Alê Delara, diretor da Paine Agronegócios, analisa como a escalada no Oriente Médio pode elevar custos de fertilizantes, pressionar margens e afetar exportações do agro brasileiro.
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00:01E a gente fala mais agora sobre impactos do conflito no Oriente Médio para o Brasil.
00:06Um dos setores mais expostos é o agronegócio.
00:09A escalada de ataques pode afetar exportações de soja, milho, açúcar, carnes,
00:14com aumento do custo do frete e eventuais mudanças na demanda global.
00:19A gente vai entender melhor os efeitos em preços, margens, competitividade do país.
00:24Para isso eu converso ao vivo com a Lê Delara, que é diretor da Paine Agronegócios.
00:29Lê, muito bom dia. Obrigada por atender a gente nessa manhã de domingo. Bem-vindo.
00:35Bom dia, Natália. Muito obrigada pelo convite.
00:38A gente que agradece você por ter aceitado.
00:40Bom, Lê, vamos lá. A gente está falando muito de petróleo, das consequências e das reações que a gente deve
00:46ver
00:47assim que os mercados abrirem na cotação do petróleo.
00:51A isso se soma impacto nas nossas exportações, importação de fertilizante.
00:57Começa dando para a gente um panorama geral do que está em jogo nesse momento para o setor agro aqui
01:02do Brasil.
01:04Sim, a gente pode dizer, Natália, que tudo aquilo que está relacionado a custos de produção,
01:10independente da cultura, poderá ter um impacto devido à importância tanto do Irã quanto da região.
01:16Para eles terem uma ideia, hoje quase 45% do enxofre negociado no mercado internacional tem trânsito pelo estreito de
01:23Hormuz.
01:23E com a guerra acontecendo agora, os fretes irão disparar, as coberturas de seguro das embarcações terão um reajuste muito
01:31forte.
01:32Isso impacta no preço de aquisição desses produtos.
01:34Quase 30% da ureia globalmente negociada também passa pelo estreito de Hormuz.
01:41E o Brasil importa 15% do total da ureia que nós consumimos no país vem do Irã.
01:47Além de quase 20% da amônia, que é matéria-prima para a fabricação de outros fertilizantes nitrogenados,
01:53também passam pelo estreito de Hormuz.
01:55Então, de maneira geral, todos os fertilizantes, eles podem sentir esses impactos.
02:00Israel é o quarto maior fornecedor de KCL, de cloreto de potássio, muito utilizado na cultura da soja.
02:06Israel sofrendo ataques também, deveríamos ter uma reação de preços mais altos.
02:12E falou em ajustes de preços para petróleo, nós também falamos em ajustes de preços de logística,
02:17de gasolina, de diesel, de produtos derivados do petróleo, de sintéticos também.
02:22Então, é uma cadeia que vai ter um impacto no custo tremendo,
02:26principalmente se a guerra continuar a perdurar durante um tempo muito maior.
02:30E o Oriente Médio hoje é um mercado estratégico para as exportações do Brasil.
02:35Para o milho, o Irã é o nosso maior comprador.
02:39Quase 25% do total de milho que o Brasil exporta tem o Irã como destino.
02:45Mas temos as carnes, que são muito exportadas para a Arábia Saudita, para o Oriente Médio.
02:50Tem as carnes bovinas, que começam um fluxo também de destino para lá.
02:54A farelo de soja, a óleo de soja.
02:56Então, é uma região estratégica para o agronegócio brasileiro.
02:59E teremos impactos tanto naquilo que nós compramos, quanto naquilo que nós vendemos.
03:04Ale, o Pablo Valer se juntou aqui a nós para a conversa.
03:07Já vou passar a palavra para que ele mande uma pergunta.
03:10Quero só atualizar informações que acabam de chegar.
03:13Três pessoas mortas, confirmadas, e 58 feridas em ataques iranianos até o momento
03:20contra os Emirados Árabes Unidos.
03:22Daqui a pouco, o Renan Souza, que está em Abu Dhabi, vai voltar ao vivo com essas informações,
03:27esses detalhes, mas eu queria antecipar.
03:29E voltando ao nosso assunto do tráfego marítimo,
03:34temos também confirmação de cerca de 150 petroleiros e navios de transporte de gás natural
03:40liquefeito que baixaram âncoras ali no Golfo Pesco, antes de cruzar o Estreito de Hormuz.
