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A tensão entre Estados Unidos e Irã atinge o terceiro dia de confrontos diretos, colocando o mundo em alerta máximo para uma escalada sem precedentes no Oriente Médio. O que começou com ataques cirúrgicos evoluiu para uma mobilização militar massiva, com repercussões imediatas nos mercados globais.

Discutimos as consequências geopolíticas dessa disputa e como o tabuleiro de alianças — envolvendo Rússia e China — pode transformar um conflito regional em uma crise de proporções globais.

Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil.

Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.

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#Guerra #EUA #Irã #OrienteMédio #Petróleo #Geopolítica #Mundo #Economia #Conflito

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Notícias
Transcrição
00:00E agora, a guerra protagonizada pelos Estados Unidos, Irã e Israel
00:04entrou no seu terceiro dia nesta segunda-feira,
00:08após o fim de semana de crescentes hostilidades.
00:11O confronto impactou diretamente ao menos 11 países
00:14e promete se estender pelos próximos dias.
00:17Em retaliação, Teherã lançou ofensivas contra bases militares americanas
00:22instaladas no Oriente Médio.
00:25Segundo a mídia estatal iraniana,
00:27a ofensiva do sábado deixou pelo menos 200 mortos e mais de 700 feridos.
00:34Em Israel, nove morreram e cerca de 20 ficaram feridos
00:38em um bombardeio de Teherã a um prédio residencial.
00:41Para entender os impactos dessa guerra deflagrada no final de semana,
00:46estamos com Paulo Filho, oficial de reserva do Exército,
00:49formado na Academia Militar de Agulhas Negras
00:52e especialista em geopolítica internacional.
00:56Sr. Paulo Filho, muito bem-vindo ao Meio Dia em Brasília.
01:01E a primeira pergunta que me vem à cabeça é
01:04qual o objetivo real de Donald Trump?
01:07Às vezes ele é meio ambíguo,
01:08diz que quer uma mudança de regime.
01:11Por outro lado, ele diz que já tem alguns nomes
01:13que poderiam dar continuidade a um diálogo com o atual regime.
01:18Existe uma clareza de qual é o objetivo que Trump quer aceitar
01:22e, portanto, que poderia definir o fim desse conflito?
01:26Inácio, bom dia.
01:28Essa sua pergunta é a pergunta de um milhão de dólares.
01:31Aonde se quer chegar com esse conflito?
01:34Todo conflito militar, ele parte de uma definição de um objetivo político
01:39pelos governantes.
01:41Afinal de contas, a ferramenta militar é utilizada para atender a um objetivo político.
01:48Então, o primeiro objetivo que fica aparente nessa situação é a troca de regime.
01:53A mudança de regime no Irã é fazer com que assumam um novo regime
01:58que seja mais alinhado aos interesses dos Estados Unidos, aos interesses de Israel.
02:03E, quando os militares recebem do estamento político esse objetivo,
02:09eles transformam esse objetivo em objetivos militares.
02:13Então, eles disseram para o presidente Trump,
02:15olha, eu preciso acumular meios, levar os meios militares para o entorno do Irã.
02:20E, nos últimos 40 dias, foi isso que nós vimos acontecer.
02:25Os dois porta-aviões, com seus grupos de batalha, foram levados para a região.
02:29Uma série de aeronaves, caças, bombardeiros, sistemas de mísseis antiaéreos.
02:36Quando tudo isso estava pronto, os militares disseram lá para o político,
02:39o presidente Trump, nós estamos prontos.
02:42E aí, qual é a operação?
02:43Já que tem que se fazer uma mudança de regime,
02:46tenta-se fazer uma mudança de regime,
02:47a primeira coisa a fazer é eliminar a liderança atual.
02:51E esse foi o primeiro ataque da operação,
02:54que foi o ataque que eliminou o líder supremo, o Ali Khamenei.
02:59Acontece que, quando você cria esse vácuo de poder,
03:02não necessariamente você vai substituir o líder morto
03:09por um líder alinhado aos seus interesses.
03:12E não foi o que aconteceu.
03:13Imediatamente, o sistema político iraniano
03:17definiu sucessores perfeitamente alinhados
03:20com esse governo que vem tocando as ideias lá no Irã,
03:24com as ideias iranianas desde 1979,
03:26desde a Revolução Islâmica.
03:28Para que houvesse uma mudança de regime
03:30em outro governo alinhado com os interesses americanos
03:34fosse colocado no poder,
03:35teria que haver uma oposição digna desse nome no Irã.
03:38E não há uma oposição dentro do Irã,
