00:00Ao menos mais dois cortes nas taxas de juros pelo FED são prováveis em 2026, é o que afirma o economista-chefe da agência de risco Moody's em entrevista para a CNBC.
00:13Mark Zand discutiu os dados mais recentes sobre o emprego dos Estados Unidos e as relações com a inflação, além das tendências econômicas para o ano que vem. Vamos conferir.
00:26Mark Zand, Mark, boas festas.
00:29Há alguma razão para pensar que os pedidos de seguro-desemprego vão entrar em território perigoso tão cedo?
00:37Isso é bom. As demissões estão muito baixas. Uma semana afetada por feriados, pelo ajuste sazonal e por todos os tipos de problemas de medição.
00:47Mas os pedidos semanais estão em uns 225 mil. Qualquer coisa acima de 250 mil, eu começaria a prestar muita atenção.
00:56275 mil há sinais de alerta amarelos e 300 mil seria a recessão.
01:01Não estamos nem perto disso.
01:03Mas é favorável, Carl, porque as empresas ainda não estão contratando e, como resultado, não há crescimento de empregos.
01:10Na melhor das hipóteses, está estagnado e suspeito que esteja até em queda após a revisão.
01:14Então, felizmente, as empresas não estão demitindo. Essa é a chave para a economia avançar e evitar recessão.
01:21Sim. Há muita discussão hoje sobre quando você apresenta um trimestre de 4,3% no PIB e o crescimento médio de empregos por mês é de 51 mil.
01:29A disparidade entre o crescimento econômico e a contratação. Muitos argumentam que será um dos temas principais de 2026.
01:38É, eu não sei. Isso é apenas um trimestre. Quer dizer, os dados estão flutuando muito. Caiu no primeiro trimestre.
01:46Se você pegar o crescimento ano a ano para abstrair das incertezas trimestrais, é de 2,3%.
01:52E eu suspeito que o quarto trimestre será fraco, mais perto de 1%.
01:55Obviamente, a paralisação do governo terá um papel nisso.
02:00Isso deixa o crescimento ano a ano em 2%, o PIB subjacente.
02:03É a economia real, abstraindo dos dados.
02:06A 2%, com produtividade de 1,5% a 2%, não se criam muitos empregos.
02:12Parece consistente para mim.
02:14Você diz que, na verdade, 4,3% representa um crescimento frágil.
02:20O que você quer dizer? Para onde vamos?
02:23Existem fatores que podem empurrar para qualquer lado?
02:27Sim, você está lendo minhas anotações. Fico feliz em notar isso.
02:31Eu estava preocupado que as escreveria e ninguém as leria, mas você as está lendo.
02:35É frágil porque não estamos criando empregos, Melissa.
02:38Quer dizer, não sei como podemos ficar confortáveis com a situação se não estamos criando empregos.
02:43E o desemprego está subindo.
02:45Ainda está baixo, 4,6%, mas isso está agora significativamente acima, eu acho, da maioria das estimativas,
02:52incluindo a minha, do pleno emprego e da taxa de desemprego.
02:56Está mais perto de 4%.
02:57O crescimento salarial está desacelerando.
03:00Consistente com isso.
03:01Então, para mim, essa é uma situação muito frágil.
03:03Quer dizer, se algo não seguir exatamente o roteiro e os consumidores recuarem um pouco,
03:08então, sabe, veremos alguma perda de empregos.
03:10E isso será o combustível para uma recessão econômica.
03:13Então, não sei se eu me confortaria muito com 4,3%.
03:16Acho que o fundamental aqui são os empregos.
03:19No lado positivo, há muito impulso fiscal e monetário vindo.
03:22Talvez mais que o esperado.
03:23As tarifas podem desaparecer.
03:26Metade delas pode sumir quando a Suprema Corte decidir sobre as tarifas recíprocas.
03:30E o presidente pode não achar outra forma de aumentar tarifas.
03:33Isso ajudaria a economia.
03:35E o Fed pode acelerar mais do que o antecipado.
03:38A independência do Fed é certamente uma questão.
03:40Então, esse é o lado positivo.
03:42O lado negativo, sabe, volta para a inteligência artificial,
03:45que impulsiona muito o crescimento econômico.
03:47E a propósito, Melissa, esse é o fator que mais me surpreendeu em 2025.
03:54Foi o quanto de impulso ela deu, tanto pelo investimento, quanto pelos efeitos de riqueza.