03:45E outras 100 embarcações na costa do Oman, também ali, paradas.
03:50Então, isso traz um impacto absurdo, gigantesco, né, para o comércio global.
03:56Pode passar a sua pergunta, então.
03:57E já imediato, né, Nath?
03:59Inclusive, ainda sobre isso, né, Ale, você já deu um panorama legal para a gente, né,
04:03das nossas vendas para aquela região, também do que a gente compra.
04:07Agora, você poderia agora destrinchar um pouquinho mais, você também citou já a soja, né?
04:12Esses tipos de produtos que vêm para cá, eles entrariam por agora?
04:17Em que tipo de cultura?
04:19Quais que a gente poderia já ver encarecendo depois,
04:22indo até para processadores desses produtos, né, da soja, do milho, de uma carne, que seja, né?
04:29E aí, depois, chegando para a gente, então, que tipo de produto mais caro, provavelmente?
04:34É, agora, Pablo, bom dia, seriam mais os fertilizantes nitrogenados que já teríamos um reajuste de preços.
04:41Em junho do ano passado, junho de 2025, os Estados Unidos fez aquele ataque a três instalações nucleares do Irã.
04:50E, naquele momento, a ureia chegou a subir 90 dólares por tonelada, basicamente, de um dia para o outro.
04:57Após um breve acordo, ali, os preços voltaram a ceder.
05:02Agora, nós já estamos negociando ureias em patamares bem elevados,
05:06já chegando no nível de quase 500 dólares aqui nos portos brasileiros, nacionalizado já o produto.
05:12E é uma janela que o agronegócio brasileiro começa a realizar as compras para os plantios de verão
05:19e da próxima segunda safra de 2027.
05:23Só que muitos produtos que já foram comprados, eles começam a ter um fluxo de importação,
05:30ou seja, de embarque na origem de chegada aqui ao Brasil, por volta do final do mês de março.
05:36Agora, ganhando corpo no mês de abril, mês de maio, junho, julho, é onde o nosso line-up está mais
05:43carregado.
05:43Esses fertilizantes foram vendidos com preços mais baixos.
05:47Então, se o importador não fez a originação, a compra desse fertilizante,
05:51ele está exposto a um risco muito severo agora com o reajuste de preços.
05:56E também começa a haver uma insegurança, se haverá possibilidade,
06:00se o embarque desses insumos nas origens, eles ocorrerão de maneira normal ou não.
06:05Lembrando que o Estreito de Hormuz, ele não precisa ser fechado da maneira literal,
06:11ou seja, haver um bloqueio naval.
06:13Se os P&I Clubs, que são os clubes de seguradoras das embarcações,
06:17eles entenderem que há um risco muito elevado,
06:20e eles cancelarem as apólices atuais, reajustando preços em cima de uma base
06:25colocada pela Baltic Exchange em Londres, ou a própria BINCO,
06:29que regula esse mercado, classificando o Golfo Pérsico, o Estreito de Hormuz como a zona de guerra,
06:34esses seguros, eles disparam a exemplo do que aconteceu quando a Rússia invadiu a Ucrânia,
06:39onde um seguro de uma embarcação, ele chegou a ser multiplicado por quase oito.
06:43Saiu de um milhão e meio de dólares por barco para sete milhões e meio.
06:46Então, isso encarece a logística ao ponto de inviabilizar a operação.
06:51Então, nós poderemos ver uma redução drástica nas compras de fertilizantes agora,
06:57e a depender da janela que essa situação se resolva,
06:59uma menor adubação nas principais culturas aqui no Brasil.
07:02Aí estamos falando de soja, estamos falando de milho, de trevo, de café, de cana-de-açúcar,
07:06ou seja, todos os produtos essenciais estratégicos para o Brasil.
07:10O Ale, e isso que você disse dessa mudança super importante
07:13e que impacta brutalmente o comércio marítimo nas cláusulas dos seguros,
07:18isso já está acontecendo ou isso pode vir a acontecer nas próximas horas, nos próximos dias?
07:24Como é que funciona essa dinâmica e a comunicação dessa decisão?
07:29Isso, ele já está acontecendo, Natália.
07:31Por isso que nós vemos esses navios já ancorando e não atravessando o estreito de Hormuz.
07:38Quando nós chamamos de armador, quando o dono de um navio vai fazer a contratação de um seguro,
07:45a asseguradora vai levar em consideração qual é a região que ele atua.
