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Juliana Inhasz, professora do Insper e Head de Economia da Anefac, explicou no Real Time os riscos dos COEs vendidos pelo BTG e XP, relacionados a dívidas da Braskem e Ambipar, e como a falta de transparência e leitura das letras miúdas impactou investidores.

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Transcrição
00:00O caso das perdas de até 93% do investimento de quem apostou em COIS, vendidos pelo BTG e pela XP, relacionados a dívidas da Braskem e da Ambipar, levantou alertas sobre os riscos desse tipo de produto.
00:14Para entender o que está por trás desse movimento, a gente conversa agora com a Juliana Inhás, que é professora do INSPER e Red de Economia da Anefac.
00:23Bom dia, professora. Seja muito bem-vinda à Real Time.
00:27Bom dia, Marcela. Um prazer estar aqui com vocês.
00:30Professora, a gente queria começar de uma maneira bem didática aqui, explicando o que são os COIS e por que eles costumam ser vendidos como alternativas, entre aspas, mais seguras de investimento.
00:42Então, o que são esses COIS? A sigla significa Certificado de Operação Estruturada.
00:48Então, é um produto no qual a gente tem ali composições, então são operações que se estruturam, que esses emissores estruturam com dívidas das empresas.
01:00E o que acontece é que esses produtos são entendidos como uma alternativa um pouco mais, em alguns casos, a gente viu que nem todos, mas um pouco mais seguras que a renda variável,
01:12que seria aquela sua aposta em ações, em papéis de maior volatilidade, mas ao mesmo tempo eles trazem, teoricamente, uma segurança relativamente próxima a ativos de renda fixa,
01:26porque eles são estruturados em cima de dívidas.
01:29A grande questão, Marcelo, é que assim como vários outros produtos do mercado financeiro, esses certificados de operação estruturada, eles têm várias aberturas e várias possibilidades,
01:42eles têm vários tipos e isso faz com que muitas vezes alguns produtos que têm mais risco, existem COIS, como a gente está vendo agora, que têm bastante risco,
01:53eles acabem sendo vendidos ou confundidos no mercado com aqueles ativos ou aqueles certificados de operação estruturada que têm muito menos risco.
02:03E o que aconteceu aí no final das contas, nesse caso, foi, sem dúvida, existem questões aí que permeiam a capacidade de pagamento dessas empresas,
02:15a solvência dessas empresas, a gestão dessas empresas, mas também aí tem um tanto, provavelmente, de uma distorção da percepção de investidores
02:25que talvez acharam que estavam comprando um produto que era seguro, quando na verdade eles estavam apostando em um produto que não tinha tanta segurança assim,
02:35não tinha garantia de rentabilidade.
02:38Quando a gente fala nas letras miúdas, que é onde muitas vezes moram os problemas, ninguém lê isso daí, né, professora?
02:45Assim, é muito difícil quem pega um contrato que muitas vezes é super extenso e lê todas aquelas cláusulas,
02:52até porque a pessoa que está vendendo para você, muitas vezes também não te alerta para essas cláusulas que estão escondidas lá, né?
02:59Como é que a gente pode fazer para se proteger no momento em que o vendedor, às vezes, está, né, de maneira até um pouco agressiva ali,
03:07tentando, vamos usar uma linguagem bem popular aí, enfiar um produto na gente, né?
03:12De fato, você tem toda a razão quando diz que as pessoas, no geral, não prestam muita atenção nas letras miúdas,
03:17e geralmente é ali que está a informação que você precisa ter bastante ciência, né?
03:22No caso desses COIs, o que acontece é que, como eles são, né, no caso desses COIs da Abraskem e da outra empresa,
03:30que agora me foge o nome, perdão, o que acontece é que no fim...
03:34Isso, da Ambipar, muito obrigada.
03:37O que acontece é que no caso desses produtos, eles foram feitos em cima de dívidas que essas duas empresas tinham.