03:40porque é um regime ditatorial.
03:43E nós vimos o que aconteceu com os protestos
03:46ao longo do mês de janeiro,
03:48que foram, todos esses protestos,
03:50foram ferrenhamente combatidos pelo governo.
03:54milhares de mortos, como nós observamos.
03:56Mas o presidente Trump se coloca em uma posição muito difícil
04:00porque ele não quer mandar tropas para o terreno,
04:03boots on the ground,
04:04não vai haver uma invasão terrestre.
04:07Para que você fizesse essa troca de governo,
04:09você precisaria ter soldados lá em Teherã,
04:12soldados americanos,
04:13que garantissem que dentro daquele palácio presidencial,
04:16sentado na cadeira presidencial,
04:18estaria alguém alinhado aos interesses americanos.
04:21sem essa presença física dos soldados lá em Teherã,
04:24isso é muito difícil.
04:25Então, por isso, o presidente Trump vai mudando o discurso,
04:30colocando objetivos, como você disse,
04:32colocando objetivos mais factíveis.
04:35Não, vamos enfraquecer o exército iraniano,
04:38vamos obliterar o exército iraniano,
04:40vamos acabar com o programa de mísseis nucleares,
04:44mísseis balísticos, programa de armas nucleares.
04:47Então, vão se colocando outros objetivos mais factíveis
04:50e vai se abandonando aquele objetivo de troca do regime.
04:54O problema é que, sem objetivos claramente definidos,
04:58somente por acaso chegaremos em algum lugar.
05:00Então, o meu temor é que,
05:03com essa impossibilidade de fazer a troca de regime,
05:07quando acabar esse momento agora de guerra,
05:09não seja o final de uma guerra,
05:11seja simplesmente um cessar-fogo
05:13para uma guerra que vai recomeçar
05:15daqui a três, quatro, cinco anos.
05:18Duda Teixeira, boa tarde.
05:20Por favor, a sua pergunta.
05:22Boa tarde, Nassu.
05:23Boa tarde, Paulo.
05:25Paulo, o Irã reagiu atacando vários países do Oriente Médio.
05:30E a desculpa dos iranianos é
05:32que a gente só está atacando bases militares americanas.
05:37A gente só tem um inimigo,
05:38a gente não quer atacar os outros países.
05:41Você acha que dá para acreditar no Irã nesse ponto?
05:45A estratégia do Irã, Duda, me parece,
05:48foi reagir e expandir o conflito,
05:52tornar o conflito um conflito regional,
05:54para que o preço pago pelo conflito,
05:58pelo ataque americano,
06:00fosse dividido por todos os países do Golfo.
06:04Essa reação é inédita,
06:06isso nunca tinha acontecido.
06:07O Irã reagia atacando Kuwait,
06:11Catar, Bahrein, Emirados Árabes,
06:13Arábia Saudita, Jordânia,
06:16como uma forma de tentar pressionar esses governos,
06:20para que eles pressionassem o governo americano,
06:23no sentido de encerrar a ação militar.
06:27Isso não aconteceu,
06:28os Estados Unidos não deixariam de atacar,
06:32em razão disso,
06:33mas o objetivo do Irã é justamente tentar aumentar,
06:39infligir sofrimento a esses outros países,
06:41para que a guerra seja desconfortável para todos,
06:45e não somente para o Irã,
06:48que vem sendo atacado.
06:49Essa foi a estratégia,
06:50uma estratégia,
06:51até certo ponto,
06:55bem sucedida,
06:56são pouquíssimos os países do mundo
06:59que têm essa capacidade
07:01de lançar nísseis
07:02contra sete países de forma simultânea,
07:05mas ela não vai ter,
07:07na minha opinião,
07:08o pendor de atingir o seu objetivo,
07:11que era tentar interromper os ataques americanos.
07:14Isso não vai acontecer.
07:16Paulo, e dá para saber,
07:18mais ou menos,
07:18qual é a capacidade que o Irã ainda tem
07:21de infligir danos para os países ao redor?
07:25Eu tinha visto em algum lugar
07:26que o Irã teria 2 mil mísseis balísticos à disposição,
07:30então, assim,
07:31ainda tem muito mísseis no Irã,
07:33mas não sei como é que está essa capacidade,
07:35você tem alguma ideia?
07:37É muito difícil de saber, Duda,
07:39porque nós não sabemos
07:39qual está sendo a efetividade dos ataques americanos, né,
07:43então, eu estou supondo
07:44que os americanos estão atacando
07:46paióis de munição,
07:48depósitos de mísseis,
07:50estão atacando lançadores de mísseis, né,
07:53então, você tem duas variáveis aí,
07:57você tem os estoques anteriores à guerra dos mísseis,
08:02e esses estoques,
08:03eles vão sendo utilizados, né,
08:05em uma determinada cadência,
08:07então, os planejadores iranianos decidem,
08:10não, vamos lançar 10 mísseis por dia,
08:1320 mísseis por dia,
