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O Tesouro Nacional colocou nove estatais no radar de risco, incluindo Infraero, Casa da Moeda e Companhias Docas. Eduardo Velho, sócio-economista-chefe da Equador Investimentos, analisou os desafios de gestão e eficiência dessas empresas e a necessidade de privatizações estratégicas.

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Transcrição
00:00O déficit bilionário nas estatais federais acende um alerta.
00:04Além dos Correios e da Eletronuclear, o Tesouro Nacional ligou o sinal vermelho
00:09para outras sete empresas públicas, entre elas a Infraero, a Casa da Moeda e companhias DOCAS.
00:16O risco é a falta de caixa e, mais uma vez, o governo pode ser chamado
00:20a socorrer essas empresas com recursos públicos.
00:24Sete estatais que, na teoria, não dependeriam de dinheiro público
00:28estão hoje no radar de alerta do governo.
00:31O que era para funcionar com autonomia virou fonte de preocupação fiscal.
00:36A Infraero, por exemplo, foi criada há mais de meio século.
00:40A companhia que foi responsável pelos aeroportos das principais capitais do país
00:44hoje administra terminais aeroportuários regionais, menos estratégicos,
00:49além do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
00:53Motivo que levou a empresa a preparar um plano de negócios para se reerguer.
00:58Há quase três anos, a Infraero vem reduzindo o quadro de funcionários.
01:03Baixou para cerca de um terço 3.500 empregados na posição de agosto.
01:09A companhia teve prejuízo de 2017 a 2021.
01:14Virou para resultado positivo nos dois anos seguintes,
01:17mas voltou ao vermelho em 2024.
01:20O faturamento da empresa desabou de mais de um bilhão e meio de reais em 2023
01:26para menos de meio bilhão do ano passado.
01:30Em nota, a Infraero informou que no terceiro trimestre
01:33teve resultado operacional positivo de quase 10 milhões de reais
01:37e que possuía cerca de dois bilhões de reais em caixa,
01:41a maior parte de recursos próprios.
01:44O velho problema é a gestão no Brasil.
01:47Porque os aeroportos, se eles forem administrar por pessoas
01:51que conhecem o negócio de aeroportos,
01:56que têm experiência, que têm formação,
01:59e que sejam medidas,
02:02principalmente esses executivos,
02:04têm que ser medidos
02:05e têm que ter bônus em função do cumprimento de metas,
02:09como faz a empresa privada.
02:11Ah, o aeroporto funcionou muito bem,
02:14caiu o número de atrasos,
02:16transportou mais gente,
02:17transportou mais carga, etc.
02:20O executivo principal cumpriu as metas?
02:24Ok.
02:24Então ele vai ter um prêmio,
02:26vai ter um bônus,
02:27vai ter um aumento de salário, etc.
02:30Outra estatal à beira da UTI é a Casa da Moeda.
02:33Fundada nos últimos anos do século XVII,
02:36em Salvador, na Bahia,
02:37tinha como finalidade resolver a escassez de moedas no Brasil Colônia.
02:42Só em 1984 se transferiu para a sede que ocupa hoje no Rio de Janeiro,
02:48onde produz moedas, cédulas, selos, passaportes e documentos de segurança.
02:53A companhia vive conjuntura desfavorável por causa da disseminação de transações financeiras digitais,
03:00revolução que ocorre no Brasil e em outras partes do mundo.
03:04Mesmo com cenário adverso,
03:06a estatal teve lucro de 51 milhões de reais no ano passado,
03:11mas o número é 74% menor do que em 2023.
03:15Teve ainda resultado operacional negativo.
03:18Isso acionou as sirenes do Tesouro Nacional.
03:22No entanto, a Casa da Moeda possui liquidez para cobrir dívidas.
03:26Será que vai ter alguém interessado em fabricar papel moeda no Brasil?
03:30Suponhamos, né?
03:31Não tem ninguém interessado, não dá muito lucro.
03:35E aí, o que faz?
03:38Tem que ter a Casa da Moeda.
03:40Nesse caso, o Estado tem que ter uma repartição,
03:44um departamento, uma empresa que faça esse trabalho.
