Os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã ampliam o risco geopolítico e reforçam a tendência global de aumento dos gastos militares, pressionando ainda mais o endividamento das economias desenvolvidas. Sob influência de Donald Trump, países da Otan discutem elevar investimentos em defesa para até 5% do PIB, mesmo diante de déficits elevados e juros mais altos no pós-pandemia.
Em entrevista ao vivo, o professor Vinicius Rodrigues Vieira, da FAAP e da FGV, avaliou que a abertura dos mercados deve refletir alta do petróleo, fuga para ativos considerados seguros, como ouro, e maior volatilidade nas bolsas, especialmente na Ásia. O fechamento do Estreito de Ormuz aumenta as incertezas sobre energia e comércio global.
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Em entrevista ao vivo, o professor Vinicius Rodrigues Vieira, da FAAP e da FGV, avaliou que a abertura dos mercados deve refletir alta do petróleo, fuga para ativos considerados seguros, como ouro, e maior volatilidade nas bolsas, especialmente na Ásia. O fechamento do Estreito de Ormuz aumenta as incertezas sobre energia e comércio global.
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00:00Porque os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã reforçam a tendência global de aumento dos gastos militares,
00:08ampliando o risco fiscal e o endividamento nas economias desenvolvidas.
00:12Sob pressão de Donald Trump, países da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN,
00:18se comprometeram a elevar investimentos em defesa para até 5% do PIB,
00:23mesmo diante de déficits elevados e dívidas já acima dos limites fiscais, especialmente na Europa.
00:30Com juros mais altos após a pandemia, o custo da dívida aumentou em países como Estados Unidos,
00:36membros da União Europeia e Japão, que já enfrentam endividamento superior a 250% do PIB.
00:43Nos Estados Unidos, o déficit chegou a 1,8 trilhão de dólares em 2025, com dívida de 38,7 trilhões.
00:53A busca por proteção tem levado investidores ao ouro,
00:56enquanto analistas alertam para o risco de deterioração fiscal nas economias avançadas.
01:02Mesmo fora dos conflitos, o Brasil também ampliou gastos militares,
01:06pressionando uma dívida que já se aproxima de 80% do PIB.
01:13E sobre os impactos econômicos, o risco geopolítico,
01:16a gente vai ter mais uma conversa agora ao vivo com o professor de Economia e Relações Internacionais da FAAP
01:23e FGV,
01:24o Vinícius Rodrigues Vieira, que já está aqui conectado com a gente nessa manhã de domingo.
01:28Muito bom dia, professor. Obrigada pela disponibilidade em participar.
01:33Bom dia, Natália. É um prazer estar com vocês. Muito obrigado pelo convite.
01:36Obrigada a você pela disponibilidade.
01:39Bom, professor, vamos lá. A gente está vendo tudo isso acontecer ao longo do fim de semana.
01:44Quero saber das suas expectativas para quando os mercados mundiais abrirem nessa segunda-feira,
01:50em algumas partes do mundo, na noite, fim de tarde do domingo para a gente por aqui.
01:55Nós temos, obviamente, o preço do petróleo em viés de alta por conta do fechamento do Estreito de Hormuz.
02:02É o efeito mais óbvio que nós temos como decorrência imediata desse conflito,
02:09que, ao meu ver, tende a se prolongar, porque o objetivo de Donald Trump é derrubar o regime.
02:15Caminei foi morto, mas já há processos para indicar um sucessor permanente,
02:21a um sucessor provisório. Então, a tendência é que o Irã, para usar uma metáfora,
02:25caia atirando, ou seja, tem aí muita resistência antes desse objetivo ser atingido.
02:31E aí entra o mapeamento dos mercados ao redor do mundo.
02:34A Ásia, ao meu ver, será duramente afetada, até por conta do que vocês estavam falando anteriormente,
02:40essa dificuldade em fazer a conexão com o Ocidente, seja no mundo dos negócios,
02:46e também, claro, no envio de mercadorias.
02:48As economias asiáticas ainda são muito dependentes da exportação.
02:52A exportação entre os asiáticos, China, Sudeste Asiático, Índia aumentou muito,
02:57mas, ainda assim, há a percepção dos atores de mercado que há um fluxo razoável
03:04de mercadorias com o Ocidente, que já vinha sendo complicado pelo tarifácio do Trump.
