00:00Eu sou Luciano França, gestor da Paramis Avantgarde na área de fundos de investimentos.
00:09O mercado de data centers tem se expandido muito mundo afora.
00:13O crescimento da IA tem criado uma demanda muito grande por novos data centers
00:18e naturalmente por uma demanda em termos de energia, geração, infraestrutura
00:24e obviamente também da parte de tecnologia de chips.
00:27No mercado brasileiro, por exemplo, a gente tem um excesso de energia elétrica muito grande,
00:35principalmente na região nordeste, que tem dificuldade de transmitir essa energia para a região sudeste
00:39com curtem na ordem de 20% da geração renovável que acontece na região.
00:45Em função disso, esse lugar tem sido muito demandado por projetos de data centers,
00:50principalmente no que se diz respeito à gestão de espaços de treinamento de inteligências artificiais.
00:59Obviamente isso depende de um contexto regulatório para ser aprovado,
01:03para que de fato podemos ter algumas companhias fazendo e encabeçando esse projeto,
01:08principalmente as geradoras, sem que isso precise ser ligado nas redes de transmissão,
01:13que é a grande carência que a gente tem entre as regiões sudeste e nordeste.
01:17Na região sudeste, por exemplo, a gente tem uma infraestrutura de transmissão muito grande,
01:21uma demanda de energia também muito grande, principalmente para data centers,
01:25que são mais próximos das regiões de consumo de dados,
01:28que é um outro tipo de dado que não para energia artificial,
01:32que é os grandes centros urbanos, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro.
01:36Nesse sentido, as empresas no Brasil que hoje estão muito inseridas nesse contexto de data center,
01:43não é uma AMD, não é uma Intel, não é uma NVIDIA.
01:47No Brasil, o contexto de data center está muito mais voltado à infraestrutura
01:52do que efetivamente as companhias de tecnologia voltadas a data center.
01:58Diferente do mercado norte-americano, o mercado brasileiro tem empresas voltadas para o setor de data centers
02:04de classes diferentes.
02:06O mercado norte-americano é muito mais voltado a empresas de tecnologia,
02:08que produzem chips e semicondutores para desenvolvimento de data centers.
02:13Já no Brasil, a gente tem uma infraestrutura preparada de geração renovável,
02:18com falhas de transmissão, mas que obviamente não são impeditivos para que esses data centers se desenvolvam,
02:23principalmente nas regiões mais carentes em termos de transmissão
02:26e onde há excesso de energia, como por exemplo na região nordeste,
02:30que tem em P100, por exemplo, os grandes cravos de transmissão de fibra ótica
02:34ligando o Brasil a outros continentes.
02:35Nesse sentido, as empresas de geração e as empresas de telecomunicações
02:42e de insumos voltados a data centers, principalmente na questão de baterias
02:47e de transformadores elétricos, são os grandes players que vão se destacar no Brasil nos próximos anos.
02:57Nesse contexto que nós temos hoje no cenário brasileiro de tecnologia,
03:01principalmente voltada a data centers, o grande destaque é a WEG,
03:04que é uma empresa que tem um grande centro de produção de transformadores,
03:09mas não só isso.
03:10Hoje a gente vive uma discussão no Brasil sobre o Redata,
03:14que provavelmente vai exigir que os novos data centers tenham energia provida por recursos renováveis.
03:21Obviamente os recursos renováveis não são recursos que estão disponíveis 24 horas por dia,
03:257 dias por semana.
03:26Eles são recursos que têm a sua temporalidade,
03:30provavelmente em função da energia solar, da energia eólica, que são energias intermitentes.
03:34Nesse sentido, a grande discussão e onde a WEG se destaca bastante
03:37é na possibilidade de oferecer baterias para esses data centers,
03:41que é uma tecnologia que a WEG detém e que isso gera um capex muito grande para os novos data
03:45centers.
03:46Então a WEG é um grande destaque, tendo a oportunidade de ser negociada hoje
03:50a praticamente 40% de desconto na relação valor corporativo sobre a geração de caixa
03:55em relação à média histórica de WEG.
