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00:00Olá, bem-vindo a mais um Humanamente Possível, dessa vez com uma convidada para lá de especial.
00:15Eu estou até um pouco nervoso porque o tema é maravilhoso.
00:19Eu tenho aqui comigo a Heloísa Capelas, que é uma consultora, é uma terapeuta,
00:25é uma consultora e fez uma carreira longa no Banco do Brasil.
00:30E hoje se dedica a diversos temas de amor e, principalmente, de perdão.
00:36Para começar, inclusive, eu quero apresentar o livro da Heloísa e nós vamos falar bastante sobre ele,
00:41Perdão, a Revolução que Falta.
00:44Heloísa, muito bem-vinda, muito obrigado por estar aqui comigo.
00:47Muito obrigada, Daniel, muito obrigada pelo convite.
00:50Eu já adorei o nome Humanamente Possível, vai ser sensacional.
00:55O perdão é Humanamente Possível, eu estou convencendo as pessoas.
01:00Tão feliz de estar aqui.
01:01Eu sou fã do tema e, quando chegou para nós, o seu interesse e a sua disposição de vir conversar,
01:08eu vibrei.
01:10Eu estava viajando, inclusive, mas eu falei, preciso me inteirar melhor sobre a Heloísa e sobre o tema.
01:15Então, eu queria pedir para você começar se apresentando um pouco,
01:19me contando rapidamente a sua história de vida e por que você está aqui.
01:23Bom, eu sou Heloísa Capelas, hoje eu sou CEO do Centro Hoffman, é uma empresa que aplica cursos de autoconhecimento.
01:32Eu estou na liderança desse curso que se chama Processo Hoffman, que é um curso internacional,
01:38que foi criado nos Estados Unidos e hoje ele está em 16 países.
01:41E eu o represento aqui no Brasil há 23 anos e eu trabalho com ele há 35.
01:49Então, desde que eu fiz como aluna, eu larguei tudo o que eu fazia, inclusive o Banco do Brasil,
01:54para me dedicar a essa metodologia que fez eu fazer um tuf na minha consciência.
02:02Vamos tentar fazer esse tuf e ver essas consciências aqui.
02:05E aí, o meu ponto de vista a respeito da vida mudou completamente.
02:12Então, eu sou uma menina comum, terceira filha de quatro, de um casal português,
02:19meu pai português, minha mãe alemã, dois titãs, duas pessoas muito fortes,
02:27e nós, nós quatro, eu sou a terceira.
02:29Eu fui a filha rebelde, a filha que era problema, a filha que ia virar bandida,
02:35porque mentia, a filha que não ia dar certo, enfim.
02:39E aí, quando eu cresci, eu achei que eu tinha que dar certo, né?
02:42Eu tinha que provar para eles que o julgamento deles estava errado.
02:46Eu fui ser assistente social para ser bem legal.
02:50Eu procurei uma profissão boa.
02:52O bem.
02:53Como é que a gente faz o bem?
02:54Para os outros.
02:55Exatamente.
02:56E aí, fui lá, mas o meu pai, muito bravo, me mandou entrar no Banco do Brasil.
03:01A minha irmã e eu.
03:03Meu pai, apesar de ser muito bravo, era um homem enorme, um português, assim,
03:08que a gente morria de medo dele, né?
03:11Ele era um feminista.
03:13Ele defendia as mulheres.
03:15Imagine você hoje, ele teria 96 anos,
03:18e ele, na época de jovem, ele defendia as mulheres.
03:21E, então, ele disse, as minhas meninas precisam ter um emprego público,
03:26onde elas não correm risco de perder esse emprego,
03:30para não precisar depender de marido.
03:32Heloísa?
03:33Era esse meu pai.
03:35Ótimo.
03:35Graças a Deus.
03:37E vamos lá.
03:38Primeiro, tem uma coisa até interessante.
03:40Você aí fez o concurso e entrou no Banco do Brasil.
03:42Foi.
03:42Você sabe que eu sei que você também é contadora,
03:46e eu vou lhe contar aqui que eu tentei fazer um concurso para o Banco do Brasil Jovem.
03:52Eu e a minha irmã.
03:53A minha irmã passou e eu não passei.
03:55Eu não passei.
03:56A minha irmã passou e eu passei também.
03:58É, mas eu não.
03:59Eu não passei por causa de contabilidade.
04:01Para você ver.
04:01Olha só.
04:02Foi ali que eu perdi.
04:03Mas, enfim, o mundo deu muitas voltas.
04:05E um dia, como eu trabalhei na Visa,
04:08eu me aproximei muito do Banco do Brasil,
04:10e eu sou fã do Banco do Brasil.
04:13Mas vamos lá.
04:14Você entrou no Banco do Brasil.
04:15Entrei no Banco do Brasil para fazer carreira.
04:17Fui fazer carreira.
04:20Mas, ao mesmo tempo que eu entrei no banco,
04:21eu entrei na faculdade de serviço social.
04:24Então, enquanto eu estava no banco,
04:26eu me segurei no banco para ser escriturária o máximo que eu pude.
04:30Porque eu tinha só seis horas de trabalho,
04:33não assumia grandes responsabilidades,
04:36eu dava conta do meu trabalho,
04:37o banco me pagava justamente o combinado.
04:41Por bastante tempo, eu quis ficar como escriturária,
04:46porque o que eu queria ser era assistente social.
04:48Eu fui ser assistente social gratuitamente
04:52em várias organizações não governamentais,
04:56creche, orfanato, asilo.
04:58O meu TCC na faculdade foi fundar um albergue noturno.
05:04Eu trabalhei nesse albergue por 43 anos,
05:06até que ele se desmontou, enfim.
05:10Então, eu tinha esse desejo de ser assistente social.
05:14Mas o banco é muito envolvente e muito garantidor mesmo.
05:19E eu garantia que meu pai me amava,
05:22porque eu era funcionária do Banco do Brasil.
05:26E não dava trabalho financeiro.
05:28E como assistente social, infelizmente,
05:31era uma descompensação salarial muito grande.
05:35Então, eu resolvi me dedicar a uma coisa que eu gostava,
05:38de graça.
05:40Que aí eu não tinha que me preocupar.
05:42E eu honrava o meu trabalho com o banco.
05:44Mas, na medida em que o tempo ia passando,
05:46o banco vai fazendo pressão.
05:48Os mais antigos, você já está lá e tal.
05:51Então, vai fazer curso.
05:52Eles oferecem muitas oportunidades.
05:54Eu já era contabilista,
05:57porque eu fiz o técnico de contabilidade.
06:00Eles me deram outras oportunidades na contabilidade.
06:04E, apesar de gostar do serviço social,
06:06eu era muito boa na contabilidade.
06:07Eu aprendia a fazer.
06:09E acabei, por muito tempo,
06:12sendo a fechadora do balanço,
06:14da agência, aquela coisa toda.
06:17E aí, você tem que ter cargo de comissão.
06:19E aí, vai trabalhar oito horas.
06:20Aí, você vai se envolvendo com as atividades do banco.