03:10Então, ao meu ver, as bolsas nessa madrugada devem entrar em viés de baixa no mundo asiático.
03:18Na Europa e nos Estados Unidos, aí a questão é um pouco mais complexa,
03:22porque, por um lado, pode haver um fluxo de investidores buscando ativos relativamente mais seguros,
03:29por mais que a dívida pública, nesses contextos, esteja mais elevada.
03:33E aqui na América Latina, talvez, por estarmos mais distantes desse ambiente geopolítico,
03:39não obstante problemas como a questão fiscal no Brasil,
03:41nós consigamos passar relativamente imunes a essa crise em termos de variação dos ativos,
03:48principalmente do dólar, porque nós estamos distantes desse espaço geopolítico
03:52e podemos atrair alguns investimentos nesse contexto.
03:56Renan, quer trazer um ponto para a conversa?
04:01Sim, professor, a informação que a gente tem daqui do Oriente Médio,
04:05neste momento, é que pelo menos 150 petroleiros que carregam tanto petróleo como gás liquefeito natural
04:13estão ancorados aqui na região do Golfo ou em mar aberto,
04:17não estão passando pelo Estreito de Hormuz.
04:20Ou seja, o que indica que, muito provavelmente, está fechado mesmo,
04:23o Irã está cumprindo a sua promessa de fechar o Estreito de Hormuz.
04:27Na sua avaliação, em quanto tempo a gente pode sentir o impacto dessa ação do Irã
04:34e como isso pode repercutir nos mercados já nessa segunda-feira,
04:39porque 150 petroleiros é um número expressivo
04:42e, obviamente, isso deve tender a aumentar nas próximas horas.
04:47É uma excelente pergunta, Renan, porque, de fato, nós temos países com grandes reservas
04:53e dentro dessa lógica de fazer uma espécie de hedging, ou seja, prevenção do risco geopolítico.
05:01Então, o efeito para o consumidor final talvez não seja sentido aí no intervalo de um mês,
05:09quiçá, 15 dias, ao redor do mundo.
05:11Mas nós teremos, sem dúvida, um aumento da cotação do petróleo bruto no mercado futuro,
05:18que sinaliza para certa instabilidade já nos mercados financeiros.
05:22Mas, de fato, chegar ao consumidor final ali ainda vai demorar um pouco.
05:27Estimo que aí de 15 dias ao mês para que esse efeito seja sentido ao redor do mundo,
05:33dependendo, claro, dos contextos de regulação dos preços do petróleo.
05:36Mas os países vão lançar mão, principalmente os asiáticos, a China, sobretudo,
05:41de reservas estratégicas para tentar mitigar o efeito,
05:45até porque não se sabe por quanto tempo o conflito vai durar.
05:48A previsão, novamente, é de algo de média duração, ou seja, resolvido imediato,
05:53como foi o que o Trump chama de guerra de 12 dias,
05:55quando foram atacadas ali as instalações nucleares do Irã.
05:59E, portanto, temos aí um grande ambiente de incerteza,
06:03que afeta primeiro os mercados financeiros e depois o consumidor final.
06:07E quais são os impactos específicos para mercados emergentes como o Brasil, Vinícius?
06:14Então, vai depender da leitura do mercado.
06:18A gente tem aí várias variáveis.
06:22A questão fiscal, por exemplo, afasta o investidor do Brasil no primeiro momento.
06:28Mas nós temos o quê?
06:30Aspectos específicos que se passam não só no Brasil,
06:32mas na América Latina, como, por exemplo, a perspectiva de que
06:35sucessivas eleições aqui na região, como da Colômbia e no Brasil,
06:41representem uma mudança de governos da esquerda para a direita.
06:44Governos de direita são representados aí no mercado,
06:48são entendidos no mercado como sendo mais favoráveis a investimentos,
06:53a um ambiente de menor regulação e mais lucros.
06:55Então, o Brasil, interessantemente, em função até do ano eleitoral,
06:59ele pode acabar, não vou dizer se beneficiando,
07:03mas pelo menos ficando ali numa posição de neutralidade.
