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  • há 1 hora
No podcast Uai Turismo desta quinta-feira, Isabella Ricci conversa com Fernanda Fonseca, Chef de cozinha, ela é a 3ª geração do restaurante Padre Toledo, em Tiradentes. Elas conversaram sobre gastronomia mineira e sobre como a cidade de Tiradentes conseguiu se estabelecer como destino gastronômico além de cidade histórica. Falaram ainda sobre turismo em Minas Gerais, o que é de fato o turismo gastronômico e tendências de viagens.

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Transcrição
00:02Tiradentes é uma das cidades históricas mais visitadas de Minas Gerais, mas nem só de casaria
00:08história vive a cidade. O turismo gastronômico por lá é muito forte, com restaurantes tradicionais,
00:14contemporâneos e até alta gastronomia. Esse é o tema de hoje do podcast Uai Turismo.
00:33Nossa convidada de hoje é turismóloga, mestre em gestão pela Universidade de Rens Champagne Ardennes, na França,
00:40especialista em marketing de destino e turismo gastronômico.
00:44Chefe de cozinha, ela é a terceira geração do restaurante Padre Toledo em Tiradentes,
00:49consultora do Sebrae, professora do Senac Minas e presidente da Brasel Campo das Vertentes.
00:56Com ampla atuação em políticas públicas, ela já foi superintendente de marketing turístico
01:01da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e gerente de promoção da Belo Tur,
01:06que trabalha o turismo de Belo Horizonte. Palestrante nas áreas de turismo, gastronomia,
01:12empreendedorismo e associativismo. Bem-vinda, Fernanda Fonseca.
01:16Obrigada.
01:17Prazerão te receber aqui, já te conhece há tantos anos.
01:20Muito bom, muito bom estar aqui para falar de um pouquinho de turismo em Minas Gerais,
01:24em Tiradentes. Estou muito feliz. Obrigada pelo convite.
01:27Imagina, quem está aqui em BH e que é do turismo te conhece muito pela sua atuação no poder público,
01:32né?
01:32Mas você é uma criatura bem famosa em Tiradentes, né? Sua história está toda por lá.
01:37Sim.
01:37Me fala um pouquinho, assim, de como é que Tiradentes saiu do lugar de apenas cidade histórica,
01:43que não é pouca coisa, para se transformar também em destino gastronômico e tão forte,
01:49tão posicionado no cenário do turismo.
01:51Sim. Eu sou, né, nascida, como diz minha avó, nascida e criada em Tiradentes, né?
01:56Então, assim, a oitava geração da mesma família mesmo, tendo nascido.
02:00Eu fui a primeira pessoa da família a sair de Tiradentes, pra estudar fora.
02:04É mesmo?
02:05É, tanto do lado de pai e de mãe.
02:07Então, é uma família que viveu ali, né?
02:09Que a gente acompanhou todo o ciclo de Tiradentes, né?
02:13Tanto da época do ciclo do ouro, um pouco da prata, quanto a decadência, né?
02:17Então, Tiradentes viveu um período, em uns 60, 80 anos, completamente esquecida, assim, também,
02:24sem muitas rendas, sem muita atividade.
02:27E foi justamente no turismo que veio esse reposicionamento da cidade também, a geração de renda.
02:34Então, aí, a gente confunde um pouco a nossa própria história do restaurante e a minha própria profissional com o
02:42crescimento do turismo na cidade.
02:46Então, assim, o que eu vejo, né?
02:47Que é uma cidade que foi, felizmente, muito bem preservada, né?
02:52Tanto do...
02:53Mesmo nesse período de decadência...
02:55Sim, justamente por isso.
02:56Entendi.
02:56Também, então, não teve um impulso econômico e nem circulação de dinheiro mesmo na cidade para fazer transformações.
03:06E também um pulso muito firme do IFAM, né?
03:10Que desde 38 está na cidade.
03:12Entendi.
03:13Então, isso foi muito importante de preservar.
03:15Então, a cidade tem aquele centro histórico inalterado, né?
03:19Praticamente inalterado.
03:20Então, isso colaborou muito para que a cidade mantivesse muita essência, né?
03:25E eu falo que, assim, Tiradente se posicionou como um destino de turismo gastronômico, né?
03:31De gastronomia, também em função do festival gastronômico, né?
03:35Que esse ano faz 29 anos.
03:37Entendi.
03:37E pela diversidade e qualidade do serviço oferecido.
03:42Então, desde...
03:43Tinha poucos restaurantes, por exemplo, o meu, né?
03:46O nosso, né?
03:46De família.
03:47O restaurante Padre Toledo foi o primeiro restaurante com vocação turística.
03:52Em 1970.
03:53É mesmo?
03:53É, e a minha avó era chamada de louca, completamente.
03:55Que já pensava em quem ia visitar.
03:57É, em quem ia visitar.
03:59Ela recebia algumas pessoas na cidade e tudo mais.
04:03E não tinha onde levar essas pessoas.
04:05E ela falava, sobrava tudo para ela.
04:06Porque ela era muito boa cozinheira.
04:08Aí as pessoas iam, ela recebia, comia e levantava e ia embora.
04:11Ela viu uma oportunidade de empreendedorismo, né?
04:14De empreender também.
04:15Mas todo mundo chamou ela de louca.
04:16Porque foi um investimento que ela fez.
04:18E, né?
04:19Que ela fez com uma ajuda também de um casal belga.
04:24Mas com isso deu muito certo.
04:26Então, ela conseguiu, né?
04:27E com isso começou essa história da gastronomia.
04:30Em Tiradentes, onde, né?
04:31Ela mesmo fala.
04:32E muitas pessoas da cidade que têm seus empreendimentos hoje falam que ali foi uma escola.
04:38Muita gente saiu e abriu seu próprio negócio depois e tudo mais.
04:42Então, o que eu vejo é os eventos, os festivais, né?
04:45Agora a gente tem, esse ano, 29 anos da Mostra de Cinema e 29 anos do Festival Gastronômico.
04:52Então, foram dois eventos que começaram a transformar a cidade.
04:56Pelo audiovisual, né?
04:58Não na indústria do audiovisual na cidade, mas na projeção da cidade.
05:03E com isso, o Festival Gastronômico.
05:05Então, eu acho que uma coisa apoiou a outra no sentido de serviço.
05:09Então, Tiradentes é...
05:10O de cinema acontece no início do ano.
05:14E o de gastronômico nos dois últimos de agosto, sempre.
05:18E com isso vieram vários outros, né?
05:21Vários outros culturais, né?
05:23Gastronômicos, sempre muito ligado à cultura.
05:26Ao posicionamento que a cidade sempre teve do turismo cultural.
05:30Como que o Festival Gastronômico chegou em Tiradentes?
05:33Então, na verdade, teve uma gestão municipal com a presença, com o secretário de turismo muito inovador,
05:43que é o Ralf Justino, que foi prefeito, inclusive, há um tempo atrás.
05:47E com uma visão, e é diferente.
05:50E enxergava, valorizava já esse potencial da cidade.
05:55A cidade já recebia, já um...
05:58Mas quando o festival chegou, há 29 anos atrás, já existia um movimento e ele juntou isso num festival?
06:05Sim.
06:06Na verdade...
06:07Já tinham restaurantes?
06:08Alguns restaurantes, mas tinha potencial, mas não tinha muito.
06:12Entendi.
06:12Então, com isso foi a gestão pública, aliada a uma ideia empreendedora.
06:18Então, começa ali numa gestão pública e depois não.
06:21E depois, esses dois festivais, principalmente, eles crescem independentes com poder, né?
06:26Com a iniciativa privada.
06:27E cresceram, viraram o que que viraram, referências nacionais.
06:32E com isso, levou a cidade.
06:34Projetou e foi crescendo.
06:36Então, eu falo muito que a gastronomia, ela vem tanto, lógico, da vocação gastronômica mineira,
06:41mas também da qualidade e diversidade dos serviços também na cidade, sabe?
06:46Teve um momento...
06:48Não sei se eu tô errada, tá?
06:49Dei 29 anos, eu era muito criança.
06:53Pois é, eu tô bem.
06:55Mas eu lembro que muita gente falava assim, nossa, Tiradentes é um destino de paulista,
06:59só tem paulista empreendendo lá.
07:01Houve esse momento novo, assim, era isso de fato?
07:05Porque, assim, quando eu vou a Tiradentes, eu vejo restaurantes de proprietários mineiros mesmo, assim.
07:11Aconteceu isso? Mudou?
07:13Qual que é a sua visão?
07:15É, a minha visão, né?
07:16Posso estar enganada também, claro.
07:17Porque a gente tem estatística disso, né?
07:18Eu quero, assim, a sua percepção de ser de lá mesmo.
07:21A minha percepção é a seguinte, como há, né, 29, quase 30 anos atrás,
07:26viveu, sim, aquele momento em que, aquele sonho, né?