06:23Paralelo a isso, eu casei,
06:25porque eu tinha que seguir o script.
06:28Então, vai trabalhar, cresce, casa, tem filho.
06:32Esse era o script da minha casa.
06:36E aí, para eu pertencer a esse sistema,
06:38foi maravilhoso.
06:39Eu me apaixonei por um estudante de medicina na época.
06:44E, como eu trabalhava no banco,
06:45a gente pôde casar.
06:47Porque ele era estudante,
06:48mas eu já tinha uma carreira.
06:51E daí, a gente já podia casar.
06:53Ficamos quatro anos casados.
06:55Eu me dedicando muito ao serviço social e ao banco.
06:58E casada.
06:59Era muito gostoso.
07:00Até que a gente decidiu ter o nosso primeiro filho.
07:04E tivemos uma linda menina.
07:07Que foi espetacular.
07:10Quando ela tinha um ano de idade,
07:12eu consegui convencê-lo a ter o segundo.
07:15Porque, nessa altura, ele já era um médico pediatra.
07:19Ele já estava aí.
07:20Ele era neonatologista de alto risco.
07:23Então, ele já ia fazendo umas especializações.
07:27E ele queria fazer carreira acadêmica.
07:30Aquela coisa toda.
07:31E eu queria montar a minha família.
07:33E aí, ao convencê-lo,
07:36imediatamente a gente engravidou.
07:40Muito legal.
07:41Então, vamos ter filhos um atrás do outro.
07:44A minha mãe, em seis anos, teve cinco filhos.
07:48Então, eu tinha um modelo de que podia ser rápido,
07:50que dava certo.
07:53E aí, bom,
07:53Quando eu estava grávida, já de sete meses,
07:56a minha mais velha, com um ano e oito meses,
07:58estava indo tudo.
07:58Muito bem, obrigado.
08:00Ela tem a primeira crise convulsiva.
08:02Que a gente nunca soube de onde veio.
08:05O que aconteceu.
08:07Eu acordei de manhã e fui trocá-la para ir para a escola.
08:12Eu tinha que trabalhar.
08:14E ela, no meu colo, tomando a sua mamadeira,
08:17já virou o olhinho.
08:19Já ficou durinha.
08:20Eu nunca tinha visto aquilo.
08:22Achei que ela tinha engasgado.
08:24Olha, foi horrível.
08:26Imagina.
08:27Aí, bom, vamos ao médico.
08:28Acha, procura, já interna,
08:31já vê o que é.
08:32Faz tudo quanto ao exame.
08:34Não tinha nada.
08:35Foi só um acidente.
08:36Não aconteceu nada.
08:37Talvez uma febre que você não percebeu.
08:39Bom, enfim.
08:40Ficou quatro dias internada.
08:42Quando chegou em casa,
08:43e falei, bom, e agora?
08:44O que eu faço?
08:45Nada.
08:45Dá esse remedinho.
08:46Vai passar.
08:48Nunca passou.
08:48Hoje ela tem 43 anos e convulsão.
08:51Nunca passou.
08:53Não é o nome dela?
08:53Beatriz.
08:54Beatriz.
08:55E a Beatriz é aquela que traz felicidade.
08:59É isso que significa o nome, né?
09:01Porque eu queria a Beatriz como filha.
09:06E aí, bom, foi uma confusão.
09:09Eu já estava grávida,
09:11então já não podia mais voltar no assunto.
09:14Quando eu estava grávida de oito meses,
09:15ela com um ano e nove meses,
09:17ela entrou em estado de mal epilético.
09:18Entrou em coma.
09:20Essa história de põe remédio,
09:21tira remédio,
09:22aumenta a dose,
09:23tira a dose.
09:24Ela não parava de convulsionar.
09:26Então, vamos mudar aqui,
09:27vamos tirar aqui.
09:28Nisso,
09:29ela teve oito crises subentrantes, né?
09:32É uma crise dentro da outra.
09:34Nem se recupera de uma,
09:35já acontece outra.
09:36E entrou em coma,
09:37em mal epilético.
09:40Ficou hemiparética.
09:41Ela perdeu o lado direito.
09:43E ela era destra.
09:44Bom, ficou sete dias internada.
09:48E aí, o que faz?
09:49E daí volta.
09:50Bom, enfim.
09:50E você no final de gravidez.
09:52Eu estava com oito meses de gravidez.
09:55Voltamos para casa,
09:56sem diagnóstico.
09:58Só que agora,
09:59ela tinha uma hemiparisia.
10:01Já tinha voltado bastante, né?
10:04Ela já andava,
10:06já mexia,
10:07já voltou a falar.
10:09Parecia que ela tinha ficado esquisita.
10:11Mas não,
10:12não ainda
10:13é deficiente intelectual.
10:15A gente não percebia isso,
10:17nem os médicos.
10:18Não, vamos fazer terapia,
10:20vai passar.
10:22Bom,
10:22um mês depois,
10:23nasceu a Estela,
10:24minha segunda filha.
10:26Eu queria, né?
10:27Um monte de meninas,
10:28porque meu pai era feminista,
10:30queria seguir aí a ideia.
10:32Fiquei super feliz
10:33que a Estela tinha nascido.
10:35Mas no primeiro ano de vida da Estela,
10:37a Beatriz convulsionava
10:38vinte vezes por dia.
10:41Eu tinha uma bebê recém-nascida
10:43e uma menina
10:44que não podia sair da minha mão ali,
10:46porque de hora em hora,
10:48e crise convulsiva,
10:49desmaias,
10:51treme,
10:51é muito feio.
10:53E eu nunca sabia
10:54se ela ia morrer naquela crise, né?
10:56Era uma coisa assustadora.
10:58E vai para médico
10:59e muda de remédio.
11:01Bom,
11:01quando ela tinha quase quatro aninhos,
11:03a gente encontrou
11:04o doutor Salomão Schwartzman.
11:05Aqui eu rezo,
11:07ele tem noventa anos,
11:08e eu digo,
11:09você vai chegar a duzentos
11:10de tanto que eu rezo por você
11:12e agradeço.
11:14Ele me disse,
11:16nós vamos apostar
11:16na carinha dela,
11:18porque esses diagnósticos
11:19aqui de exames,
11:21vamos apostar na cara dela.
11:23Ela tem uma carinha muito boa
11:25para ter tudo isso
11:26de doença.
11:27E aí ele foi tirando o remédio,
11:29foi mudando,
11:30ela começou a convulsionar
11:32três,
11:34quatro vezes por dia.
11:36Depois,
11:37uma vez por dia.
11:38Bom,
11:38foi um milagre.
11:39Um grande avanço.
11:40Foi uma coisa espetacular.
11:42Mas nesse um ano
11:43de vida,
11:44dos dois aos três anos,
11:46ela foi perdendo habilidade,
11:48porque eram muitas convulsões,
11:50né?
11:50Era de hora em hora.
11:51Aí a escola já não aceitava
11:53mais ela.
11:55Eu passei um período
11:56bem grande
11:57procurando escola,
11:58nem escola
11:58para deficiente,
12:00para excepcionais
12:02na época que eles chamavam,
12:03né?
