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  • há 12 minutos

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00:06Está começando o Café com o Investidor, o programa do Nelfeed, que conversa com os principais investidores do Brasil.
00:13Eu sou o Ralf Manzoni Jr. e o meu convidado de hoje é Gustavo Pessoa.
00:18Ele é sócio fundador e rede de renda fixa da Legacy Capital.
00:23Tudo bem, Gustavo?
00:24Tudo bem, Ralf. Prazer estar aqui com você.
00:26Vamos começar pelo começo. Me conta como surgiu a Legacy Capital.
00:31Legal. A Legacy era um grupo que a gente trabalhava junto no Santander, tocava a tesouraria do Santander.
00:38Desde 2007 até 2018. Foram 11, quase 12 anos juntos.
00:45E a gente saiu em 2018 pra fundar a Legacy.
00:49Era o Felipe Guerra, que era o tesoureiro, eu que era a rede de renda fixa,
00:53o Pedro Jobim, que era o economista-chefe.
00:56E se juntou a gente pra fundar a Legacy o José Eduardo Araújo também,
01:01que era o nosso cabeça branca que veio da Gap.
01:07E aí a gente fundou lá em 2018.
01:10A gente está quase completando 8 anos.
01:12Uma empresa que tem fundos multimercados e fundos de crédito.
01:17E hoje a gente está com aproximadamente 17 bi sobre gestão.
01:24E você, desde o começo, sempre cuidando da parte de renda fixa?
01:27Sempre. Desde o estágio.
01:31É uma área que não tem muita emoção ultimamente, né?
01:35Que tem muita emoção.
01:36É, eu estou brincando.
01:38E bastante emoção.
01:39Então, a gente vai falar um pouquinho sobre essas emoções.
01:44E eu já vou na lata perguntar pra você qual que é o impacto desse conflito no Oriente Médio
01:52que está impactando o preço do petróleo nos juros no Brasil.
01:58Não, acho que tem um impacto grande nos juros do mundo todo, né?
02:03O petróleo, no pior momento ali, que foi...
02:06O mercado aqui estava até fechado.
02:09Mas no pior momento ele chegou a subir quase 100%, né?
02:12E no horizonte de um mês.
02:15Assim, mas em uma semana ele subiu 100% do preço que estava negociando ali há um mês.
02:23Então, é um impacto muito grande.
02:25Porque toda a inflação do mundo todo, em geral, o principal driver que começa é o petróleo, né?
02:30Então, se esse choque ele perdura, você tem uma inflação que no primeiro momento
02:36ela é focada em alguns itens, né?
02:39Bens, em própria cadeia de suprimentos e gasolina ou diesel.
02:44Mas que se isso perdura, essa inflação, ela pode se alastrar e ter efeitos secundários
02:51em outras cadeias, inclusive reajustes de salários e outros itens também que são mais persistentes.
03:00Então, é muito importante essa questão da guerra.
03:05A gente tem acompanhado com lupa, assim, dia, noite, madrugada, o tempo todo.
03:09Porque a premissa que a gente tem usado e visto é que essa guerra, ela cabe rápido, né?
03:20Assim, em semanas, questão de semanas.
03:22A gente já está há quase duas semanas no meio dessa guerra.
03:26O esperado ali no começo era algo como quatro semanas.
03:30Mas enquanto esse estreito de Hormuz, né?
03:33Que é onde ela está principalmente localizada, ali é exatamente onde está localizada ali no Irã
03:39e fecha esse estreito.
03:42Então, esse estreito é muito importante porque ele distribui, basicamente, 15% de todo o petróleo do mundo,
03:50que é consumido no mundo.
03:53Então, se você para de produzir 15%, o preço do petróleo, ele falta para todo mundo, né?
04:00E a demanda, ela demora a ser destruída quando o preço sobe.
04:05Então, o preço tem que subir muito para a demanda começar a ser destruída.
04:09E a gente não está falando desse cenário por enquanto, não é isso que parece.
04:14Mas é uma questão que está muito sensível.
04:16Não sei quanto você quer entrar nessa questão.
04:19O que eu queria entender é assim.
04:20Como era a sua previsão de queda da taxa de juros do Brasil antes, da guerra, do conflito e agora
04:28com esse conflito?
04:29Mudou o teu cenário?
04:30Não, legal.
04:30Eu vou explicar um pouquinho como a gente estava vendo antes.
04:37Eu acho que o principal fator de desinflação no mundo hoje é a questão do AI, a inteligência artificial.
04:46E isso não é de inflação de bens, é inflação de serviços mesmo.
04:51A gente vê vários setores nos Estados Unidos, especialmente, já sendo impactados com muitas demissões.
04:59O último número de salário dos Estados Unidos esperado era a contratação de algo como 25 mil e foi menos
05:0790 mil.
