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A tarifa global de 15% imposta pelos Estados Unidos cria um novo piso para o comércio internacional, mas mantém o café brasileiro com alíquota zero — com exceção do solúvel, que caiu de 50% para 15%.

Em entrevista ao Real Time, Pavel Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), afirmou que a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos traz previsibilidade, mas o setor ainda monitora os desdobramentos das medidas do presidente Donald Trump. Segundo ele, o Brasil responde por 34% do consumo de café nos EUA e produz cerca de 40% do café mundial.

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Transcrição
00:00E a tarifa global de 15% imposta pelos Estados Unidos cria um novo piso para o comércio internacional.
00:07Mas por ser uniforme, preserva a competitividade relativa do Brasil e ainda garante alíquota zero para setores estratégicos como carne,
00:16café, celulose e aviões.
00:18Sobre os desdobramentos para os produtores e exportadores de café, a gente vai conversar com Pavel Cardoso, presidente da BIC,
00:26a Associação Brasileira da Indústria de Café.
00:28Tudo bem? Bom dia, boa tarde. Já passamos do meio-dia. Seja bem-vinda ao Real Time.
00:35Olá, Natália. Boa tarde a todos. Obrigado por mais uma vez estar aqui. Satisfação novamente estar com vocês.
00:41É prazer o nosso te receber mais uma vez. Pavel, começa contextualizando para a gente como é que vocês viram
00:48essa decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos na sexta-feira e as respostas que vieram depois de Donald Trump.
00:56Essa decisão da Suprema Corte vai em linha com o que o setor espera e precisa, que é exatamente a
01:02previsibilidade, a isonomia, regras claras para que o setor privado consiga fazer o seu devido planejamento.
01:09Nós tivemos o ano de 2025 com bastantes tensões, sabendo que desde ali de início de abril do ano passado,
01:17quando foram instituídas as tarifas recíprocas, o setor já acendeu o alerta, culminando o final de julho com aquela adição
01:27de 40%.
01:28E ali o mercado de café do Brasil com os Estados Unidos teve realmente um revés muito grande, sabendo que
01:35nesses 90 dias, quando somente lá em 14 e 20 de novembro, Natália, que foram efetivamente retiradas essas tarifas, respectivamente
01:43ali 10% e 40%,
01:45é que o setor pôde retomar as exportações para os Estados Unidos.
01:50E o dano foi severo, foram mais de 400 milhões de dólares, mais de 2 bi de real, que foram
01:55deixados de se exportar para os Estados Unidos, culminando com o ano de 2025,
01:59com os Estados Unidos, que historicamente sempre foram os nossos maiores importadores, ficando na segunda posição atrás da Alemanha.
02:06Então o setor, ele entende que com essa decisão da Suprema Corte, naturalmente no dia seguinte, já na sexta-feira,
02:15com a instituição dos 10% de novas tarifas recíprocas instituídas pelo presidente americano,
02:20revisadas para 15% no sábado, o nível de tensão aumenta e longe da previsibilidade que o setor espera.
02:28A boa notícia é que apenas o solúvel ficou de fora da isenção do anexo 3, que manteve o café
02:35nessa lista de exceção, que segue, portanto, com 0% de tarifa.
02:41A exceção do solúvel, que com essas recíprocas recém-colocadas de 15%, ganha, portanto, uma tarifa adicional de 15%,
02:51que é positivo, uma vez que não tinha sido excluído o solúvel, caindo, portanto, de 50% para 15%.
02:59Mas esperamos que isso seja revisto em breve, com a previsão do encontro entre os dois presidentes,
03:05e pelo tom, acreditamos que haveremos de ter um ano menos volátil, menos tenso, nessa questão da tarifa para o
03:11nosso setor café.
03:12Então, o nosso café, em geral, já estava com alíquota zero, né, Pavel?
03:17E só o solúvel, que continuava com uma tarifa maior, que, no caso, agora, com essa tarifa global de 15%,
03:23caiu.
03:24Caiu para 15% e volta a ficar mais competitivo, certo?
03:29Volta a ficar mais competitivo porque os outros países com os quais os Estados Unidos operam café solúvel
03:37passam a ter também essa alíquota.
03:39Muitos dos quais, inclusive, tem essa alíquota agora recíproca de 15%, superior a eventuais acordos que tinham com outros países,
03:48o que é bom para o solúvel brasileiro.
