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Título do livro: Paulo, o Apóstolo da Fé e da Coragem
Autor do livro: Ellen G. White

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Ellen Gould White (1827 — 1915) foi uma escritora cristã norte-americana e uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia. É uma das escritoras mais traduzidas da história da literatura mundial e é considerada profetisa pelos adventistas do sétimo dia. Ela recebeu de Deus orientações preciosas sobre: educação, família, saúde, espiritualidade, profecias e outras. Experimente, ouça e seja muito abençoado!
Transcrição
00:00Paulo, o apóstolo da fé e da coragem.
00:04Capítulo 14 Provações e Vitórias
00:09Cinco vezes recebido os judeus uma quarentena de açoites menos um.
00:15Fui três vezes fustigado com varas, uma vez apedrejado, em naufrágio três vezes,
00:22uma noite e um dia passei na voragem do mar, em jornadas, muitas vezes em perigos de rios,
00:30em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios,
00:36em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar,
00:41em perigos entre falsos irmãos, em trabalhos e fadigas, em vigílias muitas vezes,
00:47em fome e sede, em jejum, muitas vezes em frio e nudez.
00:52Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente,
00:57a preocupação com todas as igrejas.
01:01Segundo a Coríntios, capítulo 11, versos de 24 a 28.
01:05Por mais de três anos, Éfeso foi o centro do trabalho de Paulo.
01:10Uma florescente igreja foi aria estabelecida,
01:13e desta cidade o Evangelho se espalhou através da província da Ásia,
01:18tanto entre judeus como entre gentios.
01:20O apóstolo havia, por algum tempo, planejado outra viagem missionária.
01:26Desejava visitar outra vez as igrejas da Macedônia e a Caia,
01:30e depois passar algum tempo em Corinto, ir a Jerusalém,
01:34e então esperava poder ir a Roma e pregar o Evangelho ali.
01:39Em harmonia com este plano, enviou adiante Timóteo e Erasto para a Macedônia.
01:44Mas sentindo que a causa em Éfeso ainda requeria sua presença,
01:49decidiu permanecer ali até depois do Pentecostes.
01:53Logo, entretanto, ocorreu um acontecimento que apressou sua partida.
01:58O mês de maio era especialmente dedicado à adoração de Diana,
02:03a deusa dos Efésios.
02:05A honra universal conferida a essa divindade e a magnificência do templo e sua adoração
02:12atraíam um grande número de pessoas de todas as partes.
02:16Durante o mês inteiro, as festividades eram conduzidas com a maior pompa e esplendor.
02:22Os deuses eram representados por pessoas escolhidas para esta finalidade,
02:27e estas se tornavam objetos de adoração e eram honradas com sacrifícios e libações.
02:34Concursos musicais, proezas de atletas e os ferozes combates de homens e animais
02:40atraíam multidões de admiradores para os vastos teatros.
02:45Os oficiais escolhidos para dirigir esta grandiosa festividade
02:50eram homens da mais alta distinção nas principais cidades da Ásia.
02:56Eram também pessoas de vasta riqueza,
02:58pois em retribuição à honra de sua posição,
03:01esperava-se que eles custeassem todas as despesas dos festejos.
03:06A cidade inteira era um cenário de brilhante espetáculo e hilariante folia.
03:12Os imponentes procissões moviam-se rumo ao suntuoso templo.
03:17O ar ressoava com sons de regozijo.
03:21O povo se entregava aos festejos,
03:24a embriaguez e a mais vil libertinagem.
03:27Esta ocasião de gala era um tempo probante para os que haviam recentemente aceitado a fé.
03:33O grupo de crentes que se reunia na escola de Tirano
03:37estava em evidente desarmonia com todo o cenário da festa.
03:42Zombarias e insultos eram-lhes livremente atirados.
03:45Os trabalhos de Paulo em Éfeso haviam dado no culto pagão um duro golpe.
03:50Houve uma sensível queda na assistência à festividade nacional e no entusiasmo dos adoradores.
03:57A influência de seus ensinos estendeu-se muito além dos próprios conversos à fé.
04:03Muitos dos que tinham aceitado abertamente as novas doutrinas
04:07tornaram-se estabelecidos o suficiente para perder toda a confiança nos deuses pagãos.
04:13A presença de Paulo na cidade chamava atenção especial para este fato
04:18e maldições graves e em alta voz eram proferidas contra ele.
04:24Existia ainda outra causa de descontentamento.
04:28Por muito tempo tinha sido costume entre as nações pagãs
04:32fazer uso de pequenas imagens ou nichos para representar seus favoritos objetos de culto.
