- há 3 meses
Título do livro: Paulo, o Apóstolo da Fé e da Coragem
Autor do livro: Ellen G. White
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Ellen Gould White (1827 — 1915) foi uma escritora cristã norte-americana e uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia. É uma das escritoras mais traduzidas da história da literatura mundial e é considerada profetisa pelos adventistas do sétimo dia. Ela recebeu de Deus orientações preciosas sobre: educação, família, saúde, espiritualidade, profecias e outras. Experimente, ouça e seja muito abençoado!
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Estilo de vidaTranscrição
00:00Paulo, o apóstolo da fé e da coragem. Capítulo 23. Discurso perante a gripa.
00:08Então a gripa se dirigiu a Paulo e disse, Por pouco me persuades a me fazer cristão.
00:15Paulo respondeu, Assim Deus permitisse que, por pouco ou por muito, não apenas tu, ó rei,
00:22porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias.
00:28Atos 26, versos 28 e 29
00:32Como Paulo havia apelado para César, era o dever de Festo providenciar para que ele fosse enviado a Roma.
00:40Mas algum tempo se passou antes que pudesse ser encontrado um navio disponível,
00:45e como outros prisioneiros deviam também ser enviados com Paulo,
00:50a consideração de seus casos igualmente ocasionou alguma demora.
00:54E isto deu a Paulo a oportunidade de apresentar as razões de sua fé diante dos principais homens de Césaréia,
01:02e também diante do último dos Herodes, que tinha um título de rei dos judeus.
01:07Passados alguns dias, o rei Agripa e Berenice chegaram a Césaréia a fim de saudar a Festo.
01:15Sabendo que Agripa era bem versado nas leis e costumes dos judeus,
01:19Festo, durante essa visita, chamou-lhe a atenção para o caso de Paulo,
01:24como um prisioneiro deixado em cadeias por Félix.
01:27O interesse de Agripa foi despertado pelo relato que Festo lhe deu do caso,
01:32e ele expressou o desejo de ver e ouvir Paulo pessoalmente.
01:37Consequentemente, o dia seguinte foi escolhido para tal entrevista.
01:41Paulo agora não iria defender-se diante de um novo tribunal,
01:45mas meramente satisfazer a curiosidade de uma audiência privada,
01:49a fim de prover uma hora de entretenimento para os ilustres hóspedes do procurador
01:54e para um grupo de convidados que representavam a riqueza e a nobreza de Césaréia.
02:00Os principais oficiais do exército deveriam estar presentes,
02:05e também os mais importantes cidadãos da cidade,
02:08e Festo decidiu tornar essa audiência uma ocasião de importante ostentação
02:13em homenagem aos seus visitantes.
02:15Com toda a pompa e esplendor da realeza,
02:19Agripa e Berenice entraram no auditório,
02:22acompanhados por uma comitiva de servidores,
02:24paramentados suntuosamente conforme o costume oriental.
02:28Com ares de orgulho, o altivo soberano, ao lado de sua formosa irmã,
02:33com passos majestosos, atravessou a assembleia e assentou-se ao lado do procurador.
02:39À sua ordem, Paulo, ainda algemado como prisioneiro, foi introduzido
02:44e o rei olhou para ele com fria curiosidade,
02:47contemplando-o encurvado e pálido por causa da enfermidade,
02:51do longo aprisionamento e contínua ansiedade.
02:55Que contraste ali apresentado!
02:57Agripa e Berenice eram destituídos dos traços de caráter que Deus estima.
03:03Eram transgressores de sua lei, corruptos de coração e de vida.
03:08Deus e os anjos aborreciam sua conduta de pecado,
03:11mas porque possuíam em um grau limitado poder e posição,
03:16eram os favoritos do mundo.
03:18Encontraste aquele idoso prisioneiro em pé, acorrentado a um soldado?
03:23Não apresentava nada de imponente ou de atrativo em seu vestuário ou aparência
03:29que levasse o mundo a prestar-lhe homenagem.
03:31Entretanto, esse homem, aparentemente sem amigos, riqueza ou posição,
03:37tinha uma escolta que os mundanos não podiam ver.
03:40Anjos do céu eram seus assistentes.
03:43Caso se houvesse manifestado a glória de um só desses resplandecentes mensageiros,
03:48a pompa e o orgulho da realeza teriam empalidecido.
03:53Rei e cortesãos teriam sido lançados por terra,
03:57como os soldados romanos junto ao sepulcro de Cristo.
04:01Todo o céu estava interessado nesse homem agora,
04:04retido como prisioneiro por sua fé no Filho de Deus.
04:08Diz o amado João,
04:10o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo.