03:59Ou os investidores estão certos sobre o que acontece.
04:02Teremos produtividade.
04:03Sem empregos pode significar perda de vagas.
04:06E então, inversamente, os investidores podem estar simplesmente errados
04:09sobre a força do crescimento da produtividade e da lucratividade que veremos aqui.
04:13Se for esse o caso, o mercado de ações vai corrigir.
04:19E isso vai minar um dos pilares do crescimento,
04:21que são os preços altos das ações,
04:23as ações de tecnologia e o efeito de riqueza que isso gera.
04:27Então, há riscos em ambos os lados desse crescimento frágil que estamos experimentando.
04:33Esse é um risco-chave para muitos em 2026.
04:37Mark, você voltou e tentou nos dar uma leitura mais clara do CPI.
04:41Estava mais quente que 2,7?
04:43De fato, eu fiquei bem incomodado com aquele CPI.
04:47O Bureau of Labor Statistics teve que fazer algumas escolhas
04:50sobre o que fariam com o mês de outubro devido ao shutdown.
04:54Então, não importa qual suposição eles fizeram ali.
04:57Haveria muitas perguntas.
04:58Mas eles assumiram, basicamente, nenhuma inflação,
05:01nenhuma mudança nos preços para a grande maioria dos bens e serviços em outubro.
05:06E, obviamente, isso não faz o menor sentido.
05:09Então, voltamos.
05:10Produto por produto, bem por bem, serviço por serviço.
05:14Analisamos quais dados do setor privado tínhamos.
05:17Temos nossos próprios métodos de pegar isso e traduzir o que significa para o CPI.
05:23Calculamos com base nesse conjunto de suposições.
05:26Voltamos para 3%.
05:27Então, na minha opinião, a inflação é de 3%,
05:30o que está, obviamente, bem acima da meta do Fed,
05:34que no CPI está perto de 2,2% ou 2,3%.
05:38Continuaremos acompanhando isso por pelo menos um ano
05:41até chegarmos a outubro do ano que vem,
05:44porque os números, ano a ano, serão enviesados para baixo
05:47devido à escolha que o BLS fez aqui.
05:49Existem outros vieses também,
05:51mas não vou me aprofundar nisso.
05:52Mas essa foi a maior questão.
05:53Mariana Almeida, acho que o tema central dessa entrevista
05:58girou em relação ao corte de juros pelo Fed.
06:03Segundo o economista-chefe da agência Moody's,
06:05deve ter mais dois cortes de juros durante 2026.
06:09Eu também acredito nisso.
06:10O problema é saber quando começará.
06:12O Fed, que nessa última reunião para decidir a nova taxa de juros,
06:17que baixou mais 0,25 ponto percentual, já chegou dividido.
06:20Se eu pudesse apostar, eu apostaria que as taxas começaram a cair
06:24depois da saída de Jeremy Powell em maio
06:27com um novo presidente do Banco Central dos Estados Unidos,
06:32Mariana Almeida.
06:33Pois é, Cláudio, vamos puxar o fio aí da discussão
06:35de quando cair, por que cair.
06:38Por que cair, claro.
06:39Agora a gente tem indicadores econômicos,
06:41voltaram a ser divulgados, a compilados.
06:44Estamos começando a ter dados,
06:46lembrando que a última decisão foi um pouco no escuro,
06:48o Federal Reserve, que tem um duplo mandato,
06:51mantém a inflação controlada e o PIB no pleno emprego.
06:55Portanto, tem duas preocupações aí.
06:57Tomou essa decisão sem saber o que estava acontecendo com o PIB.
06:59E aí o que aconteceu?
07:00Ele baixou a taxa de juros.
07:01Quando baixa a taxa de juros, quais são os sinais aí?
07:03De um lado, ele está pensando o seguinte,
07:05olha, a inflação está bem.
07:09O que os dados, de fato, demonstram,
07:12tem um certo zigue-zague,
07:13mas foi menos do que se esperava em termos de pressão inflacionária.
07:16Ah, então, se eu baixo a taxa de juros é porque eu estou com a outra preocupação,
07:19PIB, precisa estimular o crescimento do PIB e geração de empregos.
07:24E aí a notícia de que o PIB veio acima do esperado,
07:26veio depois da decisão.
07:28E aí levantou uma leve, poxa, peraí,
07:30será que o FED se antecipou?