07:06Porque seria em função desse distanciamento geopolítico,
07:10nós não estamos ali próximos nessa região, não estamos na Ásia,
07:14o fluxo aqui de mercadorias depende muito mais tanto do Pacífico quanto do Atlântico,
07:19seja para acesso à Europa, Estados Unidos.
07:22E no caso da Ásia, tanto ali tem a possibilidade de caminho pelo Pacífico,
07:26não dependemos ali do que se passa no Oceano Índico,
07:29nas proximidades ali do conflito.
07:32Então, o Brasil e a América do Sul, em particular,
07:34pode ser visto como uma espécie de paraíso,
07:37de safe haven aí nesse contexto de grande instabilidade global.
07:42Na Ásia, ao meu ver, aí sim nós teremos os maiores impactos,
07:46pelo menos no curto prazo, por conta dessas incertezas
07:49sobre o fornecimento de energia, o custo de energia
07:52e, portanto, as margens de lucros de investimentos produtivos,
07:57ainda que a situação fiscal média nos países asiáticos
08:00seja muito melhor do que no Ocidente como um todo.
08:04Então, os mercados emergentes,
08:05se os investidores fizerem essa leitura de que há aspectos distintos,
08:10localidades distintas, perfis distintos, contextos distintos,
08:13não vejo um efeito homogêneo em relação à perspectiva dos investidores
08:19em relação aos mercados emergentes como um todo.
08:22Ou seja, precisamos separar aqueles que são mais impactados
08:25em função da proximidade geográfica
08:27e aqueles que estão mais distantes,
08:28como é o caso aqui da América Latina,
08:30em particular, os da América do Sul, inclusive o Brasil.
08:34Professor, eu vou passar a bola mais uma vez
08:35para o Renan de Souza ao vivo, direto de Abu Dhabi.
08:40Professor, antes mesmo dessa ação dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã,
08:46a gente já tinha visto no mundo um armamento,
08:50quase que uma corrida armamentista,
08:51a União Europeia procurando aumentar suas defesas
08:55por causa da guerra da Ucrânia.
08:56E aí a gente está aí no terceiro mês do ano,
08:59a gente já viu o presidente Donald Trump derrubando o ex-líder da Venezuela,
09:03agora atacando o Irã.
09:05Na perspectiva das relações internacionais,
09:07quando a gente pensa no realismo,
09:09naturalmente isso pode ajudar nessa corrida armamentista,
09:12porque os inimigos dos Estados Unidos podem se sentir ameaçados.
09:16Eu queria a sua perspectiva de como o mercado desse setor de defesa
09:21pode se comportar daqui para frente,
09:23já que a gente está tendo um início de ano de 2026
09:26bastante belicoso ao redor do globo.
09:30Se há, Renan, um mercado específico que se beneficia
09:34dessa corrida armamentista, claro,
09:36é o mercado militar,
09:38o gasto militar está aumentando ao redor do mundo
09:40e em função desse conflito,
09:42independentemente do resultado,
09:43independentemente de quem vai vencer,
09:45os estrategistas políticos ao redor do mundo,
09:49líderes de países democráticos e autocráticos,
09:51eles seguem hoje o mesmo mantra.
09:54Vamos buscar mais investimentos na área militar,
09:58o que movimenta esse mercado.
09:59Então, as empresas militares que têm capital aberto ao redor do mundo,
10:05de alguma maneira, vão se beneficiar dessas movimentações.
10:09Mas eu vejo muito mais um efeito de médio a longo prazo,
10:13de fato, em termos produtivos, de retorno,
10:16e mais um efeito de variação positiva nas ações dessas empresas,
10:21as que são, obviamente, de capital aberto,
10:23em função dessa perspectiva de que não importa
10:26se estão os países próximos ao Oriente Médio,
10:29se vão ser diretamente ou indiretamente impactados,
10:32o viés já era de alta de gasto militar,
10:34e agora essa percepção de que é necessário o quê?
10:36Construir defesas ao redor do mundo para dissuadir,
10:40sejam inimigos potenciais do Ocidente,
10:43os Estados Unidos com essa atuada neoimperialista,
10:46causa temores em vários países,
10:48inclusive aqui na América Latina,
10:49como também o risco de um conflito generalizado em escala mundial,
10:53que não é o caso imediato agora,
10:55mas por antecipação vai gerar essa demanda
10:58das empresas de armamentos e tecnologia militar.