05:08Foi demissão de 90 mil entre contratação e demissão.
05:15Então, a gente já vê um mercado de trabalho muito fraco nos Estados Unidos e isso faz com que o
05:21preço da mão de obra caia.
05:22E você também, com a entrada de mais inteligência artificial, sempre tem uma produtividade maior.
05:27Então, você consegue fazer mais com menos mão de obra.
05:30Então, você tem também mais produtos.
05:32E isso é bom para a inflação, que a inflação cai no mundo.
05:35Por outro lado, o consumo pode ser sensibilizado para baixo porque a mão de obra começa a ter um poder
05:42de compra menor.
05:43Então, esse fator, acho que é o primordial, esse é mais importante até do que a guerra no longo prazo,
05:49porque ele vai persistir.
05:51Ele está só começando a questão da inteligência artificial, está só começando.
05:58Então, nesse cenário, a gente via que os Estados Unidos podiam cortar juros, talvez a Europa começasse a cortar também.
06:07A Inglaterra, tinha alguns países que poderiam cortar não tanto juros, porque todos estavam com bom crescimento, o mundo estava
06:14crescendo super bem.
06:16Ainda está.
06:18Mas, hoje, com esse choque de petróleo de curto prazo, acho que os bancos centrais vão ficar muito mais cautelosos.
06:27Então, isso traduzindo para o que está precificado hoje, antes precificava nos Estados Unidos duas quedas de juros esse ano,
06:35hoje precifica praticamente nada.
06:37Na Europa, precifica um pouco de alta, mas está quase flat.
06:42Na Austrália tem alta, no Japão tem alta, mas esses, eu acho que vão entregar mesmo alta de juros.
06:47Tem uma mudança de cenário, então, mesmo que devagar, tímida, tem essa mudança global.
06:52Tem uma mudança, por enquanto, enquanto o petróleo está nesses níveis, há essa mudança em países desenvolvidos.
06:59A perspectiva de corte de juros, ela está estancada, ela está parada por enquanto.
07:04Não se espera corte de juros, por enquanto, nos países desenvolvidos.
07:09Agora, para o Brasil, vindo para o Brasil, a nossa inflação já vem caindo bastante há um bom tempo.
07:18Então, hoje, a gente já projeta muito próximo de 3% para a inflação acumulada no meio do ano.
07:27Que é uma inflação na meta, 3%.
07:29Isso, que já é na meta.
07:31E, quando a gente vê, a gente, hoje, no mercado está precificado algo como 3,20 já.
07:37A gente vai chegar no meio do ano e a inflação acumulada de um ano vai estar em 3,20.
07:42É isso que está precificado no mercado.
07:45Não é só a nossa projeção, a nossa projeção também está aí.
07:48Mas já é 3,20.
07:49E a gente está com a Selic de 15%.
07:52Então, a gente está falando de uma inflação indo para a meta, mesmo com o choque de petróleo,
07:56mesmo com o último IPCA, que veio mais alto por alguns itens.
08:01E a gente está falando de inflação ao redor da meta.
08:05Então, o Banco Central, acho que vai olhar corretamente para esse choque de petróleo tratar como temporário.
08:14Não olhar apenas o que o primeiro futuro do petróleo, ou petróleo spot, está negociando.
08:20Ele vai olhar para horizontes mais longos e ver o que o horizonte mais longo de petróleo está negociando.
08:27Se a gente teve, no pior momento do petróleo, que foi naquela madrugada de domingo para segunda,
08:33o petróleo chegou a piorar 100% do preço de umas...
08:39Chegou quase a 120 dólares o preço do Rio Brent, se eu não me engano.
08:43118,5%.
08:45E nesse momento, se você olhasse o sexto futuro, o futuro de seis meses, ele estava piorando só 20%
08:55e não 100%.
08:56Então, quando a gente olha para a curva de petróleo, que ela já embute um desescalonamento da guerra.
09:04Óbvio que isso tem um risco, porque se a guerra não desescala, tem um risco também de dar as curvas
09:11mais longas a abrir e ser mais persistente.
09:14E aí, depois eu posso falar o que pode fazer isso acontecer, o mecanismo que faz isso acontecer.
09:22Mas, hoje, o que parece é que a parte mais longa da curva de petróleo deveria ser levada em consideração
09:28pelo Banco Central.
09:29E que vai ser levada.
09:31Eles já fizeram isso em outros momentos, logo depois de 2021, 2022, já fizeram isso.
09:38Essa reavaliação, olhando muito mais para a curva futura do que a presente.
09:41E no meio do caminho, o petróleo, ele vai ser provavelmente amenizado, a trajetória dele, pela Petrobras.
09:52Eu acho que ela não vai dar todo esse reajuste que está tendo na ponta.