03:47E, por exemplo, a Casa da Moeda,
03:49na grande parte dos países ricos,
03:52continua sendo uma atividade estatal e não privada.
03:55Cinco das sete companhias docas dos estados
03:58também estão entre as nove estatais
04:00que aparecem no alvo de uma força-tarefa
04:02criada pelo Tribunal de Contas da União.
04:06As docas, sob a atenção do TCU,
04:08são as companhias do Rio de Janeiro,
04:11Bahia, Rio Grande do Norte,
04:13Ceará e Pará.
04:14A Coderne é a que aparece em destaque no relatório do Tesouro Nacional.
04:19A companhia apresenta risco de deterioração financeira
04:22por causa de arrendamentos,
04:24necessidade de investimentos em infraestrutura
04:26e a possível desvinculação do porto de Maceió.
04:30Esse terminal foi responsável por 72% da receita líquida da Coderne no ano passado.
04:36Apesar dos avanços obtidos com a aprovação da nova lei dos portos,
04:41os grandes portos públicos do país ainda apresentam
04:44um baixo nível de eficiência na gestão portuária.
04:49Então, essas companhias docas,
04:51essas empresas públicas,
04:53elas encontram com uma reduzida capacidade gerencial
04:56e um passivo trabalhista muito grande,
04:59o que impede, de certa forma,
05:00de promover toda aquela modernização
05:03que é necessária para elevar a eficiência
05:06desses portos aos padrões internacionais.
05:09É que nós temos essa ideia errada no Brasil
05:13de que estatal pode dar prejuízo.
05:16Isso é errado.
05:16Estatal não deve dar prejuízo.
05:19Estatal, se ela tiver um superávit,
05:21superávit, se ela tiver um lucro,
05:24ótimo, vamos aproveitar isso e investir em minorias.
05:28Mas, obrigatoriamente, as estatais deveriam dar lucro, sim.
05:34No Brasil, já nos acostumamos com o fato
05:37de estatais terem grandes prejuízos.
05:40Isso está totalmente errado.
05:41Deveria ser totalmente proibido.
05:47Essa crise nas estatais
05:49veio à tona agora, no fim do ano,
05:51com a divulgação de que nove empresas
05:53estão no mapa de riscos fiscais da União,
05:56elaborado pelo Tesouro Nacional.
05:58E para falar sobre esse assunto,
06:00esse assunto que nós acabamos de mostrar na reportagem,
06:03a gente recebe aqui no Fast Money,
06:05Eduardo Velho.
06:06Ele é sócio-economista-chefe
06:08da Equador Investimentos.
06:10Oi, Eduardo.
06:10Seja muito bem-vindo aqui ao programa
06:12e muito obrigada pela sua participação.
06:16Obrigado, Paula.
06:18Prazer é o nosso de te receber.
06:20Eduardo, pra começar,
06:21a gente inclusive viu na reportagem
06:23que a grande crítica que se faz
06:25às estatais, principalmente nas que entraram
06:27no radar do governo,
06:29é a falta de gestão
06:30e também de interferência política.
06:33Como desatar esse nó?
06:34É uma pergunta de milhões,
06:35mas na sua opinião.
06:37É, é uma pergunta e um desafio, né?
06:42Eu participei da equipe econômica na década de 90,
06:46falando na década de 90,
06:48já havia problema nos esportes brasileiros,
06:51por exemplo, na companhia Adocas,
06:53a questão da ineficiência.
06:55E a gente tem que lembrar o seguinte,
06:57ineficiência significa o quê?
06:59Que o custo é mais elevado.
07:00E você tem,
07:02se dificulta o quê?
07:03É rentabilizar mais as nossas exportações,
07:05quer dizer,
07:05o custo de você exportar
07:07torna-se mais caro.
07:08Da mesma maneira que o custo também
07:10de você importar também
07:11torna-se mais caro.
07:13Então, isso é o que está chamado
07:14custo do Brasil.
07:15Então, esse é o exemplo da companhia Adocas,
07:17como também na questão da casa da moeda, né?
07:20Hoje nós estamos,
07:22mas tudo agora,
07:22sofrendo a influência,
07:24o quê?
07:24Da expansão da moeda digital.