07:29Nossa, de muitos empreendedores ou profissionais paulistas, cariocas, né?
07:35De fora, como a gente diz, fora, ou extra tiradentina, que tem até nome, né?
07:40Uma brincadeira.
07:41Como é que é o nome mesmo?
07:42Extra tiradentina, são os 13.
07:44É, uma pensa.
07:46Ai, muito bom.
07:47Já teve muita briga em relação a isso, mas...
07:48A gente nem é bairrista, não é pouco, mas a cidade cresceu muito em função dessa mistura.
07:54Sim.
07:54O olhar de fora, o olhar empreendedor que vem com inovação e juntando com a tradição, né?
08:02E é uma cidade muito empreendedora.
08:04Eu falo que é uma cidade muito empreendedora.
08:06É diferente, assim, eu ando, né?
08:07A gente, né?
08:08Andou aí por essa Minas Gerais inteira.
08:10A gente sabe que, às vezes, não é fácil trabalhar com empreendedor.
08:13A gente conta nos dedos, na verdade.
08:15A gente conta, a gente sabe que essa coisa, esse trauma do quinto, né?
08:18De estar sempre se sentindo explorado, desconfiado.
08:22É fato, né?
08:23Eu brinco que a Inconfidência Mineira não acabou.
08:25Não acabou.
08:26Exato.
08:26Não acabou, né?
08:27Então, desde então, a gente tem esse movimento.
08:30Então, por isso, esse olhar de fora foi muito importante, sabe?
08:33Legal essa visão sua.
08:35Eu tenho muito essa visão, assim, eu mesma acredito que, né?
08:39A gente foi impulsionado por essas pessoas que vieram também por esse olhar até de valorizar
08:43o que a gente tinha, de entender.
08:45Então, assim, nesse apogeu, assim, muita gente se deslumbra com a cidade, com aquele olhar
08:50pacato de viver numa cidade linda, que estava crescendo, começando a crescer com muitas
08:55necessidades, com muita possibilidade de empreender e, com isso, largar aquela vida agitada
09:03das grandes metrópoles.
09:04E aí, sim, teve muitos investimentos, né?
09:08Pessoas que estiveram, né?
09:09Foram empreender na cidade, com certeza.
09:12Um momento também que as famílias que moram ali no centro histórico, a gente fala se os
09:18pais, as mães começam a falecer e as pessoas precisam acabar vendendo seus imóveis naturalmente.
09:24E aí, outras pessoas compram e vão chegando outras pessoas na cidade.
09:28E, com isso, também, pessoas como, por exemplo, o Juanê, né?
09:32Que foi pra Tiradentes, hoje tem o Instituto Juanê, né?
09:35Que ele tem uma casa no centro histórico.
09:37O Ives Alves, que foi um diretor da Globe, que se apaixonou pela cidade, né?
09:41Que fez muito.
09:42Então, são olhares muito interessantes.
09:44Mas, em contraponto, nessa cidade que eu tô falando, empreendedora, a gente tem muito
09:49hoje empreendedores tiradentinos.
09:54Que acabou da região, sim.
09:55A gente, a cidade vive em torno do turismo.
09:58Muitas pessoas que, a gente fala, há 30 anos atrás, que tinham, eram funcionários,
10:04eram colaboradores de outros lugares, hoje tem seus próprios negócios.
10:08E é uma cidade que hoje atende todos os tipos de bolso, né?
10:11Que eu falo.
10:12Saiu, deixou de ser uma cidade elitista só.
10:16Que teve esse momento, né?
10:17Que teve esse momento, 15 anos, 20 anos atrás.
10:20Um momento muito, tudo muito caro.
10:22E hoje, eu vejo que tem pra todos os bolsos.
10:25Eu falo que você hospeda por 80, 100 reais.
10:28Tem hostel, né?
10:30E albergues e tal.
10:32E a gente tem pousadas de 4 mil reais a diária, 6 mil reais a diária.
10:36Então, tem pra todos os bolsos.
10:37Também na parte de restaurante.
10:39Então, acaba virando uma cidade democrática também.
10:43Nesse sentido.
10:44E como que a sua vivência no restaurante, como é que ela influenciou, ou se foi vice-versa,
10:51na sua trajetória e no marketing do turismo?
10:53É interessante, assim, né?
10:55Eu pensar que...
10:57Porque o natural seria se formar primeiro como chefe de cozinha.
10:59Se formação primeira é como presbóloga, né?
11:02É turismo.
11:02E eu fui justamente, eu achava...
11:05Na época, eu queria ter uma experiência de morar fora.
11:08E eu achava, vou fazer um curso que eu preciso sair, né?
11:13E aí, acabei, lógico, obviamente, quando eu te falei, cresci vendo a cidade crescendo, né?
11:19As coisas chegando, essa questão do empreendedorismo e tudo mais.
11:24Trabalhei nas primeiras edições dos dois festivais que eu falei.
11:27É mesmo.
11:28Os pré-estágio ali também.
11:31E na logística e tudo mais.
11:32Então, o mundo dos eventos já me encantava.
11:38Mas...
11:38E aí, o que que acontece?
11:40Eu não sei te falar o que que veio primeiro.
11:41Mas acaba que não me vejo fora desse ambiente do turismo e gastronomia.
11:47O que é a cidade, né?
11:48A cidade é isso.
11:49É um turismo gastronômico.
11:50E a gastronomia eu fiz depois.
11:52Então, eu brinco, né?
11:53Tem pouco tempo que eu formei em gastronomia.
11:55Mas que eu estou no meio há muitos anos.
11:58Na cozinha você nasceu, né?
11:59Nasci na cozinha.
12:00Literalmente, com a minha avó.
12:02Minha avó sempre cozinheiro.
12:03Meu pai também.
12:04Então, sempre estive ali dentro do restaurante.
12:07Mas, em 2016, mais ou menos, eu vi uma necessidade.
12:11De profissionalizar.
12:13E eu brinco que eu corri.
12:15Sabe?
12:15Eu corria da gastronomia.
12:16Eu corria, corria.
12:17Mas teve uma curva em alguma esquina aí.
12:19Que ela virou e falou assim...
12:20Minha filha, não dá mais.
12:22Vem cá.
12:22Vem cá.
12:23E aí, não consegui.
12:24Não consigo largar.
12:25E me divido entre as duas atividades hoje.
12:29E mesclando muito o turismo gastronômico, né?
12:32Então, até como consultora, eu trabalho muito nos festivais gastronômicos.
12:36Então, eu vou para aí Minas inteira, apoiando os festivais gastronômicos nos destinos, né?
12:42Então, eu falo assim.
12:43Onde eu nasci ali, profissionalmente, que eu estou no restaurante desde pequena.
12:48Aprendi a ser profissional ali dentro com meu pai, com minha avó, com os meus tios.
12:53A gente trabalha desde menina, mas fora foi o meu primeiro...
12:58Os meus primeiros trabalhos foram justamente nesses dois eventos.
13:00Onde eu vi a oportunidade de aprender fora daquele lugar.
13:04Que extrapolava o restaurante, né?
13:06Exatamente.
13:07Aí, acaba que misturou as coisas e eu pulei para dentro e aí não consigo sair, assim.
13:12Ficou meio intrínseco, assim.
13:14Fernanda, eu queria aproveitar da sua experiência.
13:16Queria fazer uma reflexão, assim.
13:17Que é uma coisa que às vezes eu fico pensando quando a gente está falando de um super nicho, como
13:20é a gastronomia, né?
13:22A gente tem um segmento de turismo e eu falo assim.
13:25Tudo vira turismo de alguma coisa, né?
13:27Então, é o que me incomoda, sabe?
13:28Tipo assim, turismo de sono.
13:31Gente, turismo...
13:32Viaja só para ficar dormindo, não.
13:34Eu concordo.
13:35Então, assim, isso às vezes me incomoda.
13:37Mas a gente sabe que alguns segmentos são muito prioritários.
13:39O caso da gastronomia é esse.
13:41Mas como que é o comportamento do turista?
13:43Tipo assim, eu sou um viajante de turismo gastronômico.
13:47É uma pessoa que viaja só para comer porque tirar dentes é um caso de higiene.
13:51A gente sabe que a gente tem história, tem um monte de coisa para fazer ali.
13:53E a gastronomia vem junto e vem junto assim, para e para.
13:57Sim, sim.
13:58Agora, os outros destinos que se posicionam só como destino gastronômico, como é que é o movimento desse turista nesses
14:07destinos?
14:08Ele come de manhã, de tarde, de noite, entendeu?
14:10Sim, sim.
14:11Pois é.
14:11Isso é muito interessante.
14:13Então, de olhar.
14:15Por exemplo, se a gente olhar, Tiradentes, se não me engano, oito anos atrás, dez anos atrás, tentou se posicionar
14:23como uma cidade criativa da gastronomia pelo Unesco.
