00:00Para falar sobre esse tema, hoje nós convidamos o Igor Sabino, que é gerente de conteúdo da Stand With Us.
00:07Igor, tudo bem? Boa noite, obrigado por aceitar o nosso convite.
00:11Olá, boa noite, Duda. É um prazer estar aqui com vocês.
00:15Igor, já te faço aqui a primeira pergunta.
00:19Isso de os Estados Unidos atacarem e eliminarem o ditador de um outro país,
00:26é uma coisa de uma importância histórica muito grande.
00:32Eu imagino que, olhando a história do Irã, não tenha nada mais importante desde a Revolução Iraniana de 1979.
00:41Você podia falar um pouquinho da dimensão disso que aconteceu nesse final de semana?
00:48De fato, o que a gente viu esse final de semana acontecendo é, sem dúvidas, um momento histórico para o
00:54Oriente Médio.
00:55A gente viu já, nas últimas semanas, uma série de protestos contra o regime iraniano.
01:01E, nos últimos meses, esse regime vem sendo enfraquecido, principalmente depois do massacre do 7 de outubro,
01:07que o Hamas realizou no sul de Israel, que ele teve o apoio do Irã,
01:11com o objetivo de fazer com que países árabes que estavam se alinhando a Israel fossem dissuadidos a fazer isso.
01:17E Israel prometeu que iria responsabilizar, que iria eliminar todos os responsáveis pelo 7 de outubro,
01:24e já vinha fazendo isso, eliminou praticamente todos os líderes do Hamas, do Hezbollah,
01:30infligiu derrotas militares significativas, não somente ao Irã, mas também ao aparato nuclear iraniano,
01:37no ano passado, durante a Guerra dos Dois Dias.
01:39Mas agora, além disso, conseguiu eliminar o líder supremo, que é a figura mais importante do país.
01:46Então, isso não significa que o regime vai cair de imediato,
01:51até porque há uma série de questões, um regime não muda somente como bardeios,
01:56mas isso dá ainda mais força para que a população siga protestando, siga indo às ruas.
02:04E se, por um lado, a gente tem essa possibilidade de uma queda de regime,
02:08a gente também vê aí o Oriente Médio mergulhando em uma guerra com um escopo muito maior,
02:13já que desde que foi atacado por Israel e para os Estados Unidos de sexta para sábado,
02:19a gente já viu o Irã atacando de modo direto e indireto pelo menos 14 países,
02:24contando tanto os países ali vizinhos do Golfo,
02:28como também bases militares e navios com bandeiras de outros países.
02:39O que a gente vê ali na região também é o Irã atacando de volta, não o Israel apenas,
02:48mas atacando todos os países da região.
02:51Parece só o Man que não sofreu ataques ali na região.
02:55O que isso muda na geopolítica?
02:59Porque, assim, eles estão atacando hotel de luxo em Dubai,
03:04estão atacando lugar de luxo no Bahrein,
03:07que é algo que essa região, pelo menos agora, recentemente, não está mais acostumada.
03:14De fato, esse é um ponto muito importante.
03:18Eu vejo várias pessoas que criticaram a ação de Israel e dos Estados Unidos.
03:23Israel e os Estados Unidos afirmam que foi uma ação preventiva
03:26para evitar que o regime iraniano tenha armas nucleares,
03:29e é muito apontado que no direito internacional não há noção de guerra preventiva.
03:34Mas, por outro lado, quando a gente vê no próprio direito internacional,
03:37o direito de defesa e de retaliação tem que ser contra alvos militares
03:42e contra os países que fizeram aquilo.
03:44Por mais que esses países do Golfo tenham bases militares americanas,
03:48mas o que o Irã fez foi um verdadeiro ato de agressão contra os países árabes,
03:53inclusive foi reconhecido assim por praticamente todos os países árabes,
03:57pela Liga Mundial Islâmica, até a autoridade palestina condenou esses ataques.