03:50Mas, novamente, as nossas contraspartes nos Estados Unidos, do lado de cá, todas as entidades que compõem o ecossistema café,
03:58Natália,
03:58e com o apoio do poder público liderado pelo vice-presidente-geral do Alckmin,
04:02nós entendemos, e com essa iminente viagem do presidente aos Estados Unidos para o encontro entre os dois presidentes,
04:11nós acreditamos que, como sendo um tema de bastante relevância para o Brasil e para os Estados Unidos,
04:18e o café com a longevidade que tem a relação comercial entre os dois países,
04:23nós estamos falando de mais de 200 anos que os Estados Unidos importam o café brasileiro,
04:27e o café brasileiro tem uma presença marcante, importante, determinante para a composição dos blends das indústrias americanas.
04:35O café brasileiro faz parte, Natália, em mais de 34% de todas as votações e todo o consumo americano.
04:42Então, fazer qualquer tipo de alteração, além de impactar na sensorial do café bebido pelos americanos,
04:49impacta, sobretudo, nos volumes.
04:51E sabendo que café é um item muito sensível, porque os americanos também tomam café todos os dias,
04:5976% dos americanos tomam café todos os dias, e não abrem mão, assim como nós brasileiros,
05:04não abrem mão do café brasileiro, porque é presente há muitas décadas nos seus blends,
05:10nosso entendimento é que teremos um desfecho positivo, sabendo que café, nós gostamos de dizer sempre, Natália,
05:17transcende gerações.
05:18Café é presente à vida de qualquer pessoa que consome, como um item, não apenas de consumo,
05:24mas cultural e com impactos relevantes, social e econômico, em qualquer país onde se opere.
05:30Sabendo que os Estados Unidos é o maior importador do café brasileiro,
05:33mais marcante e pronunciado é a importância do nosso café para os Estados Unidos.
05:38É, Pavel, te ouvindo aqui, fico imaginando, né, as pessoas lá acostumadas com esse blend,
05:43que conta com o café brasileiro, pagando mais caro por um café que não necessariamente elas reconhecem ali, né,
05:50o sabor, e isso coloca, inclusive, a popularidade do presidente Trump em xeque, né,
05:56então, boas notícias mesmo para todo mundo.
05:59Agora, isso, essa mudança, essa tarifa global, de alguma forma, pode mexer com o preço do café no cenário internacional,
06:09como commodity, e esse novo cenário, tem potencial de mexer com o preço do café para o consumidor brasileiro aqui
06:15interno?
06:17O cenário de preço no Brasil, ele é muito mais atrelado à questão do tamanho da safra,
06:24e nós temos no horizonte aí uma safra muito positiva, Natália, nós estamos falando aí de mais de cinco anos
06:30que nós temos um descasamento entre a produção total, global, e o consumo total.
06:36Desde 2021, quando o Brasil teve uma geada de natureza importante,
06:40nós temos aí esse descasamento trazendo redução dos níveis históricos dos estoques,
06:48e mesmo sabendo que temos uma safra muito boa, esses estoques muito baixos comprometem qualquer tipo de volatilidade,
06:58e trazem, na verdade, um tom de grande preocupação.
07:01Sabendo que uma safra grande como essa pode ainda ter alguma intempérie climática que venha a afligir o tamanho dela,
07:08nós estamos falando de uma corda muito esticada já para eventuais oscilações acontecerem no setor.
07:17Mas sabemos que todos os indícios apontam para uma safra muito positiva,
07:22o que trará na nossa avaliação menos volatilidade, arrefecimento de alguma coisa dos preços
07:27que podem eventualmente ser transferidos para os consumidores aqui no Brasil nos próximos meses,
07:33esperamos nós no segundo semestre.
07:34Em relação aos impactos que a tarifa americana, se eventualmente essas tensões voltarem a acontecer,
07:42mesmo secundariamente, essa questão geopolítica mexe muito, como mexeu o ano passado,
07:47com as cotações do café, tanto o Arábica em Nova York, quanto o Robusta em Londres.
07:53Esperamos, como nós colocamos aqui, por todos esses fatores que foram aqui relatados,
07:57que haveremos de ter um ano menos tenso, sabendo que a boa relação entre os dois países volta a ter
08:03um tom positivo
08:05e, sobretudo, sabendo que o café por lá, nos Estados Unidos, teve um aumento bastante significativo
08:11para os consumidores americanos que não são acostumados com grande inflação
08:15e café na mesa dos americanos todos os dias não é nada saudável, realmente, para a popularidade de qualquer presidente,
08:22não é verdade?
08:23É café presente em nosso dia a dia, dentro, fora do lado, início ao fim do dia.
