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Vinicius Estrela, diretor da Associação Brasileira de Cafés Especiais, analisou os impactos da tarifa de 50% imposta por Trump sobre o café brasileiro. Com 8,1 milhões de sacas exportadas ao ano, o Brasil domina o mercado americano. A medida pode afetar preços, blends e até a qualidade do café nos EUA.

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Transcrição
00:00E um dos produtos que deve ser diretamente afetado pela tarifa de 50% de Trump é o café.
00:06O Brasil é o principal fornecedor do café para os Estados Unidos, com cerca de um terço do mercado norte-americano.
00:13Se essa tarifa entrar em vigor no dia 1º de agosto, o preço do cafezinho lá pode ficar ainda mais salgado.
00:20E os cafés especiais também estão inclusos nisso.
00:23Para a gente entender como é que isso pode afetar o mercado brasileiro,
00:27o Vinícius Estrela está aqui com a gente, que é diretor executivo da Associação Brasileira de Cafés Especiais.
00:33Oi, Vinícius. Boa tarde. Bem-vindo ao Money Times.
00:36Boa tarde, Paula. Boa tarde.
00:38Bom, Vinícius, os Estados Unidos, como a gente disse, são o maior consumidor, aliás, de café do mundo
00:45e o Brasil o maior exportador.
00:48Então, assim, no caso da tarifa entrar em vigor, dá para a gente mensurar qual é o tamanho desse impacto,
00:53incluindo aí os cafés especiais?
00:55O tamanho do impacto é brutal na economia americana, por um motivo muito simples.
01:02Das mais de 25 milhões de sacas que o americano consome de café,
01:078 milhões e 100 mil sacas vêm do Brasil.
01:11E aí o americano não vai ter muito jeito.
01:15Ele vai ter que continuar tomando café do Brasil,
01:18porque não existe café disponível para suprir esse volume no mercado americano em tão pouco tempo.
01:26Felipe.
01:27Vinícius, boa tarde.
01:28Vinícius, a gente, se essa tarifa, eu imagino que ela vai ser negociada,
01:32talvez caia um pouco, mas mesmo assim ainda deve continuar sendo uma tarifa alta.
01:36É possível que o Brasil redistribua e redimensione as suas exportações para outro país?
01:40Ou a gente vai tentar manter essa exportação para os Estados Unidos,
01:44mesmo pagando um pouco mais caro o consumidor americano?
01:47Existem saídas para o café brasileiro para outros mercados que vêm crescendo,
01:53como, por exemplo, o Oriente Médio ou mesmo o Sudeste Asiático.
01:57Mas o mercado americano é o principal mercado consumidor de café em uma indústria muito pujante.
02:03Só para a gente ter uma ideia, a cada dólar de café exportado para os Estados Unidos
02:09é gerado na economia cerca de 40 dólares.
02:13Então, o impacto é brutal para a própria economia americana,
02:18não somente no aspecto de consumo interno,
02:21mas também sobre a perspectiva de reexportação e de negócios a partir do mercado americano.
02:26Agora, Vinícius, você representa a Associação Brasileira de Cafés Especiais.
02:31A gente sabe que o cafezinho tradicional já é...
02:34Todo mundo ama um cafezinho tradicional.
02:37Agora, cafés especiais, isso vem crescendo muito aqui no Brasil.
02:40E lá nos Estados Unidos, como é que é isso?
02:42Eles estão também, de fato, cada vez mais valorizando esse tipo de produto,
02:46mesmo tendo um valor agregado muito maior?
02:50Paula e Felipe, essa notícia da tarifa é uma notícia ruim,
02:55num momento muito importante para os cafés especiais.
02:57Este ano, numa pesquisa realizada pela Associação Americana de Cafés,
03:02foi o primeiro ano em mais de 30 anos que mais da metade dos americanos
03:06disseram consumir pelo menos uma xícara de café especial no ano.
03:11Dessas 8 milhões de sacas, cerca de 2 milhões de sacas são de cafés especiais.
03:16Ou seja, também a tarifa deve impactar severamente os cafés de alta qualidade,
03:23diminuindo, assim, a qualidade dos cafés oferecidos no mercado americano
03:28e, possivelmente, também pressionando o crescimento do consumo da bebida no mercado americano.
03:35Vinícius, a gente está vendo uma mudança um pouco na indústria do café dos Estados Unidos.
03:40A Starbucks está tendo um pouco de queda nas suas vendas
03:42e tem um grupo novo que você deve conhecer chamado Lucky Coffee,
03:46que é um grupo chinês, que está chegando com força total nos Estados Unidos,
03:50inclusive com os cafés mais baratos, produtos mais baratos do que o Starbucks.
03:53E já dominando alguns mercados, como Nova York, Los Angeles.
03:56Você acha que uma alternativa para o Brasil é, por exemplo, exportar esse café para a China
03:59e fazer uma ação um pouco terceirizada para essa rede Lucky Coffee?
