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Imagens atribuídas à saída de Nicolás Maduro algemado repercutem mundialmente e levantam dúvidas sobre o futuro do chavismo. A professora de relações internacionais pela Unifesp, Carolina Silva Pedroso, avalia o risco de guerra civil, o papel das milícias bolivarianas e possíveis impactos humanitários e migratórios para o Brasil, enquanto Guilherme Ravache discute os desdobramentos geopolíticos.

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Transcrição
00:00de formar os novos elementos da milícia, pedindo juramento.
00:05Agora houve uma agressão contra o presidente.
00:08Existe um risco, professora Carol, de uma guerra civil?
00:13Eu vou interromper. Agora sim a gente tem a imagem da saída do presidente Nicolás Maduro.
00:18A gente volta o contato daqui a pouco com a professora Carol Pedroso.
00:23A gente vê ali a imagem muito escurecida, já caiu a luz completamente na cidade de Nova York,
00:31até por conta do inverno, tem ali uma iluminação da escada,
00:35mas como tem um agente segurando o celular, fazendo uma imagem,
00:40e alguém atrás descendo degrau a degrau, sorrateiramente,
00:45se entende então ali os braços talvez estendidos à frente e o rosto coberto,
00:53é uma sugestão dessa imagem.
00:55A gente vê então a retirada de quem aparentemente parece ser o presidente Nicolás Maduro.
01:03Pela dificuldade de caminhar, ele está sendo amparado por outros agentes,
01:10é fácil entender que ele teve o rosto coberto e está andando com dificuldade,
01:15não está enxergando exatamente o terreno,
01:17e as mãos para frente sugerem que ele continua algemado.
01:24Ali, a gente faz uma ideia, no centro da imagem, mais perto do final da escada,
01:30então, uma pessoa com o rosto coberto,
01:35totalmente amparado por agentes da Polícia Federal Americana,
01:39alguns celulares em punho, fazendo um registro de imagem.
01:46Então, todos esses fatores aí, essa cena semiótica,
01:52a gente entende a linguagem de que estamos acompanhando ao vivo,
01:56a partir de Nova York, o deslocamento de um réu.
02:01Tradicionalmente, os americanos fazem esse tipo de person of interest,
02:09pessoas de interesse, esse termo usado,
02:13para evitar qualquer tipo de fuga, ação mais violenta,
02:17há também um acorrentamento dos pés.
02:21Há ali uma frouxidão dessa corrente,
02:24para que o réu, aquele acorrentado, possa fazer pequenos passos.
02:29Então, uma dupla algemagem nos punhos e nos tornozelos.
02:36A gente vê essa pessoa no centro da imagem.
02:39Agora, com um pouco mais de luz,
02:41a gente consegue ver com uma espécie de uma roupa,
02:45com o rosto coberto,
02:47caminhando com baixa velocidade,
02:49e cercado por agentes aí da Polícia Federal,
02:54do FBI, da Agência de Proteção contra Drogas e Armas dos Estados Unidos,
03:00o DEA,
03:01e ele agora é levado para uma parte coberta do avião,
03:05e, obviamente, que é uma cena marcante,
03:09até pela quantidade de pessoas que estavam fazendo seus registros
03:12com os próprios telefones celulares.
03:15Queria voltar com a professora Carol Pedroso,
03:20o Ravage está aqui comigo também,
03:22para a gente fazer quase que uma análise semiótica dessa imagem.
03:25A gente não tem nenhuma notícia sólida,
03:27só uma imagem muito marcante.
03:29Daqui a pouco eu ia retomar minha linha de raciocínio,
03:31professora Pedroso falando das milícias bolivarianas,
03:34mas não, né?
03:35Vamos olhar essa imagem,
03:37supondo, fazendo a presunção de que é o Nicolás Maduro.
03:41Não dá para ter certeza absoluta,
03:43porque a imagem está muito escura,
03:44e alguém que está com o rosto coberto.
