Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Mesmo sem valer oficialmente, o tarifaço de Trump já altera as exportações de carne para os EUA. Maurício Palma Nogueira, diretor da Athenagro, explicou no Real Time como frigoríficos do MS estão redirecionando vendas e quais os impactos para o Brasil e para o mercado americano. 

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasil

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00O talifácio dos Estados Unidos contra o Brasil ainda não está valendo, mas já provocou uma forte mudança nas exportações de carne para o território americano.
00:09Frigoríficos de Mato Grosso do Sul estão redirecionando as vendas.
00:12Sobre essa mudança de rota, a gente conversa agora com o Maurício Palma Nogueira, que é diretor da Atenagro.
00:18Bom dia para você, Maurício. Seja bem-vindo aqui ao Real Time.
00:21Bom dia, Marcelo. É um prazer estar aí com vocês.
00:23Bom, explica para a gente com mais detalhes, então, o movimento que está acontecendo neste momento nas exportações de carne aí do Mato Grosso do Sul.
00:31Bom, é o que acontece normalmente quando a gente tem alguma restrição no mercado, né?
00:35Os frigoríficos vão se organizar, eles vão reposicionar as compras, vão replanejar.
00:42Então, hoje, os Estados Unidos são o nosso segundo maior cliente.
00:47A gente mandou aí no primeiro semestre, 12,5%, que dá mais ou menos 263 mil toneladas de equivalente carcaça lá para aquele mercado, né?
00:58Então, quando isso acontece, Marcelo, os frigoríficos param de abater para atender o mercado norte-americano.
01:04E aí que está uma coisa interessante.
01:06Cada quilo que deixa de ser abatido para atender o mercado norte-americano vai impactar outros 900 gramas de carne no mercado interno.
01:16Por que que isso acontece?
01:18A maior parte da carne exportada para os Estados Unidos é composta por cortes do dianteiro.
01:24E a hora que a gente pega qual é o corte do dianteiro, qual a proporção desses cortes exportados e faz todo um balanço,
01:32então, olha que interessante, tiro o abate para os Estados Unidos e ao invés de sobrar carne aqui no mercado, a gente tira a carne do mercado interno.
01:40Então, o que os frigoríficos do Mato Grosso do Sul fizeram é o que é esperado para todos os frigoríficos que exportam para lá,
01:48inclusive outros que não exportam, porque esses frigoríficos, eles precisam se planejar.
01:53O que aquele que não exporta vai fazer?
01:55Ele vai colocar a carne no mercado interno, ele vai direcionar para outros mercados, ele vai competir comigo.
02:00Então, essa situação, ela acaba causando um impacto muito maior do que aparenta.
02:08A análise não é só o que a gente exporta para lá, ela envolve todo o nosso movimento de abate, de produção de carne e bovina,
02:18que vai ficar aí um pouco indefinido nos próximos dias até que essa situação se regularize.
02:23Então, aquela ideia de que vender mais para fora deixaria o produto mais barato para os consumidores brasileiros, não é algo necessário, né?
02:31Nunca foi, né, Marcelo?
02:32Até a gente tem usado muito, porque esse assunto, ele aparece toda hora, né, no Congresso, às vezes na imprensa, às vezes no próprio Executivo, né?
02:41O presidente falou muito disso, de exportar menos para ficar carne no mercado interno.
02:46Se a gente olhar o que os argentinos fizeram lá em 2008, as retenciones, num primeiro momento sobra, sim, carne no mercado,
02:54então você tem uma percepção de curto prazo de que aumentou, né, quando você para de exportar, né?
03:02Não é o caso agora para os Estados Unidos.
03:04Só que logo depois você tem um desestímulo tão grande na cadeia produtiva que vai faltar carne, né?
03:10Então, tanto é que lá dos argentinos, eles diminuíram o consumo per capita da faixa lá de 60 quilos para a faixa de 40 quilos depois das retenciones.
03:19Então, isso é um prejuízo enorme.
03:21Nesse momento, né, enquanto a cadeia produtiva está estruturada, dá essa parada no abate.
03:27E aí, o que acontece que a gente já viu até no fechamento do relatório dessa semana?
03:31O preço do boi cai e o preço da carne sobe.
03:35Olha que interessante.
03:35Então, você não tem ninguém se beneficiando disso, né?
03:38Nem aqui no Brasil, nem nos Estados Unidos, em lugar nenhum.
03:42E até, mas citando uma frase aí do Ricardo Santinho, da BPA, num recente artigo,
03:48ele colocou uma frase muito feliz, né?
03:50Que as exportações subsidiam as prateleiras brasileiras.
03:54Então, quanto mais a gente exportar, melhor a nossa cadeia produtiva vai atender o mercado interno,
04:00que é justamente o que aconteceu em 2024.
04:01Nós batemos recorde de exportação, recorde de produção e recorde de disponibilidade de carne para o mercado interno.
04:09Se a gente não resolver esse imbróglio, a gente provavelmente vai colocar muito avanço da pecuária
04:15a perder nos próximos meses ou nos próximos anos.
04:19Então, a gente precisa definir logo essa situação, né?
04:22Exatamente.
04:23Agora, eu queria te perguntar, assim, a perspectiva sobre dois aspectos aí.
