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Título do livro: Paulo, o Apóstolo da Fé e da Coragem
Autor do livro: Ellen G. White
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Ellen Gould White (1827 — 1915) foi uma escritora cristã norte-americana e uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia. É uma das escritoras mais traduzidas da história da literatura mundial e é considerada profetisa pelos adventistas do sétimo dia. Ela recebeu de Deus orientações preciosas sobre: educação, família, saúde, espiritualidade, profecias e outras. Experimente, ouça e seja muito abençoado!
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Categoria
🛠️
Estilo de vidaTranscrição
00:00Paulo, o apóstolo da fé e da coragem.
00:04Capítulo 21
00:06Perante o tribunal de Cesareia
00:10Passados alguns dias, vindo Félix com Druzila, sua mulher, que era judia,
00:16mandou chamar Paulo e passou a ouvi-lo a respeito da fé em Cristo Jesus.
00:22Dissertando ele acerca da justiça, do domínio próprio e do juízo vindouro,
00:26ficou Félix amedrontado e disse, Por agora podes retirar-te, e quando eu tiver vagar, chamar-te-ei.
00:34Atos capítulo 24, versos 24 e 25
00:39Cinco dias depois de haver Paulo chegado à Cesareia, seus acusadores também chegaram de Jerusalém,
00:46acompanhados por um tal de Tértulo, orador a quem tinham aliciado como conselheiro.
00:52Foi concedida ao caso imediata audiência.
00:56Paulo foi levado perante a Assembleia e Tértulo se pôs a especificar as acusações contra ele.
01:03Esse astuto orador julgou que a lisonja teria mais influência sobre o governador romano
01:09do que as simples afirmações da verdade e da justiça.
01:13Começou, portanto, seu discurso louvando a Félix.
01:17Excelentíssimo Félix, tendo nós, por teu intermédio gozado de paz perene,
01:23e também por teu providente cuidado, se terem feito notáveis reformas em benefício deste povo,
01:30sempre e por toda parte, isto reconhecemos com toda a gratidão.
01:36Tértulo desceu aqui a deslavada falsidade.
01:39O caráter de Félix era indigno e desprezível.
01:43Dele foi dito que, na prática de toda espécie de luxúria e crueldade,
01:48exerceu o poder de um rei com a têmpera de um escravo.
01:53É verdade que ele havia prestado algum serviço à nação por sua vigilância em livrar o país de ladrões
01:59e perseguiu e expulsou o rebelde egípcio a quem Cláudio Lízias apressadamente confundira com Paulo.
02:07Mas seus atos de crueldade e opressão o levaram a ser geralmente odiado.
02:14A traiçoeira crueldade de seu caráter é demonstrada por seu brutal assassinato do sumo sacerdote Jônatas,
02:21a quem ele, em grande parte, era devedor do seu próprio cargo.
02:26Embora Jônatas fosse realmente pouco melhor do que o próprio Félix,
02:30tinha se aventurado a discutir com ele por alguns dos seus atos de violência
02:35e, por isso, o procurador o levara a ser assassinado enquanto se ocupava dos deveres do seu ofício no templo.
02:43Um exemplo da desenfreada licenciosidade que manchava o caráter de Félix
02:48é visto em sua aliança contra o Zila, consumada por volta desse tempo.
02:54Por meio das artes enganadoras de Simão Mago, um feiticeiro cipriota,
03:00Félix havia induzido essa princesa a deixar o seu marido e tornar-se sua esposa.
03:06Druzila era jovem e formosa, além disso, judia.
03:10Até ali ela vivia afeiçoadamente ligada ao seu marido,
03:14que fizera um grande sacrifício para obter sua mão.
03:17E o que estava sendo oferecido agora a essa jovem senhora
03:22era de pouco valor para que justificasse a renúncia de seu esposo e de seus princípios como judia.
03:29Além do mais, em aceitando o oferecimento do monarca,
03:33ela atrairia sobre si a repulsa da nação
03:37por formar uma ligação adúltera com um cruel e idoso libertino.