03:47Mas são imagens da imprensa americana
03:49sendo agora transmitidas para o mundo inteiro,
03:52com o aviso de que seria o desembarque do avião
03:54trazendo o Nicolás Maduro.
03:55Vamos fazer a presunção de que fosse ele.
03:58Essa imagem, se for realmente ele,
04:01amanhã está na capa de todos os jornais.
04:03É o último prego do chavismo?
04:06Acabou?
04:07Porque isso é uma deterioração da imagem, né?
04:11Quase que uma humilhação pública,
04:13algemado, talvez acorrentado nos pés,
04:16andando devagar, rosto coberto.
04:19Como é que a senhora analisa essa situação
04:21para o que seria o futuro do chavismo?
04:24Se é que sobrou alguma coisa?
04:27É, eu acho que esse elemento semiótico,
04:29ele está muito presente na presidência Trump,
04:32principalmente nesse segundo mandato, né?
04:34Seja nas mudanças até estéticas que ele tem feito
04:37do ponto de vista da arquitetura,
04:38ali no Salão Oval, que foi algo realmente muito chamativo,
04:41até outras situações em que ele expôs líderes internacionais,
04:45como, por exemplo, Zelensky, ali no Salão Oval.
04:47Me parece que esse circo, de alguma maneira,
04:50está sendo armado também para que o Maduro
04:52figure como uma figura para ser realmente
04:54humilhada e execrada internacionalmente.
04:58E é um inimigo perfeito, né?
04:59É uma figura que realmente se aferrou ao poder,
05:02que não tem um grande apoio internacional,
05:05que tem um teto de vidro bastante significativo,
05:09embora a justificativa oficial seja a questão do narcotráfico.
05:12É importante a gente recordar que Nicolás Maduro
05:14tem também uma série de denúncias contra ele,
05:17contra o regime, no que se refere à violação sistemática
05:20de direitos humanos, a crimes de lesa à humanidade.
05:24São muitas as imagens que circularam hoje também
05:27de venezuelanos comemorando a prisão dele, né?
05:30Então, que demonstram que realmente havia, pelo menos,
05:33um apoio popular de alguma parte dos venezuelanos
05:36dentro e fora do país a essa ação que está acontecendo agora.
05:40Então, é a cereja do bolo.
05:41Realmente, é uma imagem muito impactante ver o líder
05:43que poucos dias ou poucas horas atrás estava dançando
05:46e pedindo paz para Donald Trump, né?
05:49Então, acho que tudo isso faz realmente parte
05:51de um mise en scène, né?
05:52De uma cena aí, de um teatro,
05:55que dentro da política internacional não é raro de acontecer,
05:58mas que o Donald Trump tem, vamos dizer,
06:00uma habilidade especial, né?
06:02Para promover esse tipo de imagem
06:04bastante impactante no seu mandato.
06:07Professora Carol, vou colocar na conversa o Guilherme Ravache
06:09que pacientemente, elegantemente,
06:12cavalheiramente está esperando aqui
06:15para conversar com a senhora.
06:17Professora, com essa mudança rápida
06:22e, num certo sentido, surpreendente na Venezuela,
06:25aumenta o risco de a gente ter um fluxo de venezuelanos
06:31indo até a fronteira brasileira,
06:33tentando entrar no Brasil?
06:34De alguma forma, a gente deve ter um impacto aqui no Brasil
06:38do ponto de vista humanitário mesmo?
06:40Existe essa chance?
06:42Bom, Ravache, essa era uma das preocupações prévias
06:45à possibilidade real de uma intervenção na Venezuela
06:48que seria justamente a piora, ao menos no curto prazo,
06:52da situação social.
06:55E a gente tem visto muitos relatos ao longo do dia também
06:58de pessoas apreensivas, de pessoas com medo de saírem de casa,
07:02estocando alimentos, estocando remédios,
07:04justamente porque não sabem qual vai ser o dia de amanhã, né?
07:07E acho que as próximas 48 ou 72 horas
07:10vão ser muito decisivas para a gente ter mais clareza
07:13de como realmente as coisas na Venezuela vão acontecer.
