00:00A gente se falou sobre o tarifaço e que a China seria um dos grandes afetados pelas novas taxas impostas por Donald Trump.
00:06O desvio de produtos taxados nos Estados Unidos para outros países era esperado.
00:12Agora, o que não era esperado é que mesmo com as tarifas, a segunda maior economia conseguisse um superávit recorde
00:19em relação a exportações de produtos para outros países do mundo.
00:23O valor das transações comerciais chinesas chegou a 1,2 trilhão de dólares.
00:28E o diretor de crédito da Allianz Trade no Brasil, Felipe Tanos, já está aqui ao vivo no Fast Money
00:34para falar com a gente sobre o que mais a gente pode esperar da balança comercial da China.
00:39Felipe, boa tarde, seja muito bem-vindo.
00:42Boa tarde, Natália. Obrigado pelo convite.
00:45Felipe Machado, nosso analista, está aqui também para participar da conversa.
00:49Dois Felipes, então, né?
00:50Exatamente.
00:51Vamos lá, é bom assim que não tem confusão.
00:53Boa tarde, xará.
00:54Bom, Felipe, o tarifácio, então, iniciado por Donald Trump, tinha como argumento principal o objetivo final
01:01proteger os Estados Unidos, mas então acabou impulsionando a China a buscar novos parceiros,
01:06reforçou relações com outros parceiros importantes.
01:09Como é que essa mudança na rota das negociações comerciais mexeu e redefiniu a dinâmica global do comércio?
01:17Sim, perfeito.
01:20O relatório econômico conduzido pela Allianz Trade entre março e abril deste ano,
01:25ele contou com a participação de mais de 4.500 empresas no mundo, tá?
01:29E ele mostrou algumas mensagens principais, tá?
01:31A primeira é que a imprevisibilidade da política comercial dos Estados Unidos,
01:35ela afetou a confiança dos exportadores quase pela metade,
01:39ou seja, quase metade deles espera uma queda de faturamento entre 2% a 10% aí nos próximos 12 meses.
01:46Quando a gente pensa em China, 77% das empresas chinesas buscam diversificação
01:52e aumento de investimentos em áreas estratégicas.
01:55Em 2025, o nosso relatório mostra que 325 bilhões de dólares serão perdidos nas exportações,
02:01dos quais 96 bilhões provenientes aí da China.
02:06Ainda assim, Natália, como você comentou, a economia chinesa,
02:09ela teve um desempenho melhor até do que o esperado até agora neste ano,
02:12elevando até a nossa previsão de crescimento do PIB para 2025 da China,
02:17para 4,8% versus ante 4,5% que a gente projetava até pouco tempo atrás.
02:24No entanto, a gente ainda projeta uma desaceleração para o segundo semestre de 2025
02:29e impactos vindo ainda no ano de 2026.
02:33Esse desempenho acima do esperado, ele foi sustentado,
02:38primeiro por uma demanda externa particularmente robusta,
02:41além de uma demanda doméstica razoavelmente sólida.
02:45As exportações, elas cresceram quase 6% chinesas no primeiro semestre de 2025.
02:52E basicamente, dois fatores principais motivaram esse crescimento.
02:56Primeiro, a antecipação dos pedidos.
02:58Então, muitos pedidos foram antecipados,
03:01visando fugir do aumento das tarifas impostas.
03:05E o segundo, como você também comentou, a questão do redirecionamento,
03:09que ajuda a mitigar o impacto dos aumentos tarifários dos Estados Unidos.
03:15Então, quando a gente fala das importações de produtos chineses pelos Estados Unidos,
03:19por mais que as importações americanas dos produtos chineses caíram 19% no primeiro semestre deste ano,
03:27o que fez com que uma redução da participação da China nas importações americanas fosse para cerca de 9%,
03:35ainda assim, a China conseguiu trazer esse resultado recorde, como você comentou.
03:43Isso não significa que as empresas americanas tenham trazido de volta a produção para o país.
03:51Em vez disso, elas acabaram recorrendo para outras economias para suprir essa demanda.
03:57Então, Vietnã, Índia, Tailândia foram grandes players do Sudeste Asiático
04:02que supriram também os Estados Unidos no local da China.
04:07O recado principal, acho que o que eu deixaria aqui é que essas mudanças,
04:11elas mostram que as tarifas não reduzem necessariamente a dependência das fontes estrangeiras.
04:17Elas apenas realocam um aumento dos custos ao longo...
04:21Elas apenas ajudam a realocar e aumentar os custos ao longo do processo.
04:29A Allianz Trade, como seguradora líder de crédito e especialista em seguro-garantia,
04:33ela tem um portfólio de mais de 85 milhões de empresas monitoradas por todo o mundo,
04:38distribuídos em mais de um trilhão de euros de exposição concedida.
04:44Então, o nosso direcionamento para os nossos clientes, para os nossos segurados
04:48neste momento de guerra comercial é exatamente direcionar os nossos clientes
04:55para mercados que podem suprir os Estados Unidos nesse momento,
05:01ainda assim com a mesma qualidade creditícia, quando a gente fala de rating de crédito.
05:07Felipe, sua pergunta agora.
05:08Felipe, interessante.
05:09Felipe, quando a gente dá uma olhada na economia da China,
05:13a gente vê que teve uma desaceleração, teve uma certa crise ali no setor imobiliário.
05:17Tinha uma demanda muito grande, o governo chinês dava muitos créditos,
05:22acabou sendo uma espécie de uma desaceleração muito grande nesse setor imobiliário
05:27que acabou prejudicando a economia da China.
05:29Mas, por outro lado, você diz que a expectativa do mercado é que cresça 4,8%,
05:33mais ou menos como aqueles 5% que o governo chinês vem anunciando praticamente ao longo do ano passado
05:39e ao longo desse ano também.
05:41Quer dizer, mesmo com essa queda na questão do mercado imobiliário,
05:45com uma certa diferenciação, uma mudança nessas cadeias de suprimento globais,
05:50a China, então, consegue crescer, mesmo com esses dois fatores prejudicando a sua economia?
05:55Consegue, consegue porque a China, a gente está falando do segundo maior player de economia globalmente.
06:02Então, por mais que sim, de fato, há uma desaceleração concentrada nesse setor de construção na China,
06:09o foco exportador é muito forte.
06:12O Brasil, por exemplo, foi o segundo país que mais recebeu investimentos diretos da China
06:16no primeiro semestre de 2025, atrás somente da Indonésia.
06:21Então, é em meio a um avanço dos aportes chineses nos mercados estrangeiros.
06:26A China, quando a gente fala de troca entre China e Brasil, por exemplo,
06:31o Brasil é rico em matérias-primas.
06:35Então, a gente tem minério de ferro, a gente tem soja, a gente tem petróleo,
06:38produtos muito interessantes para serem transacionados com o mercado chinês.
06:43Por outro lado, a gente é carente em infraestrutura e dono de um mercado grande de consumo.
06:49Então, a gente vê, por exemplo, essa invasão das montadoras chinesas
06:53no mercado doméstico brasileiro, falando do Brasil.
06:57Isso acaba atraindo muito investimento para o país
07:00e fomentando essa balança comercial super positiva para o mercado chinês.
07:07Quero agradecer Felipe Tano, diretor de crédito da Allianz Trade no Brasil,
07:11pela participação ao vivo aqui com a gente no Fast Money.
07:14Muito obrigada, viu, Felipe? Até a próxima.
07:17Obrigado, Natália. Obrigado, Felipe. Até a próxima.
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