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  • há 14 horas
Casos recentes levantam o alerta na comunidade médica sobre o impacto direto do estresse psicológico no surgimento de eventos cardíacos graves.
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Transcrição
00:00As doenças cardiovasculares mataram mais de 32 mil pessoas no Espírito Santo, isso só no ano passado, dado que assusta,
00:10né?
00:10Ontem em Cariacica, a gente acompanhou aqui agora, né, a despedida, a gente mostrou o caso de mãe e filho
00:16que morreram praticamente juntos.
00:18A dona Maria do Carmo, que infartou em casa, e o filho, Alexandre, 40 anos, foi socorrer a mãe, acabou
00:26não aguentando também, passou mal.
00:28Os dois faleceram, a suspeita é que os dois tenham infartado.
00:33Diante desse cenário, é fundamental a gente entender quais são os sinais de alerta, como que a gente deve agir
00:39em uma emergência, se alguém passa mal do nosso lado.
00:43De que forma o estresse, fortes emoções, como foi aí o caso desse filho que viu a mãe passando mal,
00:49como é que isso pode influenciar nos eventos cardiovasculares graves, hein?
00:53Será mesmo que fortes emoções podem levar a um quadro grave pro coração?
00:58Agora é a época de jogo do Brasil, tem gente que fica muito nervoso, né, assistindo o jogo, na final,
01:05disputa de pênalti, coração acelera, pressão sobe.
01:08Falando em pressão, quem já tem pressão alta? Tá mais vulnerável?
01:13Vamos entender isso hoje? Deixa eu sentar aqui pra bater um papo com o doutor Diogo Barreto, que é médico
01:19cardiologista, coordenador do serviço de cardiologia do Hospital Evangelico de Vila Velha.
01:24Bom dia, doutor, bem-vindo.
01:26Bom dia, Bruno. Agradeço mais uma vez o convite.
01:29Obrigada a você pela presença. E a gente tá aqui com o Wesley Félix, que é jornalista e que tem
01:35pressão alta.
01:36Sua pressão dá trabalho, né, Wesley? Bem-vindo, bom dia.
01:39Bom dia, Bruna. Obrigado pelo convite. Realmente dá trabalho.
01:43Minha, conta isso aí pra gente como é que é. Você tem que tomar remédio todo dia pra controlar essa
01:47pressão?
01:48É um remédio de uso contínuo, Bruna. Na verdade, descobri já os piques de pressão com 19 anos.
01:54Hoje eu estou com 31.
01:56Aos 26, eu estava com vários piques de pressão alta.
02:02Na época, era época de pandemia, e a médica da época pediu pra eu tomar o remédio e assim que
02:08controlasse, parasse naquele momento.
02:11Realmente, deu uma controlada.
02:13Controlou e você parou de tomar?
02:15Parei de tomar. Recomendação dela.
02:18Recentemente, mais ou menos de um ano pra cá, um ano e meio pra cá, começou esses piques, um atrás
02:23da outra, devido a crise de ansiedade.
02:26Que muita gente também, acho que o doutor pode concordar, não leva a sério, mas a crise de ansiedade é
02:31uma coisa muito séria.
02:34Através de crise de ansiedade, começou os piques de pressão.
02:37Começou, o que você sente? O que você sentia?
02:39A gente se sente muito ofegante, uma agitação fora do normal, e eu faço uso de muita cafeína, bebo muito
02:48café.
02:49Aliás, jornalista, qual jornalista que não bebe café?
02:51Correria, né?
02:52Principalmente na assessoria de imprensa.
02:54E ano eleitoral esse ano, que já começa o trabalho, agora é Copa do Mundo, então os nervos vai a
03:01flor da pele pra quem...
03:02Eu não sou muito ligada a futebol, mas a política...
03:07É só a Copa e a política, né?
03:09Esse é o momento ali de estresse.
03:11Mas eu acompanho os jogos, e claro que nós, como país do futebol, a gente fica também numa ansiedade.
03:17E realmente, recentemente, a médica falou, não, você vai ter que continuar os tratamentos com uso contínuo.