08:28E sabendo que o café é importante também, economicamente falando,
08:33nós esperamos que esse tom seja amenizado,
08:36que transcorramos um ano com muito café para os americanos,
08:41proveniente do nosso país, que é o maior produtor de café do mundo.
08:44Nós produzimos 40% da produção global.
08:46Então, a expectativa é que as negociações sejam positivas
08:50para que transcorramos com um ano muito salutar, muito positivo para os dois países.
08:55O Pablo, para a gente fechar, traz para a gente as perspectivas, então,
08:59como um todo, da indústria do café agora para 2026.
09:02O que está no radar de vocês?
09:04Novos mercados à vista também?
09:06O que você pode compartilhar com a nossa audiência?
09:09A indústria brasileira teve um momento a comemorar,
09:14porque mesmo sabendo dos aumentos dos preços que os consumidores brasileiros
09:17tiveram nos últimos cinco anos, como mencionamos aqui,
09:21desde 2021, quando aquela geada começou uma sucessão de problemas climáticas,
09:26trazendo, portanto, dores para a indústria nacional,
09:29e que foram, ainda que com algum delay, buscando a responsabilidade
09:33nessas transferências de preços que a indústria sempre permeia as suas decisões,
09:37nós tivemos um resultado muito positivo com vendas de 46 bilhões de reais
09:44consumidos por nós brasileiros.
09:47Nós brasileiros, ainda que tenhamos tido algum arrefecimento no consumo,
09:51por conta desses anos seguintes de aumento de preço para o consumidor,
09:55nós temos um resultado muito positivo a comemorar,
09:58que o Brasil continua consumindo café,
10:00o brasileiro não abre mão do café,
10:02haja vista a própria presença em 98% dos áreas do país,
10:07o café é resiliente na mesa do brasileiro,
10:11foram consumidos 21,5 milhões de sacas,
10:14mantendo o consumo per capita aí acima de 6 quilos por habitante ano,
10:19quando a gente fala do verde,
10:20mas 4,82 quilos por habitante ano,
10:23quando de torrado e moído.
10:24E sabendo que nós temos aí no horizonte uma boa safra,
10:28o Brasil tem a comemorar que,
10:31mesmo não sendo o suficiente, como nós falamos,
10:33para recompor esses estoques globais,
10:35haja vista esses históricos dos estoques estarem muito baixos,
10:38nós temos aí oferta e oferta de bons cafés com qualidades cada vez melhores
10:44que a indústria nacional consegue entregar para o consumidor.
10:48E, Natália, é importante a gente mencionar isso,
10:50porque a BIC, enquanto Associação Brasileira da Indústria de Café,
10:53ela tem um papel relevante no avançar,
10:56não apenas da quantidade do volume total,
10:58do aumento do consumo per capita,
11:00mas, sobretudo, da qualidade do café que o brasileiro toma.
11:04Lá em 89, quando a BIC lançou o primeiro programa de certificação,
11:08que foi o Seu de Pureza,
11:09nós tínhamos um consumo per capita de pouco mais de 2 quilos por habitante ano.
11:13Então, sabendo que a indústria nacional consome 37% do que o Brasil produz
11:18enquanto país produtor,
11:20a direção que a indústria nacional conseguiu dar para o produtor,
11:24que respondeu de forma extremamente positiva,
11:27foi um aumento não apenas do volume de café que esse país passou a plantar,
11:31mas, sobretudo, da qualidade, da sustentabilidade que o nosso país hoje consegue entregar
11:37para o Brasil e para o mundo.
11:39E o brasileiro tem a comemorar,
11:41porque tem essa boa qualidade com as certificações que a BIC promove
11:45e a responsabilidade da entrega de uma boa qualidade na mesa de cada família brasileira.
11:51Então, o que nós podemos mencionar é que teremos,
11:55com essa safra muito positiva pela frente,
11:58uma quantidade suficiente para alimentar o país,
12:01alimentar, que eu falo, café, muito café na mesa de nós brasileiros,
12:04mas também muito café para o mundo, para os países com os quais o Brasil mantém boa relação comercial
12:10e entrega o nosso café para esse mundo inteiro.
12:14Quero agradecer, Pavel Cardoso, presidente da BIC,
12:17Associação Brasileira da Indústria do Café,
12:20pela entrevista ao vivo aqui no Real Time.
12:22Então, muito obrigada, ótima semana e volto sempre.
12:26Obrigado, Natália.
12:27A gente segue sempre à disposição.
12:28Eu que agradeço pela disposição, pela disponibilidade de estarmos aqui
12:32passando um pouco das informações para todos que nos ouvem.
12:36Tchau, tchau. Boa tarde.
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