00:00Estamos de volta. A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã estão mexendo nos preços do petróleo pelo mundo.
00:09A principal preocupação para o mercado é a possibilidade de uma interrupção à navegação no Estreito de Hormuz,
00:16uma hidrovia que, por onde, passa cerca de 20% do petróleo mundial, esse que é consumido mundialmente.
00:25Só no início da manhã desta quinta-feira, o preço da commodity apresentou uma alta, após fechar a quarta-feira,
00:34já também com valorização de 4%.
00:36A gerente-geral de petróleo, gás, energias e naval da Firjan, Karine Fragoso, está aqui para conversar conosco ao vivo
00:46no Fast Money
00:47e fala sobre mais o que podemos esperar para valorização, oscilação de preço da commodity.
00:56Karine, seja muito bem-vinda. Obrigado por participar aqui da nossa programação.
01:01Já vou começar com a pergunta mais óbvia.
01:04Incerteza gera uma oscilação de preço.
01:07Mexe com o conceito básico de oferta e procura.
01:11Temos visto o petróleo Brent, petróleo pesado, que é o mesmo, por exemplo, extraído no Irã,
01:18já oscilar, oscilar não, subir já sensivelmente.
01:24Existe uma perspectiva de maior alta nos próximos dias, uma vez que o presidente dos Estados Unidos,
01:30Donald Trump, fez uma declaração nessa quinta-feira, um pouco mais cedo,
01:33dizendo coisas horríveis estão para acontecer ali naquela região do Irã,
01:39parafraseando o que o Donald Trump falou mais cedo.
01:42Boa tarde, obrigado por participar aqui da nossa programação, Karine.
01:47Obrigada pelo convite, obrigada pela pergunta.
01:52Bom, a gente vem trabalhando e acreditamos que a gente tem aí um cenário
02:00de maior estabilidade, no sentido em que as negociações entre Estados Unidos e Irã
02:08possam avançar para uma situação de acomodação.
02:15O Irã é muito importante mundialmente pela produção de petróleo,
02:20não só pelo estreito, mas também por ser um grande produtor de petróleo.
02:24E óbvio que qualquer tensão, qualquer incerteza com relação à posição do Irã
02:29afeta aí os preços de petróleo e as possibilidades de futuro com relação à oferta
02:34e aí com relação à demanda também.
02:38Então, essa valorização mais recente do óleo é em decorrência também
02:43desses últimos acontecimentos, mas a gente tem se acostumado
02:48a observar algumas turbulências no cenário da geopolítica das energias
02:58de algum tempo para cá.
03:01Então, a gente, pelo menos há dois, três, quatro anos, a gente vem acompanhando
03:06que essas movimentações, essas incertezas, vêm se intensificando
03:12e passando a ser quase que um normal das análises de cenário de óleo e de gás.
03:21Se eu posso adicionar, no início do ano, a gente tinha aí uma previsão, na verdade,
03:28de baixa do Brent e o que a gente vê acontecendo é o contrário disso,
03:33com muita incerteza e muita oscilação, mas com tendência de aumento
03:37na medida em que países que são importantes na produção e na exportação desse óleo
03:42vêm sendo impactados.
03:44É aí que eu queria chegar, Karine.
03:46Essa aqui é a cotação do Brent, a partir de abril de 2026,
03:52a gente tem aqui uma alta de 71,80%, só hoje uma alta de 2,06%.
04:04Eu chamo a atenção para dois detalhes aqui.
04:07Esta linha em que ele passa dos 75 dólares o barril, isso é em junho de 2025
04:16e aqui uma subida que leva para essa casa dos quase 72 dólares.
04:23Karine, aqui a gente teve um ponto de estresse que foi um ataque dos Estados Unidos
04:28contra instalações nucleares no Irã.
04:31Os Estados Unidos disseram que foi um ataque muito bem sucedido.
04:34O Irã disse que conseguiria reconstruir o seu centro de pesquisa e desenvolvimento
04:41de enriquecimento de urânio.
04:43A gente tem um ponto de tensão.
04:44E agora outro, pelo mesmo motivo, Estados Unidos versus o Irã.
04:49Mas, pegando um restinho, um rabicho da sua última resposta, Karine,
04:55que você falava não só da produção iraniana, mas o quanto o Irã faz parte
05:01de uma posição geográfica para o escoamento da produção.
05:06E aí, o Estreito de Hormuz, 20% do petróleo consumido diariamente passa por ali.
05:11Nós estamos falando da produção do Irã, da Arábia Saudita, do Golfo, de uma maneira geral.
05:16Isso encarece um caso de tensão desse, que a gente vê, que eleva o preço do barril,
05:23que estava ali perto dos 50 dólares, na casa dos 50 dólares.
05:27Agora, 71, 80 na cotação de hoje.
05:30O seguro e a logística naval, que pode ser ameaçada,
05:36isso também influi nessa valorização da commodity?
05:42Sim. Qualquer tensão nessas regiões, muito produtoras, altamente produtoras de óleo
05:50e, principalmente, exportadoras, vai refletir no preço.
05:53Isso, como você colocou bem, faz parte da lei primária da economia,
05:58da lei da oferta e da demanda.
06:01Então, nós temos uma demanda que é crescente, o mundo continua crescente
06:04e, portanto, a oferta tem que acompanhar essa demanda.
06:07Se você tem alguma restrição de oferta, seja por logística ou por falta de acesso,
06:13seja por redução de pressão, de produção, desculpa, isso vai se refletir no preço.
06:18Agora, veja, nós vínhamos há dois, três anos numa tendência de queda do preço do petróleo.
