Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 6 horas
O ex-ministro e diplomata Andrea Matarazzo participou do Papo Antagonista desta terça-feira, 10, e analisou o crescimento do PSD e o cenário de polarização política no país.

Madeleine Lacsko e Duda Teixeira comentam:

Em O Antagonista, você encontra um jornalismo de investigação, com análises precisas e opiniões sem concessões.

Acompanhamos de perto os bastidores da política, da economia e as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Aqui, você confere na íntegra nossos programas: Papo Antagonista, com Madeleine Lacsko; Meio Dia em Brasília, com José Inácio Pilar e Wilson Lima; Narrativas; Café Antagonista; LadOA!; e o Podcast OA!, com convidados influentes em diversas áreas.

Se você busca informação com credibilidade, inscreva-se agora para não perder
nenhuma atualização!

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e Crusoé com 10% via Pix ou Google Pay:

https://assine.oantagonista.com.br/

🎧Ouça O Antagonista nos principais aplicativos de áudio, como Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music, TuneIn Rádio e muito mais.

Siga O Antagonista no X:

https://x.com/o_antagonista

Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp.
Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo e muito mais.

https://whatsapp.com/channel/0029Va2SurQHLHQbI5yJN344

Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Bom, nós vamos receber aqui um convidado muito especial, é professor, administrador, diplomata,
00:08ocupou diversos cargos importantes no governo federal, no governo estadual, no governo municipal,
00:16é também empresário, filiado atualmente ao PSD, Andréa Matarazzo.
00:22Muito boa noite, um prazer ter você aqui com a gente no Papo Antagonista.
00:25Para mim é um prazer enorme estar aqui com vocês, boa noite, boa noite a toda a audiência que vocês têm, que é bastante grande.
00:34Andréa, a gente está tentando compreender essas declarações do presidente Lula.
00:40Você já ocupou a Secretaria-Geral de Comunicação da Presidência da República.
00:46Talvez você tenha algum insight que a gente não tenha.
00:51O que o Lula está tentando fazer?
00:54Tem essas declarações todas, tem aquela de ontem que ele disse que tem que rivalizar,
01:01chamando a militância para rivalizar com quem noticia coisas negativas do governo,
01:08falou que não basta tirar do ar, portanto não basta a censura, tem que perseguir ainda o jornalista.
01:15Qual é a sua visão sobre isso?
01:17Olha, não dá para comparar o período que eu fui secretário de comunicação,
01:27eu era ministro da SECOM, com os tempos atuais.
01:31Porque o que acontece, o que a gente percebe é que há um distanciamento,
01:36eu diria quase um distanciamento enorme entre a sociedade e Brasília.
01:45A classe política fala com ela mesma e não tem muito a ver com o que está acontecendo com a sociedade.
01:53Por isso que a gente tem essa sensação de estar com algum problema cognitivo,
01:57que você não consegue entender os discursos, onde as pessoas querem chegar.
02:04Mas acho que nitidamente o presidente Lula está em campanha.
02:08Já começou a campanha, já começou o ano passado,
02:11e a gente percebe que o discurso é só de campanha,
02:15porque tem muito pouco a ver com a realidade.
02:19E o presidente sabe fazer campanha, a gente sabe disso,
