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Com patrimônio recorde na B3, os ETFs estão transformando o perfil do investidor brasileiro, oferecendo diversificação, liquidez e custos menores que os fundos tradicionais. Fernanda Rocha, da Monte Bravo, explica funcionamento, vantagens e o potencial de crescimento do mercado nacional.

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Transcrição
00:00Com o patrimônio recorde, segundo dados da B3 de novembro, os ETFs estão redesenhando o padrão do investidor brasileiro,
00:07pressionando os fundos tradicionais e mostrando estratégias diversificadas de investimento.
00:12Sobre isso, eu vou conversar agora com a nossa comentarista Fernanda Rocha, que é assessora de investimentos da Monte Bravo.
00:19Fernanda, boa tarde para você, seja muito bem-vindo ao Radar.
00:21Boa tarde, Marcelo, tudo bem?
00:23Tudo bem? Bom, só para quem não conhece ainda, não está completamente familiarizado, explica para a gente o que é um ETF.
00:28Perfeito. Os ETFs são os Exchange Traded Funds, que são, na verdade, um...
00:36A gente está com um probleminha no seu microfone, Fernanda, então a gente vai esperar consertar para você poder falar com a gente com toda clareza,
00:43já que esse assunto interessa para muita gente, né?
00:45As pessoas querem, muitas vezes, investir em ETF, mas elas não têm ideia do que é um ETF.
00:50Agora sim, aproveitando que você está com um áudio bom, eu vou te dar boa tarde de novo e pedir para você explicar, Fernanda, o que é um ETF.
00:56Boa tarde, Marcelo, boa tarde a todos.
00:58Bom, os ETFs, digamos que são uma forma moderna de utilizar o mercado que seria, até hoje, hegemonia dos fundos de investimentos.
01:08Eles são fundos empacotados, negociados na Bolsa de Valores, então na B3, aqui no Brasil.
01:15Eles são muito difundidos fora do Brasil, já tiveram o seu boom, assim, em 2008, principalmente, foi quando teve aquela crise do subprime,
01:26e aí foi muito difundido os ETFs, principalmente com aquela curiosidade ou aquela necessidade de saber o que está compondo dentro daquele fundo de investimento.
01:38E o ETF, esse fundo listado na Bolsa de Valores, ele tem uma clareza sobre a estratégia que está ali dentro.
01:46Então, você vai comprar um índice, um índice de algo.
01:51Esse algo pode ser o índice do Ibovespa, pode ser um índice de criptomoeda, pode ser...
01:57Ele vai ser, digamos assim, um fundo passivo, ele não vai trazer ali um gestor ativo fazendo trocas que estão dentro da tese dele.
02:07Não, o ETF, ele vai seguir sempre aquela tese que está ali.
02:12E isso faz com que o investidor tenha uma clareza do que ele está comprando.
02:17Agora, o que explica essa virada estrutural no perfil do investidor brasileiro, Fernanda?
02:22Perfeito.
02:23Quanto mais o mercado vai ficando eficiente, o que significa mercado eficiente?
02:29É quando ele tem menos assimetrias, menos oportunidades de ganhos, assim, dinheiro na mesa, digamos.
02:37Então, ele está muito focado em... ele já está com uma liquidez muito boa, ele está com uma negociação também muito boa,
02:44e a tendência é o índice entregar mais do que os fundos.
02:50Então, estudos são feitos e cerca de 80% a 90% dos fundos ativos não ultrapassam, não entregam mais rentabilidade que um ETF.
03:04Então, isso já é um dado muito interessante para a gente entender por que ele está sendo sucesso.
03:09De fato.
03:10Agora, o avanço dos ETFs também reflete mais exposição ao mercado global, né, Fernanda?
03:14Eu queria entender como é que isso muda a relação do investidor brasileiro com o risco cambial e também com a diversificação internacional.
03:21Perfeito.
03:22Esses ETFs, eles não necessariamente são alocados, né, e replicam índices de fora do Brasil.
03:31Eles têm também muitos índices de fora, como o índice do S&P, então, através do IVVB11 é um exemplo,
03:39e não necessariamente ele vai ter a volatilidade também da moeda, ele também pode ser redeado e não ter essa volatilidade do câmbio.
03:48Mas sim, ele muitas vezes, ele é uma forma de se descorrelacionar do mercado brasileiro sem precisar colocar esse dinheiro fora.
03:59A gente tem até algumas artes aqui, né, Fernanda?