07:15Mas essa era uma questão que já estava posta antes,
07:19a possibilidade de aumento do fluxo de pessoas saindo da Venezuela
07:23e é uma situação que acontece toda vez
07:26que alguma mudança importante acontece no país.
07:28Isso aconteceu também no pós-eleição de 2024,
07:32uma grande desesperança de parte da população
07:34que imaginava que uma mudança política poderia acontecer
07:37pela via eleitoral, houve um aumento do fluxo.
07:39Quando há pioras muito importantes na situação econômica,
07:43isso também acontece e é provável que,
07:45venha a acontecer novamente.
07:46Porém, a gente tem uma situação agora
07:48que é um agravante à questão humanitária
07:51e que vem se consolidando desde o início do mandato do Trump,
07:55então desde janeiro, um ano atrás, de 2025,
07:58que é o fato de que as principais organizações humanitárias
08:01que auxiliam Brasil, Colômbia,
08:02mas outros países também que fazem a recepção dos imigrantes,
08:05tiveram seus orçamentos completamente congelados,
08:08cortados, projetos descontinuados da noite para o dia.
08:12O que isso quer dizer?
08:12Que o custo para os países que vão receber é muito maior hoje
08:16do que seria em outros momentos em que essas agências
08:19estavam plenamente funcionando.
08:21Então, basicamente, a gente tem a sociedade civil organizada
08:24auxiliando na integração desses imigrantes
08:26e o governo brasileiro, principalmente por meio da operação acolhida
08:30e as autoridades locais.
08:31Carol, voltando àquela linha de raciocínio que interrompi para a gente dar destaque
08:36às imagens, olhando o que pode vir a ser uma nova crise interna na Venezuela
08:41de segurança, tirando fome e hiperinflação,
08:44a milícia bolivariana, essa que foi herdada por Maduro,
08:50de Hugo Chávez, jurou proteção ao presidente e agora existe um risco
08:57de uma guerra civil interna, esse levante de pessoas que depois venham a confrontar,
09:04inclusive com armas de punho, aqueles que são apoiadores, por exemplo,
09:09dessa transição de governo, que pode haver um certo confronto com essas forças
09:14de segurança do exército que supostamente teriam facilitado a queda do Nicolás Maduro.
09:21Qual é o grau de risco de uma instabilidade que parece um exagero
09:26que eu estou colocando, de guerra civil dentro da Venezuela?
09:30Não acho que seja um exagero pensar em guerra civil na Venezuela.
09:34Na verdade, as condições para um conflito armado dentro do país
09:38já estão dadas há algum tempo por alguns elementos que corroboram
09:42essa alta conflitividade, justamente a distribuição de armas para os civis
09:47que compõem as milícias, mas boa parte dessas armas também acabam chegando
09:52a outros grupos de organizações criminosas.
09:55Então a gente tem, além do risco da violência política,
09:58o aumento da violência criminal, que também é um problema importante
10:02na Venezuela já há bastante tempo, a alta polarização,
10:06a praticamente impossível possibilidade de conciliação
10:10entre os polos mais extremos do país, isso já está dado há pelo menos duas décadas.
10:15Muitas vezes a gente faz esse paralelo das críticas ou da dificuldade
10:19da governabilidade no Brasil, de estar ligada ao fato de que os diferentes governos
10:23precisam sempre negociar com o centrão.
10:25Na Venezuela é a situação oposta, não tem centrão.
10:28São projetos que chegam a ser até excludentes entre si,
10:31se a gente for pegar, por exemplo, toda a ideia de nação que o Gutiávez
10:35representava com aquilo que a Maria Corina defende também há mais de duas décadas.
10:39Então são projetos que você não consegue ter um mínimo denominador comum
10:43para criar como se fosse uma frente ampla para a construção, por exemplo,
10:47de um processo político pós-maduro.
10:50Não vou nem falar de pós-regime porque algumas figuras ainda estão
10:53em cargos importantes e até onde a gente sabe estão à frente do poder político.
