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Alexandre Pires, professor de economia e R.I. do Ibmec São Paulo, analisou como as sanções da Lei Magnitsky afetam bancos e investidores no Brasil, aumentando a aversão ao risco e pressionando o fluxo cambial.

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Transcrição
00:00Continua agora a falar sobre as reações do mercado, né, aos impactos dessas restrições da lei Magnitsky.
00:06E agora a conversa é com o professor de Economia e Relações Internacionais do IBMEC São Paulo,
00:11Alexandre Pires, e o Felipe Machado, que se juntou a gente para isso.
00:14Boa tarde, Felipe. Boa tarde, professor.
00:16Boa tarde, Natália. Boa tarde a todos. Boa tarde, professor, também.
00:21Boa tarde.
00:22Bom, professor, vamos lá. Para quem não está acompanhando, né, esse dia a dia, né, do fluxo cambial,
00:28vamos, ajuda a gente a explicar, né, esse impasse, traduzir, como é que o senhor está vendo, hein,
00:34a posição, que é muito difícil mesmo, né, do setor bancário brasileiro?
00:40É uma situação nova, né, ou seja, o mercado tem que se antecipar a características que estão colocadas.
00:49A Magnitsky coloca como se fosse ali uma mira nos bancos que adotem um padrão de negociação com o ministro Moraes,
00:58e isso vai fazer com que haja uma ameaça futura de você poder ter uma grande multa, né,
01:04uma grande punição a algum banco estrangeiro ou nacional que faça isso.
01:09E aí, por outro lado, os investidores, eles começam, obviamente, a se reposicionar.
01:15Quem tem o Brasil como fornecedor começa a procurar alternativas.
01:19Quem investe no Brasil começa a procurar diversificar o investimento em outros países.
01:24E isso vai fazendo com que o fluxo cambial de saída fique maior que o fluxo cambial de entrada.
01:31Normalmente, isso levaria a um equilíbrio.
01:34O que significa isso?
01:35O dinheiro vai saindo mais rápido, quer dizer que o real vai perdendo valor,
01:39nossos produtos vão ficando mais baratos lá fora, os nossos ativos também,
01:44e aí logo você tem um equilíbrio porque começa a entrar dinheiro, porque o Brasil está barato.
01:49Mas com esses bloqueios do tarifaço, esse ajuste não vai acontecer como se esperava.
01:56Ou seja, mesmo que o Brasil esteja barato, com esse tarifaço e ameaça de mais retaliações,
02:03o Brasil não chega nesse ajuste.
02:05E aí nós vamos caminhando com uma crise nas contas externas.
02:10Felipe, sua pergunta é para o professor Alexandre.
02:12Professor, boa tarde.
02:13Professor, ontem o mercado financeiro estava discutindo possíveis soluções para esse problema
02:19e uma delas era justamente essa questão de talvez antecipar as decisões do governo americano
02:24e talvez excluir algumas pessoas das contas.
02:27Enfim, era um plano que começou a surgir.
02:29Agora, isso também não leva a uma situação meio delicada,
02:34porque como é que você vai antecipar?
02:36Não dá para saber quem exatamente vai ser punido.
02:38Você vai começar a separar, antecipar a saída de pessoas
02:43ou então a exclusão de contas bancárias de alguns membros da Suprema Corte
02:47ou do próprio governo?
02:48Como é que fica essa antecipação?
02:50Como é que a gente vai saber exatamente o que os Estados Unidos,
02:52quem os Estados Unidos vai sancionar?
02:55Essa sanção que está explícita agora é só sobre o ministro Moraes,
03:01ou seja, uma sanção que a gente chama de uma sanção OFAC.
03:05Então, ela já está direcionada.
03:06O problema é que você tem um conjunto de empresas e pessoas nacionais e estrangeiras
03:13que fazem transações com o ministro Moraes.
03:17E aí, essas pessoas começam a evitar qualquer tipo de relação comercial.
03:24Com as posturas atuais, inclusive do próprio STF,
03:27é muito provável que um ou outro ministro também venha a ser alvo disso.
03:33E aí, é como se fosse aquela questão dos graus de relacionamento.
03:38Cada vez que atinge mais uma pessoa, maior é o conjunto de empresas,
03:44maior fica a rede de empresas que vão ser afetadas indiretamente
03:48e que vão tentar se proteger.
03:50A Europa vai ter que fazer isso, o Brasil, empresas latino-americanas vão ter que fazer isso.
03:56Parece uma coisa pequena, mas não é.
03:59E é claro, quanto mais sancionados, mais difícil fica a operação das empresas americanas
04:06e empresas brasileiras que operam nos Estados Unidos.
04:09Isso é muito complexo.
04:10Agora, professor, a gente tem visto analistas internacionais destacando
04:13o aumento da aversão ao risco em mercados emergentes.
04:17E aí, nesse contexto, com essas restrições da lei Magnitsky,
04:21nesse contexto brasileiro, isso pode mexer com esse movimento, amplificar essa aversão?
04:29Sim, porque o Donald Trump tem um prazo de validade.
04:33E é um prazo de validade de mais três anos e meio.
04:36Então, qualquer decisão que ele tomou hoje vai valer por mais três anos e meio.
04:41E isso, para o investidor, para o empresário, isso é uma enormidade em termos de resultado.