14:26Pleiteou esse título e não conseguiu.
14:29E olha, como assim Tiradentes não conseguiu e Paraty conseguiu?
14:33Então, essa é uma boa reflexão e que eu acho que é muito coerente.
14:37Por quê?
14:38O turismo gastronômico em Tiradentes, por muito tempo, ficou só como estar à mesa comendo.
14:43É isso que você acabou de perguntar.
14:45A gente come de manhã, à tarde, à noite, é só buscar restaurantes, estabelecimentos?
14:50Não.
14:51O turismo gastronômico, ele vai muito além.
14:54O turista gastronômico, ele quer buscar a origem dos produtos.
14:57Ele quer conhecer um produtor de queijo, um produtor de cachaça.
15:01Ele quer saber onde que você comprou.
15:03A experiência gastronômica, ela não está só na mesa.
15:05Ali é o ponto final.
15:06No ato de comer.
15:07Ah, que bacana.
15:07É o ponto final ali, né?
15:09Que a mesa posta é uma possibilidade.
15:12Então, quando Tiradentes se posicionou só dessa forma para obter esse título, não conseguiu.
15:17Porque o turismo gastronômico, ele vai trabalhar toda a cadeia.
15:20Como Belo Horizonte.
15:21Monte Belo Horizonte é uma cidade criativa da gastronomia.
15:24Não só porque a capital dos boteques é também.
15:27Mas é porque ela tem um trabalho social em torno da gastronomia, da segurança alimentar muito grande.
15:33Os restaurantes populares são um exemplo para o Brasil inteiro.
15:38Então, tem toda uma cadeia.
15:39As hortas urbanas e tudo mais.
15:41Então, tem tudo em torno desse turismo gastronômico.
15:44Que não é só ter um estabelecimento.
15:47Então, Tiradentes também começou a se posicionar diferente.
15:50Assim como outros destinos que a gente vê.
15:52Andradas, por exemplo.
15:53Que a gente conhece bem também.
15:55Então, são cidades que o quê?
15:57Por exemplo, Tiradentes.
15:58Tem hoje...
15:59Gonçalves também.
16:00Tem muito desse movimento.
16:01Exatamente.
16:02Então, por exemplo, Tiradentes.
16:04Hoje tem as vinícolas.
16:05Tem três vinícolas próximas.
16:07Ou na cidade.
16:08Onde você vai conhecer o processo produtivo.
16:11A história.
16:13Como que é feito os doces.
16:15Produção de doces.
16:16Tem fábrica de chocolate.
16:18Então, assim.
16:18Falo de um modo geral.
16:19Mas, no restaurante Padre Toledo.
16:22É um restaurante histórico.
16:24É um restaurante que tem 55 anos.
16:26Tem panelas de barro que estão ali.
16:29De pedra, desculpa.
16:30Que estão ali há 55 anos.
16:32Contando histórias.
16:34Com mobiliário.
16:35Um casarão de 1720.
16:37Então, a experiência gastronômica.
16:39Ela está nesse sentido também.
16:40Não é só o ato de chegar e comer.
16:42Então, a gente tenta sempre passar isso para...
16:46É isso que o turista quer.
16:47Então, cada vez mais as pessoas estão buscando a gastronomia.
16:52Como forma de conhecer os lugares.
16:53É um pouco diferente.
16:55Eu não vou naquele lugar para conhecer a gastronomia.
16:57Eu vou conhecer a gastronomia daquele lugar para conhecer.
16:59Então, eu sempre brinco que...
17:01Eu falo assim.
17:02Diga-me o que tu comes.
17:04Isso que eu direi de onde é.
17:06Muito bom.
17:06Sabe?
17:07Porque o turismo gastronômico é isso.
17:09É a cultura alimentar.
17:11Então, a gente fala.
17:12Se você falar uma pessoa que come tacacá.
17:14A gente vai saber de onde que está.
17:16Exatamente.
17:16Então, de onde que é.
17:18Então, por aí...
17:19Então, é muito mais do que a gente só comer.
17:22É viver experiências em torno do alimento.
17:25A Unesco tem essa percepção de como identificar.
17:30Vamos falar só neste caso específico aí de destino criativo da gastronomia.
17:35Você percebe que o turista hoje que viaja e que consome...
17:39Ele já percebe isso?
17:40Ele tem consciência de que quando ele está fazendo uma viagem gastronômica, ele vai passar por essa trajetória toda?
17:46Sim, sim.
17:47Isso é o que...
17:48E uma...
17:49É o nicho.
17:51É o segmento que mais cresce hoje.
17:53Na verdade, o turismo de experiência.
17:55E, novamente, a gastronomia, ela nos permite, né?
17:59A comida, a cultura alimentar dos lugares permite a gente conhecer verdadeiramente os lugares.
18:05Então, a gente entender por que que aquele povo come aquilo.
18:08De onde surgiu aquele alimento.
18:10E como surgiu, por que que, né?
18:13Por exemplo, a mandioca tão forte no Brasil.
18:16E se a gente for...
18:16A nossa história, Minas Gerais.
18:18A gente, se você quiser contar a história de Minas Gerais, pega um feijão tropeiro.
18:22Pega um feijão tropeiro e você vai contar a formação, né?
18:26Tudo de onde...
18:27Inclusive, ganhou um prêmio agora, né?
18:28Na Atlas.
18:30Sim, sim, exatamente.
18:32Então, a gente entende ali a nossa formação histórica.
18:35Então, dentro do feijão tropeiro, a gente tem as influências indígenas, africanas e portuguesas, né?
18:42Então, a gente foi...
18:43Nós fomos moldados ali também muito em termos...
18:46Em torno do que a gente come, né?
18:47Então, eu ando em Minas inteiro.
18:50Eu fui trabalhando.
18:52Eu sou a louca da taioba, que o pessoal aprende comigo, né?
18:54Porque eu adoro a taioba e é uma história também familiar, de vó.
18:58E trabalho muito a taioba.
19:01E sempre trabalhei a folha.
19:03Eu não sabia de trabalhar a raiz dela.
19:06E fui pra cidade de Taiobeiras.
19:09No norte?
19:10No norte de Minas.
19:11Achando que eu ia trabalhar muito a questão da taioba, da folha, obviamente.
19:15Não, eles comem e não comem a folha.
19:17Eu fui ensinar a comer a folha.
19:19E eles me ensinaram a comer a raiz.
19:21Então, isso é cultura alimentar.
19:23Isso, imagina, é possível...
19:24É de deslocar...
19:27Se deslocar para este local para aprender algo em torno daquela cultura alimentar.
19:32Então, as pessoas estão cientes, estão em busca disso.
19:35Então, por isso que eu falo, a gente tem a IA, a gente tem toda a tecnologia, mas não
19:39substitui.
19:40Nunca.
19:40O deslocamento para a gente conhecer.
19:43Até porque é sensorial.
19:44É sensorial, não tem como, né?
19:46É o cheiro, é o paladar, é a visão.
19:49Não, não é tudo.
19:51E a gastronomia explora isso tudo.
19:52Ela explora isso tudo.
19:53Então, assim, até destinos que não são tão conhecidos mundialmente pela sua gastronomia,
19:58hoje tem investido.
19:59A gente vê o sul dos Estados Unidos, trabalha muito forte a comida crioula e a comida deles,
20:05né?
20:06Também originária.
20:07Sim.
20:07É uma mistura para se posicionarem também.
20:11Como destino gastronômico, né?
20:13Como destino gastronômico, né?
20:13E tirar esse estigma também só de fast food, né?
20:15Só de fast food.
20:16Que é um estigma forte também.
20:18Fortíssimo e que muita gente já fala, não vou deixar, não é a minha primeira opção
20:22de destino.
20:22Por causa disso, né?
20:23Com medo da comida, né?
20:24Com medo da comida.
20:25Que coisa incrível, né, gente?
20:26É interessante.
20:27E aí, como a gente vai voltando.
20:29Então, a tendência, eu falo, o futuro, ele é ancestral.
20:32Já que eu falo isso uma vez, eu concordo.
20:34O futuro da comida, ele é ancestral.
20:37Por quê?
20:38Hoje, uma das formas de preparo que estão mais crescendo, mas que está chamando a atenção,
20:45é o cozimento dos alimentos diretamente na brasa.
20:48As coisas que os homens das cavernas faziam.
20:51Nas pedras quentes, né?
20:53Fazer o pão enterrado nas pedras quentes ali.
20:57Isso tudo o quê?
20:58A gente é a busca pelo conhecimento através do alimento.
21:03Então, isso é uma tendência da gente sempre estar buscando, indo na origem.
21:08É isso.
21:08E o turismo gastronômico, aí a gente vai, a gente tem, eu acho que muita coisa ainda
21:12a ser explorada, explorada no sentido bom.
21:15A conhecer, né?
21:17Agora, polêmica.
21:18O que me ocorreu aqui agora, assim, eu quero aproveitar das suas opiniões.