03:42Todavia, os satânicos estratagemas do feiticeiro e sedutor tiveram êxito,
03:48e Félix conseguiu o seu intento.
03:51Os judeus que estavam presentes no julgamento de Paulo
03:54partilhavam o sentimento geral em relação a Félix.
03:58No entanto, tão grande era o desejo deles de grandear o seu favor
04:02a fim de assegurar a condenação de Paulo,
04:05que concordaram com as lisonjeiras palavras de Tértulo.
04:09Esses homens investidos do sagrado ofício,
04:13paramentados com vestes sacerdotais,
04:15eram muito exatos na observância de costumes e cerimônias,
04:20muito escrupulosos em evitar a poluição externa,
04:24ao passo que o templo da alma estava manchado de toda espécie de iniquidade.
04:29O contato exterior com alguma coisa considerada impura
04:33era uma grande ofensa aos seus olhos,
04:35enquanto que o assassinato de Paulo era considerado um mato justificável.
04:41Que ilustração da cegueira que pode se apoderar da mente humana!
04:46Ali estavam os representantes daqueles que pretendiam ser o povo do conserto de Deus.
04:52Como a figueira estéreo,
04:54estavam revestidos de pretenciosa folhagem,
04:58mas destituídos dos frutos da santidade,
05:01tendo forma de piedade,
05:03negando-lhe entretanto o poder.
05:05Eram cheios de maldade para com um homem puro e bom,
05:09procurando por todos os meios tirar-lhe a vida,
05:12ao passo que exaltavam um vingativo devarço.
05:16Há muitos hoje em dia que avaliam o caráter da mesma maneira.
05:21Inspirados pelo adversário de toda justiça,
05:24chamam ao mal bem e à verdade falsidade.
05:28É como o profeta descreveu,
05:31a verdade anda tropeçando pelas praças e a retidão não pode entrar.
05:37E porque tal é a condição e o espírito do mundo,
05:40que Deus convida o seu povo a sair e separar-se.
05:44Aqueles que se misturam com o mundo,
05:47considerarão as coisas do ponto de vista dos mundanos,
05:50em vez de ver como Deus as vê.
05:52Que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade?
05:57Ou que comunhão da luz com as trevas?
06:00Que harmonia entre Cristo e o maligno?
06:03Ou que união do crente com o incrédulo?
06:06Os que são de Deus verão as coisas e as pessoas como ele as vê.
06:10Os puros e bons serão honrados e amados por aqueles que são bons.
06:15Em seu discurso, Tértulo declarou que Paulo era uma peste,
06:20que promovia sedições entre os judeus em todo o mundo
06:23e que se fazia consequentemente culpado de traição contra o imperador,
06:28que era um líder da seita dos nazarenos
06:30e ensinador de heresia contra a lei de Moisés,
06:34e que era um profanador do templo,
06:36virtualmente uma ofensa não somente contra a lei judaica,
06:40mas contra a lei romana, que protegia os judeus em sua adoração religiosa.
06:46E então declarou falsamente que Lízias, o comandante da guarnição,
06:51tinha com violência arrebatado Paulo dos judeus
06:55quando estavam prestes a julgá-lo por sua lei eclesiástica
06:59e os havia forçado indevidamente a apresentar o assunto perante Félix.
07:04Essas afirmações mentirosas eram habilmente designadas
07:08a induzir o procurador a devolver Paulo à corte judaica.
07:13Todas as acusações foram apoiadas com veemência pelos judeus presentes,
07:18os quais nenhum esforço fizeram para ocultar seu ódio ao prisioneiro.
07:23Félix teve suficiente perspicácia para ler a disposição
07:27e o caráter dos acusadores de Paulo,
07:30percebeu os motivos de sua lisonja
07:32e viu também que não tinham conseguido provar suas acusações.
07:37Voltando-se para o acusado, acenou-lhe para que respondesse por si.
