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A economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawauti, analisa em entrevista ao Jornal Times Brasil - Exclusivo CNBC, o impacto da escalada de tensões no Oriente Médio sobre os ativos financeiros. Segundo Kawauti, o mercado incorporou os riscos de um conflito prolongado, o que elevou as curvas de juros e pressionou as bolsas globais.

No Brasil, o cenário base prevê o barril de petróleo entre US$ 80,00 e US$ 85,00, o que pode adicionar até 0,5% ao IPCA nos próximos meses, caso a Petrobras realize os repasses. A economista alerta que essa pressão inflacionária deve tornar o Banco Central mais conservador, com um provável corte de apenas 0,25 ponto percentual na Selic na reunião de março de 2026. Para o câmbio, a projeção é de um dólar entre R$ 5,40 e R$ 5,50 até o fim do ano, refletindo a busca global por proteção.

Acompanhe em tempo real a cobertura do conflito no Oriente Médio entre EUA, Israel e Irã, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-no-oriente-medio/

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Transcrição
00:00A gente vai conversar agora com a Marcela Kauauchi, economista-chefe da Lifetime, gestora de recursos.
00:06Bom, Marcela, boa noite para você. Obrigada mais uma vez por ter vindo aqui, por estar aqui com a gente.
00:12Vamos começar falando do dia de hoje no mercado financeiro.
00:16A gente viu acontecendo aí ontem um pouco diferente, né?
00:21Teve uma trégua ontem, hoje os mercados se tocaram desse conflito, perceberam que não vai ser tão fácil assim,
00:28que talvez será algo mais prolongado, por causa disso a gente viu essa queda de hoje?
00:34Aliás, queda em todos os mercados do mundo todo.
00:37É, parece que os mercados estavam muito resilientes, né?
00:40Desde o fim de semana, quando a gente começou a ter essas notícias em relação aos conflitos,
00:44e hoje parece que tudo foi incorporado nos preços de uma vez só.
00:49Fato é que a gente está vendo que esses conflitos provavelmente vão ter uma duração bastante irrelevante.
00:55E aí os mercados começam a colocar isso nas expectativas, e as expectativas geralmente pioram nesses momentos.
01:03Crescimento mundial um pouco menor, inflação mais alta, isso eleva também as curvas de juros,
01:09e acaba pegando também no preço das ações das empresas.
01:12Então a impressão mesmo que dá é isso, eles incorporaram esses riscos todos no preço no dia de hoje, né?
01:18Existia uma expectativa talvez de algum acordo que não veio.
01:21É, e provavelmente não virá nesses próximos dias.
01:25Você trabalha com a expectativa do barril do petróleo chegar a 100 dólares?
01:30Isso de fato é possível de acontecer?
01:33É possível sim, a gente viu isso acontecer, né?
01:36Elevações do petróleo dessa magnitude em outros momentos,
01:39e que o conflito geopolítico atingiu países que eram produtores de petróleo,
01:44por exemplo, quando teve a invasão da Ucrânia.
01:46É possível, mas por enquanto o cenário base que eu tenho trabalhado é de que o petróleo fique nesse patamar
01:53entre 80 e 85 dólares o barril ali durante o período de duração da guerra,
01:58que eu estou colocando na falta de melhor dado coisa de um mês ou dois.
02:03Isso já traz impactos importantes para a inflação por aqui e no mundo também.
02:06E eu te perguntar exatamente isso.
02:08Como é que fica a pressão inflacionária aqui no nosso país diante desse cenário?
02:12A gente tem pressão inflacionária vindo em primeiro lugar por conta de preço de gasolina,
02:17que não é uma pressão direta, porque a gente precisa esperar o repasse vindo da Petrobras.
02:23Mas isso pode trazer cerca de 0,3% a meio ponto percentual a mais de inflação no IPCA,
02:29se a gente tiver esse cenário, né?
02:3180 dólares por barril, 80, 85 por até dois meses, sendo repassado pela Petrobras.
02:38Agora, se a gente tiver uma duração maior desse conflito, ou o petróleo chegando ali perto de 100 dólares por
02:44barril,
02:44a gente pode ter uma elevação ainda maior.
02:47No cenário pessimista, a gente teria dois pontos percentuais a mais de inflação.