04:04Daí a rede Lucky Coffee chegando com os cafés dos Estados Unidos,
04:07pode ser uma alternativa para o café brasileiro?
04:08Olha, Felipe, a BSA, junto com a Apex Brasil, já tem desenvolvido uma parceria
04:14bem importante com a Lucky Coffee.
04:17O ano passado, inauguramos o Museu do Café Especial Brasileiro na própria Lucky Coffee.
04:22Esse ano, fizemos uma ação com influenciadores chineses,
04:26com mais de 200 milhões de seguidores na inauguração das 30 lojas temáticas de Brasil
04:34no mercado chinês e é uma rede que cresce bastante.
04:37Mas é uma rede que cresce bastante na China, são mais de 20 mil lojas na China,
04:43mas também uma rede que vem crescendo ao redor do mundo.
04:47Como, por exemplo, em Singapura, que já ultrapassaram 100 lojas
04:50e com certeza ela é uma parceira importante no crescimento dos cafés especiais brasileiros
04:57e na expansão desses negócios mundo afora.
05:00Agora, Vinícius, essa nova tarifa, ela tem...
05:02Ela deveria ser, tratar de uma questão econômica, mas na verdade Trump colocou muito um pano de fundo político
05:08nessa situação e não conversa com a necessidade de fato nem do consumidor,
05:13nem do brasileiro, nem do norte-americano e também em termos do exportador,
05:18aí o exportador está muito preocupado.
05:20E o exportador dos cafés especiais, como você mesmo disse, que é quem você representa,
05:26ele realmente está preocupado, o cenário não é nada positivo, né?
05:30O cenário não é positivo porque a safra brasileira está entrando.
05:34Nós estamos mais ou menos perto de 50% dos cafés no Brasil sendo colhidos,
05:40então os lotes estão sendo preparados e estão sendo preparados para os clientes americanos, inclusive.
05:47Então os exportadores com contratos futuros, inclusive, estão num momento de incerteza,
05:52de saber se continua essa preparação, essas compras, para atender as indústrias americanas
05:59em um cenário de estoques muito curtos no mercado americano, com menos de 90 dias,
06:05ou seja, os importadores americanos vêm demandando o grão brasileiro muito próximo
06:12do seu momento de consumo, o que acaba pressionando muito esses agentes econômicos
06:18e a exportação do grão brasileiro para o mercado americano.
06:21Felipe, tem mais pergunta?
06:23Ah, claro, para o Vinícius sempre, né? Café é um assunto que a gente gosta muito aqui.
06:27Vinícius, em relação à negociação, vamos supor que essas tarifas não sejam 50,
06:32mas 40 ou 30, mesmo assim, uma tarifa muito alta.
06:35Como é que você acha que deve ser feita essa negociação?
06:37Os produtores brasileiros de café podem repassar um pouco, quer dizer,
06:41alguma coisa vai ser repassada para o consumidor, mas podem também mexer um pouco no seu preço
06:45para tentar continuar a manter esse cliente tão importante que é os Estados Unidos?
06:48Como é que você vê esse processo de negociação entre produtores
06:51até chegar ao preço final do consumidor?
06:54Essa é uma negociação muito difícil, porque, diferentemente de alguns outros setores
06:59em que o tema da industrialização do café em solo americano pode ser um fator importante,
07:06um produtor brasileiro não pode empacotar a sua fazenda de café e levar para o mercado americano,
07:12para a Flórida, para poder produzir café.
07:15Então, é um cenário bastante delicado em que o varejo industrial americano
07:22vão ficar muito pressionados para repassar o preço para o consumidor final.
07:27Não vejo como um cenário muito factível a redução drástica do preço do café brasileiro,
07:36porque ele já é um café que é vendido a um preço um pouco mais baixo
07:40do que, por exemplo, os cafés colombianos ou de outras origens.
07:44Agora, Vinícius, a gente sabe também que numa eventual reciprocidade,
07:47a balança comercial já está sendo desfavorável aqui para o Brasil como um todo,
07:52apesar de Trump não dizer isso.
07:54E como é que os cafeicultores, os produtores receberam essa notícia?
08:01Porque é aquilo que a gente comentou, eles estão assustados, pode ser que piore,
08:06mas todo mundo esperando aí que no dia 1º de agosto,
08:09que haja então uma solução até o dia 1º de agosto, não?
08:13Nós, no mundo dos cafés especiais e conversando com toda a cadeia do agronegócio café,
08:19nós apostamos muito no diálogo, na forma de buscar esse entendimento para que no dia 1º de agosto
08:26a gente consiga chegar perto da tarifa de 10% que vinha sendo aplicado.
08:34Agora, tem um fenômeno importante que vem acontecendo e que a gente vem percebendo no debate americano.
