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O fechamento do espaço aéreo do Irã e os riscos no Oriente Médio já impactam a aviação civil, com rotas mais longas, maior consumo de combustível e aumento de custos operacionais. Segundo Francisco Conjero Pérez, diretor da Two-Flex Aviation, grandes companhias contam com proteção cambial e de combustível, mas empresas menores e low cost tendem a sentir os efeitos mais rapidamente.

A alta do petróleo e a redução de demanda podem pressionar o caixa das empresas, elevando o risco de reajuste nas tarifas no médio prazo. Caso o conflito se prolongue, mudanças nas rotas internacionais podem se tornar duradouras, ampliando o impacto global — inclusive sobre voos no Brasil.

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Transcrição
00:00A gente volta a conversar daqui a pouquinho, mas ainda seguimos no tema, por conta dos impactos na aviação civil.
00:07Além dessas preocupações com a segurança dos voos também, o fechamento do espaço aéreo do Irã,
00:14gerando aí rotas mais longas, necessidade também de consumo de mais combustível,
00:21o que pode gerar ainda mais custos para as companhias.
00:24O impacto é praticamente global no setor, inclusive afetando voos aqui no Brasil.
00:30Sobre este assunto, eu converso com o Francisco Conerreiro Pérez, professor de aviação civil,
00:36também diretor de operações da Tuflex Aviation. Professor, seja muito bem-vindo.
00:42Muito obrigado. Tenham todos uma boa tarde, Soraya.
00:48Falar de economia de transporte aéreo é um assunto específico.
00:52Eu tenho acompanhado o noticiário durante o dia e tem alguns assuntos que nós podemos,
01:00pontuar bastante. Na aviação, a geopolítica vira custo em questão de dias e minutos viram em milhões.
01:10Então, eu trouxe alguns números e alguma realidade que acontece que eu calculei baseado em indicativos.
01:16Nós vamos ter diariamente um prejuízo de 1,45 milhões de custo líquido por dia.
01:24Isso se refere apenas a uma companhia. Apenas uma companhia, apenas, tá? Grande.
01:31Sem contar a low costa. A low costa realmente vai encontrar um quadro, assim, bem complicado em cima disso.
01:38Pois é, Fran.
01:40Um aumento de custo, claro que vai ter. Mas as empresas, elas têm proteções, né?
01:45Elas têm proteções do rédeo cambial e do rédeo de combustível. Então, isso vai segurar um pouco.
01:51É isso que você quis dizer, então, até, Francisco, nessa diferença das grandes empresas comerciais e das low cost, é
01:57isso?
01:57Que algumas têm esse rédeo, algumas têm alguns estoques para poder abastecer os aviões durante um tempo e algumas outras
02:05nem tanto, né?
02:06Elas vão ficar à mercê, então, desse petróleo e depois desse querosene da aviação, né? Por consequência, que vai aumentar?
02:14Exatamente. O que acontece, assim, é uma compra antecipada, né? E dólar também.
02:18O rédeo significa uma operação. É uma operação que justamente garante o preço, aonde você faz uma antecipação.
02:26Então, como já tivemos até entrevistas recentes aqui hoje no canal, que nós vamos ter, evidentemente, aumento do petróleo, isso
02:36é fato.
02:37E o impacto direto, talvez, pela minha estimativa, isso é estimativa minha, vai ser 5 dólares o barril, que deve
02:43acontecer meio que imediato.
02:45Isso não deve demorar muito, não. Também vai depender da duração desse conflito.
02:51Só para se ter uma ideia, o problema na aviação não é só o combustível, não. Isso impacta em vários
02:58assuntos, né?
03:00O que eu estimei aqui é baseado em desvio de 20 a 40 minutos, que foi o meu cálculo.
03:06Então, para 20 a 40 minutos, aproximadamente, eu vou ter um impacto em combustível de 1,8 milhões.
03:14Desvios vai custar mais 1,2 milhões.
03:18Tripulação, meio milhão.
03:21E a demanda, ela vai também ter um prejuízo de 1,2 milhões.
03:27E o IUD, que é o índice utilizado nas empresas aéreas, que mede a qualidade de receita, vai ser de
03:330,8 milhões.
03:35Equivale a uma redução da qualidade da receita das empresas de menos 1% até menos 3%.
03:43Então, isso realmente é um impacto muito forte.
03:46E, sem contar, por exemplo, hoje mesmo, eu falei com um amigo meu que está no Bahrein, e ele é
03:52comandante.
03:53Posso falar o nome, não tem problema, mas não o nome dele, mas o nome da empresa, que todos sabem.
03:58Está parado lá com a tripulação da Etihad.
04:01Ele tem família em Abu Dhabi e está preocupado com a família.
04:06Porque, diferentemente dos outros conflitos, o Irã está atacando onde existem bases americanas.
04:13E isso está situado em outros países.
04:15Então, ameaçou muita gente ali.
04:17E, talvez, esse estimado que eu dei é só de desvio do Irã.
04:23Certo?
04:24Nós temos uma situação que não é tão grave como a da Guerra do Golfo.
04:30A Guerra do Golfo dobrou o barril do petróleo rapidamente.
04:34As empresas não tinham as proteções que tem hoje.
04:38E teve empresas que, inclusive, vieram à falência.
04:42Nós tivemos também o Iraque também, né?
04:45O Iraque, o pessoal não está mais preparado.
