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O payroll de janeiro nos Estados Unidos surpreendeu o mercado, com a criação de 133 mil vagas, quase o dobro das expectativas que variavam entre 55 mil e 68 mil vagas. A taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3%, indicando resistência do mercado de trabalho, apesar de a geração de empregos ter se concentrado em saúde, educação e cuidados pessoais.

O analista Vinicius Torres Freire explica que os dados sugerem estabilidade econômica e reforçam que o Federal Reserve deve manter a taxa de juros nos próximos meses, incluindo as reuniões de março e abril. Apesar do comentário do presidente Donald Trump sobre redução de juros, os números confirmam que não há espaço para cortes imediatos. O cenário deve impactar decisões de investimento e o comportamento dos mercados globais.

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Transcrição
00:00Vagas acima do esperado e queda do desemprego, influenciando juros e mercados.
00:05Para analisar o cenário, eu vou conversar com o nosso analista Vinícius Torres Freire.
00:09Vinícius, payroll veio quase o dobro do que era esperado pelo mercado, cerca de 130 mil vagas criadas no último
00:18trimestre,
00:19foi janeiro, agora janeiro, 130 mil vagas, mostra um aquecimento do mercado nos Estados Unidos, da economia,
00:26e isso já coloca em xeque as apostas para o corte de juros na próxima reunião do FED, né?
00:31Olha, Eric, basicamente o que ele disse é que não teve enfraquecimento.
00:36A gente tem uma situação no mercado de trabalho americano que está cheia de coisas esdrúxulas.
00:40Mas vamos lá. Primeiro, teve criação de 133 mil vagas, o dobro de várias medianas expectativas,
00:46que eram de 55 a 68 mil vagas.
00:50Mas só que essa criação de vagas foi concentrada no setor de saúde e educação e cuidados pessoais.
00:58Então, isso aí não vai, pode prosseguir muito se você não tiver melhor em outros setores.
01:03Você tem um limite para esse crescimento e setor de saúde e cuidados,
01:07sendo que vem sustentando a criação de emprego nos Estados Unidos.
01:10Mas, de qualquer modo, teve alguma criação na indústria,
01:13alguma criação de emprego na indústria e na área de construção,
01:16por causa de data center e energia para data center.
01:19De qualquer modo, a taxa de emprego caiu para 4,3.
01:22De 4,4 para 4,3. Quer dizer, não está tendo demissão.
01:26No entanto, a gente teve um outro dado esquisito, que foi que no ano passado,
01:30teve uma revisão grande da criação de emprego do ano passado.
01:33E foi de 180 mil vagas. Quer dizer, a criação do ano inteiro.
01:36E a estagnação. O pessoal está dizendo o seguinte, olha, esse dado é bom e ruim.
01:41Por um lado, quer dizer que não é que a economia americana estava entrando em recessão,
01:44que as empresas estavam entrando em parafuso ou começaram a ter um enxugamento radical
01:48por mudança tecnológica. Também não foi nada disso.
01:51É porque a incerteza era tão grande que o pessoal estava segurando mudanças de tarifa,
01:55de política econômica do Trump. E, com o fim da incerteza,
01:58pode ser que a criação de emprego desse ano seja forte.
02:01O resumo da ópera é que, ao contrário dos dados do setor privado de emprego
02:05que saíram na semana passada, que pareciam bem ruins,
02:08esse dado oficial de janeiro mostra que a economia está resistente,
02:13tem emprego, a taxa de emprego caiu,
02:15e que isso vai impedir que o FED faça qualquer movimento,
02:18pelo menos na reunião de 18 de março e, provavelmente, na de abril também.
02:23Não vai dar tempo de ter dados suficientes,
02:25a não ser que caia um meteorito nos Estados Unidos,
02:28para o FED mudar de opinião.
02:29Então, a gente vai ter duas reuniões aí, até abril,
02:32até o final de abril, com taxa de juros dos Estados Unidos no mesmo lugar.
02:37Ô, Viri, só vamos dar uma olhadinha aqui, a gente tem uma arte, né?
02:39Na praia?
02:40É, não, não é a praia.
02:41A praia a gente gostaria de estar na praia.
02:43Mas tem uma arte aqui, ó,
02:45sobre o payroll, né?
02:46A geração de emprego nos Estados Unidos nos últimos meses.
02:49Então, aqui, ó, a gente tem fevereiro de 2025,
02:53você tem até uma elevação.
02:54Março, abril, maio, cai um pouquinho.
02:57Junho, você tem um ponto negativo.
02:59Aí, você tem volatilidades.