21:24A gente entrou num movimento, assim, nossa, a gastronomia agora realmente ficou muito
21:29reconhecida, né?
21:29A gente sabe que, ai, todo mundo, ai, Minas, é do pão de queijo.
21:32Hoje, as pessoas de fora entendem que Minas Gerais é muito mais do que isso, né?
21:36Eu conheço o Padre Toledo, lá realmente é uma comida mineira, que ela vem muito bem
21:41pratada, né?
21:42Que vem tudo muito bacana, mas é comida mineira.
21:44O torresmo é torresmo.
21:46Não é panceta, o molho, blá, blá, blá, blá.
21:49O que você acha desse movimento de, que pra mim é, tá?
21:53Vou chamar desse nome, mas excessivamente gourmet de Minas Gerais, sabe?
21:58Assim, tem hora que eu vejo o chefe, sem dar nomes, que tá tudo muito gourmet, que tá
22:02tudo muito afrancesado.
22:05E a França, pra mim, como consumidora, é totalmente o oposto de Minas, porque Minas é
22:09fartura, né?
22:11Como é que você vê esse, você acha que ele tá acontecendo mesmo?
22:13Você tá gourmetizando demais?
22:15Tá.
22:16Eu acredito que tá, e há um movimento...
22:19Você falou de ancestralidade, de voltar lá atrás, mas a gente tá...
22:23Tá ficando chique demais.
22:24É, o movimento, eu até falo dessa aura inconfidente que a gente tem, né?
22:30De sempre estar ali entre dois polos.
22:32Então, fica ali, parece que você tem que se posicionar.
22:36Se é a cozinha mineira contemporânea, ou a cozinha mineira tradicional.
22:40Aí eu já falo que a partir...
22:42Só daí já tem um erro.
22:43As duas são tradicionais.
22:45Porque a tradição é um conhecimento que a gente passa.
22:49Então, pra mim, é a cozinha mineira contemporânea e a cozinha mineira clássica.
22:54A do quadro Toledo, ela é 80% clássica.
22:57E, claro, colocamos, né, desde 2020, que a terceira geração está à frente, né, na gestão,
23:04é alguns pratos contemporâneos, como que eu falo.
23:09O que seriam pratos contemporâneos?
23:10Contemporâneos, por exemplo, pratos individuais, né, talvez um pouco mais leveza.
23:15Aí a gente vai lá, a gente retoma lá na França, né, no Velho Cuisine, né, onde a gente sai
23:20daquelas mesas,
23:22daqueles banquetes com árvores, com caças na mesa e começa a reduzir, não a quantidade que você come,
23:28mas uma forma mais delicada de servir.
23:31Então, por exemplo, às vezes pessoas que querem comer, uma quer comer um prato, a outra, né, outro, por exemplo.
23:37Então, o que que eu faço? Um risoto de canjiquinha, tá, te dar um exemplo.
23:41É, aí, ó, já vão brigar comigo, risoto de canjiquinha, canjiquinha, não é, não se faz risoto com canjiquinha,
23:47só com arroz arbóreo.
23:49Então, esses classismos também a gente tem que tomar cuidado, porque a gente, sem as inovações, a gente não sai
23:54do lugar, tá?
23:56Mas retomando, por exemplo, a França hoje tem um movimento da comida de campanha, que a gente fala,
24:03a comida do interior tá voltando à cena, tá?
24:06Ah, então, aquela comida, a gente acha que França, que todo mundo, né, eu morei, tive lá durante dois anos
24:11e meio,
24:12que todo mundo vai comer sempre empratado, né?
24:14Uhum, sim, é o serviço.
24:16Não, as comidas são compartilhadas à mesa, a gente compartilha pratos também principais,
24:22um entrecô, ele vai ser feito, não é individual pra cada um, vai ter uma mesa italiana, como a gente
24:28brinca, né, também.
24:29Então, assim, o que eu acho, né, voltando pra esse assunto de Minas, em Minas,
24:33eu acho, sim, que tem muita gente fazendo pratos, que não são mineiros, mas você coloca uma folha de orapronobis
24:40e é uma cozinha mineira,
24:42e é cozinha mineira gourmet, né, eu odeio essa palavra, primeiro, eu acho que a gente tá em Minas,
24:48as pessoas que estão em Minas, elas querem comer cozinha mineira, claro, como eu te falei, a gente tem sim
24:55que inovar, né,
24:57eu vejo menus de degustação maravilhosos, com releituras, né, então, por exemplo, eu tenho um clássico nosso,
25:03frango corapronobis, é um prato, você tem, né, as porções menores, que é uma tendência da humanidade,
25:12porções menores, então a gente sempre teve pratos, ou pra quatro ou pra duas pessoas, hoje a gente tem individuais.
25:17Então, o que a gente tem hoje, oferta também? Um risoto de frango corapronobis, porque à noite...
25:26E o risoto é com arroz arbóreo?
25:28É, com arroz arbóreo, é com arroz arbóreo, mas feito realmente com caldo de galinha que a gente faz,
25:35sabe, com os ingredientes ali da nossa horta, né, e tudo acompanhado ali,
25:40Então, isso pra mim é uma cozinha mineira contemporânea.
25:43Agora, é muita invenção, sabe, e muita gente não valorizando, querendo desvalorizar os panelões de pedra,
25:53borbulhando os tachos, sabe, como se assim, como se aquilo tivesse que ficar do canto,
26:00Sinto, no canto, porque não, a gente tem que falar de inovar, e como se só inovar fosse esquecer um
26:09pouco ali,
26:10é aquilo também, a gente só tem uma cozinha mineira contemporânea porque a gente tem a clássica,
26:15assim como na França, assim como na Itália, né, então assim, eu acho que tem que ter muito cuidado, sabe,
26:23de falar que tá fazendo uma cozinha, são cozinhas incríveis, mas não necessariamente são mineiras.
26:30E como é que o estrangeiro percebe esses pratos que foram abrasileirados,
26:35por exemplo, um risoto de canjiquim, assim, não sei se você recebe estrangeiro lá, com certeza.
26:39Recebo muito, muito.
26:40E aí? Eles não tem uma, tipo assim, poxa, cadê meu arroz arbórea, eles não tem essa...
26:44Não, aí eu vou te falar, por exemplo, o risoto de canjiquim dificilmente vai sair pra um estrangeiro,
26:49no meu restaurante.
26:50É mesmo?
26:51É, eles querem o prato tradicional.
26:54O tradicional, o tradicional, entendi.
26:54Sabe, então já chega perguntando, o que é que tem mais tradicional?
26:57É o brasileiro mesmo que quer provar aquilo de uma forma diferente, com uma técnica diferente.
27:02Eu acho que é, é válido.
27:03Então são técnicas modernas, gente, a gente tá com inovação na cozinha, técnicas que
27:07não tinha na época da minha avó, da minha avó, vão trazer pra cá, né, então eu gosto
27:12de brincar com o fígado congelor, por exemplo, sabe, a gente pode fazer tanta coisa, né,
27:16uma terrine com fígado e congelor, você tá comendo fígado e congelor da mesma forma,
27:21com uma releitura, ok, mas tem, o turista principalmente, ele quer diversificar, ele quer ir no mercado central
27:30comer um fígado congelor, tradicional, durante o dia e à noite ter outras opções também,
27:36mas no restaurante as pessoas já chegam brifadas e chegam ali já, muitas vezes recomendadas
27:43para comer aquele frango, sabe, então por exemplo, o frango, uma, o que eu falo, frango a molho pardo,
27:52hoje em Tiradentes tem três restaurantes que servem molho pardo, é muito, e mesmo assim
27:59não é todo dia, no nosso restaurante todos os dias você vai encontrar frango a molho pardo.
28:04E tem saída?
28:05Tem.
28:05E por que o frango não serve?
28:06Por que que não serve?
28:07Porque tem uma regra de vigilância sanitária que proíbe de qualquer um ter o sangue.
28:13Entendi.
28:14Lógico, você não pode comprar o sangue em qualquer lugar.
28:16Sim.
28:17Nunca.
28:17Tem toda uma regra e a gente segue essa regra.
28:20Com seu fornecedor, né?
28:20Sim.
28:21Só que tem certas coisas que a gente vai matando a tradição.
28:25Que foi o risco que o nosso queijo passou, né?
28:27Isso.
28:27O queijo, os doces no tacho, né, a mesma coisa, não deixar mexer numa colher de pau, né,
28:34quantas mulheres, quantas quitandeiras sofreram, perderam gosto pela profissão.
28:39Eu que não sou menzinha cozinheira, não sei cozinhar sem colher de pau.
28:43Então, sabe?
28:43Ninguém morreu.
28:44Então, assim, tem um cuidado.
28:45É muito feio falar isso, mas ninguém morreu.
28:46Ninguém morreu.
28:47Tem que ter um cuidado com a colher?