02:23ele sabe falar, ele fala bem, ele dá as ênfases boas,
02:31independente do assunto que ele estiver falando.
02:34Ele consegue conhecer, eu acho que o público para quem ele está falando,
02:40o que a pessoa entende e o que a pessoa não entende.
02:43O fato é que ele está pondo uma versão de alguma coisa que para quem acompanha,
02:49quem está no dia a dia da política, etc., realmente estranha bastante.
02:55Porque a gente não vê, os fatos não batem com a leitura diária dos jornais
03:04ou até com os noticiários.
03:06Infelizmente, a gente percebe que você tem pouco,
03:09a frase que eu cresci na política ouvindo, que era o interesse público,
03:15é o que menos se leva em conta hoje em dia nos discursos e nos palanques.
03:21Para mim, constrangedor, mas o presidente ainda fez um ato falho,
03:28com relação a nomes, constrangedor é o pessoal que estava atrás dele,
03:33fazendo caretas e dando risadinhas.
03:35Aliado, o que é bom, com aliados assim, a gente não precisa de adversários.
03:42É, André, eu vi que eles dão a risadinha e depois tentou disfarçar ali, né?
03:47Mas, André, primeiro, boa noite.
03:50Eu queria saber de você, como você tem essa experiência na SECOM,
03:53como é que se avalia o trabalho do Sidonio Palmeira?
03:56Porque o Sidonio, desde que assumiu a SECOM, no começo do ano passado,
04:01ele faz tudo, ele é um assessor de imprensa, ele decide quais são as políticas públicas
04:08que o governo vai implementar, ele participa de reunião do PT,
04:14participa de reunião até com o diplomata estrangeiro, com os Estados Unidos.
04:18É normal para um ministro-chefe da SECOM participar, fazer tudo isso que o Sidonio faz?
04:24Bom, o que eu digo, são situações, cenários muito diferentes,
04:29mas eu acredito que também não tem essa influência toda, não.
04:33Porque o presidente Lula é um homem experiente, sabe fazer campanha,
04:38sabe falar, tem sensibilidade com relação à sociedade,
04:43embora eu acho que ele está menos afiado do que ele já esteve.
04:47E o Sidonio, no caso, em termos de direcionamento de discurso, etc.,
04:53fez diferença de quando ele entrou para cá.
04:57Fez diferença, eu acho que melhorou bastante o posicionamento,
05:01quer dizer, o presidente diminuiu muito os improvisos, etc.,
05:04o que obviamente faz com que se cometa menos erros.
05:11Mas eu me lembro que o presidente Fernando Henrique,
05:14o papel da SECOM era muito diferente,
05:16mais era coordenar a comunicação do governo como um todo,
05:20mas do presidente da república, eu acho que ele tem...
05:25Você pode até orientar, dar umas ideias aqui ou lá,
05:29mas a decisão final é sempre dele, e acho que com o Lula mais ainda,
05:34porque ele é mais voluntarioso, menos disciplinado,
05:37e ele sabe que sabe fazer bem.
05:39Se não fosse bom de campanha e de discurso,
05:44isso não estou fazendo aqui que eu ache ótimo o que ele fale,
05:48o que acredite no que ele está falando.
05:50Apenas estou aqui comentando o efeito.
05:53O efeito, para ele, tem sido bom.
05:56É presidente da república pela terceira vez,
05:59e elegeu uma presidente que dificilmente teria voto se não fosse o apoio dele.
06:05Então, eu acho que nesse nosso cenário,
06:08no cenário brasileiro, infelizmente,
06:11num momento tão radicalizado,
06:14ele sabe fazer isso funcionar.