12:03Desculpa de interromper,
12:04isso era década de 70?
12:06Ela nasceu em 82.
12:07Ah,
12:08início da década de 83.
12:09Mas era outra realidade.
12:10Era outra.
12:11Hoje,
12:11em todos os sentidos.
12:12E aí nem as escolas
12:13para excepcionais,
12:15né?
12:15Que eles chamavam,
12:16não aceitavam,
12:17porque ela convulsionava muito.
12:19Era um risco, né?
12:20Cair até morrer, né?
12:22De um tombo.
12:23Então foi uma luta.
12:25E nesse meio do caminho,
12:26ela vai crescendo
12:28e a Estela vai crescendo também
12:30e mostrando uma genialidade.
12:33Ela tinha um...
12:35Então eu tinha uma menina
12:37super dotada na minha casa.
12:39A Estela.
12:40A Estela.
12:41E uma menina
12:42com uma deficiência cognitiva
12:46bem importante.
12:47A Beatriz.
12:48A Beatriz,
12:49inclusive fisicamente, né?
12:51Foi uma...
12:53Nossa,
12:53foi um exercício
12:54de vida
12:55sensacional.
12:57Eu imagino
12:58e o quanto
12:58se traduz em amor.
13:00Aí você...
13:01E fomos indo, né?
13:02Mudou a vida.
13:03Eu fui indo
13:04completamente.
13:06Só o que prevaleceu
13:08foi o banco,
13:10porque o banco
13:10me dava uma estrutura
13:12pessoal,
13:14inclusive.
13:15Porque na minha casa
13:16eu não acertava nada.
13:18Porque nada
13:18dava certo.
13:19com nenhuma das duas.
13:21Eu e o meu marido
13:22nos matávamos, né?
13:23Porque ele,
13:24ele um cientista,
13:25um médico...
13:26Profissional da medicina,
13:27da saúde.
13:28Olhando pra mim
13:29e dizendo,
13:29Heloisa,
13:30ela não tem cura.
13:32E eu dizendo,
13:33amor de mãe,
13:34cura.
13:35Eu vou achar.
13:37Bem,
13:37eu fiz todas as simpatias
13:38que me ensinaram.
13:40Eu fui em todos os templos religiosos.
13:42Eu fiz tudo,
13:44tudo o que me falaram.
13:45Porque eu dizia,
13:45bom,
13:46de repente eu não vou ouvir esse
13:47e é esse que vai me salvar.
13:50E ele,
13:51louco, né?
13:53Dizendo,
13:53ela tem que tomar anticonvulsivante
13:55e ter uma vida
13:56possível,
13:58limitada.
13:59Eu dizia,
13:59não,
13:59não é possível.
14:00Bom,
14:01brigamos,
14:02foi um horror.
14:03Quando ela tinha oito anos de idade,
14:05eu já estava perdida,
14:06isso em 1990,
14:08perdida com as duas.
14:09Porque eu tinha uma de seis anos
14:10que parecia que tinha vinte
14:11e uma de oito
14:13que parecia que tinha dois.
14:15e eu não sabia lidar
14:17nem com uma nem com outra,
14:18nem eu,
14:19nem ninguém.
14:20O pai também não sabia,
14:21os médicos também não sabiam
14:23o que fazer.
14:23Bom,
14:23enfim.
14:25O Salomão
14:26estava assessorando
14:28uma moradia assistida
14:30que estava vindo para o Brasil,
14:32nova,
14:34uma ideia de kibbutz
14:35de Israel
14:36e tarará,
14:36tarará,
14:38e me falou,
14:38puxa,
14:39mas você podia gerenciar lá.
14:41Você tem um perfil gerencial,
14:42você podia,
14:43eu me encantei com a ideia
14:46porque eu falei,
14:47puxa,
14:47eu posso trabalhar num lugar,
14:49primeiro que eu vou ser
14:49assistente social lá,
14:50quer dizer,
14:51eu vou usar meus conhecimentos,
14:53eu vou usar meus conhecimentos
14:54de gerência,
14:55o banco me deu muitos recursos
14:57para isso,
14:58e vou ficar perto da minha filha.
15:01Pronto,
15:02resolvido.
15:03Ela não podia frequentar
15:04porque ainda é criança,
15:05mas no futuro,
15:06enfim.
15:08Fui lá fazer o treinamento,
15:09conhecer,
15:10ver os,
15:12porque ainda não tinha
15:13começado.
15:15Três meses depois,
15:16quando ia inaugurar
15:17e que eu tinha que dizer sim,
15:19ou me retirar
15:21e parar de atrapalhar o povo,
15:22eu disse não.
15:27Falei,
15:28não dá para sair do banco.
15:30Era 1990,
15:31cinco anos depois
15:32eu ia pedir demissão,
15:33mas até então eu não sabia.
15:34Era o lado tranquilo
15:36da sua vida
15:36naquele momento,
15:37o seguro.
15:38Eu tinha garantia de emprego,
15:40garantia de serviço e saúde,
15:41eu sabia fazer
15:43o que eu estava fazendo.
15:44O único lugar
15:45que eu sabia
15:45o que eu estava fazendo
15:46era no banco.
15:48Porra,
15:48o resto eu não sabia
15:49o que eu estava fazendo.
15:51Mas quando eu entrava
15:52no banco,
15:53eu falava,
15:53ah,
15:53eu sei fazer isso aqui.
15:55E quando eu saía,
15:56eu dizia,
15:56eu entreguei.
15:58E eu entregava
15:58meu trabalho,
15:59então parecia
16:01que eu era esperta.
16:02E fora,
16:03na minha casa,
16:05tudo dava errado.
16:07A minha relação
16:07com meu marido,
16:08só quem sobrou
16:09foi meu pai e minha mãe.
16:11Eles nunca
16:12largaram da minha mão.
16:13Eles fizeram críticas,
16:15eles brigaram,
16:16eles me sacudiram.
16:17Não é a pena que você é a mãe
16:17que você está contando aqui.
16:20Eles me sacudiam,
16:21mas não largaram da minha mão.
16:24E eu fui fazendo
16:25todas as bobagens possíveis.
16:27Eu fui buscar os índios
16:28no Amazonas,
16:30eu levei a Beatriz lá.
16:31Eu fui no interior do Paraná
16:33para um médico
16:34não sei das quantas.
16:35Eu fiz...
16:36Olhando hoje,
16:38parecem bobagens,
16:39mas você está
16:39numa situação
16:40de buscar qualquer...
16:43Imagina você
16:44que eu levava a Beatriz
16:45para esses lugares
16:46e a Estela
16:46debaixo do braço.
16:47Claro.
16:48E o pai dizendo,
16:49você vai matar essa menina.
16:52Isso eu vou achar
16:53a cura para ela.
16:54Bom,
16:55quando eu falei não
16:57para esse lugar,
16:59era uma série de profissionais,
17:00era todo mundo muito...
17:01Enfim,
17:03eu disse não.
17:04Eu não vou conseguir abraçar,
17:05isso aqui é muito grande.