07:25Hoje, todo mundo não pega mais papel moeda,
07:29praticamente pouca gente utiliza papel moeda.
07:32Então, obviamente,
07:33os resultados operacionais
07:35de uma instituição
07:35que depende muito da receita,
07:37da emissão de notas,
07:39de moedas,
07:40de moedas metálicas,
07:42hoje realmente
07:43torna-se um pouco mais ineficiente.
07:45Então, eu acho o seguinte,
07:46deveria ter um critério.
07:48Se você tiver prejuízo das estatais,
07:52o que o outro governo poderia fazer, né?
07:54armar um pacote
07:56com as empresas que já estão deficitárias
07:58e já preparar um plano de privatização delas.
08:02Principalmente,
08:02porque não faz muito sentido
08:03você sustentar isso por muito tempo
08:06e aumentar o custo do Brasil
08:07e reduz o caixa de investimentos,
08:10por exemplo,
08:10para outros investimentos de infraestrutura
08:12que são necessários aqui no país.
08:15Eduardo,
08:15a gente pode dizer
08:16que o Brasil tem estatais demais
08:19ou o problema não é o número em si,
08:21e sim a gestão,
08:23a falta de metas claras.
08:24Qual que é a sua opinião sobre o assunto?
08:27Eu acho que as duas coisas.
08:29Eu acho que o número de empresas estatais,
08:32eu acho,
08:32é demasiado acentuável
08:35e também tem a questão da ineficiência,
08:37da gestão.
08:38Ou seja,
08:39as pessoas que precisam estar
08:41na presidência,
08:43os CEOs,
08:43os diretores,
08:45todos têm que estar alinhados ao negócio.
08:46Tem que ter experiência
08:48no próprio negócio em si,
08:50tanto de aeroportos,
08:52como a questão dos portos.
08:54Então,
08:54são atividades
08:55super vitais.
08:57Você ter uma infraestrutura
08:58que seja bem gerida
08:59com custos baixos
09:01é fundamental
09:01para você ter uma inflação baixa,
09:03para você reduzir
09:05os custos de exportação.
09:07Então,
09:07eu acho que é um mix
09:08de algumas coisas.
09:09É uma gestão
09:09ineficiente
09:11e uma questão também
09:12da própria qualificação
09:13também
09:14da questão
09:17dos profissionais também.
09:18A gente está falando
09:19sobre gestão,
09:20Eduardo.
09:21É possível,
09:22na sua leitura,
09:23blindar as estatais
09:24dessas interferências políticas
09:26na gestão
09:27e no planejamento?
09:31Sim.
09:32Existe você,
09:33eu acho que todo governo
09:34que entra,
09:36é o melhor momento
09:37de você fazer isso.
09:39Qual o momento melhor?
09:40Você ganha ele,
09:41você tem ali
09:43uma situação consolidada
09:44de votos ali,
09:45uma maioria,
09:46digamos assim,
09:47maioria de votos,
09:48e você tem um apoio
09:50razoável no Congresso,
09:51você tem mais de três,
09:53mais de quatro anos
09:54praticamente,
09:55para você atingir
09:56resultados bons
09:57de crescimento,
09:58uma baixa inflação,
10:00os mais baixos.
10:01Então,
10:02eu acho que
10:02o as-dus
10:04tem que ser feito
10:04logo no primeiro ano.
10:06Então,
10:06independentemente
10:07da eleição
10:08em 2026,
10:09eu acho que o próximo
10:10presidente,
10:11ele tem que colocar
10:12essa questão
10:13muito importante.
10:14Por quê?
10:15Hoje,
10:15o déficit do governo
10:16na parte nominal,
10:17se incluindo juros,
10:19o resultado todo
10:20de recaração
10:20de impostos
10:21pelas primárias,
10:22está na faixa
10:23de 8,5% a 9%
10:24do PIB,
10:25é muito elevado.
10:26E a dívida pública,
10:27que está na faixa
10:28de quase 80%
10:30do nosso produto
10:31interno bruto,
10:32vai chegar,
10:33com certeza,
10:33no segundo trimestre
10:34de 2026,
10:36a mais de 85%
10:37da nossa riqueza
10:38total,
10:39do PIB.
