02:27Esses homens haviam se afastado da fé do Evangelho e, ainda mais, tinham feito agravo ao Espírito da Graça, atribuindo
02:36ao poder de Satanás as maravilhosas revelações feitas a Paulo.
02:40Tendo rejeitado a verdade, eles estavam cheios de ódio contra ela e procuraram destruir seu fiel defensor.
02:48Qualquer esforço reformatório é sempre acompanhado de perdas, sacrifícios e perigos.
02:55Ele sempre reprova o amor à comodidade, os interesses egoístas e a lasciva ambição.
03:01Portanto, qualquer que inicie ou dê continuidade a tal esforço deve encontrar oposição, calúnia e ódio por parte daqueles que
03:11não estão dispostos a se submeter às condições de reforma.
03:15Não é tarefa fácil vencer hábitos e práticas pecaminosos.
03:19A obra só pode ser realizada com o auxílio da graça divina, mas muitos negligenciam a busca de tal auxílio
03:27e tentam baixar as normas para que estas se adaptem às suas deficiências, em vez de eles se elevarem para
03:34satisfazer os princípios divinos.
03:36Tal foi a atitude desses homens que foram tão severamente repreendidos por seus pecados.
03:54Paulo havia reprovado fielmente o pecado deles, o vício da licenciosidade tão prevalecente naquele século, mas eles não quiseram ser
04:04corrigidos.
04:05Paulo havia procedido de acordo com as instruções de Cristo no que concerne a tais casos, mas os transgressores não
04:13haviam apresentado nenhum sinal de arrependimento e, portanto, ele os havia excluído do rol dos crentes.
04:19Eles tinham, então, abertamente apostatado da fé e se haviam unido aos mais implacáveis inimigos da igreja.
04:27Quando rejeitaram as palavras de Paulo e procuraram impedir o seu trabalho, estavam guerreando contra Cristo.
04:34E foi por inspiração do Espírito de Deus e não com uma expressão de sentimento pessoal que Paulo pronunciou contra
04:42eles aquela solene repreensão.
04:45Em sua segunda viagem a Roma, Paulo foi acompanhado por vários de seus anteriores companheiros.
04:51Outros desejavam ardentemente partilhar de sua sorte, mas ele recusou permitir-lhes pôr assim em perigo a vida.
05:00As perspectivas diante dele eram muito menos favoráveis do que na ocasião do seu primeiro aprisionamento.
05:06A perseguição sobre Nero tinha grandemente diminuído o número de cristãos em Roma.
05:11Milhares tinham sido martirizados por sua fé.
05:15Muitos tinham deixado a cidade e os que permaneciam estavam sobremaneira deprimidos e intimidados.
05:22Na primeira chegada de Paulo, os judeus de Roma estavam dispostos a escutar seus argumentos.
05:27Mas por meio da influência de emissários de Jerusalém e também por causa das acusações recebidas contra os cristãos,
05:35eles tinham se tornado figadais inimigos do apóstolo.
05:38Também nenhum afetuoso discípulo foi agora ao encontro de Paulo na Praça de Ápio e nas Três Vendas, como na
05:46outra vez.
05:47Não havia agora ninguém como o cortês e bondoso Júlio para dizer uma palavra em seu favor.
05:53Nenhuma declaração de festo ou de agripa que atestasse sua inocência.
05:58A mudança que havia ocorrido na cidade e em seus habitantes, a cidade ainda manchada e enegrecida da terrível conflagração,
06:06e o povo, as dezenas de milhares reduzido à mais sórdida pobreza,
06:11parecia harmonizar-se com a mudança na condição e perspectivas de Paulo mesmo.
06:17Por entre as agitadas multidões que ainda apinhavam as ruas de Roma e que tinham consideração pelo apóstolo,
06:24passou Paulo não agora para a sua própria casa alugada, mas para um sombrio clabouço,
06:30para ali permanecer acorrentado noite e dia até que terminasse sua carreira.
06:36Visitar Paulo agora não era como durante seu primeiro aprisionamento.
06:41Visitar um homem contra quem nenhuma acusação tinha sido confirmada,
06:46e que havia ganho opiniões favoráveis de príncipes e governantes.
06:50Seria visitar alguém que era o objeto de execração universal,
06:55que fora acusado de instigar o mais hediondo e mais terrível crime contra a cidade e a nação.
07:02Qualquer que se aventurasse a mostrar-lhe a menor atenção,
07:05tornava-se objeto de suspeita, pondo em perigo a própria vida.