10:59Mas nesse processo pós-maduro há uma dificuldade realmente de haver
11:02lados que tenham essa capacidade de conciliação.
11:06Então o elemento da violência política, ele permeia a sociedade venezuelana
11:09há muito tempo.
11:10A gente que acompanha sabe o quanto essa questão da polarização política
11:15destruiu o tecido social venezuelano, destruiu relações interpessoais.
11:20Muitas vezes a gente fala de polarização política no Brasil,
11:22mas a gente não tem a dimensão do que é isso na Venezuela.
11:25São duas décadas das pessoas se odiando por conta das suas posições políticas.
11:29E é um ódio que se transfere também em ações políticas.
11:34Então não são raros os episódios de pessoas que são agredidas
11:37por conta da sua posição política.
11:39Então acho que essa é uma situação que está presente.
11:42Hugo Chávez quando desenhou essa estrutura de milícia bolivariana
11:46e com a continuidade disso com Nicolás Maduro,
11:48eles estavam pensando na possibilidade justamente do putz on the ground,
11:52de que os Estados Unidos levariam a cabo uma intervenção militar
11:56de tipo tradicional, em que os militares efetivamente adentrariam
11:59no território venezuelano e sabendo da grande assimetria de poder,
12:03eles contariam justamente com essa resistência de guerrilha,
12:06como já aconteceu em outros episódios históricos,
12:08como é o caso do Vietnã, que é o grande lamaçal da história militar norte-americana.
12:14Acontece que as condições mudaram bastante do Hugo Chávez para cá.
12:17São quase 30 anos de processo político e tem, eu acho que é o elemento fundamental,
12:22que provavelmente o Chávez não contava que isso iria acontecer.
12:26que é o fato de que esse processo ao longo do tempo, por todos os seus problemas,
12:30contradições, ele se desgastou a tal ponto que ele perdeu a sua principal força,
12:35que era o apoio popular.
12:37Então mesmo que a gente tenha um número importante de milicianos com acesso a armas,
12:41mesmo que possa haver algum tipo de conflito por conta disso,
12:45há um elemento que está ausente, que é realmente a vontade popular
12:49de defender esse processo político.
12:51E até o momento a gente não tem visto nenhuma manifestação robusta
12:57de que as pessoas estão se sentindo invadidas pelos Estados Unidos.
13:01Ao contrário, nós vimos imagens de pessoas retirando cartazes da figura do Nicolás Maduro
13:08nas ruas, também quem já teve oportunidade de ir à Venezuela sabe
13:11o quanto essa questão do personalismo está muito presente nas ruas do país.
13:14Então não é só um símbolo, é uma ação política você retirar o cartaz,
13:19você retirar todos esses signos que representam a Revolução Bolivariana.
13:25E me parece que nesse momento essa é a grande dificuldade,
13:28haver realmente uma mobilização popular em prol daquilo que o Hugo Chávez idealizava.
13:33O que o Hugo Chávez idealizou lá em 99 é completamente diferente da Venezuela de 2026.
13:39Pois é, Carol, para a gente ter um pouco mais de subsídio para analisar,
13:43e na sequência eu passo a palavra para o Havashi.
13:46Antes, vamos pegar um trechinho do discurso do presidente Donald Trump,
13:50essas explicações que ele fez ao longo desse sábado,
13:53mais cedo na tarde de sábado direto de Mar-a-Lago,
13:56a residência pessoal dele na Flórida.
13:58O presidente Donald Trump, então, ele reforçou o seu compromisso
14:02em manter o controle da Venezuela,
14:03afirmando que os Estados Unidos irão governar o país
14:08até que uma transição de poder seja garantida,
14:11que esteja numa situação estável.
14:14Trump destacou o poderio militar dos Estados Unidos,
14:17garantindo que nenhuma perda de equipamento ou vidas americanas
14:20ocorreu durante essas ações no país,
14:23principalmente num momento de extração de Nicolás Maduro.
