00:00A gente vai trocar o telão agora, vai sair esse panorama das bolsas americanas e vem o Rafael Coracine, que
00:06tem mais detalhes do mercado pra gente.
00:09Coracine, eu tô vendo você ao lado do Jason Vieira, não é isso? Sejam muito bem-vindos vocês dois aqui
00:14ao Radar.
00:17Obrigado, Marcelo. Obrigado à nossa audiência.
00:19Olha, o desempenho das bolsas de valores agora deram uma arrefecida, muito por conta do fechamento do estreito de Hormuz,
00:29que tem mexido também com o preço do dólar e do petróleo.
00:33Tô aqui com o Jason Vieira, economista-chefe da Leve Asset. Jason, parece que voltamos pra aquele clima do começo
00:40do dia, né? Boa tarde.
00:41Sim, as tensões começam a se avolumar. Obviamente, um evento geopolítico de grande importância, um evento também de cauda, ou
00:48seja, sem previsão.
00:50Então, nesse cenário é aguardar os próximos movimentos. O que vai definir mais ou menos o rumo dos ativos é
00:56a duração.
00:58Porque, obviamente, os impactos de curto prazo, o fechamento do estreito de Hormuz, impactos inflacionários, fechamento, tudo dá essa sensação
01:04de curto prazo.
01:05Mas não sabemos quanto tempo isso vai ficar fechado, quanto tempo os Estados Unidos vão permitir que isso aconteça.
01:10Então, o cenário ainda tá muita coisa pra se desenrolar.
01:14Enquanto isso, a gente pode ver o petróleo subindo de preço, assim como as petrolíferas aqui e lá fora também?
01:20É, tudo isso depende exatamente do tempo de duração. Os impactos de curto prazo são inevitáveis.
01:25Obviamente, são reações dos investidores ao que está acontecendo, ao cenário, à foto desse momento.
01:30Agora, o filme fica mais difícil, nós fazemos uma previsão, porque, no longo prazo, havendo, sim, a derrubada completa do
01:38governo iraniano,
01:39a perspectiva é de petróleo em queda muito forte.
01:43Porque a oferta iraniana, além de ser de alta quantidade, ela é de alta qualidade, comparativamente ao petróleo que é
01:48fornecido no mundo.
01:49Curto prazo, obviamente, todos esses eventos, especialmente de caráter militar, eles têm um impacto muito forte.
01:55Então, é aguardar. Vamos ver aí, porque se há um prolongamento disso, ou seja, tudo isso vai depender de quanto
02:02tempo dura,
02:03pode haver um impacto inflacionário, que pode impactar de curto prazo, pode haver um impacto econômico em diversos países,
02:11que a gente ainda não sabe. Então, os ativos ainda estão respondendo efetivamente aos eventos de curto prazo.
02:16O Brasil é produtor de petróleo, um dos mais importantes do mundo, apesar de estar bem aquém do que a
02:22gente vê no Oriente Médio.
02:23Mas, ainda assim, essa questão do petróleo, pra gente ir permanecendo como está, é benéfico ou a gente pode ter
02:30efeitos negativos aqui?
02:32São os dois efeitos. O primeiro, você tem o efeito de mercado em empresas como a Petrobras, que podem se
02:36beneficiar de alguma maneira em relação a isso.
02:38Ao mesmo tempo, você tem o efeito negativo na inflação, que é o que preocupa demais o governo.
02:43Então, pode ser que o governo não aproveite a alta do movimento do petróleo, ou seja, a Petrobras não seja
02:48beneficiada por isso,
02:49por conta de uma política de preços que, em ano de eleição, vai tender a evitar que haja impactos inflacionários.
02:56E com relação às empresas de petróleo, hoje na Bolsa estão bem.
02:59Mas, em se prolongando o fechamento do Estreito de Hormuz, isso não pega especialmente na questão do frete e outros
03:06custos pra elas?
03:08Pra elas não, porque, na verdade, no curto prazo, como nós somos produtores, ainda há o benefício do preço.
03:14Mas, óbvio, todo o restante da cadeia produtiva acaba sofrendo impactos por conta do aumento de preço.
03:21Não só do frete por conta do petróleo, e, obviamente, por um aumento de distância de transição de diversos navios,
03:29esse tipo de coisa.
03:30Mas aquilo é mais específico em relação ao Oriente Médio, questão de fretes, esse tipo de coisa.
03:34Porque, como citei, nós, sendo produtores, nós também refinamos muito próximo daqui.
03:39Porque o nosso petróleo é um petróleo pesado, um petróleo que necessita de muito trabalho em cima.
03:46Então, nós exportamos esse petróleo pra retornar ele refinado.
03:51Mas o impacto é global.
03:53E, como eu citei de novo, a questão é o prolongamento disso.
03:57Muito provavelmente, os Estados Unidos, na situação que estão, e do modo que o Irã está, com o seu parque
04:03militar bastante debilitado,
04:05não tem condições de sustentar esse fechamento por muito tempo.
04:07Ano passado, a gente viu um deslocamento, ou um descolamento do dólar em relação ao ouro.
04:13O dólar caindo, o ouro subindo bastante.
04:15Dois ativos de segurança.
04:17Mas hoje, aparentemente, eles caminham numa mesma direção.
04:20O que ajuda a explicar esse movimento?
04:22O dólar, obviamente, ele tem o seu caráter de segurança.
04:25Mas, se fôssemos observar no passado, ele teria um impacto muito maior do que teve agora.
04:30Ele está tendo um impacto muito pequeno, muito limitado, comparativamente ao que já foi.
04:34O ouro já tem se mostrado, já por muitos anos, como um ativo mais concreto de segurança.
04:39Então, até substituindo o dólar em alguns momentos.
04:41Então, os dois estão subindo juntos por conta desses eventos geopolíticos.
04:45Mas, se nós compararmos com o passado, especialmente em relação a moedas de mercados emergentes,
04:50era para ter tido uma disparada muito maior do dólar.
04:52Nós fomos com uma alta, até considerada modesta, considerando o contexto internacional.
04:57E, falando especificamente sobre o real, como que ele tem se comportado,
05:02considerando que há o encarecimento das commodities, principalmente as energéticas,
05:07e o Brasil tende a se beneficiar com isso?
05:09É, por enquanto, curto prazo, também existe essa questão da possibilidade de melhora dos meios de troca do Brasil,
05:17por conta do aumento do preço de commodities.
05:19Mas, também tem a preocupação com a inflação.
05:21Então, são os dois aspectos que acabam se chocando no meio do caminho.
05:25Por enquanto, a questão de carry trade, o juro muito elevado no Brasil,
05:31isso tudo ainda beneficia o Brasil e outros mercados emergentes em termos desse fluxo internacional.
05:36Óbvio, todos os impactos agora são relacionados às questões de tensão geopolítica.
05:41Então, aí você tem o dólar mais em alta, o ouro mais em alta,
05:44tudo isso impactando de maneira um pouco mais acelerada.
05:47Mas, reitero, tudo depende de quanto tempo esse evento vai durar.
05:51Por quê? Como nós observamos na Ucrânia, todas as previsões, projeções e cenários
05:56que foram feitos no começo da crise, até mais ou menos meados da crise,
06:00todos se dissolveram, porque nenhum deles se perfez, como todo mundo imaginava.
06:04É isso, Marcelo. Eu volto com você no estúdio.
06:07Muito obrigado, Coracine, pelas informações.
06:09E também obrigado ao Jason Vieira pela participação aqui no Radar.
06:13Obrigado.
06:13Obrigado.
06:13Obrigado.
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