03:01Chega aqui no final do ano, ó, novembro e dezembro,
03:03você tem uma ligeira ali volta, né,
03:05do aquecimento do mercado de trabalho.
03:07E agora, janeiro, você tem uma disparada
03:09e o mercado não estava esperando esse número,
03:13quase o dobro do que as projeções, né, davam.
03:16Não estava, mas vamos lá.
03:17Você vê essas quedas gigantes aí,
03:18que dá, na média, a criação de 15 mil empregos por mês.
03:21É nada para os Estados Unidos.
03:22E, em outros anos, isso seria já sinal
03:25de que o desemprego estaria aumentando
03:27e a gente estaria indo para uma recessão.
03:29O que está acontecendo é que tem menos contratação,
03:31não está tendo demissão em março.
03:33Segundo, não era esperado,
03:35claro, é bom o resultado,
03:36podia ter demissão,
03:37podia ter perda de emprego em outros setores,
03:39mas não quer dizer que a economia
03:41está contratando loucamente
03:42em setores que não saúde e educação.
03:45Mas, vamos botar outro mais,
03:46mas tudo está muito incerto no mercado de trabalho americano.
03:49As estatísticas estão problemáticas.
03:50teve shutdown, tem muita gente criticando
03:52os dados dos oficiais.
03:54Elas estão, tecnicamente, meio frágeis.
03:56Mas o indício foi,
03:58olha, não está tendo demissão mesmo.
04:00Começou a ter criação de emprego
04:02em alguns setores que não saiu de educação.
04:04Então, não está tendo problema na economia,
04:06na área do emprego.
04:07E mais que isso,
04:08no final do ano passado,
04:09e até agora em janeiro,
04:10a gente está vendo o consumo crescendo.
04:12Apesar da confiança do consumidor
04:14estar nos níveis mais baixos há décadas,
04:16que é outra contradição.
04:18Então, assim,
04:19estão acontecendo coisas estranhas,
04:21mas nenhuma delas indica
04:23que a economia está imbicando na recessão,
04:25como se pensava em abril.
04:26Exatamente.
04:27Em abril do ano passado,
04:28que foi justamente ali no Liberation Day.
04:30Não, depois a discussão era,
04:32bom, quando é que a gente vai entrar na recessão?
04:33Chance de 40%.
04:35Exato.
04:35Essa discussão morreu.
04:36E vale a gente registrar também
04:39que o Federal Reserve,
04:40ao contrário aqui do Copom,
04:42ele, para tomar uma decisão
04:44da política monetária de juros,
04:46ele olha atividade econômica,
04:48mercado de trabalho e inflação.
04:49Não é só olhando para a inflação
04:50para segurar os preços.
04:52E isso tem feito com que o FED,
04:55nas últimas decisões,
04:56não tenha unanimidade
04:57para tomar essa decisão.
04:59Justamente porque alguns entendem,
05:01olha, a gente precisa ficar de olho
05:01mais no mercado de trabalho.
05:03É, mas a inflação está pressionada.
05:05Ali os preços dos alimentos,
05:06enfim, os preços dos produtos e serviços.
05:09As pessoas têm...
05:09O FED, em geral,
05:10votando por um lado ou para o outro,
05:12está com dificuldade
05:13porque tem esse duplo mandato
05:15e não sabia qual era o perigo maior.
05:17Se uma aceleração do desemprego,
05:19da taxa de desemprego ou da inflação.
05:21A taxa de inflação
05:22continua longe da meta.
05:24Para esse mês,
05:25deve ficar em 2,9%,
05:26segundo as previsões.
05:28A taxa é 2%.
05:29Subiu do ano inteiro,
05:31de 2025,
05:33mas não ficou descavelada.
05:36E está concentrada em alguns setores
05:38e a inflação de serviços está controlada.
05:41A impressão que tem,
05:42ela subiu um pouco
05:42por causa do choque tarifário,
05:44aumento de imposto de importação,
05:45mas ela não se disseminou pela economia.
05:48Então, o FED está mais preocupado com o emprego.
05:50Agora, ele volta para dizer, olha...
05:53Vai olhar um pouquinho os preços,
05:54talvez com uma lupa maior,
05:57vamos dizer assim,
05:57do que em relação ao emprego.
05:585%,
05:59vai deixar fazer o quê?
06:00Como as duas coisas,
06:01os dois riscos estão equilibrados,
06:03vamos deixar a taxa de desemprego onde está.