14:26E Trump também enfatizou que, após décadas de instabilidade,
14:30o objetivo é evitar que figuras inimigas ao povo venezuelano
14:34assumam o controle novamente,
14:36assegurando ele, a Casa Branca, um futuro melhor
14:40para a nação, para o povo da Venezuela.
14:43Vamos ver na reportagem.
14:45E nenhum único militar americano foi abatido.
14:49E nenhum material bélico americano foi perdido.
14:53Havia muitos helicópteros, muitos jatos,
14:56muitos, muitas pessoas naquela batalha.
14:59Mas pense nisso.
15:01Nenhuma peça de equipamento militar foi perdida.
15:04Nenhum membro das Forças Armadas foi, crucialmente, perdido.
15:08As Forças Armadas americanas são as mais fortes
15:11e mais temidas em todo o globo, com certeza,
15:14com um poderio e habilidades que nossos adversários
15:17mal podem começar a sonhar.
15:19Temos o melhor equipamento disponível no mundo.
15:23Não existe equipamento igual ao nosso.
15:25E isso se nota mesmo que você veja apenas os navios.
15:28Nós bloqueamos 97% das drogas que chegam pelo mar.
15:3490%.
15:35Cada barco mata, em média, 25 mil pessoas.
15:38Nós pegamos 97%.
15:41E essas substâncias vêm principalmente de um país chamado Venezuela.
15:45Nós vamos administrar o país até o momento em que possamos realizar uma transição segura,
15:53correta e sensata de poder, garantindo que a estabilidade seja preservada.
15:58Então, não queremos um cenário onde outra pessoa assuma
16:01e tenhamos a mesma situação caótica que tivemos nos últimos anos.
16:05Portanto, nós vamos governar o país até o ponto em que consigamos uma transição segura,
16:11apropriada e prudente de gestão.
16:14E precisa ser sensata.
16:17Porque é o nosso foco.
16:19Desejamos paz, liberdade e justiça para o povo venezuelano,
16:23incluindo muitos que vieram da Venezuela e moram nos Estados Unidos,
16:27ansiosos para retornar à sua pátria.
16:29Eles merecem um futuro melhor e estamos comprometidos em apoiar esse processo.
16:36Não podemos correr o risco de que alguém que não pense no bem do povo venezuelano
16:41assuma o controle da Venezuela.
16:44Passamos por décadas disso.
16:47Não permitiremos que isso ocorra.
16:51Estamos lá agora.
16:53E o que as pessoas não entendem, mas entenderão quando eu disser isso,
16:57é que estamos lá agora e continuaremos até o ponto em que a transição apropriada possa ocorrer.
17:04Vamos governar, basicamente, até o momento em que uma transição sensata e estável
17:09possa ser realizada, garantindo um futuro seguro para o país.
17:15A gente retoma a conversa com a professora, doutora em relações internacionais,
17:21tem aí um estudo acadêmico bastante dedicado à América Latina,
17:26a Carol Silva Pedroso.
17:29Professora, Carol, vou colocar na conversa, como havia proventido,
17:31o nosso analista de mercado, o Guilherme Ravache.
17:34Ravache, contigo.
17:36Professora, o natural seria o Trump apoiar a oposição,
17:41mas ele não disse, ou pelo menos declarou,
17:44que a Corina não seria, ou não estaria preparada para assumir o comando do país.
17:50O que explica essa posição, até certo ponto, surpreendente do Trump?
17:56Realmente, o caminho talvez mais óbvio seria justamente proporcionar a chegada ao poder da Maria Corina Machado,
18:04inclusive até do ponto de vista pessoal, já que o Trump dizia que queria receber o Nobel da Paz,
18:09imagina, para a sua candidatura deste ano, dizer que colocou uma Nobel da Paz na presidência de um país.
18:14Seria uma desculpa perfeita para receber o prêmio este ano.
18:19Realmente, chamou muito a atenção o fato dele já ter, num primeiro momento,
18:23descartado a possibilidade da Maria Corina ser colocada ali na presidência da República.