28:49Tem.
28:49A gente troca as colheres sempre.
28:52Eu troco na minha casa, no restaurante, a gente tem que trocar também.
28:54Olha aí, ó.
28:55Já vai vir crítica, tá?
28:57Olha lá, usa a colher de pau no restaurante.
28:59Então, é lógico que a gente tem que ter um cuidado.
29:01Não vou usar madeira, mesa de madeira, pra cozinhar.
29:04Claro.
29:05Lugar que corre o risco de ficar úmido, né?
29:07Sim, só que tem certas coisas, igual o nosso queijo, né?
29:10Olha o risco que a gente correu e olha o que nós nos tornamos com a nossa originalidade,
29:15com o queijo de leite cru.
29:17Sim.
29:17Onde que nós chegamos, onde Minas se projetou pelos nossos produtos, de um modo geral.
29:22Então, assim, essa coisa a gente tem que tomar muito cuidado, porque há um movimento
29:27de, assim, restaurante bom, e eu vou além, chefe de cozinha bom, por exemplo, trabalha
29:36só com o clássico, mas nem é chefe de cozinha.
29:38Entendeu?
29:38Eu acho que tem que tomar um cuidado com isso.
29:40Sim, sim.
29:41Sabe?
29:41Porque, ah, o chefe de cozinha é só aquele que trabalha técnicas muito bem elaboradas.
29:47Um finge...
29:48O que que é uma técnica bem elaborada, né?
29:51Um finge frita, não é?
29:52O doce de leite que a minha avó faz.
29:54Sim, não é uma técnica elaborada, né?
29:56Então, taca aquela receita para um francês fazer, só se joga.
30:00Não vai fazer, porque tem toda uma cultura por trás.
30:04Assim como alguns pratos, a gente também não vai fazer, porque são muito simples do
30:07dia a dia, franceses, por exemplo.
30:09Dando o exemplo da França, porque é clássico.
30:11E vai ter gente que vai xingar também, mas uma coisa também que me incomoda.
30:16A tal da paeja mineira, aquilo ali, né?
30:18Mexidão, sem feijão, não, Fernanda?
30:20E tal.
30:21Isso é interessante.
30:23Outro prato que me incomoda.
30:25Eu não acho...
30:26E também é vestidão sem feijão, gente.
30:28Tem muita gente que...
30:30Eu não acho.
30:30Eu já vi paelhas mineiras...
30:32A técnica da paelha sendo feita...
30:36Com ingredientes mineiros.
30:37Então, eu acho, sim, que seria uma paelha mineira, por exemplo.
30:40A gente pode romantizar um pouco a coisa.
30:43Entendi.
30:43Sabe?
30:44Eu acho.
30:45Agora, é diferente de, por exemplo, o que a gente estava vendo...
30:49Eu fico a sensação que é tipo assim...
30:51Ah, eu preciso fazer para muita gente, eu vou fazer uma paelha mineira, mas...
30:53Então, eu já vi gente fazendo maravilhosamente bem.
30:57Entendi.
30:57Sabe?
30:58Bem...
30:58Sabe aquelas técnicas que cada hora tem uma coisa para colocar?
31:02Aquela raspinha no fundo da panela que as paelhas têm e tudo mais.
31:07Agora, tem.
31:07Tem gente que vai fazer de qualquer jeito.
31:09Aham.
31:10Né?
31:10Então, é igual a mesma coisa do risoto de...
31:13De canjiquim.
31:15Sabe?
31:15Então, é risoto.
31:16Não.
31:17Você vai deixar o risoto...
31:18A canjiquim, ela só perdeu o caldo?
31:20Não.
31:20A gente faz...
31:22Eu faço o risoto de canjiquim com a mesma técnica do risoto.
31:25Eu uso só que grãos mais grossos.
31:28Entendi.
31:29De canjiquim?
31:30De canjiquim, né?
31:31Artesanal, geralmente.
31:32E uso, em vez de usar o vinho branco, eu uso a cachaça.
31:36Entendi.
31:36E faço todo um trabalho ali para, né?
31:40É claro, mas...
31:41É uma forma de você mostrar uma forma diferente de fazer aquele prato.
31:47E até para a pessoa esperar mais ou menos o que vai chegar, né?
31:50Que vai vir uma coisa mais papudinha, né?
31:53Exatamente.
31:53Aí uma couve crocante.
31:56Aí, tá vendo?
31:57A gente vai falar de couve crocante.
31:59Por que tem que falar que é crisp?
32:01Se ela é crocante.
32:03Então, tem todo também um jogo de marketing que eu entendo.
32:06Igual eu falo.
32:07Como é que é?
32:07Você vai falar assim...
32:10Creme de canjiquim com couve frita.
32:12É muito diferente de você falar um risoto de canjiquim servido com couve crisp.
32:19E dará, dará, dará, dará.
32:21Então, assim...
32:22Também tem um jogo do...
32:23Não é um jogo ruim.
32:25A gente precisa...
32:26Mas dá para cobrar um pouquinho a mais por isso?
32:28Lógico.
32:28Um custa 10, o outro custa 25.
32:30Eu dou muita aula falando sobre isso.
32:33Preciso ver os alunos...
32:34Que a gente tem que...
32:36Mas, desde que seja falada a verdade.
32:39Sim.
32:40Sim.
32:40As pessoas confundem muito marketing...
32:42Com mentira.
32:44Com mentira.
32:44E aí eu queria que você me falasse da sua passagem pela Universidade de Hans.
32:48Qual que foi?
32:48O que você fez lá assim?
32:49Qual que foi a sua especialização lá?
32:51E como é que você traz isso para a sua experiência?
32:53Pois é.
32:54Foi muito...
32:54Como eu te falei, vivi correndo da gastronomia.
32:58E quando eu cheguei na França, eu fui e comecei um Master 2, que é de pesquisa,
33:04e na área de gestão.
33:07Muito dentro da economia.
33:08Então, eu saí de uma faculdade de turismo e quis estudar o desenvolvimento turístico.
33:13Então, morava em Hans, estava em Hans.
33:17E foi na época que estava chegando a Hans, o trem de grande velocidade, o TGV.
33:23Que a viagem de França, de Hans, Paris, de 1h40, ia passar para 45 minutos.
33:30Então, eu fui estudar, lógico, tinha um grupo de trabalho, que um ia estudar a questão de empregabilidade,
33:41outro de imóveis, especulação imobiliária e tudo.
33:45E tinha um grupo e eu no turismo.
33:47Então, a gente viu que ia se desenvolver?
33:51Será que lá ia se desenvolver agora?
33:53Iam chegar mais turistas lá?
33:55Ia.
33:55Por causa do acesso.
33:56Do acesso, mas eles não iam pernoitar.
33:59Eles iam estar mais fácil de voltar.
34:02Então, como é que seria a hotelaria?
34:03E o que fazer para manter?
34:05Isso tem alguns anos já, né?
34:06O que fazer?
34:07Então, a gente foi estudar isso, o que fazer, e ir lá, a região da Champagne,
34:11o único lugar no mundo que você pode chamar de Champagne.
34:15Só que o Champagne lá era muito pouco explorado em termos de turismo.
34:20É meio só como produto.
34:21Como produto.
34:22E as pessoas vivem muito bem lá.
34:23E a gente ficou daqui achando que era 20 anos.
34:25Era 20 anos, mas tem uns quase 20 anos.
34:27Mas mesmo assim, né?
34:29Então, você imagina que era uma das regiões mais ricas da França, mas uma das menos turísticas.
34:36Olha isso.
34:38E a gente vê isso tanto em Média Gerais.
34:39É.
34:40Café.
34:41Café, os vinhos hoje.
34:42Os vinhos.
34:43Os vinhos.
34:43A gente está chegando, a gente está fazendo esse movimento.
34:45Então, eu estudei lá um pouco isso, as necessidades e os desafios.
34:50E quando eu cheguei aqui, eu fui trabalhar na Secretaria Estadual de Turismo.
34:55Foi no ano que eu cheguei, eu fui convidada para trabalhar com diretora de produtos.
35:01Marketing de produtos, foi quando a gente se conheceu.
35:03E justamente trouxe um pouco isso e a questão de quê?
35:08De trazer lá naquela época, trabalhar o turismo de experiências, 2007, 2008.
35:13E trabalhar a questão dos receptivos.
35:16Das empresas, lembra que surgiu o Minas Recebe.
35:19Então, um pouco dessa visão e que não era...
35:21Eram muito parecidos os desafios na época.
35:24Então, hoje eu vejo, por exemplo, eu acompanhei algumas coisas lá.
35:28É uma cidade que começou a crescer um pouco mais no turismo, sim.
35:32As grandes casas de xampan estão lá.
35:35Então, surgiram mais hotéis e tudo mais.
35:37Mas ainda não é uma das principais cidades.
35:40Apesar de que tem uma catedral lá, da Joana d'Arc, uma história fantástica.
