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O presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais, Luiz Roberto Saldanha, analisa os impactos da instabilidade geopolítica no setor cafeeiro. Com o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz e tensões no Canal de Suez, a necessidade de rotas alternativas pelo Cabo da Boa Esperança pode elevar o tempo de transporte para a Europa em até 18 dias, encarecendo fretes e seguros marítimos.

Saldanha destaca que, além da logística, a crise energética pressiona os custos de produção no campo, especialmente de fertilizantes nitrogenados que dependem do gás natural. Apesar da recente queda de mais de 30% nas cotações da bolsa de Nova York desde outubro passado, o fortalecimento do dólar e os gargalos de infraestrutura portuária seguem como fatores críticos para a rentabilidade dos produtores e exportadores brasileiros.

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Transcrição
00:00A alta dos custos de energia e logística devido aos conflitos internacionais acende um alerta para o agro-brasileiro.
00:08O mercado de café monitora o risco de novas sobretaxas no frete e nos seguros marítimos.
00:13Para analisar esses reflexos, eu recebo agora o Luiz Roberto Saldanha, que é presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais.
00:21Luiz, seja muito bem-vindo aqui ao Radar.
00:24Muito boa tarde, Marcelo. Boa tarde a todos os telespectadores. É uma honra e um prazer estar aqui conversando com
00:30vocês.
00:31Eu queria entender com você, Luiz, como é que essa incerteza geopolítica que a gente está vivendo agora pesa sobre
00:38o custo do frete marítimo para o café brasileiro?
00:40É algo que já chegou para vocês ou ainda é uma preocupação de que isso possa vir a acontecer?
00:48É, essa é uma pergunta extremamente interessante.
00:52Então, incerteza tem sido a palavra da vez para o setor do café.
00:59A gente tem atravessado diferentes volatilidades e incertezas nos últimos anos.
01:04Primeiramente, uma sequência de eventos climáticos que prejudicaram a sobremaneira produção
01:11e mudaram o balanço entre oferta e demanda mundiais do produto.
01:14Tivemos a questão da pandemia, um apagão logístico.
01:20Tivemos a questão das tarifas e agora, nesse momento, conflito geopolítico.
01:25O custo ainda não chegou, mas já existem tratativas sendo realizadas.
01:32Então, é exatamente essa incerteza.
01:34Existem navios que estão no mar nesse momento.
01:38Existem contratos a serem performados nas próximas semanas.
01:42E aí, os clientes internacionais já imediatamente acendem a luz.
01:47Nessas novas contratações, por exemplo, já existe um problema de companhias
01:52que não estão oferecendo o seguro de guerra na região para esses navios.
01:58Outras companhias estão subindo de maneira bastante exorbitante os preços.
02:03Além do que, existe toda essa questão da necessidade da mudança de rotas.
02:09Com o fechamento do Estreito de Hormuz e a tensão geopolítica na questão do canal de Suez,
02:16a gente vai ter que mudar, alterar essas rotas.
02:18E essas rotas implicam em maiores custos e maiores tempos de trânsito,
02:23o transit time que a gente chama.
02:24Então, por exemplo, principalmente em barcas para a Europa,
02:29e a Europa é um grande consumidor dos cafés brasileiros,
02:32a gente estima aumentos na rota de 10 a 18 dias
02:36em você mudar essa rota pelo canal de Suez para o canal pelo Cabo da Boa Esperança.
02:41Então, esses custos virão.
02:44Essa incerteza vai ter que ser monitorada nos próximos dias.
02:48E existe uma série de consequências em termos logísticos
02:52em outras questões, principalmente custos e volatilidade para o mercado de café,
02:57que é uma comodidade extremamente globalizada.
02:59Agora, esse possível aumento do custo logístico,
03:02normalmente ele é absorvido pelo exportador
03:04ou ele é repassado para quem está comprando e também para o consumidor final?
03:09Essa é a grande complexidade do café.
03:11O café tem uma cadeia de valor bastante longa
03:14e, via de regra, existe uma distribuição.
03:17A gente fala que em termos de ineficiências e custos,
03:20praticamente todos pagam.
03:22Então, se a gente for olhar da ponta de cá,
03:25se você pensando em ponto exportador,
03:27se você tiver aumento de custos ou mudanças de rotas,
03:31você começa a ter a diminuição, por exemplo, de janelas,
03:36alteração de períodos de embarque,
03:39redução na disponibilidade de contêineres,
03:42no caso do café, que são contêineres de grau alimentício,
03:44você começa a ter que ficar com o produto mais tempo parado na sua mão
03:49ou no porto.
03:50E isso nós já tivemos, por exemplo, no ano passado,
03:53em função de problemas de infraestrutura portuária brasileira,
03:58a estimativa do C-café é que os portadores apenas com café
04:02perderam mais de 60 milhões de reais em atrasos de navio,
04:06em problemas de logística e de remarcação,
04:08numa condição sem ter uma crise logística.