03:23Teve que voltar a tomar remédio.
03:24Teve que voltar a tomar remédio, estou fazendo esse tratamento até hoje, isso não posso parar.
03:29Perfeito.
03:29Já já a gente vai entender, então, como que a pressão pode influenciar na saúde do coração.
03:35Mas, doutor Diogo, acho super pertinente a gente começar aqui suas orientações falando desse caso de mãe e filho, né?
03:42Um caso específico, não é muito comum a gente ouvir falar sobre isso.
03:47Mas a forte emoção de ter visto a mãe passar mal pode ter desencadeado esse problema no coração desse rapaz,
03:53de Cariacica?
03:54Então, na verdade, o que acontece, o que leva a mal súbito, problema do coração, geralmente é um evento agudo
04:03de uma condição crônica, que é isso.
04:07Ao longo dos anos é criada ali a placa de ateroma, a placa de gordura dentro das artérias.
04:12O coração, como uma bomba hidráulica, precisa de canos para irrigar o coração, e são as artérias que levam.
04:18Acaba que, popularmente, o pessoal fala assim, é bem entupida, mas o problema mesmo é que leva sangue, são as
04:23artérias.
04:24E o que acontece?
04:27Ao longo dos anos, isso começa, desde as vezes, dependendo de fatores genéticos, de doenças crônicas,
04:34até na primeira década de vida, segunda década de vida, terceira década de vida, você já tem ali a placa
04:39de gordura.
04:39O que acontece é que, muitas vezes, essa placa, ela instabiliza, e as fortes emoções estabilizam a placa de gordura,
04:47que leva a entupimento de uns canos desses, que é a artéria.
04:52Na hora que leva o entupimento, o coração entra em colapso, entra em arritmia e tem um mal súbito.
04:57E é rápido, né?
04:59Essa questão é rápida.
05:00O que a gente tem que...
05:02Cuidados quando um paciente, o que ele pode sentir?
05:04Via sentir.
05:05Geralmente, ali, falta de ar, dor no peito, sudorese, né?
05:09E o que acontece ali na história, na triste história de mãe e filha,
05:14que, muito provavelmente, a mãe já tinha uma condição clínica, né?
05:17Tinha aí uma placa de gordura no coração, muito provavelmente, a gente está supondo aí.
05:22E aí, ela teve ali um mal súbito com ela, né?
05:25Eles falaram, na reportagem, até falam que o pulmão encheu de água,
05:29ele tem uma dor de pulmão, que é uma condição, ali, do coração mesmo, pelo entupimento.
05:35E o filho tem um fator genético, que é da mãe.
05:37E aí, provavelmente, tinha também doença que era desconhecida até então dele.
05:43E aí, pela forte emoção, também teve a ruptura daquela placa e teve entupimento e teve arritmia.
05:49Nossa, gente!
05:49Então, são condições ali que ela conhecia, né?
05:54E fazia um tratamento e teve um mal.
05:56E ele, infelizmente, padeceu da mesma doença, provavelmente.
06:00Nossa, gente, que texto!
06:00Agora, quando a gente fala de fortes emoções, jogo do Brasil, a gente brinca.
06:06O Wesley que brincou também, a política para ele, que é um momento ali que ele fica muito acelerado, acompanhando.
06:12Esses eventos, estou bem, estou normal, nunca tive problema nenhum do coração, não que eu saiba.
06:19Assistir a uma partida de jogo de futebol, por exemplo, final de pênaltis, pode trazer problema?
06:23O que você falou é muito interessante.
06:25Não que eu saiba.
06:26Na verdade, é muito isso, né?
06:28O que a gente deve fazer sempre é prevenção.
06:31É para saber.
06:33Porque fortes emoções, realmente, aumenta a pressão, aumenta o consumo, o trabalho do coração.
06:39Aumenta ali.
06:40Quem nunca sentiu o coração palpitando ali no final, no pênalti do time do coração, no time do Brasil.
06:45Hoje em dia, está mais palpitação que tudo e a questão é a gente ter, fazer prevenção para não ter
06:51uma surpresa no momento do jogo, né?
