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  • há 2 horas
Hábito pode afetar relações pessoais, profissionais e a saúde mental.
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Transcrição
00:00Hoje é dia da mentira, hein? Primeiro de abril.
00:03Será que é só brincadeira mesmo?
00:05A gente sabe que todo mundo já contou em algum momento da vida alguma mentirinha.
00:10Seja pra evitar um climão, pra escapar de uma saia justa, até pra se proteger, né?
00:16Mas quando isso passa do limite, gente?
00:20Quando essa mentirinha começa a aparecer todos os dias e vira um hábito na sua vida?
00:25Hoje, dia 1º de abril, a gente sabe que o assunto ganha um tom leve, descontraído, piadinha.
00:31Só que por trás dessas mentirinhas inofensivas, tem um tema sério.
00:35A mentira pode afetar a nossa vida, relacionamento, relação no trabalho, amigo, família.
00:41Enfim, vamos conversar sobre esse limite entre a mentirinha comum, entre aspas,
00:48será que existe mentira comum e a mentira preocupante.
00:52Ai, ai, ai, Maria Fernanda Lima, neuropsicóloga, psicóloga clínica.
00:57Bom dia pra você, minha amiga.
00:59Bom dia, Bruna.
01:00Bom estar aqui com vocês.
01:02Bom demais, né?
01:03Vamos falar de um tema interessante.
01:07Existe mentirinha aceitável?
01:10Será?
01:11Porque, pensa comigo, e o outro lado?
01:13Que está sendo...
01:15Tem um lado que é o portador da mentira.
01:17E o outro, que é o que está participando desse contexto, aí pode se sentir enganado, pode
01:24se sentir injustiçado por conta daquilo.
01:28Aí, será que ela tem um lugar aceitável mesmo?
01:32Pois é.
01:32Quando?
01:33Qual que é esse limite?
01:34Porque, assim, existem vários motivos que podem levar uma pessoa a contar.
01:38Uma super mentira ou uma mentirinha.
01:40Cada um vai ter ali seu motivo.
01:42Mas, aí quando ela começa a parecer dia sim, dia não, todo dia, eu posso dizer que
01:48virou um hábito mentir.
01:49Pode ser que seja uma estratégia.
01:53Usar a mentira como estratégia?
01:54Como estratégia.
01:55Para se proteger, porque está com medo de encarar uma conversa difícil, está com
02:01medo de magoar outra pessoa.
02:03Aí, a gente precisa entender o contexto.
02:05Claro que eu não estou num lugar de justificar a pessoa que mente.
02:10Mas, talvez, tem algumas coisas que explicam por que levou aquela pessoa a mentir.
02:16Que situação que ela viveu, que sentimento que essa situação trouxe, vergonha, insegurança,
02:25medo, que levou ela a mentir.
02:28Só que, o que a gente pode ver é que, talvez, depois da mentira, ufa, o outro lado acreditou.
02:34Então, eu me sinto aliviado.
02:36Deu certo.
02:37Deu certo.
02:38E o pior, eu validei essa estratégia.
02:41Então, talvez, eu use ela com mais frequência.
02:45Em que momento, isso aí vira preocupante, essa frequência.
02:49Isso, quando coisas desnecessárias, você passou a mentir.
02:54Talvez, coisas pequenas, que se você tivesse falado a verdade, teria muito mais ganhos do que mentir.
03:01Quando você precisa sustentar aquilo que você falou.
03:05Porque, às vezes, nós nos emergimos tanto naquela narrativa irreal, que eu vou contando várias narrativas a respeito daquilo.
03:15Aí, eu começo a me perder.
03:17E o outro lado fala, peraí, mas...
03:18Você não tinha falado, né?
03:20É diferente.
03:21Como assim?
03:22O que é isso?
03:22Então, você começa a ficar desconcertado.
03:25E vai chegar uma hora que tu vai ter medo de ser descoberto.
03:30Então, quando que isso fica assertivo?
03:33Quando que isso, de fato, está te protegendo?
03:37Então, você tem que dar um passo atrás e ver, poxa, o que está me levando a ter isso como
03:42uma estratégia?