04:16O mundo não conhece a Cristo.
04:18Nem conhecerá aqueles que exemplificam a Cristo.
04:22Estes são filhos de Deus, filhos da família real.
04:26Contudo, suas reivindicações principescas não são percebidas pelo mundo.
04:31Podem excitar sua curiosidade, mas não são apreciados ou compreendidos.
04:36São, para o mundo, desinteressantes e em nada invejáveis.
04:40O próprio Festo apresentou Paulo à Assembleia com estas palavras.
04:44— Rei Agripa e todos vós que estáis presentes conosco,
04:48veja este homem, por causa de quem toda a multidão dos judeus
04:52recorreu a mim tanto em Jerusalém como aqui,
04:55clamando que não convinha que ele vivesse mais.
04:58Porém, eu achei que ele nada praticara a passível de morte.
05:02Entretanto, tendo ele apelado para o Imperador, resolvi mandá-lo ao Imperador.
05:07Contudo, a respeito dele, nada tenho de positivo que escreva o soberano.
05:11Por isso, eu o trouxe à vossa presença, imormente à tua, oh rei Agripa.
05:17Para que, feita a argüição, tenha eu alguma coisa que escrever,
05:21porque não me parece razoável remeter um preso sem mencionar, ao mesmo tempo,
05:26as acusações que militam contra ele.
05:28O rei Agripa deu então a Paulo a liberdade de falar.
05:32O apóstolo sabia de quão pouco valor são as circunstâncias exteriores da riqueza e posição mundanas,
05:38e não estava desconcertado pela brilhante pompa ou elevada posição daquele titulado auditório.
05:46A imponente vestimenta do procurador e de seus hóspedes,
05:49as espadas reluzentes dos soldados e a resplandecente armadura de seus comandantes
05:54não poderiam nem por um momento abater-lhe o ânimo ou roubar-lhe o domínio próprio.
06:00Estendendo a mão direita ao Gemara, disse ele,
06:03Tenho-me por feliz, oh rei Agripa, pelo privilégio de hoje na tua presença,
06:08poder produzir a minha defesa de todas as acusações feitas contra mim pelos judeus,
06:14mormente porque és versado em todos os costumes e questões que há entre os judeus.
06:19Por isso, eu te peço que me ouças com paciência.
06:23Teria a mente de Agripa ante estas palavras,
06:26retornado à história passada de sua família
06:29e em seus infrutíferos esforços contra aquele de quem Paulo estava pregando?
06:34Pensou ele em seu bisavô Herodes e no massacre das inocentes crianças de Belém?
06:40Em seu tio-avô Antipas e o assassinato de João Batista?
06:44E em seu próprio pai, Agripa I, e o martírio do apóstolo Tiago?
06:49Viu ele, nas calamidades que rapidamente sobrevieram a esses reis,
06:53uma evidência do desprazer de Deus em consequência dos crimes deles contra seus servos?
07:00Teria a pompa e ostentação daquele dia,
07:03lembrado a Agripa do tempo quando seu próprio pai,
07:06um monarca mais poderoso do que ele,
07:08achava-se naquela mesma cidade ataviado com vestes resplandecentes,
07:13enquanto o povo bradava que ele era um deus?
07:17Tinha ele esquecido, como mesmo antes de cessarem os brados de admiração,
07:22a vingança divina, rápida e terrível, havia atingido o vanglorioso rei?
07:27Alguma coisa de tudo isso passou rapidamente pela memória de Agripa,
07:32mas sua vaidade era lisonjeada pela brilhante cena que estava diante dele,
07:37e o orgulho e a presunção baniam todos os mais nobres pensamentos.
07:43Paulo relatou outra vez a história da sua conversão,
07:47da obstinada incredulidade de um fariseu rígido e fanático,
07:50à fé em Jesus de Nazaré como o Redentor do mundo.
07:55Descreveu a visão celestial que o encheira de indizível terror
07:59e que mais tarde, porém, provou ser uma fonte da maior consolação,
08:03uma revelação da glória divina,
08:05no meio da qual estava entronizado aquele a quem ele desprezara e odiara,
08:10e cujos seguidores procuraram até mesmo destruir.
08:14Que desde aquele momento a misericórdia transformadora tinha feito dele um novo homem,
08:19um sincero e fervoroso crente em Jesus.
08:22E foi então que ele fora chamado para ser um apóstolo de Cristo pela vontade de Deus.
08:29Durante o ministério terrestre de Cristo, Paulo não tivera a oportunidade de vê-lo.
08:34Tinha realmente ouvido dele e de suas obras,
08:37mas não podia acreditar que o Messias prometido,
08:40o Criador de todos os mundos, o doador de todas as bênçãos,
08:44apareceria sobre a terra como um mero homem.