17:07Ou é isso,
17:08ou é o banco.
17:09Eu vou ficar com o banco.
17:11E aí,
17:12aquela que mais
17:14trabalhou comigo,
17:15tadinha,
17:15usou um tempo
17:16incrível da vida dela,
17:18ela disse para mim,
17:19ai,
17:19que pena,
17:21você não vai atrás
17:22dos seus sonhos.
17:24Isso foi
17:24a pergunta
17:26fulminante
17:27da minha vida.
17:27Até hoje,
17:28ninguém fez uma pergunta
17:29tão poderosa
17:30como essa.
17:32Eu enlouqueci
17:34com essa pergunta.
17:35porque eu me dei conta
17:36que eu só tinha
17:37prognóstico,
17:38a única coisa
17:39que eu tinha na vida
17:40é que eu ia ficar
17:41o resto da vida
17:42cuidando daquela menina.
17:43O meu futuro era
17:45andar na praia
17:46bem devagarinho
17:48e cuidar dela.
17:51Era eu velhinha,
17:52ela deficiente,
17:54era isso que eu
17:54vislumbrava.
17:56E totalmente sozinha,
17:57abandonada por todo mundo,
17:59era o meu futuro.
18:00quando ela me
18:01falou aquilo,
18:03eu vi
18:03o meu futuro,
18:05o que eu tinha
18:05planejado pra mim.
18:07E eu disse,
18:08nossa.
18:10E aí,
18:11eu comecei a chorar
18:11na frente dela,
18:12assim,
18:13compulsivamente,
18:15foi um...
18:15E ela disse,
18:16ai,
18:16você precisa fazer
18:17o processo Hoffman.
18:19Como eu,
18:19tudo que me mandavam fazer,
18:22você topava,
18:23eu achei que fazer
18:24o processo Hoffman
18:25ajudava a Beatriz.
18:27O meu problema era,
18:29nessa altura,
18:29eu já tinha um problema
18:30com a Estela.
18:32Porque no meio
18:33daquela confusão,
18:34seis anos de idade,
18:35uma menina genial,
18:37completamente sacrificada
18:39por toda aquela situação,
18:41eu já tinha problema
18:42com as duas.
18:43Eu disse,
18:43eu vou aprender
18:46umas técnicas,
18:47vou saber alguma coisa.
18:49Nem tive dúvida,
18:50fui lá.
18:51Não perguntei
18:52o que era.
18:53sete dias
18:55sem telefone.
18:56Hoje é sem celular,
18:58mas naquela época...
18:59Era sem telefone.
19:00Tinha um telefone...
19:01Tem contato
19:02no seu emergencial.
19:03Um telefone
19:04no hotel inteiro
19:05com um cadeado.
19:07Eu conto
19:07para os alunos
19:08brincando,
19:08você abre aquele
19:09telefone cinza,
19:10se você procurar no Google
19:11tem um museu
19:12que fala dele e tal.
19:13Ainda tinha um cadeado lá,
19:14ainda tinha X ali.
19:17Bom, enfim.
19:19Fui para lá
19:19sem saber
19:20do que ia ser,
19:21achando que assim,
19:23vou aprender técnicas.
19:25A metodologia
19:26é tão inteligente,
19:27é tão inteligente,
19:28ela vai rompendo
19:30as nossas barreiras,
19:32ela vai fazendo perguntas,
19:34você vai voltando
19:35para a sua história,
19:36vai voltando
19:36para a sua infância.
19:38Eu me lembrei
19:39que eu tinha filho,
19:41que eu era casada,
19:42que eu tinha banco,
19:44quatro dias depois.
19:45É uma metodologia
19:48100% focada
19:49no seu autoconhecimento.
19:50É só você.
19:51Só tem você
19:52na sua história
19:53desde a sua concepção.
19:55E aí eu fui descobrindo,
19:56quando eu falo
19:57que eu sou a filha rebelde,
19:58eu não sabia.
19:59Eu fui vendo lá
20:00qual era o meu papel
20:02naquele sistema familiar,
20:03como que eu tinha
20:04que perturbar meus pais,
20:06porque a minha irmã
20:06era perfeita.
20:08E quando você tem
20:09um irmão perfeito,
20:10você tem que dar
20:11um jeito de ganhar dele, né?
20:12E eu consegui,
20:13porque eles falavam
20:14mais de mim do que dela,
20:16porque eu estava
20:17sempre aprontando alguma,
20:18eles falavam de mim,
20:19eu falava,
20:20sou importante aqui.
20:22Só que paguei
20:23um preço muito alto, né?
20:24Era surra,
20:26era castigo,
20:26era um monte de...
20:28Daquele jeito
20:28que se educava filho.
20:31E eu fui me construindo
20:33uma mulher muito dura,
20:34muito brava,
20:35exatamente como eles, né?
20:37E eu era muito exigente,
20:39muito cobradora,
20:40muito...
20:41E eu fui vendo
20:42que eu estava
20:42num sacrifício
20:43com as minhas filhas,
20:44porque eu cobrava de mim
20:45e cobrava delas.
20:47Como nossos pais.
20:48Exatamente.
20:49E cobrava do marido
20:50e era um...
20:53É...
20:53Hoje eu desenho
20:54meu pai
20:55como um tiranossauro.
20:57A partir, né?
20:58Meu pai foi um homem
20:59maravilhoso.
21:00Mas ele era bravo
21:01e grande.
21:03E quando eu fui pra lá,
21:04eu me dei conta
21:05que eu era uma tiranossauro
21:06e eu não tinha visto.
21:07As minhas filhas
21:08morriam de medo de mim.
21:09E eu não tinha percebido isso.
21:11E eu tinha uma filha
21:12ineficiente intelectual.
21:13Como é que eu podia
21:14exigir?
21:16Mas, na minha cabeça,
21:18se eu não exigisse,
21:20ela não ia pra frente,
21:21ela não ia...
21:22Só um parênteses,
21:24num aniversário dela,
21:25o meu irmão falou assim,
21:26o que você acha
21:27que eu dou pra B?
21:28E aí eu falei assim,
21:29ah, dá um joguinho,
21:31um Lego,
21:32uma coisa de montar e tal.
21:34Ele olhou pra mim e falou assim,
21:35ela não pode ter uma boneca?
21:37Ela não podia ter uma boneca,
21:44ela tinha que fazer
21:45aqueles cubinhos,
21:46ela tinha que juntar
21:47o amarelo com o amarelo,
21:48né?
21:48Era essa coisa
21:49muito exigente.
21:51Brincar de boneca
21:52não ia trazer nada
21:53pra ela.
21:54E o meu irmão
21:55me alertou isso,
21:56ela não pode brincar de boneca.
21:57E nesse curso,
22:02eu fui me vendo,
22:04eu fui me assistindo,
22:05porque é só isso que você faz,
22:07com técnicas.
