00:00Agora, enquanto é partida, enquanto tem gente que tem ali, tá ali andando de bike, se exercitando, tem muita gente
00:06que não larga isso aqui, ó, celular.
00:09Quem nunca percebeu, né, que tava passando tempo demais aqui na tela, né, não adianta, acontece, às vezes a gente
00:16passa um pouco ali do limite.
00:18O uso excessivo do celular faz parte da rotina, não deveria, mas acaba fazendo, né, da rotina de muita gente.
00:26Mas quando esse uso ocupa o lugar das conversas, né, da interação, dos encontros, tá na hora da gente ficar
00:34atento.
00:35E esse é um tema que merece atenção especial das famílias que convivem com pessoas idosas.
00:42A gente sabe que muitas vezes a tecnologia ajuda a diminuir a solidão, aproxima quem tá longe, o filho, o
00:49neto, o sobrinho que mora em outra cidade, é bom demais.
00:52Aí faz aquela videochamada, manda um oi ali pelo zap.
00:56Mas esse uso sem equilíbrio pode trazer prejuízos pra saúde mental, aumentar a ansiedade, até gerar dependência e até um
01:06isolamento, viu, gente, desse idoso.
01:08Deixa eu sentar aqui pra tomar um café bom demais com a doutora Dani Barbieri, médica geriatra.
01:15Bem-vinda, doutora Dani, bom dia.
01:17Bom dia, Bruna, tudo bem?
01:18Tudo jóia, obrigada pela participação e nós estamos aqui também com a dona Isabel Simplício, aposentada.
01:25Bom dia pra você.
01:26Bom dia, Bruna.
01:27Bem-vinda.
01:28Obrigada, muito bom estar aqui.
01:31Bom demais te receber, dona Isabel, que tem uma história aí com o uso do celular e da internet, né,
01:38dona Isabel.
01:38Conta pra gente como é que era a sua relação com o celular, há um tempo atrás.
01:44Eu era assim, bem, ficava muito no celular.
01:49Aí ficava no jogo, ficava ali resolvendo também a situação, porque o uso do celular às vezes nos traz benefícios,
01:58né?
01:58Com certeza.
01:59Mas às vezes também traz coisas que não devia.
02:03E hoje, graças a Deus, eu resolvi mudar a minha vida.
02:09E eu ficava muito no celular, naqueles joguinhos, não é um jogo de aposta, mas aqueles joguinhos que tomam tempo.
02:16Às vezes pegava pra jogar aquele jogo de bolinha.
02:20Sim.
02:20Aí ficava ali jogando aquele jogo de bolinha.
02:23Um Candy Crush também.
02:24Isso, aí eu esqueci até de me alimentar.
02:29É mesmo.
02:30É, porque quando você começa, igual a doutora falou, a gente deixa o celular ali, mas já deixa ali naquilo
02:36que a gente já tá ali ligado.
02:40Aí você vai lá rapidinho, come alguma coisa, já vem mastigando, mas o celular tava na mão.
02:45Volta pro celular.
02:47Eu falei, algo vai dar errado.
02:50Você percebeu, né?
02:51Isso, percebi.
02:52Eu falei, eu preciso de mudar.
02:54E aí foi quando eu resolvi a mudar e encontrei o centro de convivência dos idosos lá de Cocal, que
03:03eu moro lá próximo.
03:05E comecei também a participar.
03:07Comecei a me investir ali.
03:08E descobrir que é muito mais importante eu estar convivendo com pessoas, contando uma boa prosa, batendo um papo legal,
03:19sabendo do dia a dia da pessoa.
03:21Quem sabe até ajudando a pessoa com uma palavra.
03:24Verdade.
03:25Ouvindo as pessoas.
03:26E aí eu comecei a me envolver, ensaiando quadrilha e dançando, fazendo muita coisa legal que tem.
03:34E ali eu consegui ver se hoje, sim, claro, ó, eu tenho sim o celular.
03:41Cadê? Tá aí no bolso, né?
03:43Tá no bolso.
03:44É, faz parte da vida, né?
03:46Faz parte da vida.
03:47Aí eu pego meu celular, dou uma olhada nas mensagens, faço aquilo que vai ser bom pra mim.
