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Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, avaliou o impacto do tarifaço no setor de café. Ele explicou como a manutenção dos 40% comprometeu a competitividade do Brasil, elevou riscos inflacionários nos EUA e ampliou a pressão por ação diplomática imediata.

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Transcrição
00:00Pronto, e agora a gente segue conversando sobre isso, e nesse momento com Márcio Ferreira,
00:05que é presidente do C Café e já está conectado aqui com a gente nessa noite.
00:09Márcio, bem-vindo, tudo bem por aí?
00:11Oi, Natália, tudo bem? Boa noite.
00:15Bom, Márcio, 24 horas, mais de 24 horas que passaram desde esse anúncio da Casa Branca.
00:21Queria entender o quanto vocês já conseguiram avançar na análise desse documento
00:25e do impacto para o setor de café.
00:28Afinal de contas, trouxe alívio ou a competitividade do Brasil ainda está comprometida?
00:35Bom, Natália, na verdade não trouxe alívio, um pouco de frustração.
00:41A expectativa era de algo melhor, tanto da nossa parte aqui quanto dos torradores lá fora.
00:48Quando o governo americano toma as ações de ontem, ele reduz 10% não só de Brasil,
00:54mas dos nossos competidores e leva os outros a zero.
00:57Então, basicamente, a nossa diferença contra os demais é exatamente os mesmos 40% anteriores.
01:05Por outro lado, a gente ontem, assim que saiu a notícia, foi analisá-la e conversar com os pares lá fora,
01:13também com a nossa embaixada.
01:14Eu estive conversando com a embaixada do Brasil e Washington,
01:17conversando, inclusive, com os nossos ministros, mas principalmente hoje me ligou o nosso vice-presidente,
01:24sempre atencioso, o vice-presidente Alckmin, eu conversei com ele também.
01:27E fato é que a gente entende que as medidas tomadas foram, vamos dizer, genéricas,
01:33não contemplaram de forma nenhuma aquilo que o Brasil precisa.
01:37Por outro lado, se o objetivo do governo americano é, obviamente, baixar a inflação,
01:44há que destacar que o café é o item que mais inflacionou nos Estados Unidos, ele subiu 38%.
01:51E quando você abdica de 10% de tarifas de outras origens, mas mantém Brasil,
01:58que é o maior fornecedor tradicional, 33% de participação, com 40%,
02:02você nos coloca fora do mercado, não consegue, vai continuar sem participar no mercado americano,
02:10num momento que é muito ruim, porque os nossos estoques lá fora estão muito baixos,
02:15os cafés brasileiros, então o consumidor começa a tomar café sem os cafés brasileiros no lente,
02:21e reconquistar o mercado é muito difícil, depois o consumidor começa a se acostumar a outros paladares,
02:27mas ao mesmo tempo, essa medida, eu entendo, a minha interpretação é que ela não vai trazer
02:34para o governo americano a redução inflacionária que é esperada exatamente pela ausência de Brasil,
02:39e pode motivar novamente, como aconteceu desde o dia 7 de agosto, quando os 40% foram aplicados,
02:46até a última semana, novas altas da Bolsa de Nova Iorque, dado o fator especulativo,
02:52e isso traz toda a comódica para cima, e aí aplica tarifas de café brasileiro,
02:58então a nossa perspectiva é o governo fazendo a leitura,
03:03na conversa ontem, inclusive com a Embaixada do Brasil, nos Estados Unidos, ontem já à noite,
03:08em Washington, eles conversaram também com o Departamento Comercial,
03:12e o STA lá nos Estados Unidos, e inclusive falaram, vamos conversar novamente com a Casa Branca,
03:18então a gente sabe que tem muita coisa ainda para ser tratado,
03:22e principalmente vai demandar, Natália, bastante empenho e dedicação do governo brasileiro,
03:28porque ontem nós recebemos uma nota da NCA, que é a National Coffee Association,
03:32inclusive eu compartilhei com as nossas autoridades, e ele diz o seguinte,
03:37fizemos tudo o possível, agora a bola está na mão de vocês,
03:41e quando ele falou isso, a nossa Embaixada nos Estados Unidos me responde da seguinte forma,
03:48realmente a NCA é incansável em trabalhar, inclusive a favor do Brasil,
03:55então nós temos parceiro lá, a NCA, nós temos os torradores,
03:59nós temos o nosso café, temos a rastreadibilidade, temos a qualidade,
04:03temos a sustentabilidade, o Brasil é o café mais competitivo de todos os demais,
04:09o Brasil hoje ele está 10% mais barato em condição normal de qualquer café arábica do mundo,
04:16e isso precisa ser olhado com carinho pelos dois lados.