06:15O Lula começou esse negócio do nós contra eles,
06:19logo depois do Mensalão, naquela campanha.
06:22Lembro bem, depois do que ele tinha ido para muito baixo nas pesquisas,
06:28que ele subia no palanque e começou a pôr.
06:31Era norte contra o sul,
06:33branco contra preto,
06:34rico contra pró, pobre, etc.
06:37E sabe fazer isso daí, sabe provocar.
06:40E isso, num momento de polarização,
06:43obviamente, que quem é contra o outro lado
06:46fica a favor dele,
06:48independente do que ele esteja falando.
06:51Vocês devem estar percebendo, gente,
06:52o fanatismo emburrece as pessoas,
06:56porque a gente tem ouvido aí os radicais de ambos os lados
07:00falando umas barbaridades que é meio inacreditável,
07:03mas acaba fazendo efeito,
07:05mantém as tropas unidas perto dos líderes.
07:10Você vê, André, alguma saída?
07:15Acho lamentável isso,
07:17é importante que se dize lamentável,
07:19porque esse tipo de discurso,
07:23no fundo, é como essa coisa de direita e esquerda,
07:26de manter essa polarização,
07:29é típico de quem não tem repertório,
07:33não tem o que falar,
07:34e principalmente você faz uma manobra diversionista
07:37evitando discutir os problemas concretos do país,
07:41até porque não sabe nem quais são
07:43e nem como resolver.
07:46André, você vê alguma saída
07:48para essa polarização que a gente tem,
07:53tecnicamente, você sabe melhor que eu,
07:54ela não é uma polarização política,
07:56ela é uma polarização afetiva,
08:00ela se dá com desconfiança moral do outro grupo,
08:03sem que as pessoas entendam muito bem
08:05o que é política,
08:07quais são as questões políticas,
08:09nem que saibam a rigor
08:10o que é direito e o que é esquerda.
08:12Elas escolhem um personagem.
08:14É verdade, normalmente não sabem,
08:16senão não chamariam um ao outro
08:18nem de fascista e nem de comunista,
08:21com tanta simplicidade.
08:23É só faz isso quem não tem a menor noção
08:25do que é uma coisa ou outra.
08:28Mas eles empolgam as pessoas,
08:31fazem com que as pessoas tenham a sensação
08:33de entender de política,
08:35sem precisar fazer nenhum esforço,
08:38a lei do mínimo esforço
08:39é a lei que mais pega no Brasil,
08:42eles pegam nisso,
08:43e nós não podemos negar
08:45que tanto o Lula quanto o Bolsonaro
08:47têm carisma.
08:49Claro, são caras, é o que eu falo,
08:51faz efeito, independente da gente
08:53compreender ou não,
08:55ser verdade ou não,
08:56tem dado resultado,
08:58tanto que os dois, ambos,
08:59se elegeram assim.
09:01E você acha que existe
09:03alguma saída para isso?
09:05O seu partido, o PSD,
09:07está concentrando nomes de porte
09:11para a presidência da República.
09:13Você vê algum caminho
09:15para sair dessa briga
09:17entre duas personalidades
09:19que sequestraram o país?
09:20Eu acredito que...
09:23Acho que isso também faz muito efeito
09:26pelo distanciamento da classe política,
09:29da sociedade, da realidade.
09:31Então, há um certo ressentimento
09:35e uma certa raiva da sociedade
09:38com relação à elite política
09:41e à elite burocrática do país,
09:43a quem comanda o país.
09:44É natural.
09:45Tanto que você vê que o governo,
09:47o Brasília, consegue desagradar
09:50tanto a esquerda como a direita.
09:52Ambos xingam Brasília,
09:54o Congresso ou o Supremo.
09:56Aí independe de ser de direita,
09:58de esquerda.