22:08Você vai entrando,
22:09são técnicas subentrantes,
22:11você terminar uma,
22:12começa a outra,
22:13terminar uma,
22:14começa a outra,
22:14só que você é tudo aqui,
22:15ó,
22:16vai vindo,
22:17vai vindo,
22:17vai vindo,
22:18num determinado momento,
22:20eu digo que o processo,
22:21a gente sobe uma montanha,
22:23a gente vai subindo,
22:24subindo,
22:25subindo,
22:25no alto da montanha,
22:26você encontra o perdão.
22:29O perdão.
22:30Daí você chegou no perdão.
22:31É nesse lugar.
22:33E o perdão é uma experiência,
22:36é uma,
22:36é uma inteligência que a gente tem.
22:40Pouco aproveitada.
22:42Não,
22:42pouco conhecida.
22:44Pouco conhecida.
22:45Porque nós temos muito medo.
22:48E,
22:48e o medo nos impede
22:51de viver a liberdade do perdão.
22:53Porque parece
22:55que o Algoz tem que pagar a conta.
22:59E eu preciso adoecer
23:00para o Algoz saber
23:02o que ele fez.
23:04Para ele nunca esquecer.
23:07E eu adoeço.
23:10E isso,
23:11se a gente olhar para a infância,
23:13e descobrir
23:14que nós somos
23:15copia e repetição
23:16dos nossos pais,
23:17e todos nós somos,
23:19é cruel demais.
23:22Porque daí eu quero
23:23que eles paguem a conta.
23:25Então,
23:25eu não vou ser feliz.
23:26Eu não gosto em mim mesmo.
23:28Exatamente.
23:28Então,
23:29eu não vou ser feliz
23:30para eles terem culpa.
23:33E eles sofrem comigo.
23:35E eles dizem,
23:35coitada da Heloísa.
23:37E eles querem fazer
23:38tudo o que eles podem
23:39para me salvar.
23:40E eu digo,
23:41não,
23:41vocês tinham que ter feito isso
23:42na minha infância.
23:43Só que eu não sei
23:44que eu estou fazendo isso.
23:45É tudo inconsciente.
23:46No processo,
23:48você fica cheio de espelho.
23:50A inconsciência
23:50vem à tona.
23:51Você vê.
23:52Você descobre.
23:53Você começa a se descobrir
23:54de um jeito.
23:56E eu falo,
23:56nossa,
23:58a primeira experiência
23:59é poder soltar
24:00a infância.
24:02O Bob Hoffman,
24:03que criou o processo,
24:04ele diz,
24:05nós somos programados.
24:08Isto é,
24:08é um programa,
24:09como de computador.
24:11Nós não temos
24:12neurotransmissores
24:14suficientes ainda
24:15quando a gente nasce.
24:16a gente ainda não tem
24:17células nervosas
24:18amadurecidas.
24:20E eles nos criam.
24:22Eu falo,
24:22gente,
24:22esse verbo é tão poderoso,
24:24os nossos pais
24:25nos criam.
24:26De verdade,
24:28criam.
24:29A gente vira,
24:30cria deles.
24:32Exatamente.
24:33E eles dão
24:34o melhor deles.
24:35Que é mais dentro
24:36do modelo mental deles.
24:38Só que eu não sei
24:39que é modelo mental deles.
24:40Eu aprendi.
24:42E eu vou para a minha vida adulta
24:43achando que é meu.
24:44numa repetição
24:47que para eles funcionou,
24:48para mim não funciona.
24:50Eu estou numa outra época.
24:51Eu estou vivendo outra coisa.
24:53Mas eu estou com o mesmo
24:54modelo mental.
24:54Oi, Luísa.
24:56Está dando muito nó bacana.
24:58Desculpa,
24:58vou mudar.
24:59Não, não é.
25:00Nenhum problema.
25:01Ao contrário.
25:01Está dando muito nó bacana.
25:03Mas aqui eu tenho uma...
25:04Eu quero sair um pouco
25:05porque eu quero entender
25:07o seguinte.
25:08Quando você se descobriu
25:09no método Hoffman,
25:10no processo Hoffman,
25:11assim que parece.
25:12Devemos falar, né?
25:14No processo Hoffman,
25:16você aí mudou a sua vida,
25:17a sua carreira, tudo?
25:18Mudei tudo
25:19porque no perdão
25:20eu pude ajeitar
25:22a minha infância,
25:24ganhar maturidade
25:26e consciência
25:27da Heloísa adulta,
25:28me perdoar
25:31porque a hora
25:31que eu pude olhar
25:32aquela mãe maluca
25:34que eu fui,
25:35o nível de cobrança,
25:36de exigência
25:37e de não aceitação
25:39da minha filha.
25:41Maluca são suas palavras.
25:42Mas olhando assim,
25:43acho que não tem...
25:45Gente,
25:45foi muita judiação.
25:48Quando eu dei de cara
25:49com essa mãe
25:50que queria
25:51que a minha filha
25:52se curasse,
25:54não por ela,
25:55por mim.
25:58era eu
25:59que não aceitava.
26:01Era eu
26:01que queria a Beatriz
26:02de volta.
26:03Sem o menor respeito
26:05por ela.
26:07Poder olhar pra isso
26:08e falar,
26:09e agora?
26:10E me perdoar
26:11por isso?
26:12E falar,
26:13você fez o que foi possível.
26:15E aí você mergulhou.
26:17Aí,
26:17eu pude perdoar a Beatriz.
26:19Sim.
26:20Eu pude perdoar a Estela
26:21que me dava um trabalho.
26:22Eu falava,
26:23gente,
26:23eu prefiro uma dúzia
26:24de Beatriz
26:24a uma Estela.
26:25Porque o que eu faço
26:27com uma menina
26:27que pensa
26:28500 anos lá na frente?
26:31Que eu era medíocre
26:32perto dela.
26:34E eu falava,
26:34o que eu respondo agora?
26:36E ela ainda punha
26:37a mãozinha assim
26:37na cintura
26:38pra me confrontar.
26:40Fui,
26:41fui tão espetacular
26:43que eu olhei
26:45pra minha vida
26:46de outro ponto de vista.
26:47O perdão
26:47dá esse nível
26:49de consciência.
26:51Você olha e fala,
26:52cara,
26:52a gente pode fazer
26:54tudo diferente.
26:55eu posso
26:58com a mesma força
26:59e com a mesma coragem
27:00tratar bem
27:03as pessoas.
27:05Mas a minha
27:06tiranossaura
27:07eu continuo
27:11sendo provocativa.
27:13Só que agora
27:14eu provoco
27:14de propósito
27:16e
27:17mansamente.
27:21antes eu provocava
27:23porque eu era
27:23dona da razão.
27:25As pessoas tinham que
27:25eu confrontava
27:26médico.
27:27Você não sabe
27:28o que você está falando?
27:29E aí voltar
27:33pra esse lugar
27:35de consciência.
27:37Primeiro,
27:38ninguém é o que é
27:39porque quer.
27:41Nós somos
27:42consequência
27:45da nossa infância.
27:47Só que nós não sabemos.
27:49e se não sabemos
27:51nós inventamos
27:53uma coisa
27:54e vamos dando
27:55cabeçada
27:56na vida
27:57como a gente
27:58está assistindo aí,
27:59né?