04:01Perfeito.
04:02Temos sim.
04:02Se aprofundando um pouco aí, né, por que que os ETFs atraem tanto o investidor?
04:08Diversificação imediata, você falou disso já, né?
04:10Diversificação imediata, é porque como ele vai replicar uma cesta de ativos, então, através de uma única alocação, de uma única compra,
04:17você vai diversificar numa quantidade muito grande, então, como se fosse o Ibovespa, né, o BOVA11, que é o nosso índice do Ibovespa,
04:25ele vai comprar todas aquelas ações que compõem o índice Ibovespa, quase 100 ações, 80 e poucas ações.
04:31Tem a facilidade para negociar em Bolsa também, né?
04:34Exatamente.
04:35O segundo item aqui são os custos.
04:37Os custos dos ETFs são muito menores do que os dos fundos regulares.
04:43Um fundo de ação normal, ele pode chegar ou até ultrapassar 2% ao ano de custos.
04:49Um ETF, ele vai ficar ali na casa de 0,3 ao ano, 0,6 no máximo, então, mas a gente vê muitos ETFs na casa de 0,10.
04:59Então, digamos que 0,3 é uma média.
05:03É, a facilidade para negociar, a gente já falou aqui, né, disposição a índices de mercados globais também,
05:09porque é muito difícil, muitas vezes, alguém que está no Brasil comprar uma ação.
05:13Não é tão difícil, mas, enfim, tem uma certa, um trâmite a ser feito, né?
05:16Quando você compra o ETF, aqui não, né?
05:18Você já compra facinho na Bolsa aqui mesmo.
05:20Compra super fácil e aqui, nessa facilidade de negociação da Bolsa, eu quero salientar mais um ponto.
05:26Quando a gente coloca num fundo de ações e a gente vai fazer esse resgate do fundo de ações,
05:32muitas vezes ele é um D mais 30, um D mais 45, ou seja, eu faço o resgate e ele vou ter o dinheiro na conta
05:41nesse dia do resgate mais 30 dias ou mais 45 dias.
05:46Tem alguns que são até mais tempo.
05:49Nesse, a gente faz a venda hoje em D mais 2, esse dinheiro está na conta, então, uma liquidez muito maior.
05:54Exatamente. E a transparência na composição também é aquilo que você já falou, né?
06:00Você não depende de alguém estar montando ali a sua carteira, você mesmo vai lá e escolhe, né?
06:05Exato. E eu posso escolher uma carteira que, vamos supor, eu quero escolher um índice das empresas maiores pagadoras de dividendos.
06:14Então, ali vai ter um índice, um ETF, que é das empresas mais pagadoras de dividendos.
06:19E aí vai para muitas, muitas teses, né?
06:22Agora, nesse caso, você pode tanto receber o dividendo, quanto também o dividendo voltar para o próprio ETF, valorizando o valor dele, não é isso?
06:30Exatamente. No ETF, ele volta para dentro do...
06:33Então, não recebe o dividendo, né?
06:34Não, ele volta para engordar ali.
06:36Ah, então, a sua renda vai ser a valorização daquele ativo específico que você comprou ali.
06:41Exatamente, exatamente.
06:42Agora, na sua avaliação, Fernanda, o mercado brasileiro já atingiu uma maturidade parecida com os Estados Unidos ou da Europa,
06:48quando a gente fala de ETF, ou você acha que tem bastante espaço ainda para expansão, para melhoras por aqui?
06:55Perfeito. Inclusive, a gente tem uma arte aqui para ilustrar o tamanho da diferença entre os mercados dos Estados Unidos e do Brasil.
07:03Então, quando observamos aqui no primeiro item, que é ativo sob gestão em volume financeiro,
07:10nos Estados Unidos a gente tem aqui 11,6 trilhões de dólares.
07:15No Brasil, a gente tem 81 bilhões de dólares.
07:20É uma diferença significativa.
07:23Em números de investidores, a gente não consegue nem ter uma ideia de qual o número de investidores a gente tem nos ETFs nos Estados Unidos,
07:33porque eles são muitas bolsas, muito difícil de fazer esse, de compilar esse dado, então não tem essa estimativa.
07:40No Brasil, a gente está com 891 mil CPFs ou CNPJs operando na B3.
07:46É relevante, né, Fernanda? Se você pensar que também o número de pessoas que operam na Bolsa é uma parcela pequena da população brasileira,
07:54você ter quase um milhão aí com ETF é um número relevante, né?
