Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Gabriel Barros, economista-chefe da Arx Investimentos, analisou como tensões geopolíticas envolvendo Venezuela e Groenlândia afetam o mercado, a política de juros do Brasil e setores em destaque, como tecnologia, defesa e consumo nos EUA, além de antecipar os próximos passos do Federal Reserve.

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasilCNBC

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00O Gabriel, ele é economista-chefe da Arx Investimentos.
00:05Gabriel, boa noite, obrigada por ter aceitado o nosso convite.
00:09Bom, Gabriel, como é que o mercado tem visto essas questões geopolíticas
00:12envolvendo a Venezuela e a Groenlândia?
00:16Boa noite, Cris, obrigado pelo convite, é um prazer falar com você.
00:20Então, o mercado tem visto uma adição de volatilidade muito grande, né?
00:24A gente tem visto que o mercado vem sendo tragado, digamos assim,
00:28por essas questões geopolíticas que eu acho que vieram para ficar.
00:32Vai ser muito difícil daqui para frente a gente vivenciar aquele mundo de investimento em paz.
00:39A gente está num mundo diferente, é um mundo com muito mais fricção geopolítica
00:44e essas tensões geopolíticas vieram para ficar e a gente vai ter que se adaptar a isso
00:49e os investidores que são de uma geração mais nova não pegaram as tensões que existiram
00:56no passado distante vão ter que se adaptar.
00:59Vai ter que mudar um pouco a forma de fazer a alocação de recursos
01:02por conta dessas novas extensões geopolíticas que eu acredito que vieram para ficar.
01:06Essas turbulências globais, Gabriel, podem afetar, por exemplo, as decisões do Copom sobre os juros
01:12ou realmente, na sua opinião, pesam mais os nossos fatores internos nessa tomada de decisão?
01:18Eu creio que pode afetar sim, ainda que a gente tenha um peso,
01:24tenha uma ponderação entre fatores internos e externos.
01:28Mas, por exemplo, a desinflação que nós tivemos no Brasil foi muito impactada pelo câmbio.
01:34A taxa de juros no Brasil muito alta, ela produziu um diferencial de juros entre o Brasil e o resto do mundo
01:40muito elevado, isso é o que a gente chama de carrego, o carry da moeda ficou muito grande
01:46e aí teve um fluxo de recursos muito grande, o Brasil se apreciou o real.
01:51Então, o real se apreciou muito em função desse carrego elevado.
01:57Só que todo esse benefício, digamos assim, isso se materializou na inflação,
02:02na inflação para baixo, ele está próximo do fim.
02:05A gente deve ter, daqui para frente, uma taxa de câmbio meio de lado
02:10e não deve ter muito mais suco para tirar desse câmbio mais apreciado.
02:17Então, se eventualmente a gente tiver uma correção, ainda que parcial,
02:22dessa apreciação de câmbio que nós tivemos, isso pode trabalhar bastante o Banco Central.
02:28Talvez não no início do ciclo de coaxe, mas no orçamento inteiro da queda de juros.
02:33Ao invés de ele cortar 300 pontos, que é o nosso cenário básico na Arx,
02:37que seria que está em 15, no nosso cenário iria para 12,
02:41pode ser que ele tenha que cortar menos se o câmbio atrapalhar por conta do cenário internacional.
02:45Você acredita num corte a partir de quando?
02:49Nós tínhamos, quer dizer, um corte em janeiro de 25 pontos,
02:53mas a gente veio perdendo convicção nesse corte em função de várias posturas
02:59dos diretores do Banco Central e também por conta do caso do Banco Master,
03:04que, digamos assim, tirou a atenção dos diretores do Banco Central
03:07no manejo mesmo da política monetária.
03:11A gente também tem dois membros, tem duas diretorias vagas para a reunião de janeiro.
03:17Então, a gente mudou o colmo, a gente está com a cabeça agora,
03:21de que o corte será em março.
03:23E ao invés de 25, que era a ideia de se fosse em janeiro,
03:26vai ser de 50 em março.
03:28Economicamente, conceitualmente, não muda muito.
03:3125 em janeiro, 50 em março, são equivalentes, conceitualmente falando,
03:35mas é uma mudança.
03:37Qual é a sua expectativa para a Bolsa de Valores brasileira esse ano, Gabriel?
03:41O que o investidor pode esperar?
03:44Pergunta difícil, Cris, porque o cenário de Bolsa
03:47é muito influenciado pelo processo eleitoral no Brasil.
03:52E aí vai depender muito de quais serão as figuras que a gente vai ter,
03:55como candidato nesse processo eleitoral.
04:00Isso vai ficar mais claro a partir de abril, do começo de abril,
04:05quando se encerra o prazo de desincompatibilização.
04:10Então, a gente vai saber se o Tarcísio vai ser, de fato, candidato, o Ratinho,
04:15ou se o Flávio Bolsonaro seguirá sendo o candidato da direita.
04:19E isso vai determinar a dinâmica dos preços a partir de então.
04:23Então, eu diria que o ciclo de corte de juros no Brasil,
04:28ele entrega um cenário favorável para a Bolsa.
04:31Se a gente tem corte de juros no Brasil, a Bolsa anda, a Bolsa responde.
04:36Mas tem essa vírgula que depende muito de quem vai ser o representante da direita,
04:40que pode mudar bastante a precificação.
04:42Eu vou passar para a pergunta do Felipe Machado.
04:45Felipe.
04:46Oi, Gabriel. Boa noite.