03:45Esse é um tipo específico de COI no qual você tem risco, porque apesar desses investimentos serem relativamente vendidos como seguros,
03:57você está apostando que a empresa vai ser sólida, que a gestão vai ser boa, que ela vai continuar crescendo,
04:02que ela não vai ter problemas judiciais, né, que ela não vai se meter em problemas ambientais
04:07que diminuem a credibilidade dessa empresa.
04:10Então, no final das contas, a gente está fazendo realmente, nesse caso, fizeram uma grande aposta sobre a estabilidade dessas empresas.
04:19Como é que os investidores poderiam ter se protegido nesse caso?
04:22Acho que a primeira coisa é entendendo muito bem o que é esse produto.
04:25Nesse caso, é um certificado que olha para dívidas de empresas e que depende da gestão.
04:31A partir do momento que você depende da gestão, não existe garantia alguma de que você vai ter o retorno.
04:36Além disso, esse tipo específico de produto, ele tem uma cláusula na qual, se por acaso, se perceber risco financeiro desses papéis
04:46e das empresas, né, como consequência, o que acontece é que esses ativos, esses certificados, na verdade,
04:54eles são liquidados a valor de mercado e isso estava lá nas letras miúdas, né?
04:58Isso estava lá em uma das cláusulas desse tipo de produto que diz, olha, qualquer sinal de que pode dar algum problema,
05:06que essas empresas, né, que elas começam a ficar muito arriscadas e isso varia muito a dívida dessas empresas,
05:13a gente vai lá e liquida esse COE.
05:15E aí foi o que aconteceu.
05:16Por isso que a gente viu aí perdas expressivas, né, de até noventa e tantos por cento em alguns casos,
05:22justamente porque isso estava lá na letra miúda.
05:24Então, indo para a sua pergunta diretamente, Marcelo, o que a gente tem que fazer?
05:28Primeiro, ler muito bem o contrato, entender muito bem daquilo que o contrato fala, aquilo que a gente está comprando.
05:36Segundo, sempre ir atrás das informações e não ficar dependendo só também daquele assessor,
05:41daquela pessoa que está te oferecendo o produto.
05:45Porque, claro, ela tem interesse, ela está ali tentando te vender um produto,
05:49ela tem algum tipo de ganho ou algum tipo de retorno direto ou indireto com essa possibilidade da sua compra daquele produto.
05:57Então, vá atrás, busque informações e mais do que isso, acho que as pessoas têm que ter a noção
06:02de que não é que elas não devem investir em produtos assim,
06:06porque há produtos desse tipo que são muito bem estruturados e muito prósperos.
06:11Mas a gente tem que entender qual é o risco que a gente está contratando.
06:15Então, vai atrás de informação da empresa, procura saber como que é a gestão daquela empresa,
06:20como que aquela empresa está financeiramente, quais são os projetos daquela empresa para o futuro.
06:26Buscar informação.
06:27Hoje, a gente tem tanta informação disponível, tem inteligência artificial que nos ajuda tanto,
06:32inclusive, a buscar essa informação.
06:34Então, o ideal é ir buscar a informação e também ter noção de qual é a possibilidade
06:38que a gente, quanto a gente está disposto a perder.
06:41Se a gente não está disposto a perder muito, a gente vai ter que entender
06:44que também não vai conseguir ganhar muito nessa história e a gente tem que ter consciência
06:48de quais são os nossos limites ali para apostar ou não num tipo de produto como esse.
06:54Professora, o Rodrigo Loureiro tem uma pergunta agora.
06:57Professora, bom dia.
06:59Bom falar com você novamente, Juliana.
07:00A gente sabe que o investidor tem muita responsabilidade.
07:06Ele precisa ler os contratos.
07:08Acontece?
07:09Nem sempre.
07:09Mas ele deveria se informar melhor aonde que ele está colocando o dinheiro.
07:15O problema é que, muitas vezes, é que a gente tem uma confiança muito grande nos nossos
07:20assessores, nos nossos corretores.
07:22Não apenas quando a gente fala de investimento, mas quando a gente é aconselhado por um profissional
07:26de determinada área.