08:48Esperava que ele viesse vestido de majestade,
08:51assistido com pompa real e proclamado pela hoste angélica como o rei dos judeus.
08:57Mas descobriu depois que não tinha lido corretamente as Escrituras.
09:01Cristo veio com uma profecia havia predito,
09:05um homem humilde pregando a palavra da vida em mansidão e simplicidade.
09:10Veio para despertar os mais nobres impulsos da alma,
09:13para satisfazer os mais profundos anseios do coração
09:17e para coroar o trabalho e a luta da vida com uma infinita recompensa.
09:23Paulo tinha esperado em vão por um Messias que viesse libertar a nação
09:27do cativeiro de reis estrangeiros,
09:30mas encontrou em Cristo um libertador do cativeiro do pecado.
09:34A vida tinha sido para Paulo um cego e desconcertante conflito,
09:39uma luta desigual, uma febre de desejos irrealizados,
09:44até que viu a Cristo.
09:46Então seus anseios foram satisfeitos,
09:48seus temores banidos, seus fardos aliviados.
09:52Havia encontrado aquele de quem Moisés e os profetas escreveram,
09:56Jesus de Nazaré, o Salvador do mundo.
10:00Por que? Perguntava o apóstolo.
10:03A ressurreição de Cristo lhe parecera um fato impossível.
10:06Sim, no passado assim lhe parecera,
10:09mas como poderia descrever agora
10:11daquilo que ele mesmo tinha visto e ouvido
10:14naquela visão ao meio-dia?
10:16Ele podia dar testemunho da ressurreição dos mortos,
10:20pois havia contemplado o Cristo ressurgido,
10:23o mesmo que havia palmilhado as ruas de Jerusalém,
10:26morrido no Calvário,
10:28quebrado as ligaduras da morte do Olivete,
10:31acendido ao céu.
10:32Tão verdadeiramente como Cefas, Tiago e João,
10:36ou qualquer outro dos apóstolos,
10:38tinham visto e com ele falado.
10:41E como poderia ele desobedecer
10:44quando a voz do céu enviara para abrir os olhos
10:47de judeus e gentios,
10:48para que se convertessem das trevas para a luz
10:51e da potestade de Satanás para Deus,
10:54para que pudessem receber a remissão dos pecados
10:56e uma herança entre os que são santificados.
10:59Em Damasco, em Jerusalém, em toda a Judéia e aos gentios,
11:05tinha ele pregado o arrependimento para com Deus,
11:08a fé em Cristo e uma vida coerente com esses ideais.
11:12Isto e somente isto
11:14foi o que levou os judeus a se apoderarem dele no templo
11:17e procurarem matá-lo.
11:19Mas o Senhor o havia livrado desse perigo
11:22e de todos os outros.
11:23O testemunho que ele dava de Jesus de Nazaré
11:26não era nenhuma blasfêmia,
11:28nenhuma heresia, nenhuma apostasia,
11:31mas uma verdade que estava em harmonia
11:33com todos os ensinos de Moisés e dos profetas.
11:37O apóstolo estava falando sobre o seu tema predileto,
11:40de maneira solene, sincera e lúcida,
11:43atitude que lhe era peculiar em suas pregações.
11:46No todo o absorvente interesse do seu assunto,
11:50ele perdia de vista reis, governadores e tribunos,
11:53riqueza, títulos e posição social.
11:56Estava testemunhando daquilo que era a razão de sua vida
12:00e podia falar com a certeza de sua longa experiência cristã
12:04e com um ator de intensa convicção.
12:07Ninguém dos que o ouviam podia duvidar de sua sinceridade,
12:11mas, no ponto culminante de sua eloquência,
12:14foi subitamente interrompido.
12:16Os fatos relatados eram novos para Festo,
12:19como para quase todos os presentes.
12:22Todos escutavam fascinados o relato de Paulo
12:25acerca de suas maravilhosas experiências e visões,
12:29sua exposição de antigas profecias
12:31a respeito de um profeta judeu
12:33que havia sido rejeitado e crucificado,
12:36mas que ressuscitara dos mortos
12:38e ascenderam ao céu,
12:40o qual unicamente podia perdoar pecados
12:43e iluminar as trevas de judeus e gentios.
12:46Essa afirmação do apóstolo foi demasiado para Festo.
12:50Ele gritou repentinamente de maneira excitada,
12:53— Estás louco, Paulo?
12:55As muitas letras te fazem delirar.
12:58O apóstolo respondeu calma e cortesmente,
13:01— Não estou louco, ó excelentíssimo Festo.