02:51E aí ter impacto também em juros, na Bolsa, enfim, o impacto acaba sendo também repassado.
02:57Eu vou te perguntar já já de juros, mas antes ainda em relação à inflação,
03:00a gente pode ver um aumento na inflação global?
03:04Certamente. Não é só a questão do petróleo, né?
03:06A gente tem falado muito de petróleo e mesmo para o Brasil tem um repasse importante de fertilizantes
03:12que acabam encarecendo também os preços de produtos agrícolas.
03:17Para o mundo, esse repasse é ainda mais forte.
03:20No Brasil, eu falei que é indireto, porque tem a questão da Petrobras,
03:23mas, por exemplo, nos Estados Unidos, o repasse é muito mais rápido.
03:27E vale lembrar que para os americanos tem não só a questão de commodities de energia
03:32para a questão de transporte, mas também para aquecimento.
03:36Eles estão ali no final do tempo frio, do clima mais frio.
03:40Então, eles têm muito essa demanda.
03:42Na Europa também existe uma demanda por gás natural, também o Oriente Médio é importante nisso.
03:47Então, por vários canais de transmissão, a gente pode ter sim um aumento importante
03:53da inflação global por conta desse conflito.
03:55E por conta disso, a gente pode acabar vendo o Banco Central fazendo uma mudança
04:00na nossa política monetária? O que você está esperando?
04:04Com certeza o Banco Central já está olhando isso com detalhe.
04:08Os analistas ali já devem estar fazendo algumas simulações para tentar antever
04:12o que fazer na próxima reunião do Copom.
04:15Com relação a juros, a decisão de juros vai depender de efeitos mais permanentes
04:20da guerra sobre a economia real.
04:22E aí depende de duração e intensidade do conflito.
04:25Mas, para começar, em março a gente já está esperando um corte de juros,
04:30é muito provável que o Banco Central comece esses cortes de uma forma mais conservadora,
04:35pisando em ovos, tentando entender o que vai acontecer da guerra,
04:39ao invés de começar com um corte já de 50 pontos base,
04:42para depois talvez ter que diminuir o passo se a guerra continuar.
04:46Então, certamente impacta a decisão de juros aqui e lá fora também.
04:50As curvas de juros nos Estados Unidos já têm subido também com a perspectiva de que
04:55o FED não vai ter espaço para cortar os juros, tanto quanto se esperava ao longo desse ano.
05:00Quer dizer, você imagina no dia 18 de março, 0,25% em vez de meio.
05:05É, provavelmente o Banco Central vai ser mais conservador.
05:08Ele já tem se mostrado mais conservador antes da guerra e com esse ponto adicional.
05:13E com a inflação de serviços mais alta e os dados de hoje da PNAD,
05:17tudo leva a crer que o Banco Central tem ali a tendência de começar com um pouco mais de calma.
05:23Vou passar para a pergunta do Vinícius. Vinícius, por favor.
05:26Marcela, boa noite.
05:28A gente está fazendo aqui futurologia, mas vamos continuar a tentar organizar esse exercício um pouco mais.
05:34Mas o Trump disse que essa guerra demora mais quatro ou cinco semanas.
05:38A gente nunca sabe quando a guerra termina, mas o Trump pode parar simplesmente mandando os aviões voltarem.
05:44Ou pelo menos daqui a quatro ou cinco semanas pode ter uma alta de preço de gasolina
05:48ou uma queda no mercado que podem balançar o Trump.
05:52Porque esses fatores são aqueles que fazem com que o Trump mude de decisão fora a cara feia do Xi
05:57Jinping.
05:59Você acha que dá, considerando essa perspectiva, um mês,
06:03considerando que o preço do petróleo, apesar de tudo, não está descabelado, aumentou 16%, tudo bem,
06:09mas é assim, é volátil, e que o S&P 500 só caiu desde sexta-feira 1,2%, 1,3%,
06:17considerando todas essas perspectivas, você acha que as tendências do ano,
06:20você começa a mudar pensamento sobre tendência do ano,
06:23que era de real se valorizando e preço do petróleo, ninguém estava pensando nisso.
06:28Mas pelo menos em relação a preço do petróleo e mudança de expectativa inflacionária,
06:33você acha que, por enquanto, dá para pensar em alguma coisa?