07:10Roma estava agora cheia de espias, prontos a apresentar acusação contra qualquer um pelo motivo mais insignificante.
07:19Ninguém senão um cristão visitaria um cristão,
07:23porque ninguém desejaria incorrer no ódio de uma fé que até mesmo homens inteligentes
07:28consideravam como sendo não meramente desprezível, mas traiçoeira.
07:34Um por um, Paulo viu seus amigos o abandonando.
07:38Os primeiros a partir foram Fígelo e Hermógenes.
07:42Então Demas, desalentado entre as densas nuvens de dificuldade e perigo,
07:47abandonou o perseguido apóstolo em busca de comodidade e segurança em uma vida mundana.
07:53Crescente foi enviado em uma missão às igrejas da Galáxia.
07:58Tito foi para Dalmácia, Tíquico para Éfeso.
08:01Lucas, o médico amado e fiel amigo, ainda estava com ele.
08:05Esse foi um grande conforto para Paulo,
08:08que nunca havia precisado mais do companheirismo e auxílio de seus irmãos do que agora,
08:13enfraquecido como estava pela idade, laputas e enfermidades,
08:17e confinado a um úmido e escuro subterrâneo de uma prisão romana.
08:23E como dependia do auxílio de uma escrevente,
08:26os serviços de Lucas eram de grande valor,
08:29habilitando-o a comunicar-se ainda com seus irmãos e o mundo lá fora.
08:34Nessa ocasião, um encorajamento inesperado foi concedido ao apóstolo pela visita de Onesíforo,
08:41um cristão efésio que foi a Roma não muito tempo depois da chegada de Paulo.
08:46Ele soube que Paulo estava em algum lugar da cidade como prisioneiro e decidiu procurá-lo.
08:52Isto não era nada fácil em uma cidade apinhada de prisioneiros,
08:56onde a suspeita estava por toda parte e tinha apenas de voltar-se contra uma desafortunada vítima
09:02para que esta fosse enviar à prisão e talvez à morte.
09:07Mas, apesar das dificuldades, Onesíforo procurou Paulo até achá-lo.
09:13Não satisfeito com uma visita, ele foi repetido às vezes à prisão
09:16e fez tudo o que estava em seu poder para aliviar o fardo do alquebrado apóstolo.
09:21O risco do escárnio, reprovação ou perseguição não pôde atemorizar esse leal efésio
09:28quando soube que o seu amado mestre estava em cadeias por amor à verdade,
09:34ao passo que ele mesmo, em todos os aspectos muito menos digno, estava livre.
09:40A visita de Onesíforo testificando de sua amorável fidelidade em um tempo de solidão e deserção
09:47foi um ponto luminoso na experiência de Paulo na prisão.
09:52Na última carta escrita pelo apóstolo, ele assim se expressa com respeito a este fiel discípulo.
09:59Conceda ao Senhor misericórdia à casa de Onesíforo,
10:02porque muitas vezes me deu ânimo e nunca se envergonhou das minhas algemas.
10:08Antes, tendo ele chegado a Roma, me procurou solicitamente até me encontrar.
10:13O Senhor lhe conceda naquele dia achar misericórdia da parte do Senhor.
10:19O desejo de amor e simpatia foi implantado no coração humano pelo próprio Deus.
10:26Cristo, em sua hora de agonia no Getsemane, enquanto suportava a culpa de homens pecadores,
10:32ansiou pela simpatia de seus discípulos.
10:35E Paulo, embora quase indiferente a durezas e sofrimento, almejou simpatia e companheirismo.
10:43Deus quer que seu povo acaricie amor e simpatia uns para com os outros.
10:48A humanidade elevada, enobrecida e transformada à semelhança de Deus é digna de respeito e estima.
10:56Os filhos e filhas de Deus serão sensíveis, compassivos, corteses para com todos os homens,
11:03mas principalmente aos da família da fé.
11:06Paulo estava ligado aos seus condiscípulos por um laço mais forte do que até mesmo o da fraternidade cristã.
11:14O Senhor tinha se revelado a ele de uma maneira especial e o havia tornado um instrumento na salvação de
11:20muitas almas.
11:22Muitas igrejas poderiam, em verdade, considerá-lo seu pai no Evangelho.
11:27Tal homem, que havia sacrificado toda a consideração terrestre pelo serviço de Deus,
11:33tinha uma reivindicação especial sobre o amor e simpatia de seus conversos e colaboradores.
11:39Vamos ver, vamos ver, vamos ver, vamos ver.
11:40E aí
11:40Obrigado.
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