28:00E foi o que eu fiz.
28:02Poder olhar
28:03pra isso
28:04e
28:04sair
28:06da minha
28:06família
28:07e olhar
28:09pras empresas,
28:12pros negócios,
28:13foi isso.
28:15Vamos dar um salto.
28:16Um caminho maravilhoso.
28:17Vamos dar um salto
28:18tempo.
28:19Depois
28:19a gente se aprofunda
28:21de novo aqui.
28:22Mas você
28:23hoje
28:24é CEO
28:25do processo
28:26Hoffman
28:27no Brasil.
28:28Isso.
28:29Onde ele se aplica
28:30e onde é
28:31que você
28:32trabalha
28:33para
28:34olhando as pessoas,
28:35executivos,
28:36empresas,
28:37vida pessoal
28:38dos profissionais,
28:39enfim?
28:39O processo
28:40ele é um curso livre
28:41de autoconhecimento.
28:43Ele não está ligado
28:44a nenhuma escola
28:44do conhecimento humano.
28:46Ele é do Bob Hoffman,
28:47tem uma organização
28:48específica nos Estados Unidos
28:50criada por ele
28:51e hoje ele está
28:52em 16 países.
28:53Eu sou
28:54uma
28:54das licenciadas.
28:59Esse
28:59método
29:02ele é aberto.
29:04Então,
29:04nós temos
29:05dentro de um curso
29:06entre 20
29:07e 40 pessoas.
29:09Eu só atendo
29:10no máximo
29:1040 pessoas.
29:12Por turma,
29:13digamos assim.
29:13turma.
29:14Que ficam lá
29:15no nosso hotel
29:16sete dias.
29:17E onde fica?
29:18Em São Paulo?
29:18Em Cabreúva.
29:19Cabreúva.
29:20Pertinho entre
29:21Jundiaí e Itu.
29:22Não, é nosso.
29:23A gente aluga o espaço.
29:26Eles chegam,
29:27por exemplo,
29:28numa sexta-feira.
29:29O processo
29:30começa no sábado
29:31e termina na outra
29:32sexta-feira à noite.
29:34Eles têm que entregar
29:35todas as...
29:37Tudo.
29:37Celular,
29:38notebook,
29:39tudo.
29:40qualquer caminho
29:42de ligação externa.
29:44Eu brinco lá
29:44que nem sinal
29:45de fumaça
29:46não pode.
29:47Porque
29:48o processo
29:49é processo.
29:50É para dentro.
29:51Então,
29:52nenhuma distração.
29:53E as pessoas
29:54que fazem
29:55são pessoas físicas.
29:56Físicas.
29:57Você não faz
29:57um trabalho
29:58para alguma empresa
29:59específica.
29:59Faço,
30:00mas não
30:01para o processo.
30:02O processo,
30:04o que eu tenho lá?
30:05Empreendedores,
30:06CEOs,
30:07médicos,
30:08dentistas,
30:08advogados,
30:09estudantes,
30:10donas de casa...
30:11Cada um com a sua história
30:12e sua vida.
30:13É uma mistura.
30:15E isso dá um...
30:16Nossa,
30:17dá um produto
30:19lá dentro
30:20da turma.
30:21Nós vamos partir
30:23do princípio
30:23de que
30:25nós e o outro
30:26é uma grande saída
30:29do crescimento humano.
30:31Que nós não existimos
30:32sozinhos.
30:33Nós existimos
30:34com o outro.
30:35E esse outro
30:36no processo
30:37é muito colaborativo.
30:38então as histórias
30:40se misturam,
30:41os conhecimentos,
30:43enfim.
30:44É totalmente sigiloso.
30:46Então a pessoa
30:46conta só
30:47o que ela quiser
30:49para os outros
30:50e claro que ela
30:51precisa contar
30:51para o profissional
30:52que vai atendê-la.
30:54Nós somos
30:54uma equipe
30:55de profissionais
30:57que atendemos
30:59em média
30:59entre seis e oito
31:00alunos
31:01dentro desse grupo
31:02de quarenta
31:03e ficamos
31:05com o todo
31:05e no particular
31:07num grupinho
31:08individual,
31:09no grupão
31:10a técnica
31:11vai levando a gente.
31:13São oitenta
31:14horas de trabalho
31:15então
31:16por muito tempo,
31:18por vinte anos
31:19eu só fiquei ali
31:21atendendo
31:23aquelas pessoas,
31:24ouvindo as histórias,
31:25aprendendo,
31:27pegando muito
31:28a mão,
31:29muita experiência
31:29experiência
31:30de gente.
31:31Até que me convidaram
31:33para escrever um livro.
31:34A Roseli Boschini,
31:36a CEO da editora Gente,
31:38se você tem tanto conteúdo,
31:39tem tanto conteúdo,
31:39porque todos os
31:40chiniachis
31:41fizeram o processo
31:42Hoffman como aluno,
31:43aliás,
31:44um monte de gente,
31:44esses players todos
31:46foram meus alunos.
31:49Você tem muito conteúdo,
31:50escreve, escreve,
31:52não,
31:52não vou escrever
31:53porque eu só sei falar,
31:54não escrevo,
31:55sou do processo,
31:56enfim.
31:57E aí eu tive um câncer
31:58de mama,
32:00quando eu recebi a notícia
32:02de que eu não precisava
32:03fazer a quimioterapia,
32:05no mesmo dia
32:06eu recebi a notícia
32:07de que meu filho,
32:08meu terceiro filho,
32:10estava com
32:12um linfoma de Hodgkin's
32:14e era ele
32:15que tinha que fazer
32:16a quimioterapia.
32:19Nesse meio do caminho
32:20eu tive
32:21uma pessoa
32:22que fez uma confusão
32:24na empresa
32:25e levou
32:26todo o dinheiro.
32:27eu fiquei
32:28insolvente
32:29em tratamento
32:32de câncer
32:32com meu filho
32:33no hospital.
32:35Quando
32:36tudo isso
32:37mais ou menos
32:38se organizou
32:39eu chamei a Rosília
32:40e falei assim
32:40eu vou escrever um livro.
32:42Eu vou escrever
32:43o mapa da felicidade.
32:44É o seu primeiro livro?
32:46Eu sei
32:46que tem um mapa.
32:48Tem
32:49um
32:50processo.
32:51Independente
32:52do que você passa
32:53tem um caminho.
32:54Você pode ser feliz.
32:55porque foi exatamente
32:56isso que eu fiz.
32:57Eu dei conta
32:58achando que não ia
32:59mais acontecer nada
33:00que eu já estava
33:01deu toda essa confusão
33:03e eu fiquei em pé
33:04dei conta
33:06continuei trabalhando
33:08fui fazer.
33:09Eu falei
33:09eu sei
33:10eu sei contar
33:11isso aí para as pessoas.
33:12E aí eu escrevi o mapa.