06:25Na medida em que a gente tem essas tensões, a gente tem esses picos de volatilidade,
06:31de aumento do preço do óleo, mas a gente continua com uma tendência de queda.
06:36E, na medida em que as negociações avancem de forma positiva,
06:42é muito provável que nós retornemos a essa tendência de queda do petróleo.
06:47Por isso que, quando a gente olha para dentro, quando olhamos para o mercado interno,
06:51quando olhamos para a nossa produção de Brasil,
06:54é tão importante que a gente siga aí no desenvolvimento dessas novas fronteiras,
06:59principalmente, a que vem sendo mais falada,
07:01a nossa margem equatorial no arco norte do país,
07:05para que a gente possa ter planejamento e previsão de futuro de produção de óleo,
07:10nos tornando mais seguros,
07:12ou, de alguma forma, respondendo positivamente ao aumento desses riscos
07:20de redução de produto ao Brasil,
07:25ou de acesso a esse produto que é tão fundamental para a nossa economia,
07:29que são todos esses derivados do óleo e do gás.
07:33Karine, só para a gente encerrar,
07:35quero colocar isso numa perspectiva global.
07:38Esse recorte do mapa mundo aqui,
07:40claro que ele está centralizado no tal do Estreito de Hormuz,
07:44que em números atualizados, que eu fui buscar recentemente,
07:48passa aqui pelo Estreito de Hormuz,
07:50quase 21 milhões de barris por dia.
07:54Ele só perde aqui para o Estreito de Malacca,
07:58que é justamente uma curva que leva para abastecer petróleo
08:02para uma zona riquíssima do mundo,
08:04aqui o Sudeste Asiático e, em especial, a China.
08:08Olhando essa perspectiva de um impacto global,
08:12caso venha a acontecer uma guerra aqui no Irã.
08:16Aqui a gente consegue ver melhor o tal do Estreito de Hormuz,
08:20que, neste ponto, ele tem uma diferença de 5 quilômetros,
08:24um pouco mais, e poderia facilmente ser fechado pelo Irã.
08:28O estado de tensão, esses pontos azuis,
08:32são as bases em que os Estados Unidos têm apoio
08:35para uma eventual guerra, um eventual conflito com o Irã.
08:38E esse ponto amarelo já é um dos porta-aviões de dois
08:43que os Estados Unidos estão destacando para essa região.
08:46Quer dizer, o palco de guerra está formado.
08:49A gente tem essa questão do Estreito de Hormuz logisticamente.
08:53Depois dessa introdução, voltando para cá,
08:56um suposto interrompimento ou um problema logístico
09:01de entrega de petróleo no Estreito de Hormuz
09:04leva um problema para a parte oriental do mundo.
09:07Estava falando da nossa capacidade de manter um autoabastecimento
09:14olhando para as Américas.
09:16Mas, globalmente, claro que é um exercício imagético, Karine.
09:21O que seria, para o grande consumidor de petróleo do mundo,
09:25a Ásia, a China, propriamente dita,
09:28o fechamento do Estreito de Hormuz?
09:30E, obviamente, com o mundo globalizado,
09:32isso vai criando um efeito em cadeia no preço,
09:36na distribuição, depois na valorização da commodities
09:39para o resto do mundo.
09:40Queria fazer esse exercício imagético,
09:42um fechamento aqui, o quanto isso atinge a China
09:46e, por conta disso, consequentemente, atinge o resto do mundo.
09:53É, atinge a todos nós, né?
09:55Porque você, esse volume, ele representa aí algo em torno de um quinto,
10:02um quarto da produção mundial.
10:05Então, você pode levar isso para dentro de casa
10:08e imaginar que você vai consumir três quartos do que você consome hoje
10:13de energia, digamos assim, né?
10:16E, quando você não tem energia, a sua produção, por falta de energia,
10:22também vai ficar mais cara.
10:24Então, a sua energia fica mais cara e a sua produção vai ficar mais cara.
10:27Portanto, o que é produzido fica mais caro também.
10:30Então, isso é um impacto inflacionário nas cadeias produtivas como um todo.
10:35Tendo a China como um país que vem produzindo muito para muitos países,
10:42há que dizer também para o Brasil, isso impacta diretamente a nossa economia também.
10:49Então, de fato, é um efeito que nenhum de nós deseja.
10:53E aí, eu repito mais uma vez que o que a gente pretende, espera,
10:58no sentido de, de fato, fazer muita força para que aconteça,
11:04é que a gente consiga avançar aí em boas relações,
11:08e bons resultados de uma negociação entre Estados Unidos e Irã.
11:12Doutora Karine, eu estudei diplomacia e resoluções de paz, né?
11:17Eu sou um pacifista acadêmico, inclusive.
11:20Espero que cheguemos a essas soluções diplomáticas.
11:24A fala do Donald Trump, mais cedo, infelizmente, por enquanto,
11:28me sugere um outro caminho.
11:30Estou torcendo muitíssimo para estar errado.
11:33A ver os desdobramentos, a gente retoma essa conversa,
11:35porque, obviamente, isso vai gerar reflexo no preço do petróleo,
11:40na logística de carga e, como a senhora falou agora há pouco,
11:44no preço da energia, globalmente falando.
11:47Conversei com Karine Fragoso, que é gerente-geral de petróleo, gás, energias e naval da Firjan.
11:53Muito obrigado mais uma vez por participar aqui do Fast Money.
11:56Até uma próxima.
11:57Tchau, tchau.
11:57Tchau, tchau.
11:57Então, vamos lá.
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