06:05O Vinícius, fica aqui,
06:06porque eu quero mostrar um espelhamento
06:08que a gente vai trazer agora,
06:09porque o presidente dos Estados Unidos,
06:10Donald Trump,
06:10falou sobre o payroll,
06:13e comemorou os bons resultados
06:14do emprego do país
06:15em uma postagem na Truth Social.
06:18Aqui está, né?
06:19Donald Trump disse que
06:20acabam de sair números
06:22de empregos excelentes
06:23muito acima do esperado.
06:25Os Estados Unidos da América
06:26deveriam estar pagando muito menos
06:28por seus empréstimos,
06:29os títulos públicos.
06:30Somos, novamente,
06:31o país mais forte do mundo
06:33e, portanto,
06:34deveríamos estar pagando
06:35a menor taxa de juros de longe.
06:37Isso representaria
06:38uma economia com juros
06:40de pelo menos
06:40um trilhão de dólares por ano,
06:42orçamento equilibrado
06:44e ainda sobraria.
06:45Então, essa foi a postagem
06:46de Donald Trump
06:47depois do payroll.
06:49Qual a análise que você faz
06:50dessa postagem, Vinícius?
06:52Primeiro que o Trump
06:53não entende nada
06:54de política monetária
06:55e de econômica.
06:56Mas, obviamente,
06:56ele não está fazendo isso,
06:57nem está pensando nisso,
06:58está fora da casinha faz tempo.
07:00Mas é o seguinte,
07:00se os números de emprego
07:02estão muito bons,
07:03você não vai cortar
07:04taxa de juros,
07:05sem mais ou menos,
07:05a não ser que você tenha
07:06alguma outra perspectiva
07:08diferente sobre a economia.
07:09Mais aquele embate
07:10com o Jeremy Powell de novo,
07:11aquela briguinha dele com o Powell,
07:13cobrando queda de juros.
07:14Então, assim,
07:14não é para cortar,
07:15é para pegar leve
07:17e olhar o que está acontecendo.
07:18Segurar cautela.
07:19É, cautela,
07:20pelo menos uma ou duas reuniões.
07:22Segundo,
07:23se as taxas de juros caíssem,
07:25você ia estar economizando
07:26um trilhão de dólares por ano.
07:28Para economizar um trilhão
07:30de dólares por ano,
07:31as taxas de juros
07:31tinham que cair
07:32para menos da metade
07:33da relação agora.
07:34Não só de curto prazo,
07:35mas de todos os prazos.
07:36Então, assim...
07:37Um intervalo de 3,5,
07:383,75.
07:39Ia ir para cair para 1,5.
07:40Estou fazendo uma conta de cabeça aqui.
07:41Claro, claro.
07:41Mas é isso mesmo.
07:42É isso mesmo.
07:43Aí, então, assim,
07:44não vai acontecer.
07:46A não ser que o Trump
07:47pudesse nomear a diretoria
07:48do Fed inteiro,
07:49botando quem ele quisesse,
07:51bem doido.
07:51Mas só que o efeito disso
07:52seria o aumento da taxa de juros.
07:54Porque o mercado ia comprar mais.
07:55E esse é um desastre também.
07:57O que ele quer fazer?
07:58Ele quer,
07:59como qualquer governante,
08:00qualquer,
08:01Brasil,
08:04e principalmente na América,
08:06nas Américas,
08:07como diz o Bad Bunny,
08:09todos os países.
08:10A gente quer pagar menos taxa de juros
08:12e poder gastar quanto quer,
08:13o governo gastar quanto quer.
08:14Só que o dia em que você puder gastar
08:16o que você quiser
08:17e pagar a taxa de juros que você quiser,
08:20a gente vai estar no mundo das fadas.
08:22Então, quando você está gastando mais,
08:24você vai pagar a taxa de juros maiores,
08:25tudo mais constante.
08:26Ele quer fazer o déficit dele,
08:29estimular a economia,
08:30devolver impostos.
08:31Você não está pensando em devolver
08:332 mil dólares por família
08:34para estimular a economia
08:37e ganhar a eleição.
08:38e pagar menos juros.
08:39Aí a dívida não sobe
08:40porque você está pagando menos juros.
08:41Agora, como você faz tudo isso,
08:43manter a inflação baixa,
08:45é mágica e milagre.
08:46É isso, não existe.
08:47Até nos Estados Unidos
08:48isso é mágica e milagre.
08:49Isso.
08:49E também,
08:49isso não existe nos Estados Unidos,
08:51nem mágica e nem milagre.
08:52Nem nos Estados Unidos da América,
08:54nem nos Estados Unidos.
08:55É isso aí.
08:56Obrigado, meu Vinícius,
08:57mais uma vez.
08:57E aí,
08:58E aí
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