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A Índia assinou um acordo de livre comércio com a União Europeia, aumentando a competição para o Brasil em setores estratégicos. Johanna Guevara, consultora de comércio internacional, analisa como produtos indianos podem afetar agronegócio, setor farmacêutico e vestuário brasileiro no mercado europeu.

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Transcrição
00:00A ampliação do acesso da União Europeia às exportações da Índia pode alterar o equilíbrio competitivo em setores que o
00:06Brasil concorre por preços, escala produtiva e regularidade logística.
00:11Na prática, empresas brasileiras podem enfrentar mais pressão no mercado europeu caso produtos indianos passem a contar com redução tarifária,
00:20regras de origem mais flexíveis ou ainda facilitação regulatória.
00:24A gente recebe aqui no Real Time a Joana Guevara Mendes, que é consultora de comércio internacional, para falar sobre
00:31isso.
00:32Bom dia para você, Joana. Seja muito bem-vinda.
00:35Bom dia, Marcelo. Bom dia, ouvintes. Obrigada.
00:38Bom, a Índia assinou um acordo de livre comércio com a União Europeia, mas o Mercosul também, ainda que no
00:44caso do Mercosul existam alguns entraves aí para entrar em vigor.
00:47Mas o fato desses dois mercados terem assinado acordos, isso não os coloca mais ou menos em pé de igualdade
00:55nas negociações com a Europa?
00:57Sim, você tem toda a razão. Acontece que o mundo tem dado uma reviravolta bastante grande e tem trazido dificuldades
01:07para essas negociações entre intrablocos.
01:11Se nós percebemos e lembramos, o Acordo Mercosul-União Europeia tem 20 anos que está em negociações.
01:19E não porque elas tenham sido difíceis de negociar, mas sim porque elas ficaram estagnadas por um bom tempo.
01:26Como a Índia é um dos países que está crescendo, a sua economia está se consolidando, está praticamente chegando daqui
01:33a pouco ao quarto lugar mundial.
01:37E além de tudo, não é só o fato dele estar crescendo, é que é uma economia culturalmente falando, desde
01:45o ponto de vista comercial, ganha-ganha.
01:48Ela não te procura só para sugar algo de você, ela te procura para te dar, mas também para ganhar
01:56algo que eles precisam.
01:58No ponto em relação ao Brasil, por exemplo, hoje eles estão fazendo uma negociação mais forte e incisiva, que na
02:07verdade eles vêm desenvolvendo já tem aproximadamente uns oito anos.
02:13A Embaixada da Índia no Brasil, ela tem feito um trabalho maravilhoso e não cabe dúvida que os resultados estão
02:20vindos.
02:21Uma preocupação, sim, para o Brasil, e aí com relação às exportações, por exemplo, para os países europeus, é a
02:29capacidade de inovação tecnológica rápida que eles têm.
02:34Até porque têm muito mais mão de obra, querendo ou não, arancelos e taxas, impostos, etc., são menores do que
02:43o que nós temos aqui no Brasil.
02:45A distância, também, logisticamente pensando, os aproxima.
02:50Mas nada que tire também o Brasil do cenário de jogo.
02:54Não é uma coisa que vai prejudicar intensamente, até porque nós temos o que o mundo precisa.
03:01Só que nós temos que saber utilizar isso, que é o agro, né?
03:06No caso da Índia, então, por exemplo, agora que a comitiva do governo Lula embarcou ontem para este país, Índia,
03:14vai ser negociado algo que eles vêm procurando há muito tempo, que é feijão.
03:20Se nós vemos a balança comercial 2025, nós podemos observar que os insumos que mais cresceram importados pela Índia do
03:29Brasil são justamente produtos do agronegócio.
03:33Temos açúcar, óleo de soja, algodão, sementes de gergelim, que teve um aumento de 195% com relação a 2024.
03:45Estou falando da balança fechada de 2025, certo?
03:48Então, as perspectivas de crescimento para o Brasil com relação à Índia são grandes.