07:28Trazendo para esse mercado de investimentos.
07:30O assessor, ele empurra esse produto para os seus clientes.
07:34Não só de COIS, mas qualquer outro tipo de produto.
07:37Ele empurra aquele produto.
07:39Fala sobre uma taxa muito rentável.
07:42Sobre um prazo que, de repente, nem é tão longo.
07:45Condições muito favoráveis.
07:47Só que, muitas vezes, a informação sobre o risco é vaga ou, às vezes, nem repassada.
07:53A minha pergunta, Juliana, é o seguinte.
07:55Falta um pouco mais de transparência nessa relação entre assessores e clientes?
08:01E há alguma forma de corrigir isso?
08:04De repente, não sei se é o caso da CVM e se é a CVM que deveria olhar mais para essa
08:10questão.
08:11O que você pode dizer em relação a isso?
08:13Rodrigo, é um prazer também conversar contigo.
08:16Eu acho que falta, assim, um pouco de...
08:18Acho que, primeiro, falta informação.
08:20A gente viu, na verdade, nos últimos anos uma explosão de pessoas indo para o mercado
08:25financeiro e muitas atuando, inclusive, como assessores.
08:29E quantos casos a gente também já não viu de pessoas que atuam como assessores e nem
08:33podem, né?
08:33Nem tem ali todas as certificações, todos os pré-requisitos necessários.
08:38A gente viu, realmente, uma grande migração de pessoas indo para essa área.
08:43Isso faz com que a gente tenha, infelizmente, às vezes, casos, sim, como esses, em que as
08:48pessoas, elas não são informadas adequadamente sobre o risco.
08:51Uma parte significante da população brasileira não tem uma grande educação financeira que
08:57permita, inclusive, que você desconfie de algumas informações, que você vá atrás
09:02de algumas outras coisas, né?
09:03Para completar ali o seu rol de informação para entender se investe ou não.
09:08Então, eu acho que, sim, falta, às vezes, em alguns casos, acho que não tão poucos,
09:13infelizmente, um tanto de transparência daquilo que está sendo vendido.
09:18Isso faz parte, inclusive, não só do caso do mercado financeiro, mas em outros tantos,
09:22né?
09:23Quantas vezes a gente não compra um produto e a gente depois percebe que ele não tinha
09:27todas as características que a gente achava.
09:30Então, é, infelizmente, é um vício para esse vendedor, entre aspas, e isso realmente
09:36prejudica, muitas vezes, muito a vida das pessoas.
09:39No caso desse cenário do mercado financeiro em específico, acho que a CVM tem, sim, um papel
09:45interessante aí, né?
09:46Acho que isso levanta, mais uma vez, um caso, né?
09:50Mais um caso, na verdade, para um conjunto, uma coleção de outros tantos, que mostra
09:55que, muitas vezes, a gente pode, sim, estar incorrendo ali em pequenos abusos ou pequenas
10:01negligências nessa relação entre investidores e assessores.
10:06Acho que a CVM pode ter, sim, um papel importante em, primeiro, disseminar uma informação entre
10:11os agentes do mercado, de que, olha, é importante que assessores sejam claros, sejam transparentes,
10:16que as instituições financeiras, num caso, quem emite esses títulos, enfim, quem é
10:21responsável por esses assessores, se eles não forem independentes, que as pessoas também
10:26sejam responsabilizadas em casos onde você consegue comprovar que houve, aí, de alguma
10:32maneira, uma negligência ou uma informação incompleta.
10:35E, claro, promover aí, cada vez mais, um acesso à informação muito mais amplo, porque
10:42aí, esses cenários, eles, claro, não vão ser zerados, mas eles podem ser bem minimizados.
10:48Juliana Inhás, professora do INSPER e Head de Economia da Anefac, foi um prazer falar
10:53com você mais uma vez aqui no Real Time.
10:55Boa tarde.
10:57Obrigada, pessoal.
10:58Boa tarde para vocês.
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