03:54Aí eu já deixo lá na mesa sem nenhuma preocupação de voltar.
03:59Aí eu já vou fazer os meus afazeres.
04:01E, né, a gente tem que ter atenção pros filhos, pros netos.
04:08Gosto de ir pro shopping com minhas netas.
04:10Ai, é bom demais.
04:11Eu tenho três netas maravilhosas.
04:13Gosto de ir, gosto de almoçar com as minhas filhas, gosto de passear com as minhas filhas.
04:17O celular sempre tem, mas tem hora que eu até esqueço.
04:20Ai, que ótimo.
04:21É, às vezes as minhas filhas mandam uma mensagem e falam,
04:23Mãe, por que você não viu a mensagem?
04:25Aí elas ligam.
04:26Aí eu falo, desculpa aí.
04:28Aí falo o que tem que falar e deixo pra lá.
04:31Melhor ligar, né?
04:33Que aí você vai ver que tá tocando.
04:34Não é ligou, falou, necessário, conversou.
04:37É muito útil o celular.
04:39Não tô dizendo que você não pode ter o seu celular.
04:42Todo mundo tem o seu direito de ter o seu celular.
04:45Mas usar acessivamente do jeito que pode.
04:49Quantas horas por dia?
04:50A senhora, tem uma média assim, a senhora ficava naquela fase que tava bem vidrada ali?
04:55Eu passava praticamente quase o dia inteiro, porque eu moro só.
05:01Então eu tinha todo o tempo pro celular.
05:04Ficava ali o dia inteiro.
05:06Tinha ali aquele tempo no celular.
05:07Eu achava que o celular tava me fazendo uma companhia, mas ele tava sim me fazendo companhia.
05:13Mas também tava atrapalhando o meu jeito de viver, porque ali as amigas queriam mandar uma mensagem,
05:19falar comigo, não conseguia, por causa que eu tava ali envolvida em outras coisas.
05:24Outra coisa.
05:24Hoje eu uso o celular, que é útil, né?
05:28Você paga a compra, você faz muitas coisas, faz uma chamada de vídeo, liga, fala no WhatsApp, resolve muitas coisas.
05:36Mas não viciada, como eu disse naquela outra entrevista.
05:40Viciada não sou mais.
05:42Que bom!
05:43Se libertou, né?
05:44Doutora Dani, que depoimento importante, né?
05:48Acho que muita gente em casa deve estar se identificando também.
05:52Em que momento que o uso do celular, da internet, deixa de ser parte do cotidiano como algo que vai
06:00facilitar, que vai ajudar
06:01e torna-se um potencial ali, perigo, vamos dizer assim?
06:06Acho que em todas as gerações, né?
06:09A gente vive uma dualidade hoje, a vida digital e a vida real.
06:14Elas se integram em alguns momentos, mas se a gente focar demais em uma só,
06:19a gente acaba se excluindo da outra.
06:22Então, o uso com propósito, não é, né?
06:27Vai conversar com uma pessoa que está longe, olha que maravilha, né?
06:31Esse mundo digital nos proporcionou tantas coisas, o PIX mesmo, enfim, tantas facilidades.
06:37Mas que a gente não se isole, não se exclua de outras atividades que são tão importantes.
06:43Fazer exercício físico, ter o contato social direto.
06:46A gente investir em boa alimentação, igual a dona Isabel falou, né?
06:50Que não parava nem pra comer.
06:52Então, se a gente fica, principalmente, usando o celular que nem um zumbi,
06:56aquele zumbi scrolling, né?
06:58Fica ali, ó, a gente tá passivo, nem pensando mais a gente tá.
07:04E lembrar da questão do sono que pode ser prejudicado, o olho mais seco que pode acontecer com o uso
07:13excessivo de tela,
07:15aumento de ansiedade, isolamento mesmo, o sedentarismo que vem disso aí, né?
07:21Tantas consequências que podem ser ruins, negativas.
07:24Com certeza.
07:25Dona Isabel, percebi algum desses sintomas, assim, em algum momento?
07:29Que a senhora hoje, agora, né?