09:59Então, isso é ótimo.
10:01E a briga sempre atrai mais atenção.
10:04Eu costumo dizer,
10:06duas pessoas brigando na rua
10:08para todo mundo e volta
10:10para ver o que está acontecendo.
10:11Duas pessoas namorando,
10:13ninguém nem presta atenção.
10:15Então, a briga chama a atenção,
10:17o que o cara quer ver
10:18e aí ele ouve naquelas frases,
10:20como é contra Brasília,
10:22contra Supremo,
10:23contra parlamento,
10:24contra político.
10:25Sempre alguma coisa que o cara xinga,
10:28ele está falando tudo aquilo
10:30que eu acho também,
10:31diz a pessoa.
10:33Mas eu não tenho a menor dúvida,
10:34se você olhar a polarização,
10:36cada uma delas,
10:38a faixa insatisfeita com isso
10:42é maior do que cada uma delas individual.
10:45Então, eu acho que nós estamos caminhando
10:48para alguma solução,
10:51que é o cansaço da sociedade
10:53de ouvir essas bravatas o tempo todo.
10:57Então, você tem um campo
10:59que está querendo sair disso,
11:02mas ele precisa ouvir alguma coisa concreta
11:04e, principalmente, sentir
11:06que há viabilidade,
11:08porque tem esse hábito no Brasil,
11:10muito, de você votar
11:11em quem vai ganhar,
11:13quem você acha que tem chance de ganhar
11:15e você descarta a priori
11:17aquilo,
11:18aquele que você acha
11:20que não tem chance.
11:21No caso do PSD,
11:23é uma construção de longo prazo.
11:26O PSD vem,
11:27desde o seu início,
11:29procurando ser um partido
11:30que tenha quadros
11:31e que tenha projetos,
11:32muito parecido
11:33com o que foi a origem do PSDB,
11:36mas deslocado no tempo
11:38e no espaço.
11:39Pode ser porque o Gilberto Kassab,
11:41fundador do partido,
11:42que foi do PFL,
11:43que era um partido
11:44bem estruturado,
11:45de centro,
11:46de direita,
11:47por um longo tempo,
11:48ele trabalhou muito próximo
11:50depois ao PSDB,
11:52seja na coligação
11:53do Fernando Henrique
11:55com o PFL,
11:55do PSDB com o PFL,
11:57como depois,
11:58como vice-prefeito do Serra,
12:00participando muito
12:00de perto do PSDB.
12:03E a construção
12:03que foi sendo feita
12:05era justamente
12:06ter um partido
12:07que atendesse
12:09os anseios das pessoas,
12:13que era você ter projeto
12:14e gente boa,
12:15com propostas boas.
12:18E o PSD foi juntando,
12:20e principalmente,
12:21depois de 2016,
12:23quando começaram
12:24as cisões mais profundas
12:28do PSDB,
12:29eu fui para o PSD em 2016,
12:31saí do partido,
12:33indo para lá,
12:33a gente começou também,
12:35o pessoal começou,
12:36quadros bons
12:38começaram a ser atraídos
12:39ao PSDB.
12:41Então,
12:41isso foi construindo
12:42a massa crítica.
12:44Hoje,
12:45você tem, então,
12:45os três candidatos
12:47que foram,
12:48por que eles foram
12:49para o PSDB?
12:50Primeiro,
12:51por ser um partido
12:51bem estruturado,
12:53com comando.
12:54Segundo,
12:55porque é um partido
12:56que dá viabilidade eleitoral
12:58para quem quer ser candidato
12:59a governadora,
13:00senadora,
13:00deputado
13:01e a presidente da república.
13:03que ele está no país inteiro
13:04com sete governadores,
13:06um número grande,
13:07com mais de 45 deputados
13:09ou mais de 44 deputados,
13:11com um número de senadores
13:12bastante grande.
13:13Então,
13:13é um partido viável,
13:15com suporte grande.
13:17E eu acho
13:17que a possibilidade
13:18de você ver
13:19esses três candidatos