06:35Ou a gente está realmente muito cedo e pensando no Trump, daqui a um mês é possível que ele,
06:40com preço de gasolina cara e bolsa caindo mais, ele mude de ideia?
06:44Do jeito que as coisas estão andando esse ano, um mês parece muito tempo realmente.
06:49O que a gente pode fazer, por enquanto, é traçar cenários, fazer simulações em relação às possibilidades desse conflito.
06:56O repasse do dólar mais alto para a economia vai depender de duas variáveis.
07:02A primeira delas é a duração do conflito, se são cinco semanas, se são dois meses,
07:08isso é bem importante porque o tempo em que o petróleo fica mais alto faz com que a economia se
07:13reindexe
07:14a esse patamar mais elevado.
07:17Se for rápido, os efeitos se dissiparem, a gente pode ter um repasse muito pequeno.
07:22Mas também ele depende da intensidade desses conflitos.
07:26Se a gente tiver um conflito muito intenso e que atinja, por exemplo, a infraestrutura de produção,
07:33como o que a gente já começou a ver nessa semana, a gente também tem petróleo mais alto por algum
07:39tempo,
07:40mesmo que o Trump resolva que a guerra está encerrada.
07:43Então, dado que a intensidade dos conflitos já foi muito mais forte do que conflitos,
07:48por exemplo, que a gente viu no ano passado, a gente pode esperar, sim, algum repasse do petróleo.
07:54O que eu quero dizer é, se a guerra terminasse hoje, a gente demoraria algum tempo
07:58para que a infraestrutura produtiva se reorganizasse.
08:02A gente teve também ataques à infraestrutura de escoamento de produção.
08:07E isso pode fazer com que o petróleo e as commodities de energia e os fertilizantes
08:12continuem altos por algum tempo.
08:14Então, algum impacto deve acontecer, mas, de novo, ele depende dessas variáveis
08:19para que a gente possa ter certeza da intensidade dele.
08:23Marcela, você trabalha com que número do dólar?
08:26Eu sei que nenhum economista gosta que a gente pergunte de dólar, né?
08:29Que é o cemitério dos economistas.
08:31Mas o que você imagina para o mercado de câmbio aqui?
08:34Para o final do ano, eu tenho o dólar mais perto de 5,40, 5,50.
08:38A gente tem tido o real bastante valorizado desde o ano passado,
08:43por conta dessa questão das incertezas em relação aos Estados Unidos.
08:47Então, é mais por conta do dólar valorizado do que o real, né?
08:51Desculpa, do dólar desvalorizado do que a valorização do real.
08:54Para esse ano, a gente tem algumas pressões importantes.
08:58Do lado da guerra, né?
09:00A guerra tem feito com que o dólar se revalorizasse, né?
09:03O dólar voltou a ser o porto seguro nessa última semana.
09:07Então, isso pesa contra a nossa moeda.
09:09Por outro lado, a gente tem uma melhora no que a gente chama termos de troca.
09:13Se o petróleo ficar mais caro, a gente exporta produtos mais caros
09:17e, portanto, entra mais dinheiro aqui.
09:19Então, são vetores que se compensam.
09:21Mas a gente tem muita questão eleitoral esse ano.
09:24Isso pode colocar o mercado ali com o olho muito focado na questão fiscal.
09:30Isso pode pesar também contra a nossa moeda,
09:33especialmente em um mundo que está mais avesso ao risco,
09:36por conta dessas incertezas a partir do começo do ano.
09:39Mas a gente está aqui falando, de novo, de surposições.
09:42Estou falando vários Cs aí.
09:44Então, o meu dólar para o final do ano é maior do que está agora,
09:47justamente por conta dessas pressões.
09:49Mas se a gente tiver uma diminuição das tensões muito rápida
09:54e a gente voltar para um cenário parecido com o dezembro do ano passado,
09:58aí, certamente, essa minha projeção vai estar errada
10:00e a gente vai ter um dólar mais perto de 5,20, 5,30.
10:03Aguardemos, né?
10:05Marcela, muito obrigada.
10:06É sempre um prazer receber você aqui, viu?
10:08Obrigada pelo convite.
10:09Obrigada.
10:10Boa noite.
10:10Boa noite.
10:10Boa noite.
10:10Boa noite.
10:10Boa noite.
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