04:38Estátuas portáteis eram modeladas segundo a grande imagem de Diana
04:43e circulavam amplamente nos países ao longo das praias do Mediterrâneo.
04:49Miniaturas do templo que abrigava o ídolo eram também avidamente procuradas.
04:55Esses objetos eram considerados como objetos de culto
04:58e eram levados à frente de procissões e em viagens e expedições militares.
05:03Um comércio extenso e lucrativo tinha se desenvolvido em Éfeso
05:09da manufatura e venda desses relicários e imagens.
05:13Os que estavam empenhados nessa indústria sentiram que seus lucros estavam diminuindo.
05:19Todos se uniram em atribuir a indesejável mudança à obra de Paulo.
05:24Demétrio, fabricante de nichos de prata,
05:27convocou uma reunião de artífices e tentou despertar neles indignação contra Paulo.
05:34Mostrou que o comércio deles estava em perigo
05:36e salientou o grande prejuízo que eles sofreriam
05:39se fosse permitido ao apóstolo desviar o povo de seu antigo culto.
05:45Apelou então para a superstição dominante, dizendo,
05:48Estás vendo e ouvindo que não só em Éfeso, mas em quase toda a Ásia,
05:54este Paulo tem persuadido e desencaminhado muita gente,
05:58afirmando não serem deuses os que são feitos por mãos humanas.
06:02Não somente é o perigo de nossa profissão cair em descrédito,
06:06como também o de o próprio templo da grande deusa Diana ser estimado em nada
06:11e ser mesmo destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo adoram.
06:17Atos capítulo 19, versos 26 e 27
06:21A notícia do discurso de Demétrio circulou rapidamente e atuou como fogo em restolho.
06:29Despertaram-se as paixões do povo.
06:31O alvoroço foi terrível.
06:33Toda a cidade parecia em comoção.
06:36Logo se reunia uma imensa multidão
06:38e um grande número de pessoas correu rumo à oficina de Áquila,
06:43no quarteirão judaico com o objetivo de capturar Paulo.
06:47Em sua fúria insana, eles estavam prontos a rasgá-lo em pedaços.
06:52Mas o apóstolo não deveria ser encontrado.
06:55Seus irmãos, recebendo um aviso do perigo,
06:58tinham-no levado às pressas para fora daquele local.
07:02Anjos de Deus foram enviados para guardar o fiel apóstolo.
07:05Ainda não havia chegado a sua hora de sofrer a morte de mártir.
07:11Não conseguindo encontrar o alvo de sua ira,
07:14a turba agarrou dois de seus companheiros,
07:16Gaio e Aristarco, e com eles correram ao teatro.
07:21O local do esconderijo de Paulo não era muito distante,
07:24e ele logo soube do perigo de seus amados irmãos.
07:28Sua coragem estava à altura da ocasião.
07:31Estava pronto a correr para a frente da batalha por seu mestre.
07:36Esquecendo sua própria segurança,
07:38quis ir imediatamente ao teatro para falar aos amutinados.
07:42Mas seus amigos recusaram permitir-lhe que assim se sacrificasse.
07:48Gaio e Aristarco não eram a presa que o povo buscava.
07:51Nenhum dano sério os ameaçava.
07:53Mas se a face do apóstolo, pálida e desfigurada pelos cuidados, fosse vista,
08:00despertaria desde logo as piores paixões da turba,
08:03e não haveria a menor possibilidade humana de sua vida ser salva.
08:08Paulo estava ansioso por defender a verdade diante da multidão,
08:12mas foi finalmente dissuadido por uma mensagem de advertência vinda do teatro.
08:18Vários dos mais honrados e influentes dentre os magistrados
08:22enviaram-lhe uma ardente solicitação
08:25para que não se aventurasse a uma situação de tão grande perigo.
08:29Essa prova da consideração em que Paulo era tido pelos principais homens da Ásia
08:34não era nenhuma homenagem insignificante à excelente integridade de seu caráter.
08:41O tumulto do teatro crescia continuamente.
08:43Uns, pois, gritavam de uma forma, outros de outra,
08:47porque a Assembleia caíra em confusão.
08:50E, na sua maior parte, nem sabiam por que motivo estavam reunidos.
08:55Pelo fato de Paulo e alguns de seus companheiros
08:59serem de ascendência judaica,
09:01os judeus sentiram que aquele ódio era lançado sobre eles
09:04e que sua própria segurança poderia estar em perigo.
09:08Desejando mostrar que não simpatizavam com os cristãos,
09:12impeliram a um do seu próprio número para expor o assunto diante do povo.
09:17O orador escolhido foi Alexandre,
09:20um artífice que trabalhava em cobre,
09:22a quem Paulo mais tarde se referiu como lhe tendo feito muito mal.