33:14O mapa
33:14veio tão
33:15das minhas entranhas
33:16que eu escrevi
33:16no hospital
33:17meu filho
33:19fez nove meses
33:20de tratamento
33:20ficou nove meses
33:21ótimo
33:22e aí entrou
33:22numa recidiva
33:23recidiva
33:24aí
33:26na recidiva
33:29ele tinha que fazer
33:30autotransplante
33:31o autotransplante
33:33judia muito
33:33ele é maravilhoso
33:34ainda bem
33:35mas
33:36você tem que
33:37destruir todas as células
33:39da pessoa
33:40tirar o sangue
33:42tirar o sangue
33:43destruir todas as células
33:44e depois
33:45foi muito penoso
33:47e nesses três meses
33:49de tratamento
33:49eu escrevi o livro
33:50no hospital.
33:51quase que
33:52saindo
33:54foi saindo
33:54eu sabia
33:56eu sabia
33:57ele fez
33:59um maior sucesso
34:00ele foi
34:01best seller
34:01muitas vezes
34:02sem a gente
34:03porque ele foi
34:05aí
34:06a editora
34:08falou assim
34:08puxa
34:09você sabe escrever
34:10as pessoas compram
34:11seu livro
34:11deu tudo certo
34:12escreve outro
34:13eu falei assim
34:15no mapa
34:16tem um capítulo
34:18sobre a raiva
34:18que ela é muito
34:20importante
34:20e um capítulo
34:22sobre perdão
34:22mas aí
34:25eu disse pra eles
34:25mas um capítulo
34:26é pouco
34:27se eu posso
34:28escrever o que eu quero
34:29eu vou escrever
34:31um livro
34:31inteirinho
34:32sobre o perdão
34:33porque
34:34é
34:36perdoar a vida
34:37perdoar os acontecimentos
34:39foi isso
34:41que eu aprendi
34:42que é inteligente
34:44é assim
34:46já foi
34:46primeiro
34:47bateu na tua porta
34:49é seu
34:49pega
34:49pega
34:52toda a briga
34:54com a Beatriz
34:55foi eu não quero
34:56desse jeito
34:57a hora que eu
34:58abracei e disse
34:59é meu
35:00nossa
35:01ela continua
35:03sendo deficiente
35:04intelectual
35:04ela continua
35:05convulsionando
35:0643
35:07e hoje
35:10ela mora
35:10numa moradia assistida
35:12exatamente
35:13não aquela
35:14porque aquela
35:15era pra
35:16pra deficientes
35:17um pouco melhores
35:18ela é
35:18ela é grave
35:19né
35:20ela tem uma
35:21ela não tem
35:22nenhuma autonomia
35:23então
35:24se tiver
35:25o prato
35:26aqui
35:26ela sabe
35:27comer
35:27fazendo um monte
35:28de sujeira
35:29mas ela come
35:30sozinha
35:30mas ela não é capaz
35:31de se servir
35:32de pegar o prato
35:33de pôr
35:34né
35:34ela usa o banheiro
35:37ela pede
35:38pra fazer xixi
35:38e cocô
35:39mas ela não consegue
35:40ir sozinha
35:40a gente tem que
35:41ir com ela
35:41então
35:42ela não tem
35:44essa autonomia
35:45nenhuma
35:46ela precisa
35:47de ajuda
35:47o tempo todo
35:48então
35:48aquela moradia
35:49lá de
35:51proporciona pra ela
35:52não dava
35:53e hoje
35:53ela tem
35:54uma moradia
35:54maravilhosa
35:55são 48
35:56portadores
35:57de deficiência
35:58com
35:58com essas
35:59dificuldades
36:00essas ou outras
36:01né
36:02e ela
36:03hoje ela mora
36:04lá
36:04muito bem
36:05obrigada
36:06mas ela
36:09ela continua
36:09confucionando
36:10ela continua
36:11deficiente intelectual
36:12não resolveu o problema
36:13mas a minha
36:14relação
36:15com tudo isso
36:17mudou
36:17é isso que o perdão
36:19faz
36:19o perdão
36:20não faz
36:22a gente
36:22evitar
36:24os problemas
36:25mas
36:27a sua relação
36:28com ele
36:29e tudo
36:31que te acontece
36:32é sagrado
36:33é pra você
36:35é pra você
36:36crescer
36:36pra você mudar
36:38ainda ontem
36:39eu falei assim
36:40pra minha filha
36:40não sei o que ela
36:41me falou
36:41a minha caçula
36:42né
36:43porque ainda
36:43depois de toda
36:44essa história
36:44a gente ainda
36:45adotou a Eduarda
36:46que tem hoje
36:4720 anos
36:48é
36:49e o meu filho
36:51que tem 31
36:52fala assim
36:52mãe
36:52com a gente
36:53você só treinou
36:55o jogo mesmo
36:56é com ela
36:57né
36:57porque
36:57nossa
36:58como uma família
36:59deu trabalho
37:00hoje é não
37:01uma moça
37:02bacana
37:02pra caramba
37:03mas ontem
37:06eu não sei
37:06o que eu falei
37:06pra ela
37:07e ela
37:07ela me disse
37:08mãe
37:09mas é só
37:09você ficar quieta
37:10ela tava falando
37:11de férias
37:12eu falei
37:12não sei que mania
37:13que você tem
37:13de tirar férias
37:14e querer viajar
37:15tira férias
37:17e fica em casa
37:17eu gosto
37:18de ficar em casa
37:19não me importo
37:20com férias
37:20de ficar em casa
37:22então
37:23e você se incomoda
37:24de ficar em casa
37:25eu falei
37:25não é que eu me incomodo
37:26eu gosto muito
37:27mas
37:27mas tem uma vida
37:29acontecendo lá fora
37:31e você tá aqui
37:32no computador
37:33jogando
37:34né
37:34e é capaz
37:36de passar as férias
37:37inteiras
37:37desse jeito
37:38e eu não
37:39eu me incomodo
37:40porque assim
37:41eu não nasci
37:43pra não fazer nada
37:44e o perdão
37:46dá essa consciência
37:47pra você
37:48você
37:49impacta
37:51este mundo
37:53e você importa
37:56dizem os
37:57budistas
37:58que
38:00o perdão
38:02é o primeiro
38:03o mais importante
38:05passo
38:05do amor
38:06é
38:07e
38:08aliás
38:09tem uma
38:09duas
38:10dois conceitos
38:12budistas
38:12que eu adoro
38:13um deles
38:14diz
38:14que se eu eliminar
38:16o ódio do meu coração
38:17eu extermino
38:17todos os meus inimigos
38:18simplesmente porque eles
38:19deixam de existir
38:20né
38:21e também tem um conceito
38:23de que
38:23se dois amigos
38:25podem virar inimigos
38:26por que que dois inimigos
38:27não podem virar amigos
38:28não é
38:29e é esse o seu trabalho
38:30hoje
38:30de ensinar
38:32ou desenvolver
38:33ou incentivar as pessoas
38:34pra olhar o outro
38:35sem
38:37sem pieguismo
38:38sabe
38:39Leonel
38:40eu sempre digo isso
38:41o perdão
38:41primeiro que ele é
38:43arreligioso
38:44ele é uma inteligência
38:45que você tem
38:46você se liberta
38:48do seu algoz