13:21juntos no mesmo partido,
13:24os eleitores
13:25de cada um deles
13:27individualmente,
13:29eu acho que vendo
13:30todos eles
13:31num partido
13:32viável,
13:34consistente,
13:35com comando,
13:37eles se sentem
13:37mais firmes
13:39de se manterem
13:40no primeiro turno,
13:42apoiarem uma via
13:43que seria a melhor via
13:45que sai dessa polarização
13:47para tentar chegar
13:48no segundo turno.
13:49Eu acho que
13:50o PSDB
13:51dará a largada
13:52com o candidato escolhido
13:54já num patamar
13:55bastante razoável.
13:56Você vê hoje,
13:57o Ratinho
13:57já está com mais
13:58de 10%
13:59nas pesquisas.
14:02André,
14:02você falando isso
14:04do PSD,
14:06também nós tivemos
14:08a saída
14:09de deputados
14:10do PSDB
14:11para o PSD,
14:13a bancada estadual
14:15quase completa.
14:17A sua ida
14:19do PSDB
14:20para o PSD,
14:22nós já falamos
14:23sobre isso antes,
14:24você sabe muito bem
14:25a minha opinião.
14:26Eu achei
14:27um absurdo
14:29completo
14:31a forma
14:31como o PSDB
14:33tratou você
14:34naquela época.
14:35Aquilo,
14:36para mim,
14:37era a fratura moral
14:39que iria comer
14:41o partido
14:41por dentro.
14:43Exatamente.
14:44Foi uma pena.
14:46Em todos os sentidos,
14:48exatamente,
14:48porque não era
14:49uma coisa
14:50diretamente
14:51comigo.
14:52Era uma coisa
14:54que significava
14:55a Cisânia
14:57em São Paulo,
14:59tentando
15:01discriminar
15:02ou impedir
15:03que um grupo
15:03seguisse adiante
15:05no partido.
15:05Mas, enfim,
15:06isso é passado.
15:08O que é importante
15:08é que você tem hoje,
15:10então,
15:10você passa a ter
15:11uma nova opção,
15:13que eu acho
15:13que o PSD
15:14é um partido
15:15contemporâneo,
15:16moderno,
15:17muito bem estruturado,
15:18com uma fundação
15:19que funciona bem,
15:20que faz debates,
15:22que tem gente boa,
15:23que faz seminários
15:24e com quadros
15:25muito bons
15:26da política nacional,
15:28que se sentem
15:29confortáveis.
15:30Eu vejo por mim mesmo,
15:31quando faço, às vezes,
15:32reuniões,
15:33eu me sinto
15:33como me senti
15:35muitos anos
15:36na época do PSDB,
15:37ou quando o meu grupo
15:38era ativo,
15:39seja o Serra,
15:40o Fernando Henrique,
15:41o Alberto Gold,
15:43o Arnaldo Madeira,
15:44todo esse pessoal,
15:45como quando a gente
15:46se reunia,
15:47que a discussão
15:48era sobre o Brasil,
15:49projeto de país,
15:50projeto de Estado,
15:53projetos de cidades,
15:55o que se fazer,
15:56para onde era o rumo
15:58que o partido tinha.
15:59Quem sabe isso também
16:00deve ser a origem
16:01do partido,
16:02do PSDB,
16:03ao momento
16:04em que ele foi fundado
16:05e que,
16:07ao longo do tempo,
16:08isso eu acho
16:08uma falha grande,
16:10não se soube fazer
16:12ou preparar
16:13ou dar espaço
16:13para os quadros novos
16:15em função
16:15dessas rixas internas.
16:17Mas isso é passado,
16:19o importante
16:19é que você conseguiu,
16:21conseguiu-se,
16:23o que sabe
16:23ter um mérito imenso,
16:25é construir um partido
16:27por todo o Brasil
16:28que vem crescendo
16:29com solidez,
16:31com projeto
16:32e com quadros competentes.
16:35André, agora,
16:36o PSDB,
16:37quando ele surge,
16:38ele tem ali
16:39uma ideologia
16:40muito bem definida,
16:42que é a social-democracia,
16:44tinha ali uma defesa
16:45também do parlamentarismo,
16:48depois adota
16:49a privatização