04:01Uma outra companhia de destaque é a Axia, uma das maiores geradoras do Hemisfério Sul.
04:06A Axia possui uma frente de geração muito grande e o mercado de energia tem sofrido pressões,
04:12principalmente pelas questões de distâncias geográficas e dos curtenments que a gente tem visto
04:18no sistema de energia no Brasil.
04:20Nesse sentido, os preços de spots têm subido muito e a Axia tem pouca energia contratada futura,
04:26ou seja, tem bastante disponibilidade de energia à disposição em spots.
04:30Isso, obviamente, vai refletir no aumento do fluxo de caixa da companhia,
04:34principalmente com o surgimento de novas demandas em função dos novos data centers,
04:37que têm tido uma previsão praticamente de 4% a 5% da energia contratada para os próximos anos,
04:42fazendo com que a Axia tenha destaque nesse sentido.
04:47Ela é uma empresa que já tem um dividendo projetado de 11% ao ano, para este ano,
04:51e deve ter, em relação ao preço atual, um aumento de expectativas em relação ao fluxo de caixa para os
04:58acionistas.
05:02Outra empresa que se beneficia muito desse crescimento de data centers é a Isenergia,
05:07uma empresa de transmissão do estado de São Paulo,
05:09que, apesar de estar em um lugar que já tem bastante energia de geração,
05:14a gente vê um aumento incrível na demanda por energia nova, principalmente para data centers.
05:19Dos 38 pedidos que têm protocolados da ONS, 20 são para o estado de São Paulo,
05:24e isso é um incremento da ordem de 4 gigawatts de energia,
05:30ou seja, essa energia tem que ser transmitida de um lugar para outro
05:32e a Issa se destaca por estar no lugar onde a maior demanda por energia elétrica para data centers vai
05:38acontecer.
05:42A Engie é o grande caso consolidado no Brasil de tracking record já feito.
05:48O primeiro PPA, a contratação de energia de longo prazo da Engie,
05:52por um data center, aconteceu em 2021, e foi o primeiro case da América Latina.
05:56É o grande caso de referência técnica, ou seja, a Engie está preparada para,
06:01no crescimento, na demanda de crescimento de energia para esses data centers,
06:05já entender como é que é feito todo o processo e projeto de aprovação.
06:09Ou seja, eles têm um posicionamento estratégico diferente dos seus concorrentes,
06:13sendo uma ação que merece bastante atenção nesse crescimento de demanda por data centers,
06:18não só de banco de dados, como também os de IA,
06:22onde precisam de fornecimento de energia de 24 horas por dia, 7 dias por semana,
06:26onde a Engie também é destaca nesse projeto de referência.
06:32Uma ação contrária a esse movimento é a ação da Sabesp.
06:36Um dos grandes gargalos dos data centers é o processo de resfriamento
06:40de todos os equipamentos que fazem parte daquele ecossistema.
06:43E, obviamente, para isso existe uma demanda grande por água.
06:46No que tem sido discutido no âmbito do Redata,
06:50o uso de fontes deficientes de energia, não só de energia, como também de água,
06:56são pontos de destaque do projeto.
06:58E a Sabesp tem feito um projeto de investimento muito grande
07:01na questão da água de reuso.
07:03Tem um projeto que a Sabesp está capitaneando na região de Barberi,
07:07com um contrato já estabelecido de mais de 11 mil metros cúbicos de água por segundo
07:12para resfriar esses data centers, usando água de reuso.
07:15E, principalmente, em um estado que passa constantemente por crises hídricas.
07:19Então, esse posicionamento novo da Sabesp ajuda a se destacar
07:22nesse crescimento de demandas por data centers,
07:25onde a gente já havia comentado 38 projetos aprovados no ANS,
07:3020 são do estado de São Paulo,
07:32dando bastante ênfase a esses projetos específicos
07:35de utilização de água para a Sabesp para o resfriamento dos data centers.
07:48Legenda Adriana Zanotto
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