O presidente do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), Márcio Ferreira, analisou as declarações do secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, sobre a possível isenção tarifária para o café brasileiro. Ferreira avalia os impactos das tarifas de Trump no setor, o papel estratégico do café na economia americana e projeta queda nos preços ao consumidor.
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00:00E o café é um dos produtos que podem ter tarifa zero nos Estados Unidos, segundo declaração do secretário de comércio norte-americano Howard Lutnick.
00:16Então nós vamos conversar agora com o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, o C-Café, o Márcio Ferreira.
00:23Oi Márcio, muito bom dia para você, seja bem-vindo ao Real Time.
00:27Ô Márcio, depois daquela entrevista que nós trouxemos com exclusividade aqui no Times Brasil, licenciado exclusivo CNBC, dentro inclusive do Real Time, o setor de café ficou mais aliviado ou ainda não é o caso?
00:43Seja bem-vindo aqui conosco.
00:45Oi Eric, bom dia, prazer estar aqui com vocês.
00:48Depois do anúncio do secretário Otten, a gente teve reuniões com o nosso par do C-Café, que é a NSA, a National Coffee Association lá fora, e tivemos também com alguns principais importadores lá nos Estados Unidos.
01:06Está todo mundo ainda naquele compasso de aguardar, como vocês colocaram em matéria anterior agora, a assinatura, vamos dizer, o aval do presidente Trump.
01:17Obviamente que a ideia de que o café não fosse tarifado é algo que a gente trabalha desde antes, lá atrás, lá nos 10%, exatamente por ser tão importante para a economia americana,
01:30para cada dólar exportado são 43 dólares lá fora, 2.200.000 pessoas empregadas nos Estados Unidos, e 76% dos americanos tomam café diariamente.
01:42Então esses números falam por si só, além do que o Brasil representa 33, às vezes até 40% no momento de acidente climático, do que é fornecido lá.
01:51Mas o sentimento é que a coisa está caminhando dentro daquilo que a gente imaginava, só que um pouco de cautela, a gente quer aguardar os trâmites finais, vamos dizer assim, ou seja, o primeiro de agosto.
02:03Mas até, já dá para abrir até um sorrisinho, né, Márcio?
02:07Não, não, dá porque é o que eu falo, né, isso é uma luta do dia a dia, né, a gente vem há bastante tempo, porque a presença ali, destacar o trabalho da NCA,
02:17porque a NCA, ela não está em Washington por causa disso, ela está em Washington constantemente, porque representa o café na economia, na população como um todo, né,
02:27então, é frequente a presença do presidente da NCA e do Bill Murray em Washington.
02:32Então é uma pessoa que é muito conhecida dos parlamentares, tanto da questão do lado dos democratas, dos republicanos,
02:39dialoga muito bem, café é algo que realmente traz todo mundo para a mesa, para o consenso,
02:44e a gente imagina que através do café a gente também possa ajudar outros produtos, né, brasileiros, porque a dor é de todos, né,
02:53então nós não vamos nos contentar só com a nossa vitória, a gente tem que levar o Brasil efetivamente para o papel que ele representa para a economia americana
03:02e os americanos para nós também, né.
03:04O Márcio, o presidente Lula, algumas semanas atrás, disse que se o Trump chupasse jabuticaba,
03:11comesse jabuticaba, que é um produto só nosso, ficaria mais calmo, né, mais tranquilo.
03:17O café também, apesar de ter a cafeína, mas levar o café para a mesa de negociação com o Trump,
03:22quem saiba ele sentindo o gostinho do café brasileiro, ele fica um pouco mais sensível, né,
03:27se sensibilize aí a demanda do governo brasileiro, né.
03:30Agora, o Márcio, nós estamos aqui com o Rafael Coracini também, que é do Times Brasil,
03:36e ele vai participar do nosso bate-papo e tem uma pergunta para você.
03:39Rafael.
03:40Obrigado, Eric.
03:41Bom dia, Márcio.
03:42Eu queria te perguntar sobre a área podada, né.
03:46A gente teve um desempenho positivo, a área podada cresceu nos últimos anos,
03:51parece que o maior patamar desde a temporada 21, 22, e isso projetava bons retornos para o agricultor.
03:59Como que fica agora, diante das tarifas do Trump, se vocês já trabalham com alguma outra solução nesse sentido?
04:07É, veja bem, a gente teve um processo de recuperação das áreas, principalmente depois daquela geada de 2021.
04:16O café, ele atingiu preços históricos, lembrando que o recorde anterior era em 14 de abril de 1977,
04:23pós-geada devastadora lá no Paraná, quase 47 anos depois, então em 2024, ele atingiu preços,
04:30saiu do recorde de 330, 340 e foi para 448 na Bolsa de Nova York,
04:35que representou o preço para Conilon e Robusto na faixa de 2 mil reais e a Arábica 3 mil reais.
04:41Hoje a Bolsa de Londres voltou bastante, até hoje está com recuperaçãozinha,
04:45mas ela que bateu 5,700 hoje está na faixa de 3.300, 3.400,
04:51mas os preços, quando a gente fala para o produtor, mil reais, 1.050,
04:57que é o preço de hoje, inclusive, para Conilon, 1.900 para a Arábica,
05:01são preços efetivamente muito remuneradores ainda.
05:05O que a gente vê, a questão é, primeiro, a recuperação da lavoura é fruto, obviamente,
05:11desses preços altos com bastante investimento.
05:14A recuperação da lavoura traz uma maior oferta por parte do Brasil,
05:19o que é importante, porque nós vivemos momentos de acidentes climáticos,
05:23e a gente vê o aumento de consumo, principalmente na Ásia.
05:26Então, a participação do café brasileiro, não somente em mercados tradicionais,
05:30como nos Estados Unidos, mas nos países onde ele vai crescendo,
05:33é importante que nós tenhamos o café.
05:35Eu digo o café por quê?
05:37Porque o nosso café tem uma diferenciação em doçura, corpo e acidez,
05:42que completa os outros cafés, o mercado americano e outros mercados.
05:46E lembrando que o Brasil é o que repassa para o produtor,
05:50o maior percentual do valor fóbico.
05:52A gente repassa acima de 90%.
05:53As outras origens repassam em torno de 70%, 60%, tem origem que repassa 50%.
05:58Então, numa economia onde se diz sustentável, é ESG,
06:02se você não tiver preço mais do que justo para o produtor,
06:08é difícil você manter um crescimento.
06:10Nós tivemos uma redução diária ao longo do tempo,
06:12uma produtividade maior, um aumento de qualidade,
06:15e essas tarifas, elas tiram principalmente do consumidor,
06:21porque ela onera, ela é inflacionária, e tira do produtor.
06:25Porque se você tem um mercado tarifado,
06:28que é um imposto como outro qualquer,
06:29você, na verdade, você tem que repassar para o produtor,
06:33deduzindo essa tarifa que indiretamente afeta a gente,
06:36porque o comprador lá fora, ele começa a alargar os diferenciais de café brasileiro.
06:40Você imagina se o Brasil tiver 50% e Colômbia tiver 10%,
06:45é óbvio que o diferencial contra a Bolsa Nova York de um café brasileiro
06:49vai ser muito mais desconto comparado a uma Colômbia,
06:52comparado a um Vietnam.
06:54Isso não conversa com a realidade daquilo que a gente tem entregue ao longo do tempo.
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