09:54Então, o Banco Central, se ele levar só esse preço na ponta em consideração, ele talvez não esteja refletindo a
10:04realidade do que vai acontecer.
10:06Então, eu acho que a perspectiva do primeiro corte de juros que a gente tinha de corte de 50 vezes,
10:12a gente acha que ainda é o correto.
10:15E é o que vai ser dado.
10:16Agora em março.
10:17Você acredita que em março começa a queda de juros 50 vezes.
10:20Isso. A gente acha que corta 50 vezes em março.
10:24A gente achava que logo depois viria a aceleração de corte.
10:29Esse cenário ainda não é o mais provável hoje.
10:33É o mais provável que ele continue cortando de 50 em 50 e vá avaliando o desenrolar da guerra.
10:40Se o petróleo voltar para o mesmo nível que estava depois, vamos dizer que o Trump acabe a guerra,
10:45e o petróleo voltou para o mesmo nível, aí se isso acontece, aí a gente consegue acelerar os cortes.
10:53Porque você está falando...
10:55E até os Estados Unidos vão conseguir cortar juros também.
10:58Outros países também.
10:59Então, a gente está...
11:03Para a precificação de hoje, a gente está otimista.
11:06Hoje o mercado precifica 200 bips de corte, 2% de corte apenas.
11:10E está muito próximo ali, está no meio termo, entre 25 e 50 para essa primeira reunião.
11:16Então, a gente está na ponta mais otimista.
11:18Mais otimista de 0,5, 50 é basic.
11:22Mas não tem uma pressão inflacionária no curto ou médio prazo por essa questão do petróleo?
11:27Você falou da inflação na meta, mas a inflação na meta antes do cenário,
11:31do conflito, do dólar subindo, do petróleo subindo e até do dólar subindo.
11:37Então, tem um risco?
11:40Existe o risco, mas essa inflação está precificada hoje, esses 3,20 no meio do ano.
11:47É hoje, já depois do conflito.
11:51Então, acho que permanece esse cenário de inflação muito baixa para esse ano.
11:57A gente tem para o ano 3,5% de inflação.
12:01Então, é uma inflação muito baixa, que não condiz com juros de 15%.
12:05Nem de 13%.
12:07Se cair 2%, que é o que está precificado hoje, não condiz com a inflação de 3,5%.
12:14E outra, o Brasil é um país exportador de petróleo.
12:18Se você olha os termos de troca do Brasil, melhoraram muito com essa alta do petróleo.
12:24O que fez o câmbio voltar.
12:25Todas as moedas, a maior parte das moedas, desvalorizou em relação ao dólar com essa guerra.
12:32O real não.
12:32O real está no mesmo preço de antes da guerra.
12:34Já está.
12:35Mas deveria apreciar.
12:37A gente acha que o real deve, inclusive, apreciar, porque a gente é exportador de petróleo.
12:41A nossa termos de troca melhorou bastante em relação aos nossos piers,
12:45dos outros países emergentes, México, África do Sul, etc.
12:49E em relação a muitos países envolvidos também, que muitas vezes importam petróleo.
12:54Então, o Brasil, os termos de troca melhoraram.
12:57Então, tem um efeito que também ainda não se manifestou bem,
13:02que é o efeito da apreciação do real por conta desse petróleo, que é bom para o real.
13:08E o Banco Central acredita que tem que dar um tempo para ver o que vai sobrar disso.
13:15O que vai sobrar da guerra, o que vai sobrar de alta de gasolina pela Petrobras e diesel,
13:21e o que vai sobrar do petróleo mesmo.
13:29Mas me explica, então vamos entrar no capítulo dólar dessa crise.
13:34Você já até deu uma palhinha aqui falando que você imagina que o real vai se apreciar em relação ao
13:39dólar,
13:39enquanto que toda vez que você tem um conflito, acontece exatamente o inverso.
13:43O dólar fica pressionado e se aprecia em relação a todas as outras moedas.
13:49Foi o que aconteceu no primeiro momento.
13:51Você não acredita, então, nesse cenário?
13:53No primeiro momento, é isso que acontece mesmo.
13:56Primeiro momento. Por quê?
13:57Porque todo mundo vai para o safe haven, vai se proteger.
14:03Então, todo mundo tira as posições de risco que tem ao redor do mundo
14:07e vai para os Estados Unidos, que é o lugar que está mais tranquilo.
14:13Esse é o primeiro momento.
14:14Mas depois, quando você...
14:15Hoje, por exemplo, o petróleo continua alto, entre 85 e 90.
14:22Está com bastante volatilidade ainda.
14:24A guerra não acabou.
14:25Mas o real está no mesmo preço que ele estava antes da guerra.