04:19É, Márcio, bom, é inquestionável a importância do café como um produto de exportação para os Estados Unidos,
04:25eles são os principais compradores de café aqui do Brasil,
04:28respondem por cerca de 16% de tudo que a gente exporta, segundo o Ministério da Agricultura.
04:34Agora, do ponto de vista deles, também já está claro a importância de comprar esse café,
04:41e o peso que essa sobretaxa, que era de 50%, agora 40%, está tendo lá de uma forma inflacionária.
04:49Agora, quanto tempo mais para talvez eles perceberem que esses 10%
04:54não vão trazer esse alívio específico para o café, e a gente tem tempo para isso?
04:59Porque muitos meses já dessa situação, não é, Márcio?
05:03É, o tempo realmente é curto, a gente precisa acelerar,
05:07porque quanto mais tempo sem café brasileiro, mais difícil para a gente fica,
05:11o caminho de volta.
05:13Como você bem colocou, 16% das nossas exportações são para os Estados Unidos,
05:18o maior consumidor e o maior importador, representando 33% de tudo que eles importam,
05:24e, obviamente, eles têm buscado alternativas não só na Colômbia,
05:28também na América Central, cafés arábicas também na África,
05:31e os robustas, principalmente de Vietnã.
05:34E, da nossa parte, o tempo realmente começa a contar,
05:39demandando mais ação direta e eficaz por parte do lado brasileiro, como eu falei.
05:46Por outro lado, quando a gente coloca que nós temos a perspectiva
05:53de que o mercado pode não ceder, e realmente pode não ceder,
05:56nós estamos dizendo que o mercado ainda está, já, a Bolsa, em torno de 400,
06:01e ela esteve a 286 antes dos 40%.
06:05Então, permanecendo os 40%, e sabendo que a resposta não foi a que se esperava,
06:11o fator especulativo que existe na Bolsa de Nova Iorque é, principalmente,
06:16o volume de cafés certificados na Bolsa nos armazéns americanos.
06:20E os maiores certificadores são Honduras, via de regra,
06:24porque também tem café mais competitivo, e Brasil, principalmente.
06:27Então, à medida que o Brasil está totalmente fora, continua fora de novos negócios,
06:32os certificados tendem a continuar caindo,
06:35e esse fator gera esse movimento especulativo, faz com que a Bolsa suba bastante,
06:39contribui, de certa forma, para a nossa necessidade,
06:43porque o mercado não cai, os preços não se ajustam, e aí é a resposta.
06:47Mas nós esperamos que o Brasil traga uma solução para o que está acontecendo
06:52nas próximas semanas, porque, inclusive, quando a gente trata de café em grão,
06:57a dificuldade é muito grande.
06:59No café solúvel, nós temos relatos de exportadores vendendo café,
07:03assumindo 25% da tarifa, ou seja, vendendo literalmente com bastante prejuízo,
07:08e solúvel gera três vezes o emprego do café em grão.
07:13E quando a gente vê, por que está vendendo com 25%?
07:17Porque você não pode abrir mão de um cliente que você tenha 50, 60 anos.
07:21Isso vale para o verde e para o solúvel.
07:23Então, urge uma ação mais efetiva da parte do Brasil, da diplomacia,
07:28e nós, enquanto setor privado, estamos aqui para contribuir.
07:32Tínhamos a expectativa, assim como os torradores, que, infelizmente, até o momento,
07:37se frustraram, mas o jogo continua.
07:40A gente vai trabalhar, arregaçar as bandas em segunda-feira,
07:44e, se Deus quiser, nós vamos reduzir esses 40%.
07:47Eu vou passar a bola para o Felipe Machado, mas antes, rapidinho, Márcio,
07:51ontem, quando saiu essa notícia, vocês chegaram a se empolgar e depois se decepcionar um pouquinho?
07:58Como é que foi o sentimento ontem?
08:01Não, não, a gente não se empolgou, pelo contrário, a gente percebeu logo
08:05que havia ali uma dúvida em relação à certeza dos 10% e uma dúvida muito grande dos 40%.
08:14Tanto é que, no mesmo momento, o Secafé emitiu um comunicado e publicou,
08:20informando que não nos apressássemos em entender que houve uma redução substancial,
08:25pelo contrário, que caberia uma leitura mais detalhada.
08:29E até eu mesmo, conversando com um dos principais torradores dos Estados Unidos,
08:32eu me lembro que ele mandou uma mensagem para mim, as tarifas caíram, olha bem, torrador americano.
08:37E aí eu falei, caiu, mas não caiu dentro do que você está pensando.
08:41E aí nós fomos analisando o documento e confirmou o que a gente temia.