07:49Apesar de navios petroleiros serem navios que vão aonde há carga,
07:53nós chamamos de navios Trump,
07:55eles têm uma rota quase que pré-estabelecida, vamos dizer assim,
07:59saindo do Golfo Pérsico e indo basicamente para a Ásia.
08:02Todo o petróleo que sai dali, 90% do petróleo, vai para a Ásia.
08:05Então, se há um fluxo normal, riscos estão muito baixos,
08:09há um percentual, 0,3%, 0,4%, 0,5% é o valor da embarcação dentro daquela região.
08:16Quando uma organização como a Baltic Exchange ou a própria BINCOA,
08:19ela classifica aquela região como uma área de guerra,
08:23cláusulas de war risk ou cláusula de liberty dentro dos contratos de afritamento são acionadas.
08:30Então, o prêmio de seguro exigido para que a embarcação circule e tenha cobertura,
08:35ele sobe de maneira exponencial e isso é repassado para o preço do frete.
08:39Por isso que encarece o custo de aquisição desses produtos
08:43e esse aumento do custo de reposição irá atingir diretamente as margens de processamento.
08:49Lembrando que petróleo é commodity, gás natural é commodity.
08:53O que eles vão revender, gasolina, diesel,
08:56podem não ter a mesma alta de preços do que a matéria-prima,
08:59reduz a margem da indústria, ela acaba comprando menos produto.
09:02Então, por isso que o frete, ele é tão importante.
09:05Então, lembrando, não precisa haver um bloqueio naval no Estreito de Hormuz de maneira literal,
09:10mas uma elevação da percepção de risco que inviabiliza a contratação de seguros.
09:15E aí, naturalmente, que os bancos não vão liberar o recurso para o trade finance,
09:19financiar essas operações de comércio exterior de maneira indireta,
09:23há uma inviabilidade da operação marítima e o transporte acaba cessando de maneira completa.
09:28A exemplo do que aconteceu num período muito curto, no 1980,
09:32quando houve a guerra dos tanques, quando o Iraque invadiu o Irã com 2 mil tanques,
09:37logo após a Revolução Islâmica lá no Irã.
09:40Nossa, e aí essa alteração desse custo do seguro acontece com o navio,
09:45esteja onde ele estiver, ali.
09:47E que vem e que vai, né?
09:49É.
09:50Sim, exatamente. Foi o que aconteceu exatamente agora.
09:52Os Piandai Clubs já começaram a notificar as embarcações que os contratos antigos agora,
09:58dois seguros foram cancelados e novas cláusulas foram colocadas com valores reajustados
10:03dentro de uma zona de exclusão, uma zona de guerra.
10:06É um aditivo que muda tudo, né?
10:07Pois é.
10:08E aí até, né, Ale, para quem está lá no Oriente Médio, então,
10:12vê esse produto vindo deles para cá mais caro e depois voltando para eles mais caro também
10:18com o que a gente produziu a partir desse insumo.
10:20Por exemplo, até a carne de frango, que vai muito para lá,
10:23e também até a carne de frango halal, né, Ale?
10:26Que é produzida especialmente para eles.
10:28Esse tipo de produto, a gente tem como absorver no mercado interno
10:32se por acaso a gente estiver impedido de levar para lá?
10:36Olhando só os números, sim, Paulo.
10:38Hoje as exportações nossas desses de proteína animal,
10:42elas são menores do que o consumo doméstico.
10:44Então, de certa forma, parte nós conseguiríamos absorver no mercado doméstico,
10:49mas certamente com preços um pouquinho mais altos.
10:51O impacto em produtos manufaturados, como esses que você citou,
10:55eles são menores para a indústria.
10:57Então, ainda é possível manter uma sustentabilidade financeira
11:00para os frigoríficos, porque por tratar-se de produto manufaturado,
11:04a formação de preço, você pode repassar para o preço final um custo adicional.
11:10O problema maior vai estar em commodities agrícolas,
11:13porque já que o preço é formado pelo mercado,
11:16a maioria das vezes, aumento de custos,
11:19não é possível repassar para o produto de venda.
11:22Então, as margens vão se encolhendo.
11:24É o cenário que nós estamos vendo no agronegócio agora,
11:27em 2026 e vimos em 2025 com recordes de solicitações de recuperações judiciais.