07:42Paulo não gastou palavras em fastidiosos cumprimentos,
07:46mas afirmou simplesmente que com tanto maior ânimo
07:49se defendia perante Félix,
07:52uma vez que este era havia tanto tempo procurador
07:55e porque tinha tão bom conhecimento das leis e costumes dos judeus.
08:01Passo a passo, então, refutou as acusações apresentadas contra ele.
08:06Declarou que não havia provocado distúrbio em parte alguma de Jerusalém
08:11nem havia profanado o santuário
08:13e que não me acharam no templo discutindo com alguém.
08:16Nem tampouco, amutinando o povo, fosse nas sinagogas ou na cidade,
08:22nem te podem provar as acusações que agora fazem contra mim.
08:27Conquanto confessando que, segundo o caminho,
08:30a que chamam seita adorava o Deus de seus pais,
08:33sustentou que jamais tinha se desviado de sua crença na lei e nos profetas
08:38e que, em harmonia com as Escrituras,
08:41mantinha a fé na ressurreição dos mortos
08:43e declarou ainda mais que o propósito orientador de sua vida
08:47era ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens.
08:52De maneira sincera e reta,
08:55ele declarou o objetivo de sua visita a Jerusalém
08:59e as circunstâncias de sua prisão e julgamento.
09:03Depois de anos, vim trazer esmolas à minha nação
09:06e também fazer oferendas,
09:08e foi nesta prática que alguns judeus da Ásia
09:11me encontraram já purificado no templo,
09:14sem ajuntamento e sem tumulto,
09:17os quais deviam comparecer diante de ti
09:19e acusar se tivessem alguma coisa contra mim.
09:23Ou estes mesmos digam que iniquidade acharam em mim
09:27por ocasião do meu comparecimento perante o sinédrio,
09:30salvo estas palavras que clamei,
09:33estando entre eles,
09:34hoje sou eu julgado por vós
09:36acerca da ressurreição dos mortos.
09:39O apóstolo falou com ardorosa e evidente sinceridade,
09:44e suas palavras levavam consigo um peso de convicção
09:48quanto à sua veracidade.
09:50Além disso, suas afirmações estavam em harmonia
09:53com a carta de Cláudio Lízias.
09:56O próprio Félix, que por muito tempo residia em Cesareia,
10:00onde a religião cristã tinha sido conhecida por muitos anos,
10:04possuía melhor conhecimento desta religião
10:07do que os judeus supunham,
10:09e não foi enganado por simulações.
10:12As palavras de Paulo produziram uma profunda impressão em sua mente
10:16e o habilitaram a compreender ainda mais claramente
10:20os motivos dos judeus.
10:22Ele não queria agradar os acusadores
10:24condenando injustamente um cidadão romano,
10:27nem o poderia entregar para que o matassem
10:30sem um reto julgamento.
10:32No entanto, Félix não conhecia mais alto motivo que o interesse próprio
10:36e era controlado pelo amor da fama e desejo de promoção.
10:41O temor de ofender os judeus o impediu de fazer justiça no caso
10:46e de libertar um homem a quem sabia ser inocente.
10:50Decidiu suspender o julgamento até que Lízias estivesse presente,
10:55dizendo,
11:00Paulo foi outra vez colocado sob a guarda de um centurião,
11:05mas com ordens de que ele deveria gozar de maior liberdade
11:08do que antes do seu interrogatório.
11:12Com quanto fosse necessário que o apóstolo fosse estritamente guardado,
11:16como uma proteção contra as maquinações dos judeus,
11:20e também porque ele era ainda um prisioneiro,
11:23seus amigos tinham permissão de visitá-lo e confortá-lo.
11:27Não foi muito depois disto que Félix e sua esposa Drusila
11:30mandaram chamar Paulo para uma entrevista privada.