06:54Pode instabilizar uma placa que a gente falou agora, de gordura?
06:58Pode.
06:58Fortes emoções?
06:59Pode.
06:59Uma discussão de família, um jogo de futebol, pode estabilizar.
07:03O ideal é que a gente tenha ali conhecimento da doença.
07:06Então, só tem conhecimento se realmente procurar atendimento, procurar médico antes para ver, fazer diagnóstico de doença cardíaca.
07:14Às vezes, igual o Ezra falou, que tinha pressão alta e não sabia.
07:18Às vezes, começa lá e só pega no pico pressórico.
07:21Então, o ideal é fazer o diagnóstico antes.
07:24E além de fazer o diagnóstico, antes toda, o estilo de vida adequado, né?
07:30Exercício físico, alimentação, tudo isso conta, né?
07:33Eu ia complementar.
07:35Eu passei por outros profissionais que me indicaram o exercício físico.
07:39Um médico até brincou recente de uma forma urgente.
07:42Que eu tenho aquela coisa, eu começo e paro, começo e paro, começo.
07:45Eu vou sempre, muita gente.
07:47A rotina.
07:48E, tipo assim, bastante água.
07:51Bastante água mesmo, a gente tem que tomar no início da manhã.
07:54No início, me indicaram o que eu achei um absurdo, doutor.
07:57Água com gás.
07:59Para tomar.
08:00Eu não gosto de água com gás, água normal.
08:02E mesmo uma leve caminhada.
08:04Eu gosto muito de corrida.
08:07Até mesmo perguntar, aproveitar que o doutor Diogo está aqui.
08:10Qual o fluxo da nossa corrida?
08:13Porque tem gente que corre com intensidade.
08:15A gente gosta daquele trote.
08:17Como a gente pode desenvolver para fazer esse tratamento?
08:20Na verdade, a atividade física, para o sedentário, qualquer atividade física, movimentar, já é o ideal.
08:27Quanto mais a gente fazer, e aquela questão, você falou do pare, começo e pare.
08:33Tente fazer uma coisa que você goste.
08:35Às vezes a gente orienta a caminhada, na maioria das vezes, que é uma atividade física que todas as pessoas
08:40podem fazer.
08:41Na maioria das pessoas podem fazer.
08:42E, pelo menos, começa ali.
08:44E aí, se eu gosto de fazer corrida, eu gosto de fazer...
08:47E aí, o ideal, para fazer a atividade física mais, um esporte mais, que exige mais,
08:54aí é interessante fazer uma avaliação médica antes, para conseguir avaliar, simular durante o exercício,
09:02o que a gente vai...
09:03Se tem algum problema já no coração, dependendo da idade, das comorbidades, né?
09:07E aí, fazer a avaliação.
09:09Para a gente...
09:09Existe a prescrição do exercício, né?
09:11O cardiologista, o médico do esporte, ele faz a prescrição do exercício.
09:16Ele avalia até quando você pode correr e tudo.
09:18Isso tanto em profissionais...
09:22Na verdade, desculpa.
09:22Em atletas amadores, quanto em atletas profissionais.
09:25A gente faz ali a prescrição, né?
09:28Tanto que os atletas aí, alto desempenho, a gente está vendo na Copa do Mundo,
09:31todos eles fazem avaliação, fazem avaliação médica,
09:34para conseguir e prescrever ali o quanto que ele pode fazer.
09:37Teve até um mau súbito no começo, antes dos amistosos, para ceder na Copa.
09:43Na verdade.
09:44E ali, o jogador já tinha uma doença com a condição prévia já, né?
09:49Em alguns lugares, em algumas sociedades, nem indicaria ele fazer praticar esporte competitivo.
09:54Mas, enfim, não vai entrar nesse mérito.
09:55Mas o ideal é fazer essa avaliação.
09:57Perfeito.
09:58Legal.
09:58Agora, gente, tem um ponto muito importante, que muita gente se pergunta quando fazer o exame.
10:04Eu tenho 30 anos, vamos supor.