11:01Professor, o senhor acha que é grande ou é pequeno o risco
11:06de outros países acabarem se envolvendo nesse conflito
11:11e dele se ampliar ali no Oriente Médio?
11:14Nós já temos ali, Natália,
11:17uma generalização em função dos ataques do Irã,
11:19dentro daquela lógica que eu falei,
11:21do Irã cair atirando.
11:23A reação por hora está circunscrita às forças americanas,
11:27já que são países árabes aliados dos Estados Unidos,
11:30que contam com bases dos Estados Unidos,
11:32e Israel.
11:33Não vejo nesse momento, até por uma questão de cautela,
11:37a Rússia, por exemplo, por mais que seja próxima ali
11:40do regime iraniano,
11:42ou a própria China, que vai ser duramente impactada
11:44e ter um fechamento distrito de Ormuz,
11:47enviando, por exemplo, tropas.
11:48Eles vão lidar ali com uma questão muito delicada,
11:51porque sabem que se entrarem militarmente
11:54num conflito desse porte,
11:56é uma terceira guerra mundial de fato,
11:58porque seria um confronto direto com os Estados Unidos.
12:01Então, principalmente, a China era muito cautelosa,
12:03o que não significa que ela vá apenas observar.
12:06Ainda haverá injeções, como houve por parte,
12:09inclusive, da França e da China,
12:10que convocaram ali o encontro do Conselho de Segurança da ONU,
12:13que está em baixa,
12:15não consegue resolver muita coisa para não dizer nada,
12:18mas que é uma sinalização de que
12:20há, sim, um risco de que outras potências,
12:24caso o conflito se prolongue,
12:26sejam tragadas, pelo menos do ponto de vista diplomático,
12:28que pode acumular um caldo de tensões
12:32que podem, sim, culminar em algo mais amplo.
12:35O que é importante termos em mente,
12:38Natália e Renan,
12:38é que nós temos aqui, no atual contexto,
12:40algo muito mais grave do que foi ali a Guerra dos Doze Dias,
12:44porque é a morte de um líder do chefe de Estado,
12:47Caminei, goste-se dele ou não,
12:49e aí, ao redor do mundo muito criticado,
12:51era Caminei por chancelar um regime
12:53de clara violação de direitos humanos,
12:55em particular, contra mulheres,
12:58e nós temos aqui, porém,
13:00um risco que é justamente esse
13:02de violação da soberania dos países,
13:04o que gera, por si só,
13:06um cenário diplomático de muita tensão,
13:09que qualquer desvio do que é entendido
13:12como uma espécie de normalidade
13:14nas relações internacionais
13:15pode levar a uma escalada
13:18cujas consequências não são previsíveis.
13:21Renan, quer trazer mais uma pergunta,
13:23um ponto com o professor?
13:26Eu queria trazer uma pergunta,
13:28no sentido, professor,
13:29ainda sobre o petróleo,
13:31porque as nações aqui do Golfo,
13:33obviamente, elas são baseadas aqui
13:35na produção de petróleo,
13:37mas também no turismo, né?
13:38Isso tem crescido muito, né?
13:40Dubai é um grande hub de turismo,
13:43as companhias aéreas aqui
13:45faturam muito com isso,
13:47tanto em Doha também.
13:48Quanto que o senhor acha,
13:50quão, melhor dizendo,
13:51o senhor acha que esse setor
13:53pode ser afetado por essa instabilidade?
13:55Porque há um lado financeiro,
13:57mas há um lado também
13:58de que a imagem das nações
13:59dessa região aqui do Golfo,
14:02que são baseadas na estabilidade,
14:04na segurança,
14:05pode sair arranhada
14:06por causa desse conflito, né?
14:09Exato, Renan.
14:10Uma pergunta excelente,
14:11porque as economias dos países
14:13do Golfo, em particular,
14:15os Emirados Árabes e o Catar,
14:17elas começaram a circular
14:18muito em torno,
14:19não apenas do petróleo,
14:21dos recursos naturais,
14:22mas dentro de uma estratégia
14:23muito inteligente desses países,
14:25de se mover rumo ali
14:26a serviços de maior valor agregado,
14:30como o turismo, por exemplo.