08:40O consumidor americano e a população americana vem percebendo que o café que eles consomem vem do Brasil.
08:48E esse é um efeito que estava um tanto quanto invisível.
08:51Quando perguntado nas ruas de onde vem o café, eles respondiam Itália, Colômbia, Alemanha,
08:58origens e países que nem sequer têm um pé de café.
09:00E nesse debate, os consumidores americanos vêm sendo alertados do papel central e de liderança do Brasil na produção de café.
09:11Ou seja, repararam só agora, né?
09:13É.
09:14É.
09:15Repararam agora e espero que eles possam continuar nos reconhecendo ao longo dos cafés que eles bebem dia a dia.
09:24Agora, Vinícius, você acha que essa, apesar de ser uma coisa clara,
09:28uma notícia muito negativa para os produtores e tudo mais,
09:30você acha que pode ser uma oportunidade para o café brasileiro reafirmar a sua qualidade, né?
09:34Quer dizer, diante desse cenário onde o café brasileiro está sendo mais olhado,
09:39o assunto está sendo ganhando ali a opinião pública americana,
09:44pode ser uma forma também, uma oportunidade para o café brasileiro reafirmar a sua qualidade?
09:48Sem sombra de dúvida, sim.
09:50A gente está diante de uma oportunidade.
09:51Como eu havia dito, é muito difícil que o importador americano substitua o grão brasileiro por outra origem,
09:59dado o volume do café.
10:01Então, o industrial, ele vai tentar mexer um pouco na composição do blend, na receita da sua indústria.
10:07Então, se o café brasileiro oferecia corpo, doçura, acidez, ao mexer um pouco no blend,
10:15o natural é que o consumidor possa entender essa diferença e, inclusive, reafirmar a qualidade e a referência do café brasileiro,
10:24inclusive nessas receitas, as receitas dos industriais.
10:28E eu vou lembrar um dado importante.
10:30A cada dólar de café comprado por um americano é gerado na economia, em solo dos Estados Unidos, cerca de 40 dólares.
10:40Ou seja, isso no fim do dia também acaba sendo inflação na veia do americano, na xícara de café que ele bebe todos os dias.
10:49Agora, Vinícius, você falou uma coisa agora, respondendo para o Felipe, que me chamou a atenção,
10:52de, de repente, mexer no blend do café, porque a gente sabe que os cafés especiais, eles têm uma torrefação que é diferenciada,
11:00com pontuação alta, mas se mexer nesse blend, não cai a qualidade?
11:05Exato. É esse o ponto.
11:08Ao mexer no blend, a percepção de qualidade, eventualmente, vai ser menor e o consumidor, eventualmente, troque de marca.
11:16E nenhuma grande indústria, e nenhuma indústria quer, em um cenário tão delicado, de tanta incerteza, mexer no blend.
11:24E na composição da sua própria receita, ou mesmo no seu negócio com café especial.
11:30Vinícius, diante desse impasse com os Estados Unidos, a gente está primeiro para fechar um acordo do Mercosul com a União Europeia também,
11:37que vai ser um acordo que tem um potencial muito bom para a agricultura, para o agronegócio brasileiro.
11:41Você vê aí também uma oportunidade, quer dizer, a gente aumentar as exportações, por exemplo, para a Europa,
11:46diante desse cenário, um acordo do Mercosul com a União Europeia finalmente assinado,
11:49também tem uma perspectiva boa aí de cenário futuro?
11:53Também é uma excelente oportunidade, porque parte desse novo momento geopolítico,
11:59da geopolítica do consumo ou da produção,
12:03novas relações comerciais e de parcerias tendem a se estabelecer.
12:07Então, a Europa pode perceber no Brasil, e o Brasil na Europa,
12:12uma oportunidade de ressignificar a sua parceria, inclusive no mundo do café.
12:16Dado que, com as novas leis anti-desmatamento, a UDR,
12:21e as novas legislações ambientais e sociais implementadas na Europa,
12:28o Brasil, sem sombra de dúvida, é uma origem que consegue ofertar,
12:31com volume, qualidade e diversidade, os cafés que a Europa demanda para o seu dia a dia,
12:38inclusive do ponto de vista da reexportação,
12:42para que as grandes empresas alemãs, italianas, europeias em si,
12:47possam reexportar o café para outras origens.
12:51É isso, muito obrigada, viu?
12:52Vinícius Estrela, que é diretor executivo da Associação Brasileira de Cafés Especiais,
12:57obrigada pela sua gentileza de participar ao vivo com a gente aqui no estúdio.
12:59Muito obrigado, Paulo e Felipe, e agradeço o café que vocês tomam todo dia
13:04para ajudar o setor e poder alavancar as exportações do Brasil.
13:09Inclusive, a cada intervalo aqui, né, Felipe?
13:11A gente está sempre querendo um cafezinho. Obrigada.
13:14Isso aí.
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