00:00Sobre o dia no mercado financeiro, eu converso com o Marcelo Carvalho, ele é economista da WIT Invest.
00:08Marcelo, boa noite para você, corrigi aqui o seu nome a tempo.
00:12Obrigada, Viu, por ter aceitado o nosso convite.
00:15Boa noite, é um prazer estar aqui.
00:17Marcelo, novo recorde de pontos, dessa vez com o Ibovespa superando 191 mil pontos no fechamento.
00:24O que explica e qual é a sua expectativa? 200 mil pontos muito em breve?
00:30200 mil pontos virou uma barreira curta, se parar para pensar.
00:35Poucos altos já podem atingir esse patamar.
00:37O que muito explica isso foi o fato realmente dos Estados Unidos não aumentar tanto a tarifa quanto era esperado.
00:44Era esperado 15, foi 10, mesmo que tenha uma projeção de talvez chegar a 15 daqui a algumas semanas, alguns
00:49meses.
00:50Mas outros dados também ajudaram muito o Brasil.
00:53A gente teve que a arrecadação federal em janeiro, comparado com o ano passado, teve um aumento real de 3
01:00,5%, o que é bastante, ajuda a reduzir o risco fiscal,
01:05que acabou também ajudando a cair a curva de projeção de CDI e a curva da NTNB.
01:13O que acaba jogando mais fluxo para aquelas ações que são mais ligadas ao mercado varejista ou que tem uma
01:19dependência muito grande da Selic estar mais baixa dos patamares atuais.
01:23Como a gente já vai ter um corte na próxima reunião, isso ajudou a fomentar mais o mercado hoje.
01:30As ações da Petrobras foram destaque hoje, apesar do petróleo em queda no mercado internacional.
01:35Como é que a gente explica exatamente isso?
01:38Petrobras é um dos principais ativos que o investidor estrangeiro vê quando olha para o Brasil.
01:43A gente não pode negar que grande parte do que está movendo as bolsas brasileiras está sendo o fluxo estrangeiro.
01:49E como a gente ainda tem Petrobras com todas as projeções de lucro, há preços de compra por várias casas
01:56de análises,
01:57muito provavelmente deve ter sido a entrada do fluxo estrangeiro que potencializou a empresa.
02:02Ainda mais sendo a distribuidora de dividendos que ela acaba sendo.
02:07Marcelo, os Estados Unidos passaram a aplicar a partir de hoje aquela tarifa adicional de 10% sobre todos os
02:14produtos que não estejam cobertos por isenções.
02:16Como é que o mercado recebeu essa medida? Qual o impacto dela para o mercado de câmbio?
02:23Como a gente teve um impacto muito grande no dia de ontem, hoje, sendo um valor mais abaixo do que
02:29era esperado, foi bem positivo.
02:31Foi muito positivo porque a gente acaba tendo um cenário um pouco melhor para as empresas brasileiras na competitividade.
02:36Porém, ainda é muito, muito, entra tarifa, sai tarifa.
02:41É muito instável para ser tão positivo assim para as empresas acabarem aplicando no dia a dia com as suas
02:48exportações.
02:49Então, muito provavelmente, a gente vai ter uma demora para ver isso chegar efetivamente nas empresas e exportar, aumentar os
02:55volumes,
02:56para ver se realmente não vai ter esse aumento novamente e, assim, a gente acabar perdendo essa competitividade.
03:01É, só para explicar aqui para o nosso telespectador que é exatamente isso, né?
03:05O Trump aumentou no final da semana passada para 10%.
03:08No sábado ele aumentou para 15%, só que as tarifas entraram em vigor hoje ainda nos 10%, não nos 15%.
03:16Então, por isso esse bom humor do mercado em relação a isso.
03:21Bom, vamos falar de Estados Unidos, já que estamos aqui falando de Trump.
03:24As bolsas também fecharam em alta com os temores em relação às empresas ligadas à inteligência artificial diminuindo.
03:31Aliás, é uma volatilidade, né?
03:33Às vezes a inteligência artificial casa mau humor neles, às vezes não.
03:39Enfim, hoje foi positivo.
03:41Por que tantos altos e baixos no mercado americano?
03:45A inteligência artificial ninguém pode negar que subiu muito nos últimos anos, né?
03:50Existem empresas que estão com receio de supervalorização.
03:53A NVIDIA, que vai divulgar a balança essa semana, é uma delas.