09:27Alexandre era um homem de considerável habilidade
09:30e usou todas as suas energias no sentido de dirigir a ira do povo
09:35exclusivamente contra Paulo e seus companheiros.
09:39Mas a turba não estava nada disposta a fazer qualquer distinção.
09:44Vendo que Alexandre era judeu,
09:46empurrou-o para o lado,
09:48e crescendo o tumulto continuamente,
09:51todos a uma voz gritaram,
09:53Grande é a Diana dos Efésios!
09:56Este clamor continuou por duas horas.
09:59Afinal, de pura exaustão,
10:02cessaram,
10:02e houve momentâneo silêncio.
10:05Então o escrivão da cidade chamou a atenção da turba,
10:09e em função do seu ofício conseguiu que o ouvissem.
10:13Por sua prudência e bom senso,
10:15logo conseguiu acalmar o excitamento.
10:18Enfrentou o povo em seu próprio terreno,
10:21mostrando-lhe que não havia causa para aquele tumulto.
10:24Chamou-os à razão para concluir que os estrangeiros que estavam entre eles
10:29não podiam mudar a opinião do mundo inteiro
10:32com respeito à sua deusa dominante.
10:34Disse ele,
10:36Senhores Efésios,
10:38quem porventura não sabe que a cidade de Éfeso
10:40é a guardiã do templo da Grande Diana
10:43e da imagem que caiu de Júpiter?
10:46Ora, não podendo isso ser contraditado,
10:49convém que vos mantenhais calmos
10:51e nada façais precipitadamente.
10:55Levou-os a considerar o fato de que Paulo e seus companheiros
10:59não tinham profanado o templo de Diana,
11:02nem ultrajado os sentimentos de ninguém
11:04ou insultado a deusa.
11:07Então contornou hábilmente o problema
11:09e reprovou o procedimento de Demétrio.
11:13Portanto, se Demétrio e os artífices que o acompanham
11:17têm alguma queixa contra alguém,
11:19há audiências e procônsules que se acusem uns aos outros.
11:23Mas, se alguma outra coisa pleiteais,
11:26será decidida em assembleia regular.
11:29Ele terminou advertindo-os de que tal alvoroço,
11:33suscitado sem nenhuma causa real,
11:36poderia sujeitar a cidade de Éfeso à censura dos romanos,
11:40causando assim a restrição de sua presente liberdade,
11:44sugerindo que tal cena não se repetisse.
11:47Tendo por esse meio tranquilizado completamente
11:50os elementos em distúrbio,
11:52o escrivão despediu o ajuntamento.
11:54As palavras de Demétrio revelam a verdadeira causa do tumulto de Éfeso
12:00e também a causa da maior parte da perseguição
12:03que seguia os apóstolos em seu trabalho de promulgar a verdade.
12:07Nossa profissão está em perigo.
12:10Para Demétrio e seus companheiros,
12:12a lucrativa profissão de fabricação de imagens
12:15era posta em perigo pelo ensino e propagação do Evangelho.
12:19A renda dos artífices e sacerdotes pagãos corria risco
12:24e, por este motivo, eles levantaram a mais acérrima oposição ao apóstolo
12:30e recusaram receber ou investigar a nova religião
12:33que os teria feito sábios para a salvação.
12:36As atividades de Paulo em Éfeso estavam finalmente concluídas.
12:41Ele sentiu que o excitamento que prevalecia
12:43era desfavorável à pregação do Evangelho.
12:47Seu coração estava cheio de gratidão a Deus
12:50por ter sido a sua vida preservada
12:52e porque o cristianismo não fora desonrado pelo tumulto de Éfeso.
12:57A atitude do escrivão e de outros que exerciam funções honrosas na cidade
13:02tinha apresentado Paulo perante o povo
13:05como inocente de qualquer ato ilegal.
13:08Este foi outro triunfo do cristianismo sobre o erro e a superstição.
13:13Deus havia despertado um grande magistrado
13:16para defender seu apóstolo e fazer calar a turba.
13:20Paulo separou-se de seus filhos na fé com uma afetuosa despedida.
13:25Partiu para a Macedônia, planejando em sua viagem visitar Troade.
13:30Era acompanhado por Tíquico e Trófimo,
13:33ambos efésios que continuaram sendo seus fiéis companheiros e colaboradores
13:38até o final de sua vida.
13:40O ministério de Paulo em Éfeso
13:42tinha sido uma época de incessante labor,
13:45de muitas provações e profunda angústia.
13:48O apóstolo tinha ensinado o povo em público e de casa em casa,
13:53instruindo-o e advertindo-o com muitas lágrimas.