08:14ou seja,
08:14esse estoque tem uma determinada duração,
08:17só que a segunda variável é que esses estoques
08:19vão sendo eliminados pelos ataques norte-americanos,
08:22então, a gente não sabe exatamente
08:24que proporção essas coisas estão acontecendo,
08:27o que é certo é que é um estoque finito, né,
08:30e que esse esforço de guerra iraniano,
08:32ele não conseguirá manter esse esforço de guerra,
08:37esses ataques com mísseis e drones,
08:40indefinidamente,
08:41imagina aí que duas, três, quatro semanas,
08:44o presidente Trump falou em manter os ataques
08:46por quatro semanas,
08:48eu imagino que isso nos dá um indício
08:51de que ele teria informações
08:52de que o Irã poderia manter essas retaliações
08:56por quatro semanas,
08:57mas eu não sei isso,
08:58eu estou inferindo isso, né.
09:01Outra questão que se fala
09:03é que os Estados Unidos
09:04talvez não tenham um estoque de armas
09:06tão grande assim,
09:08seja porque parte ele vendeu para a Ucrânia
09:10nos últimos anos,
09:11seja porque ele também usou muito
09:13dos seus armamentos
09:14em relação aos ataques
09:16que o Irã sofreu doze anos,
09:18doze anos é ótimo,
09:19doze, por doze dias,
09:20no meio do ano passado,
09:22seja diretamente,
09:23seja ajudando o Israel.
09:25Essa questão dos estoques
09:27de armamento americano
09:28é uma realidade preocupante
09:30ou é só mais um ingrediente
09:32que as pessoas usam aí,
09:34talvez justamente para
09:35trazer informações
09:37de enganar a opinião pública
09:40para que haja uma ideia equivocada?
09:44Não, há sim problemas
09:46de estoques de armamento,
09:48o mesmo que eu disse para o Irã
09:49vale para os Estados Unidos,
09:51os estoques são finitos,
09:52mas os Estados Unidos
09:53são a maior potência militar
09:55da história,
09:55evidentemente que os estoques
09:57americanos são incomparavelmente
09:59superiores aos estoques
10:02iranianos.
10:03O principal problema
10:05nos estoques americanos
10:06são os mísseis antiaéreos,
10:07são os mísseis utilizados
10:09pelos sistemas Patriot,
10:11por exemplo,
10:12de defesa antiaérea,
10:13e como os Estados Unidos
10:14foram obrigados
10:15a espalhar
10:16essas defesas antiaéreas
10:18por todos esses países
10:20do Golfo,
10:20então são dezenas
10:22de bases militares,
10:23interesses norte-americanos
10:25espalhados por todo
10:26o Golfo Pérsico,
10:27por todos os países
10:29ali da Península Arábica,
10:30eles tiveram que
10:33espalhar essa munição,
10:34então realmente
10:36os estoques,
10:37o cobertor é curto,
10:38então é um jogo
10:39de gato e rato,
10:40para ver quem tem
10:42condições
10:43de sustentar
10:44esse esforço de guerra
10:46por mais tempo.
10:47É claro que eu aposto
10:48todas as minhas fichas
10:49nos Estados Unidos
10:50e em Israel,
10:51que eles têm mais condições
10:52do que o Irã,
10:53mas pode acontecer,
10:55Inácio,
10:55que em determinados pontos,
10:57em um determinado sistema
10:59de armas
10:59que está localizado
11:00no interior,
11:02por exemplo,
11:02dos Emirados Árabes Unidos,
11:03ou lá no Kuwait,
11:04uma base americana,
11:07naquele ponto específico,
11:10essa proporção
11:11pode, por vezes,
11:12acontecer.
11:14Nós tivemos notícias
11:15de três militares americanos
11:16que foram mortos,
11:17cinco foram gravemente feridos,
11:19e um ataque iraniano
11:20a uma base no Kuwait,
11:22então, certamente,
11:24houve falha
11:25nesse sistema de antiaérea
11:26que protegia
11:28essa guarnição
11:29lá no Kuwait,
11:30então isso pode acontecer
11:31pontualmente.
11:32Uma última pergunta,
11:34esse conflito com o Irã,
11:35em tese,
11:36pode prejudicar
11:37o fornecimento de armas,
11:39sobretudo drones,
11:40que o Irã prestava
11:42à Rússia
11:42no seu fronte
11:43com a Ucrânia?
11:44Pode,
11:45certamente que pode.
11:46Primeiro que os estoques
11:48vão ser utilizados
11:49primordialmente pelo Irã,
11:50e segundo que as fábricas
11:52de drones
11:53certamente estão sendo
11:54atacadas pelos Estados Unidos.
11:56Então,
11:57é bastante provável,
11:59eu diria que é quase certo,
12:00que o fornecimento
12:01de drones iranianos
12:02para a Rússia,
12:03no seu esforço de guerra
12:04contra a Ucrânia,
12:06vai ser, sim,
12:07bastante afetado.
12:10Obrigado.
12:11Obrigado.
12:12Obrigado.
12:17Obrigado.
12:21Obrigado.
12:22Obrigado.
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