18:28Por isso que eu ainda considero a possibilidade de haver algum tipo de negociação
18:32entre aqueles que ainda estão no poder na Venezuela com o governo de Donald Trump,
18:37por um motivo que, inclusive, foi ressaltado ao longo dessa fala do Trump agora.
18:41De novo, é importante a gente recordar que é muito direcionado para o público interno.
18:46Um dos pontos que ficou muito marcado, tanto na sua primeira campanha eleitoral e agora novamente,
18:52foram as críticas que ele fez às outras intervenções norte-americanas,
18:56consideradas desastrosas e na visão dele, de boa parte dos seus apoiadores,
19:01não trouxeram benefícios reais para os Estados Unidos.
19:03Me parece que ele quer utilizar as intervenções agora de uma forma diferente
19:08do que as outras administrações faziam, pelo menos na retórica.
19:11Quer dizer, ele justificou toda essa operação com base em um problema real da sociedade norte-americana,
19:18que é uma das sociedades que mais consomem drogas, então ele vai usar essa justificativa.
19:23Notem que nesse discurso ele também não fala de democracia, não fala claramente de direitos humanos,
19:28ele vai falar das questões materiais, de como isso vai ser positivo para as companhias norte-americanas,
19:33de terem acesso ao petróleo venezuelano.
19:35Ele ressaltou bastante o fato de que não houve feridos da parte dos militares norte-americanos,
19:41que também é outra pauta importante dentro da sociedade estadunidense,
19:45o quanto esses jovens, essas pessoas que se arriscam em países que eles mal conhecem,
19:50não tem retorno desse sacrifício que fazem em nome de interesses,
19:55que talvez nem estejam tão claros para a sociedade norte-americana.
19:57Então, me parece que o Donald Trump está indo um pouco por esse caminho,
20:02de talvez demonstrar um pouco mais de cautela, justamente por conta desses exemplos históricos recentes.
20:07Vamos pegar o Iraque, por exemplo.
20:10Houve o retorno de boa parte daqueles grupos que foram tirados do poder.
20:14Houve, inclusive, piora, grupos ainda mais fundamentalistas, ainda mais sadicais,
20:18disseminados ao longo do Oriente Médio.
20:21Então, eu acho que é uma forma que ele tem também de deixar de forma muito clara qual que é a diferença
20:27da forma como o Donald Trump vai agir, e ele em várias ocasiões também faz questão de ressaltar
20:33o quanto ele é muito superior em relação ao Joe Biden e as outras administrações democratas,
20:39e como agora realmente os Estados Unidos vão lidar com cautela, com cuidado,
20:43fazendo uma transição cuidadosa, porque eles sabem o quanto que ainda está arraigado
20:48dentro do poder venezuelano, essas estruturas prévias.
20:51E, de novo, a gente falou muito da captura do Maduro, todo esse simbolismo,
20:54ele é a figura conhecida internacionalmente por representar a continuidade da Revolução Bolivariana,
21:00mas, na prática, há estruturas de poder muito bem consolidadas na Venezuela
21:05que demonstram a continuidade desse regime, inclusive dentro da estrutura militar.
21:10É um vespeiro.
21:12Um outro dado que eu acho que é importante de ser dito aqui, que complementa toda essa ideia,
21:17é que o Donald Trump, inclusive, foi desaconselhado por muitas figuras importantes
21:22da inteligência norte-americana a realizar essas intervenções,
21:26porque eles sabiam justamente dos riscos que se poderia trazer em termos de aumentar
21:30a estabilidade regional na Venezuela.
21:32Então, ele também não quer arcar com o custo político de ter piorado a situação
21:36como aconteceu em outras intervenções norte-americanas.
21:40Carol, dá para dizer que é mudar tudo para continuar igual?
21:43Eu acho que é uma possibilidade concreta disso estar acontecendo,
21:49justamente porque já havia essa conversa de bastidores de que Adelci Rodrigues
21:52estaria negociando com o Donald Trump.
21:54Até agora, com as informações que temos, é o cenário que está se consolidando.
21:58Obrigado.
21:59Obrigado.
22:00Obrigado.
22:01Obrigado.

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