38:49qualquer crime
38:51pode ser perdoado
38:52porque o perdão
38:54não é pro algoz
38:55o perdão serve
38:56pra vítima
38:57sou eu
38:58que solto
38:59a minha algema
39:00se ele fica
39:01ou não
39:02é dele
39:03mas eu solto
39:04eu fico livre
39:05do meu inimigo
39:06eu posso seguir
39:08né
39:09a minha vida
39:09como eu quiser
39:10você fica livre
39:11do seu inimigo
39:12porque ele deixa de existir
39:13é porque
39:14não é mais inimigo
39:15não preciso
39:15você não tem esse conceito
39:16inimizade
39:17depende de sua mão dupla
39:19e depois assim
39:19é verdade
39:20ele bateu
39:21é verdade
39:22ele me deu um tapa
39:23é
39:23eu não quero mais
39:26tomar esse tapa
39:27então
39:27eu não preciso
39:28conviver com ele
39:29eu tenho que me proteger
39:31é
39:33mas eu posso
39:34deixar ele lá
39:35ele
39:36com a vida dele
39:37e eu sigo a minha
39:39feliz e cantante
39:40né
39:41é
39:42quando eu quero
39:43que ele pague a conta
39:44eu não posso
39:45seguir minha vida
39:46eu preciso vigiá-lo
39:48claro
39:49e eu preciso o tempo todo
39:50me lembrar
39:51você vive a vida dele
39:52eu preciso o tempo todo
39:53me lembrar
39:53que ele me deu um tapa
39:54por isso que eu não posso
39:55me libertar dele
39:56porque ele me deu um tapa
39:57e aquele dia
39:58doeu muito
39:59e ele me deu um tapa
40:00e eu sou muito infeliz
40:01porque ele me deu um tapa
40:02e aí eu não tenho sossego
40:04é
40:05daí que nasceu
40:06esse livro maravilhoso
40:07eu li seu livro
40:07tive o prazer de ler
40:09é
40:10recentemente
40:11o ato de inteligência
40:12que vai curar
40:13a sua vida
40:14e você sabe que isso
40:16hoje eu tenho um curso
40:17que se chama
40:17educação para líderes
40:19que eu dou
40:20ele é aberto
40:21mas eu dou em company
40:23muitas empresas me chamam
40:24para eu
40:25para eu poder dar esse curso
40:27para as lideranças deles
40:29é
40:30e
40:30é
40:31basicamente
40:32é
40:33solta o passado
40:35você está dando
40:37respostas velhas
40:39para problemas novos
40:41isso
40:41desculpa gente
40:42eu penso
40:43solta
40:44eu entrevistei
40:44recentemente
40:45a Glaucia
40:46Guarcello
40:47que é
40:48a diretora
40:50gerente aqui no Brasil
40:52da Singularity University
40:53e ela
40:54e ela tem
40:56ela é muito focada
40:57em inovação
40:58e em planejamento estratégico
41:00e o que você está falando
41:02combina muito com
41:04a visão de planejamento estratégico
41:06que é
41:06esquece o passado
41:07não é o passado
41:08que vai criar mais o futuro
41:09ainda mais no mundo
41:10tão caótico
41:11como o atual
41:11esquece o passado
41:13e vamos repensar modelo
41:14e fazer um novo plano
41:16é o foresight
41:17esse caso aqui
41:18é um foresight pessoal
41:20da sua vida pessoal
41:21é
41:21eu tenho
41:22o meu terceiro livro
41:23chama inovação emocional
41:25esse eu não conhecia ainda
41:27mas vou atrás
41:28inovação emocional
41:30eu falo
41:32da reciclagem
41:33eu falo
41:35do lixo
41:36no lixo
41:38que está
41:38cobrindo a crosta
41:39terrestre
41:40e nós vamos
41:41submergir
41:42se a gente não
41:42fizer alguma coisa
41:43com ele
41:44e existe um lixo
41:45emocional
41:46que a gente
41:46produz dentro
41:47e se a gente
41:48não tomar consciência
41:50e não puder
41:51perdoar
41:51ele vai nos enterrar
41:53ele vai nos enterrar
41:54aliás nós temos
41:55assistido isso
41:56pessoas jovens
41:58morrendo
41:59subitamente
42:00e eu digo
42:01gente
42:01está morrendo
42:02está morrendo
42:03de
42:04é muito lixo
42:05que produziu
42:06muito estresse
42:07muito medo
42:08e quando você trabalha
42:10para
42:10grandes empresas
42:12ou organizações
42:13tem muito
42:15no mundo corporativo
42:17tem muito hoje
42:18o danoso processo
42:20que culmina
42:20em burnout
42:21isso
42:22e as pessoas
42:23ficam exaustas
42:25umas das outras
42:26é
42:27muita liderança
42:28tóxica
42:29e
42:30eu já fui assim
42:31eu sei o que é isso
42:33eu sei do que
42:35que eles estão falando
42:36eu digo
42:36gente
42:37mas já passaram-se
42:3835 lunas
42:39eu saí do Banco do Brasil
42:42em 1995
42:43eu sei o que é ser
42:46chefe
42:46tóxica
42:47eu fui mãe
42:48tóxica
42:49e eu entendo
42:50o que vocês estão vivendo
42:51mas ei
42:52vamos aí
42:54ouvindo você falar
42:57e vendo o seu olhar
42:58é até difícil
42:59imaginar
43:00que você foi tóxica
43:01olha o que o perdão
43:03faz com a gente
43:04eu fiquei até legal
43:05ficou legal
43:07não
43:07você
43:07aliás
43:09a conversa é maravilhosa
43:11mas eu tenho que
43:12encerrar
43:12em primeiro lugar
43:13eu quero te agradecer
43:14porque a sua história é linda
43:16obrigada
43:17a sua história é
43:18é um ensinamento
43:19por si só
43:20pra mim
43:21e pra todo mundo
43:22que está nos assistindo
43:23eu quero em primeiro lugar
43:24te agradecer
43:24uma lição de vida
43:26é um beijo enorme
43:28na Beatriz
43:29e na Estela
43:31e como são os outros
43:32o Rodolfo
43:33Rodolfo
43:33e a Eduarda
43:34e a Eduarda
43:35um beijo enorme
43:35nessa filharada maravilhosa
43:37e de coração
43:39parabéns
43:40e muitíssimo
43:41obrigado
43:41eu que agradeço
43:43por falar mais um pouquinho
43:44do perdão
43:45estamos todos perdoados
43:47isso
43:48e sabemos todos perdoar
43:49cada vez mais
43:51eu comecei
43:52essa conversa maravilhosa
43:53e emocionante
43:54com a Heloisa Capelas
43:56a quem eu agradeço
43:57profundamente
43:58e vocês
43:59por favor
44:00lembrem que a vida é leve
44:01e humanamente
44:02é possível
44:03muito obrigado
44:04mais uma vez
44:05e não
44:06a gente
44:07a gente
44:08vai
44:09a gente
44:09a gente
44:09vai
44:10a gente
44:11a gente
44:11vai
44:12Tchau.
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