11:32Ou seja, a margem foi se espremendo,
11:34o preço de venda não reagiu na mesma proporção,
11:37com as margens negativas,
11:38a obrigação de cumprir os compromissos financeiros deixou de ser possível.
11:45Então, nós vemos recordes de recuperações judiciais.
11:46Então, um aumento da auréia exponencial, por exemplo,
11:49como aconteceu em 2022,
11:51a onda tonelada chegou a custar mil dólares.
11:53Hoje, nós estamos falando ali de,
11:55no mercado internacional,
11:57360, 370 dólares, ou seja, triplicou de preço,
12:02o milho precisaria, de uma conta simples,
12:05sair dos atuais 60 reais, 65 reais nos portos
12:08para mais de 100, para a conta ficar igual.
12:11E isso raramente acontece.
12:13Então, nesse cenário, nós deveríamos ver as margens encolhendo,
12:17as indústrias deixando de produzir,
12:20devido a esse achatamento das margens,
12:25e o agronegócio, muitas vezes,
12:27reduzindo a área de alguma cultura,
12:29por ser inviável do ponto de vista financeiro.
12:32Então, é um cenário complicado,
12:33mas, claro,
12:35deveremos aguardar os próximos dias
12:37para ver por quanto tempo
12:38essa guerra irá perdurar,
12:40e qual é a volatilidade que o mercado vai colocar.
12:43E tem um outro detalhe, rapidamente,
12:45desculpa,
12:46se o petróleo realmente tiver um movimento exponencial de álcool,
12:50vamos dizer, se aproximando de 100 dólares,
12:52e a curva de futuros do petróleo,
12:54os vencimentos à frente,
12:56eles caírem em relação ao vencimento atual,
12:59nós chamamos de inversão da curva,
13:01a chamada de margem para os investidores
13:03pode ser tão brutal
13:05que eles têm que vender outras posições de commodities,
13:08como milho, como soja, como metálicas,
13:11pressionando os preços para baixo,
13:13porque eles vão precisar garantir as margens
13:16desse ajuste negativo nas cotações do petróleo.
13:18Então, é um cenário realmente complicadíssimo
13:21que o mercado vive agora,
13:23principalmente se a guerra perdurar aí
13:24durante um tempo muito longo.
13:26Exato.
13:27E, Alê, aproveito, então,
13:28para atualizar uma informação
13:30daquele ataque, né,
13:31que a gente trouxe imagens,
13:32e podemos até trazer as imagens de momento
13:34direto de Israel,
13:36região de Jerusalém,
13:37porque subiu para nove
13:38o número de mortos
13:40após um ataque
13:42a esse prédio,
13:44a gente vê, né,
13:44os escombros, na verdade,
13:45agora, e os serviços de resgate
13:48na região de Beit Shemesh.
13:52E, então, aumentando o número
13:53de mortos confirmados,
13:56as operações de resgate
13:57continuam por lá.
13:58Então, a gente vai vendo
14:00os ataques continuando, né,
14:02seguindo, escalando, Alê.
14:04Claro que isso traz bastante preocupação,
14:06e eu queria aproveitar
14:08a sua participação agora ao vivo também,
14:10para a gente dar um zoom out,
14:11falamos muito sobre o setor do agro,
14:13do que a gente importa,
14:15especialmente fertilizantes, ureia,
14:17o que a gente exporta também.
14:19Agora, para a população brasileira,
14:21para a gente que compra lá no supermercado,
14:24traz para a gente o que que já dá
14:26para antecipar de impactos
14:29no preço dos alimentos,
14:30quanto tempo isso pode levar
14:33para que a gente sinta
14:35nas prateleiras,
14:36nas gôndolas do mercado na feira.
14:38Bem, esse vai ser um ponto importante,
14:41porque nós poderemos ver
14:43reações diferentes.
14:45Vamos pegar o mercado
14:46de proteína bovina,
14:48de proteína animal,
14:49como o Pablo comentou.
14:50Se houver uma redução
14:52das exportações,
14:54nós teríamos, teoricamente,
14:55uma disponibilidade maior
14:57desses produtos no mercado interno,
14:59e esse aumento de oferta
15:00poderia empurrar os preços
15:02levemente para baixo.
15:04Isso no primeiro momento.
15:05No segundo momento,
15:06os frigoríficos registrariam
15:09margens muito espremidas,
15:11muito, às vezes,
15:12até mesmo negativas,
15:13e reduziriam a produção.