14:28Então, eu acho que depois que você tem o primeiro sell-off,
14:32primeira zerada de posição significativa,
14:35os fundamentos passam a prevalecer.
14:38E quando eu acho que, quando esses fundamentos passam a prevalecer,
14:41todo mundo olha, olha, o real é uma moeda exportadora de petróleo.
14:46Então, se essa moeda desvalorizar,
14:48a Petrobras vai exportar petróleo, vai internar dólares
14:53e vai fazer a moeda cair, o dólar cair aqui.
14:57Então, eu acho que, no final, o fundamento prevalece.
15:00E eu acho que o fundamento do real é muito robusto.
15:03A não ser, óbvio, que ter uma escalada maior
15:06e pode ter outra rodada de stops, se tiver uma escalada maior.
15:11Aí, eu acho que, temporariamente, o dólar novamente fica forte.
15:15É um repeteco do que a gente acabou de ver.
15:17É isso que eu ia comentar.
15:18Porque, na verdade, esse cenário que você está traçando aqui para a gente,
15:22é um cenário de uma guerra curta, ou seja, que não demore muito tempo.
15:27Nesse cenário, pelo que eu entendi,
15:30você acredita que o Banco Central vai fazer as quedas de juros que estavam previstas,
15:34que o dólar vai ficar em um patamar estável,
15:38talvez até caindo, que a inflação está controlada.
15:41E no pior cenário, o cenário de guerra longa,
15:44aí isso vai ter um estresse geral.
15:47Então, eu acho que agora o cenário que vai ser levado em consideração,
15:50que está sendo levado em consideração pelo mercado, por a gente,
15:54e acho que o Banco Central vai levar, é esse.
15:57Porque vai levar em conta os futuros mais cadentes,
16:01o futuro de petróleo cadente.
16:02Então, você tem um impacto ainda controlado.
16:05O risco é de que isso não aconteça,
16:10que a guerra perdure mais tempo
16:12e que existe esse risco,
16:16que perdure mais tempo.
16:17Porque o que acontece?
16:19Hoje, os primeiros futuros estão muito altos,
16:23só que existe uma quantidade gigante de petróleo
16:27que foi tirada,
16:28que não está conseguindo escoar.
16:30Só que a produção de petróleo
16:32não tem mais onde colocar petróleo lá no estreito.
16:35Então, todos os reservatórios estão cheios,
16:37eles pararam de produzir.
16:38Então, essa queda de produção de petróleo,
16:41ela vai diminuindo os reservatórios de petróleo
16:44ao resto do mundo.
16:46No resto do mundo,
16:46porque todo mundo começa a consumir.
16:48Os Estados Unidos consomem seus reservatórios,
16:50a China, o Japão, a Europa, o Brasil.
16:54O Brasil produz, então é mais tranquilo.
16:56Mas os reservatórios ao redor do mundo vão diminuindo.
16:59Então, se você passa muito tempo com esse déficit de produção,
17:04você está dizendo que durante um bom tempo
17:06o petróleo vai ficar com mais demanda do que oferta.
17:09Porque todo mundo vai ter a necessidade de recompor
17:12seus reservatórios que foram retirados agora
17:17por longo prazo.
17:18Então, o futuro, ele pode,
17:20inclusive os seis meses, um ano,
17:22ele pode piorar também.
17:25Mas, isso é caso a guerra perdure mais
17:28e a produção continue parada por mais tempo.
17:33Hoje, os Estados Unidos estão lutando como,
17:36nessa situação, né?
17:37Ou Europa, ou Japão.
17:39Eles estão liberando as reservas que eles têm.
17:41Os Estados Unidos têm a SPR,
17:44quase 400 milhões de barris,
17:46Europa tem 1,2 bi de barril,
17:50o Japão tem 480 milhões de barris.
17:54O que está se desenhando?
17:56O Japão, hoje, já anunciou que vai liberar 80 milhões de barris.
18:01Agora, para amenizar a situação.
18:04Estados Unidos e Europa devem ser algo
18:06na ordem de 300, 400 milhões de barris,
18:08que também vão liberar.
18:09É a sinalização deles.
18:10Então, esses barris que estão entrando
18:13são para amenizar a demanda temporária
18:17extraordinária que está havendo agora, né?
18:20Enquanto a guerra se resolve.
18:22E o Trump tem dado sinalizações
18:24de que ele quer terminar a guerra.
18:27Ele deu algumas sinalizações disso.
18:30A primeira foi de domingo para a segunda,
18:32dizendo que a maior parte do que ele queria fazer
18:36já teria sido feito,
18:37que eles estavam muito à frente do calendário
18:39de quatro semanas que eles esperavam.
18:42Então, já tinham destruído, né?
18:46Durante parte da frota militar,
18:49da parte nuclear,
18:51das plantas nucleares que o Irã tinha.
