00:00Quando o senhor estava no comando da Petrobras, a gente sempre ouvia falar que esse processo da transição energética seria
00:07um processo mais célebre, mais acelerado, né?
00:11Só que agora a gente ouve das grandes petroleiras e dos principais executivos do mundo do petróleo a seguinte expressão,
00:19o seguinte jargão,
00:20acho até que já no final da sua passagem da Petrobras já tinha esse lema na bandeira, né?
00:24Transição energética justa.
00:26E aí eu queria entender o seguinte, a transição energética justa significa dizer que o mundo do petróleo vai explorar
00:33até a última gota de petróleo disponível no mundo
00:36e depois faremos essa transição ou será um processo que vai rodar concomitantemente, talvez na velocidade diferente daquela que o
00:48senhor desejava, mas é aquilo que a necessidade se impõe?
00:52Rodrigo, não, eu acho que não é diferente da velocidade que eu desejasse, né?
00:56Seria muito importante para desejar alguma coisa desse nível e ela ter que acontecer, né?
01:01Apenas eu preconizo que a gente não precise, de fato, ser tão comedido no processo, né?
01:09Transição econômica, transição energética justa, ela tem a ver com a parte social da transição energética,
01:15não tem a ver com a parte econômica ou com a parte tecnológica.
01:20A parte econômica e tecnológica, ela se adapta e ela já tem hoje soluções para praticamente tudo.
01:25Nós acabamos de mencionar aqui essa questão do estoque de energia, da intermitência, tudo isso é administrável,
01:31da digitalização das redes, da eletrificação das frotas, de como os mercados estão se acostumando já, por exemplo,
01:38a abastecer seus carros através de carga elétrica, né?
01:41Como isso tudo está se adaptando até numa forma bem mais rápida do que as pessoas imaginavam, né?
01:46Muitas pessoas hoje estão nos assistindo, talvez há dois anos atrás não imaginassem que você tivesse tanto veículo elétrico hoje
01:52e as pessoas estivessem tão seguras de adquirir veículos até 100% elétricos, por exemplo,
01:57para algumas finalidades e estivessem bem com isso, sem problema nenhum.
02:01Então, não é esse o problema.
02:03O problema da transição justa é aquela expressão complementar, né?
02:07Não deixar ninguém para trás.
02:09É quando você faz uma transição e você acaba deixando uma população, um grupo,
02:17uma profissão, eventualmente, desatendida.
02:21Então, se trata de você reformular políticas de capacitação de pessoas,
02:26se trata de você conviver nessas novas tecnologias,
02:29as novas horizontes energéticos,
02:31conviver bem com as populações originárias,
02:34com quem já vive ali,
02:36inseri-los no processo, por exemplo,
02:38no caso das energias renováveis, eólica, solar,
02:41os grandes parques e o próprio biocombustível, né?
02:44Você se lembra que o agro, até décadas atrás,
02:47falavam-se boias frias, hoje são os lugares mais prolíficos
02:51em termos de receita e de bem-estar social do Brasil.
02:56Então, é disso que está se falando.
02:58A questão das empresas de petróleo,
03:00que se apressaram rapidamente, é demais, né?
03:02Que deram passos muito largos, né?
03:05E a gente tem um exemplo principal, por exemplo, da BP, né?
03:07A BP abraçou a solar, por exemplo,
03:10há, sei lá, 10, 12 mais anos atrás.
03:12E ela, de fato, o ímpeto daquele processo,
03:16ao mostrar para todos que estava saindo daquela história,
03:19ela tinha o trauma, tinha acabado de viver o trauma
03:21de um grande acidente de óleo macondo, né?
03:25No Golfo do México.
03:26Você lembra daquela plataforma explodindo,
03:28aquele negócio, uma imagem extremamente impactante até hoje?
03:32Então, ela tinha que, primeiro, prestar essa satisfação.
03:34Dizendo, olha, nós passamos por tudo isso, mas...
03:36E aquilo teve um efeito, inclusive, na própria empresa,
03:39que, às vezes, é atribuída à transição energética,
03:41mas também tem a ver com o próprio efeito da própria empresa,
03:44que saiu de muitas áreas.
03:45Enfim, teve aquele processo, aquele choque, de fato.
03:49Esse não serve de exemplo, né?
03:51Outras empresas, e aí, para ficar aqui,
03:53não estou fazendo propaganda, estou dando casos concretos.
03:55Aqui é um noticiário de negócio, né?
03:58Então, por exemplo, a Shell.
04:00É um exemplo oposto.
04:01Ela foi fazendo a sua transição de forma...
04:04Inclusive, por acertos e erros, né?
04:07Inclusive, está aqui presente no negócio do biocombustível,
04:11grandemente, através da Raiz, em parceria com a Cozã,
04:13é uma parceria bem sucedida.
04:15A Cozã tem problemas hoje por outras razões,
04:17mas certamente não é pelas opções que ela fez
04:20de se juntar com a marca Shell Global
04:22e de tratar de etanol e de biocombustíveis em alto padrão.
04:27Mas ela entrou agora, por exemplo, em eletropostos.
04:29Ela fez parcerias com os McDonald's do mundo inteiro.
04:33Então, você vai entrar, imagina, você vai para o McDonald's e vai carregar seu carro elétrico.
04:36Duas marcas potentes como essa, né?
04:39Junto ao consumidor.
04:40Quando se juntam numa nova fronteira tão misteriosa para alguns,
04:45como essa da eletromobilidade,
04:47isso significa claramente que ela, sim, está abraçando isso,
04:51mas com racionalidade, com o que a transição exige,
04:54que é temporalidade correta, racionalidade e temporalidade ajuizada, digamos assim.
05:01Quando se faz isso, a transição energética acolhe essas empresas de petróleo.
05:06As grandes petroleiras, eu digo sempre,
05:09serão as grandes responsáveis pelos grandes passos da transição energética no mundo.
05:16Isso vale para a China, para as petroleiras estatais chinesas,
05:20vale para as majors internacionais, as chamadas International Oil Companies,
05:25e vale para as estatais não chinesas e não europeias,
05:30como, por exemplo, Saudi Aramco, Adnok e outras empresas,
05:33Abu Dhabi, Arábia Saudita, Kuwait,
05:35todas as empresas árabes, todas as empresas até africanas,
05:38que vão precisar fazer transição energética.
05:42sem, no entanto, deixar de produzir petróleo no curto, médio prazo.
05:47Porque, afinal, é para isso que elas existem
05:49e é com essa função que elas foram criadas.
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