15:15Isso causaria uma menor disponibilidade
15:17desse produto,
15:18levando a uma alta de preços,
15:21olhando só produto.
15:22No caso de proteína bovina,
15:24especificamente,
15:25o Brasil começou a fazer
15:26algumas exportações para a região,
15:28já é uma região estratégica,
15:30importante para o Brasil.
15:32E o Brasil exporta
15:33o dianteiro do boi,
15:35ou seja,
15:35os cortes que nós consumimos
15:37menos aqui no Brasil.
15:39O brasileiro,
15:40tradicionalmente,
15:41ele consome os cortes do traseiro.
15:43Se houver uma redução
15:45nas exportações
15:46de carne bovina
15:47para o Oriente Médio,
15:49que reduzam as margens
15:50dos frigoríficos,
15:51e eles tenham que reduzir
15:52o abate,
15:53isso causa menor disponibilidade
15:55dos cortes do traseiro,
15:57e isso significa
15:57alta de preços também,
15:59tanto para o tacado,
16:00quanto para o varejo.
16:01Mas é algo
16:02que nós temos que monitorar.
16:04Por outro lado,
16:05se houver uma redução
16:06nos preços do milho,
16:07já que as exportações
16:09cairão,
16:10e principalmente
16:10para o nosso principal comprador,
16:12nosso maior comprador,
16:13que é o Irã,
16:14o custo de ração
16:15tende a diminuir.
16:16E a dinâmica
16:17para uma comodidade agrícola
16:18é diferente de uma proteína,
16:19porque depois que eu planto o milho,
16:21eu não consigo retornar
16:23e desplantar o milho,
16:24ou seja,
16:24eu não consigo reduzir a produção
16:25porque ele já está
16:26na terra se desenvolvendo.
16:28Então o impacto pode ser maior
16:30para o produtor rural
16:32e melhor para o frigorífico,
16:35para o boiteu,
16:36para o confinamento,
16:37que terá uma redução do custo.
16:39A população,
16:39ela deve então,
16:41poderá haver
16:42um movimento de baixa
16:44em alguns produtos
16:44nesse início
16:45e um aumento deles
16:47num segundo momento.
16:48E o segundo ponto
16:49que eu destacaria
16:50é qual será
16:51o movimento da moeda,
16:53porque como o Brasil
16:54tem uma economia
16:54altamente indexada
16:55a produtos importados,
16:56a variação da taxa de câmbio
16:58pode causar
16:59uma inflação
16:59de maneira indireta
17:01aumentando custos
17:02de produção
17:02e custos de importação
17:04desses produtos.
17:05E aí sim,
17:05o varejo sentiria
17:07de maneira imediata.
17:08Então amanhã
17:08quando o mercado abrir,
17:10nós já teremos
17:10um vislumbre
17:11de como que as moedas
17:12irão se comportar,
17:13como que os fretes
17:14irão se comportar
17:15e como que as commodities
17:17negociadas em bolsas
17:18irão se comportar.
17:19A partir daí
17:20é mais fácil
17:20construir um panorama.
17:22Tudo isso
17:23com o potencial
17:24de mexer muito
17:25com inflação,
17:26com decisão
17:26de corte de juros,
17:28muita coisa importante
17:29para ser decidida
17:31nos próximos dias.
17:32Até sobre isso
17:33realmente,
17:33até bancos centrais
17:35eles podem acabar
17:36agora analisando
17:37de volta
17:38se esses cortes
17:39de juros
17:40que a gente
17:41está vislumbrando
17:43agora até com mais força
17:44podem continuar.
17:46E isso também
17:47pode ser ruim,
17:49inclusive não só
17:50para o agronegócio,
17:51mas para vários setores.
17:52Poder de investimento
17:53também acaba diminuindo.
17:55Exato,
17:56impacta tudo.
17:58Quero agradecer
17:59demais a Lede Lara,
18:01diretor da Paine
18:02Agronegócios,
18:03por ajudar a gente
18:04a entender
18:04a dimensão
18:05dos impactos
18:06e como que eles
18:07são variáveis,
18:08impacta diferente,
18:10de formas diferentes,
18:11de acordo
18:12com cada setor.
18:13Ale,
18:13sempre muito bom
18:14te ouvir,
18:15então volto sempre,
18:16muito obrigada
18:17e bom domingo
18:18para você.
18:20Obrigado pelo convite,
18:21bom domingo.
18:21Obrigado.