03:56Mas, logicamente, que ela está trazendo alguns benefícios para as indústrias como um todo.
04:02Tanto as indústrias propriamente ditas, quanto as indústrias e serviços estão sabendo se aproveitar.
04:06Então, conforme está sendo concretizado alguns resultados, ou é esperado que seja concretizado,
04:13como é, por exemplo, o que vai sair do resultado da NVIDIA,
04:16a gente vai ter menos ou mais nervosismo com as próprias ações estrangeiras.
04:22Porém, a gente tem que sempre tomar cuidado em quais a gente está aplicando,
04:26com quais recomendações, porque não pode se negar que elas estão com uma expectativa muito alta.
04:31Então, agora elas precisam entregar esse resultado.
04:34Eu vou passar para a pergunta do Vinícius Torres Freire.
04:37Vinícius.
04:39Barticello, o assunto agora é saber se essa continuidade da melhora das condições financeiras
04:45vai durar até o final do ano, ou até uma altura do ano que permita facilitar,
04:52pelo menos, o trabalho do Banco Central.
04:54Agora, a gente tem uma expectativa de que possa ter mais queda de juros dos Estados Unidos,
04:59com inflação talvez um pouco mais controlada por causa de menos ameaça de tarifas,
05:04e esse descrédito do dólar continuando, e essa rotação continuando,
05:07o pessoal tentando tirar dinheiro do risco dos Estados Unidos.
05:10Você acha que isso é tendência mesmo, fora a catástrofe,
05:12e que a gente pode esperar mais valorização do dólar e mais fluxo para a Bolsa?
05:18Eu acho que sim, é tendência.
05:20A Bolsa Brasileira acaba sendo um dos principais drives de recursos do estrangeiro,
05:27por ser o maior país da América Latina,
05:28e apesar de todas as complicações que a gente está tendo,
05:31é sim projeção de queda da Selic.
05:34Independente de quanto a gente tem, se vai para 13, se vai para 12,
05:38é para ter uma queda na Selic,
05:40e um alívio aí sim no custo do dinheiro para o empresário,
05:44que está muito alto.
05:45Tem muitas empresas que estão sofrendo com isso,
05:48e as que estão conseguindo sobreviver.
05:50Ao se ter esse custo mais reduzido,
05:53vai refletir diretamente no balanço, aumento de lucros.
05:56Então, essa é uma tendência que deve se postergar,
05:59principalmente quando a gente considera que,
06:01quando a gente pega o dólar que a gente tem hoje,
06:04é um preço bem abaixo do que a gente tem nos relatórios
06:08que o Banco Central utiliza para fazer as suas prejuções de inflação.
06:12Então, existe até uma chance de termos uma pequena surpresa,
06:16um pequeno ânimo adicional,
06:18se o dólar continuar nesses patamares,
06:19abaixo das projeções anteriores do Banco Central.
06:23Martiello, você falou que rapidamente da questão do COPOM na taxa Selic,
06:28a reunião vai ser dia 18 de março,
06:30evidentemente que vai ter queda,
06:31você trabalha com o quanto?
06:33Eu trabalho com uma queda de 0,5% inicialmente,
06:37a gente está continuando com mais quedas de 0,5% nas próximas reuniões,
06:42caso não aconteça a taxa fisioterapeuticamente.
06:44O que está sendo mais discutido é o quanto.
06:48Tem muitos analistas falando em 13%,
06:50muitos falando em 12%, muitos falando em 12,5%.
06:53Mas, ainda assim, é um rende bem mais satisfatório,
06:56bem mais saudável de juros do que a gente tem atualmente.
07:00Então, pelo menos essa queda de 0,5% é esperado que aconteça,
07:03é como a gente está trabalhando hoje,
07:05e mais, pelo menos, mais umas três quedas consecutivas de mais 0,5%.
07:12Então, na opinião de vocês, vai chegar a quanto no fim do ano?
07:16A média é entre os 12% e os 13%.
07:19A gente não está trabalhando com o número cravado,
07:22mas se fosse um otimista de onde a gente está trabalhando
07:24com as nossas carteiras mesmo, seria 12,5%.
07:27Os 12% seria mais um cenário mais otimista
07:29do que a gente está trabalhando hoje, e 13% e mais pessimista.
07:33Martiello, muito obrigada. Prazer conversar com você.
07:36Prazer é meu.
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