04:12Do lado dos importadores, também vão pagar preços maiores,
04:16tanto pelos seguros, vamos dizer,
04:18a maioria dos contratos feitos por exportadores e produtores brasileiros
04:22são na modalidade FOB, ou seja, free on board.
04:26Então, a responsabilidade vai até colocar o produto no porto.
04:29Então, teoricamente, sim, esses custos serão absorvidos,
04:33a maior parte deles, em novos contratos, em novos embarques,
04:37pelos importadores.
04:38Porém, esses importadores deverão repassar isso,
04:41por isso eu estou dizendo a questão da cadeia,
04:43para os clientes, os torrefadores,
04:46que deverão repassar isso para os clientes finais.
04:50Do lado do produtor,
04:52a questão geopolítica é muito relacionada com o agro-brasileiro.
04:57Então, a gente é dependente,
04:59qualquer problema que tenha,
05:00nesse caso específico, que é uma crise energética,
05:03nós vamos ter impacto direto em aumento de custos de combustíveis,
05:08aumento de custos de energia e um impacto enorme em termos de fertilizantes,
05:12principalmente fertilizantes nitrogenados.
05:14Uma vez que a ureia, que é a maior fonte consumida de fertilizante nitrogenado,
05:19e o café, assim como o arroz, como o milho, como outras culturas,
05:22são extremamente dependentes de nitrogênio,
05:26a fabricação desse fertilizante demanda muito gás natural como fonte prioritária de energia.
05:31Então, não é só a questão logística,
05:34mas é o aumento de custo que vai ser repassado na cadeia
05:38e vai ter um estreitamento de margens,
05:40tanto para produtores, exportadores e importadores,
05:43e isso deve ser repassado lá na conta para o cliente final.
05:47É interessante você falar de estreitamento de margem,
05:50mas tem também um outro cenário em que,
05:51em vez de haver um estreitamento tão grande da margem,
05:54o preço do café no mercado internacional também suba com tudo isso, não?
05:59Esse é um cenário bastante complexo também, Marcelo.
06:03Então, vamos dizer, nos últimos quatro anos, como eu mencionei,
06:06nós tivemos sérios problemas climáticos entre as secas e geadas
06:11nas principais origens produtoras, entre elas Brasil, Colômbia, Vietnã e Indonésia.
06:16O que nós vimos nos últimos anos foi um aumento
06:19e vimos os preços recordes, tanto do café arábica quanto do café canéfora, em 2025.
06:26Para que você tenha uma ideia, em outubro do ano passado,
06:30a gente tinha uma cotação da Bolsa de Nova Iorque,
06:32que é a bolsa do café arábica, de US$4,20 por libra.
06:37E hoje a gente está com US$2,82, US$2,83.
06:40Então, são mais de 30%, 33% de queda na cotação da Bolsa de outubro para cá.
06:48Porém, na formação do preço para o produtor,
06:51a formação de um preço é bastante complexa.
06:53Então, um dos parâmetros é sim a cotação na Bolsa.
06:57O segundo parâmetro é moeda.
06:59Então, aí você tem o impacto do câmbio, o dólar fortalecendo num cenário de guerra.
07:04Isso pode sim melhorar a rentabilidade, porém, ele também vai aumentar custos,
07:08porque a maioria dos insumos estão cotados em dólar.
07:12E o outro ponto seria diferencial, no caso diferencial de origem,
07:15que está muito atrelado à origem produtora,
07:18mas também está relacionado à qualidade.
07:21Então, não é só um ponto.
07:24O que a gente pode observar?
07:25Câmbio pode sim ajudar nessa rentabilidade.
07:29As bolsas podem sim reagir nesse momento.
07:32Hoje, por exemplo, o café subiu um pouco, a cotação do café arábica.
07:37Porém, geralmente, em cenários de guerra, existe essa tendência do capital migrar,
07:42por exemplo, para metais, nesse caso específico,
07:45que é uma crise energética, para produtos energéticos e sair das commodities.
07:50No caso do café, como eu disse, que já houve este movimento de correção do mercado
07:54de outubro do ano passado para cá, principalmente entre outros fatores,
07:58mas em função de uma perspectiva de uma previsão de colheita brasileira maior
08:04que poderia trazer um melhor ajuste entre a oferta e demanda.
08:08Então, não é só o conflito em si, unidirecionalmente, que poderia impactar preços.
08:14Esses preços estão relacionados com muitos fatores,
08:17incluindo a questão das safras e a questão da demanda.
08:21Luiz Roberto Saldanha, presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais.
08:25Muito obrigado pela sua participação.
08:28Prazer é meu, Marcelo. Muito obrigado. Um grande abraço.
08:31Um abraço.
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