07:31Fazendo ali uma volta no tempo, a senhora atribui, caramba, eu tava assim, de repente,
07:36por conta de estar há muito tempo no celular.
07:38Percebeu alguma coisa?
07:39Sim, eu comecei a me isolar.
07:43Comecei a me isolar de estar mandando mensagem pras filhas, pros netos.
07:48Comecei a me isolar.
07:49E quando eu comecei a me isolar, e às vezes, por falta de até alimentar bem,
07:55comecei a sentir sintomas, né?
07:57Sintomas de insônia.
07:59Aí eu acordei pra vida.
08:02Tomei um, né?
08:03Aquele balanceado.
08:04E falei, não, esse negócio não tá assim.
08:06Eu não sou assim, então eu preciso mudar algo.
08:10E eu, graças a Deus, eu consegui mudar algo na minha vida,
08:16que foi, assim, uma maravilha.
08:18Foi muito bom.
08:21Foi uma mudança, assim, reconstrutiva.
08:25Reconstruir aquilo que eu tava perdendo, eu consegui reconstruir, me afastando do celular.
08:31Que bom.
08:32Doutora, como que a família pode participar desse processo?
08:38Não sei, daqui a pouco você conta pra gente se suas filhas,
08:41se alguém chegou a conversar com você sobre isso, a te dar um toque sobre isso.
08:46Mas como que a família pode abordar de uma maneira gentil, sem cobrar, né?
08:53Do idoso que, olha, de repente, pai, mãe, não tá legal, tô percebendo que você tá aqui ficando muito tempo.
08:58Como que isso pode ser feito?
09:00Isso que você falou é essencial, né?
09:02Quando a gente coloca culpa, quando a gente critica de uma forma destrutiva,
09:06o outro não entende que é pro seu bem, não incorpora isso como uma decisão que pode ser tomada a
09:13seu favor.
09:15É importante que a gente sinalize que outras coisas são importantes, mas que, olha, vamos usar com objetivo,
09:25usa ali, né, pra realmente, pra se conectar, mas será que esse tempo de jogo não tá prolongado demais?
09:32Vamos diversificar.
09:34Isso é uma coisa importante que a gente sempre coloca nas consultas, enfim.
09:37Se a gente faz muito uma coisa só, a gente acaba direcionando muito o nosso cérebro e incapacitando outras áreas.
09:46Então, jogar um joguinho que estimule a concentração, o raciocínio, pode ser bom.
09:53Mas uma coisa monótona, repetitiva, a gente vai perdendo a atenção.
09:59A gente acaba ficando com a memória prejudicada, muitas vezes.
10:03Isso é uma coisa que a família pode colocar, né?
10:06Ó, o seu tempo de tela tá excessivo.
10:09Até perceber sintomas que a pessoa possa ter e falar, vamos lá, vamos tentar melhorar a sua lubrificação ocular.
10:16Por exemplo, mãe, o seu sono tá ruim?
10:19Vamos desligar o celular um pouco mais cedo?
10:21Lembra que o estímulo ali da tela pode ser ruim,
10:27porque é muita luz, é muita imagem, é muita informação.
10:30Isso vai te limitar pro sono adequado?
10:35Então, talvez mostrar reportagens ou textos que falem positivamente
10:41como regular, equilibrar esse uso, não ser excessivo.
10:48Dona Isabel, alguém, na época, alguma filha, alguém chegou a comentar com a senhora
10:53ou não aconteceu essa conversa?
10:57Não, não aconteceu porque, como eu falei no início da conversa, eu moro sozinha.
11:03Elas moram na mesma cidade, mas em outros bairros.
11:07Então, os momentos que eu tava ali, elas estavam lá no trabalho e não dá pra perceber, né?
11:14O que tava acontecendo.
11:15E, geralmente, Bruna, as pessoas que ficam viciadas em algo,
11:22não falam pra família que tá viciada.
11:26O que acontecia legal, que eu comecei a gostar, e aí foi onde me ajudou a perceber
11:32que eu estava ficando uma mulher viciada, me isolando,
11:36foi quando a gente começou a fazer os almoços em família.
11:42E aí a gente falava, combinava todo mundo.