08:45Entendi. Felipe Machado, nosso analista, participa da conversa agora também. Felipe.
08:51Oi, Márcio, tudo bem? Boa noite para você.
08:53Márcio, eu queria que você falasse um pouquinho como é que fica o preço do café
08:56com essa situação que a gente vive hoje.
08:58Porque o café brasileiro, como você falou, tem um preço bastante competitivo,
09:03mas essas tarifas de 40% continuam muito altas.
09:06E o café vai chegar lá, as exportações caíram, portanto vai chegar menos café brasileiro lá.
09:12E eles vão ter que comprar esse café em outro lugar, com preços mais altos.
09:16E o estoque de café brasileiro vai ficar com menos quantidade.
09:19Como é que isso vai influenciar o preço do café?
09:22Como eu falei, Felipe, boa noite.
09:26O café, na verdade, ele já subiu bastante, né?
09:29E a gente não vê nessas condições um arrefecimento de preços.
09:34Na verdade, você tem a Bolsa hoje em R$ 400,
09:37quanto R$ 286, quando implantou lá no início de agosto, né?
09:43Esses 40% a mais para o Brasil.
09:44A gente imagina que os preços vão se manter bastante aviltados.
09:49E lembrando que o café é uma commodity.
09:51Então, quando a Bolsa sobe, o preço sobe para o mundo inteiro.
09:55O americano, obviamente, ele vai buscar, como fez no primeiro momento,
10:00as outras opções.
10:01E essas opções, em outros países, não tem a capacidade de produção que o Brasil tem.
10:07Então, eles vão, obviamente, se der aos Estados Unidos a preferência,
10:12nesse momento, eles vão majorando seus preços.
10:16E aí, aquela leitura.
10:17Entra primeiro os fundos que compram os papéis e fazem a Bolsa subir.
10:21Aí, entre os diferenciais que a gente chama contra a Bolsa de Nova Iorque,
10:26então, por exemplo, Colômbia está em torno de 20% acima,
10:29enquanto o Brasil está 20% abaixo.
10:31Exatamente esses números.
10:32Então, a diferença é 40 centavos por libra,
10:34que dá esse 10% que eu falei mais competitivo contra a Bolsa,
10:37no nível de 400, 10% de 400, os 40 centavos.
10:40E, em relação à capacidade de entrega, nós estamos entrando num período agora do segundo semestre,
10:48agora terminando o segundo semestre, em que o Brasil vai diminuindo os seus estopes.
10:54Se os Estados Unidos não nos comprou tanto, nós caímos em exportação de 50%.
10:57Mas, como a safra é muito justa para a produção e o consumo mundial,
11:02Então, o Brasil tem conseguido colocar café, obviamente, na Europa, na Ásia,
11:08que não está aumentando o consumo, mas é simplesmente,
11:11se uma outra origem está vendendo mais para os Estados Unidos,
11:14obviamente que abre oportunidade para o Brasil.
11:16O risco é esse que a gente temia, de nós alongarmos a situação
11:21e chegarmos ao momento de não ter ou ter muito pouco café brasileiro lá.
11:25Porque uma coisa é o que a Bolsa fala, é o que o mercado fala, é o preço.
11:29Outra coisa é o consumidor, é quem realmente tem o hábito e o prazer de tomar o café do Brasil,
11:34que tem características muito especiais e que entram nos blends.
11:38Esse detalhe é importantíssimo.
11:40Se você pede a um cliente para mudar, ou ele te pede para mudar,
11:43uma fórmula de um negócio, um padrão, isso já é um trabalho enorme, envolve o laboratório.
11:48E aí você tem que oferecer para o consumidor um produto diferente.
11:53Aí no momento em que o produto que ele está habituado a tomar começa a sumir da prateleira
11:58ou da cafeteria, óbvio que alguém ocupa o seu lugar.
12:02E por mais que nós sejamos competitivos, se você tem 40% de tarifa, ela é proibitiva.
12:09E por isso que eu digo, vai demandar dos Estados Unidos um esforço ainda muito grande,
12:14mesmo trazendo para zero as demais origens, vai demandar um esforço grande
12:18para que ele obtenha os cafés que eles precisam,
12:22porque os Estados Unidos, enquanto comprador, concorre com os outros importadores.
12:26E o Brasil é o exportador que tem capacidade de suprir a maioria desse volume.
12:32Marcos Ferreira, presidente do Ccafé, muitíssimo obrigada pela conversa com a gente
12:36nessa noite de sábado.
12:38Tendo novidades, por favor, volta para repercutir.
12:40Tá bom, prazer estar com vocês.
12:42Prazer o nosso, tchau, tchau.
12:43Tchau.
12:44Tchau.
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