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O especialista em investimentos, finanças e negócios internacionais Beny Fard avalia que conflito entre EUA, Israel e Irã pode elevar petróleo, fortalecer o dólar e pressionar inflação global. Especialista cita impacto no Brasil, volatilidade nas bolsas e efeitos na curva de juros.

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Transcrição
00:00E seguindo aqui, Pablo continua comigo, porque para entender como esse ataque pode impactar dólar, preço do petróleo, mercados, inflação,
00:09eu convido para a conversa a Benefide, que é especialista em investimentos, finanças e negócios e já está conectado aqui
00:16com a gente nessa manhã de sábado. Muito obrigada por ter aceito o nosso convite.
00:21Eu que agradeço, Natália, Pablo. Bom dia a todos.
00:25Bom dia. Bom, a gente vê que isso está acontecendo num sábado, os mercados estão fechados, mas o que você
00:31já conseguiu captar por aí de impacto imediato? O que ainda pode estar por vir, Bene?
00:38Eu acho que o grande desafio é exatamente esse, Natália. Pelo fato dos mercados estarem fechados, a gente tem aí
00:44dois dias de uma volatilidade invisível de mercados.
00:47O preço do barril do petróleo, de certa forma, do Brent, já vinha ajustando o seu patamar a um possível
00:55conflito.
00:56Esse choque de oferta potencial advindo do Oriente Médio, especificamente passando pelo Estreito de Hormuz, no Golfo Pérsico, faz com
01:09que o mercado se prepare de certa forma.
01:11Então, o barril do Brent já estava na casa dos setenta e poucos dólares a verificar o que vai acontecer
01:16na segunda.
01:17Do ponto de vista de bolsas, o que normalmente acontece quando a gente tem vias de fato envolvendo especialmente nações
01:25potências, como os Estados Unidos,
01:27é de o mercado de certa forma buscar se salvaguardar, se resguardar.
01:33Então, o movimento de flight policy pode acontecer na segunda-feira, com a busca por títulos livres de risco, e
01:42os Estados Unidos são a nação livre de risco mundial,
01:45considerando-se os bons norte-americanos, e em eles estando envolvidos liderando esse movimento de dissuasão iraniana,
01:53a gente percebe esse potencial fluxo de recursos para os Estados Unidos.
01:59E o que isso pode provocar? O fortalecimento do dólar, que vinha em um movimento de impacto gradativo ao longo
02:06dos últimos anos, enfim,
02:09vinha tendo uma apreciação frente ao euro agora nessa semana, mas no Brasil, o câmbio, a gente vinha percebendo recordes
02:17baixistas,
02:18bateu 5,13 ontem, frente ao real.
02:23Então, pode haver uma apreciação do dólar, ou seja, a gente pode ter um dólar mais caro no Brasil e
02:28também no mundo,
02:29a gente deve ter um movimento talvez de maior volatilidade em bolsas, a gente pode ter as bolsas perdendo um
02:37pouco de fôlego,
02:38especialmente em emergentes, como é o nosso caso, então a gente vinha capturando semana após semana recursos internacionais
02:44em função do nosso prêmio risco Brasil, dos fundamentos da economia brasileira, a bolsa batendo 12 ou 13 recordes subsequentes,
02:52sucessivos, e ontem refluou um pouco a nossa bolsa, mas é possível que tenha um eventual revés e a gente
02:59continue tendo mais queda na bolsa brasileira,
03:02assim como em outros emergentes, a esperar, aguardar o que deve acontecer com outros países.
03:07E aqui, só para concluir, Natália, o que pode impactar diretamente todas as nações, inclusive o Brasil,
03:13é um eventual choque de oferta do petróleo que, subsequentemente, afeta o preço dos combustíveis,
03:19que, num movimento de curtíssimo prazo, afeta inflações.
03:23Então, todos os países, de certa forma, atrelam toda a sua cadeia econômica ao custo dos combustíveis,
03:30isso pode fazer preço já nessa semana, numa percepção de curva longa de juros,
03:37impactando, inclusive, esse movimento de eventuais cortes de taxas de juros no Brasil, nos Estados Unidos e por aí.
03:43Então, a gente tem um cenário que já era, de certa forma, esperado que poderia se acontecer,
03:49mesmo com a diplomacia tentando funcionar, mas agora, vias de fato, a gente tem esse desafio de percepção
03:55de o que vai haver em termos de curva longa de juros no Brasil e em outros países,
04:01inflação sendo impactada no curto prazo pelo eventual choque de oferta de petróleo
04:07e também fortalecimento do dólar e o flight policy, que deve acontecer, que é um movimento natural.
04:11Toda vez que tem guerra, os investidores buscam qualidade.
04:15Um movimento que é natural, mas que é muito rápido e é generalizado, né, Pablo?
04:22O seu ponto agora com o...
04:22Pois é, até sobre essa velocidade, né, da inflação que a gente pode ver aumentar aí
04:28por todo mundo também no Brasil, né?
04:30A gente vai ver, então, esse impacto já no petróleo, que depois ele segue para os combustíveis,
04:38aí se comentou também do próprio dólar, que acaba se encarecendo, né?
04:42Explica um pouco mais sobre essas pontas, né, que acabam, diríamos, sendo aí lançadas
04:49e para o Brasil, para nós aqui, né?
04:51De tudo o que vai fazer a gente ver preços subindo, em quanto tempo que isso pode acontecer
04:57e até os primeiros produtos mais afetados, né?
05:01Seriam alimentos, por exemplo?
05:04Perfeito, Pablo.
05:06Aqui tem alguns ingredientes, né?