04:47Para o setor financeiro também.
04:50Então, como essas medidas muito improvavelmente vão ser revertidas,
04:55então, todos os agentes econômicos estão tentando precificar isso.
05:01Só que agora, com a decisão do ministro Flávio Dino,
05:04é como se eles tivessem que decidir não só sobre a pressão do lado americano.
05:09Agora, tem uma pressão interna por parte do STF,
05:12que, inclusive, pode impor ali medidas cautelares sobre essas empresas.
05:18Felipe, a pessoa é uma sua.
05:20Não, professor, eu acho que é uma situação tão complicada,
05:23porque, ao mesmo tempo, parece meio óbvio que os bancos brasileiros
05:27teriam que obedecer as leis no Brasil.
05:29Ao mesmo tempo, eles ficam correndo esse risco
05:31com essa situação de insegurança jurídica.
05:33Eu acho que a gente poderia, por exemplo, no caso de cidadãos europeus
05:38que estão envolvidos ali na Corte Internacional de Haia,
05:41alguns juízes também foram sancionados com a lei Magnitsky,
05:44e a gente não viu nenhuma...
05:46Por exemplo, tem um juiz francês, tem outros juízes europeus,
05:50a gente não viu os países também, bancos da Europa, por exemplo, da França,
05:55excluindo os seus serviços.
05:57Como é que a Europa está lidando com isso
05:59e como é que o Brasil pode seguir, talvez, esse exemplo
06:01ou, talvez, aprender um pouco com essa situação?
06:05É, sempre tem...
06:06Esse conjunto de pessoas listadas,
06:09eles podem ser sancionados por várias leis.
06:12A Magnitsky é uma delas,
06:14que impacta algumas ações.
06:18Então, quando a gente pega lá um juiz francês ou alguma coisa,
06:22ele vai estar, sim, sujeito, vai estar sujeito a uma pressão dos Estados Unidos,
06:29que tem soberania para sancionar quem quiser,
06:33e a empresa francesa, que tem alguma relação comercial com esse juiz,
06:37vai escolher.
06:38Nós temos que lembrar que vários dos sancionados, ao longo dos anos,
06:43tiveram ali algum tipo de esforço dos bancos de manter contato com eles,
06:49tanto em casos mais extremos, até de crime e tal.
06:53Mas o que aconteceu?
06:55A insistência de ter relações
06:57fez com que os Estados Unidos impusessem multas pesadíssimas,
07:01inclusive para bancos europeus.
07:04Então, tudo depende da ação americana.
07:07Digamos que a França, uma entidade francesa,
07:11decida não seguir a sanção.
07:14Ou ela se isola dos Estados Unidos,
07:16ou, mantendo relação com os Estados Unidos,
07:18pode ter algum tipo de negociação política
07:21que impeça a aplicação de multa.
07:24Ou seja, nós estamos falando, não de economia,
07:27nós estamos falando de política.
07:29Então, pode ser que haja um relaxamento.
07:30É igual o caso do Brasil.
07:32Existe uma posição colocada,
07:35mas pode ser que o governo brasileiro, enfim,
07:37consiga negociar e diga, por exemplo,
07:40que o Banco do Brasil pode manter relações
07:42em reais com o ministro Alexandre de Moraes.
07:46e estaria tudo tranquilo.
07:50E, professor, o senhor acredita que essas sanções recentes,
07:53pensando em curto e médio prazo,
07:55elas podem limitar o acesso do Brasil
07:57a fluxo de capital estrangeiro?
07:59Ou o mercado já precificou essa questão?
08:01Não, certamente o Brasil já está sendo afetado por isso.
08:07Ou seja, tem o primeiro um efeito
08:08que é o efeito de balança comercial,
08:12de tarifas.
08:13Depois tem esse segundo efeito de sistema financeiro,
08:16que é altamente contagioso.
08:18Todos os negócios passam pelo sistema financeiro.
08:22E, claro, o investidor,
08:24ele não está só olhando a sanção ao Alexandre de Moraes,
08:28ou o Brasil pagando a tarifa mais alta
08:31do tarifácio do Trump.
08:32Ele está olhando que o Brasil
08:34está em rota de colisão
08:36com o maior mercado do mundo.
08:38E o mercado mais rico
08:40e que tem mais investidores,
08:43ou melhor, a maior quantidade investida no Brasil.
08:45Então, o que acontece?
08:46Ele olha, esse cenário vai mudar do dia para a noite.
08:50Mais um ano e meio de governo Lula,
08:52mais três anos e meio do governo Trump.
08:55Há uma chance do governo Lula se eleger.
08:58Então, ele já começa a falar o seguinte,
08:59olha, o Brasil está em um novo perfil de risco
09:03pelos próximos cinco anos.
09:04E ele se reposiciona.
09:06E isso a gente vai sentir, provavelmente,
09:08já no final do ano, final de 2025.
09:11Certo.
09:12Quero agradecer, professor Alexandre Pires,
09:15de Economia e Relações Internacionais do IBMX São Paulo,
09:17pela conversa ao vivo com a gente aqui no Fast Money.
09:20Muito obrigada, viu, professor?
09:21Boa tarde e até a próxima.
09:24Boa tarde.
09:24Tchau, tchau.
09:25Tchau, tchau.
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