03:43Pode ser protetivo?
03:44Pode.
03:45Pode ser protetivo.
03:46Está se protegendo de alguma coisa.
03:47Que ela não está dando, ou ele não está dando conta de lidar.
03:50Mas, e o outro lado?
03:52Como é que fica, né?
03:53Isso.
03:54Poxa, será que você está num lugar de manipulação?
03:57Será que o seu ego é tão inflamado que você precisa sustentar um personagem?
04:04Então, existe um limite até onde.
04:07Porque, que nem você abriu falando, todo mundo, talvez, um dia já mentiu.
04:11E eu não estou falando de mentiramente.
04:13Mentira é mentira.
04:14Então, é mentira grande ou pequena.
04:16É, mentira.
04:16Ou seja, como tomou a inveridade.
04:19Ponto.
04:19Agora, o que que levou você a fazer isso?
04:22E o outro lado?
04:23Que é a pessoa a qual você está enganando.
04:27Ou, que nem a gente conversou, está omitindo.
04:30Pensamos sobre isso, né?
04:32Mentira e omissão.
04:33Poxa, o que é que está te fazendo levar isso como uma estratégia?
04:38Então, isso eu preciso já acender um sinal.
04:41Eu não estou dizendo que todos que falam mentira têm algum tipo de transtorno.
04:45Pode ser que não, que nem a gente falou.
04:46Pode ser uma estratégia.
04:48Mas até que ponto isso está falando da minha personalidade?
04:52Está falando de um lugar que eu tenho a necessidade de mentir?
04:57Porque isso já foi tão validado na minha vida.
04:59Eu tenho tanta assertividade na hora que eu falo com o outro, o outro acredita, que aí eu passo, a
05:08não ser mais eu.
05:09Cadê a minha autenticidade?
05:11Porque eu crio cenários e talvez um personagem que não é eu.
05:17Então, eu perco a minha autenticidade, eu perco, talvez me perco da realidade.
05:23Tem muitas coisas que, por isso que eu estou falando, a gente está construindo aqui.
05:26Não estou dizendo que a pessoa...
05:28É justificando, não.
05:30É explicando que a gente precisa entender o contexto a qual aquela situação que te gerou a mentir,
05:38em algum momento te trouxe alívio ou te protegeu.
05:42Aí, eu preciso pensar se, de fato, é a melhor estratégia para eu usar.
05:47Será que eu tenho medo de enfrentar um diálogo duro que está aí com o Rubinho?
05:53Relacionamento, então, né?
05:54Isso.
05:55Será que é uma mentirinha ali que eu contei?
05:57Será que começou alguém ligando?
06:00Fala que eu não estou, fala que eu não estou.
06:02Será que começou por aí?
06:04Atrasou no trabalho?
06:05Ah, peguei trânsito.
06:06Ah, nossa, peguei um trânsito tão absurdo.
06:08Não, tu saiu tarde mesmo.
06:10E aí, você se perdeu aí um pouquinho no horário, chegou atrasado.
06:14Então, são coisinhas sutilezas que talvez nem precisava você ter mentido.
06:18Fala a verdade.
06:19Fala, olha, desculpa, acordei tarde.
06:21Acordei tarde, cheguei atrasado.
06:23Mas aí, talvez, o medo da reação, o medo do que pode vir se eu contar a verdade,
06:29faz a pessoa dar uma leve mentirinha.
06:32Pois é.
06:33E aí, de mentirinha em mentirinha, né?
06:36Isso.
06:36Isso aí pode gerar um problema.
06:37Agora, a gente foi para as ruas, tá?
06:39Você que está em casa também, Maria, para saber o que o capixaba acha da mentirinha.
06:45Será que o capixaba tolera mentira?
06:47Será que o capixaba mente?
06:49A gente ouviu algumas pessoas.
06:51Vamos ver sobre esse assunto.
06:56Quem nunca contou?
06:57Todo mundo conta mentira.
06:59Existe a mentira boa, né?
07:00Existe a mentira ruim.