11:34Drusila sentia considerável interesse pelo apóstolo,
11:38tendo ouvido de seu esposo um relato sobre ele
11:41e estava desejosa de ouvir as razões de sua fé em Cristo.
11:45Assim, Paulo, como prisioneiro do Senhor,
11:48teve a oportunidade de apresentar as verdades do Evangelho
11:52a algumas almas de quem, de outro modo,
11:55não poderia ter se aproximado.
11:57Um cruel e licencioso governador romano
12:00e uma dissoluta princesa judia
12:03seriam sua única audiência.
12:06Eles estavam agora esperando ouvir as verdades
12:09que nunca tinham ouvido antes,
12:11que talvez jamais ouvissem novamente
12:13e que se rejeitadas dariam um pronto testemunho
12:17contra eles no dia de Deus.
12:20Paulo considerou esta oportunidade
12:22como providenciada por Deus
12:24e fielmente a aproveitou.
12:27Sabia que o homem e a mulher que estavam diante dele
12:30tinham o poder de o condenar à morte
12:33ou de preservar-lhe a vida.
12:35Contudo, não se dirigiu a eles com elogio ou lisonja.
12:39Sabia que suas palavras seriam para eles
12:41um cheiro de vida ou de morte,
12:43e, esquecendo toda a consideração egoística,
12:47procurou despertá-los para o perigo
12:49a que suas almas estavam expostas.
12:52A mensagem do Evangelho
12:54não admite nenhuma neutralidade.
12:56Considera todos os homens
12:58como estando decididamente do lado da verdade
13:01ou contra ela.
13:02Se não a receberem e não obedecerem aos seus ensinos,
13:06são seus inimigos.
13:08Todavia não faz acepção de pessoas,
13:11classe ou posição social.
13:13É dirigida a toda a raça humana
13:15que sente a necessidade de seus graciosos convites.
13:20Disse Cristo,
13:21não vim chamar justos,
13:23e sim pecadores ao arrependimento.
13:26O apóstolo compreendia que o Evangelho
13:29tinha uma reivindicação
13:30sobre todos os que atentassem para suas palavras.
13:34Eles estariam ou entre os puros e santos
13:37ao redor do grande trono branco,
13:39ou com aqueles a quem Cristo haveria de dizer,
13:42Apartai-vos de mim,
13:43os que praticais a iniquidade.
13:46Ele sabia que teria de encontrar
13:48cada um de seus ouvintes
13:49diante do tribunal do céu,
13:51e que aí teria de prestar contas.
13:54Não apenas de tudo o que havia dito e feito,
13:57mas do motivo e espírito
13:59de suas palavras e ações.
14:02Tão violento e cruel
14:03tinha sido o curso da vida de Félix,
14:06que poucos haviam alguma vez ousado,
14:08mesmo na intimidade,
14:10dar-lhe a entender
14:11que seu caráter e conduta
14:13não eram isentos de faltas.
14:15Mas Paulo não tinha tais temores.
14:18Com total respeito
14:20pela posição de seus ouvintes,
14:22expôs claramente sua fé em Cristo
14:24e as razões dessa fé,
14:26e foi assim levado a falar
14:28particularmente das virtudes essenciais
14:31do caráter cristão,
14:32de que o arrogante par diante dele
14:35era tão sensivelmente destituído.
14:38Ele exaltou perante seus ouvintes
14:40o caráter de Deus,
14:42sua retidão, justiça e equidade,
14:45e a natureza e obrigação de sua lei.
14:49Mostrou claramente
14:50que é dever do homem
14:51levar uma vida de sobriedade e temperança,
14:54mantendo as paixões
14:55sob o controle da razão,
14:57em conformidade com a lei de Deus,
14:59e preservando as faculdades físicas e mentais
15:02em toda condição sadia.
15:05Viria seguramente um dia de juízo,
15:08quando todos seriam recompensados
15:10de acordo com o que tivessem feito no corpo.
15:14Riqueza, posição ou títulos honoríficos
15:17são impotentes para elevar o homem
15:19ao favor de Deus
15:20ou resgatá-lo da escravidão do pecado.