18:56Agora, da frota naval.
18:58Hoje, ontem, hoje,
19:00destruíram bastante da frota naval.
19:02Estão tirando as minas navais
19:03que tem lá no estreito.
19:05E estão liberando o estreito, né?
19:08O sinal agora é de que a prioridade
19:12não é mais atacar o Irã de liberar o estreito, né?
19:15Ou atacar o Irã para liberar o estreito.
19:18Então, essa é a sinalização que tem sido dada pelo Trump
19:20e até pelo Israel também,
19:22que tem dado um passo atrás.
19:24A gente conversa muito com especialistas de guerra, etc.
19:30E parece que há um reconhecimento
19:33de que teve um medo primeiro ali,
19:36que foi o que causou o pânico no domingo,
19:38porque Israel atacou até refinarias do Irã
19:43e reservatórios de petróleo do Irã.
19:49Então, pessoas que iam começar a destruir
19:52estoque de petróleo.
19:54E, no final, Israel fez isso
19:57porque o Irã tinha atacado os reservatórios deles.
20:00Então, e no final,
20:03Israel está meio que dizendo
20:04como se fosse um mal entendido.
20:06Tá certo.
20:07Gustavo, a gente tem, no cenário brasileiro,
20:10um outro fator que pode fazer preço no mercado,
20:13que é a eleição.
20:14Eleição presidencial,
20:16e parece que está bem claro o cenário hoje,
20:19de uma eleição extremamente polarizada.
20:22Qual que é o impacto disso no mercado?
20:25Eu acho que, assim,
20:28quando o Flávio se lançou candidato,
20:30acho que a grande maioria das pessoas
20:32achou que a eleição já estava definida
20:35para o Lula.
20:36A realidade que está se provando
20:38é que não é bem assim.
20:40O que está aparecendo,
20:41o que a gente está vendo,
20:43é que há uma insatisfação muito grande
20:45com o governo e crescente
20:47por conta de corrupção
20:48e por conta de segurança pública.
20:51São os temas que têm sido até muito mais relevantes
20:54do que a economia,
20:58que está bem.
21:00Então, esse desgaste do governo
21:03e o Lula sendo visto como um líder
21:06que não representa esses anseios da população,
21:09tem feito a população se jogar
21:11para qualquer candidato que seja viável.
21:16e a gente esperava que, no começo do ano,
21:20com a mudança do imposto de renda,
21:24que o Lula fosse aumentar a popularidade,
21:27porque era uma ajuda no bolso das pessoas.
21:31Mas, quando a gente olha a faixa de renda
21:35que se beneficiou,
21:36mesmo nessa faixa,
21:38a popularidade do Lula caiu,
21:40a aprovação do governo reduziu, caiu.
21:42E quando a gente vê o nível de popularidade
21:45de aprovação do governo hoje do Lula,
21:48na ordem de 42%,
21:50se pegar uma média das pesquisas,
21:53e hoje saiu, inclusive,
21:55uma pesquisa mostrando que o Lula
21:57está numeralmente empatado com,
22:00não é nem na margem de erro,
22:01está numeralmente empatado com o Flávio,
22:04e a gente vê que a tendência do Flávio
22:07é muito boa,
22:08mas a rejeição do Lula está crescendo muito
22:11e a rejeição ao governo também,
22:15o nome dele.
22:17Então, quando a gente vê hoje,
22:20se a gente projetar o que está acontecendo,
22:22o Lula vai chegar na eleição
22:23pior do que a Dilma chegou em 2014,
22:26e ela ganhou por 1% de diferença do Aécio.
22:30Então, a gente vê um governo muito frágil,
22:33com muitos flancos,
22:36em temas muito importantes para a sociedade,
22:38e um líder que tem um cansaço eleitoral
22:45que parece que vai chegar muito frágil na eleição.
22:48Hoje, para a gente,
22:49o Flávio Bolsonaro é favorito na eleição.
22:52Vocês colocam o Flávio Bolsonaro como favorito.
22:55Como favorito.
22:56Mesmo numa eleição que,
22:57provavelmente, independentemente de quem ganhar,
22:59imagina que vai ser por uma margem muito apertada.
23:02Exato.
23:03Eu acho que vai ser com certeza
23:05por uma margem muito apertada.
23:07Para a gente, ele é levemente favorito,
23:10mas a gente está vendo um filme.
23:12A gente acha que parece que tem fatores na sociedade,
23:17nas instituições também,
23:19que estão fazendo esse favoritismo dele subir.
23:23E a gente não vê esses fatores mudando.
23:25Muito.
23:26Porque a gente vê que agora os escândalos têm vindo à luz.
23:34Antes, tinham muitos casos de corrupção,
23:37mas que não vinham à luz,
23:38ou que eram amainados.