14:32Então, o efeito que eu vejo
14:34no curto prazo,
14:35mas com efeitos aí claros
14:37no médio e no longo prazo,
14:39é as pessoas evitarem
14:40ir para a Ásia do Ocidente em geral
14:42via as rotas,
14:44os hubs de conexão,
14:45que vai causar um impacto
14:47muito forte nas economias,
14:49tanto do Catar,
14:50quanto dos Emirados Árabes
14:52em particular,
14:53e até da Arábia Saudita,
14:54que vinha ali ensaiando
14:55esse movimento também
14:56de se mover cada vez mais
14:57com os serviços.
14:58E aí, rotas alternativas
15:00vão ser buscadas, ao meu ver,
15:02principalmente via o Pacífico,
15:04enquanto houver ali,
15:06claro, o mínimo de segurança
15:08para fazer essa conexão
15:10entre o Ocidente e Oriente
15:12via Pacífico.
15:12Com os Estados Unidos
15:13muito, vamos dizer,
15:15draconianos fechados
15:17aí na questão de receber turistas,
15:19toda a questão ali da migração,
15:20aí entra potenciais
15:22novos hubs de conexão.
15:23Aqui na América do Sul,
15:25principalmente o Chile,
15:26na América do Norte,
15:28o Canadá e o México,
15:29que já tem rotas ali
15:30disponíveis para a Ásia.
15:31Então, também deve impactar
15:32muito esse mercado
15:34da aviação mundial
15:35e dos serviços correlatos,
15:37como, claro,
15:38notadamente a hotelaria
15:40e outras atividades
15:41de lazer,
15:42que cresceram muito,
15:43reitero,
15:43ali no Golfo,
15:45com esse caráter, né,
15:46de Emirados Árabes
15:47e Qatar,
15:47como grandes hubs
15:48de conexão Ocidente-Oriente.
15:51É,
15:51tanto que,
15:52Renan e Vinícius,
15:53a gente viu, né,
15:54e estão circulando
15:56com muito engajamento
15:57aí nas redes sociais
15:59as imagens de ataques
16:01e de cartões postais
16:02dos Emirados Árabes, né,
16:04locais muito simbólicos,
16:05prédios ali imponentes
16:07sendo atingidos
16:09por mísseis
16:10ou por destroços, né,
16:12de mísseis interceptados.
16:13Para a gente fazer
16:15uma amarração
16:16de tudo que trouxemos
16:17aqui nessa conversa,
16:18professor Vinícius,
16:19a que você estará atento
16:21ao longo deste domingo,
16:22a que sinais,
16:23e como é que você vê
16:24essa indicação, né,
16:27por parte dos líderes
16:29no Irã,
16:30já de um nome
16:31substituindo
16:32o líder supremo
16:34que foi abatido ontem?
16:36Bem,
16:37temos de prestar atenção
16:38justamente
16:39quão rápida
16:40será a sucessão
16:41à definição
16:41do líder supremo
16:42definitivo,
16:43uma vez ele definido
16:44verificar qual é o perfil,
16:47sem dúvida,
16:47um perfil de defesa
16:48da República Islâmica,
16:49mas qual é o histórico
16:51desse personagem.
16:52de ter algum histórico
16:53em relação
16:54a perspectivas,
16:55escritos,
16:56doutrinas que foram
16:57descritas em relação
16:58ao relacionamento
16:59com o Ocidente
17:00e, em particular,
17:01Estados Unidos e Israel.
17:02E do lado
17:03de Estados Unidos e Israel,
17:05ver se há justamente ali
17:07uma escalada
17:08na reação, né,
17:09quais são os alvos
17:10em particular.
17:11Me parece que vão insistir
17:13em atacar Teherã
17:14justamente dentro
17:15dessa lógica
17:16de derrubar o regime.
