00:00O Japão anunciou como é que vai distribuir parte de 550 bilhões de dólares
00:05que se comprometeu a investir em infraestrutura nos Estados Unidos.
00:10Ou seja, a notícia de hoje é um ajuste do acordo.
00:14Vamos ver uma linha do tempo aqui numa arte que nós fizemos?
00:18E o Guilherme Havasci voltou para me ajudar a explicar.
00:23Nós estamos aqui, primeiro, um tweet ou uma mensagem postada,
00:27não no Twitter, mas na Truth Social, que é a rede social do próprio Trump,
00:32o presidente americano disse, abre aspas,
00:35a dimensão desses projetos é tão grande que não seria possível realizá-los
00:40sem uma palavra muito especial, tarifas, fecha aspas.
00:46E ele escreveu assim, em inglês, a gente fez uma tradução literal,
00:50tarifas também com letras garrafais.
00:53Havasci, vamos colocar todo mundo aqui numa linha do tempo?
00:57Então, em 13 de julho de 2025, o Trump começou a distribuir cartas
01:02para diversos parceiros comerciais, inclusive o Brasil.
01:05A carta para o Japão dizia, Japão, você passa a ser taxado em 25%.
01:10O Brasil recebeu uma carta dizendo 50% para o Brasil.
01:14Aí, em 27 de julho, vai, duas semanas depois, pouco menos,
01:19O Japão anunciou investimento em infraestrutura nos Estados Unidos
01:24na casa de 550 bilhões de dólares.
01:28Ou seja, e a resposta americana fala, a taxação cai para 15%.
01:33E aqui, agora, a notícia desse 18 de fevereiro, é que daqueles 550 bilhões de dólares,
01:41houve uma distribuição.
01:4336 bilhões de dólares, parte desses 36 bi, para o Texas em infraestrutura
01:49para produzir mais petróleo, Ohio para produzir mais gás natural,
01:53e a Georgia para ajudar num projeto de diamantes sintéticos.
01:59E isso entra também naquela conta de minerais estratégicos.
02:04Ravachi, deixei a pergunta difícil para você.
02:06Esse aqui, o taco funcionou?
02:08Quer dizer, agora não foi um chicken's out.
02:10A pressão deu resultado como queria Donald Trump, né?
02:14Acho que, na realidade, muito de como você vai ver esses números,
02:18a interpretação que você faz, depende também do ponto de vista de quem olha.
02:23e que prazo você está olhando.
02:25Até que ponto esses 550 bilhões de dólares já não seriam investidos nos Estados Unidos?
02:32O Japão, assim como a Europa e outros países, investem muito dinheiro nos Estados Unidos.
02:37As próprias empresas, depois da pandemia, entenderam que tinham risco muito grande
02:42deixando toda a produção em um único lugar.
02:46China.
02:47No caso, a China.
02:48Mas mesmo, se tem um conflito China-Japão e toda a sua produção está no Japão nesse momento,
02:54você vai ter problemas aí de logística, né?
03:00Ou problemas de material faltando mesmo para que você possa produzir.
03:04Ah, mas tem chance de um conflito Japão e China?
03:09Com esse novo governo aumenta muito, porque o Japão, uma das promessas de campanha
03:19é uma posição muito mais dura e um rearmamento do Japão.
03:24E isso funcionou muito bem.
03:25Ela recebeu mais de 70% dos votos da Câmara Baixa.
03:29Um resultado, ela controla hoje praticamente 70% da Câmara Baixa do Japão.
03:37Que isso dá a ela o poder de virtualmente passar qualquer legislação, qualquer mudança
03:43que ela queira na lei.
03:45E isso é muito importante.
03:47O Japão, desde a Segunda Guerra Mundial, não tinha um governo tão influente e tão poderoso.
03:55O que vai ser feito disso e o quanto isso vai impactar o Trump não é claro.
04:00Mas o que é claro?
04:01Ela é uma aliada do Trump.
04:04Desde sempre, sempre foi.
04:06Como os governos, como o governo anterior também era.
04:10Então nunca teve uma resistência do Japão em torno do Trump.
04:16O Japão nunca foi percebido como uma ameaça comercial.
04:19Então quando a gente fala desse investimento, desse dinheiro, não está claro.
04:22Se de fato esse dinheiro vai chegar e quando vai chegar.
04:26Já viu que muita empresa anuncia que vai fazer investimento, fábrica, depois a fábrica
04:30não chega, não é construída, demora mais do que você imaginou.
04:33Por isso que eu acho que tem uma questão do tempo.
04:35Acho que a tarifa pegou o mundo de surpresa.
04:38As tarifas, as cartas pegaram o mundo de surpresa.
04:40Mas quando você vai ver na prática, as tarifas são muito menores do que o Trump propunha.
04:45E o pouco de tarifa que ficou já impacta o consumidor americano, os preços estão subindo
04:51e o Trump está altamente pressionado nas eleições agora de novembro.
04:57Se espera possivelmente uma onda democrata.
05:01O que não está claro é qual o tamanho dessa onda, quantas cadeiras se perde e se o Trump
05:09vai virar o lame duck, aquele presidente...
05:12O pato manco.
05:13O pato manco, que não tem aí...
05:15Isso normalmente acontece mais no fim do mandato, mas se ele não conseguir aprovar nada,
05:19não tiver Senado, não tiver Congresso, mesmo as tarifas perdem muita força.
05:24Ele tem defendido muito a tarifa, porque tem dois pontos hoje que são muito frágeis na
05:30estratégia do Trump.
05:31Tarifa e imigração.
05:33E os dois caminham juntos, de certa maneira, porque com menos imigrantes fica mais difícil
05:39ainda dos Estados Unidos competir, porque não é só o trabalhador barato.
05:43Quando você vai para o Vale do Silício, indianos, chineses, brasileiros também, são
05:50essenciais para que a economia da inteligência artificial, que hoje move o PIB americano,
05:57funcionem.
05:57E a tarifa joga um componente que deixa ainda mais difícil isso, porque os Estados Unidos
06:05se tornam menos competitivos.
06:06A realidade é que a China, na falta do mercado americano, foi buscar outros mercados e tem
06:11sido bem sucedido, como tem sido com a indústria de carro elétrico, por exemplo.
06:15Ravash, daqui a pouco a gente volta a conversar.
06:16Obrigado mais uma vez.
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