23:40E agora está tudo muito borbulhando.
23:44E acho que são de difíceis soluções esses escândalos.
23:50E provavelmente eles vão ficar desgastando o governo por mais tempo.
23:55Então, a gente acha que isso vai minando a popularidade do Lula,
23:59do governo.
24:01E, assim,
24:04eu acho que quanto mais casos...
24:06Você vê, os escândalos de corrupção estão tão grandes
24:08que até a parte de segurança pública ninguém está falando mais.
24:13Mas que era que estava se falando bastante.
24:16Então, para a gente, são os dois principais temas
24:19que vão ser jogados a público nessa eleição.
24:23E eu acho que vão ter flancos bem grandes do governo.
24:27Mas, de qualquer forma, o incubente tem bastante poder.
24:33Só que esse poder não está sendo suficiente
24:36para ele contrabalancear o desafiante.
24:40E quando a gente vê esse encontro da queda do incubente
24:46sendo ultrapassado pelo desafiante,
24:49raramente ele consegue reverter.
24:52Diante desse cenário, Gustavo,
24:55um cenário de conflito no Oriente Médio,
24:57um cenário de eleição,
24:59como que você está montando a sua carteira,
25:01seu portfólio?
25:02Então, a gente acha que, assim,
25:05no médio prazo,
25:07o conflito vai se resolver
25:09no Oriente Médio.
25:12E o Brasil, a gente pega até uma gama de países
25:15que se beneficiam com o petróleo
25:18ou que têm commodities suficientes para o AI
25:22ou de países que se beneficiam com o ambiente atual.
25:26O Brasil vai muito bem.
25:29Então, acho que o Brasil está bem posicionado
25:31e mais resiliente,
25:33até por um conflito pior.
25:39Só que na parte de curto prazo
25:41pode ser que incomode mais esse conflito.
25:45Então, a gente gosta mais hoje
25:47na parte de juros do Brasil.
25:50A gente gosta de ficar aplicado nos juros no Brasil.
25:53A gente acha que
25:54para o horizonte relevante de política monetária,
25:57até lá, vai estar resolvido o conflito.
25:59E aí a gente vai sobrar
26:01com a desinflação do AI,
26:03vai sobrar com mais oferta de petróleo
26:05dessas reservas desses países desenvolvidos
26:07e vai sobrar com a inflação,
26:09com a eleição favorável em termos fiscais.
26:13Quem vai ganhar,
26:14se é de fato o Lula ou o Flávio Bolsonaro,
26:17é muito difícil cravar.
26:19A gente acha que o Flávio é favorito,
26:21levemente favorito,
26:22mas acho que o mercado hoje
26:24não teve tempo
26:26e não chegou a apreciar
26:28essa possibilidade de o Flávio ser o favorito.
26:31Acho que o Lula, a mercado,
26:32ainda é favorito,
26:33mas na nossa opinião
26:34é o Flávio é favorito.
26:36Isso muda bastante
26:37para nível de preço de juros,
26:39para perspectiva fiscal,
26:41controle de gastos
26:42e mudança,
26:48acho que no Goodwill,
26:52acho que até dos gringos com o Brasil.
26:55Então a gente tem ficado otimista com o Brasil,
26:58a gente tem preferido os juros
27:00e a moeda também,
27:01o real também.
27:04E bolsa a gente não tem
27:06porque a gente acha que tem muito mais
27:07para ganhar nos juros
27:08do que na bolsa.
27:09É uma questão mais de precificação.
27:13A gente teve um bull market
27:15no começo do ano,
27:16muito puxado pela entrada
27:17de capital estrangeiro aqui no Brasil.
27:19Exato.
27:19Perderam esse bull market.
27:21Não estávamos.
27:22Vocês não estavam nele?
27:23Não.
27:24É, não estávamos.
27:25Esse bull market,
27:26acho que foi uma questão
27:29de diversificação
27:30do investidor estrangeiro
27:32que procurou outras alternativas
27:34de equities
27:35fora dos Estados Unidos.
27:36E o Brasil,
27:38mesmo com commodities lá,
27:39que já estavam bem as commodities
27:41antes da guerra,
27:42mas agora estão muito mais altas.
27:45E o gringo enxergou
27:47que essa seria uma boa diversificação.
27:49E de fato,
27:50ele acertou,
27:52andou o preço.
27:54E tem surgido esse interesse
27:57muito grande mesmo
27:58pela bolsa dos gringos.
28:00Acho que eles já pegaram
28:02uma pernada muito grande
28:03na parte de tecnologia.
28:04e agora eu acho
28:06que eles estão procurando
28:07outros temas
28:07que possam ser
28:09mais resilientes,
28:11mais tangíveis.