35:44As pessoas vão e voltam.
35:45Então, ainda não tem um circuito como eu acho a gente.
35:48Nesse ponto, a gente está à frente.
35:49Entendi.
35:49Um circuito de desenvolvimento do turismo, de experiência em torno...
35:54Hoje, a gente tem do vinho, do queijo.
35:57Sim.
35:58Em vários locais, mas só mais na Canaça.
36:00Na Canaça também.
36:01Na nossa região, o queijo das vertentes está crescendo cada dia mais.
36:05O queijo da Lagoa.
36:07Os vinhos, gente.
36:08A mantequeira inteira.
36:09A mantequeira inteira.
36:10Então, assim, nós também estamos...
36:13Eu acho que Minas tem caminhado a passos interessantes.
36:20Eu acho que começou a sair do ostracismo e começou a entender que tem muito potencial
36:25também, apesar dos grandes desafios.
36:27Eu fico vendo muito, assim, né?
36:29Eu, desde aquela época lá, né?
36:31O circuito do ouro, que a gente só via as cidades históricas, cidades históricas,
36:35cidades...
36:35Que é muito bacana, mas olha hoje como é que a gente tem o turismo muito mais diluído
36:39no estado.
36:40E muito mais possibilidades, assim.
36:42Porque a gente falava de Minas Gerais, a gente estava falando de quatro ou cinco destinos
36:45só.
36:46Exatamente.
36:46Isso até outro dia.
36:47Exatamente.
36:48E também, eu vejo também mudanças no mundo, mundiais, tá?
36:55De comportamento mesmo.
36:56De comportamento.
36:57Antes que, né?
36:57Lá naquela época, a gente falava muito ainda...
37:00O turismo, ele não estava com tanta essa mobilidade.
37:03E as pessoas, não sei se você lembra, não aceitavam quando a gente falava de turismo
37:06de proximidade.
37:08A gente tinha que ir para as feiras fora e divulgar todas as cidades do circuito.
37:13Você lembra a briga política que dava?
37:15Lembro, lembro.
37:15Então, hoje, já entende-se que determinado destino, ele deve ser divulgado para aquela
37:22público.
37:23Então, cidades históricas...
37:25Eu sempre falo isso.
37:26Isso também dá muita polêmica e as pessoas, às vezes, não concordam.
37:30Mas, por exemplo, o que eu vou competir no mundo?
37:33Posicionando em Minas Gerais.
37:34Hoje, a gastronomia, graças a Deus, a gente está aí bem competitiva, né?
37:40Porque a unicidade não é a comida gourmet que veio para cá.
37:45É a origem que a gente tem.
37:47Não só a clássica, mas os produtos que a gente tem são muito responsáveis por isso.
37:52Mas, eu vejo que a gastronomia, cidades históricas e outras coisas se posicionam para
37:59mercados internacionais.
38:01Outros, não.
38:04Outros potenciais de Minas, eu vou divulgar para o nacional.
38:07Então, eu não posso, às vezes, ir para uma feira internacional, levar turismo de
38:12natureza competindo com a Foz do Iguaçu.
38:15E tem que ter essa maturidade para entender isso, né, Fernanda?
38:19Isso é inteligência financeira de gestão de destinos.
38:22Então, assim, era naquela época quando os circuitos brigavam.
38:26Hoje, a gente já entende.
38:27Você já entende que, por exemplo, às vezes, eu divulgar...
38:30Por exemplo, as cidades do sul de Minas, divulgar para Franca, Ribeirão Preto, vai ter muito
38:36mais sucesso, muito mais dinheiro circulando.
38:38Aí, daqui a 10 anos, vamos voltar e ver.
38:40Exato, né?
38:41É por aí.
38:42Sabe?
38:43Então, eu vejo que começou uma maturidade.
38:46E as cidades...
38:47E aí, a pandemia, eu acho que reforçou isso.
38:49Sim.
38:50Porque as pessoas começaram a revisitar lugares próximos e entender que, perto de mim, eu
38:55tenho muita coisa boa, sabe?
38:57E aí, já tendo estado dos dois lados.
39:00Poder público e iniciativa privada.
39:03E, dos dois lados, com liderança.
39:07Como é que você entende, Fernanda?
39:08O que o empreendedor precisa entender da gestão pública?
39:12E o que a gestão pública precisa de entender da realidade do empreendedor?
39:17Porque são dois com o mesmo objetivo, mas com ritmos, com atuações completamente diferentes.
39:22Completamente diferentes.
39:23O que eu vejo muito, sabe?
39:25E também atuando no terceiro setor, né?
39:27Porque é uma associação.
39:30Então, a gente não entende ainda muito, brasileiro, o papel de uma associação.
39:35É sempre assim, qual o benefício que eu tenho.
39:37Porque a gente não pensa coletivo, né?
39:38Isso é tão triste, né?
39:39É triste, porque, muitas vezes, a associação é que ela resolve muitas coisas do setor.
39:45Sim.
39:45A Bras é um exemplo disso.
39:47É muito grande.
39:48Então, assim, o que eu vejo?
39:50Não se faz turismo sem os dois.
39:53Sem a iniciativa privada ou sem o órgão público.
39:58Mas se faz mais sem o órgão público, sem o setor público.
40:02Não existe turismo sem a iniciativa privada.
40:06Porque não tem hotéis públicos.
40:09Quase nenhum.
40:10Pouquíssimos, né?
40:11Vamos falar.
40:13E nem tem que ter...
40:13Que normalmente estão sob concessão, né?
40:15Concessão.
40:16Então, eu falo que é um exemplo bem simples, mas é igual, por exemplo, saúde.
40:20Sistema de saúde.
40:22Política pública de saúde.
40:23Ela é executada nas UPAs, pelo SUS.
40:28Nos hospitais públicos.
40:31Chega no cidadão final.
40:32Chega no cidadão.
40:33Através de uma política pública executada pelo Estado.
40:37O turismo, ele não é executado pelo Estado.
40:41Então, quem tem que ajudar nessa normatização, nessa legislação, é a iniciativa privada.
40:48Então, muitas vezes não se escuta.
40:50Então, acho que um desafio é ainda o setor público não escutar a real necessidade.
40:56Então, às vezes, quer se fazer, inaugurar uma praça, estou dando um exemplo.
41:02Sendo que era muito mais efetivo sinalizar para chegar naquela cachoeira belíssima.
41:07Sabe?
41:08Então, por quê?
41:09Vamos ouvir.
41:10Então, ou quer fazer muitas coisas turísticas em destino que não tem uma hospedagem.
41:15Não tem restaurante.
41:17Não tem...
41:18Então, são princípios básicos.
41:19A gente não precisa de ter...
41:20Falando no caso de Minas Gerais ou do Brasil.
41:22A gente não precisa de ter os 5 mil municípios brasileiros trabalhando, turismo.
41:26Não é todo mundo que vai ser turístico.
41:27Não precisa mesmo.
41:28Do mesmo jeito que não vão ser todos que vão ser industriais.
41:31Exatamente.
41:32Então, eu acredito ainda muito na questão do indutor.
41:34Lembra dos 65 destinos indutores?
41:37Aquilo era maravilhoso.
41:38Era.
41:38Como que era?
41:39E eu vejo a prática, sabe?
41:41Voltando lá em Tiradentes.
41:42Tiradentes, destino indutor.
41:44Ali das vertentes, ali daquela região.
41:46Olha o que aconteceu com a região.
41:48É uma região turística.
41:49A gente vê que em 15 anos, é uma região turística.
41:53A gente vai a prados com aquela especificidade de prados.
41:57A gente vai a Lagoa Dourada porque a gente quer aquilo.
42:00Então, eu acho que também o papel do setor público,
42:04também, eu vejo, às vezes, enquanto empresários,
42:08não só do setor de turismo, difícil demais.
42:11Não há uma simplificação da nossa vida.
42:14Tanto fiscal, é uma das coisas que a gente luta muito
42:17enquanto associação.
42:18São pequenas empresas.
42:19São pequenas empresas.
42:19Os produtores, então, nem se fala a tributação desse pessoal.
42:24Exatamente.
42:24E hoje, o que mais atrai, voltando, sabe?
42:27Acho que tudo que a gente está falando,
42:28a gente fecha numa coisa só.
42:30As pessoas vão, querem ir a determinados lugares,
42:34para conhecer a produtora da quitanda.
42:37Sim.
42:37A produtora que faz a horta orgânica ali.
42:42E como que elas, às vezes, como chegar lá?
42:44Entre o poder público.
42:46Então, assim, eu acho que faltam os conselhos.
42:49Serem conselhos.
42:50Serem conselhos.
42:50Serem conselhos.
42:51Em vez de preocupar se é consultivo, se é deliberativo,
42:53eu estou realmente aconselhando e representando o meu setor?
42:58A demanda, ela é efetiva?
43:01Ela é coletiva?