07:01A mentira é boa quando você, às vezes, tem que evitar que aquela pessoa, naquele momento,
07:08saiba de alguma coisa.
07:10Aí você fica, tipo, uma omissão.
07:12Aí você inventa certa historinha, assim, para poder se preparar a pessoa para as coisas.
07:18Eu acho que mentira, se for... não tem tamanho.
07:21Eu acho que mentira é mentira.
07:23Você perde a confiança, né?
07:25Acabou.
07:26Aceitável não é, né?
07:27É sempre melhor a gente carar a verdade mesmo, assim.
07:29No final das contas, a gente vai lidar com a verdade logo na frente.
07:32Então, sim.
07:34Eu acho que toda vez que eu mentir, eu aprendi isso na frente, que era melhor ter dito a verdade.
07:37Pode ser que, em algum caso, você precise contar uma mentira, não.
07:41Até uma falsa verdade, né?
07:44Mas, muitas vezes, o 1º de abril, usado só para pegadinha, brincadeira, esse negócio todo, que é válido.
07:50Sim.
07:50Vocês já contaram alguma mentirinha em algum momento, assim, da vida?
07:54Nunca.
07:55Enquanto a mentira é ruim.
07:57Acabou de contar uma mentira.
07:59Já rolou do senhor falar alguma mentirinha, assim, em casa, em alguma situação?
08:05Várias.
08:06Em que situações aconteceram?
08:08A situação de que eu me atrasei numa situação e tive que falar, pô, o trânsito estava embaçado.
08:14Às vezes, na verdade, não é nem mentir, é omitir.
08:18Esse ponto aí foi falado mais de uma vez.
08:21Não, não é mentira.
08:24Não é mentir, é omitir.
08:26Mas qual que é a diferença, gente?
08:28Tem diferença?
08:29Será que isso é um sinônimo?
08:31Não é mentira e omissão?
08:33São coisas diferentes, né?
08:34Totalmente diferentes.
08:35Quando eu omito, ninguém me perguntou, eu também não falo.
08:39Ponto.
08:39Quem tocou no assunto?
08:40Nem tocaram no assunto, eu não falo.
08:42Mas, quando é mentira, me perguntaram, eu fui indagada de algum lado e eu...
08:49Não, falei que não.
08:51Eu disse uma inverdade.
08:52Então, de fato, você literalmente não conseguiu lidar com a reação do outro lado e você não falou.
09:00Agora, omitir é eu nem tocar no assunto e você também nem pergunta.
09:04São coisas diferentes.
09:05Totalmente diferentes.
09:05Não adianta querer justificar aí.
09:07Justificar, é.
09:08A gente explica alguma coisa.
09:10Ah, eu omiti.
09:11Você jogou essa de omissão?
09:12Porque, vamos falar sério.
09:14É difícil você expor no lugar de ser o mentiroso.
09:18Porque é assim que você vai ser rotulado.
09:21Existe um rótulo.
09:22Falei mentira, sou mentiroso.
09:25Então, será que eu vou gostar de ocupar esse lugar?
09:29Aí, eu chamo isso de brincadeirinha.
09:31Ah, foi só uma brincadeirinha.
09:32Porque aí, eu diminuo a magnitude da situação em real mesmo,
09:39sobre eu não ter falado a verdade.
09:41Agora, Maria, quando a gente tem pessoas,
09:45a gente às vezes fala de mentiras que perduram por anos.
09:49Vamos trazer aqui os relacionamentos para essa conversa.
09:51Às vezes, a pessoa está ali num casamento de 20, 30 anos
09:54e depois a pessoa descobre uma mentira de lá de trás.
09:58Assim, coisas graves.
09:59A gente pode falar de uma patologia?
10:02Essa mentira já virou uma doença?
10:05Depende do contexto.
10:07Porque pode ser uma patologia?
10:09Pode.
10:09Pode ser um transtorno de personalidade.
10:11Pode ser uma compulsão por mentira.
10:14Posso estar falando aí de um transtorno de conduta.
10:17Pode ter vários, várias facetas.