03:53Nós, Brasil, somos o mercado que para a Índia, e agora falando de uma alta tecnologia, que é o setor
04:01farmacêutico, é de interesse da Índia.
04:04Por quê?
04:04Nós somos, dentro da América do Sul, somos o país com o maior número de habitantes.
04:09Nós já temos uma indústria farmacêutica forte, que é parceira da Índia há muitos anos, porque eles já recebem...
04:17Desculpem, porque nós já importamos deles vários insumos.
04:21Hoje, eles estão tentando, como já tem poucas indústrias indianas aqui, inclusive no centro-oeste brasileiro,
04:29que existe um polo farmacêutico, temos algumas empresas indianas,
04:34e agora eles abriram uma associação para poder trazer essas indústrias indianas e facilitar a burocracia e exigências que o
04:45governo brasileiro exige
04:46e corretamente o faz, porque não é qualquer insumo que pode ser utilizado em um medicamento que vai para a
04:53população, certo?
04:54Então, eles ainda têm se tornado um parceiro exponencial para o Brasil.
05:01Tanto, como eu digo, de mão dupla, é uma negociação ganha-ganha.
05:06Tanto do que nós estamos exportando para a Índia, ou vamos continuar exportando para a Índia, como o que nós
05:12importaremos de lá.
05:14Bom, a gente viu aí uma negociação da Índia com a Europa muito mais suave do que foi a negociação
05:19do Mercosul,
05:20já que a Índia não assusta os agricultores europeus aí, como o Brasil assusta, né?
05:24O Brasil é um grande produtor de commodities agrícolas e isso assusta.
05:27Agora, se a gente for pensar nos produtos que a Índia concorreria com o Brasil para vender para a Europa,
05:34que setores você acha que podem ter mais problema ou mais, digamos assim, competição vindo da Índia?
05:44Definitivamente, como você muito bem falou, Marcelo, o nosso forte é o agronegócio.
05:49E nesse sentido, a Índia precisa de volume de produção e a Europa tem uma população menor.
05:57Então, nós que temos espaço, e aí me refiro às áreas verdes, etc., continuaríamos nessa exportação.
06:06Onde eu vejo que talvez a Índia poderia, não vou dizer tirar, mas nos ganhar um pouquinho nessa competição,
06:16seria no setor farmacêutico de insumos.
06:20Nós exportamos poucas coisas para a Europa nesse sentido, mas ainda exportamos e é um valor agregado alto.
06:26Eles, por terem uma indústria já mais fortalecida, insumos, etc.,
06:31obviamente, não podem fazer com mais facilidade.
06:35E no outro viés, também o setor de vestuário, porque querendo ou não,
06:40a Índia é um grande produtor de peças acabadas, de roupa, tanto quanto tecido.
06:48E nós sabemos que, obviamente, o segmento da moda na Europa é muito forte.
06:53Temos Paris, Itália, onde temos grandes designers e empresas e indústrias de confecção de moda, de vestuário.
07:03Coisa que o Brasil está bem engatinhando desde muito tempo,
07:07é tentar levar nossas grandes produções e designers brasileiros famosos e conhecidos.
07:13A moda praia brasileira é muito bem colocada na Europa, na exportação,
07:19e sempre se tentou colocar outro tipo de vestuário, como de festa, etc.,
07:24que não se conseguiu, justamente pelo que eu comentei anteriormente,
07:29impostos muito altos que nos deixam, nos tiram a competitividade.
07:35A Índia já teria essa facilidade.
07:37Obviamente que no segmento de moda praia não tem quem ganhar do Brasil,
07:43mas outro tipo de vestuário, com certeza.
07:46A gente tem expertise nisso, né?
07:47Joana Guevara Mendes, consultora de comércio internacional,
07:51muito obrigado pela sua participação hoje aqui no Real Time.
07:54Bom dia pra você.
07:56Obrigada, bom dia a todos.
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