28:12Quando você olha
28:12a diferenciação de ativos
28:15recentemente,
28:16de ativos tangíveis,
28:17ações de ativos tangíveis
28:19e de intangíveis,
28:21a parte de ativos tangíveis
28:23tem andado muito melhor.
28:26Gustavo,
28:26a gente tem uma sessão aqui,
28:28comprado ou vendido.
28:29Eu quero saber
28:29se você está pessimista
28:30ou otimista
28:31em relação a algumas coisas
28:33aqui que eu vou falar para você.
28:34Tá bom.
28:35Você deu algumas pistas,
28:36mas vamos lá.
28:37Tá bom.
28:37O primeiro deles é o seguinte,
28:39você está comprado
28:40ou vendido na bolsa brasileira?
28:41Na bolsa estamos zerados,
28:44mas...
28:44Você não está vendido?
28:45Não, vendido não.
28:47Talvez,
28:48com a arma na cabeça,
28:50eu compraria.
28:53Inflação brasileira,
28:54você está comprado
28:55ou vendido?
28:55Inflação, vendido.
28:57Vendido.
28:59Acho que daqui para frente
29:01a inflação vai cair,
29:02com certeza.
29:03Então, você está comprado,
29:04você está otimista
29:05com a inflação.
29:06É que, na verdade,
29:07vendido na inflação.
29:08Então, a gente acha
29:09que a inflação vai cair.
29:10A inflação está precificada
29:11hoje na curva.
29:12Entendi.
29:13Em termos de mais de 5%
29:14é o que está precificado,
29:16assim,
29:16para horizontes mais longos.
29:18Então, a gente acha
29:19que esse horizonte
29:21vai cair.
29:23E NTNBs?
29:25É comprado.
29:27levemente comprado.
29:28Hoje, a gente prefere
29:30o pré,
29:31mais as taxas nominais.
29:33É o que a gente prefere.
29:34Mas a gente gosta também
29:35das NTNBs.
29:37É um bom ativo.
29:37E é um investimento seguro
29:39hoje para investidor
29:40pessoa física,
29:41eu imagino.
29:42É.
29:43A gente tem,
29:43tem, inclusive,
29:45fundos que refletem
29:47a NTNB
29:48em crédito privado.
29:49Então, acho que é um bom ativo
29:50para a pessoa física também.
29:53E, por fim,
29:54você está comprado
29:55ou vendido em dólar?
29:57Vendido.
29:58Dólar real, né?
29:58Em dólar real, vendido.
30:00Versus outras moedas, né?
30:02Mas o real,
30:03nesse ambiente
30:04que a gente tem falado,
30:05é uma das melhores moedas
30:06do mundo.
30:07Olha só.
30:08É, melhor carrego,
30:09tem commodities,
30:12e commodities
30:13é a bola da vez
30:14e o carrego
30:15é uma enormidade, né?
30:17A gente vai rodar
30:19até o meio do ano
30:20com juros reais
30:20de 11,5%.
30:22Isso não existe.
30:23Isso não existe no mundo, né?
30:24Então, por isso que a moeda
30:26tem muito em flow também.
30:27É uma parte,
30:28é aquela,
30:30típico, né?
30:30De quando o carrego está alto,
30:31que é em renda fixa,
30:33só que até a parte de bolsa
30:34também tem sido bem interessante
30:36aí para os gringos.
30:39E, Gustavo,
30:40a gente está chegando ao final.
30:41No final,
30:41eu faço um bate-bola,
30:43perguntas e respostas rápidas.
30:45Vamos lá?
30:46Vamos.
30:46Então, me diz aí
30:47um investimento
30:48que você se arrepende.
30:50Eu me arrependo?
30:52É...
30:53Acho que
30:55aplicar juros
30:56no começo de 2023,
30:59quando
31:02parecia que
31:02tinha um bom espaço
31:04para cortar juros,
31:04estava lá
31:0513,75,
31:07só que
31:08veio um
31:11impulso fiscal
31:12tão grande
31:13que tirou
31:14todo esse espaço
31:15que poderia
31:15de cortar juros, né?
31:16O governo gastou tanto
31:19que fez
31:20o Banco Central
31:22ter que voltar
31:22a subir juros.
31:23Vamos ver em 15 hoje,
31:25não caiu ainda.
31:25Isso.
31:26Então, acho que
31:27esse eu me arrependo
31:29ali de ter
31:30aplicado juros
31:31ali no começo
31:32de 2023.
31:33E o contrário,
31:34o investimento
31:35que você se orgulha?