04:27Primeiro deles, quão difícil é substituir o mercado americano por outros mercados no mundo?
04:33E segundo, quão difícil é para o consumidor americano ficar sem a carne brasileira?
04:38Para ele, para o mercado americano, isso é mais ou menos tranquilo?
04:41Também substituir o Brasil por outros países?
04:44Não, eles vão...
04:46Provavelmente, os Estados Unidos vão acabar incorporando um aumento muito grande no preço da carne para o consumidor interno.
04:55Os Estados Unidos, Marcelo, eles são o quarto maior exportador de carne bovina do mundo.
05:00Só que eles importam mais do que exportam.
05:03Então, esse ano está projetado, claro, isso vai ter que ser visto agora, né?
05:07Mas está projetado que a diferença entre importação e exportação norte-americana vai dar mais ou menos 990 mil toneladas.
05:15É muita coisa.
05:16Então, a hora que eles deixam de comprar do Brasil, ou eles vão aumentar a compra em outros países que já fornecem para eles, ou outros que ainda não fornecem.
05:26Então, você tem Austrália, Argentina, México, países que podem atender, ou eles vão diminuir a exportação do próprio país.
05:37Eles importam uma carne mais barata e exportam uma carne mais cara.
05:41Então, qualquer que seja a conta que eles fazem para equilibrar a oferta, a demanda de carne deles, né?
05:47Para atender a demanda, eles vão acabar ficando com uma carne mais cara no mercado.
05:52E aí que está a parte interessante.
05:54Hoje, no setor de carne bovina, isso não vale para as outras commodities, né?
05:59Todas, mas o Brasil hoje, ele rapidamente poderia ocupar esses buracos que vão ser deixados pelos Estados Unidos ou pelos fornecedores que vão mandar carne para os Estados Unidos.
06:11Então, a gente acabaria ocupando até dentro do ano essa exportação.
06:18Só que nós vamos ter um preço mais baixo, os Estados Unidos hoje pagam melhor para a nossa carne, a gente vai acabar exportando por preço mais baixo à medida que a gente vai substituindo esse mercado.
06:32Então, apesar dessa possibilidade, Marcelo, isso não é bom para nós.
06:36Isso é um cenário muito ruim, né?
06:38O ideal era a gente continuar abrindo novos mercados, exportando para os Estados Unidos, exportando cada vez mais, né?
06:44Esse ano a gente está exportando bem mais para eles e devagar ir abrindo mercados que pagam mais, não ocupando mercados que vão ser mercados de oportunidade que pagam menos.
06:55Então, no balanço do ano, essa situação é muito ruim para pecuar.
07:00Agora, quando você fala aí desse valor estratégico que a carne tem dentro do mercado americano, também não fica um pouco a esperança de que o Trump possa excetuar a carne, excetuar o café, o suco de laranja dessas tarifas?
07:13Como ele fez no caso da China, quando estava com aquela briga com mais de 100%, que ele acabou tirando alguns produtos que eram estratégicos, como celulares, eletrônicos, dessa tarifa?
07:23Eu acredito que sim.
07:24Inclusive, ele já está sendo pressionado pelos próprios norte-americanos, né?
07:29O pessoal já está avaliando aumento de custo, aumento de preço, inflação, tudo mais.
07:34Eu acredito, Marcelo, claro, essa não é minha especialidade, aí eu estou acompanhando as análises de tudo o que acontece nos Estados Unidos, desde que o Trump começou as tarifas, né?
07:46No começo a gente passou batido lá, meio que esquecido, e agora nós somos alvos.
07:50Se você for analisar a conduta dele, sempre foi assim, eu pressiono e negocio, eu pressiono e negocio.
07:57Nesse momento, o que me preocupa é o lado do Brasil, que parece não estar disposto a negociar, inclusive com algumas falas, praticamente dobrando a aposta, né?
08:08Então, isso nos preocupa, essa disposição do executivo em sentar de forma pragmática, ó, vamos resolver esse assunto,
08:15ou vamos postergar, que é uma sugestão aí que os analistas estão colocando, né?
08:21Estende o prazo para ter tempo para negociar, para a gente não criar um buraco agora, mas eu acredito sim que da parte dos Estados Unidos,
08:29é muito mais fácil a gente negociar essa, ou exceções de alguns produtos, ou prolongamento do prazo,
08:40ou inclusive rever essa tarifa aí e continuar mantendo a relação comercial, que é muito interessante para nós, né?
08:47Nós estamos olhando muito a parte da exportação para lá, mas a gente tem que lembrar o tanto que é importante a importação de produtos
08:56que vêm para os Estados Unidos e que garante a nossa competitividade, inclusive com custos de produção mais baixos,
09:03aí para a gente continuar sendo competitivo no mercado internacional.
09:07Dependendo do que a gente deixa de comprar, Marcelo, pode ser que a gente perca outros mercados por perder competitividade.
09:14Então, é isso que a gente precisa olhar, né? Não é uma coisa tão simples, não é só a carne, ou só o café, ou só o suco de laranja.
09:22Nós temos muitas outras questões envolvidas.
09:27Tá certo, eu falei aqui com Maurício Palma Nogueira, diretor da Atenagro.
09:30Muito obrigado, Maurício, pela sua participação e bom dia para você.
09:34Bom dia, obrigado pelo convite.
Comentários

Recomendado