05:08Alguns elementos dessa equação complexa que a gente também precisa considerar.
05:12Sim, os combustíveis afetam diretamente o preço dos produtos na gôndola do supermercado,
05:18então a gente tem esse desafio dessa leitura, dessa percepção do que está por vir,
05:24mas isso leva algumas semanas, então a gente está falando de 30, 60 dias para que isso se desdobre.
05:30Lembrando que o barulho de petróleo, do Brent, que vinha na casa dos 60 dólares até o final do ano
05:35passado,
05:36já escalou para a casa dos 72, 73 dólares agora no decorrer das últimas semanas.
05:42Então já houve uma precificação de alta, o que deve impactar como commodity,
05:47que o petróleo desencadeia uma série de impactos subsequentes no custo dos combustíveis,
05:53que estão ligados a transporte, à produção de uma forma geral,
05:56então isso acaba pressionando o supermercado, acaba pressionando o transporte de uma forma geral,
06:03acaba eventualmente elevando custos marginais.
06:07Então o que a gente deve esperar, não agora nas próximas semanas talvez,
06:11mas dentro dos próximos 30, 60 dias, é alguma volatilidade nesse sentido.
06:16A gente está vivendo um paradoxo no mundo, é uma das primeiras vezes em décadas
06:20que a gente está tendo mais oferta do que demanda literalmente de petróleo.
06:28E os Estados Unidos, que eram historicamente uma nação dependente de petróleo estrangeiro,
06:33passaram com o petróleo de xisto a dominar uma tecnologia que lhes permite um alto grau de autonomia.
06:41O movimento, e aí tem correlações, né Pablo?
06:44O movimento feito na Venezuela com o Nicolau Maduro tem a ver com esse contexto histórico
06:48que nós estamos vivenciando, na busca por um petróleo mais pesado,
06:52que influencia diretamente as usinas de refino norte-americanas
06:57que são preparadas para esse tipo de petróleo pesado.
07:00Então esse movimento de realinhamento forçoso com a Venezuela
07:05tem a ver com ter abastecimento de petróleo pesado para refino nos Estados Unidos
07:09para não ter choque de oferta de combustível lá nos Estados Unidos
07:12e eventualmente não ter impacto na gôndola dos supermercados,
07:15porque Trump, inteligente como ele, está enxergando o risco eleitoral no midterm de novembro,
07:20mas a gente também tem o petróleo iraniano e outras commodities
07:24alimentando arquirrivais dos estadunidenses, que são Rússia e China.
07:28Pelo fato do Irã estar sancionado como estava a Venezuela até pouquíssimo tempo atrás,
07:33o Irã fornece o seu petróleo aos borbotões,
07:36a China, e a China é a maior rival macroeconômica geopolítica norte-americana hoje.
07:42Então esse movimento de intervenção tem a ver sim com armas nucleares,
07:46risco a Israel, risco a Oriente Médio,
07:49o Irã historicamente vem fomentando próxis terroristas,
07:53infelizmente o povo iraniano não tem nada a ver com isso.
07:55Isso é maldade, isso é a característica perversa dos ayatollahs,
08:01especialmente o Ali Khamenei, que é um dos líderes mais perversos
08:04que o mundo já conheceu depois de tantos históricos,
08:07e eles precisam sair do regime.
08:09Só que eles estão tão entranhados, tão emaranhados com o regime
08:12por ser o Irã uma teocracia, algo que não deveria acontecer nunca.
08:17A história mostra que religião e política jamais deveriam se envolver
08:20ou se misturar, isso aconteceu.
08:22E é interesse de Rússia e China de que o Irã continue
08:28suplantando esse movimento norte-americano,
08:31dissuadindo, de busca por uma normalidade,
08:34porque o interesse econômico é geopolítico,
08:38é de acesso ao Cáspio, é de intervenção no Espírito de Hormuz.
08:41Então, o Irã é uma peça nesse tabuleiro do xadrez geopolítico global,
08:45importante e de forma extremamente assertiva e cirúrgica,
08:49Israel e Estados Unidos estão fazendo um movimento de risuazão
08:53para que a cabeça da serpente seja cortada,
08:56assim como se chama no Oriente Médio,
08:57e assim o povo possa fazer o seu levante e que haja uma normalização,
09:01não só do ponto de vista político-social no Irã,
09:05mas também se obstrua o fornecimento de recursos naturais de toda a ordem,
09:11urânio, gás natural, petróleo e por aí afora do Irã,
09:14para a Rússia e China.
09:16Esse é um dos pontos do xadrez que pouca gente tem observado.
09:20China, especialmente um país de 1,4 bilhão de habitantes,
09:23extremamente empujante, depende do petróleo iraniano,
09:27historicamente, a preços extremamente subavariados,
09:30com um deságio enorme, porque o Irã não pode vender esse petróleo
09:33para mais ninguém, então você tem esse efeito colateral positivo
09:37aos norte-americanos.
09:39E isso faz parte daquela velha máxima da filosofia de Monroe,
09:46que é adaptada para Donald, enfim, em função de Donald Trump,
09:49de buscar-se hegemonia no hemisfério ocidental e, de certa forma,
09:54frenar o avanço chinês, que silenciosamente, de forma paulatrina,
09:59ao longo das décadas, vem conquistando cada vez mais espaço
10:03na geopolítica e macroeconômica global.
10:05E assim, todas as pontas vão se conectando, né?
10:08Venezuela, China e tudo que a gente está presenciando no Irã agora.
10:11Quero agradecer, Benefaz, especialista em investimentos,
10:15finanças e negócios, pela participação ao vivo com a gente nesta manhã.
10:19Bom sábado por aí e até a próxima.
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