13:57Enfrentar a contínua oposição da parte dos incrédulos judeus,
14:02os quais não perdiam nenhuma oportunidade de acirrar contra ele os sentimentos populares.
14:08Repetidamente foi atacado pela turba e submetido a insultos e ofensas.
14:14Por todos os meios que podiam empregar,
14:16os inimigos da verdade procuravam destruir os efeitos do trabalho do apóstolo
14:21para a salvação dos homens.
14:24E enquanto batalhava contra a oposição e com incansável zelo,
14:28impelia para a frente a obra do Evangelho
14:30e cuidava dos interesses de uma irmandade ainda jovem na fé,
14:35Paulo levava também em sua alma o pesado fardo de todas as igrejas.
14:39Não foi ele liberado nem mesmo do fardo do trabalho físico.
14:44Ali, como em Corinto, trabalhou com as próprias mãos para suprir suas necessidades.
14:50Em cansaço e aflição por causa da incessante labuta e constante perigo,
14:55enfraquecido pela enfermidade e às vezes em desalento,
14:59ele firmemente prosseguia em seu trabalho.
15:01As notícias que ele recebeu sobre apostasia nas igrejas que ele estabelecera
15:07causaram-lhe profunda angústia.
15:10Temeu grandemente que seus esforços em benefício deles tivessem sido em vão.
15:15Muitas noites insones ele passou em oração e fervorosa meditação
15:20quando soube dos novos e variados métodos que estavam sendo empregados
15:24para contrariar sua obra.
15:27Quando tinha oportunidade e as condições o requeriam,
15:31ele escrevia às igrejas, reprovando, aconselhando, admoestando e encorajando.
15:37Em suas epístolas, o apóstolo não se detém em suas próprias lutas,
15:42embora haja vislumbres ocasionais de seus labores e sofrimentos na causa de Cristo.
15:48Açoites e prisões, frio, fome e sede,
15:52perigos por terra e mar, na cidade e no deserto,
15:55da parte de seus conterrâneos, dos gentios e dos falsos irmãos,
16:00tudo isto ele sofreu por amor à verdade.
16:04Foi difamado, injuriado, feito a escória de todos.
16:081 Coríntios 4, verso 13
16:11Angustiado, perseguido, em tudo atribulado,
16:15a toda hora em perigo, sempre entregue à morte por amor de Jesus.
16:19Em meio a constantes tempestades de oposição,
16:23o clamor de inimigos e deserção de amigos,
16:26o intrépido apóstolo às vezes quase perdia o ânimo.
16:31Mas lançava um olhar retrospectivo ao Calvário,
16:35e com novo ardor prosseguia,
16:37disseminando o conhecimento do Crucificado.
16:40Estava palmilhando a trilha sangrenta que Jesus havia trilhado antes dele.
16:45Procurava não abandonar a luta até que pudesse depor a armadura aos pés de seu Redentor.
16:52Vinte séculos se passaram desde que o apóstolo descansou de seus labores.
16:58Todavia, a história de suas laputas e sacrifícios por amor a Cristo
17:02está entre os mais preciosos tesouros da Igreja.
17:06Esta história foi registrada pelo Espírito Santo
17:10para que os seguidores de Cristo em todas as épocas
17:13pudessem ser incentivados a maior zelo e fidelidade na causa do Mestre.
17:18Como esse herói da fé se destaca acima de homens comodistas e amantes de caminhos fáceis,
17:24que muitas vezes hoje entram para o ministério.
17:28Quando submetidos a provações e dificuldades comuns da vida,
17:32muitos acham que sua sorte é difícil e adversa.
17:36Mas o que têm eles feito e sofrido pela causa de Cristo?
17:40Como aparece seu registro quando comparado com um desse grande apóstolo?
17:45Que responsabilidade de alma tem eles sentido pela salvação dos pecadores?
17:51Pouco conhecem de abnegação e sacrifício.
17:54São devedores à graça de Cristo por todos os dons que possuem,
17:59por cada bênção que usufruem.
18:01Tudo o que são e o que possuem é a aquisição do sangue de Cristo.
18:06Ao encontrarem oposição e perseguição,
18:09os servos de Cristo não devem permitir que sua fé enfraqueça
18:13ou que falhe sua coragem.
18:15Tendo Cristo como ajudador,
18:17podem resistir a todos os inimigos e vencer todas as dificuldades.
18:22A mesma obrigação que impeliu o apóstolo
18:25às suas incessantes atividades
18:27repousa sobre os obreiros de hoje.
18:30Somente aqueles que seguem seu exemplo de fidelidade
18:34partilharão com ele a coroa da vida.
18:38A CIDADE NO BRASIL
18:39A CIDADE NO BRASIL
18:39A CIDADE NO BRASIL
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