16:50das estatais,
16:52a eficiência,
16:52a estabilidade da moeda,
16:54enfim,
16:54são conceitos
16:55que,
16:56quando você fala
16:56em PSDB,
16:58você muito facilmente
16:59lembra
17:00e identifica
17:00essas coisas.
17:02O que seriam
17:03esses conceitos
17:05aí no caso
17:05do PSD?
17:08É o voto distrital?
17:10Quais são esses valores?
17:11Eu acho que tem,
17:11primeiro,
17:12coisas diferentes,
17:14são momentos
17:15muito diferentes
17:16da sociedade.
17:16Você falou,
17:17o PSDB nasceu
17:18na social-democracia,
17:19que, na verdade,
17:20era para ser
17:20democracia cristã,
17:22muito,
17:23que era a origem
17:24do montor,
17:25mas foi para ser
17:26social-democracia
17:27e uma visão
17:28um pouco de centro-esquerda.
17:30Mas, já naquela época,
17:31o próprio Fernando Henrique,
17:32e, aliás,
17:33ele nasceu
17:33com quadros
17:34vindos
17:35da luta
17:36pela redemocratização
17:38do país.
17:38A maioria
17:39dos seus fundadores
17:40tinham sido
17:41caçados,
17:42etc.,
17:43por 64.
17:44Então,
17:45tinha um espectro
17:46ideológico diferente,
17:47mas que você vê que,
17:49rapidamente,
17:50foi se modernizando,
17:51o próprio Fernando Henrique
17:52deu a guinada,
17:54vamos dizer,
17:55pôs o partido
17:56para o centro,
17:57na sua candidatura,
17:58que entendeu
17:59que era necessário,
18:00importantíssimo,
18:02a coligação com o PFL,
18:03que daria ao PSDB
18:05uma parte de modernidade
18:08da economia,
18:09principalmente,
18:09tanto que o projeto
18:10de privatizações
18:11não seria
18:12um ponto
18:14da social democracia
18:15pura,
18:16mas foi uma bandeira
18:17forte.
18:18Acho que privatizações,
18:20rede de proteção social,
18:22a educação,
18:24propriamente dito,
18:25a universalização
18:26da educação,
18:27que foi um programa
18:28de sucesso,
18:29e a lei
18:30de responsabilidade fiscal.
18:32lembrando que,
18:33nessa época,
18:36não era uma coisa
18:39muito fácil.
18:43Eu me lembro,
18:43hoje mesmo,
18:44estava comentando
18:44no almoço,
18:46quando fizemos
18:48a privatização
18:49da SESP,
18:49eu era presidente
18:50da SESP aqui em São Paulo,
18:51secretário de Energia
18:52depois,
18:53na privatização,
18:54eu e o Covas
18:54e outros que estavam lá,
18:56o Geraldo,
18:57também tomamos pedrada
18:58na porta aqui
18:59da Bolsa de Valores,
19:01porque até a imprensa
19:02era meio contra
19:02a privatização
19:03naquela época.
19:04Mas,
19:05existia um projeto
19:07de país,
19:09e que o Fernando Henrique
19:10direcionou
19:12com muita firmeza,
19:14que era o saneamento
19:14do Estado,
19:16fim da inflação,
19:17e para isso,
19:18algumas medidas
19:19como a privatização
19:20e lei de responsabilidade
19:21social.
19:22Nenhuma delas
19:22simpática eleitoralmente,
19:24mas ele fez,
19:25porque tinha convicções.
19:27Acho que por isso
19:27que o Fernando Henrique
19:28se transformou depois
19:29no líder
19:29e no estadista que foi.
19:31hoje o PSD
19:33tem bandeiras,
19:34mas são bandeiras
19:35diferentes,
19:35privatização já está feita,
19:37mas busca o quê?
19:38Eficiência do Estado,
19:40é uma das coisas,
19:40reforma administrativa,
19:42é uma das bandeiras.
19:43Aliás,
19:44está lá o nosso deputado
19:46com o projeto
19:47na mão.
19:48Tem outro ponto
19:49importante,
19:50essa lei
19:50que foi um projeto
19:54iniciado pelo Serra,
19:55mas hoje