43:02Ela é só para o meu negócio?
43:04Exatamente.
43:04E, sim, todos eu vejo andando.
43:06Você acha que a gente falou de tirar dentro, você acha que é perfeito?
43:09Hoje mesmo, a gente estava numa discussão, às vezes, acalorada,
43:13da questão de, por exemplo, programação de eventos públicos,
43:18públicos como um carnaval, uma semana santa.
43:21Por que que não conversa junto?
43:23Isso, assim, já dá para estar resolvido, né, gente?
43:25Acontece todo ano, né?
43:26Carnaval, semana santa, semana do saco cheio.
43:28Todo ano tem.
43:29Sim.
43:29E legislar também, por exemplo, uma cidade igual a Tiradentes,
43:32que vive muito dos festivais,
43:35não pode acontecer dois eventos realmente na mesma data.
43:38A gente vive uma sazonalidade muito alta também.
43:43Então, assim, é junto.
43:45Então, aí o papel dos conselhos e das associações,
43:48de estarem juntos numa mesma mesa,
43:51mesmo com divergências pessoais ou de opiniões diversas,
43:56mas conseguirem pensar no destino como um todo.
43:59Então, acho que é esse um desafio.
44:01Parece que a gente quer piegas, mas ainda acontece.
44:05Sim, e é um exercício, né?
44:07Porque eu falo que essas reuniões, às vezes,
44:09elas deixam de ser produtivas e propositivas
44:13e viram a sala de terapia.
44:15Vira.
44:16Para a gente ser turismólogo, não é psicólogo.
44:18Você tem que ir para terapia.
44:19Resolve o seu problema na terapia e vem para cá para contribuir.
44:21Exatamente.
44:22Porque você vê conselheiro que chega e fala,
44:24levanta para ir embora.
44:27E não escuta.
44:29Como?
44:30Exatamente.
44:30E também, agora, não existe, pode pensar, pensa em destinos turísticos bem desenvolvidos no Brasil.
44:41Todos são impulsionados por iniciativa privada.
44:44Sim.
44:44E aí, qual que é o problema também do empresário?
44:47Achar que tudo é o setor público que tem que fazer.
44:50Também.
44:51Desde a sinalização, ok, infraestrutura, ok, mas de promoção, por que que não junta?
44:55Uhum.
44:56Por que que não, sabe?
44:57Então, às vezes, em tirar dentes acontece isso, sabe?
44:59A gente juntar um grupo de empresários e fazer uma cotização e promover.
45:04Sim.
45:04É, vamos dar um exemplo.
45:06Mas são várias outras iniciativas que eu acho que também é muito pômodo ficar sentado falando.
45:11Apontando, né?
45:12Apontando que o setor público não fez, sabe?
45:14Então, eu vejo essas duas coisas.
45:16É, eu acho que a gente vai aprender a pensar no coletivo mesmo que parece simples, né?
45:21E é simples, mas não é fácil.
45:22E o turismo não desafia.
45:23Total, porque não tem hierarquia.
45:25É, e não se faz sozinho.
45:27Não se faz.
45:28Setor público não adianta criar uma política pública de turismo
45:33pra quem executar.
45:35Ele vai abrir um hotel, os restaurantes, uma loja de lembrancinhas e de artesanato?
45:41Sim, não tem jeito.
45:42Então, não adianta.
45:43Tem que estar junto, né?
45:45Para e passo ali.
45:46E falando de sazonalidade, Fernanda, assim, quais são os desafios, né?
45:49Vamos falar de tirar dentes, que a gente tá usando de case aqui por causa da sua história,
45:53mas você roda muito.
45:54Acho que a gente pode falar em linhas gerais mesmo.
45:56Qual que é o impacto da sazonalidade no turismo?
46:00É, ó.
46:01Então, desde hoje a gente tá falando, né, Bela, de SG, né?
46:07A gente tá falando hoje, a sustentabilidade, ela sai daquele local, daquele lugar de só
46:12meio ambiente, né?
46:13De preocupar com o meio ambiente, pra gente falar de um modo geral, né?
46:16A gente tá falando de meio ambiente, de social e economia.
46:19Então, tudo tá junto, né?
46:20Então, a sazonalidade é um problema muito sério pra gente, porque vem a alta temporada
46:27e enche demais esses espaços e atrapalha a questão do meio ambiente.
46:32Mão de obra, a gente não tem a mão de obra suficiente, treinada, ou então a gente começa
46:37a ter os primeiros empregos, ótimo isso.
46:39O setor, por exemplo, de alimentos e bebidas é o setor que mais emprego, gera o primeiro emprego.
46:43Mas o ideal é que não fosse na alta, alta, alta.
46:45Na alta, porque você tem mau atendimento, por culpa do colaborador, não, é porque
46:50você não treinou o suficiente.
46:51Mas você não teve tempo.
46:52Você não teve tempo.
46:53Então, você já tem um atendimento, preços, superfaturado, porque tem mais demanda do
46:58que oferta.
46:59Então, é lógico, isso é lei de mercado, né?
47:03E tudo mais.
47:03Então, assim, é um problema a não diluição.
47:06Então, eu falo de um grande, por exemplo, o Natal, o exemplo de Gramado é muito legal.
47:13Ele criou uma estratégia da baixa temporada, que foi o Natal, que era ninguém ir, todo
47:20mundo praia, quem quer ir pra serra, calor, eles criaram o Natal, que hoje é o principal
47:25produto deles.
47:27Então, já diluiu, um pouco mais.
47:31E, às vezes, o que eu vejo, a gente querendo juntar tudo nas mesmas épocas.
47:35Sabe?
47:36Isso é um problema.
47:37Então, falando de Tiradentes, você tem um show, né?
47:41Show que tá muito legal, que é um movimento do entretenimento, né?
47:45Na baixa temporada, alguns shows, espaços muito legais em Tiradentes, pra receber esses
47:49grandes shows, numa baixa temporada, isso pra gente ser sensacional, porque você gira
47:53tudo de novo, que não teria um feriado, não tem um...
47:57Mas, o que tem acontecido, às vezes, o movimento desse show num feriado.
48:03Ou dois eventos juntos.
48:04A cidade não suporta.
48:06Nos três aspectos ambiental, né?
48:08Vamos falar na estrutura, no atendimento, né?
48:13E aí, o que que acontece?
48:14A baixa é demissão.
48:17Sabe?
48:17E essa alta também, excessiva, acaba sacrificando o morador.
48:20O morador.
48:21Eu falo que, assim, amo, vivo do turismo, sou apaixonada.
48:24Mas, determinadas pessoas que eu conheço, que falam, ah, eu quero muito ir a Tiradentes.
48:30Dependendo do que ela quer viver na cidade, experienciar na cidade, não vai na alta temporada.
48:36Dilui.
48:37Então, a gente tem públicos diferentes.
48:38E o público que quer viver determinadas experiências, se ele vai numa alta temporada,
48:44onde mistura diversos públicos, ele não volta mais.
48:46Não vai acontecer.
48:48Então, esse é um problema também.
48:50A gente é entender.
48:52E, às vezes, eu acho que é muito mais inteligente nos destinos, você ter uma média do que grandes ocupações.
49:02Com certeza.
49:03Não adianta que vai acontecer mesmo.
49:04A gente tem períodos de mercado que é sazonal mesmo, né?
49:08Mas, é um desafio muito grande.
49:11Eu fico nervosa, às vezes, de não conseguir atender ou, por exemplo, atender todo mundo.
49:18Saber onde está errando e não conseguir consertar aqui.
49:20Final de ano, por exemplo, lista de espera de 15.
49:25Aí, o que acontece?
49:26Uma lista de espera com 15 pessoas chovendo.
49:30Nossa.
49:30A luz acaba.
49:32Delícia.
49:33Por quê?
49:34Lady Murphy.
49:35Porque o centro histórico de Tiradentes não dá conta mais.
49:39O sistema elétrico não dá conta mais.
49:42É uma cidade histórica.
49:43Dá aquilo do que foi montado nos anos 90.
49:47Porque a cidade cresceu.
49:49Aí, vem a alta temporada, o que acontece?
49:50Sobrecarga.
49:52Sabe?
49:53Então, sobrecarrega tudo.
49:54Então, sabe?
49:55Eu estou falando todos os pontos que são ligados na atenção dessa questão da sazonalidade.
50:00O turismo, ele é uma atividade, assim, perecível.
50:03Perecível.
50:03É perecível.
50:04Não é igual um produto que, se eu não vendi hoje, amanhã eu posso vender.
50:07E esse é o desafio da sazonalidade.
50:10Porque, assim, o dia de hoje, acabou.
50:13Ele não se repete mais.
50:15Não.
50:15Porque não tem estoque, né?
50:17Não tem estoque, exatamente.
50:17Só que acaba ali, né?
50:19Então, é complicado.
50:21Mas, é isso.