15:24Esta vida é o período de graça
15:26para todo ser humano,
15:27no qual ele deve formar um caráter
15:30para a vida futura e imortal.
15:33Negligenciando-lhes seus presentes
15:35privilégios e oportunidades,
15:37isto provar-se-ia uma eterna perda,
15:40nenhuma nova oportunidade de graça
15:42lhe seria concedida.
15:44Todos os que fossem achados
15:46não santificados de coração
15:48ou defeituosos em qualquer aspecto
15:51quando julgados pela lei de Deus,
15:53sofreriam a punição de sua culpa.
15:56Paulo frisou especialmente
15:58os profundos reclamos da lei de Deus,
16:01mostrou como essa lei alcança
16:03os íntimos segredos
16:04da natureza moral do homem,
16:06derramando uma torrente de luz
16:08sobre aquilo que tem estado oculto
16:10à vista e ao conhecimento
16:11dos seres humanos.
16:13O que as mãos podem fazer
16:15ou a língua proferir,
16:16isso que a vida exterior revela,
16:19apenas imperfeitamente,
16:20revela o caráter moral do homem.
16:23A lei se estende aos pensamentos,
16:26motivos e propósitos do coração.
16:28As viz-paixões que permanecem ocultas
16:31à vista dos homens,
16:32o ciúme, a inveja, o ódio,
16:35o sensualismo, a desenfreada ambição,
16:38as maquinações perversas
16:39nos profundos recessos da alma.
16:42Embora jamais executadas
16:44por falta de oportunidade,
16:45de todas estas coisas
16:47a lei de Deus conserva um registro.
16:50Os homens podem imaginar
16:52que podem com segurança
16:53acariciar estes pecados secretos.
16:56Mas são estas coisas
16:58que solapam o próprio fundamento
17:00do caráter
17:01porque do coração
17:02procedem as fontes da vida.
17:05Paulo procurou então
17:06dirigir a mente de seus ouvintes
17:08para o grande sacrifício pelo pecado.
17:11Apontou para aqueles sacrifícios do passado
17:13que eram sombra dos bens futuros
17:16e apresentou então a Cristo
17:18como o antítipo
17:19de todas aquelas cerimônias,
17:21o objeto para o qual
17:23elas apontavam
17:24como a única fonte de vida e esperança
17:26para o homem caído.
17:29Santos homens do passado
17:30foram salvos pela fé
17:32no sangue de Cristo.
17:33Ao contemplarem as agonias de morte
17:36das vítimas sacrificais,
17:38olhavam através da voragem dos séculos
17:40para o Cordeiro de Deus
17:42que tira o pecado do mundo.
17:45Deus, com toda a justiça,
17:47reclama a amor e obediência
17:49de todas as suas criaturas.
17:52Deu aos homens em sua lei
17:54uma perfeita norma de retidão.
17:56Mas eles se esquecem de seu Criador
17:58e escolhem seguir seu próprio caminho
18:01em oposição à vontade de Deus.
18:04Pagam com inimizade o amor
18:06que é tão alto quanto o céu
18:07e tão amplo quanto o universo.
18:10Deus não pode rebaixar sua lei
18:12para corresponder à norma
18:14de homens ímpios.
18:15Nem pode o homem caído pelo pecado
18:17satisfazer as demandas da lei
18:19por um caráter e vida irrepreensíveis.
18:23Mas pela fé em Cristo,
18:25o pecador pode ser purificado da culpa
18:27e capacitado a prestar obediência
18:30à lei de seu Criador.
18:32Deus não poderia conceder sua graça
18:34para diminuir os reclamos da lei,
18:36mas sim para estabelecê-la.
18:38A misericórdia e a verdade se encontraram.
18:41A justiça e a paz se beijaram.