31:37O investimento
31:38que eu me orgulho,
31:39eu acho que
31:41tem vários,
31:42assim,
31:42tem até
31:43em 2022
31:44eu tinha feito
31:45um baita ano
31:46que a gente
31:46pegou tomado,
31:48mas eu acho
31:49que
31:50o melhor investimento
31:52que eu acho
31:52que eu e a maioria
31:53dos sócios
31:53da Legacy
31:54fizemos
31:54foi no meio
31:56do Covid,
31:56que a gente
31:57estava no pior
31:58momento do Covid,
31:59a gente
32:02já tinha
32:03100% do patrimônio
32:04na Legacy,
32:05nos fundos da Legacy,
32:06e lá a gente
32:07tomou, inclusive,
32:08mais empréstimo
32:09e colocou mais.
32:11E tomou
32:11empréstimo
32:12baseado nas cotas
32:13da Legacy,
32:14no patrimônio
32:15que a gente tinha
32:15e alavancou
32:16e de lá
32:18foi um rendimento
32:20extraordinário.
32:21Então,
32:21acho que
32:22a gente apostar
32:24no nosso próprio negócio,
32:25acho que
32:26a gente ganhou
32:28muito mais,
32:29não só rentabilidade,
32:30mas confiança
32:31também no negócio.
32:33Um livro
32:34de cabeceira?
32:35Um livro
32:36de cabeceira?
32:37Eu acho que
32:38de tema atual,
32:40assim,
32:41eu acho que
32:41tem o The Price,
32:42que é
32:43uma bíblia
32:44de petróleo,
32:47que é
32:47sobre a conquista
32:48de petróleo,
32:49poder,
32:50dinheiro,
32:51e mostrando
32:52um pouco
32:52da geopolítica
32:53de petróleo,
32:54que a gente
32:55não,
32:56em geral,
32:56a gente
32:56não se debruça
32:58tanto,
32:59mas,
32:59vez por outra
33:00são...
33:01Estreitos de Hormuz
33:02agora,
33:03estão se discutindo
33:04como seleção brasileira.
33:07Exatamente.
33:08Então,
33:09é bom,
33:09às vezes,
33:09você saber
33:10o contexto
33:10que existe,
33:11a importância
33:12de cada lugar,
33:13que você fala,
33:13ah,
33:13o Irã,
33:14por que ele é importante?
33:16Ele tem uma costa gigante,
33:17a maior costa
33:18que tem no Estreito de Hormuz.
33:20Então,
33:20é difícil,
33:21então,
33:21ele joga com isso,
33:22ele tem esse poder
33:23geográfico também,
33:24e sempre jogou,
33:26então,
33:26não é uma coisa de agora.
33:27então,
33:29eu acho que
33:30é um livro
33:32bem denso
33:33e com bastante história,
33:35que mostra bastante
33:36essa importância
33:37geopolítica
33:38do petróleo também.
33:40E o hobby?
33:41O hobby,
33:42o hobby,
33:43eu gosto muito
33:44de ficar com a minha família,
33:46meus filhos,
33:46né,
33:47e minha mulher,
33:48mas eu gosto muito
33:50de fazer esporte também,
33:51para mim,
33:51a minha meditação
33:52é fazer esporte,
33:53e no esporte,
33:55hoje,
33:56eu vou mudando,
33:56né,
33:56Mas qual que é o,
33:58então,
33:58eu ia falar qual era o preferido,
33:59mas qual que é o atual,
34:00então?
34:01eu faço três,
34:02tênis,
34:03surf e ski,
34:05é,
34:05treino,
34:06surf e ski,
34:06o surf é o mais novo,
34:07sou surfista de piscina.
34:11E,
34:11Gustavo,
34:12todo mundo tem uma frase,
34:14um mantra que leva para a vida,
34:16qual que é a sua frase?
34:17Então,
34:18a frase para a vida é difícil,
34:20porque vai mudando,
34:21mas,
34:22eu tenho um que eu gosto muito do tênis,
34:25que é aquela que tem lá em Roland Garros,
34:27né,
34:27que é,
34:28é,
34:29the victory belongs to the most tenacious,
34:32né,
34:33é uma frase de resiliência poderosa,
34:35que eu acho bem bacana,
34:37assim.
34:38Legal,
34:38então,
34:39Gustavo,
34:39muito obrigado,
34:40por participar aqui do Café com o Investidor.
34:43Eu que agradeço,
34:44até o próximo,
34:45obrigado.
34:46Este foi o Café com o Investidor,
34:48eu conversei com o Gustavo Pessoa,
34:51ele é sócio fundador,
34:52e Head de Reina Fixa,
34:54da Legacy Capital.
34:56Você pode assistir esses programas,
34:58nas páginas do Nelfeed,
34:59neofeed.com.br,
35:01ou na nossa página no YouTube.
35:03Agora,
35:04se você prefere ouvir,
35:05escolhe aí o seu tocador preferido de podcasts,
35:08e até o próximo episódio.
35:14Transcrição e Legendas Pedro Negri
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