07:57Sim, é um número relevante, mas quando observamos em percentual da nossa Bolsa,
08:03nos Estados Unidos chega a 30% da negociação dos Estados Unidos em ETFs.
08:08No Brasil, a gente está falando de 1,5.
08:10Pode crescer ainda, né?
08:12Tem muito para crescer. Digamos que a gente é um nenenzinho que está engatinhando ainda nesse universo de ETFs.
08:17Você acha que o brasileiro é desconfiado sobre esse produto?
08:19Não, eu acho que...
08:20Ou não conhece muito, talvez?
08:22Eu acho que esse que é o ponto. Não é desconfiança, porque ele é muito claro e ele é muito fácil de dar esse conforto sobre a clareza.
08:30Ele é muito simples de entender o que compõe ali.
08:33E um dos medos dos fundos de investimentos é justamente o que tem naquela caixa preta, né?
08:38Aquela sensação de, será que está sendo realmente feito o que eu comprei, né?
08:44O que eu quis adquirir no aporte nesse fundo.
08:47Então, o ETF, ele tira essa sensação.
08:49No meu caso, como pequeno investidor, eu sempre olhei com desconfiança, no caso do ETF, por exemplo, de dividendos,
08:55porque eu fico me perguntando assim, será que eles vão realmente colocar...
08:59Vai se refletir no valor do ativo, todo o dividendo que for gerado mesmo?
09:03Será que não é melhor ainda eu receber o dividendo na minha conta?
09:06Isso é transparente, Fernanda?
09:07Isso tem um ponto interessante e que pouca gente tem essa visualização da realidade.
09:15Eu vou explicar como que são pagos os dividendos.
09:19Então, por exemplo, eu estou na ação X e ela vai pagar 10%.
09:25Hoje, ela custa 10% e ela vai pagar R$1 por ação de dividendos.
09:29No momento que ele faz a data X, que é quando ele divulga e ele vai fazer esse pagamento do dividendo,
09:38nessa data X, que é onde eu não compro mais, eu não posso mais comprar essa ação contendo o que vai ser recebido de dividendos.
09:47Neste dia da data X, esse R$1, ele vem descontado.
09:53Então, é como se o valor fosse os mesmos 10%.
09:56Porque se ele vai me pagar esse 1% na conta, ele vai cair para 9% o valor da ação.
10:01Então, digamos que não muda.
10:04Concorda?
10:04Sim.
10:05Eu só fico me perguntando se depois isso não é diluído na negociação do mercado, por exemplo.
10:09Porque a gente sabe que ações sobem e descem com bastante facilidade.
10:13ETF, eu imagino que também?
10:15Ele também, mas ele vai seguir exatamente a negociação da Bolsa.
10:20Vou pegar um exemplo que até esses dias eu falei muito sobre as empresas que pagaram,
10:25que estavam pagando muitos dividendos ou tinham prometido que iam pagar e tal.
10:30A Marco Polo.
10:31Então, uma ação de um valor que não é tão alto e pagando um dividendo muito relevante.
10:38Exatamente no dia da data X, ele deu esse degrau e não voltou mais.
10:44Então, não significa que necessariamente a empresa vai recuperar.
10:48Então, às vezes fica exatamente aquele desconto ali e outras até caem mais.
10:54Então, não tem como a gente dizer, ah, o fato de eu ter recebido o dividendo é porque eu recebi um valor a mais.
11:00Não.
11:00Entendi.
11:01O valor foi exatamente descontado do valor da ação.
11:04Interessante.
11:05Aprendi muito com você aqui hoje, viu?
11:06Ah, que bom.
11:07Não, porque é uma coisa que confunde mesmo.
11:09Confunde mesmo, né?
11:10E assim, tem algumas vantagens também.
11:13Então, se a gente pega esses ETFs, o legal é que a gente consegue colocar em ativos lá de fora
11:20e compensar lucros e perdas tudo aqui dentro.
11:24Então, isso também é uma bela alternativa que se a gente está nos fundos, eu não consigo compensar perdas ou ganhos em fundos com a parte de ações.
11:35Então, dá também um benefício tributário.
11:37Bem observado.
11:38Fernanda Rocha, assessora de investimentos da Monte Bravo.
11:41Foi um prazer falar contigo, Fernanda.
11:43E até a próxima.
11:44Prazer é meu.
11:44E aí
11:45Obrigado.

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