18:45Assim, Paulo, o prisioneiro,
18:48recomendava com insistência
18:50as reivindicações da lei divina
18:51tanto a judeus quanto a gentios
18:54e apresentava a Jesus, o desprezado Nazareno,
18:57como o Filho de Deus, o Redentor do mundo.
19:01Druzila, a princesa judia,
19:03bem compreendia o sagrado caráter
19:05daquela lei que tão desavergonhadamente transgredia.
19:08Mas seu preconceito contra o homem do Calvário
19:11endureceu-lhe o coração contra a palavra da vida.
19:16Félix, no entanto, que nunca ouvira antes a verdade,
19:19ficou profundamente impressionado
19:21na medida em que o Espírito de Deus
19:24lhe imprimiu convicção à alma.
19:27A consciência, agora desperta,
19:30fez ouvir sua voz.
19:32Ele sentiu que as palavras de Paulo
19:34eram verdadeiras.
19:35A memória o levou ao seu passado cheio de culpas.
19:39Com terrível clareza surgiram perante ele
19:42os segredos de seus primeiros tempos
19:45de homem sanguinário e voluptuoso
19:47e o relatório tenebroso de seus últimos anos,
19:51licencioso, cruel, rapaz e injusto,
19:55embebido do sangue de homicídios privados
19:57e massacres públicos.
19:59Jamais tinha sido a verdade assim levada
20:02ao íntimo de seu coração.
20:03Nunca, Dante, sua alma se encheira de tanto terror.
20:07O pensamento de que todos os segredos
20:10de sua carreira de crimes
20:11estavam abertos aos ódios de Deus
20:14e que ele seria julgado conforme as suas obras
20:17fê-lo tremer de culposo pavor.
20:20Mas, em vez de permitir que suas convicções
20:23o guiassem ao arrependimento,
20:25procurou avidamente livrar-se
20:27dessas reflexões desagradáveis.
20:29A entrevista com Paulo foi abreviada.
20:33Por agora, podes retirar-se, disse ele,
20:36e quando eu tiver vagar, chamar-te-ei.
20:40Quão amplo o contraste entre o procedimento de Félix
20:44e o do carcereiro de Filipos!
20:47Em Filipos, os servos do Senhor foram levados
20:50em cadeias ao carcereiro, como Paulo a Félix.
20:53A evidência que os apóstolos deram
20:56de estar sendo sustidos por um divino poder,
20:58seu regozijo sob o sofrimento e desventura,
21:02seu calmo destemor quando a terra vacilou com o terremoto
21:05e seu espírito de perdão semelhante ao de Cristo,
21:09levaram convicção ao coração do carcereiro.
21:12Ele não agiu como Félix,
21:15banindo suas convicções,
21:17mas com tremor e profunda humildade,
21:20inquiriu sobre o caminho da salvação.
21:22E, tendo apreendido o caminho,
21:24seguiu-o com toda a sua casa.
21:27Félix tremeu, mas não se arrependeu.
21:30O carcereiro, com tremor,
21:32confessou seus pecados e achou perdão.
21:35Félix ordenou ao Espírito de Deus que partisse.
21:39O carcereiro jubiloso abriu-lhe o coração e o lar.
21:43Um escolhe tornar-se filho de Deus e herdeiro do céu.
21:48O outro lança sua sorte com os que praticam a iniquidade.
21:53Durante dois anos,
21:54nenhuma outra atitude foi tomada contra Paulo,
21:57embora permanecesse prisioneiro.
21:59Félix visitou-o várias vezes e ouviu-lhe atentamente as palavras.
22:04Mas o motivo real dessa aparente amizade
22:06era o desejo de ganho
22:08e insinuou Paulo que,
22:10mediante o pagamento de uma grande soma de dinheiro,
22:13ele poderia assegurar sua liberdade.
22:15O apóstolo, entretanto,
22:17era de natureza bastante nobre
22:19para libertar-se por meio de suborno.
22:21Não era culpado de crime algum
22:24e não se aviltaria para fugir à lei.