10:21Vamos pensar assim.
10:22Mas quando eu falo desse relacionamento,
10:24muitas vezes a pessoa quer manter mesmo.
10:27Porque não quer abrir mão de nenhum lado.
10:30Talvez as necessidades emocionais que é atendido num relacionamento e no outro,
10:35ele não abre mão.
10:37Só que com isso, eu tenho duas vidas ali, ou famílias,
10:42que estão sendo enganadas.
10:44Elas estão...
10:46Não foi trazido pra ela se ela, de fato, gostaria de participar desse tipo de situação na vida dela.
10:53Com certeza.
10:54Você entendeu?
10:54Não deu a oportunidade de falar assim, ó, eu tenho duas famílias.
10:57Eu tenho você e tem...
10:58As duas são muito boas pra mim.
11:00E eu quero manter.
11:01Você topa ficar nessa situação?
11:04Quem vai falar isso?
11:05É, quem?
11:05Quem vai ter coragem?
11:06Não.
11:07Aí a pessoa não fala a respeito disso.
11:10Aí eu posso...
11:10Pode ser que foi omitido.
11:12Ninguém me perguntou, também não falei.
11:14Mas eu posso mentir.
11:15Você tem outra família?
11:16Você está me traindo?
11:17Não, de forma nenhuma.
11:19Você é o amor da minha vida.
11:20E pronto.
11:21E pronto.
11:22E aí não dá a oportunidade da pessoa falar,
11:23eu quero participar disso, porque eu te amo e eu aceito você ter duas famílias.
11:27Você viu?
11:28É difícil.
11:29A pessoa se coloca num lugar difícil.
11:31Agora, se ela tem um transtorno, a gente não sabe.
11:34Aí é contexto.
11:35Eu não posso falar que uma pessoa que tem vida dúbia, né?
11:39Ela tem um transtorno.
11:40Não necessariamente.
11:41Não necessariamente.
11:42Mas eu posso imaginar que ela precisa de necessidades ali,
11:46que é atendida nesses contextos,
11:49que o faz permanecer ali e indiferente se eu estou causando sofrimento no outro.
11:54Aí é só sobre mim.
11:56Sabe?
11:56Nesse caso, é só sobre mim.
11:58O outro está tudo bem.
11:59Ele vai precisar estar caminhando comigo, se quiser ficar comigo.
12:02Então, assim, é difícil.
12:04É difícil.
12:05Não dá pra gente rotular e falar assim, não é isso.
12:07Põe numa caixinha, é isso e ponto.
12:09Não.
12:09Mas a gente está ventilando aqui várias possibilidades
12:12pra você ver que a mentira em si tem muitos lados que precisa ser lido
12:18pra você entender o contexto daquele que mentiu
12:21e do outro que recebeu e como ele reagiu a tudo isso.
12:25Maria, a gente está quase acabando,
12:26mas pra gente ir encerrando a conversa,
12:28os vídeos de inteligência artificial agora pegam muita gente
12:32e a gente tem que tomar cuidado até com isso.
12:34Como a gente absorve, que a gente olha e fica...
12:36É verdade ou não é?
12:37Cuidado com isso também, né?
12:39Pra gente encerrar.
12:40Muito cuidado e é interessante.
12:41A gente fica tanto tempo alienado que talvez fica até difícil o seu senso crítico
12:48de falar, caramba, isso é verdade, isso não é verdade, isso é verdade, isso não é verdade.
12:51Então, minha linda, meu lindo, vai dar uma pesquisada antes de acreditar.
12:55Dá uma olhadinha, coloca lá no Google, faz alguma coisa pra ver se aquele tipo de vídeo
12:59que você está vendo é de fato uma realidade.
13:01Ou não, faz uma pesquisa aí.
13:03Fake news também, né, Maria?
13:05Que bate-papo gostoso, né?
13:07Obrigada por mais uma participação aqui no Tribuna Amanhã.
13:10Sempre bom estar aqui com você.
13:11Até a próxima.
13:12Sempre à disposição.
13:13Que bom.
13:14Até a próxima, minha amiga.
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