17:17Dentro do Irã,
17:18sei que é muito complicado
17:20ver fontes independentes,
17:21não há fontes independentes
17:22de fato,
17:23mas prestar atenção
17:24se a população
17:25vai tentar aproveitar isso
17:27para derrubar o regime,
17:28porque aí pode indicar
17:30um desfecho
17:31ou mais rápido
17:32ou até mesmo
17:33um conflito interno
17:34no Irã,
17:35uma eventual guerra civil,
17:36que também seria
17:36bastante problemática.
17:38E, Renan,
17:39quer mais uma para fechar?
17:42Eu queria seguir
17:44nessa linha
17:44qual poderia ser
17:45o erro,
17:46o risco de cálculo
17:48dos Estados Unidos,
17:49porque a queda
17:50do regime
17:51não significa
17:51que alguém simpático
17:53aos interesses
17:54norte-americanos
17:54vai chegar ao poder.
17:56Então, qual seria
17:57o risco de cálculo
17:58que talvez
17:59o presidente Donald Trump
18:00não esteja levando
18:01tão em consideração
18:02nesse momento,
18:03professor?
18:04Basicamente, Renan,
18:05o risco
18:06é o seguinte,
18:07será que Trump
18:08não coloca
18:10os Estados Unidos
18:11em mais um atoleiro?
18:12Ou seja,
18:13ele começa ali
18:14um processo
18:15que é de difícil conclusão
18:17e para concluir
18:18mais recursos
18:19serão necessários,
18:20eventualmente,
18:21o que não está,
18:21deixo claro,
18:22previsto no atual momento,
18:23que é enviar tropas.
18:25E aí os Estados Unidos
18:26estariam numa situação
18:27muito complicada,
18:28porque se não enviam tropas
18:30para terminar o serviço,
18:32perdem a reputação,
18:33porque também isso daí
18:35é um sinal
18:35para as outras potências
18:36Rússia e China
18:37que os Estados Unidos
18:37estão dispostos
18:39a pagar os custos
18:40necessários
18:40para defender
18:41a sua posição
18:42como potência
18:43hegemônica principal,
18:44ainda que estejam
18:45dispostos a compartilhar
18:46o poder parcialmente
18:47com China e Rússia
18:49nas suas respectivas
18:50regiões de influência,
18:51mas o Oriente Médio
18:52deixa claro
18:53nos Estados Unidos,
18:54é americano.
18:55E por outro lado,
18:56se eventualmente
18:58houver uma queda rápida
19:00do regime,
19:01o que não me parece
19:02que será o caso
19:03em função aí
19:03de que não se trata
19:05de um regime
19:05de um homem só,
19:06mas uma série
19:07de instituições
19:08que sustentam
19:08a República Islâmica,
19:10até que ponto
19:11que, de fato,
19:12como você bem colocou,
19:13entrará ou entrará ali
19:15alguém que,
19:16numa eventual transição,
19:18seja totalmente favorável
19:19aos Estados Unidos.
19:21ou seja,
19:22nós podemos ter aí
19:23um cenário em que
19:23os Estados Unidos,
19:24demonstrando força,
19:26acabam se arriscando
19:27a perder força
19:29por conta de desdobramentos
19:32que podem indicar
19:32o que é um sinal
19:33de fraqueza
19:34do poder americano.
19:35Esse é o grande risco
19:36de Donald Trump,
19:37ele decidiu apostar,
19:38mas a vitória está longe
19:40de ser garantida,
19:41seja para ele,
19:42seja para o mundo,
19:43porque, no mínimo,
19:44só para concluir,
19:45teremos aí um período
19:46de grande instabilidade
19:47que pode ir muito além
19:49das fronteiras
19:50do Oriente Médio.
19:52E aí os resultados políticos,
19:54inclusive,
19:55para Donald Trump
19:55internamente,
19:56podem ser muito bons
19:57ou muito ruins.
19:57Eu quero agradecer
19:58o professor de Economia
20:00e Relações Internacionais
20:01na FAAP e na FGV,
20:03Vinícius Rodrigues Vieira,
20:04pela participação
20:05neste domingo.
20:06Obrigada,
20:07até a próxima, professor.
20:08Muito obrigado,
20:09até mais,
20:10excelente domingo a todos.
20:11Igualmente,
20:12obrigado ao Renan,
20:12a gente conversa
20:13mais daqui a pouquinho.
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