04:47Gabriel, voltando um pouquinho para falar do resto do mundo,
04:50a gente vê que a economia americana está praticamente dependendo das empresas,
04:54das big techs, as empresas de inteligência artificial, investimentos muito altos.
04:58E agora, com essa estabilidade causada pela invasão da Venezuela,
05:02as empresas de defesa também, as empresas bélicas.
05:05Que outros setores você destacaria nas Bolsas mundiais ao longo desse ano?
05:09Boa noite, Felipe.
05:11Outra pergunta muito boa.
05:13É difícil ver um cenário muito positivo para outros setores que não,
05:18de tecnologia, inteligência artificial, data center,
05:22e agora a defesa por conta dessa, digamos assim,
05:24nova ordem mundial que está sendo redesenhada enquanto nós conversamos aqui.
05:30Sempre pode ter algum outro setor, por exemplo, consumo discricionário,
05:34setores mais dependentes da renda.
05:36A gente sabe, por exemplo, nos Estados Unidos, esse ano,
05:38vai ter um imposto fiscal bastante grande.
05:41Então, setores mais expostos ao consumo das famílias
05:46também tendem a performar bem,
05:48mas os valuations estão muito esticados na Bolsa americana.
05:53Então, a gente imagina que esse ano, 2026,
05:56vai ser, digamos, o último ano dessa euforia.
06:00Em 2027 deve ter uma correção.
06:02A gente está no high dos valuations da Bolsa americana,
06:06principalmente dos setores de tecnologia.
06:10O resto dos setores da Bolsa estão muito atrás da curva.
06:15Então, pode ter um outro rebound, por exemplo,
06:18defesa por conta dessa questão, consumo discricionário, varejo.
06:24Mas eu acho que é difícil enxergar um fôlego longo
06:27para outros setores em função desse cenário cada vez mais incerto
06:32sobre a economia global.
06:35E, particularmente, na economia americana,
06:37depois das eleições de midterm, que nós vamos ter esse ano,
06:41e o fim dos estímulos fiscais,
06:43a economia deve enfrentar alguma dificuldade
06:46para manter esse crescimento alto
06:47que a gente está vendo até o momento.
06:49Quando a gente tira esses estímulos,
06:51são muitos estímulos combinados.
06:53Vamos lembrar, Filipe, tem estímulos.
06:54Desde o governo Biden, teve o CHIPS Act,
06:58que é um estímulo bastante grande,
07:00e teve, como você falou no começo,
07:02do Big and Beautiful Bill.
07:04Então, são estímulos sucessivos.
07:07Ainda tem agora os cheques,
07:09que o plano prometeu dar para as famílias,
07:12mais um aumento do orçamento de defesa.
07:14Então, tudo isso mantém, no curto prazo,
07:17a economia rodando aquecida,
07:19mas não dá possível manter para sempre esse estímulo.
07:25Quando você tira esse estímulo,
07:27a economia vai derrapar.
07:29Gabriel, quero continuar nos Estados Unidos,
07:31agora falando sobre amanhã,
07:33porque vão ser divulgados os dados de emprego por lá.
07:36Qual é a importância desse indicador
07:39e o que ele pode, de fato, indicar
07:41sobre os próximos passos do Federal Reserve,
07:43do Banco Central americano?
07:44Então, Chris, o payroll, junto com o CPL,
07:49é o dado mais importante da economia americana.
07:52Os membros do Fed têm dado muita ênfase
07:55na dinâmica do mercado de trabalho.
07:56Eles têm sinalizado que estão preocupados
07:59com a evolução do mercado de trabalho.
08:02A gente, ao longo dessa semana,
08:04a gente teve o ADP,
08:05que é um dado importante do mercado de trabalho,
08:08e também as vagas, o Job Open, o Jotes,
08:12que também veio fraco.
08:13Tanto o ADP quanto o Jotes vieram fracos,
08:15e, de certa forma,
08:18eles são uma prévia do que a gente deveria esperar
08:20pelo payroll que vai sair amanhã.
08:22Então, existe uma preocupação grande,
08:24uma tensão grande,
08:25desse dado de amanhã,
08:27não só porque é o principal dado do mercado de trabalho,
08:31é o hard data mais importante,
08:32mas também porque vários membros do Fed têm sinalizado
08:36uma preocupação de enfraquecimento adicional
08:39do mercado de trabalho.
08:40A gente está com a taxa de desemprego da economia americana subindo,
08:44e, em parte, a redução de juros que o Fed fez
08:49foi pelo que eles chamaram de Risk Management Approach.
08:53Por conta dessa piora do mercado de trabalho,
08:56eles entenderam que valia a pena reduzir os juros,
08:59mesmo com a inflação bem distante da meta.
09:02Então, é importante que a gente olhe esse número do payroll,
09:05não só o headline,
09:07não só o número agregado,
09:08mas também a composição,
09:09porque, quando a gente tem olhado os dados mais no detalhe,
09:13o que a gente tem percebido é que,
09:15quando a gente olha a geração de emprego,
09:17ex, retirando saúde, educação e governo,
09:21está mais fraco, de fato.
09:23Então, saúde, educação e governo
09:25acabam inflando muito o número do agregado,
09:27mas, quando a gente olha a geração de emprego,
09:30sem esses setores,
09:30que são setores menos sensíveis a ajudos,
09:33são setores menos cívicos,
09:35a geração de emprego está bem pior nos Estados Unidos.
09:38Gabriel, muito obrigada.
09:39Prazer te receber sempre.
09:41Até a próxima, que seja em breve.
09:43Felipe, obrigada também.
09:46Eu que agradeço. Até a próxima.
Comentários

Recomendado