10:40Então,
10:40seria fundamental
10:41que você crie
10:42uma sinalização
10:43para os investidores,
10:45tanto externos
10:45como internos,
10:47que o próximo governo
10:48vai ter uma gestão
10:49mais focada
10:50com a questão
10:51da ciência operacional.
10:52E, nesse caso,
10:53eu colocaria
10:54um pacote
10:55de empresas deficitárias
10:57num pacote
10:58de ampla privatização
10:59que, obviamente,
11:00teria que passar
11:01pelo Congresso.
11:03E aí, sim,
11:04haveria, obviamente,
11:04lobby para isso,
11:05para não haver resistências,
11:07mas o governo
11:08tem que lutar
11:09para fazer essa mudança,
11:10como já ocorreu
11:10no passado,
11:11no setor siderúrgico,
11:12no próprio setor elétrico.
11:15Então,
11:16acho que é importante
11:16a gente caminhar
11:17para uma maior eficiência
11:19do setor
11:20de infraestrutura
11:20no país.
11:21Eduardo,
11:22embora existam
11:23algumas estatais
11:24que sejam
11:25altamente lucrativas,
11:27por que existe
11:28essa cultura
11:29no Brasil
11:30de que estatal
11:30pode dar prejuízo?
11:35Isso também
11:36nos leva
11:38a algumas décadas
11:39de atrás.
11:40Eu acho importante
11:42um período
11:42da década
11:43de 50,
11:44década de 60,
11:46você ter
11:47uma maior participação
11:48do Estado
11:48como indutor
11:49do crescimento econômico.
11:50nós tivemos
11:51os chamados
11:52planos nacionais
11:53de crescimento econômico.
11:56Então,
11:56o Estado
11:56realmente
11:57teve uma participação
11:58ativa,
11:58por exemplo,
11:59o setor
11:59automobilístico
12:00ajudou
12:00com grandes
12:01incentivos,
12:02o setor
12:03siderúrgico,
12:03o setor
12:04petrolífero,
12:05o setor
12:05químico,
12:06todos os setores
12:08da economia brasileira,
12:09os grandes setores
12:10de bens,
12:11de capital
12:11e da parte
12:12de investimento,
12:13foram realmente
12:14subsidiados,
12:16grande parte
12:17deles,
12:18por investimentos
12:18do Estado,
12:19que eu acho
12:20importante.
12:21Naquele momento
12:22é importante,
12:23você tinha
12:24acesso ao crédito
12:25mais fácil,
12:26agora você está
12:26com uma situação
12:27onde a dívida
12:29nossa pública
12:30é muito,
12:30muito elevada
12:31e a participação
12:32da nossa despesa
12:33no orçamento,
12:34a despesa obrigatória,
12:35o governo não pode
12:36cortar salário,
12:38a parte previdenciária,
12:39está quase 95%
12:41do orçamento total.
12:42Então não tem
12:43que haver escolhas,
12:44é a escolha
12:45que eu acho
12:45para a próxima
12:47gestão presidencial
12:48é uma gestão
12:49de eficiência
12:50operacional
12:51e nesse caso,
12:52por isso,
12:52a minha sugestão
12:54é que coloque
12:55no mínimo
12:55as empresas
12:56que estão hoje
12:57estando em déficit
12:58em 12 meses,
13:01coloque dentro
13:01de um plano
13:02de privatização
13:03que tem que ser
13:03aprovado pelo Congresso.
13:05É,
13:06e é o que a gente
13:06segue acompanhando aqui,
13:08ano que vem
13:09promete
13:10para muitas questões
13:11por conta do ano
13:12eleitoral
13:12e para a gente
13:13ver o que vai acontecer
13:14aqui no nosso país.
13:16Eduardo Velho,
13:17sócio-economista-chefe
13:18da Equador Investimentos.
13:20Eduardo,
13:21muito obrigada
13:21pela sua participação,
13:23por essa excelente
13:24entrevista
13:24e até a próxima.
13:25Boa semana.
13:27Obrigado, Paula.
13:28Boa semana a todos.
13:29Tchau, tchau.
13:30Tchau, tchau.
13:31Tchau, tchau.
13:32Tchau, tchau.
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