19:56continuado
19:57pelo Gilberto,
19:58que é a melhor forma
20:02da gente também
20:02melhorar o processo
20:03político,
20:05que é o voto
20:06distrital,
20:07distrital misto.
20:08Então,
20:09são outras bandeiras,
20:10são bandeiras mais
20:11contemporâneas,
20:13mas que o PSD,
20:14que vamos dizer,
20:14que caracterizam um pouco
20:16a ação do PSD.
20:18A gente tem
20:21o presidente Lula
20:22fazendo campanha
20:24enquanto está
20:25no mandato,
20:26e por outro lado
20:27a gente tem
20:29Bolsonaro
20:30lançando
20:30seu filho,
20:32o senador Flávio
20:33Bolsonaro,
20:34à presidência
20:35da República.
20:36Como é que você vê
20:37essa candidatura
20:39do Flávio Bolsonaro,
20:40Andréa?
20:42Vejo bem
20:43como uma coisa
20:44natural,
20:45natural
20:46no sentido
20:46da política atual.
20:48o presidente
20:51Bolsonaro
20:52jamais ia
20:52pôr alguém
20:53que não,
20:55vamos dizer,
20:56que eleito
20:57não desse
21:01a ele
21:02a primazia
21:04sobre o seu
21:05grupo político.
21:06Jamais faria isso.
21:08Ele não tem partido,
21:09portanto,
21:09não ficaria com
21:10o partido dele.
21:11Ele não é
21:12o candidato,
21:13ele,
21:13por que ele
21:14daria
21:14para um terceiro?
21:15Só se ele
21:16tivesse,
21:17fosse de uma
21:17generosidade,
21:18ímpar,
21:19estivesse pensando
21:19no país
21:20100%
21:21do tempo.
21:22Mas,
21:22infelizmente,
21:23a gente sabe
21:23que hoje
21:24não existem
21:25projetos de
21:26país,
21:26existem projetos
21:27de poder,
21:28e projetos
21:29de poder
21:29normalmente
21:30individuais.
21:32Então,
21:32acho que é o filho
21:33que o outro
21:33não podia
21:34ser candidato,
21:35e o Flávio
21:36que eu mais
21:37estava aí.
21:42É tudo
21:42meio estranho,
21:43Madelaine,
21:44para mim.
21:44Eu vou te
21:45confessar,
21:46assistir,
21:47que se alguém
21:48sai de uma
21:48reunião,
21:50a gente está
21:51acostumado,
21:52se ela faz
21:52uma reunião
21:53partidária,
21:54o partido
21:54na sede
21:55do partido,
21:56define a
21:57candidatura,
21:58a presidente
21:59da república,
22:00com uma coligação,
22:01outra coisa.
22:01isso foi
22:01todo um
22:02lançamento
22:02meio estranho.
22:05É tudo
22:05uma coisa
22:06estranha.
22:06No Brasil,
22:07a política
22:07ficou esquisitíssima,
22:09para dizer o mínimo,
22:10quando a gente
22:11olha essas coisas.
22:12Mas acho
22:12que seria
22:12o caminho
22:13natural.
22:14Quem estava
22:14pensando
22:15outras coisas,
22:16que pudesse
22:17ser o
22:18Tarcísio,
22:19etc.,
22:20acho que
22:21não tem
22:21acompanhado
22:22o que tem
22:23sido
22:23o cenário
22:24político
22:25de hoje.
22:25Eu digo,
22:26se o presidente
22:28Bolsonaro
22:29tivesse um
22:29partido dele,
22:30a conversa
22:31seria outra,
22:32é diferente,
22:34mas não tem
22:34o partido
22:35que ele está,
22:36ele não tem controle
22:37ou comando
22:37do partido,
22:39ele tem essa
22:39força no partido,
22:41enquanto ele
22:42tem essa
22:44capacidade
22:46de angariar
22:47votos
22:47para fazer
22:48bancadas
22:48de deputado
22:49federal.
22:50Muitas vezes,
22:50os partidos,
22:51aliás,
22:52preferem eleger
22:53deputados
22:53federais do que
22:55eleger o
22:55presidente da república,
22:56uma forma de você
22:57ter poder,
22:58dinheiro e não ter
22:59responsabilidade
23:00nenhuma.
23:00Transcrição e Legendas Pedro Negri
Comentários

Recomendado