04:48Só para que a gente possa entender um pouco melhor, qual seria, na sua avaliação, o principal risco agora?
04:54E de que maneira conflitos como que estamos presenciando podem influenciar na disponibilidade de voos
05:00e até mesmo no preço das passagens?
05:03Em quanto tempo o consumidor até poderia começar a sentir esse impacto no bolso?
05:07Eu acredito que, devido a essas proteções que a empresa tem, de redem, de dólar e tanto também do barril,
05:20o impacto talvez não seja imediato, mas que vai existir, vai.
05:24Vai depender da duração.
05:27Essas proteções fazem com que mantenha o preço.
05:30As empresas que vão ser mais afetadas e que talvez venham aumento de passagem com mais, assim,
05:39sejam mais rápidas é, no caso, as low cost, que vão lá no setor e as menores.
05:45Isso vai depender muito da política de proteção que as empresas têm.
05:50Mas o reajuste vem, como vieram, tanto do Iraque, como vieram da guerra do Golfo.
05:55Por isso que eu estava contando histórico, justamente, para dizer que sempre teve o reajuste.
06:01O pior deles foi da guerra do Golfo.
06:04Mas, Francisco...
06:05É, dá para fazer esse paralelo, né, de outros conflitos.
06:08É o paralelo histórico.
06:09Esse estoque e esse preço comprado a futuro, né, geralmente ele consegue proteger, então,
06:15essa companhia aérea do levante de preço do Brent do Petróleo por quanto tempo?
06:22Depende do contrato.
06:24Normalmente, esses contratos, eles variam de acordo.
06:29Habitualmente, se faz com antecedência de 12 meses, porque senão o investimento é muito alto, né?
06:35De 6 a 12 meses.
06:37Então, depende muito do poder de caixa das empresas de fazer esse acordo.
06:43É que nem você comprar antecipado, né, o produto.
06:48Um grande...
06:50Não querendo fugir da sua pergunta, um grande problema que as empresas vão enfrentar também
06:56é a diminuição de demanda.
06:58E a diminuição de demanda cai o caixa também.
07:01O fluxo de caixa acaba diminuindo.
07:03E é onde pode acelerar o reajuste das passagens.
07:08Então, vai ter, não a curto prazo, eu não acredito que aumente, tá?
07:11Mas a médio prazo é praticamente certo.
07:16Não posso garantir, mas que é muito provável.
07:20Tipo assim, 99% que vai realmente, em um prazo moderado, ter um reajuste de passagem.
07:28Porque não tem como.
07:2930, 40 minutos parece pouco, 20, 40.
07:32Um yield, essa diferença de qualidade de receita, ela pesa muito.
07:36Veja bem a receita que a empresa perde por dia.
07:401,5 milhões de dólares.
07:44E isso é grana.
07:45É muito dinheiro.
07:47Representando isso pra Mária, é complicado.
07:50Professor, antes da gente encerrar, só pra que a gente possa entender também um cenário
07:56posto e também já vislumbrando um futuro próximo, né?
08:00Se o conflito se prolongar, que é o que a gente imagina diante das amostras de ações
08:08dos últimos dias, o senhor vê a possibilidade dessa mudança de rotas internacionais se tornar
08:13permanente?
08:15Olha, eu acredito que sim, vai demorar de acordo com o conflito.
08:19A extensão desse conflito é preocupante, porque dos outros conflitos era mais fechado.
08:26O que foi preocupante, que conseguiu arrumar a Mária, foi o que aconteceu com a Ucrânia.
08:38A Ucrânia, realmente, os europeus tivessem que fazer um redesenho de Mária.
08:43Deu pra andar, deu pra fazer alguma coisa.
08:45Mas agora, nesse caso, é meio que parecido.
08:50Voltando à sua pergunta mesmo, que é o ponto principal, vai prejudicar muito.
08:57E quem vai sofrer mais são as empresas menores e low cost, porque está sendo uma espécie,
09:03assim, de um alastramento, não está resumindo só dentro do país o Irã.
09:11Isso está se manifestando para outros países, está na Síria, veja bem, está nos Emirados.
09:18O que pode acontecer também, acredito que não, esses países se sintam provocados também.
09:24E possa gerar uma crise muito maior do que essa, que até agora ninguém comentou.
09:29Talvez, para não ter assim um alarme, mas a gente ter que contar com esse tipo de possibilidade
09:34desses países também se sentirem ameaçados.
09:40Porque eles estão jogando bomba no país deles.
09:42Tudo bem que está jogando na base americana, mas está dentro do país deles.
09:46E uma hora erra um alvo desse.
09:49E ninguém quer que fique bombardeando o seu país por causa da briga que ele tem com outro país.
09:54Quer dizer, não tem.
09:55E é meio, e na Jordânia também, quer dizer, aquela área está bem complicada.
10:00É, sem dúvida.
10:02Professor, conversamos com Francisco Conejeiro.
10:05Espero que eu tenha falado o seu nome corretamente.
10:09Conejeiro.
10:09Conejeiro, perfeito.
10:10Então, Francisco Conejeiro Pérez, professor de aviação civil,
10:15também diretor de operações da Tuflex Aviation.
10:18Agradeço mais uma vez a tua participação e disponibilidade por conversar conosco neste domingo.
10:23Obrigado, professor.
10:25Obrigado, uma boa tarde. Muito obrigado.
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