11:45Então, vamos deixar, todo mundo vai deixar o celular e nós vamos conversar.
11:51Porque as minhas filhas fazem isso, né?
11:53Aí eu deixava o celular, mas o celular me fazia muita falta.
11:58Você tava ali sem ele, mas agoniada, né?
12:01Eu tava ali com vontade de ficar com o celular.
12:03E isso me ajudou a me afastar também um pouco do celular e a descobrir.
12:08Então, foi assim, uma cobrança que elas falaram sem eu nem perceber, né?
12:14Que quando tirou o celular pra conversar, hoje você não se vê mais isso,
12:20sentar numa mesa linda igual essa que nós estamos aqui.
12:23Tomar um cafezinho, né?
12:24E bater um papo igual nós estamos aqui batendo um papo, aprendendo mais.
12:28Porque eu tô aqui pra aprender, estou aprendendo com a doutora.
12:31Muito obrigada.
12:32Todos nós, eu também.
12:33Obrigada, Bruna.
12:34Tô aqui aprendendo, minha filha que tá ali, ó.
12:37Ela veio me trazer, está ali sentadinha ali também assistindo a conversa.
12:42Então, o celular, ele tava fazendo muita parte da minha vida.
12:48E eu falei, nossa, tem tantas outras coisas importantes.
12:51Gente, a convivência com pessoas é maravilhoso.
12:55Então, quando eu fui conviver no Centro de Convivência dos Idosos, no CCI,
13:00eu comecei a conversar com as meninas.
13:03Eu falo, as minhas meninas, que são as lideranças lá,
13:06e elas apaixonaram por mim, eu apaixonei por elas.
13:09Olha que legal.
13:10Mas também apaixonei por várias coleguinhas que tem lá,
13:13que a gente tem as reuniões, né, lá junto, com o psicólogo.
13:17Gente, eu, como uma idosa, eu quero já até deixar um convite.
13:22Posso, Bruna?
13:22Posso, fica à vontade.
13:23Eu quero convidar, assim, todos os idosos.
13:27Participa de um centro de convivência.
13:29Eu tenho certeza que aí na sua cidade, perto da sua casa, tem.
13:32No seu bairro.
13:33Então, procura, participa, porque se você já não mexe muito no celular,
13:40aí você nem vai sentir o desejo mesmo de mexer,
13:42porque tem tantas outras coisas legais para você ocupar.
13:47Vai para o shopping, vai para a loja.
13:50Não posso comprar, mas pode olhar, não paga para olhar.
13:54E conversar com pessoas, comunicar.
13:57Distrair, tomar um café, né?
14:00Um café compartilhado é maravilhoso.
14:02Então, deixa o celular, só para tirar as fotos.
14:06E registrar os momentos.
14:08Isso, aí naquele momento eu aproveite bastante,
14:11porque você vai envelhecer com saúde.
14:16Eu preciso falar um pouquinho do envelhecer.
14:19A gente tem muitos idosos aí, como a doutora acabou de falar,
14:24que nem só os idosos, todas as idades, tá?
14:27Ah, sim.
14:28Mas, tem muitos idosos por aí que fica ali tão focado no celular,
14:35que ele fica doente.
14:38É verdade.
14:39Fica deprimido, fica depressivo.
14:42Pode acabar em uma grande depressão.
14:44Que alerta importante que a senhora traz para a gente.
14:47Então, eu quero alertar os idosos.
14:50Aproveita, porque eu, depois de 50, eu estou vivendo os melhores momentos.
14:55Com certeza.
14:56Obrigada, viu, dona Isabel, pelo depoimento.
15:00Com certeza, quem está em casa, está se beneficiando muito dessa fala da senhora.
15:04Doutora Dani Barbieri, obrigada também pelos esclarecimentos aqui, meninas.
15:09E até a próxima.
15:10Obrigada pela participação.
15:12Obrigada pelo convite.
15:13Eu agradeço pelo convite, quero deixar um beijo para a minha família
15:18e para todos que estão assistindo, né, gente?
15:20Com certeza.
15:20Eu sei que tem muitos amigos, muitas pessoas assistindo.
15:23E que fiquem com essa dica.
15:25Com certeza.
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