50:22É juntar poder público e empresariado para tentar resolver essas coisas.
50:28Pensar junto, né?
50:29É, pensar junto.
50:29Pensar junto.
50:30E olhando para o futuro, Fernanda, assim, o que você vê do turismo gastronômico em
50:35Minas Gerais?
50:37O que você vê de tendência?
50:39Esses reconhecimentos que a gente teve no final do ano passado, né?
50:42Deram uma visibilidade muito grande.
50:43Independente de gastronomia, com inhotim, com minas, com feijão tropeiro, né?
50:49Sim, sim.
50:49A gente já, você já consegue perceber uma tendência ou uma realidade próxima?
50:54Sim, eu sempre vejo o copo mais cheio do que vazio.
50:57Então, já é um pensamento meu, assim, eu já só tenho essa visão.
51:01Então, eu vejo Minas crescendo, né?
51:04Já cresceu, né?
51:05A gente tem, né?
51:06Está posicionado como destino que é mais turístico, né?
51:10Vejo lugares que estão se antecipando, fazendo um trabalho.
51:14Por exemplo, eu vou dar um exemplo de Andradas, de novo, né?
51:16Os empresários, um grupo de empresários.
51:18Que se juntam para pensar junto com o poder público.
51:21Ou então, que tem iniciativas isoladas deles, né?
51:25Pensando já no turismo.
51:26É que uma cidade que há cinco anos atrás não recebia esse número de turistas.
51:30Hoje, olha e pensa as vinícolas.
51:31Todas as experiências que estão acontecendo.
51:34Não só lá, também na região, até municípios de São Paulo, né?
51:38Então, o meu olhar, a minha visão é essa.
51:41Que destinos que oferecem cada mais autenticidade.
51:47E que Minas é um luxo nisso, né?
51:50E o luxo está no autêntico, no verdadeiro.
51:54Muitas pessoas preferem hoje, acham que está vivendo um luxo numa casa, numa...
52:00De família, vamos dar um exemplo.
52:02Menor do que, às vezes, aquele luxo cinco estrelas.
52:04Então, eu vejo muita possibilidade para Minas nesse sentido.
52:08De valorizar a realidade mineira, sabe?
52:14A música, a cultura mineira mesmo.
52:18Acho que o mineiro começou a se enxergar.
52:22E a ter orgulho, né?
52:23A ter orgulho.
52:23A gente começou a contar.
52:25Precisou acontecer esse movimento de mostrar.
52:28Então, a gente precisa dos prêmios.
52:30A gente precisou começar com os prêmios dos queijos.
52:32Sim.
52:33Para o mundo lá fora valorizar os nossos produtos aqui.
52:36E a gente parar e pensar, olha mesmo, a gente é legal.
52:39A gente, a gente, nossa, nós somos bons, né?
52:40Só, só, é cachaça, é vinho, é azeite, é doce.
52:44Gente, são tantas coisas.
52:46Cerveja.
52:46Sim.
52:47E etc.
52:48Então, assim, a gente precisa reconhecer isso.
52:50Então, eu vejo uma tendência neste lugar.
52:54De autenticidade, de rural, sabe?
52:56Minas é rural.
52:58É, eu fico pensando, você falou de autenticidade.
53:00Na hora, falando de Andradas, na hora me veio na cabeça a Estela Valentino.
53:03Sim, saca.
53:04Nossa, eu já ia falar.
53:05Porque, assim, a gente tem várias vinícolas super legais em Minas Gerais.
53:09Mas que a gente encontra similar em outros locais.
53:12Mas a Estela Valentino, se entra ali, você fala, eu estou em Minas Gerais.
53:15Exatamente.
53:15E é luxo, né?
53:16E é um vinho maravilhoso.
53:17E o maior luxo é ser recebido pelo seu procurador.
53:19Maravilhoso ainda, melhor ainda.
53:20Esse é o luxo.
53:21E comer uma comida mineira de uma pessoa que está trabalhando lá com ele.
53:25E o Parreiral de um lado e uma casa mineira do outro, assim.
53:28É muito vinícola mineira, né?
53:30Não, muito.
53:30Que era o quê?
53:31Do vô dele.
53:32E, você sabe, e uma taioba, cheia de taioba lá.
53:36Onde eu fiz a minha amizade com o Procova.
53:38O causa da taioba.
53:40O causa da taioba.
53:41O causa da taioba.
53:41Fico brincando assim.
53:42Mas é muito autêntico.
53:43Sim.
53:44Então, esse movimento.
53:45Outras, lindas, maiores, que a gente tem em outros lugares.
53:49Sim.
53:49Mas a gente, é isso.
53:51Aquela característica ali, eu também acho.
53:54Aquilo ali, para mim, é um sinônimo de autenticidade mineira com luxo.
53:57Com luxo.
53:57É por isso que eu falo.
53:58Muitas vezes, ah, por que você não faz isso no restaurante?
54:02Por que não faz aquilo no restaurante?
54:04Por que não fez aquilo?
54:05Se nós temos 55 anos hoje, é porque a gente foi fiel, desde sempre, ao que viemos.
54:14Aqui a minha avó, meu avô, meus tis, meu pai, se propuseram.
54:18Na época que, mas são muitos restaurantes em Tiradentes, claro.
54:23Muita gente falou assim, por que vocês não viram self-service?
54:26Minha avó nunca, não, não pode dizer.
54:29Jamais.
54:29Ia ter ganhado mais dinheiro na época, com certeza.
54:31Mas a gente teria, não estaria onde a gente está hoje.
54:34É hora de entender quando que é para ser conservador, né gente?
54:37Coloca pizza, a noite, que vai dar movimento.
54:40Porque, né, você está num lugar, mas a gente precisava inovar.
54:44E é tentador, né?
54:45É tentador.
54:45E é tentador.
54:46Você tem conta para pagar.
54:47Mas é aquilo.
54:48Por isso, a necessidade das inovações.
54:50Por isso, ter uma forma de apresentar diferente, usar uma técnica diferente para trabalhar o contemporâneo,
54:56também é importante.
54:58Mas, o que nos mantém, o que nos diferencia, é a autenticidade que a gente apresenta, né?
55:04Com a receita da minha avó, da minha bisavó, há tantos anos.
55:07E isso, eu acho que é o que vai crescer.
55:09É isso que vai permanecer.
55:11Com todas as inovações e melhorias que ainda são necessárias.
55:14Eu já estou falando do negócio em si.
55:16Mas, sem perder a identidade.
55:19Esse negócio de modismo demais.
55:21Passa.
55:22Passa.
55:22Haja o moranguinho do amor, né?
55:25Acabou.
55:26Muito bom.
55:27Acabou, encerrou.
55:29E quando você está de férias, Fernanda?
55:31Quando eu estou de férias?
55:33Se é que você tira.
55:34Quando eu estou de férias, o que você faz?
55:36Viaja.
55:38Eu adoro cozinhar mesmo também, né?
55:40Eu gosto muito de cozinhar.
55:42E é claro que eu acho que receber amigos e tudo mais.
55:46E minas, né?
55:47Eu viajar, gente.
55:49Viajar, aprender.
55:51Essa troca, né?
55:52Eu falo que eu tenho um privilégio com a minha profissão.
55:55Que é um lugar onde, às vezes, eu vou ensinar, mas eu aprendo muito mais.
56:00Então, assim, viajar mesmo, encontrar nesse ponto, assim.
56:04Cada hora de um jeito, né?
56:06Cada hora de um jeito.
56:06Eu falo, eu falo assim, nossa, que delícia, você só viaja.
56:08Eu falo, não, eu não só viajo, eu trabalho muito.
56:10Mas, confesso, é bem melhor que trabalhar dentro de um hospital.
56:13Não tenho dúvidas.
56:14Não tenho dúvidas, né?
56:15Mas, eu falo que tem close e tem score.
56:20É, exatamente.
56:20É, eu vou ver só o close.
56:22Exatamente.
56:22O score.
56:22Porque a gente não é bobo nem nada e não vai mostrar o resto, né?
56:25Não, só o close.
56:26Fernanda, obrigada.
56:28É isso, querida.
56:28Obrigada a você.
56:29Prazerão te receber aqui.
56:31Foi ótimo.
56:31Espero encontrar com você lá em Tiradentes, aqui em BH.
56:34Sempre.
56:35Sempre.
56:35Quando você, sempre convidado.
56:37Quando você quiser, tá lá.
56:38Receber você.
56:39Obrigada, viu?
56:40Sempre bem-vinda.
56:41E a você, eu te convido a seguir o Instagram da Fernanda, que é o arroba fefonseca.exp
56:48e, claro, do restaurante Padre Toledo, que é tudo junto, arroba restaurante Padre Toledo.
56:54E o conteúdo diário do Uai Turismo em turismo.ai.com.br e o nosso Instagram, arroba portal Uai Turismo.
57:03Te vejo na próxima semana.
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