04:02Foram ataques contra civis, como você mesmo mencionou,
04:07as imagens de Dubai em chamas de pontos turísticos, de prédio de luxo,
04:12até porque a gente está falando de países do Golfo que buscavam passar essa imagem para o mundo
04:18de que eles eram uma ilha de paz, de prosperidade no Oriente Médio,
04:22e agora a gente está vendo que nem eles são imunes a essa ameaça representada pelo Irã.
04:28Até mesmo o Oman, que você mencionou, Madá, que de fato não tinha a princípio atacado,
04:34mas ontem realizou ataques também contra o Oman,
04:37e isso é bastante significativo porque o Oman era praticamente o único país ali do Golfo
04:42que mantinha uma relação de diálogo do regime iraniano com o Ocidente, que mediava isso.
04:48A gente sempre teve uma guerra por procuração, por assim dizer,
04:52entre o regime iraniano, que embora seja islâmico, na teocracia,
04:55ele é xiita e é persa, e do outro lado a gente tem os países do Golfo,
05:01que são árabes e que são sunitas, e os países do Golfo, eles vinham em um caminho contrário a esse
05:07do Irã,
05:08enquanto que o Irã tem reforçado a sua retórica radical religiosa,
05:12a gente vê principalmente os Emirados Árabes tentando promover um islâm que é reformista,
05:17que é tolerante, a entrada nos acordos de Abraão,
05:20você vai em Abu Dhabi, tem um monumento lá que é a família da casa de Abraão,
05:23com igreja, sinagoga, uma mesquita,
05:25então a gente vê aí essa ideia, essa imagem do país do Golfo como sendo um lugar seguro na região,
05:33sendo estraçalhada, mas ao mesmo tempo fica claro aí para a comunidade internacional
05:39que o Irã é uma ameaça não somente para a segurança de Israel,
05:43mas para a estabilidade de todo o Oriente Médico e, consequentemente, de todo o mundo.
05:49Graeb.
05:51Igor, boa tarde, tudo bem?
05:53Eu gostaria que você nos desse uma ideia de qual foi a repercussão desse ataque em Israel.
06:01Enfim, o Irã é uma espécie de ameaça existencial para Israel há muito tempo
06:07e, além disso, tem um outro fator interessante nesse ataque de sábado,
06:13que foi a precisão cirúrgica do ataque.
06:17Foi extremamente bem sucedido com um trabalho de inteligência notável.
06:23Então, como é que isso se refletiu na opinião pública em Israel,
06:28sobretudo em relação ao Benjamin Netanyahu,
06:31que tem uma situação, às vezes, periclitante na opinião pública?
06:40Sim.
06:41Bom, boa tarde, Graeb.
06:43Eu acho que é importante a gente entender que os israelenses,
06:46independentemente da posição que eles têm em relação ao Netanyahu,
06:51eles compreendem a ameaça existencial que o Irã representa.
06:55Então, quando você conhece com os israelenses,
06:58a questão para eles não era se iria haver uma nova guerra com o Irã,
07:02mas quando essa guerra iria acontecer.
07:06Então, já era algo esperado.
07:08E o contexto em que ela aconteceu foi justamente num contexto em que não somente
07:13havia essa vontade de Israel de realizar esses ataques preventivos,
07:19mas até mesmo de países árabes.
07:21Então, a gente tem algumas informações, algumas apurações que foram feitas
07:25por jornais internacionais que mostram que a Arábia Saudita, por exemplo,
07:30mas que publicamente estivesse falando muito contrário a Israel,
07:35há uma possibilidade de uma guerra dos Estados Unidos com o Irã,
07:38mas nos bastidores estava pressionando o Trump a fazer isso.
07:41Então, a própria população israelense já esperava que isso acontecesse,
07:47mas surpreendeu com a resposta, porque a gente tem visto que os ataques do Irã
07:52não estão concentrados somente contra Israel, mas também contra esses países do Golfo.
07:57Então, acho que essa foi a maior surpresa.
08:11Obrigado.
08:11Obrigado.
08:13Obrigado.
08:14Obrigado.
08:14Obrigado.
08:14Obrigado.
08:14Obrigado.
08:14Obrigado.
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