10:06Eu preciso fazer o exame?
10:09Deixa eu trazer aqui o depoimento do Marcelo Venturini, que é o seguinte.
10:13O Marcelo, gente, ele teve duas paradas cardíacas, três meses.
10:17Ele relata que tinha feito todo o check-up e que nada foi acusado.
10:22Então, ele estava tranquilo, porque ele não tinha nada, fez o exame e aí foi surpreendido.
10:27Vamos ver o que ele falou.
10:30Em 2021, eu tive duas paradas cardíacas.
10:35Meu coração parou por 32 minutos.
10:39E eu estava na minha casa, pintando.
10:45E eu senti que eu ia ter...
10:48Eu tive uma sensação de que iria desmaiar.
10:50E aí, eu liguei para um amigo e falei, ó, estou passando mal, me leva no hospital.
10:54Me levou para o hospital evangélico.
10:55E quando chegou lá, eu tive essas duas paradas cardíacas.
10:58E foi ali que eles me socorreram.
10:59A minha sorte que isso aconteceu, eu estava dentro do hospital.
11:04E minha vida sempre foi tranquila.
11:05Eu surfo, ando de skate, faço bastante exercício.
11:08Durmo cedo, acordo cedo.
11:10Me alimento bem.
11:11E não tinha nada na minha saúde.
11:13Três meses antes de acontecer, fui ao médico, fiz todos os exames, periódicos.
11:19Eu faço todos os anos.
11:21E não tinha nada.
11:22O médico até brincou e falou, ó, você tem uma saúde do menino de 17 anos.
11:25Você pode fazer o que você quiser.
11:26E três meses depois aconteceu isso.
11:29Até hoje, ninguém sabe explicar por quê, qual foi a causa.
11:45Isso aí me assusta, esse depoimento.
11:47O surfista, atleta, fez exame, não tinha nada.
11:51Eu nunca fiz exame de coração.
11:52E aí?
11:53Na verdade, existem algumas doenças e algumas faturas de risco que a gente não dá sintomas.
12:01Ali, provavelmente, é uma história familiar de doença.
12:06E o colesterol, né?
12:07O colesterol, às vezes, dependendo do médico, não tem tanta vivência.
12:12Até deixa passar, a gente teve a diretriz do ano passado, com a atualização, sendo mais rigoroso na meta de
12:18colesterol.
12:19Só para ter ideia, o colesterol ruim, que é o LDL, a meta é menor que 115.
12:24Era 130.
12:25E muitas pessoas fazem exame, falam, ah, não, está tudo tranquilo.
12:29E, às vezes, não está ali dentro da meta, e que é um fator de risco.
12:34Na história familiar, principalmente o colesterol.
12:36Perfeito.
12:38Recentemente, foi publicado também, né, doutor, que acho que a partir de 13 por 8, 13 por 9, tinha considerado
12:42um pré-hipertenso.
12:44Mudou essa questão da pressão, né?
12:46É onde a gente deve se preocupar e começar a tratar com frequência.
12:50Onde eu sempre procuro aferir e cuidar.
12:53E sem contar também, não sei se indica a questão das vacinações, né?
13:01Que é imunizante, se tem, se a saúde está toda em dia, que é o que eu procuro fazer sempre.
13:06Tem que estar tudo certo, tudo em dia.
13:08Essa questão da mudança da pressão é importante, né?
13:10A partir de quanto que é a pressão alta agora?
13:11É, na verdade, a gente coloca como pressão ótima, né?
13:14Com pré-hipertenso, que é para a gente começar a fazer a prevenção antes.
13:17Nem é a parte de tratar, mas é a prevenção antes, né?
13:20Antes a gente tinha 12 por 8 com pressão ideal, é abaixo de 12 por 8 a pressão ideal.
13:25Perfeito.
13:25Gente, está na hora da gente encerrar o nosso bate-papo.
13:28Doutor Diogo Barreto, obrigado pelas informações.
13:31Wesley, obrigada pela participação.
13:33Bora cuidar dessa pressão, né, meu amigo?
13:35Valeu, meninos.
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