07:32Será que não precisava ter baixado essa taxa de juros agora?
07:35Se essa for uma parte da análise,
07:37aí, claro, realmente, para baixar de novo,
07:39vai ter que dar um fôlego para saber um pouquinho mais.
07:42O que pode, o que deixa ainda a taxa de juros realmente no horizonte
07:46é porque, como a gente estava assistindo agora aqui na entrevista,
07:49esse crescimento do PIB vem com um ritmo de criação de emprego ainda baixo,
07:54que é a bagunça dos dados atuais.
07:55Você tem PIB crescendo, mas não está gerando muito emprego.
07:58Exato.
07:58Como que isso está acontecendo?
08:00E aí qual o efeito da taxa de juros sobre isso
08:02é o que dá margem para fazer a discussão
08:04e, eventualmente, realmente sustentar mais juros baixos?
08:07Uma parte do mercado, inclusive, acha que o FED errou na mão na última reunião,
08:11que não é isso muito ao encontro que você está falando,
08:14que o Federal Reserve não deveria ter cortado esse 0,25
08:17e se apoiado em dados mais concretos,
08:19que voltaram a sair, como eu disse, depois do shutdown,
08:23para tomar a decisão.
08:24Porque é o que a gente sempre fala aqui,
08:26o problema de você sair cortando juros
08:28é que depois, para voltar atrás, o remédio fica mais amargo ainda.
08:32E lembrando que juros é uma referência para uma tomada de decisão
08:36sobre o custo do crédito, o volume de liquidez
08:38e, portanto, como vai ser do ponto de vista de quem vai investir
08:42o cenário econômico, não só hoje, mas lá na frente.
08:45Então, tem uma questão de organização de expectativas
08:48e o efeito dos juros não é só agora, é lá na frente.
08:51Então, baixou agora.
08:54Será que foi antecipação ou não?
08:55Será que tinha espaço ainda para deixar os juros um pouquinho mais altos
08:58para conter a inflação?
08:59Será que essa queda de 0,25 vai provocar um aumento adicional
09:02no nível geral de preços dos Estados Unidos?
09:05E aí, fazer com que você não invista em função do preço?
09:08Então, essa é um pouco do melee que está estabelecido na economia americana.
09:13As variáveis, elas não estão organizadas como se organizava antigamente.
09:17Se você puder pegar um modelo econômico,
09:19que é o que nós economistas adoramos,
09:21colocar ali uma estrutura onde eu imputo o dado que sai
09:24e vejo o que vai sair lá na frente em termos de resultados finais.
09:28E aí, toma uma decisão baseada nisso.
09:30Com tarifas e com zigue-zague tarifário, isso muda o próprio modelo.
09:35Então, não é só imputar o dado.
09:36A relação entre PIB e emprego, de novo, está diferente do que estava antes.
09:41Então, tem que dar um certo tempo de amadurecimento.
09:44E aí, quem está dialogando com essa ideia de que talvez o FED tenha se antecipado,
09:48é exatamente porque não teve esse tempo de amadurecimento.
09:51Mas tinha uma pressão política considerável, né, Clare?
09:53Continua essa pressão política e o próximo que assumir no lugar de Jeremy Powell,
09:57que a gente tem dois nomes agora praticamente pau a pau,
10:00que é Kevin Hassett e também o Christopher Waller,
10:03que é um dos diretores do Federal Reserve,
10:05e o Kevin Hassett, que é o conselheiro também econômico da Casa Branca.
10:11Então, esses dois que estão ali, cabeça a cabeça, né,
10:15para ver quem que pode assumir aí o Federal Reserve.
10:18Vai ter pressão, vai continuar a pressão, inclusive para um corte maior de 0,25 ponto percentual,
10:25até mais.
10:26Vamos ver o que vai acontecer e qual vai ser o cenário, né,
10:28demonstrado aí na próxima reunião do Federal Reserve,
10:31que é no dia 27 e 28 de janeiro de 2026, Mariana Almeida.
10:35Pois é, vamos ver se lá já tem essa redução.
10:37Que dados adicionais saem?
10:38Porque estamos ainda com um certo delay dos dados em função do shutdown agora,
10:43que está chegando mesmo na atualização.
10:45com dados atualizados, modelos revisitados,
10:48o que que sai na maquininha final de quem toma a decisão lá no Fed.
10:51É isso. Até já, Mari.
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