22:27Ademais, era muito pobre para pagar tal resgate.
22:30Caso a isso estivesse disposto
22:33e não apelaria em seu próprio benefício
22:35para a simpatia e generosidade de seus conversos,
22:39também compreendia que estava nas mãos de Deus
22:42e não interferiria no propósito divino
22:45a respeito de si mesmo.
22:47Por esse tempo,
22:48surgiu uma terrível contenda
22:50entre a população de Cesareia.
22:52Tinha havido frequentes disputas
22:54que se tinham tornado uma forte inimizade
22:57entre judeus e gregos,
22:58concernentes aos seus respectivos direitos
23:01e privilégios na cidade.
23:03Todo o esplendor de Cesareia,
23:05seus templos, seus palácios e seu anfiteatro
23:08eram devidos à ambição do primeiro Herodes.
23:11Até mesmo o porto,
23:13ao qual Cesareia devia toda a sua prosperidade
23:16e a importância,
23:18fora construído por ele
23:19com imensa despesa de dinheiro e trabalho.
23:22Os habitantes judeus eram numerosos e prósperos
23:25e reivindicavam a cidade como sua
23:28porque seu rei tinha feito tanto por ela.
23:31Os gregos, com igual veemência,
23:34defendiam seu direito quanto à precedência.
23:37Ao final de dois anos,
23:39estas dissensões levaram a um feroz combate
23:42na Praça do Mercado,
23:43resultando na derrota dos gregos.
23:46Félix, que estava do lado da facção gentílica,
23:49veio com suas tropas e ordenou aos judeus
23:52que se dispersassem.
23:53A ordem não foi instantaneamente obedecida
23:56pelo partido vitorioso,
23:57e Félix ordenou que seus soldados
24:00caíssem sobre eles.
24:02Contentes com a oportunidade
24:04de saciar seu ódio contra os judeus,
24:06os soldados executaram a ordem
24:09da maneira mais cruel
24:10e muitos foram mortos.
24:12Como se isto não bastasse,
24:15Félix, cuja animosidade para com os judeus
24:17tinha crescido a cada ano,
24:19agora deu aos soldados liberdade
24:22de saquear as casas dos ricos.
24:24Esses audaciosos atos
24:26de injustiça e crueldade
24:28não podiam ficar sem serem notados.
24:31Os judeus fizeram uma queixa formal
24:33contra Félix,
24:35e ele foi chamado a Roma
24:36para responder pelas acusações.
24:39Ele bem sabia que sua carreira
24:41de extorsão e opressão
24:42havia dado aos judeus
24:44motivo suficiente para queixas,
24:46mas ainda esperava aplacá-los.
24:49Portanto, embora tivesse
24:50um sincero respeito por Paulo,
24:53decidiu satisfazer a maldade dos judeus,
24:55deixando-o na prisão.
24:57Mas todos os seus esforços
24:59foram em vão.
25:01Embora escapasse de banimento ou morte,
25:03ele foi removido de seu cargo
25:05e despojado da maior parte
25:07de sua riqueza mal adquirida.
25:10Drusilla, a parceira de sua culpa,
25:12posteriormente pereceu
25:14com seu único filho
25:15na erupção do Vesúvio.
25:17Os próprios dias de Félix
25:19terminaram em desonra e obscuridade.
25:22Fora permitido que um raio de luz do céu
25:25brilhasse sobre esse ímpio homem,
25:27quando Paulo arrasou com ele
25:29a respeito da justiça,
25:31temperança e juízo vindouro.
25:34Esta foi a oportunidade
25:35que o céu lhe enviava
25:37para que visse seus pecados
25:38e os abandonasse.
25:40Mas dissera ao mensageiro de Deus,
25:42Por agora podes retirar-te,
25:44e quando eu tiver vagar,
25:47chamar-te-ei.
25:49Menosprezar a última oferta
25:51de misericórdia.
25:52Nunca mais deveria receber
25:54outro convite de Deus.
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