13:04Pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso,
13:08porque tudo isto é do conhecimento do rei,
13:11a quem me dirijo com franqueza,
13:13pois estou persuadido de que nenhuma destas coisas lhe é oculta,
13:17porquanto nada se passou em algum lugar escondido.
13:21Então, voltando-se para Agripa,
13:23dirigiu-se diretamente a ele.
13:25— Acreditas, ó rei Agripa, nos profetas?
13:28— Bem sei que acreditas.
13:30Agripa tinha sido instruído na lei e nos profetas,
13:34e soubera por testemunhas confiáveis
13:36de alguns dos fatos mencionados por Paulo.
13:40Daí que os argumentos que eram tão novos e estranhos para Festo
13:44eram claros e convincentes para Agripa,
13:46e ele não podia deixar de ser afetado pelo ardente zelo do apóstolo,
13:51zelo esse que nem açoites nem prisões podiam apagar.
13:55Por um momento esqueceu a dignidade de sua posição,
13:59perdeu de vista o ambiente consciente apenas das verdades que tinha ouvido,
14:03vendo somente o humilde prisioneiro que estava diante dele
14:06como embaixador de Deus,
14:08respondeu involuntariamente,
14:11— Por pouco me persuades a me fazer cristão.
14:15Arradorosamente o apóstolo respondeu,
14:17— Assim Deus permitisse que, por pouco ou por muito,
14:21não apenas tu, ó rei,
14:22porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou,
14:26e acrescentou erguendo as mãos aquilhoadas,
14:30exceto estas cadeias.
14:33Todos os que ouviram Paulo estavam convencidos de que ele não era um prisioneiro comum.
14:38Alguém que podia falar como ele tinha falado,
14:41que podia apresentar os argumentos que ele havia apresentado,
14:45que era imbuído de fé tão inspiradora,
14:48que se mostrara tão enriquecido da graça de Cristo,
14:51tão sereno na consciência de paz com Deus e os homens,
14:55alguém que podia desejar que todas aquelas principescas e eminentes personalidades
15:00tivessem a mesma esperança, confiança e fé que o sustinham,
15:05mas que, sem o mínimo desejo de vingança,
15:08podia orar para que elas fossem poupadas dos conflitos,
15:11tristezas e aflições que ele havia experimentado,
15:15tal homem não podia ser um impostor.
15:18Festo, Agripa e Berenice eram os criminosos que, com justiça,
15:22deviam ostentar os grilhões que acorrentavam o apóstolo.
15:26Eram todos culpados de graves crimes.
15:29Esses transgressores tinham ouvido, nesse dia,
15:33a oferta de salvação mediante o nome de Cristo.
15:36Um, pelo menos, estivera quase persuadido a aceitar a graça e o perdão.
15:42Mas estar quase persuadido significa pôr de lado a oferecida misericórdia,
15:47significa ser convencido quanto ao caminho reto,
15:51mas recusar a aceitar a cruz do Redentor crucificado.
15:56A curiosidade do rei Agripa foi satisfeita,
15:59e, levantando-se do seu assento,
16:01deu a entender que a entrevista estava terminada.
16:04Ao se dispersar à Assembleia,
16:06o caso de Paulo era livremente discutido,
16:10e todos concordavam que,
16:11conquanto ele pudesse ser um entusiasta ou fanático,
16:15não podia, em nenhum sentido, ser considerado um criminoso.
16:19Ele não tinha feito nada digno de morte ou prisão.
16:22Embora Agripa fosse judeu,
16:24não participava do zelo intolerante e do cego preconceito dos fariseus.
16:28Não tinha nenhum desejo de ver a liberdade de pensamento suprimida pela violência.
16:34Este homem, disse ele,
16:35bem podia ser solto se não tivesse apelado para César.
16:39Mas agora que o caso fora levado àquele mais elevado tribunal,
16:43estava além da jurisdição tanto de Festo quanto de Agripa.
16:48Todavia, dois anos depois,
16:49o resultado dos procedimentos daquele dia
16:51salvou aquela vida tão preciosa para a causa de Deus.
16:56Festo, achando que seu julgamento do caso,
16:59baseado no direito romano,
17:01era amparado por um ponto de vista do próprio guardião do templo,
17:04enviou uma carta ao imperador,
17:07declarando que nenhuma acusação legal
17:09podia ser encontrada contra o prisioneiro.
17:11E Nero, cruel e inescrupuloso como era,
17:15não ousou condenar à morte um homem
17:17a quem Lísias, Félix, Festo e Agripa
17:20declaravam inocente
17:22e a quem até mesmo Sinédrio
17:24não pôde condenar.
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